Simpósio internacional discute inovação e sustentabilidade na Amazônia

Nos próximos dias 26, 27 e 28 de outubro, o Instituto de Engenharia (IE) sedia o Simpósio Internacional: Uma Amazônia Inovadora e Sustentável (SIPAIS). O evento será realizado de modo on-line, respeitando as normas de prevenção à covid-19, com vários painéis e debates.

O evento do IE tem por objetivo sensibilizar sobre a importância de uma cooperação internacional, dos mais diversos ecossistemas, para desenvolver e escalar ações sinérgicas e sustentáveis com países da Amazônia. Desse modo, promover a verdadeira revolução ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) através da engenharia.

O simpósio também buscará iniciativas e projetos nas áreas de infraestrutura, energia e logística, educação e pesquisa, com foco no crescimento econômico sustentável da região amazônica.

Os debates devem trazer oportunidades do uso de fontes públicas e privadas para o financiamento da infraestrutura, mensuração do índice ESG, bem como motivações sociais em segurança, qualidade de vida, o ecossistema econômico, industrial e tecnológico, segurança jurídica e operacional de empreendimentos naquela região.

Para isso, entre os convidados a participar das discussões estão representantes de governos, entidades internacionais, empresas, academias, centros de pesquisa, ONGs, engenheiros e profissionais ligados às questões de inovação e sustentabilidade.

Propostas reais

Ao final, o SIPAIS consolidará uma síntese, sugestões e transcrição dos painéis realizados nos três dias de simpósio do Instituto de Engenharia e as contribuições voltadas para um desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O resultado desse trabalho será encaminhado ao Conselho da Amazônia Legal, ao Parlamento Amazônico, à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), autoridades, embaixadas, setor financeiro e para toda a sociedade civil.

Inscrições

A inscrição ao SIPAIS será feita no site do Instituto de Engenharia (https://www.institutodeengenharia.org.br/SIPAIS). O inscrito receberá um link em seu e-mail e terá acesso às transmissões por plataforma eletrônica webinar.

Confira a programação

26 de outubro

13h30 – Abertura

15h30 – Projeto Amazônia e Bioeconomia Sustentada em CT&I

16h15 – Inclusão Geodigital da Gestão Produtiva – Práticas ESG com Tecnologia Aplicada

18h – Oportunidades para a melhoria da infraestrutura em segurança, logística, energia e telecomunicações

27 de outubro

13h30 – Comunidade Integrada e Participativa – Cooperativa e Agropecuária Familiar

16h – Educação, Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Tecnológico – Intercâmbio e Potencial da Sociedade Amazônica

18h – Desenvolvimento Social, Econômico, Turístico e Cultural

28 de outubro

9h30 – Ecossistema Revolução ESG

13h30 – Desafios da Logística para o Desenvolvimento da Bioeconomia e da Bioengenharia na Amazônia

16h – Estabelecimento de Critérios Ambientais, Sociais e de Gerenciamento para uma Amazônia Sustentável

18h – Bacia Amazônica como um vetor de Integração Econômica

29 de novembro

17h – Entrega do caderno de conclusão dos painéis debatidos com as oportunidades de ações para a Amazônia

Foto: Vista da Amazônia / Bruno Cecim / Agência Pará

Demarcação Já: Gilberto Gil, Elza Soares e BNegão se unem em live pela causa indígena

O Festival Demarcação Já Remix, projeto do DJ MAM abre a semana com uma programação on-line intensa de painéis para debates sobre a causa indígena, a qual inicia hoje com o tema “Meio Ambiente e Cultura: Do Rio Carioca à Amazônia”, às 18h, e encerra no sábado (11/09), com Gilberto Gil em seu canal no YouTube com live musical e presença de mais de 30 artistas, como Elza Soares, Bnegão, Dona Onete, Rodrigo Sha, Djuena Tikuna, Jonathan Ferr, Felipe Cordeiro, entre outros.

A abertura do festival, no Dia da Amazônia (5/9), teve ato cultural e político, de reparação histórica aos povos originários, no Museu do Amanhã e a presença do Coral Guarani Tenonderã. Nesta edição o evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Coral Guarani Tenonderã, na abertura do Festival Demarcação Já Remix, na Praça Mauá
(Foto: Eduardo Napoli)

Artistas e autoridades participam das conversas. Entre eles a líder indígena Sônia Guajajara, o artista multimídia indígena Kadu Xukuru; o ator Paulo Betti; o cantor e compositor Pedro Luis; o secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Cavalieri, e o secretário municipal de Cultura do Rio, Marcus Faustini.

Conteúdo – Serão seis painéis, que acontecerão até sábado, sempre às 18 horas, com transmissão pelo Instagram do Festival. Entre os temas abordados, questões como ‘Meio Ambiente e Cultura’, ‘A Temática indígena e ambiental nas telas’ e ‘NFT Socioambiental’.

A live de encerramento será exibida no formato de programa de TV, com DJ MAM, direto do Museu do Amanhã, convidando os artistas a se juntarem à causa. As participações serão por meio de canto, música, clipe, fala.

Gilberto Gil, apoiador do festival, cedeu seu canal para transmissão e participará através dos clipes “Demarcação Já” e “Do Guarani ao Guaraná”.

Doações

O público poderá contribuir durante a live, através de QR Code, para a APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e para o Coral Guarani Tenonderã.

O Festival

O festival é uma extensão da campanha “Demarcação Já”, criada pelo Greenpeace e pelo Instituto Socioambiental, em 2017, a partir da canção de mesmo nome dos compositores Carlos Rennó e Chico César. Seu videoclipe e remixes lançados nas plataformas digitais por DJs e grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Céu e Tropkillaz já ecoaram mais de 100 milhões de vezes a frase de ordem “Demarcação Já”.

DJ MAM comanda Festival Demarcação Jà Remix (Foto: Simone Kontraluz)

DJ MAM

Curador de séries fonográficas e festivais como o Sotaque Carregado, o Demarcação Já Remix, o Carnaval Remix e o inédito Amazônia Remix, DJ MAM mixa o Brasil às pistas globais. Prêmio Noite Rio de melhor DJ de MPB, já tocou em 15 países, tendo colaborações com Gilberto Gil, Dona Onete e BNegão.

MAM é compositor e intérprete da trilha oficial do Rio de Janeiro, “Oba Rio” e do tema de 80 Anos do Cristo, “Redentor”. Seu álbum autoral Sotaque Carregado e remix Sotaque ReCarregado foram indicados ao Prêmio da Música Brasileira e chegaram ao Top 20 World Music Charts Europe.

Em 24 anos, seu selo, programas de rádio e festivais deram palco a mais de 500 nomes como Elza Soares, Hermeto Pascoal, Gaby Amarantos e BaianaSystem. Sua empresa foi indicada a diversos prêmios como o SIM – Semana Internacional da Música 2020, Brasil Criativo e Profissionais da Música nas categorias criatividade, inovação e transformação social.

Participações confirmadas

Gilberto Gil | Elza Soares | Ziraldo | Sonia Guajajara | BNegão | Dona Onete | Letícia Sabatella | DJ MAM | Coral Guarani Tenonderã | Digitaldubs | Oskar Metsavaht | Djuena Tikuna | Felipe Cordeiro | Jonathan Ferr | Zahy Guajajara | Pedro Luis | Carlos Rennó | Yaka Sales P | Andre Vallias | Rodrigo Sha | Paka Noke Koi | Batman Zavareze | VJ Carol Santana | Eric Marky | DJ Flavya | DJ Raiz | Kadu Xukuru | Manie Dansante | Silvan Galvão | Patricia Bastos | Banda Conceição | Roberta Carvalho | Aíla.

Painéis Demarcação Já Remix

Local: Instagram Festival Demarcação Já Remix

Horário: 18h

7 de setembro, terça-feira

Meio Ambiente e Cultura: Do Rio Carioca à Amazônia

Convidados: Marcus Faustini (Secretário Municipal de Cultura do Rio), Tica Minami

Mediação: DJ MAM

8 de setembro, quarta-feira

A Temática Indígena e Ambiental nas Telas

Convidados: Paulo Betti, Zahy Guajajara e Felipe Scapino

Mediação: DJ MAM

9 de setembro, quinta-feira

NFT Socioambiental: Green NFT, Música e Cryptoarte Indígena

Convidados: Raphael King (Brasil NFT), Byron Mendes (Metaverse Agency) e Fausto Vanin

Mediação: DJ MAM

10 de setembro, quinta-feira

Futurismo Indígena: A Arte e o Território da Ancestralidade ao Pop

Convidados: Ziraldo Artes Produções Julia Vidal e Kadu Xukuru

Mediação: DJ MAM

11 de setembro, sábado

Composição Engajada

Convidado: Carlos Rennó

Mediação: DJ MAM

Live Demarcação Já Remix

Local: YouTube Gilberto Gil

Horário: 21h

Foto Gilberto Gil: Gérard Giaume

Fórum Virada Sustentável discute a Amazônia e os impactos do seu desmatamento na sociedade

Na segunda-feira (13/9), a 11ª Virada Sustentável apresenta o painel Amazônia e o Futuro do Brasil em sua programação, que começou na quinta-feira (2/9), na capital paulista, e segue até o dia 22. O desmatamento e os impactos sociais causados por isso são questões-chave da discussão.

Para situar o debate, a descrição do painel aponta que no início o desmatamento foi para projetos de infraestrutura e, hoje, a Floresta perde espaço pelos extrativismos vegetal e mineral e para a produção agropecuária, numa troca que pode ter consequências sérias para a sociedade, em especial, a questão climática e o equilíbrio biológico do mundo.

A discussão terá moderação de Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável, além da presença dos palestrantes Paulo Artaxo, vice-presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, USP, e Roberto Waack Arapyaú, presidente do Instituto Arapyaú. O painel sobre a Amazônia será às 14h (hora de Brasília), com transmissão pelas redes sociais do evento.

Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável
(Foto: Divulgação)

#MinhaMensagem

Neste ano, o tema do maior festival de sustentabilidade do país é #MinhaMensagem, que traz 100 mensagens importantes sobre este momento de construção coletiva para o futuro pós-pandemia. O tema permeia toda a programação do evento, que é gratuita e repete o modelo híbrido experienciado na edição de 2020.

As frases da campanha foram elaboradas por 100 organizações de diversos setores da sociedade civil. “Estamos dando voz para várias organizações da sociedade civil para que possamos nos inspirar para construir um mundo mais sustentável e igualitário”, conta Mariana Amaral.

Pela primeira vez, a programação do Fórum Virada Sustentável foi construída a partir de uma pesquisa com representantes da iniciativa privada e sociedade sobre quais temas e assuntos eles consideram urgentes de serem conversados. A partir daí a programação do Fórum foi agrupada por temas de interesse apresentados na pesquisa: água, economia circular, empreendedorismo em comunidades, agenda ESG, mudanças climáticas, Amazônia, questões indígenas, habitação, segurança alimentar e diversidade. 

Em paralelo, várias manifestações e intervenções artísticas ocorrem pela cidade de São Paulo refletindo os pontos abordados virtualmente.

“Nosso objetivo é promover uma visão inspiradora sobre um futuro sustentável. Além disso, o festival, desde sua primeira edição, funciona como um grande reforço às redes de transformação e impacto social existentes, reunindo sociedade, organizações da sociedade civil, artistas, agentes públicos e marcas nesta construção”, complementa André Palhano, também fundador da Virada Sustentável.

Jazz ao Pôr do Sol na Virada Sustentável 2021
(Foto: Bruno Noda)

Conteúdo

Com 26 painéis virtuais, o Fórum Virada Sustentável amplia a possibilidade de participação para pessoas de fora de São Paulo. Todas as atividades contam com tradução em Libras e tradução simultânea nas palestras de convidados internacionais. Para participar, os interessados precisam se inscrever gratuitamente no site da Virada Sustentável: www.viradasustentavel.org.br /palestras

Um dos destaques do Fórum é o painel do dia 13, apresentado pelo economista estadunidense Jeffrey Sachs. Em sua palestra Mensagens para o Mundo Pós-Pandemia, às 10h (hora de Brasília), ele fala sobre a importância de uma agenda política alinhada às pautas de desenvolvimento sustentável para um crescimento socioeconômico global. Ao fim da exposição, Sachs responderá perguntas do público.

Os rumos da agenda ESG estão presentes nos encontros em que serão discutidas a importância da Amazônia para a economia, a questão da biodiversidade dentro do contexto da agenda ESG e as tendências do consumo on-line com impacto positivo.

No dia 15 de setembro, o Fórum Virada Sustentável traz desigualdade e diversidade de gênero para o debate na conversa Oportunidades e desafios da equidade de gênero nas organizações com Margareth Goldenberg (Movimento Mulher 360), Camili Calixto (Mais Diversidade) e Suellen Moraes (BALL), que analisam a situação atual do mercado de trabalho para as mulheres, a partir do dado do IBGE de que em 2021, a participação feminina no mercado teve o menor índice dos últimos 30 anos. E no dia 22, às 11h30, o painel Inclusão e diversidade: a importância de metas para impulsionar a agenda também traz, como parte da pauta ESG, a necessidade de construir ambientes empresariais inclusivos e uma cultura corporativa guiada pelo combate às desigualdades.

Economia circular é o eixo da programação dos dias 8 e 9 de setembro. As conversas abordam desde como a sociedade pode começar a se engajar sobre este tema, passando por questões de reciclagem, tanto de embalagens usadas em domicílios como o aço produzido pela indústria.

O tema volta a ser debatido no painel Educação e Economia Circular: Construindo um Mundo sem lixo no dia 20, às 15h15, que discute caminhos e propostas para que se possa trazer o conceito da economia circular para o dia a dia, a partir de propostas e possibilidades para professores, gestores e famílias.

A questão da água é o tema do painel Despoluir é necessário. Manter o Rio Pinheiros limpo é obrigação de todos marcado para o dia 15 de setembro, às 15h15.

No dia 16 de setembro, o Fórum Virada Sustentável abarca várias frentes sobre a questão da alimentação: o painel Entendendo o supermercado: um diálogo sobre a agricultura brasileira e fome; a mesa Redução de Emissões na Gestão de Resíduos: um Coringa para Alcançar as Metas Desejadas; Fome e Desenvolvimento: o futuro dos alimentos e a soberania alimentar em um mundo pós-pandemia, em que o público é convidado para o debate sobre a questão.

No penúltimo dia de programação do Fórum, 20 de setembro, moradia e cidades inteligentes são pontos-chave das discussões promovidas nos debates Habitação Pós-Pandemia: A sua casa é a sua causa! e Cidades Inteligentes e Sustentáveis – Mais Conectadas, Criativas e Sustentáveis.

O último dia do Fórum Virada Sustentável, 22 de setembro, também marca o encerramento da 11ª edição da Virada Sustentável. Com uma programação intensa composta por 6 painéis, a agenda do dia discute os principais tópicos abordados ao longo do evento.

Após sua realização, todas as atividades da programação do Fórum Virada Sustentável ficarão disponíveis com tradução em Libras e legenda no canal da Virada Sustentável no Youtube (https://www.youtube.com/user/ViradaSustentavel).

Economista estadunidense Jeffrey Sachs integra o Fórum Virada Sustentável
(Foto: Divulgação)

A Virada Sustentável

O maior festival de sustentabilidade do Brasil envolve articulação e participação direta de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, coletivos de cultura, movimentos sociais, equipamentos culturais, empresas, escolas e universidades. O festival tem como objetivo apresentar uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade e seus diferentes temas para a população, gerando reflexão e discussões a fim de promover um futuro sustentável e reforçando as redes de transformação e impacto social existentes.

O evento, que pelo segundo ano apresenta atividades em formato híbrido, acontece por meio de intervenções em diversas áreas da cidade de São Paulo e em plataformas virtuais, com programação completamente gratuita que apresenta instalações, projeções, grafites, performances, teatro, programação de bem-estar, além do Fórum Virada Sustentável.

A Virada Sustentável São Paulo 2021 é apresentada por Braskem, com patrocínio master da Isa Cteep, patrocínio da Ambev, Gerdau, Sabesp, co patrocínio de Electrolux, Mercado Livre, Novelis, Tetra Pak e apoio das empresas Ball, Deloitte, Instituto Center Norte, Instituto Vedacit e ValGroup. Além da co-realização com a Prefeitura de São Paulo e parceria com PNUD, Instituto Alana, Metrô SP, Pacto Global, Rotary Club, Sesc, Estadão, Eletromidia e Ótima.

Programação

A programação completa pode ser acompanhada nos seguintes canais:
Site: https://www.viradasustentavel.org.br
Instagram: @viradasustentavel
Facebook: facebook.com/viradasustentavel
Youtube: https://www.youtube.com/ViradaSustentavel

Dia 08/09

14h – Economia Circular: Tudo que você precisa saber para se engajar
Descrição
: Dados recentes mostram que o atual sistema linear de “extração-produção-descarte” apresenta claros sinais de esgotamento, demonstrando a necessidade premente de uma transição para um modelo mais circular. No entanto, levantamento internacional identificou que há cerca de cinquenta definições para o termo Economia Circular. Como alinhar esse conceito e implementar um sistema de EC na região? E quem serão os principais protagonistas nessa transição?
Moderador:
Carlos RV Silva Filho: Diretor-presidente da ABRELPE/ISWA
Palestrantes:
Carolina Zoccoli: Especialista em sustentabilidade da Firjan
Flavio Ribeiro: Engenheiro e professor da Unisantos
Alexandre Citvaras: diretor de novos negócios e ESG da Orizon

15h15 – Do fim ao começo: a reciclagem transformando vidas
Descrição
: Como o fim da vida útil das embalagens pode ser o começo da transformação da vida de pessoas que trabalham com a reciclagem e também o começo da vida útil de novos produtos que geram renda para indústrias recicladoras.
Moderadora:
Roberta Jansen, Jornalista
Palestrantes:
Patricia Rosa: Coordenadora de projetos sociais, captação de recursos e gestão institucional da Cataki
Rodrigo Creato: Diretor industrial da NBR Plásticos de Engenharia
Valéria Michel: Diretora de Sustentabilidade da Tetra Pak Brasil e Cone Sul

16h30 – O Aço como agente transformador

Dia 09/09

14h – Futuro da reciclagem
Moderador:
Wagner Soares Costa: Gerente de Meio Ambiente da FIEMG
Palestrantes:
Fabiana Quiroga: Diretora de Economia Circular da Braskem na América do Sul da Braskem
Eduardo Berkovitz: Diretor de Relações Institucionais da Valgroup
Roger Koeppl: Diretor-presidente da YouGreen Cooperativa
Rodrigo Figueiredo: Vice-presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da América do Sul da Ambev.

15h15 – Inovação na reciclagem de embalagens flexíveis
Moderadora:
Roberta Jansen: Jornalista
Palestrantes:
Marcelo Guerreiro Mason: Head de Sustentabilidade da Deink
Karina Turci: Gerente de Sustentabilidade de Embalagens da Ambev

Dia 13/09

10h – Mensagens para o Mundo Pós-Pandemia
Descrição
: Palestra com Jeffrey D. Sachs, professor de economia de renome mundial, autor de best-sellers, educador inovador e líder global em desenvolvimento sustentável.
Moderador:
Jorge Soto: Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem
Palestrante: Jeffrey Sachs

14h – Amazônia e o Futuro do Brasil
Descrição
: O início do desmatamento foi para projetos de infraestrutura, hoje a Floresta perde espaço pelos extrativismos vegetal e mineral e para a produção agropecuária numa troca que pode ter consequências sérias para a sociedade, em especial, a questão climática e o equilíbrio biológico do mundo.
Moderador:
Virgílio Viana: Superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS)
Palestrantes:
Paulo Artaxo: Vice-presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, USP
Roberto Waack Arapyaú: Presidente da Instituto Arapyaú

15h15 – Proteger sem Possuir | A Importância da Biodiversidade dentro de Contexto de Agenda
Descrição
: Na agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), a proteção da biodiversidade vai muito além do impacto ambiental positivo – é a perfeita harmonia entre a conservação dos biomas, o estímulo a alternativas econômicas sustentáveis e o benefício às comunidades locais. Mas de quem é essa responsabilidade? Nesta sessão, os palestrantes vão conversar sobre iniciativas e práticas de preservação e conservação inovadoras e como cada um de nós pode ir além e fazer a diferença.
Moderador:
Bárbara Lins, jornalista
Palestrantes:
Rui Chammas: Diretor-Presidente da ISA CTEEP
Mário Haberfeld: Presidente e co-fundador do Onçafari
Gabriela Yamaguchi: Diretora de Sociedade Engajada da WWF

16h30 – Tendências do consumo online com impacto positivo
Descrição
: A busca por um modo de vida e, consequentemente, um consumo mais sustentável está crescendo no Brasil, e a comercialização online amplia as possibilidades de pessoas encontrarem produtos e marcas de impacto positivo. O objetivo deste painel é debater as tendências do consumo online com impacto positivo a partir da apresentação de dados sobre o consumo de produtos sustentáveis no Mercado Livre e da experiência de dois empreendedores de impacto que alcançaram seus impactos positivos por meio da venda online.
Mediadora:
Laura Motta: Gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre
Palestrantes:
Paulo Reis: Pesquisador e diretor da Manioca, premiada indústria de alimentos especializada nos sabores da Amazônia

Dia 15/09

14h – Governança, Sustentabilidade e Geração de Valor
Descrição
: O painel abordará sobre como as boas práticas de Governança podem agregar valor para as empresas, abordar a influência dos aspectos ESG e qual é o processo de implantação dessas boas práticas.
Mediador:
Rodrigo Miguel Trentin: Gerente de Educação Corporativa do IBGC
Palestrantes:
Thiago Salgado: Diretor do FAMÍLIA S.A e Membro da Comissão Empresas Familiares do IBGC

15h15 – Despoluir é necessário. Manter o Rio Pinheiros limpo é obrigação de todos

16h30 – Oportunidades e desafios da equidade de gênero nas organizações
Descrição
: Quais os desafios e oportunidades para implementação da equidade de gênero nas organizações? A sociedade brasileira ainda precisa percorrer um longo caminho para tornar efetiva a igualdade entre homens e mulheres, declarada na Constituição de 1988. Segundo o IBGE, a participação feminina no mercado de trabalho chegou em 2021 ao seu menor índice em 30 anos (46,3%), retornando aos números da década de 1990. Gerar oportunidades e criar um ambiente inclusivo é o caminho para reinserir essas mulheres cujas carreiras foram ainda mais afetadas pela pandemia no mercado de trabalho e ampliar a presença delas em diferentes funções, cargos e níveis hierárquicos. Muitas empresas, cientes de sua força transformadora, vêm trabalhando para desenvolver ambientes mais inclusivos onde seus funcionários possam prosperar. Além disso, já foi comprovado que a diversidade entre indivíduos e as equipes ajuda a revelar ideias e estimula a inovação, promovendo o crescimento e o valor em toda a organização.
Palestrantes:
Margareth Goldenberg: CEO Goldenberg Diversidade e gestora executiva do Movimento Mulher 360
Camili Calixto: Consultora de diversidade e inclusão na consultoria Mais Diversidade
Suellen Moraes: Gerente de Diversidade e Inclusão Ball Corporation para a América do Sul

Dia 16/09

14h – Entendendo o supermercado: um diálogo sobre a agricultura brasileira e fome
Descrição
: O Brasil retorna ao mapa da fome da ONU no mesmo ano em que o setor agrícola bate recordes de exportação de commodities do campo. Como compreender o aumento da produtividade agrícola em um país em que 58 milhões de pessoas correm o risco de deixar de comer por não ter renda suficiente para sobreviver, onde nem todos possuem poder de compra (uma vez que os preços do feijão, do arroz, da carne e outros insumos estão alarmantes nos supermercados) e nem acesso a uma alimentação equilibrada, saudável e sustentável? Neste painel será explorado esse paradoxo entre a superprodução de alimentos base e, como esta produção não resulta em comida no prato dos brasileiros, intensificando a discussão sobre a insegurança alimentar.
Mediadora:
Marina Esteves: Assistente de projetos em práticas empresariais e políticas públicas – Instituto Ethos
Palestrantes:
Paola Loureiro Carvalho: diretora de Relações Institucionais e Internacionais, Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB)
Scarlett Rodrigues: Coordenadora de Práticas Empresariais e Políticas Públicas em Direitos Humanos do Instituto Ethos

15h15 – Redução de Emissões na Gestão de Resíduos: um Coringa para Alcançar as Metas Desejadas
Descrição:
Ser responsável por cerca de 4% das emissões de poluentes climáticos parece muito pouco, mas o setor de resíduos é dos únicos que podem zerar sua contribuição para as mudanças do clima. E mais que isso: contribuir com a diminuição das emissões dos outros.
Mediadora:
Gabriela GP Otero: Coordenadora Técnica da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais)
Palestrantes:
Sandra Mazo-Nix: Coordenadora da Iniciativa de Resíduos da Coalizão pelo Clima e Ar Limpos, CCAC
Patricia Iglecias: Presidente da CETESB

16h30 – Fome e Desenvolvimento: o futuro dos alimentos e a soberania alimentar em um mundo pós-pandemia
Descrição
: Há comida suficiente no mundo para alimentar todas as pessoas, mas, por causa das falhas nos sistemas alimentares, cerca de 811 milhões de pessoas vão para a cama com fome todas as noites, enquanto 2 bilhões estão acima do peso. Alcançar a meta de Fome Zero até 2030 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2) requer soluções que abordem ineficiências sistêmicas, crises políticas e mudanças climáticas, reunindo políticas, intervenções impactantes, infraestrutura, serviços, inovação e tecnologia com liderança política e investimentos. Para aliviar a fome crônica, é necessário pensar no alimento como um direito humano básico, não apenas uma mercadoria, e abordar os problemas específicos de cada país que enfrenta a insegurança alimentar.

Foto Desmatamento: Alex Ribeiro/Ag. Pará/Fotos Públicas

Em data comemorativa, povos indígenas reafirmam luta por dignidade e reconhecimento

Por Alessandra Leite
Especial para o Portal Vida Amazônica

A esperança em resgatar a dignidade não apenas para si, mas para a grande família formada pelo povo indígena Warao, vindo da Venezuela para a capital do Amazonas em decorrência da grande crise no país – cuja recessão econômica começou em 2014 – motiva os passos da artesã Ermínia Ratti, 55, moradora de Manaus desde setembro de 2020.

Quando a crise se abateu sobre o país, deixando também o povo Warao sem comida e sem perspectiva de vida, Ermínia foi morar com a família na cidade de Boa Vista, em Roraima, em 2019. Desde então, vem tentando sobreviver junto com pelo menos 5 mil “parentes” de sua etnia que estão espalhados pelo Brasil.

A artesã é uma das artistas indígenas cujos trabalhos foram expostos durante a Feira Alusiva ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, realizadas nesta segunda-feira, 9 de agosto, na praça Dom Pedro II, área localizada no Centro Histórico de Manaus e onde está o recém-inaugurado Memorial “Aldeia da Memória Indígena”.

“Quando a fome chegou à nossa comunidade, não tínhamos nada para comer ou sequer dar aos nossos filhos, foi quando viemos para o Brasil e fomos recebidos de braços abertos. Hoje muitos de nós vivem de aluguel, pago unicamente com a venda dos nossos artesanatos, e outra parte segue nos dois abrigos na região do Tarumã”, conta Ermínia.

Ao ser questionada sobre o que mais precisa para sobreviver com dignidade com sua família, ela diz que um ponto fixo para a venda das biojoias seria o ideal, já que muitas vezes precisa vender o artesanato na rua. “Nossa matéria-prima não é barata e pode se estragar nas ruas. Nisso a Copime está nos ajudando, para que possamos ter um local fixo para expor o nosso trabalho”, diz a artesã venezuelana.

O evento, realizado, em parceria pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Conselho Municipal de Cultura (Concultura), Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e o Centro de Medicina Indígena BAHSE RIKOWI, é uma celebração em homenagem ao dia 9 de agosto, para saudar os 26 anos de existência do Dia Internacional dos Povos Indígenas da Mãe Gaia. Sua origem remonta ao começo do século 20, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi a primeira organização intergovernamental a se envolver em assuntos nativos e indígenas, segundo carta assinada pelo sociólogo João Garcia de Carvalho.

A OIT, ainda sob as Ligas das Nações, elaborou a convenção 50, no ano de 1936, sobre o trabalho indígena; a Convenção 64, de 1939, sobre o contrato de trabalho indígena; e a Convenção 65, de 1939, sobre sanções penais a trabalhadores indígenas.

Memorial

Para o presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, o evento é um reflexo do reconhecimento que vem acontecendo desde o último 19 de abril, quando a praça Dom Pedro II tornou-se o Memorial da Aldeia da Memória Indígena de Manaus. “Aquele foi o marco inicial. Hoje estamos aqui para prestigiar, mais uma vez, os nossos irmãos indígenas, que há muito não recebiam atenção e cuidado. O segmento indígena tem um potencial fabuloso, e é aí que entra a parceria com as nossas instituições, para fomentarmos e tornarmos, o quanto antes, esse segmento em um grande espaço para os empreendedores da cultura indígena”, declarou Oliveira.

Diversidade e conflitos

Tradicionalmente formado por habitantes do delta do rio Orinoco, na Venezuela, o povo Warao é um grupo étnico bastante diverso no que diz respeito às suas formas de organização social e costumes, compartilhando uma língua comum, de nome homônimo, totalizando, atualmente, cerca de 19 mil indivíduos.

Essa diversidade dentro do povo Warao tem trazido alguns conflitos internos entre os moradores dos abrigos, que não compartilham da mesma cultura, segundo a coordenadora da Copime, a líder indígena Marcivana Sateré. “Existe também uma dificuldade de adaptação, porque o regime dos abrigos foge à nossa questão cultural, e alguns conflitos internos acabam ocorrendo. Trazê-los para o nosso convívio, além de retirá-los do isolamento, tem também o propósito de discutir situações como essa. Outro ponto importante é a questão da alimentação deles. São muitos pontos”, disse Marcivana.

Para os povos indígenas, conforme a coordenadora da Copime, os limites territoriais não existem e a discussão em torno do assunto sempre ocorre. “Nós discutimos muito com os que estão nas fronteiras. É bem difícil o entendimento disso. Nesse contexto também estão os parentes do Warao, que vêm de outra região (não fronteiriça) mas não deixam de ser indígenas”, pondera.

Para Marcivana, a ausência de políticas públicas para os indígenas de outras regiões é semelhante a sofrida pelos povos moradores de Manaus. “É uma invisibilidade total. É preciso criar essas políticas públicas, tanto para nós quanto para os parentes do Warao, pois todos temos direito à educação, à saúde, sem os quais não temos condições de manter viva a nossa cultura”, reivindicou.

Sobre a data comemorativa, a líder da Copime enfatiza a simbologia da luta e da resistência em torno do dia, criado em 1995 na busca pela garantia da autodeterminação e dos direitos humanos às diversas etnias indígenas do planeta. “Para além de uma data comemorativa, é uma data de luta e de resistência. Há 26 anos as nossas lideranças encampavam lá fora essa luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. É uma conquista de um reconhecimento dentro da própria ONU (Organização das Nações Unidas). Todos esses direitos adquiridos são importantíssimos, sobretudo neste nosso cenário político, pandêmico e social”, ressaltou.

Marcivana Sateré chamou a atenção para os retrocessos e ataques enfrentados todos os dias na Câmara Federal, com as “PECs da morte” (Propostas de Emenda Constitucional), que, nas suas palavras, vão de encontro à vida dos povos indígenas. “É também um dia para falarmos sobre essas lutas, nesse momento tão dramático da nossa história, para que não sejamos mais atacados como estamos sendo. O movimento indígena tem lançado essa campanha pelo direito à vida e, para termos direito à vida, precisamos do reconhecimento dos nossos povos, do respeito aos nossos territórios, precisamos parar com os retrocessos dos direitos que já estão garantidos”, enfatiza.

Além da feira de artesanato, o evento contou com apresentação musical, danças seculares e comidas típicas.

Foto principal: Cristóvão Nonato/Concultura

Estudo mostra impactos de 35 anos da hidrelétrica de Balbina em florestas de igapó da Amazônia

Um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) trouxe uma síntese de mais de 35 anos dos impactos causados pela construção da hidrelétrica de Balbina nas florestas alagáveis de igapó até 125 quilômetros rio abaixo da barragem. O estudo foi publicado recentemente na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, tendo o pesquisador Jochen Schöngart como primeiro de um total de 22 autores, pesquisadores de instituições do Brasil, Alemanha, Holanda e Reino Unido. A publicação traz os detalhes das perturbações encontradas no espaço e no tempo na floresta de igapó, desde o início da construção da barragem em 1983, e um alerta para o que pode acontecer em outros pontos dos rios amazônicos, onde há mais de 400 barragens, operando, planejadas ou em construção.

A alteração mais nociva é o que os pesquisadores estão chamando de “efeito sanduiche”, no qual o “recheio” não é nem de longe saboroso. A pressão sofrida pelas florestas nas porções mais elevadas e mais baixas resulta na perda de habitats e na diversidade de árvores, com severos impactos nas cadeias tróficas, incluindo a alimentação de peixes, além da perda de importantes serviços ecossistêmicos. A pressão das porções baixas resulta dos elevados níveis mínimos de água durante o período de operação da barragem.

“Aproximadamente 12% das florestas de igapó já morreram e outras são ameaçadas se o modo operacional de construção das barragens continuar a alterar o regime hidrológico”, salientou Jochen Schöngart, que possui graduação e doutorado em ciências florestais. Essas árvores são espécies que estavam adaptadas ao regime regular e anual de inundação, como a Eschweilera tenufolia (conhecida como cuieira e macacarecuia), mas que após o barramento do rio Uatumã (150 quilômetros ao norte de Manaus) tiveram que lidar com inundações quase permanentes, acima da capacidade das espécies de tolerar tanto tempo debaixo d’água.

Nas topografias mais altas, as florestas de igapós foram afetadas pela invasão de espécies da terra firme que possivelmente são mais competitivas que as espécies de igapó. Nas topografias médias, houve um forte declínio da diversidade e, com isso, a dominância de algumas espécies arbóreas. Segundo o pesquisador, os distúrbios que causaram o impacto foram gerados durante o enchimento do reservatório (1983-1989) que resultou em condições de extrema seca nos igapós a jusante da barragem.

“Árvores das florestas alagáveis começaram a morrer por causa da falta de água. Possivelmente incêndios também afetaram os igapós neste período em que as condições secas geradas ainda foram potencializadas por eventos o El Niño (1982/1983 e 1986-1988), que diminuem a precipitação e tendem aumentar a temperatura e a umidade relativa do ar nesta região”, explicou.

A hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo, é considerada um dos maiores desastres socioambientais da Amazônia, com impactos que vão além do reservatório e da barragem. O reservatório inundou uma área de quase 3.000 quilômetros quadrados, afogando florestas de igapó e de terra firme. Apenas os planaltos de terra firme em altitudes mais elevadas permaneceram, formando uma paisagem fragmentada de mais de 3.500 ilhas isoladas em um “cemitério de milhões de árvores mortas”, conhecidos “paliteiros”, e a produção ao longo dos anos de um grande volume de gases de efeito estufa, como o metano. A capacidade instalada prevista era de 250 MW, porém, desde o início das operações em fevereiro de 1989, Balbina nunca gerou energia suficiente para atender Manaus que atualmente consome dez vezes mais energia do que essa usina hidrelétrica produz.

Distúrbios espaço-temporais nas florestas alagáveis de igapó a jusante da barragem de Balbina ao longo de um período de 35 anos, resultando em perda de macrohabitats, mortalidade maciça de árvores e perda da diversidade de espécies arbóreas, afetando o funcionamento do ecossistema e o fornecimento de serviços ambientais

Recomendações

O artigo traz recomendações concretas para mitigar os impactos nas áreas alagáveis para as usinas hidrelétricas em fase de operação, construção e planejamento. Para as barragens em operação, os pesquisadores apontam mudanças no modo operacional, de forma que a liberação da água do reservatório simule o regime natural de baixas águas (índice de fluxo de base do período pré-barragem). Enquanto para as barragens em construção, deveriam ser evitadas condições de extrema seca nas áreas alagáveis a jusante durante a instalação, pois isso pode resultar em elevada mortalidade de árvores por falta de água ou por incêndios. “Isso é de extrema importância nos períodos atuais em que mudanças climáticas podem potencializar os impactos devido ao aumento de temperatura e de eventos extremos de secas”, afirma Schöngart.

Para as barragens planejadas, as áreas alagáveis deveriam ser consideradas no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), que hoje só leva em conta as áreas que serão impactadas pela construção da barragem e do reservatório. Com base nos estudos sintetizados pelos pesquisadores, o EIA/Rima deveria integrar áreas alagáveis até a confluência com um afluente da mesma ordem de rio sem impactos, ou até a confluência com um rio de ordem superior que amortece as alterações causadas pelo efeito da barragem hidráulica.

“Modelos que permitem simular o nível da água e a descarga do rio deveriam estimar a geração de energia hidrelétrica, condicionada ao modo operacional que simule o regime natural de águas baixas. Isso exige uma reavaliação de muitas barragens planejadas por um consórcio envolvendo os órgãos públicos do governo, cientistas, partes interessadas da sociedade civil, indústria e as agências financeiras para evitar ou pelo menos mitigar os possíveis impactos nas áreas alagáveis”, defendem os pesquisadores.

O estudo também deixa um alerta para a necessidade de políticas públicas eficientes voltadas ao desenvolvimento sustentável da região amazônica: “Precisam avaliar os impactos das barragens planejadas considerando o balanço entre geração de energia e a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos que afetam as populações indígenas e ribeirinhas tradicionais, em particular, e a sociedade brasileira, em geral”, destacou Schöngart.

Acompanhamento e uso de modernas técnicas

Em 2009, ou seja, 20 anos após a usina iniciar sua operação, os pesquisadores observaram os paliteiros na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uatumã, dezenas de quilômetros a jusante da barragem de Balbina. Isso levou à formulação da hipótese principal do trabalho, de que as árvores morreram por causa da barragem. Os primeiros estudos tiveram início para buscar evidências. Essas atividades foram realizadas pelos participantes do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP MAUA/ Inpa), sob coordenação da pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, por meio de vários projetos e cooperações, como o Programa LBA (Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) e PELD (Pesquisa Ecológica de Longa Duração), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), de forma a permitir uma abordagem sistemática e abordar diferentes componentes da floresta (plântulas, árvores), em nível da espécie de árvore até a escala de paisagem. Os estudos tiveram apoio de parcerias dentro do Inpa (INCT-Adapta, Projeto Atto) e em nível nacional (INCT-Inau, Universidade Estadual Paulista, Universidade de Brasília) e internacional (Instituto Max-Planck de Química em Jena, Instituto Tecnológico de Karlsruhe, ambos na Alemanha), entre outras.

Para testar a hipótese principal e trazer evidências de distúrbios no passado, quando começou a instalação da barragem de Balbina, na década de 1980, os pesquisadores procuraram evidências destes impactos em séries históricas de dados hidrológicos, imagens de satélite e nas informações que as árvores armazenam no seu tronco em forma de anéis de crescimento que podem ser associadas aos anos calendários do passado por meio de datação de radiocarbono e dendrocronologia.

Em paralelo, foram feitos inventários e monitoramentos das florestas de igapó impactados em comparação com igapós sem distúrbios antropogênicos ao longo do rio Abacate, um afluente do rio Uatumã. E os estudos não param. Ainda estão sendo realizados e planejados experimentos em laboratório no Inpa (microcosmos/INCT-Adapta e casa de vegetação) sob condições controladas para obter mais informações sobre as características e respostas de algumas espécies de árvores que dominam os igapós após perturbações.

Após alcançar uma massa crítica de dados, evidências e informações, os pesquisadores elaboraram a síntese que permitiu reconstruir os distúrbios em espaço e tempo desde que a barragem de Balbina começou a ser construída até os tempos atuais. “Mais de dez anos se passaram desde a primeira observação até esta síntese para indicar recomendações concretas às políticas públicas baseadas em vários estudos capacitando alunos de diferentes níveis de formação acadêmica de diversos programas de
pós-graduação do Inpa. A formação de recursos humanos é fundamental para o futuro dos ambientes amazônicos e é um dos mais importantes produtos deste esforço”, destacou a pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, que também assina o artigo.

Próximos passos

A Fase 3 do Projeto PELD foi aprovada pelo CNPq e pela Fapeam recentemente, com o título ‘Sítios demonstrativos de ecossistemas de áreas úmidas oligotróficas pristinos e impactados na Amazônia Central: encontrando tendências e preenchendo lacunas’. Nesta fase serão testadas algumas hipóteses formuladas na síntese elaborada, e os estudos integrarão outros componentes, como epífitas, relações entre árvores e fungos, árvores e peixes e impactos socioambientais.

O objetivo é criar um sítio demonstrativo que possa fornecer para vários grupos da sociedade (cientistas, gestores ambientais, tomadores de decisão, ensino de diversos níveis, populações tradicionais e outros) um conhecimento científico integrado sobre a biodiversidade e as inter-relações de componentes-chave da biota, sobre processos e serviços ecossistêmicos, integrando também aspectos socioambientais e políticas públicas.

Da Ascom/Inpa

Foto e imagem: Jochen Schöngart

Amazônia Legal tem nova plataforma de informações para desenvolvimento sustentável

Por César Augusto*

Uma plataforma de acesso a dados consolidados sobre os nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) foi lançada nesta quarta-feira (24) pela iniciativa Uma Concertação pela Amazônia em webinar transmitido pelo canal Revista Página22, no YouTube. A Amazônia Legal em Dados, com acesso liberado a qualquer pessoa, proporciona de forma inédita uma visão integrada das nove unidades amazônicas, reunindo 113 indicadores em 11 temas como ciência e tecnologia, demografia, desenvolvimento social, educação, economia, infraestrutura, institucional, meio ambiente, saneamento, saúde e segurança.  Todas as informações são obtidas a partir de 16 fontes conhecidas, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, pretende oferecer uma melhor base para a discussão e implementação de políticas públicas para a região.

A ferramenta, desenvolvida pela empresa Macroplan, traz análises de questões críticas e mostra desafios da região nos últimos 10 anos, além de permitir observações prospectivas, ou seja, como estes indicadores podem evoluir rumo a 2030. Os dados podem ser visualizados por municípios e também dentro de quatro grandes divisões da Amazônia: arco do desmatamento, cidades, região antropizada e região conservada.

Com base nos dados disponibilizados na plataforma, é possível acessar informações, por exmeplo, sobre taxa de homícidios nos nove Estados e seus municípios, número de óbitos por acidentes de trânsito, índices educacionais, dados populacionais e taxa de desemprego. A intenção é buscdar o desenvolvimento sustentável a partir de informações estratégicas, segundo o sócio diretor da Macroplan, Gustavo Morelli. “Não se trata de um repositório de dados, e sim de um hub de inteligência estratégica para apregar valor aos protagonistas desse processo (moradores da região e aqueles que se beneficiam desse momento”, esclarece. Outra característica da plataforma é a possibilidade de identificar os desafios específicos na região com base em algoritmos que os identificam. “Ela foi pensada para o gestor público, o governador, o empresário”, informa. Segundo Morelli, essa primeira versão da plataforma deve ser incrementada aos poucos com o retorno dos usuários.

O representante da Concertação e fellow do Instituto Arapyaú, que participou da concepção do projeto, Francisco Gaetani – também professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundcação Getúlio Vargas (Ebape/FGV) -, afirma çque a plataforma permite uma base para trabalhos na região de forma a alavancar o seu desenvolvimento sustentável. “É um impulso ao esfçroço conjunto de trabalho por uma Amazônia inovadora, transformadora, que respeita suas riquezas e as use como mola para o desenvolvimento. “A região é uma grande vitrine viva do Brasil para o mundo”, declara. “Cada vez mais valorizamos as evidências, pois ajudam a entender a realidade e a tomar as melhores decisões. Neste portal reunimos mais de 100 indicadores em um único lugar para facilitar a obtenção e análise de dados, principalmente para o gestor público”, acrescenta Gateani.

Para o governador do Maranhão e presidente do Consórcio Amazônia Legal, Flávio Dino, a plataforma vai iluminar as realidades da região e reunir dados confiáveis para geração de projetos, captação de recursos e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento sustentável. “Essas iniciativas regionais ganham importância quando existe hoje apologia da ignorância como norteadora de ‘políticas públicas’. Acreditamos no conhecimento como chave de superação dos problemas, sem saídas milagrosas”, aponta o governador.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Tatiana Schor, declara que a iniciativa permite mostrar a utilidade e necessidade dos dados apresentados, possibilitando cruzamento de dados de modo fácil. “Precisamos pensar em como a plataforma vai ser útil nas áreas de atuação”, afirma Schor, com a experieência de quem, como pesquisadora, sempre percebeu a dificuldade de monitoramento de dados pela ausência de informações fidedignas. “Este portal vai além das plataformas que temos disponíveis atualmente, pois permite a análise dos desafios e os recortes temáticos, assim como as possibilidades de fazer perguntas e de ter perspectivas de novas análises. Sabemos que só com os dados que já existem a aferição ainda é fraca”, acrescenta a secretária.

“Existe uma visão maniqueísta sobre a Amazônia que nos leva a cair em armadilhas, e a plataforma vai ajudar a se ter uma melhor noção do que é a região”, avalia o economista e ex-governador do Pará, Simão Jatene. “Os dados ajudam a construir uma história, qualificando melhor os problemas de cada Estado e ajudando a responder melhor a eles”, acrescenta. Para o economista, a Amazônia deve deixar de ser vista como um apêndice do país, em razão de sua extensão, pois ocupa cerca de 60% do território nacional.

“A Concertação nasceu, essencialmente, para a desfragmentação de iniciativas na Amazônia Legal. O lançamento da plataforma é o primeiro passo concreto da iniciativa nesse rumo e tem a intenção de se tornar, mais do que um hub de tecnologia, uma plataforma comum de conhecimento dos dados a ser utilizada por gestores públicos e demais interessados na agenda de desenvolvimento sustentável da região”, diz Renata Piazzon, Secretária Executiva da Concertação pela Amazônia.

Funcionalidades

Pelo portal, é possível checar com agilidade, por exemplo, quais os coeficientes de Gini (que mede a desigualdade de renda domiciliar per capita) dos estados e da região. O território da Amazônia Legal aparece em crescente evolução no coeficiente de Gini, que em 2019 foi de 0,535, próximo da média nacional (0,538), mas ainda distante da região Sul, que foi 0,467. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. O melhor indicador na região foi registrado no Mato Grosso, de 0,456, em 2019, refletindo sua posição como o estado com a melhor renda domiciliar per capita da Amazônia Legal, no valor de R$ 1.360,20, enquanto a média da região é de R$ 872,00.

Ao mesmo tempo, a plataforma Amazônia Legal em Dados mostra que a região teve crescimento nos últimos dez anos tanto do PIB total quanto do PIB per capita. Na década de 2008 a 2018, houve um crescimento real do PIB de 32% e a participação da região no PIB do país subiu 1,5 p.p. no período. Enquanto o PIB per capita da região teve um crescimento médio real de 1,2% ao ano, superior ao do Brasil (0,3%) e das demais regiões do país. Porém, é necessário ousar no crescimento do PIB per capita da região, o qual ainda é 38,7% inferior ao restante do país.

AMAZÔNIA LEGAL EM NÚMEROS

808 municípios (14,5% das cidades do país)

5,1 milhões de quilômetros quadrados (60% do território brasileiro)

29,3 milhões de habitantes (14% do Brasil)

11,2 milhões de ocupados (12% do Brasil)

PIB de R$ 623 bilhões (9% do PIB nacional)

SERVIÇO

Portal Amazônia em Dados – https://amazonialegalemdados.info/home/home.php

Uma Concertação Pela Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia nasceu em 2020 sob a premissa de que é preciso gerar conhecimento, promover o debate e buscar consensos sobre os diversos aspectos e dimensões que envolvem a região amazônica. Fazem parte da iniciativa mais de 250 lideranças que priorizaram o entendimento da complexidade da Amazônia como condição essencial para o desenvolvimento do país. São representantes de toda a sociedade brasileira, como governos, entidades filantrópicas, setor econômico, comunidades locais e academia, que buscam soluções de conservação e de desenvolvimento sustentável da região.

Seus membros se encontram em plenárias mensais e em grupos de trabalho para discutirem questões como bioeconomia, regularização fundiária, caminhos para a Cop26 e engajamento do setor privado, voltadas para as quatro macro regiões, classificadas como:

. Amazônia Conservada, que hoje tem boa área de proteção, serviços ambientais e bioeconomia de baixo impacto;

. Arco do Desmatamento, região do agronegócio com predominância do manejo florestal;

. Amazônia Antropizada, com atuação do setor de mineração e agronegócio, e

. Amazônia Urbana, onde predominam os serviços e a indústria.

Ao ampliar vozes, garantir a diversidade e promover um ambiente seguro de trocas, a Concertação busca reduzir a fragmentação de iniciativas e a polarização sobre a região e, assim, construir uma agenda positiva e de longo prazo. Dessa forma, pretende também engajar mais líderes e promover modelos de negócios voltados para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Mais informações: https://pagina22.com.br/uma-concertacao-pela-amazonia/

* Com informações da assessoria de comunicação

Foto: Agência Brasil

Qual o seu papel na construção de um futuro sustentável?

* Por Cristiana Xavier de Brito

Estamos vivendo um período sem precedentes e que nos tem feito refletir sobre como seguir adiante. Foi necessário se reorganizar e estabelecer novos métodos de trabalho para manter os negócios ativos e atrativos. Este momento também mostrou o quanto a sustentabilidade é importante, para o mundo e para as empresas. Não faz tanto tempo, ainda se discutia sobre criar uma área de sustentabilidade e como isso teria impacto nos negócios. Mas hoje podemos afirmar que a sustentabilidade é o próprio negócio.

A sustentabilidade segue sendo uma das principais preocupações da sociedade, com consumidores que dão preferência por organizações que evidenciem em suas atuações os pilares social, ambiental e o econômico. Muitas empresas ainda enfrentam o desafio em manter essas três frentes ativas para os diferentes públicos de interesse das organizações, incluindo investidores que estão cada vez mais atentos a essa questão. Mas como devemos nos preparar para seguir na construção de uma estratégia de negócios sustentável e assertiva? Todas as empresas estão prontas para isso? E se ainda não foi dado o primeiro passo em busca da sustentabilidade dentro da empresa, é possível começar agora?

A boa notícia é que sim. A sustentabilidade é uma jornada, e é preciso entender cada empresa e cada cadeia produtiva para buscar as melhorias incessantemente.

Neste sentido, há 15 anos, foi criada a Fundação Espaço ECO, instituída e mantida pela BASF, que promove o desenvolvimento sustentável no ambiente empresarial e na sociedade. Com uma equipe capacitada e especializada, a instituição elabora projetos de consultoria personalizados que mensuram os impactos econômicos, sociais e ambientais, de processos e produtos de uma organização, isso tudo sob a ótica da sustentabilidade. E o resultado desta consultoria não poderia ser diferente, com um direcionamento claro, a organização pode identificar seus pontos sensíveis e como traçar uma estratégia para fortalecê-los.

Atuando nos mais diferentes setores e com sua experiência, a Fundação identificou as principais tendências da sustentabilidade corporativa e quais devem guiar as discussões nos próximos anos. São eles: cadeia de valor responsável, capital natural, bioeconomia e economia circular.

Reafirmo a importância do diálogo e da troca de experiência e, celebrando os 15 anos da Fundação, foram realizados eventos abertos ao público, nos quais foi possível debater com representantes de empresas, instituições, especialistas e formadores de opinião o futuro da sustentabilidade corporativa e seus desafios. Vimos cases e estratégias e a relação com a performance organizacional, ainda mais neste período que estamos passando, além de reforçar que o tema está “quente” dentro das companhias. No meu caso, que estou muito envolvida com o assunto sustentabilidade no mundo corporativo, é muito gratificante ver isso de fato se tornando realidade.

O que temos como certo é que a sustentabilidade empresarial ainda vai trazer novas formas de conectar os recursos naturais, os bens de capital aos bens de consumo, conectando o capital natural com as demandas de mercado e criando cadeias de fornecimento mais responsáveis. Para isso, é necessário nos manter ativos e atuantes para auxiliar a todos que estão nesta mesma caminhada a acompanhar as tendências e estar alinhados com as demandas, permitindo que todos tenham êxito e conquistas.

Saliento mais uma vez a importância para que as empresas insiram a sustentabilidade nos seus negócios, aqui estamos falando de um número crescente de organizações de todos os portes, e que possam contar com a troca de experiências e o apoio de entidades como a FEE. Afinal, essa é uma demanda que está cada vez mais presente no nosso dia a dia, tanto que estudo recente do Pacto Global apontou que 92% dos CEOs acreditam que sustentabilidade é fator crítico para o sucesso da empresa, porém, apenas 48% estão integrando sustentabilidade na operação.

Temos um longo caminho a percorrer e não podemos desistir ou nos desviar do nosso objetivo. O mais importante é saber que não estamos sozinhos e que não seremos bem-sucedidos se não compartilharmos experiências. Juntos, podemos traçar estratégias e até encontrar soluções que corroborem com o sucesso e benefícios de todos. A pergunta que faço agora é: você está preparado para não desistir e seguir adiante?

* Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da BASF América do Sul e Conselheira da Fundação Espaço ECO

Livro e vídeos valorizam saberes da floresta das mulheres do Careiro|AM

Projeto é apoiado pelo GT Agenda 2030 com recursos da União Europeia e promove o valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta

‘Mulheres e as ervas da Amazônia’, sobre o reconhecimento e promoção do valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta. é o livro a ser lançado pelo Instituto 5 Elementos, uma das organizações que integram o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030), no próximo dia 10 de novembro, às 17h30 (hora Brasília-DF), nos canais digitais do instituto. A publicação é acompanhada por dez vídeos educativos que mostram como são produzidas, por exemplo, a pasta de cúrcuma com gengibre, a água de babosa, a máscara facial com pó de açaí, pomada de copaíba e andiroba, batom orgânico, entre outros produtos.

A produção multimídia lança luz aos conhecimentos de mães, agricultoras, artesãs, cozinheiras e curandeiras da Amazônia, sobre o uso das ervas medicinais, suas práticas de manuseio para a criação de produtos para a saúde, bem-estar e beleza, conforme explica Mônica Borba, gestora institucional do Instituto 5 Elementos. E acrescenta que a obra procura não apenas resgatar usos e costumes de ervas da floresta mas, principalmente, valorizar esses saberes como uma riqueza das comunidades e fortalecer uma bioeconomia que preserva a floresta e estimula seu uso sustentável.

A publicação e os vídeos foram produzidos a partir do projeto Agenda 2030 – Saúde e saberes das mulheres de Careiro (AM) –, que em 2020 promoveu uma formação envolvendo 29 mulheres. O projeto recebeu o apoio financeiro do GT Agenda 2030, no I Edital de Seleção Interna de Projetos, que contou com recursos da União Europeia.

Segundo Mônica, a riqueza dos depoimentos e dos conhecimentos dessas mulheres identificada durante o curso acendeu na equipe do projeto a vontade de fazer mais, de levar os saberes daquelas mulheres para além de suas comunidades.

As autoras dos saberes da floresta: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves, do município do Careiro, do Estado do Amazonas, estarão na transmissão do lançamento

O projeto foi realizado em parceria com a Casa do Rio e também contou com o apoio financeiro da Associação BEM-TE-VI Diversidade e da Awí Superfoods. No evento de lançamento, haverá a participação de quatro das mulheres da comunidade de Careiro: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves. Também participarão as professoras Mônica Borba e Marta Magalhães e o diretor da Casa do Rio, Thiago Cavalli Azambuja.

II Edital 

O GT Agenda 2030 está com chamada aberta para o seu II Edital de Seleção Interna de Projetos. Este ano, estão sendo destinados 98 mil euros para apoiar projetos de promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como estratégia para superação das desigualdades, principalmente no contexto da pandemia da Covid-19. Serão apoiadas 12 iniciativas brasileiras de instituições que compõem formalmente o GT. As propostas podem ser enviadas até o dia 9 de novembro pelo e-mail projetoue.gt2030@gmail.com.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres e as ervas da Amazônia
Quando: 10.11.2020, das 17h30 às 18h30 (hora de Brasília|DF)
Plataformas: Youtube e Facebook do Instituto 5 Elementos

Eco-Desafio 2021 abre inscrições para soluções para embalagens e cadeia de reciclagem

A PepsiCo, uma das maiores empresas de Alimentos e Bebidas do mundo, em parceria com a Young Americas Business Trust (YABT) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), está com inscrições abertas para a 12ª edição do Eco-Desafio 2021, que tem como objetivo incentivar o empreendedorismo e ideias que tragam soluções criativas e de alto impacto ambiental.

Neste ano, o Eco-Desafio 12.0 busca identificar soluções escaláveis e sustentáveis que permitirão à indústria e ao consumidor ir além do uso tradicional do plástico e construir um mundo no qual esse material não se transforme em resíduo. Tudo isso por meio de ideias para redução, reaproveitamento, reciclagem e reinvenção desse material. O programa oferece mentoria gratuita, networking e visibilidade internacional para as equipes que chegarem às finais e o grande prêmio de US﹩ 5.000 para os vencedores de cada categoria, para serem usados como capital semente.

Os interessados podem se inscrever em duas categorias. A primeira delas é: “Reinventar: Além da Garrafa”, cujo foco é o desenvolvimento de inovações focadas na criação de materiais de embalagem alternativos que sejam recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis para substituir ou reduzir o uso das garrafas plásticas tradicionais (PET). A segunda, “Reciclar e Reutilizar”, tem como intuito apoiar a economia circular do plástico desenvolvendo ferramentas, estratégias e programas que permitam o aumento de canais de reciclagem escalonáveis, criando diferentes usos pós-consumo para cada embalagem, possibilitando a reintrodução no mercado.

“A PepsiCo tem o compromisso de construir um sistema alimentar cada vez mais sustentável e isso abrange a responsabilidade da cadeia como um todo, passando pela indústria até o descarte correto e uma cadeia de reciclagem eficiente. Nós temos o compromisso e o dever de buscar soluções mais sustentáveis, e o Eco-Desafio é um projeto do qual temos muito orgulho e que sempre nos desperta para novas ideias”, afirma Lívia Fávaro, Gerente de Cidadania Corporativa da PepsiCo Brasil.

“Como parte de sua premissa ‘Vencer com Propósito’, a PepsiCo busca alternativas para que o plástico nunca se torne resíduo, com a meta de projetar 100% das embalagens para serem recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis até 2025”, completa a executiva. A companhia tem ainda o objetivo de aumentar para 25% o conteúdo reciclado em embalagens plásticas, reduzir 35% do conteúdo de plástico virgem no portfólio de bebidas e investir para aumentar as taxas de reciclagem nos principais mercados, tudo até 2025.

Brasil foi vencedor em 2020

Na última edição do Eco-Desafio, realizada em 2020, o Brasil foi o país com maior número de inscrições e projetos registrados em toda a América Latina. Um dos projetos vencedores foi o do brasileiro Felipe Cardoso, do Eco Panplas, que ganhou na categoria “Além da Garrafa e da Bolsa” (“Beyond the Bottle and the Bag”). A ideia inovadora do projeto consistia na criação de um sistema produtivo para a descontaminação e a reciclagem a seco de embalagens plásticas contaminadas, sem utilização de água ou geração de resíduos, facilitando a reciclagem do plástico.

O Eco-Desafio nasceu em 2009 e, até a última edição recebeu mais de 18 mil propostas de negócios apresentadas por 24.271 jovens em mais de 33 países da região; premiando 44 projetos e entregando US﹩ 220.000 em capital semente para impulsionar essas ações.

As inscrições para o Eco-Desafio 12.0 vão até 31 de dezembro de 2020 no portal do programa: www.ticamericas.net/eco-desafio/. Para obter mais informações, visite o site do YABT: www.yabt.net ou http://www.ticamericas.net.

Foto Ilustrativa: Camila Machado | Fotos Públicas
Cartaz: Divulgação

We’e’ena é resistência indígena na passarela da semana de moda Brasil Eco Fashion Week

Por Lenise Ipiranga

A coleção de We’e’ena Tikuna Arte Indígena com grafismos e o tecido vegetal de Tururi, típicos da cultura do povo Tikuna, originária da Aldeia de Umariuaçu, no município de Tabatinga, no estado do Amazonas, na região do alto Rio Solimões, Região Norte, estará novamente na passarela da quarta edição da semana de moda Brasil Eco Fashion Week (BEFW), reconhecido como o maior encontro de moda e sustentabilidade da América Latina, que neste ano acontecerá em formato on-line, de 18 a 22 de novembro, com a exibição de desfiles de 16 marcas, vindas de todas as regiões do Brasil.

“Estou muito feliz de mostrar mais uma vez a nossa moda indígena, porque toda arte é forma de resistência para nós, povos indígenas. E eu quero dar essa visibilidade à nossa cultura, principalmente à mulher”, anunciou We’e’ena Tikuna, nome que significa “a onça que nada para o outro lado no rio”, artista plástica formada pelo Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura do Amazonas – IDC, em dezembro de 2004, com diversas premiações e exposições já realizadas e dedicada ao trabalho de inclusão social dos povos indígenas por meio da sua arte.

A convite feito pelo diretor executivo da Brasil Eco Fashion Week 2020, Rafael Morais, We’e’ena Tikuna apresentará a coleção Tururi, que tem um pouco do contemporâneo e também da sua ancestralidade. “Eu apresento no desfile a coleção Tururi, um tecido nativo de fibra de madeira do meu povo, o qual utilizamos há milhares de anos, como cobertor, absorvente, toalha. E levarei para a passarela para que todos possam conhecer o que meu povo usa”, ressalta a estilista, sobre as peças de vestuário em tecido vegetal da sua coleção.

“Posso ser quem você é sem deixar de ser quem eu sou”

We’e’ena aponta que ao se falar em moda indígena e inclusão social, ela destaca a Brasil Eco Fashion Week, por ter incluído a coleção da Arte Indígena. “Muitas marcas ou grifes tem o uso de alguma simbologia indígena, mas nunca é o indígena o seu próprio protagonista”, frisa We’e’ena. E lembra que “por muito tempo o povo indígena foi tutelado e agora chegou a vez de mostrar que somos capazes de protagonizar nossa própria história. Por isso quero dar voz à moda autoral indígena”.

A artista plástica ressalta a importância de participar de um evento nacional de moda e representar seu povo, sua ancestralidade, sua Amazônia, como forma de valorizar e dar visibilidade à história e cultura dos povos indígenas e, assim, tentar diminuir o preconceito e a desinformação sobre seu povo. “O indígena é sempre visto de maneira pejorativa. Nosso povo é um povo ágrafo (que não se expressa por meio da escrita), a nossa história sempre foi passada de pai para filho pela oralidade (uso falado de uma língua, característica dos povos ágrafos), por isso muitas pessoas não conhecem ou conhecem e pensam que não existem mais indígenas”, esclarece a indígena Tikuna.

We’e’ena destaca uma citação do líder indígena Marcos Terena, de que “posso ser quem você é sem deixar de ser quem eu sou”. E enfatiza que esse é o momento de cumprir essa missão de levar para o mundo da moda, da arte, a resistência, a visibilidade da cultura dos povos indígenas. “E o Brasil Eco Fashion abriu essa porta para mostrar que o indígena está incluído, não está excluído. Sinto-me muito honrada em poder representar nossa história e nossa arte”, concluiu a estilista.

Quarta Edição

“Este ano está sendo um desafio adaptar o evento, o qual requer uma programação on-line menor do que na versão física. É desafiador replanejar e rever o que estávamos acostumados a fazer”, destaca Rafael Morais, diretor executivo da semana de moda Brasil Eco Fashion Week (BEFW). Ele acredita que no universo on-line o evento atingirá outros públicos, de pessoas que não conseguiam acompanhar presencialmente a programação do evento. “A palavra é adaptação”, frisa.

A BEFW chega em sua quarta edição, segundo Morais, com pontos muito positivos dos três anos anteriores de um evento anual, nacional, que trabalha no segmento da moda, da sustentabilidade e do consumo consciente. A semana de moda baseia-se em três pilares: o setor de desfiles – com a oportunidade de uma passarela para os empreendedores e marcas; o showroom – a feira dos expositores, com a possibilidade de comercialização de peças; e o setor de conteúdo – com debates, apresentação de inovações, projetos, propostas. “Para tudo funcionar, entendemos que é necessário mobilizar os consumidores e investidores (players de mercado), jogando luz aos assuntos e aos temas relacionados à proposta do nosso evento”, avalia o diretor executivo. Na última edição, de 2019, foram 70 atividades, 15 workshops e 5 palcos.

Rafael Morais destaca o desafio de adaptar o evento ao formato on-line em tempos de pandemia | Fotosite

“O evento preza tanto pela inclusão de marcas de moda do segmento ecológico e em dar espaço a essas empresas, com também sempre abraçou a diversidade, a pluralidade, das marcas e da equipe de trabalho”, ressalta Rafael Morais, ao falar que o evento sempre contou com um elenco de modelos (casting) muito diverso, além das marcas inscritas ou convidadas. As inscrições são realizadas por meio de edital, com curadoria e curadores para cada setor, para ampliar o olhar da diversidade.

O objetivo é oferecer a oportunidade de uma passarela para marcas que não tenham essa possibilidade, explica Morais, como a moda indígena da We’e’na Tikuna, a moda inclusiva e novos modelos de negócios – como ocorreu no ano passado com desfile da loja multimarcas Bemglô, uma plataforma pioneira de consumo sustentável idealizada pela atriz Glória Pires e amigos; e da loja de aluguel de roupas Roupateca –, e neste ano contará com a participação de uma cooperativa, a Justa Trama, de Porto Alegre com a cadeia produtiva de algodão do Ceará e Mato Grosso do Sul.

Entre outras marcas selecionadas este ano, além da convidada We’e’ena Tikuna Arte Indígena, da região do alto Rio Solimões-Amazonas, estarão na BEFW a Catarina Mina, estreante com roupas em renda de bilro, do projeto de 120 artesãs do Ceará, que sempre participou do evento com bolsas e acessórios feitos à mão; da Paraíba, a Natural Cotton Color, referência em algodão orgânico naturalmente colorido; do Rio Grande do Sul, a Nuz Demi Couture, de peças com modelagens múltiplas; de São Paulo, o estilista e alfaiate Leandro Castro, com moda produzida com tecidos de reuso; e de Belo Horizonte, a estreante Libertées, que iniciou como projeto social de capacitação de mulheres detentas; de Brasília, Flávia Amadeu vai apresentar biojoias feitas em látex natural da Amazônia desenvolvido junto a comunidades seringueiras locais. As marcas escolhidas passaram por processo de curadoria e representam as cinco regiões do país.

As inscrições para o público já estão abertas no site, pelo link: https://brasilecofashion.com.br/participe/

Serviço:
Brasil Eco Fashion Week – 4a edição
Formato Online
18 a 22 de novembro

Canais do evento:
Site: brasilecofashion.com.br
Instagram: @brasilecofashionweek
Linkedin: Brasil Eco Fashion Week