Tremores no corpo: Quando procurar o médico?

O tremor é um movimento involuntário, oscilatório e rítmico que costuma surgir em diferentes situações, podendo ser fisiológico, com uma reação ao frio, psicológico, como em situações de estresse e ansiedade, ou patológico, quando está associado a algumas enfermidades, como a Doença de Parkinson, o diabetes, o AVC, o hipertireoidismo, entre outros casos.

“Esse tipo de sintoma precisa ser investigado, principalmente quando passa a ocorrer com frequência, prejudicando a saúde e a qualidade de vida do paciente. Dependendo da análise clínica, podemos entender a gravidade do tremor e tratá-lo”, esclarece o neurocirurgião Marcelo Valadares, da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.

Ainda de acordo com o médico, existem tipos diferentes de tremores que podem acometer as pessoas em estado de repouso ou em movimento, sendo que a maioria envolve mãos, braços e, menos frequentemente, cabeça, face, tronco, pernas e cordas vocais. Para entender melhor quando o tremor é um sinal de alerta de algo mais complexo, o médico esclarece abaixo a origem deles.

Reação ao frio

Está na lista dos tremores mais comuns e acontece porque a queda na temperatura faz com que os músculos se contraiam rapidamente. É uma forma que o corpo encontra para manter-se aquecido: com uma contração involuntária que garante a produção de calor. Para contornar a situação, basta proteger-se do frio.

Em casos graves, pode ocorrer uma situação crítica, chamada de hipotermia (quando a temperatura do organismo cai para menos de 35°C). Além dos tremores, outros sintomas estão associados, como a redução no batimento cardíaco, comprometimento da função renal, entre outras consequências, que podem levar até mesmo à morte.

Estresse, medo ou ansiedade

O organismo encara esses momentos de tensão e se prepara para uma reação de ataque. Uma série de hormônios estimulantes são liberados para manter a pessoa em alerta, como a adrenalina. Tais substâncias também levam à contração muscular involuntária que causa tremores, espasmos ou dores. Uma forma de controlar o estresse é recorrer a atividades que ajudam a manter a calma e a concentração, como meditação, yoga, exercícios físicos, entre outras tarefas prazerosas.

Doença neurodegenerativa

Um dos principais sintomas da Doenças de Parkinson é o tremor, notado quando o paciente está em repouso. Neste caso, costuma acometer primeiramente as mãos e, normalmente, começa de um lado do corpo, afetando depois o outro. Grande parte desses tremores podem ser controlados com medicações. Porém, quando o tratamento com remédios não é eficaz, existem outras formas seguras de controle.

Chamada de DBS (do inglês, deep brain stimulation), a estimulação profunda do cérebro consiste na implantação de um dispositivo médico cirurgicamente, semelhante a um marca-passo cardíaco, que leva ao controle desse tipo de movimento involuntário.

Tremor essencial

Confundido erroneamente com o Parkinson, o tremor essencial afeta 1 em cada 20 pessoas com mais de 40 anos, e uma em cada 5 com mais de 65 anos. Embora não seja um risco à saúde, a doença pode ser debilitante, impedindo que o paciente realize atividades básicas do dia a dia, como comer ou amarrar os sapatos, por exemplo.

Muitas pessoas reclamam do incômodo causado pela constante observação por parte de outras, que sempre questionam por que o paciente está tremendo em situações normais do dia a dia, como o trabalho. As causas do tremor essencial ainda são desconhecidas, mas a desordem pode aparecer na juventude, agravando-se com a idade. A estimulação cerebral profunda costuma ser indicada para esses casos também.

Medicamentos e outras substâncias

As medicações que interferem no sistema nervoso podem ter os tremores como efeito colateral, como alguns antidepressivos e ansiolíticos. Os broncodiladores, para controle da asma, também levam a tremores. A situação pode ser contornada com a substituição das terapias, sempre com indicação médica. Quem sofre de alcoolismo também costuma apresentar tremores em crises de abstinência. Em casos de overdose de determinadas drogas ilícitas e intoxicações, o tremor também pode ocorrer, como em situações de uso de cocaína e crack.

Outras doenças

O tremor também pode ser indício de doenças, como por exemplo, o hipertireoidismo, quando há excesso de hormônio da glândula tireoide no organismo, diabetes (queda na glicemia), esclerose múltipla, doenças hepáticas e consequência de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Na dúvida, o ideal é procurar ajuda médica o quanto antes possível para que seja feito o diagnóstico e indicado o tratamento.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Marcelo_Valadares_alta_2-683x1024.jpgDr. Marcelo Valadares é médico neurocirurgião da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.
A Neurocirurgia Funcional é a sua principal área de atuação. O especialista também é fundador e diretor do Grupo de Tratamento de Dor de Campinas, que possui uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.
No setor público, recriou a divisão de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, dando início à esperada cirurgia DBS (Deep Brain Stimulation — Estimulação Cerebral Profunda) naquela instituição. Estabeleceu linhas de pesquisa e abriu o Ambulatório de Atenção à Dor afiliado à Neurologia. 

Turismo Ecológico é vocação natural do Amazonas

Neste dia 1º de março, é Dia Nacional do Turismo Ecológico, vocação natural do Amazonas e da Amazônia, onde é possível conhecer de perto a floresta, seus habitantes, rios, cachoeiras, fauna e flora. É natureza, aventura, lazer e, também, é conscientização e desenvolvimento sustentável. O Portal Vida Amazônica destaca alguns tesouros que traduzem a diversidade do bioma Amazônia na vivência do ecoturismo.

Entre as 42 Unidades de Conservação do Amazonas, as Áreas de Proteção Ambiental (APA) são opções em alguns municípios como Iranduba, Novo Airão, Manacapuru, Manaus, Nhamundá, Parintins e Presidente Figueiredo. Neste último, a Área de Proteção Ambiental (APA) Caverna do Maroaga, abriga uma área de 374.700 hectares de um conjunto de cavernas, grutas e cachoeiras, que formam uma das mais belas paisagens do Amazonas.

A APA é um destino de fácil acesso para a prática do ecoturismo, saindo de Manaus, pela rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), onde é possível conhecer 15 locais de uso turístico, entre caverna, gruta, corredeiras e cachoeiras.

Localizadas na estrada de Balbina/AM-240, estão: Caverna do Maroaga e Gruta da Judeia, no Km 6; Cachoeira Santuário, no Km 12; Cachoeira dos Pássaros, Cachoeira da Porteira e Cachoeira da Maroca, no Km 13; Corredeira Sossego da Pantera, no Km 20; Cachoeira da Neblina e Corredeira da Neblina, no Km 51; Cachoeira da Pedra Furada e Cachoeira Santo do Ypi, no Km 57. E localizadas na BR-174, estão: Cachoeira das Quatro Quedas e Cachoeira das Orquídeas, no Km 107; Cachoeira/Corredeira das Lages 2, no Km 112; e Cachoeira do Castanhal (da loira), no Km 134. Além de outras áreas de acesso restrito, com entrada somente com a autorização do proprietário.

Paraiso Ecológico

Estar no município de Novo Airão é estar em um paraíso ecológico, no coração dos parques estadual e nacionais do Rio Negro – Setor Norte, de Anavilhanas e do Jaú. A 115 quilômetros de Manaus, o acesso pode ser por via terrestre – pela AM-070 e AM-352, no máximo em 2h30 faz o percurso –, ou fluvial, em barcos regionais e lanchas rápidas em 9 a 3 horas, respectivamente.

A orla de Novo Airão é o Arquipélago Fluvial de Anavilhanas, o segundo maior do planeta, quase totalmente protegido pelo Parque Nacional de Anavilhanas. Com infraestrutura básica e turística – de gastronomia regional, hospedagens, passeios e atividades aquáticas, a cidade está inserida no Programa de Regionalização do Turismo e faz parte do Mapa do Turismo Brasileiro.

Com área total de 350.018,00 hectares, dos quais 29,50% estão em Manaus e 70,43% em Novo Airão, o Parque Nacional de Anavilhanas está localizado na bacia do Rio Negro, em regime de restrição de proteção integral com o objetivo de preservar o arquipélago fluvial de Anavilhanas e suas diversas formações florestais, mas permite turismo sustentável nas áreas previstas pelo instrumento de gestão da Unidade de Conservação, aberto o ano todo com seu labirinto de ilhas e águas negras.

São mais de 400 ilhas, em uma extensão de, aproximadamente, 130 km e largura média de 20 km, na parte fluvial do parque, equivalentes a 60% da unidade; com mais 40% de terra firme, a Unidade de Conservação federal é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).

Entre os maiores encantos e atrativos está o turismo de interação com botos-vermelhos, ou botos cor-de-rosa como são mais conhecidos. Além das praias, presentes no período da seca dos rios, de setembro a fevereiro; e das trilhas aquáticas de igapó, no período da cheia, de março a agosto. A vista de cima das ilhas é um encontro inesquecível com a natureza e com a Amazônia.

Atividade náutica na orla de Novo Airão (Foto Sandventure/Divulgação)

Flora e fauna também são atrativos exuberantes do ambiente amazônico. E atividades náuticas e os passeios de barco pelo arquipélago das Anavilhanas, com possibilidade de conhecer comunidades tradicionais ribeirinhas e o artesanato de Novo Airão, compõem um roteiro ecológico de valor inestimável.

Arquipélago Fluvial de Mariuá (Foto Frank Garcia/Ascom-Prefeitura de Barcelos)

Subindo um pouco mais o Rio Negro, o município de Barcelos surpreende com seus atrativos ecológicos monumentais. Cachoeira do El Dorado, Abismo Guy Collet, localizados no Parque Estadual Serra do Aracá e o Arquipélago Fluvial de Mariuá traduzem a dimensão da diversidade e importância da Amazônia, em cenários inigualáveis.

De Anavilhanas, em Novo Airão, chega-se à Mariuá, em Barcelos, o maior arquipélago fluvial do planeta, a 400 quilômetros de Manaus, com mais de 1.400 ilhas, em 275 quilômetros de extensão, num trecho de rio que chega a quase 20 quilômetros de largura.

O Arquipélago Fluvial de Mariuá faz parte do Parque Nacional do Jaú, do Parque Estadual Serra do Aracá e de Área de Proteção Ambiental Mariuá. E durante o verão amazônico, a cidade de Barcelos oferece além da estrutura de hospedagem e gastronomia regional, cerca de 40 quilômetros de praias de areia branca, a partir das ilhas do Arquipélago de Mariuá.

Além de Mariuá, Barcelos acolhe outros dois grandiosos pontos naturais, localizados no Parque Estadual Serra do Aracá, de acesso mais remoto e restrito, que necessitam de expedições específicas.

Parque Estadual Serra do Aracá em Barcelos (Foto Frank Garcia/Ascom-Prefeitura de Barcelos)

A mais alta queda d’água do país, a Cachoeira do El Dorado, com 353 metros de altura, equivalente a um prédio de 126 andares, distante 211 quilômetros em linha reta da sede do município ou 393 pelo trajeto do rio.

E o abismo Guy Collet, catalogado em 2006, por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SB) e da ONG Akakor Geographical Exploring, durante uma expedição ao interior da Amazônia, formada por quartzito, com 671 metros de profundidade, considerado inicialmente a caverna mais profunda do Brasil, da América do Sul e mais profunda em quartzito do mundo.

Educação ambiental, compromisso e maturidade para lidar e proteger os habitantes e todos esses tesouros, além dos outros milhares existentes no bioma Amazônia, são essenciais em todos os segmentos, especialmente na atividade do turismo ecológico e na atitude dos ecoturistas.

Parque Estadual Serra do Aracá em Barcelos (Foto Frank Garcia/Ascom-Prefeitura de Barcelos)

Foto Topo: Barcelos (Foto Frank Garcia/Ascom-Prefeitura de Barcelos)

Dia Mundial das Doenças Raras (DR): uma data para celebrar os avanços e conscientizar a sociedade

É fundamental orientar a população sobre o Teste do Pezinho Ampliado e sua importância para o diagnóstico de dezenas de doenças raras

Dr. Antonio Condino Neto *

No dia 28 de fevereiro, celebramos o Dia Mundial das Doenças Raras (DR), lembrado todos os anos no último dia de fevereiro. É uma data fundamental para conscientizar a sociedade sobre a importância da detecção de doenças graves, especialmente os pais de bebês recém-nascidos, que devem sempre ser orientados a fazer a Triagem Neonatal em seus filhos. O Teste do Pezinho é essencial na detecção precoce de dezenas de doenças graves e raras, a fim de evitar o desenvolvimento de sintomas e complicações severas na saúde do bebê.

Com a sanção, em maio de 2021, da Lei 14.154/21, que amplia o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) em todo o território nacional, é imprescindível que as informações relativas a esse tema se estendam à população em geral, além da comunidade médica e demais profissionais da saúde. Essa conquista só foi possível graças aos avanços da ciência, que nos possibilitam oferecer o Teste do Pezinho Ampliado, que atualmente detecta pelo menos 50 doenças.

Protagonistas nesta luta, nós do Instituto Jô Clemente (IJC **) implementamos o Teste do Pezinho no Brasil em 1976 e, desde 2001, somos um Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) credenciado pelo Ministério da Saúde, tendo sido um dos principais responsáveis pelo surgimento das leis que obrigam e regulamentam essa atividade no país. Atualmente, somos responsáveis pela realização da triagem de 80% dos bebês nascidos na capital paulista e 67% dos recém-nascidos do Estado de São Paulo. O nosso laboratório é o maior do Brasil em número de exames realizados e já triamos mais de 17 milhões de crianças brasileiras.

Esses avanços recentes são muito importantes para a saúde pública. Afinal, quanto mais doenças raras a Triagem Neonatal puder detectar, melhor para a saúde do bebê. E em tempos de pandemia, mais do que nunca, é necessário que os bebês tenham acesso a exames mais completos, para evitarmos sequelas e problemas sérios de saúde na criança.

Além da questão mais importante, que é a saúde do bebê, o Teste do Pezinho Ampliado deve ser visto como um investimento em saúde pública. Um grande exemplo disso é um estudo apresentado por nós e aprovado pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrando que uma criança triada, tratada e curada de Imunodeficiência Combinada Severa (SCID) – um dos Erros Inatos da Imunidade – até os três meses de idade representa à medicina privada cerca de R$ 1 milhão em decorrência de todos os procedimentos adotados, que incluem transplante de medula óssea e acompanhamento clínico. Entretanto, se não houver a triagem e, consequentemente, a intervenção clínica adequada, esse custo pode chegar a R$ 4 milhões e com grandes chances de o bebê ir a óbito antes de um ano de vida. São duas doenças graves em que a criança nasce sem o sistema imunológico completamente formado e fica suscetível a diversas enfermidades, podendo ir a óbito se não houver o diagnóstico e a intervenção precoce.

Por isso, precisamos aproveitar datas como essa para conscientizar a população e reforçar que o Teste do Pezinho é capaz de diagnosticar precocemente doenças raras cujas sequelas são muito graves. Ao ampliar a oferta de exames, permitimos que mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce e tratamento adequado a tempo de evitar essas sequelas. Quando pensamos em doenças raras, imaginamos que são condições que quase ninguém desenvolve, mas precisamos promover a medicina preventiva, até mesmo para termos um cenário mais concreto da incidência de cada uma das doenças consideradas como raras.

Essa deve ser uma luta constante. A Triagem Neonatal precisa continuar sendo ampliada com o tempo, incluindo mais doenças possíveis de serem detectadas nos primeiros dias de vida da criança. Afinal, o Teste do Pezinho é um direito do bebê. E o diagnóstico precoce, em conjunto com o tratamento especializado, significa melhor qualidade de vida.

* O Dr. Antonio Condino Neto é imunologista e consultor no laboratório do Instituto Jô Clemente (IJC).

** O Instituto Jô Clemente (IJC), antiga Apae de São Paulo, é uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que há mais de 60 anos promove saúde e qualidade de vida às pessoas com deficiência intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e doenças raras (DR), além de apoiar a sua inclusão social e a defesa de seus direitos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 5080-7000 ou pelo Site do IJC.

Foto:Divulgação

Programa de estímulo a mulheres indígenas na Amazônia seleciona seis projetos socioambientais

Iniciativa da Conservação Internacional busca propostas focadas em soluções socioambientais para receber bolsa de US$ 10 mil e apoio técnico por um ano

Em sua 2ª rodada de seleções, o Programa Mulheres Indígenas Lideranças em Soluções Socioambientais na Amazônia recebe, até 21 de março, propostas de projetos liderados por mulheres indígenas de sete países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname). No Brasil, seis projetos serão selecionados para receber uma bolsa de US$ 10 mil (cerca de R$ 54 mil). O edital completo está disponível em http://bit.ly/LiderancasAmazoniaCI.

O objetivo do programa é apoiar ideias e iniciativas lideradas por mulheres que visem o bem-estar das comunidades e territórios indígenas, com foco em temas relacionados à conservação, tradições e saberes ancestrais, direitos indígenas e reconhecimento legal, produção sustentável, soberania alimentar, língua e cultura, fortalecimento de organizações, entre outros.

Mayara Ferreira, gerente de projetos da CI-Brasil, explica como o trabalho junto às mulheres será realizado. “Iremos trabalhar com essas líderes por um ano no desenvolvimento do projeto. Além do aporte financeiro, elas também receberão suporte de uma equipe técnica multidisciplinar que irá apoiar atendendo as necessidades e realidades individuais. O apoio às mulheres é um passo em direção a igualdade de gênero nas comunidades indígenas da Amazônia.”

Serão priorizadas propostas inovadoras, que tragam soluções socioambientais criativas e favoreçam o engajamento de mais mulheres em questões relacionadas à conservação e o desenvolvimento de redes de lideranças femininas indígenas.

Programa de Mulheres Indígenas

O Programa Mulheres Indígenas Lideranças na Amazônia é uma iniciativa do projeto Nossas Futuras Florestas – Amazônia Verde, implementado pela Conservação Internacional com o apoio da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (do espanhol, Coica) e do governo francês. O projeto promove e apoia os esforços de conservação de 26 povos indígenas e comunidades locais, por meio de ferramentas, treinamento e financiamento necessários para o manejo de seus territórios e conservação da Amazônia.

Conservação Internacional

A Conservação Internacional (CI-Brasil) usa ciência, política e parcerias para proteger a natureza da qual as pessoas dependem para obter alimentos, água doce e meios de subsistência. Fundada em 1990 no Brasil, a Conservação Internacional trabalha em mais de 30 países em seis continentes para garantir um planeta saudável e próspero, que sustenta a todos. Mais informações: http://www.conservacao.org.br

Inscrições

As interessadas devem se inscrever até 21 de março. O edital completo e formulários estão disponíveis em http://bit.ly/LiderancasAmazoniaCI

Foto: Conservação Internacional/César David Martínez/Divulgação

Especialista aponta sete dicas para se maquiar sem comprometer a saúde ocular

Mesmo sem aglomerar, muita gente aproveita a época de Carnaval para arrasar na maquiagem. Na opinião do médico oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP), a maior parte dos problemas seria evitada se a pessoa reservasse um tempo adequado, bem como um ambiente calmo e bem iluminado, para fazer a maquiagem.

“Um dos erros mais comuns que a gente vê, diariamente, é a mulher se maquiar enquanto dirige, a caminho do trabalho ou até mesmo de uma festa. Além de aumentar as chances de um acidente de trânsito, a instabilidade do momento pode favorecer, por exemplo, que o lápis ou ainda o aplicador de rímel atinja a córnea”, alerta o médico, ao  recomendar que o ideal, neste caso, seria reservar 15 minutos antes de sair de casa para se arrumar do jeito que achar oportuno.
 

Arranhar a córnea é um dos problemas mais recorrentes e preocupantes durante a maquiagem, já que a escoriação pode evoluir para uma infecção e colocar em xeque a visão do paciente. Neves também chama atenção para um tipo de conjuntivite relacionado a produtos de beleza que não são armazenados da maneira correta ou que já passaram do prazo de validade.

“A maioria dos itens de maquiagem para os olhos contém substâncias que evitam a proliferação de bactérias. Além dos cuidados no manuseio, armazenamento e tempo de uso, vale ressaltar que maquiagem de qualidade inferior, sem selo de qualidade ou aprovação dos órgãos responsáveis pela fiscalização, contribui bastante para o surgimento de problemas oculares”, enfatiza o oftalmologista.

Renato Neves acrescenta que, se até mesmo produtos dermatologicamente testados e aprovados podem desencadear reações alérgicas, causando vermelhidão, irritação, inchaço e até mesmo infecção, imagine o risco de se usar um produto de origem duvidosa.

Confira as dicas do médico Renato Neves para se maquiar com segurança

Reserve tempo para se maquiar – “A maquiagem mais básica possível inclui produtos para a região dos olhos, seja lápis, rímel ou sombra (ou todos juntos). Sendo assim, é importante dedicar alguns minutos, antes de sair de casa, para se maquiar num ambiente bem iluminado; e prestar atenção na hora de aplicar lápis ou delineador. O uso deve ser externo, jamais na parte interna do olho”.

Todo cuidado é pouco com glitter e purpurina – “A maquiagem de Carnaval, que costuma ser mais elaborada e trazer muito brilho, requer cuidado dobrado para que nenhuma partícula, inadvertidamente, atinja a parte interna do olho. A festa sempre acaba mais cedo para quem se descuida e o glitter acaba arranhando a córnea. Nestes casos, é fundamental procurar um serviço de pronto-atendimento em oftalmologia”.

Lentes de contato e maquiagem não combinam“Usuários de lentes de contato são bem mais suscetíveis a problemas oculares relacionados ao uso de maquiagem. Isto porque alguns produtos podem acidentalmente entrar em contato com a lente e contaminá-la – podendo causar até mesmo uma infecção. Sendo assim, uma escolha se faz necessária: ou a maquiagem pesada nos olhos, ou as lentes”.

Maquiagem não deve ser compartilhada“Até mesmo quem costuma recorrer a um salão de beleza para fazer cabelo e make-up de forma profissional deveria carregar consigo seus próprios itens de maquiagem, principalmente aqueles usados nos olhos. Esse cuidado é fundamental para evitar contaminação por bactérias. Nem mesmo entre amigas ou irmãs esse hábito deve ser estimulado”.

Substitua produtos duas ou três vezes ao ano – “Tudo o que é utilizado na maquiagem dos olhos deve ser substituído a cada quatro meses, no máximo seis. Isto porque, com o uso, as características do produto vão se modificando e aumentam as chances de contaminação. O ideal, então, é não esperar que o rímel comece a apresentar grumos ou forte odor para só então descartá-lo. A essa altura, os riscos já são consideráveis. Também é fundamental descartar a maquiagem logo depois de uma infecção ocular, a fim de evitar que as bactérias se espalhem e continuem a representar um risco para a saúde ocular”.

Cílios postiços devem ser retirados no fim da festa“A curvatura dos cílios é naturalmente programada para que eles se toquem, durante mais de 20 mil piscadas diárias, sem que um interfira no outro. Quando os cílios são obrigados a ‘suportar’ o peso dos fios artificiais, isso faz com que eles se toquem de forma diferente, podendo grudar, entortar e até arranhar a visão. Há também o risco de uma conjuntivite química e inclusive de lesões de gravidade variável em função do contato com a cola utilizada. Sendo assim, nada de passar o dia inteiro de cílios postiços e muito menos dormir com eles. Eles podem ser usados com cautela para ir a uma festa e devem ser retirados logo depois”.

Não durma de maquiagem! – “Independentemente das circunstâncias, ir para cama maquiada com lápis, rímel e sombra – mesmo que se tenha investido muito tempo para fazer os tais olhos esfumados – aumenta as chances de problemas oculares. Os olhos são extremamente sensíveis e não é raro que, no contato com o travesseiro, a maquiagem acabe entrando em contato com a parte interna da pálpebra ou ainda com a córnea, podendo no mínimo causar uma irritação”.

Foto: Divulgação

Cálculo renal: Uma a cada 10 pessoas no Brasil sofre com a alteração

Estimativa recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aponta que uma a cada 10 pessoas, no Brasil, sofre de cálculo renal, alteração que, se não tratada a tempo e de forma correta, pode levar a problemas mais graves, como redução da função renal e até deterioração dos rins. “Em casos mais extremos, pode haver a indicação da nefrectomia (retirada total ou parcial do órgão)”, alerta o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo.

Doutor em saúde coletiva e membro da SBU, Figliuolo destaca que o cálculo renal, mais conhecido como pedra nos rins, é uma alteração que tem como fatores de risco a obesidade, dietas ricas em sal e gordura animal, predisposição genética associada à doença, clima muito quente (como é o caso da maioria dos estados da região Norte), além da baixa ingestão de líquidos. A alteração atinge três vezes mais homens que mulheres, e mais comum entre 20 e 40 anos de idade.

“No período de verão, que se aproxima no Amazonas, pode haver um aumento de até 30% nos casos de cálculos renais, em decorrência da baixa ingestão de líquido somada à alimentação inadequada e rica em sal”, explicou. O ideal, segundo o médico, é ingerir cerca de três litros de água ao dia, de forma fracionada. Isso ajuda a eliminar o sal que é ingerido durante as refeições, evitando que ele fique acumulado nos rins, formando cristais que podem evoluir para cálculos.

O especialista explica que a presença dos cálculos renais nem sempre é notada. Em geral, os sinais só aparecem quando eles têm um tamanho significativo ou estão localizados em áreas muito específicas, como a uretra, atrapalhando a passagem da urina. “Nas duas situações, pode ocasionar fortes dores e incômodos frequentes, que acabam atrapalhando nas atividades cotidianas e provocando problemas secundários”, frisou.

Por isso, Figliuolo alerta que, dores nas costas, dor ou incômodo ao urinar, sangue na urina, infecção urinária de repetição, vômitos e febre, diminuição do fluxo urinário, além do aumento da frequência urinária com eliminação de pequenas quantidades de líquido, requerem uma visita ao urologista para avaliação.

Diagnóstico e tratamento

“O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica por médico especialista, com o suporte de exames de apoio, como os de imagem. Os mais usados são: ultrassonografia de abdome, tomografia computadorizada do trato urinário e, em casos mais críticos, até ressonância magnética”, explicou Figliuolo. E o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.

“Hoje em dia, contamos com técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como as cirurgias laparoscópicas por vídeo, nefrolitotripsia extracorpórea (utilização de ondas de choque para quebrar as pedras e ajudar a serem expelidas), cirurgia endoscópica (que suga o cálculo, proporcionando menos efeitos colaterais e promovendo rápida recuperação), entre outros”, completou o especialista.

Figliuolo faz um alerta especial às gestantes, que têm mais probabilidade de desenvolver o problema. “É importante que as gestantes não deixem de consumir líquidos como água, sucos cítricos naturais e façam o pré-natal seguindo todas as orientações. O cálculo renal na gravidez eleva os riscos de partos prematuros. Por isso, todo cuidado é pouco”, concluiu.

Foto: Divulgação

Março azul: Populações ribeirinhas do rio Tapajós recebem ação de prevenção de câncer colorretal

Voluntários da ONG paulistana Zoé estarão no Hospital Municipal de Belterra (HMB), no Pará, de 5 a 12 de março, em sua 5ª expedição em prol da vida das populações ribeirinhas do rio Tapajós. Dessa vez, o principal foco da ação está relacionado ao Março Azul – mês de conscientização sobre o câncer colorretal (intestino grosso e reto). Serão 25 médicos voluntários que atuarão nas especialidades de colonoscopia – relacionada ao câncer colorretal –, além de endoscopia, anestesia e cirurgia. Também participam acadêmicos de medicina e profissionais de enfermagem.

No Brasil, o câncer colorretal é o segundo tumor maligno em incidência na população feminina e masculina, excluindo o câncer de pele não melanoma, atrás apenas, respectivamente, dos cânceres de próstata e mama. São 41 mil novos casos previstos para 2022, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Na região Norte do país, o Pará é o que apresenta maior incidência de câncer colorretal, com 560 novos casos previstos para este ano, número bem superior aos demais estados: Acre, 50 novos casos; Amapá, 20; Amazonas, 210; Rondônia, 130; Roraima, 30; Tocantins, 170.

Os números corroboram o cenário revelado pelo estudo de rastreamento de câncer colorretal liderado pelo médico cirurgião e colonoscopista Marcelo Averbach, um dos fundadores da Zoé, entre 2014 e 2017, antes da criação oficial da ONG. Nesse período, foram submetidos ao rastreamento os moradores de Belterra, na faixa etária entre 50 e 70 anos. “O levantamento mostrou incidência elevada de câncer colorretal e de adenomas de alto grau que são lesões que antecedem o câncer”, disse o médico.

A atual expedição da Zoé dá continuidade a esse atendimento, com a reavaliação dos pacientes que participaram do estudo e tiveram o diagnóstico de pólipos avançados ou apresentaram sintomas. Depois da avaliação, pacientes que necessitarem de tratamento oncológico serão encaminhados para o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém (PA).

Dona Marina, uma das moradoras de Belterra, beneficiada pelas ações da ONG Zoé (Foto: Solange Macedo/SM2)

Um câncer evitável

Apesar da alta incidência, o câncer colorretal pode ser evitado. Isso porque a doença tem início com uma lesão pequena e não maligna nas paredes do intestino. O exame de colonoscopia é capaz de identificar as lesões com potencial de malignidade e removê-las, evitando um futuro câncer.

Outra medida importante no combate ao câncer colorretal é a prevenção. Nesse contexto, uma das a recomendações é adotar uma alimentação que inclua o consumo de frutas e hortaliças; evitar o consumo de alimentos processados e de bebidas alcoólicas, refrigerantes e outras bebidas açucaradas. Excesso de carne vermelha e alimentos calóricos e/ou gordurosos também aumentam o risco para a doença, assim como sedentarismo, obesidade e tabagismo. O desenvolvimento de câncer colorretal por fatores de hereditariedade representa entre 5% e 10% dos casos.

A importância da endoscopia

No total, deverão ser atendidos durante a expedição da Zoé cerca de 200 pacientes no HMB. Além de 60 colonoscopias, serão realizadas 100 endoscopias digestivas altas, 20 cirurgias proctológicas e 20 cirurgias de hérnia. “Também vamos atender pacientes que foram submetidos à cirurgia de hérnia e endoscopias na expedição realizada no final do ano passado e que, de acordo com avaliação previamente realizada, necessitam de acompanhamento”, informa o médico cirurgião do aparelho digestivo, Fábio Atuí, um dos fundadores da Zoé.

Marco Aurélio D’Assunção, médico endoscopista e presidente da Zoé, explica que entre os pacientes que serão submetidos ao exame de endoscopia de controle, estão os que foram diagnosticados e tratados de Helicobacter pylori. Essa bactéria é o principal fator de risco para câncer de estômago e o Pará ocupa a liderança na incidência de novos casos dessa doença oncológica, com 860 novos casos previstos para este ano, de acordo com estimativas do Inca. Para os demais estados a estimativa é bem inferior: Acre, 90 casos; Amapá, 80; Amazonas, 380, Rondônia, 120; Roraima, 30; e Tocantins, 100.

Nesse cenário, o exame de endoscopia é muito importante, entre outros fatores, porque, em alguns casos, é possível durante o exame remover cânceres em estágios iniciais ou colher amostras de lesões suspeitas que são encaminhadas para análise (biópsia), com objetivo de confirmar ou não o diagnóstico de doença oncológica.

Médicos da Zoé realizam cirurgia no Hospital Municipal de Belterra, em uma das expedições da ONG (Foto: Solange Macedo/SM2)

Tecnologia de ponta

Os pacientes, além da expertise dos médicos que participam da expedição, serão beneficiados pela tecnologia. Entre os recursos que a Zoé leva para Belterra, estão um bisturi elétrico de última geração, um equipamento de endoscopia com recursos de inteligência artificial e instrumental específico para cirurgia proctológica.

Ação tem apoio da Sobed e SBCP

A 5ª expedição da Zoé conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e da Sociedade Brasileira de Colocoproctologia (SBCP). Fazem parte da expedição o presidente da Sobed, Ricardo Dib, e o vice-presidente, Herberth Toledo; e o presidente da SBCP, Eduardo de Paula Vieira. A Sobed e a SBCP são sociedades que representam especialidades médicas relacionadas ao câncer colorretal e, assim como a Zoé, estão engajadas no movimento de conscientização sobre essa doença oncológica.

“O Março Azul é um alerta nacional para mobilizar os profissionais de saúde e a população brasileira sobre a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer colorretal. E estamos confiantes de que essa força-tarefa será um sucesso”, destacou o presidente da Sobed.

“Ações como essa da qual participaremos em Belterra são de extrema importância para que populações remotas tenham acesso a exames essenciais no diagnóstico e prevenção de doenças como o câncer colorretal“, complementou o presidente da SBCP.

Fotos: Solange Macedo/SM2

Síndrome de Burnout: conheça direitos de quem sofre da doença ocupacional

Até o ano passado, a Síndrome de Burnout era considerado um problema de saúde mental e um quadro psiquiátrico, mas agora passou a ser reconhecida oficialmente como “estresse crônico de trabalho” – ou seja, como uma doença ligada à atividade profissional.

A Síndrome de Burnout, ou “síndrome do esgotamento profissional”, é causada pelo acúmulo excessivo de estresse ou tensão emocional, e está diretamente relacionada ao trabalho. É um problema comum em trabalhadores que estão sob pressão constante, e afeta praticamente todos os aspectos da vida das pessoas que têm a condição, já que essas pessoas podem desenvolver ansiedade e depressão.

“Com o reconhecimento como doença ocupacional, os trabalhadores ficam resguardados em relação aos seus direitos previdenciários, bem como às obrigações por parte do empregador”, explica A advogada Tatiana Viola de Queiroz, especializada em Direito da Saúde. “Vale ficar atento também em relação à obrigatoriedade da cobertura por parte dos planos de saúde”, acrescenta a especialista.

De acordo com a Associação Internacional de Controle do Estresse, cerca de 33 milhões de brasileiros sofrem hoje de Burnout. Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz analisou, também, os impactos da pandemia na saúde mental de trabalhadores essenciais. De acordo com a pesquisa, o Brasil está empatado com a Espanha, com 47,3% desses trabalhadores tendo desenvolvido sintomas de ansiedade e depressão desde o início do período de isolamento social.

Os sintomas da síndrome de burnout podem ser físicos ou psicológicos, e incluem: cansaço mental e físico excessivos; insônia; dificuldade de concentração; perda de apetite; irritabilidade e agressividade; desânimo e apatia; dores de cabeça e no corpo; sentimentos de derrota, de fracasso e de insegurança; pressão alta; mudanças bruscas de humor; lapsos de memória; ansiedade; depressão.

“São sintomas que afetam diretamente a produtividade e a performance no trabalho. É comum que esses profissionais passem a faltar no trabalho, não cumprir prazos, e até mesmo ter dificuldade com tarefas corriqueiras”, explica ela.

Direito ao tratamento pelos planos de saúde

A advogada esclarece que os planos de saúde e seguros são obrigados, por lei, a cobrir o tratamento da Síndrome de Burnout com médicos especializados.

“O paciente que sofre dessa doença também tem direito a sessões de psicoterapia, caso seja encaminhado pelo médico, e o plano também deve cobrir o tratamento psicológico”, orienta Tatiana.

Direitos previdenciários e trabalhistas

A especialista explica ainda que o funcionário com Burnout também tem direito a faltas justificadas para tratar o esgotamento físico e emocional, desde que apresente um atestado médico. “Nesse caso o empregado não deve sofrer prejuízos em sua remuneração. A empresa arca com o salário do funcionário pelos primeiros 15 dias, e, caso o tratamento seja maior do que esse período, a responsabilidade pela remuneração passa a ser do INSS. Nesse caso, o trabalhador deve realizar o pedido do benefício”, explica a advogada.

O profissional que sofre da Síndrome de Burnout e é afastado por mais de 15 dias de suas atividades também tem direito a receber o auxílio-doença, que deve ser solicitado também junto ao INSS. “As pessoas que sofrem dessa síndrome têm direito a 12 meses de estabilidade, excluindo os casos em que a demissão for por justa causa. A lei entende que é justo o funcionário usufruir desse período de estabilidade após o término do tratamento, pois o que causou a doença na maioria das vezes foi o excesso de trabalho ao qual foi submetido”, afirma a especialista

“A Síndrome de Burnout é tão séria que, em alguns casos mais graves da doença, o empregado pode ficar i mpossibilitado de voltar ao trabalho de forma definitiva, e, nesses casos, o indivíduo pode solicitar a aposentadoria por invalidez. Para isso, a pessoa deve apresentar um laudo médico informando que a incapacidade de retomar as atividades profissionais é definitiva junto ao INSS e, constatada a incapacidade permanente em perícia, o trabalhador será aposentado”, finaliza a especialista.

A advogada Tatiana Viola de Queiroz tem mais de 20 anos de experiência, com especializações em Transtorno do Espectro Autista, pelo CBI OF Miami, Direito Médico e da Saúde, Direito do Consumidor, Direito Bancário e Direito Empresarial. Além de ser membro efetivo da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB/SP, atuou por oito anos como advogada da PROTESTE, maior associação de defesa do consumidor da América Latina.

Foto: Divulgação

Capacitação de profissionais que atuam no SUS garante qualidade no atendimento no Amazonas

A Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas) desenvolveu mais de 130 ações de treinamento e capacitação, ao longo de 2021, abrangendo cerca de 7,4 mil profissionais da saúde, prestadores de serviços assistenciais e administrativos no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde) no Amazonas – a maior parte do grupo, composta por enfermeiros.

De acordo com a enfermeira Karina Barros, presidente da instituição, considerada referência em enfermagem na região Norte, o cronograma é desenvolvido de forma colaborativa, com o objetivo de contribuir com a atualização de protocolos, garantindo, assim, um atendimento de excelência à população do Estado.

As atividades foram desenvolvidas pelo setor de T&D (Treinamento e Desenvolvimento), em parceria com o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (Sesmet) e com o Setor da Gestão de Qualidade e Projeto da Segeam, abrangendo os colaboradores vinculados à instituição, lotados, atualmente, em 23 unidades de saúde de Manaus, incluindo maternidades e prontos-socorros que ofertam serviços de Urgência e Emergência na capital, Manaus, impactando diretamente no enfrentamento à pandemia da Covid-19.

A secretária-executiva de Gestão de Pessoas da Segeam, enfermeira Adriana Macedo, destaca que o desenvolvimento de um cronograma tão amplo só foi possível a partir de um trabalho em equipe.

“Consideradas atividades de grande impacto no nosso planejamento, as Semanas da Enfermagem, ocorridas em 2020 e 2021, são exemplos do comprometimento do nosso corpo técnico, que participou em peso, de forma on-line, das palestras desenvolvidas para levar informações sobre atualizações nacionais e internacionais de procedimentos e abordagem ao paciente, além das novas diretrizes e notas técnicas adotadas pelas autoridades de saúde no Brasil”, assegurou Adriana Macedo.

E acrescentou que o trabalho educativo teve continuidade mesmo durante a pandemia, com treinamentos ofertados de forma híbrida (presencial e online), seguindo todos os protocolos de segurança e mantendo o foco na assistência de qualidade.

Capacitação no interior do Amazonas

A proposta da Segeam, para 2022, é credenciar novos cursos de capacitação na área da atividade-fim, junto ao Ministério da Saúde. Assim, será possível a oferta de treinamento tanto para os demais profissionais da saúde da capital que não associados à instituição, quanto para os que atuam em unidades de atendimento no interior do Amazonas, e que muitas vezes, não têm acesso às atualizações de forma rápida.

“Ampliar esse leque é de extrema importância para a manutenção e melhoria da qualidade no atendimento ao usuário da rede pública de saúde e auxiliar nesse processo será parte da nossa missão daqui para frente”, concluiu Adriana Macedo.

Foto: Divulgação

Simpósio internacional discute inovação e sustentabilidade na Amazônia

Nos próximos dias 26, 27 e 28 de outubro, o Instituto de Engenharia (IE) sedia o Simpósio Internacional: Uma Amazônia Inovadora e Sustentável (SIPAIS). O evento será realizado de modo on-line, respeitando as normas de prevenção à covid-19, com vários painéis e debates.

O evento do IE tem por objetivo sensibilizar sobre a importância de uma cooperação internacional, dos mais diversos ecossistemas, para desenvolver e escalar ações sinérgicas e sustentáveis com países da Amazônia. Desse modo, promover a verdadeira revolução ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) através da engenharia.

O simpósio também buscará iniciativas e projetos nas áreas de infraestrutura, energia e logística, educação e pesquisa, com foco no crescimento econômico sustentável da região amazônica.

Os debates devem trazer oportunidades do uso de fontes públicas e privadas para o financiamento da infraestrutura, mensuração do índice ESG, bem como motivações sociais em segurança, qualidade de vida, o ecossistema econômico, industrial e tecnológico, segurança jurídica e operacional de empreendimentos naquela região.

Para isso, entre os convidados a participar das discussões estão representantes de governos, entidades internacionais, empresas, academias, centros de pesquisa, ONGs, engenheiros e profissionais ligados às questões de inovação e sustentabilidade.

Propostas reais

Ao final, o SIPAIS consolidará uma síntese, sugestões e transcrição dos painéis realizados nos três dias de simpósio do Instituto de Engenharia e as contribuições voltadas para um desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O resultado desse trabalho será encaminhado ao Conselho da Amazônia Legal, ao Parlamento Amazônico, à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), autoridades, embaixadas, setor financeiro e para toda a sociedade civil.

Inscrições

A inscrição ao SIPAIS será feita no site do Instituto de Engenharia (https://www.institutodeengenharia.org.br/SIPAIS). O inscrito receberá um link em seu e-mail e terá acesso às transmissões por plataforma eletrônica webinar.

Confira a programação

26 de outubro

13h30 – Abertura

15h30 – Projeto Amazônia e Bioeconomia Sustentada em CT&I

16h15 – Inclusão Geodigital da Gestão Produtiva – Práticas ESG com Tecnologia Aplicada

18h – Oportunidades para a melhoria da infraestrutura em segurança, logística, energia e telecomunicações

27 de outubro

13h30 – Comunidade Integrada e Participativa – Cooperativa e Agropecuária Familiar

16h – Educação, Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Tecnológico – Intercâmbio e Potencial da Sociedade Amazônica

18h – Desenvolvimento Social, Econômico, Turístico e Cultural

28 de outubro

9h30 – Ecossistema Revolução ESG

13h30 – Desafios da Logística para o Desenvolvimento da Bioeconomia e da Bioengenharia na Amazônia

16h – Estabelecimento de Critérios Ambientais, Sociais e de Gerenciamento para uma Amazônia Sustentável

18h – Bacia Amazônica como um vetor de Integração Econômica

29 de novembro

17h – Entrega do caderno de conclusão dos painéis debatidos com as oportunidades de ações para a Amazônia

Foto: Vista da Amazônia / Bruno Cecim / Agência Pará