Síndrome multissistêmica, Covid-19 pode resultar em casos de disfunção erétil

Considerada uma síndrome multissistêmica (que pode atingir vários aparelhos do organismo ao mesmo tempo), a Covid-19 já atrai a atenção de profissionais da Urologia, pois há relatos de sequelas importantes que afetam, inclusive, a saúde sexual masculina, com destaque para a disfunção erétil, conhecida popularmente como impotência sexual. O cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo, explica que o problema ocorre a partir do comprometimento da musculatura e do sistema vascular.

” A ereção peniana ocorre a partir do aumento da dilatação dos vasos e do fluxo sanguíneo em até 60 vezes, cenário decorrente de estímulos eróticos. A disfunção erétil pós-covid-19 ocorre, segundo estudos recentes, a partir do comprometimento dessa estrutura. E se o paciente tiver outros fatores de risco associados, como o diabetes e a hipertensão arterial, por exemplo, os riscos de se adquirir esse tipo de alteração são potencializados”, explica Figliuolo, que é doutor em Saúde Coletiva.

Ele destaca que a disfunção sexual pode ocorrer por vários motivos. Entre eles, estão as causas orgânicas e as emocionais. “Vale ressaltar que cerca de 40% das pessoas que tiveram Covid-19 vão apresentar algum tipo de sequela. Nesse público, incluem-se pessoas com disfunção sexual”, assegurou.

De acordo com Figliuolo,  20% dessas pessoas têm associação com quadros depressivos e podem chegar a desenvolver  estresse pós-traumático,  ansiedade, entre outros. “Lembramos também que há a questão hormonal. A chegada da andropausa reduz a produção dos hormônios responsáveis pelo desejo sexual. Homens inseridos nesse contexto, e que passaram por quadros moderados ou mais graves de Covid-19, têm mais chances de sofrer de impotência “, ressaltou.

Figliuolo explica que as consequências da Covid-19 no aparelho sexual masculino se assemelham aos danos causados pelo Diabetes, uma vez que ambas as doenças estão ligadas a problemas na microvascularização. “O corpo cavernoso do pênis precisa do aumento no fluxo sanguíneo para chegar à ereção. Se os vasos são afetados, esse processo se torna mais difícil”.

Como a disfunção erétil pode ser decorrente de múltiplos fatores, é preciso avaliar do ponto de vista multidisciplinar,  considerando questões comportamentais, orgânicas, uso de certos medicamentos, entre outros.

O especialista assegura que, para a maior parte dos casos, há tratamento, que vai desde a reposição hormonal , até as terapias psicológicas e cirurgias para o implante de próteses. “Para os homens que já registraram perda de ereção pontual, lembramos que pode se tratar de fator fisiológico, não necessariamente de alguma doença que implique em tratamento medicamentoso. Nesses casos, acreditamos que a ansiedade pode ser a causadora do problema”, destacou o cirurgião.

Foto: Divulgação

Pandemia reforça preocupações com o hábito de fumar

Por César Augusto*

A pandemia do novo coronavírus veio reforçar o alerta quanto aos danos que pessoas doentes podem ter agravados por conta do tabagismo. Isso decorre por conta da irritação provocada pelas substâncias presentes no cigarro. “Elas afetam a pele que reveste a região da faringe e laringe, provocando um processo inflamatório crônico”, explica o otorrinolaringologista Cícero Matsuyama, do Hospital CEMA, de São Paulo.

Os danos à garganta podem comprometer a fala, causar alterações de deglutição e motricidade de toda essa região anatômica, e isso inclui não somente o cigarro, mas também o charuto, cachimbo, narguilé e similares. O processo irritativo pode ainda favorecer o aparecimento da Covid-19, tendo em vista que o fumante passa por diversos processos inflamatórios no aparelho respiratório e pode, ainda, desenvolver quadros mais graves. “A infecção pelo vírus SARS-COV2 é basicamente devido a dois princípios, a de uma pneumonia viral que pode ocasionar uma pneumonia bacteriana secundária gravíssima; e uma vasculite que pode atingir tanto vasos de pequeno calibre como de grande calibre, daí o perigo de tromboses e embolias”, explica Matsuyama. “A pessoa tabagista já possui lesões inflamatórias pulmonares, então é fácil entender que com um processo de pneumonia, seja viral ou bacteriana, associada a uma vasculite, o risco de evolução para complicações graves é evidente e frequente”, acrescenta.

Cícero Murayama, otorrinolaringologista do Hospital CEMA

Entre os diversos tipos de produtos da indústria tabagista, o grau de risco chega a ser relativo. Segundo Murayama, o cigarro comum tem inúmeras substâncias cancerígenas em sua constituição, por isso a preocupação para doenças mais graves. “Mas, o fumo utilizado no narguilé, cachimbo e outros por vezes tem constituição desconhecida, que pode variar de acordo com a origem da sua produção, ficando difícil uma padronização para possíveis avaliações científicas do perigo da aquisição de doenças originadas nestes diferentes tipos de tabagismo”, afirma.

Apesar da queda apontada no número de fumantes no país – 46% entre 1989 e 2010, segundo o Ministério da Saúde – com papel importante das campanhas de conscientização sobre os efeitos nocivos do tabagismo, principalmente o Dia Mundial de Combate ao Cigarro, em 31 de maio, a continuidade desse trabalho é imprescindível. Entretanto, há uma falsa impressão de que o tabagismo está em queda ou em desuso pela população em geral. Conforme o otorrinolaringologista, uma das razões talvez seja o convívio das pessoas com tabagistas, principalmente no momento de descontração, de lazer e relaxamento, e principalmente por causa do negacionismo das pessoas por nunca admitirem que elas potencialmente podem ser vítimas de patologias oriundas do ato de fumar.

“O tabagismo é um ato que acompanha a civilização humana há centenas de anos, e seria muito inocente pensar que campanhas antitabagistas seriam eficazes somente com 30 a 40 anos na mídia escrita ou eletrônica”, declara. Para ele, a eficiência dessas medidas deveria ser diária, vinculada nas várias formas de mídia, com orientação rigorosa nas escolas, tanto em cursos do ensino fundamental, médio e superior como nos canais de tv aberta ou nas emissoras de rádios, em uma luta constante e persistente.

A frequência tem um papel importante no desenvolvimento de doenças mais graves causadas pelo cigarro. “Quanto mais se fuma, maiores as chances de que a pessoa tenha enfermidades, como tumores na garganta”, detalha o especialista do CEMA.

Atualmente, o total de adultos fumantes no Brasil fica em torno de 12,6%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). “A luta contra o tabagismo é feita há décadas. Houve muito progresso, mas tenho notado um crescente aumento do hábito de fumar em pessoas mais jovens. Então fica a mensagem que as leis são importantes, mas as orientações sobre os malefícios do tabagismo devem ser constantes. Só dessa forma conseguiremos diminuir um hábito tão agressivo ao corpo humano”, resume Matsuyama.

“Estudos demonstram que quanto mais se fuma, maiores as chances de complicações decorrentes do tabagismo, porém o que se tem observado é que existe uma predisposição importante pessoal na aquisição destas complicações”, atesta o médico. “Então, observamos pessoas que fumaram durante a vida, com uma frequência muito grande, apresentando tumores em todo trato respiratório ou enfisemas pulmonares, mas também em pessoas com doenças graves que fumaram somente em momentos de lazer ou passivos, é lógico numa frequência bem menor, mas ela não é totalmente nula”.

Foto principal: Rogério Uchôa / Agência Pará

Foto do médico: Divulgação

*com matéria da assessoria de comunicação

Alteração que atinge 5% das mulheres grávidas, cistite aumenta as chances de partos prematuros

Causada geralmente por infecção bacteriana, a cistite (inflamação na bexiga) atinge principalmente pessoas do sexo feminino e pode evoluir para outras partes do trato urinário, como uretra e rins, causando desconforto, dores e outros sintomas. Estão inseridas nesse contexto, 5% das mulheres gestantes, que quando acometidas pela alteração, têm os riscos de partos prematuros e até abortos, potencializados, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo.

Doutor em saúde coletiva, Figliuolo explica que, no caso das mulheres grávidas, o alargamento do trato urinário, ocasionado pelas mudanças hormonais, as torna mais propensas a esse tipo de problema, quadro que facilita o acesso das bactérias à bexiga e até ao útero, provocando, em casos mais graves, a antecipação dos partos.

Pessoas fora dessa condição também são alvos fáceis e podem desenvolver a cistite de forma repetitiva. Quando isso ocorre, a orientação é que haja uma avaliação clínica com um urologista, para a correção do problema e a melhoria da qualidade de vida do paciente.

O especialista ressalta que a principal causadora da cistite, também conhecida como infecção urinária, ou, Infecção do Trato Urinário (ITU), é a bactéria Escherichia coli, ou, E.coli, que integra a microbiota intestinal e acaba migrando para o sistema urinário. “No caso das mulheres, a cistite é mais comum porque a uretra feminina é mais curta que a masculina, o que facilita o acesso da bactéria ao organismo”, destacou.

De acordo com o especialista, sintomas como necessidade urgente de urinar com mais frequência, liberação de quantidade pequena de urina, ardor ao fazer xixi, dores pélvicas e na bexiga, nas costas, sangue na urina e febre, podem indicar a presença da alteração, que se não tratada adequadamente, com a dosagem medicamentosa prescrita por um médico, pode evoluir para quadros de infecção generalizada e levar, inclusive, à morte.

Prevenção

Apesar de comum, a cistite pode ser prevenida com medicas simples no dia-a-dia, como consumir muita água (pelo menos dois litros ao dia para ajudar a eliminar as bactérias da bexiga durante a micção), esvaziar com frequência a bexiga – segurar o xixi por tempo prolongado é contraindicado -, reforçar os cuidados com a higiene pessoal, urinar após as relações sexuais, usar sempre o papel higiênico na direção da frente para trás e, se possível, lavar a região após evacuar.

“Roupas íntimas muito justas ou que retenham calor e umidade, ajudam na proliferação dessas bactérias nocivas. Na região Norte, onde o calor é potencializado pela proximidade com a Linha do Equador, isso fica mais evidente e os cuidados devem ser redobrados”, frisou.

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Alteração silenciosa, gordura no fígado atinge cerca de 30% dos brasileiros

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que cerca de 30% da população brasileira é acometida pela esteatose hepática não alcoólica, alteração negligenciada por boa parte dos indivíduos e que tem como uma das principais características, o desenvolvimento silencioso e assintomático inicialmente. Especialistas alertam que, se não tratada a tempo e da forma adequada, a doença pode evoluir para a morte ou levar a quadros graves de saúde.

A presidente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), Karina Barros, explica que a gordura no fígado, também classificada como Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), está diretamente associada à má alimentação (rica em gorduras saturadas presentes em fast-food, enlatados e embutidos, por exemplo), ao diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo e outros fatores de risco, como as síndromes metabólicas (pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides – nesses últimos dois casos, denomina-se dislipidemia).

No entanto, há pessoas magras (sem tendência a engordar) que também desenvolvem o problema, devido ao consumo de alimentos muito gordurosos.

“Há alguns anos, estimava-se que o número de brasileiros acometidos pela esteatose hepática chegava a 20%. Com a vida corrida, a falta de tempo e a comodidade de pedir um alimento pronto para consumo em casa ou no trabalho, sem a devida atenção às orientações nutricionais gerais, esse número já chega a 30%. Por isso, é preciso alertar as pessoas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, através de um check up médico anual, por exemplo, e do controle das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, que associadas à gordura no fígado, podem levar a quadros mais complicados à saúde e a tratamentos mais prolongados”, destaca Karina Barros.

Detectada geralmente por exames de imagem, como a ultrassonografia, a esteatose também pode estar associada, segundo pesquisas na área, a doenças no fígado, como a hepatite, e até a alterações no ovário, conhecidas como ovário policístico, além do hipotireoidismo e ao uso de corticoides e outros medicamentos.

O quadro de esteatose hepática se dá através do acúmulo excessivo de gordura (lipídios) nas células do fígado (os hepatócitos). Os laudos da esteatose hepática podem apontar grau 1 (esteatose hepática leve) quando há pequeno acúmulo de gordura; grau 2, quando há acúmulo moderado e esteatose hepática; grau 3, quando o acúmulo de gordura no fígado é grande e o quadro é mais preocupante.

Na maioria dos casos, o tratamento é feito através de dieta com acompanhamento nutricional, uso de medicamentos e exercícios físicos regulares, além de avaliação médica especializada e acompanhamento de clínico geral ou hepatologista.

Segundo a Associação Brasileira de Hepatologia (ABH), “desde que controlado os fatores que causaram a doença, a esteatose pode permanecer estável em torno de 70 a 80% dos pacientes. Em 20 a 30% dos casos a esteatose pode evoluir para esteatoepatite, que pode ser controlada com o tratamento adequado. Entretanto essa forma da doença tem maior potencial de progressão ao longo dos anos para cirrose e carcinoma hepatocelular, se não for devidamente orientada”, destaca a entidade.

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Inscrições abertas para o Programa Educacional de Vigilância em Saúde na Fronteira da Fiocruz

Para fortalecer a atuação de gestores e de profissionais de saúde brasileiros e estrangeiros que atuam nas fronteiras do Brasil com outros países da América do Sul, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de sua Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), lançou a primeira seleção pública do Programa Educacional Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras – Brasil). As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 30 de abril. O edital completo está disponível no site formacaovigisaude.fiocruz.br e no www.campusvirtual.fiocruz.br > Cursos > Programas > VigiFronteiras-Brasil. A iniciativa conta com apoio da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O VigiFronteiras-Brasil oferece gratuitamente 75 vagas para os cursos de mestrado e de doutorado que serão ministrados por meio de um consórcio entre os Programas de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública, Saúde Pública e Meio Ambiente e Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e o Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (ILMD/Fiocruz Amazonas), além de docentes da Fiocruz Mato Grosso do Sul.

Enquanto a emergência sanitária pela Covid-19 perdurar, as atividades acadêmicas desenvolvidas pelos programas consorciados serão oferecidas na modalidade remota (online). Quando houver a determinação do fim do isolamento social pelas autoridades sanitárias dos países de origem dos alunos, os cursos serão oferecidos na modalidade presencial, nos polos determinados para a oferta: Escritório Técnico Fiocruz de Mato Grosso do Sul (Campo Grande/MS), Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia – Manaus-AM) e Instituto Federal do Amazonas (Tabatinga/AM).

O doutorado tem duração mínima de 24 meses e máxima de 48 meses. Já para o mestrado, o tempo mínimo para conclusão é de 12 meses e máximo de 24 meses. Cerca de 20% das vagas serão reservadas para Ações Afirmativas (Cotas) e 80% para Ampla Concorrência (AC). Metade das vagas serão destinadas, preferencialmente, para os candidatos que atuam nas fronteiras nos países sul-americanos, podendo haver remanejamento caso as vagas não sejam preenchidas por candidatos estrangeiros. Não haverá oferta de bolsas.

Etapas

As inscrições poderão ser efetuadas até às 23h59 do dia 30 de abril no link indicado no edital, cujo download deve ser feito no site: formacaovigisaude.fiocruz.br. No edital estão listados todos os documentos necessários, a forma de apresentação, além do cronograma de seleção. É de exclusiva responsabilidade do candidato acompanhar a divulgação das inscrições homologadas e o resultado das três etapas do processo seletivo – prova de inglês, análise curricular e documental e entrevista – na mesma página em que se inscreveu. As aulas serão iniciadas em agosto.

Por conta da pandemia da Covid-19, a equipe envolvida na seleção está atuando remotamente. Por isso, todas as dúvidas sobre o edital serão respondidas apenas por e-mail. Solicitações de informações e questionamentos devem ser encaminhados para o selecao.vigifronteiras@fiocruz.br.

Serviço:

O que: Seleção Pública para o Programa Educacional Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras – Brasil)

Inscrições: de 22 de março a 30 de abril de 2021

Para quem: profissionais e gestores que atuem na área de vigilância em saúde, em especial em doenças transmissíveis, nas regiões da faixa de fronteira do Brasil e nos países sul-americanos vizinhos.

Cursos/duração: mestrado (2 anos) e doutorado (4 anos)

Modalidade: presencial (inicialmente as aulas serão remotas devido à pandemia da Covid-19)

Vagas: 75 vagas

Início das aulas: agosto de 2021

Edital: formacaovigisaude.fiocruz.br

Dúvidas sobre o edital: selecao.vigifronteiras@fiocruz.br

Foto: reprodução

Associação de enfermagem lança programa com dicas de saúde no YouTube

Com foco na promoção à saúde, a Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas) lançou, na última semana, em seu canal no YouTube, o programa “Pé de saúde em casa”, uma iniciativa que visa facilitar, durante o período da pandemia do novo coronavírus, o acesso da população a informações relevantes, voltadas à prevenção de doenças, fatores de risco e reabilitação.

Embora o nome do projeto faça alusão ao programa “Pé Diabético”, desenvolvido pela Segeam na rede pública estadual de saúde do Amazonas, a série de vídeos abordará temas variados. A primeira edição, publicada na última semana nas plataformas digitais, está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=CsNTI0ar7Kk, e traz como mote uma sequência de “exercícios respiratórios”, importantes ao processo de reabilitação e bem-estar de pacientes com problemas no aparelho respiratório, entre eles, sequelas provocadas pela Covid-19.

No vídeo, de pouco mais de quatro minutos, a fisioterapeuta Paula Gondim, que atua no Ambulatório de Egressos, um dos braços do programa Pé Diabético em Manaus, explica como executar cada exercício, as posições indicadas, número de repetições, entre outros detalhes.

A presidente da Segeam, enfermeira Karina Barros, explica que, mesmo com as dicas, é importante que haja um acompanhamento médico, dependendo do quadro clínico de cada paciente.

Ela destaca, ainda, que a produção dos vídeos ocorrerá por tempo indeterminado e frisa a importância das tecnologias para o momento atual vivido pela humanidade. “Como já sabemos, autoridades em saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde), têm reforçado a importância de se manter o distanciamento social, como medida de combate à pandemia. No Amazonas, vivemos, há poucas semanas, momentos muito difíceis. Por isso, decidimos utilizar a internet, para estreitar a relação com a população e, ao mesmo tempo, contribuir com as ações em saúde, levando orientação e reforçando protocolos já utilizados em atendimentos domiciliares e até mesmo hospitalares”, enfatizou. Os vídeos serão publicados no canal do YouTube (Segeam) e serão reproduzidos nos perfis da Associação no Instagram (@segeam_amazonas) e Facebook (@Segeam). Os personagens atenderão a critérios técnicos, como formação e especialização nas áreas de abordagem.

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Taxa de câncer de colo uterino no Amazonas é 102% maior que a média brasileira

Com uma taxa bruta de casos de câncer de colo de útero 102,3% maior que a brasileira, o Amazonas tem como um dos grandes desafios na saúde pública, e também na privada, conscientizar sobre a importância da prevenção à doença, através de ações individuais e coletivas, como a realização anual do exame preventivo Papanicolau e a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano), principal agente causador da alteração, explica a presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), enfermeira oncológica Marília Muniz.

Dados da Estimativa de Casos Novos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apontam que a taxa bruta, que projeta o número de casos para cada 100 mil mulheres, é de 16,35 para o Brasil e 33,08 para o Amazonas. Quando se trata de Manaus, a situação é ainda mais grave, com uma taxa bruta de incidência de 51,94 para a mesma proporção de mulheres. Significa dizer que a maior parte dos casos está concentrada na capital. O Inca é um órgão é subordinado ao Ministério da Saúde (MS) e a tabela com a estimativa consta na projeção mais recente lançada pelo Governo Federal.

Em 2019, o movimento Março Lilás foi lançado no Amazonas, através da Lei 4.768/19, sancionada pelo Governo do Amazonas. Em 2021, ano de pandemia, explica Marília Muniz, as ações educativas estão mais tímidas, restritas à conscientização em ambientes hospitalares internos e à internet.

“Por isso, decidimos lançar um alerta sobre a situação. A ampliação de ações educativas, tendo as novas tecnologias como aliadas, podem ajudar a mudar uma triste realidade que assombra nosso Estado. Temos um dos maiores índices da doença no País e sabemos que isso pode ser evitado, uma vez que o câncer de colo uterino é 100% prevenível”, destacou.

Usar o preservativo durante as relações sexuais, vacinar meninas em idade escolar para imunizá-las contra o HPV e chamar a atenção de mulheres em idade reprodutiva, sobre a necessidade do preventivo, são medidas essenciais para conter o avanço desse tipo de neoplasia maligna, que deve acometer, só em 2021, cerca de 700 mulheres no Amazonas e 16.710 no Brasil.

“Uma informação importante é: se fizer o Papanicolau, busque o resultado. E, em caso de alteração sugestiva, procure ajuda médica especializada o mais rápido possível”, orienta Marília. De acordo com ela, mais de 90% dos casos de câncer de colo uterino são provocados pelo HPV (Papilomavírus Humano), considerado uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), mas que pode ser evitado.

“Existem centenas de tipos de HPV, mas apenas 13 são considerados oncogênicos (que podem evoluir para o câncer), o que não anula a importância e a responsabilidade de se investigar caso a caso. As lesões provocadas pelo HPV são consideradas precursoras e, se tratadas a tempo, não evoluem para quadros de câncer”, assegurou.

O ideal, segundo a especialista, é que mulheres com vida sexual ativa façam um check up médico uma vez ao ano, se antecipando a eventuais problemas, ou, detectando-os precocemente. “Agendar-se com antecedência para consultas com ginecologista, mastologista e outros especialistas, é um ato de amor próprio. Lembramos que, na oncologia, o principal ditado é: quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as chances de cura”, concluiu.

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E se for câncer infantil? GRAACC lança cartilha com principais sintomas

No mês em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, no próximo dia 23 de novembro, data instituída para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce que, com sintomas comuns às doenças de infância, nem sempre são identificados num estágio inicial e muitas vezes passam despercebidos pelos pais, o GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – lança cartilha sobre esses sintomas dessa doença que registra mais de 8 mil novos casos anualmente no Brasil, mas que tem altas chances de cura.

Anemia, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dor de cabeça que persistem por dias podem ser confundidos com doenças comuns da infância. “Quanto mais cedo for detectado, maiores serão as chances de cura da doença que, no caso do Hospital do GRAACC, ultrapassam 70%. Para isso é muito importante que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais como palidez, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dores de cabeça frequentes. Não esperem para levar a criança ao médico, principalmente quando qualquer um desses sinais persistam por mais de uma semana”, orienta a Dra. Monica Cypriano, Diretora Clínica do Hospital do GRAACC, referência nacional no tratamento de casos de alta complexidade de câncer infantojuvenil.

Se não for detectada em estágio inicial, o câncer infantojuvenil pode crescer rapidamente e dificultar um bom desfecho clínico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 8.460 novos casos de câncer infantojuvenil para cada ano do triênio 2020/2022.

Cartilha “E se for câncer infantil?”

O Hospital do GRAACC lançou uma cartilha intitulada “E se for câncer infantil? Os sinais da doença e as chances de cura“, com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre este tipo de câncer, tratamentos, chances de cura e esclarecer as principais características dos tipos de maior incidência entre crianças e adolescentes.

“Elaboramos a cartilha focando as especificidades do câncer infantojuvenil, além de informações sobre os tipos de tumores mais comuns e os principais sinais que podem indicar a existência da doença. Queremos que a publicação seja uma fonte de consulta para pais, pediatras e outros profissionais de saúde”, comenta a Dra. Monica Cypriano, que é também a autora do projeto. A cartilha está disponível para download no link: https://bit.ly/36r3oMD

Atenção aos sinais

Alguns sintomas de câncer infantojuvenil são parecidos e muitas vezes confundidos com doenças comuns da infância. Por isso, é importante ficar atento em casos de:

• Manchas roxas e caroços pelo corpo
• Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço
• Perda de peso
• Aumento ou inchaço na barriga
• Palidez inexplicada e fraqueza constante
• Aumento progressivo dos gânglios linfáticos
• Dores de cabeça, acompanhadas de vômitos
• Febre ou suores constantes e prolongados
• Distúrbios visuais e reflexos nos olhos

Mais Informações no https://www.graacc.org.br

‘Novembro Azul’ também inclui Prevenção ao diabetes

No mês alusivo à saúde do homem, especialmente de conscientização para a prevenção do câncer de próstata, instituições em todo o Brasil também reforçam a importância da prevenção e controle do diabetes, alteração que atinge cerca de 16 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Trata-se do movimento mundial de conscientização do ‘Novembro Diabetes Azul’, com base no Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro.

No ‘Novembro Diabetes Azul’, a superintendente do Núcleo de Educação Permanente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), enfermeira Adriana Macedo, explica que o trabalho educativo é voltado para pacientes com a doença e profissionais que atuam no atendimento diário a esse público, incluindo orientação para o autocuidado, atualização de protocolos práticos e de ensino, além de planejamento de ações educativas.

O Diabetes é uma doença metabólica cuja principal característica são os níveis elevados de glicose no sangue. Quando não é tratado corretamente e controlado, o diabetes pode causar várias complicações, como a neuropatia periférica, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), retinopatia, doença renal crônica e úlceras no pé, que se não tratadas a tempo, podem levar a amputações e até à morte do paciente.

O ‘Novembro Diabetes Azul’ trabalha diversas pautas correlacionadas e, neste ano, o destaque é para profissionais da enfermagem que fazem a diferença nesse contexto, desempenhando um papel vital para a compreensão dos pacientes sobre a condição em que vivem ao desenvolverem a doença e na melhoria da qualidade de vida.

Ambulatório de egressos

No Amazonas, a Segeam atua através do Programa Pé Diabético, que funciona na estrutura das policlínicas da SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde), vinculada ao Governo do Estado. O programa é voltado para o tratamento de lesões em membros inferiores dos portadores do diabetes. O Ambulatório de Egressos, que integra o programa, recebe pacientes pós-tratamento de lesões nos pés, para acompanhamento multidisciplinar. O principal objetivo é prevenir novas lesões.

Segundo Adriana Macedo, é importante que o tratamento em nível ambulatorial seja feito através de serviços especializados, garantindo, assim, que os pacientes também sejam orientados para promover o autocuidado em casa.

“Em nível ambulatorial, as boas práticas em diabetes envolvem profissionais de enfermagem, fisioterapia, médicos, nutricionistas, psicólogos, entre outros, uma vez que parte dos pacientes precisa passar por reabilitação e controle constante do quadro clínico”, destaca.

Quanto à etapa de orientações ao paciente, ela explica que pontos importantes são abordados. Entre eles, estão a hipoglicemia e a hiperglicemia (oscilação do nível de açúcar no sangue), o exame diário dos pés, o uso de calçados adequados, a correta higiene e hidratação dessa área do corpo, as implicações de se andar descalço e o corte correto das unhas. Detalhes simples, mas que, segundo ela, podem fazer a diferença.

Nutrição e uso medicamentoso

Um acompanhamento nutricional é de extrema relevância na vida de quem convive com o diabetes, pois, uma boa alimentação, com poucos carboidratos e açúcares, pode ser determinante para o equilíbrio da glicemia. Também contribuem para esse controle a utilização de medicamentos com prescrição médica.

“O planejamento dos pacientes no âmbito hospitalar vai desde a sua admissão, até a pós-alta médica. Hoje, o grande desafio é o controle da glicemia, principalmente no período de pandemia do novo coronavírus, no qual uma parte dos pacientes relaxou nos cuidados.  A preocupação passou a ser redobrada, já que o diabetes descompensado é um fator de risco para o agravamento dos quadros de Covid-19”, destacou Adriana Macedo, ao reforçar a necessidade do comparecimento às consultas de acompanhamento e de seguir as orientações da equipe de saúde.

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“A melhor tática é apostar em todas as vacinas”, afirma Miguel Nicolelis

Para o neurocientista, as autoridades não devem descartar nenhum imunizante que está sendo desenvolvido para conter o avanço do novo coronavírus

Considerado pela Scientific America um dos 20 cientistas mais influentes do mundo, o neurocientista Miguel Nicolelis comparou a busca pela vacina contra o novo coronavírus a uma corrida de cavalos. Para ele, não se pode descartar nenhuma hipótese entre as medicações que estão sendo pesquisadas. Coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, Nicolelis participou nesta quinta-feira (29) da videoconferência (webinar) “Cérebro, o criador do universo e a Comunicação”, transmitida pela In Press Oficina, e falou sobre ciência, o funcionamento do cérebro e fake news.

“Acredito piamente que a vacina é o grande trunfo que vamos ter para reduzir a taxa de transmissão. A vacina é como corrida de cavalos. Tem 15 cavalos na raia e você de antemão não sabe que cavalo vai ganhar. A melhor tática é apostar em todos. Enquanto ela [vacina] não vem, em teoria teríamos que manter o que funciona, o isolamento”, afirma o Nicolelis.

Em confinamento no seu apartamento em São Paulo desde o início da pandemia, o neurocientista crê que o Brasil falhou desde o início, principalmente por ignorar os avisos externos e minimizar a gravidade da doença. “É a maior tragédia humana da história do Brasil num único evento. Nos deparamos com um sistema e instituições que negaram a gravidade da pandemia. Perdemos a guerra no começo”, diz Nicolelis.

A pandemia colocou o planeta na maior crise dos últimos 100 anos e, segundo ele, comprovou a fragilidade do modelo adotado pela sociedade moderna. “Estamos vivendo momentos épicos da história. Um pacotinho nanométrico de gordura e proteína, com um filete de RNA dentro, pôs a humanidade de joelhos, a ponto de estarmos enfrentando a maior crise econômica, maior que a depressão dos anos 30”, compara.

Entretanto, a vulnerabilidade do sistema não foi o único responsável pelas milhares de mortes causadas pela Covid-19. Nicolelis crê que a disseminação de fake news em larga escala contribuiu decisivamente para ampliar o alcance da pandemia.

“É por isso que muita gente morreu na pandemia. Nós estamos precisando de uma vacina num momento que o jornalismo sério e profissional sofre os maiores ataques da história. Esse processo acelerou com a criação de mídias de massa que permitem que essas notícias se espalhem. O cérebro é mais propenso à fake news do que verdades. E esse é o grande problema do mundo atual”, avalia.

Na mesma direção, a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, resume em poucas palavras o cenário criado pelo coronavírus: “a pandemia é também uma crise de confiança, uma guerra de narrativas e desencontros”.

Participaram da entrevista a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins; a Diretora de Curadoria e Novos Produtos, Miriam Moura; e a Diretora de Relacionamento com o Poder Público, Fernanda Lambach.

O cérebro como criador do universo

Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é autor do livro “O Verdadeiro Criador de Tudo – Como o Cérebro Humano Esculpiu o Universo como Nós o Conhecemos”, no qual propõe que o cérebro humano é o verdadeiro criador do universo.

“Para o universo ter significado ele precisa de um intérprete. Não sabemos se existe outra forma inteligente, a nossa melhor escolha para o centro do universo é a mente humana. A brainet é o mecanismo que permitiu criar os grupos sociais mais produtivos. Mitos, deuses, sistemas políticos e dinheiro vêm da mente humana. Nós vivemos imersos na nossa criação”, explica.

Diante dessa teoria de que o cérebro é o centro do universo, Nicolelis defende que a inteligência artificial jamais será capaz de superá-lo. “Dar um download nas nossas memórias e deixar num DVD nunca vai acontecer, porque as memórias são analógicas e depositadas nas sinapses dos neurônios”, diz.

Defensor de uma sociedade matriarcal, como ele mesmo se definiu, o neurocientista ainda fez um contraponto ao historiador e filósofo israelense Yuval Harari, autor do best-seller internacional “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, que aborda desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI.

“A minha visão de mundo do Yuval é completamente diferente. Eu gostei muito do Sapiens, achei que ele fez um trabalho muito bom de simplificar ideias complexas. Mas acho que ele cometeu alguns erros de análise e visão, como quando ele diz que os impérios eram inevitáveis. Eu discordo frontalmente. Inclusive eu quero a volta do matriarcado do neolítico superior”, sintetiza Miguel Nicolelis.

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