Cartilha do Hospital do GRAACC orienta sobre a importância do diagnóstico precoce de câncer nos olhos

O Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), referência no tratamento de casos de alta complexidade do câncer infantojuvenil, acaba de lançar uma cartilha digital (https://bit.ly/retinoblastoma-graacc) com informações sobre os principais sintomas e como identificar precocemente a doença, que é um tipo de câncer nos olhos, considerado o terceiro mais comum entre crianças com até três anos de vida. São cerca de 250 novos casos diagnosticados anualmente, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Se detectado em estágio inicial e tratado em centros especializados, as chances de cura passam de 90%.

“O diagnóstico precoce é imprescindível em qualquer tipo de câncer, pois quanto mais cedo for descoberto maiores são as chances de cura. No caso do retinoblastoma, em mais de 60% dos casos, o tumor pode causar leucocoria, que é um reflexo anormal da pupila quando exposta à luz conhecido como ‘reflexo do olho de gato’. É perceptível em fotos com flash por meio de um brilho branco diferente no olho da criança”, comenta a Dra. Carla Macedo, oncologista pediátrica do GRAACC.

O lançamento da cartilha ocorreu para celebrar o Dia Nacional de Conscientização do Retinoblastoma (18/09). E a boa notícia é que o tratamento de câncer nos olhos, em casos diagnosticados em estágios iniciais e intermediários, tem avançado substancialmente na última década. O Hospital do GRAACC possui um dos mais modernos centros de tratamento do retinoblastoma, comparado aos principais serviços existentes em países da Europa e nos Estados Unidos.

São 10 anos de experiência na aplicação da quimioterapia intra-arterial, procedimento minimamente invasivo que injeta a medicação diretamente na artéria oftálmica agindo direto no foco da doença, com mais de 1500 quimio-cirurgias realizadas.

“Esse procedimento, juntamente com a quimioterapia sistêmica, quimioterapia intraocular e as demais técnicas de tratamento local, reduz, em média, para 20% as necessidades de enucleação, que é a remoção do globo ocular”, afirma Dr. Luiz Teixeira, oftalmologista do GRAACC.

Principais Sintomas

Os cuidados com os olhos, desde os primeiros dias de vida da criança, são fundamentais. “O exame de fundo de olho é o mais indicado na rotina de consultas com o pediatra para diagnosticar em estágio inicial qualquer alteração ocular nos bebês. Independente do surgimento ou não de sintomas aparentes é muito importante também que pais e responsáveis levem a criança para avaliação de um oftalmologista no primeiro ano de vida”, alerta a oncologista pediátrica.

Alguns sintomas podem revelar alterações oculares que devem ser investigadas. Os mais comuns são:

Reflexo branco na pupila: (reflexo do olho de gato). Pode ser percebido quando o olho da criança aparece com um brilho branco diferente em fotos tiradas com flash e, também, por meio de um exame oftalmológico. É considerado um dos principais sinais de retinoblastoma.

Estrabismo: desvio ocular que pode acontecer por conta da fraqueza do músculo que controla o movimento do olho, sendo o retinoblastoma uma das raras causas.

Proptose: deslocamento anterior do olho na cavidade da órbita.

Outros sinais também merecem atenção como, por exemplo: problemas de visão; aumento do tamanho do olho, dor nos olhos; vermelhidão da parte branca do olho e sangramento na parte anterior do olho.

Tratamento

Como centro de referência no tratamento do câncer infantojuvenil, o Hospital do GRAACC possui equipe multidisciplinar especializada e todas as modalidades terapêuticas necessárias: quimioterapia intravenosa, quimioterapia intra-arterial, intravítrea, braquiterapia, laser e crioterapia.

“Um dos grandes avanços no combate ao retinoblastoma é a quimioterapia intra-arterial. Um microcateter é introduzido, normalmente em um acesso na virilha, e por meio de micronavegação é posicionado na artéria oftálmica do olho onde será injetada a medicação quimioterápica que tem concentração 80 vezes maior que a quimioterapia sistêmica. Geralmente são suficientes de 3 a 5 sessões para a remissão do câncer”, explica Dra. Carla.

O tratamento varia de acordo com cada caso e pode contemplar também: quimioterapia sistêmica que combina medicamentos administrados por via oral ou intravenosa; radioterapia; braquioterapia com dispositivos contendo material radioativo; terapia a laser; crioterapia e, como último recurso, a enucleação para a extração cirúrgica do globo ocular.

Retinoblastoma

Apesar de raro, é o tipo mais comum de câncer no olho em crianças, independentemente de sexo ou etnia. É formado na retina e 95% dos casos ocorre em crianças de até 5 anos. A maioria dos casos o retinoblastoma é unilateral, ou seja, se manifesta em apenas um dos olhos. 30 a 40 % restantes afetam os dois olhos (bilaterais). Também pode ser hereditário, o que ocorre em aproximadamente 40% dos casos.

A Classificação Internacional de Retinoblastoma intraocular é um sistema de estadiamento que divide os casos em 5 grupos:

A – Tumores pequenos na retina, de até 3 mm de diâmetro, que não estão perto de estruturas oculares importantes.

B – Tumores na retina maiores que 3 mm, mas próximos de estruturas oculares importantes.

C – Tumores definidos, com pequena dispersão sob a retina ou para dentro do material gelatinoso que preenche o olho.

D – Tumores grandes ou mal definidos com humor vítreo comprometido ou acometimento sub-retiniano longe do tumor retiniano. A retina pode se desprender da parte de trás do olho.

E – Tumor muito grande que se estende até perto da parte frontal do olho, é hemorrágico ou causa glaucoma, ou tem outras características que indicam a impossibilidade de o olho ser salvo.

Sobre o GRAACC

Criado em 1991 para atender crianças e adolescentes com câncer, o Hospital do GRAACC é referência no tratamento do câncer infantojuvenil, principalmente em casos de maior complexidade. Possui uma parceria técnica-científica com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que possibilita, além de diagnosticar e tratar o câncer infantil, o desenvolvimento de ensino e pesquisa.

O GRAACC é a primeira instituição do País, especializada em câncer infantojuvenil, a receber a acreditação da Joint Commission International (JCI), uma das organizações mais conceituadas do mundo na área de certificações em serviços de saúde. Em 2020, o atendeu cerca de 4 mil pacientes de todo o País e realizou mais de 32 mil consultas, além de cerca de 1,5 mil procedimentos cirúrgicos, 20,5 mil sessões de quimioterapias e 66 transplantes de medula óssea.

A instituição completa 30 anos de atividades em 2021. Neste período, o Hospital do GRAACC elevou o patamar do tratamento de alta complexidade do câncer infantojuvenil no Brasil para 70% de chances de cura, em média.

Outubro Rosa reforça importância de exames de rastreio e hábitos saudáveis

Por Lenise Ipiranga

Oano de 2020 tem desafiado a todos. Uma pandemia do novo coronavirus tem interferido dramaticamente nas vidas, nas rotinas e no planeta. E em meio ao combate ao vírus letal, que exige isolamento social, protocolos sanitários, uso obrigatório de máscara e responsabilidade consigo e com o próximo, temos de seguir com as outras batalhas em curso pela saúde, a exemplo da luta contra o câncer. E o Outubro Rosa deste ano reforça a necessidade da detecção precoce e de hábitos saudáveis de vida. O médico oncologista clínico William Hiromi Fuzita alerta para a importância de se manter a rotina de exames preventivos e de rastreamento, e destaca a inclusão de mais um medicamento contra o câncer de mama no Sistema Único de Saúde – o SUS.

Os índices são crescentes, tanto de incidência quanto de mortalidade. Fuzita aponta que, de acordo com recente estimativa mundial (2018), ocorreram 18 milhões de casos novos de câncer, sendo o câncer de pulmão o mais incidente, com 2,1 milhões de casos, seguido do câncer de mama, com 2,1 milhões de casos, nas mulheres as maiores incidências foram o câncer de mama com 24,2%, seguido do de intestino com 9,5%.

No Brasil, segundo o médico oncologista, a Estimativa 2020 do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), é de que ocorrerão em torno de 625 mil casos novos de câncer: o câncer de pele é o mais incidente com 177 mil casos; seguido pelo câncer de mama, com 66 mil casos, e o câncer de próstata, também com aproximadamente 66 mil casos. Em 2017, foi registrada a última análise da mortalidade, com 16.724 óbitos por câncer de mama.

O câncer de próstata e de mama representam as maiores taxas ajustadas para todas as regiões geográficas do pais, explica o médico, exceto na Região Norte, onde a incidência do câncer de mama é bem próxima do câncer de colo de útero. “E no Amazonas a situação é muito pior, porque o esperado é muito mais tumores de colo de útero do que de mama: a estimativa para 2020, são 580 casos de câncer de colo de útero, enquanto de mama são 450 casos novos”, alerta.

Conquista no SUS

No SUS, ressalta William Fuzita, foi uma grata felicidade a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), criada em 2011, que avalia as novas tecnologias a serem implementadas no SUS, ter aprovado, em dezembro de 2017, o uso do medicamento Pertuzumabe, específico para as mulheres com câncer de mama metastático HER2 positivo, o subtipo mais agressivo da doença. “Essa é uma ferramenta extraordinária, que traz inúmeros benefícios para a paciente com câncer de mama HER2 positivo. É uma grande conquista ter sido incluído no arsenal de tratamento para as mulheres no SUS”, enfatizou o oncologista clínico.

O medicamento Pertuzumabe, em terapia associada a outros dois, atua em termos do controle da doença, no prolongamento da vida com qualidade. Após dois anos e sete meses de sua aprovação, o Ministério da Saúde anunciou, em julho de 2020, a aquisição do medicamento e sua primeira parcela contratual foi entregue no mês de agosto deste ano. A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) publicou, em 28 de agosto de 2020, e confirmou que o novo tratamento passou a ser oferecido para suas pacientes a partir da segunda quinzena do mesmo mês.

William Fuzita enfatiza que apesar da pandemia da COVID 19, as pessoas não podem abandonar os exames de rastreamento, preventivos, e procurar sempre o serviço médico assim que encontrar ou notar alguma alteração na mama

Alerta na Pandemia

O especialista aponta a pesquisa do Reino Unido, da cientista principal responsável Alvina Lai, PhD, do Institute of Health Informatics e do Health Data Research, ambos da University College London UK, na qual foi identificado que por causa da pandemia houve atraso no diagnóstico e, consequentemente, a descoberta do tumor com um volume maior, em estágio mais avançado; o estudo também registrou um afastamento do paciente, um distanciamento não só do diagnóstico, como também dos tratamentos. “Por tudo isso, é esperado um aumento de 40% de mortalidade por doença oncológica a partir deste ano de 2020 no Reino Unido, o que evidencia como a pandemia está modificando dramaticamente o tratamento do câncer”, ressalta o médico. E acrescenta que será preciso, infelizmente, que os serviços de saúde que tratam o câncer se preparem para atender pacientes com doenças mais avançadas, mais graves, e que tornam o tratamento muito mais complexo e, em consequência disso, com maior mortalidade.

“É importante salientar para a população que apesar da pandemia da COVID 19, não podemos abandonar os exames de rastreamento, preventivos, e procurar sempre o serviço médico assim que encontrar ou notar alguma alteração na mama”, alerta William Fuzita e recomenda: se a mulher notar algum nódulo na mama, alguma secreção do mamilo (descarga mamilar), a pessoa deve procurar o serviço de saúde; se já está completando 1 ano da sua avaliação das mamas, procurar novamente o mastologista, oncologista ou ginecologista para refazer os exames.

“Isso é muito importante, não devemos parar o rastreamento, para evitar o que foi observado nessa pesquisa cientifica no Reino Unido que, infelizmente, o diagnóstico está sendo mais tardio e isso está impactando de maneira significativa no aumento de 40% de mortalidade pelo câncer”, enfatiza. Independentemente da pandemia, reforça o médico, todos os serviços de saúde tem adotado práticas de prevenção e contingenciamento da infecção do SACS-COV 2, o novo coronavirus que desenvolve a COVID 19.

Orientações Médicas

O oncologista clínico explica que o Ministério da Saúde ainda preserva a orientação de que as mulheres devem fazer a mamografia a partir dos 50 anos de idade, a cada 2 anos, porém, tanto a Sociedade de Brasileira de Mastologia (SBM) como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mantem a recomendação de que, acima dos 45/50 anos, a mulher deva fazer a mamografia anualmente. “Isso traz um excelente benefício no rastreio precoce de doenças, consequentemente, é possível diagnosticá-las em estágios iniciais, muito mais fáceis de serem tratadas e, obviamente, atingir o que sempre esperamos de um tratamento oncológico que é a cura”, esclarece o médico.

E, mesmo no Outubro Rosa sendo a data de chamar a atenção para o câncer de mama, William Fuzita alerta que no estado do Amazonas é fundamental salientar a importância da prevenção do câncer de colo de útero, onde são esperados mais casos do que o câncer de mama. O médico ressalta que o câncer de colo de útero pode ser 100% prevenível, com a realização do exame Papanicolau, conhecido como preventivo, e também da vacina contra o vírus HPV (Papilomavirus Humano), que é distribuída gratuitamente na rede pública de saúde, no SUS, com indicação de: duas doses para meninas dos 12 aos 15 anos, e para meninos dos 13 aos 15 anos; e acima dessa faixa etária, dos 15 anos, disponível somente na rede privada de atendimento, com  orientação de três doses da vacina.

Pela Organização Mundial da Saúde – OMS, pontua William Fuzita, na hipótese de que todos conseguissem fazer atividade física todos os dias, manter o peso ideal para a respectiva altura, não fumar, não ingerir bebida alcoólica, comer de maneira adequada, com uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, seriam evitados 40 % de todos os diagnósticos oncológicos do mundo, ou seja, 40% de todos os cânceres, se fossem praticados hábitos de vida saudável pela população mundial.

Dr. William Hiromi Fuzita é membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica|SBOC; membro titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia|SBC; membro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica|ASCO; e diretor da Sensumed Oncologia.

Foto Médico: Divulgação

Novos caminhos da oncologia

Por Ramon Andrade de Mello (*)

Os avanços da ciência têm proporcionado respostas para diversos males que afligem a população. Nessa pandemia, por exemplo, a agilidade dos cientistas na produção de uma vacina para combater o novo coronavírus superou as expectativas. Os resultados podem trazer alento às pessoas que enfrentam a Covid-19.

Nos próximos anos, a ciência deve continuar oferecendo importantes respostas para as doenças que devemos enfrentar num futuro bem próximo. O envelhecimento da população trará profundos impactos na saúde. Para o triênio 2020-2022, as estimativas brasileiras apontam o registro de 625 mil novos casos de câncer no período, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma.

Para superar esse novo panorama, pesquisadores de todo o mundo têm se lançado na busca de medicamentos e procedimentos capazes de mudar a abordagem de tratamento das pessoas acometidas por diversos tumores. Na área de oncologia, as terapias genéticas vêm se mostrando o melhor caminho pelos cientistas. Elas atuam nas mutações dos genes das células defeituosas para eliminá-las, uma técnica complementar aos métodos tradicionais – quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.

Para quem considera que esses procedimentos ainda estão distantes da nossa realidade, vale ressaltar que o Brasil segue a tendência mundial na busca do tratamento contra o câncer e estudos pioneiros, como os iniciados na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), vão sequenciar o código genético de pessoas não fumantes acometidas por câncer de pulmão. A proposta da pesquisa é identificar os fatores de risco dessa população e apontar os tratamentos mais adequados para muitos casos da doença, com medicamentos que ofereçam maior poder de precisão e menores efeitos colaterais. Denominados de terapias-alvo, esses tratamentos atuam diretamente nas moléculas indispensáveis para as atividades das células cancerígenas, freando a sua expansão.

A ciência e os pacientes também comemoram os bons resultados da imunoterapia, uma técnica que estimula as próprias células de defesa contra o câncer. A escolha do melhor procedimento depende de uma avaliação minuciosa da saúde de cada paciente, realizada por meio de exames clínicos, entre outros processos. Esse método estimula o sistema imunológico no combate às células cancerígenas, bloqueando as engrenagens que elas usam para enganar as defesas com a liberação de proteínas, que se encaixam em receptores dos linfócitos T. Com a técnica, eles identificam e ordenam que outras células destruam os patógenos, que são agentes infecciosos.

Os cientistas já conseguem inclusive fazer a mutação em laboratório dos linfócitos T. Essa alteração ajuda a estimular no reconhecimento das células tumorais quando eles são reintroduzidos no paciente. A dificuldade do tratamento é identificar as alterações precisas que permitam ser aplicadas como alvos, pois o câncer é uma doença multifatorial e de mecanismos moleculares complexos, que se relacionam entre si para manter a célula maligna atuante.

As descobertas trazem vantagens como a redução significativa dos efeitos colaterais dos métodos tradicionais, como a quimioterapia. O sucesso dessas novas técnicas já permite vislumbrar, num horizonte de curto e médio prazos, a abordagem do câncer como uma doença crônica, mas ao mesmo tempo controlável quando bem acompanhada, assim como hoje ocorre com a hipertensão ou a diabetes. Os novos passos da ciência na área de oncologia reforçam nosso otimismo de que a cura para muitas doenças não é apenas um sonho.

(*) Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

Foto: Divulgação/ExLibris
Ilustração: Gerd Altmann/Pixabay

O câncer em 2020: como estamos nessa batalha?

Por Dra. Vivian Antunes

Entre outras tantas coisas, o câncer é um desafio para a humanidade. É temido por quase todos nós (senão todos), é vigorosamente caçado por cientistas ao longo dos séculos, é doloroso para os milhões que dele sofrem e é passível de prevenção em um terço das vezes.

A doença é mesmo um desafio vivo. A história dessa moléstia se entrelaça com a própria história da humanidade, com seu primeiro registro há 4 milhões de anos. Por mais que hoje se saiba mais sobre o câncer do que nunca, e que marcantes avanços sejam reconhecidos, ainda é responsável por 9,6 milhões de mortes todos os anos.

Dados recentes publicados pela American Cancer Society (ACS) documentam uma queda de 2,2% na mortalidade por câncer entre 2016 e 2017. Essa é a maior queda registrada até hoje, e pode ser parcialmente explicada pelos avanços nos cuidados do câncer de pulmão e melanoma nesse período. A mortalidade por câncer subiu até 1991, e desde então teve queda de 29%.

O mundo da ciência está otimista por presenciar o que antes parecia inatingível, como o advento da imunoterapia (tratamento que faz com que o sistema imunológico atue contra o câncer), e que traz maior chance de cura mesmo para pacientes com metástases.

As coisas também têm mudado para aqueles que vivem com a doença, não só pelos melhores desfechos e melhor controle de sintomas, mas sobretudo por assumirem cada vez mais o protagonismo do seu tratamento.

Não existe mais espaço para a medicina que olha exclusivamente para a doença. Entra em ação o trabalho de dar acesso a informações qualificadas para que os pacientes compartilhem decisões que respeitem seus valores. É viver com coerência, na saúde e na doença. É tratar com respeito a doença e o doente.

Esse processo, às vezes citado como “empoderamento” do paciente, vai além da qualificação médica: requer ação dos meios de informação por diferentes mídias, o ativismo e empenho de organizações relacionadas ao tratamento e resultam em uma feliz mudança de paradigmas no tratamento de seres humanos.

A contar para o lado triste da história estão as vidas que poderiam ser salvas com a adequada implementação de estratégias de prevenção e detecção precoce. Por exemplo, cerca de um terço das doenças neoplásicas podem ser prevenidas.

O tabaco ainda é responsável por 22% das mortes por câncer, e evitar a obesidade, manter atividade física e dieta adequadas reduzem consideravelmente o risco de desenvolver diversos tipos de tumores, como o de mama, intestino e próstata.

Ainda no caminho do que podemos evitar está o câncer de colo uterino. O Brasil tem um lamentável e elevadíssimo número de mulheres que sofrem e morrem por essa doença. É importante mencionar o papel da vacinação contra o vírus HPV como um marco na luta contra mortes pelo câncer. A melhor conscientização e educação da população, bem como estratégias de saúde pública, podem reduzir mortes por câncer. Não é otimismo excessivo. É ciência e ação!

Em um país de grandes disparidades, temos também o que chamo de desigualdade do câncer. O acesso aos recursos que trazem maior chance de cura e mais do que dobram o tempo de vida de pacientes não é homogêneo. Felizmente os tratamentos são a cada dia melhores, mas também, proporcionalmente mais caros. Sem falar no desequilíbrio no número de mortes por câncer no mundo, sendo mais frequente nos países em desenvolvimento.

O Dia Mundial do Câncer fortalece o movimento de todos que enxergam o câncer como um desafio a ser combatido para que, um dia, seja uma doença menos temida, menos sofrida, mais compreendida pela ciência e quem sabe, previnida em uma boa parte das vezes, senão em todas elas.

Vivian Castro Antunes de Vasconcelos é médica oncologista clinica do Hospital Vera Cruz, grupo SOnHe e CAISM-UNICAMP. É mestre em ciências na área de Oncologia pela Unicamp. Membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO).

Foto: https://www.worldcancerday.org/pt-br
Portal Vida Amazônica apoia a Campanha Mundial #DiaMundialdoCâncer #EuSouEEuVou

Astellas Oncologia premia trabalho de formação de voluntários que cuidam de filhos de pacientes

Foram 27 projetos brasileiros inscritos na área de cuidados com o câncer que vão além da medicina. Número de inscrições no Brasil superou a soma de projetos canadenses, ingleses, africanos, europeus e australiano

A Astellas divulgou os vencedores do Prêmio Astellas Oncologia “C3 Prize”. A 4ª Edição do desafio global em busca de ideias inovadoras que podem gerar uma mudança significativa na atenção e cuidado com câncer premiou com US$ 100 mil o projeto da canadense Audrey Guth, fundadora da Nanny Angel Network, de Toronto. O valor será usado para financiar a expansão do seu trabalho de formação de voluntários que cuidam de crianças cujas mães foram diagnosticadas com câncer.

“As mães, principalmente em populações carentes, geralmente são forçadas a escolher entre cuidar de seus filhos e procurar tratamento, e um diagnóstico tão sério pode deixar as crianças tristes, assustadas e ansiosas”, disse Guth. “Sou grata pela oportunidade de expandir o alcance e o impacto da Nanny Angel Network, pois procuramos aliviar o fardo de viver com câncer para as famílias”.

Pelo primeiro ano, ideias brasileiras puderam participar da premiação. “Ficamos extremamente felizes por esse motivo, mas principalmente porque a adesão dos proponentes brasileiros foi enorme para uma primeira edição no país. Isso nos dá muito orgulho”, diz Ricardo Ogawa, Gerente Geral da Astellas Farma Brasil.

Três finalistas apresentaram suas ideias a um painel de juízes, incluindo o empresário de celebridades e ativista do câncer Bill Rancic e outros líderes de inovação, saúde e negócios, durante um evento ao vivo em Nova York, em outubro.

O desafio deste ano concedeu quatro prêmios, totalizando US$ 200 mil em fundos (um grande prêmio de US$ 100 mil, dois prêmios de inovação de US$ 45 mil e um prêmio de ideias emergentes de US$ 10 mil).

Juntamente com o financiamento, todos os vencedores terão a oportunidade de participar do Tedmed 2020 como bolsistas, juntando-se a uma comunidade única e multidisciplinar de importantes pensadores e realizadores de todo o cenário da saúde, medicina e inovação científica. Os vencedores também receberão uma associação complementar de um ano da Matter, uma incubadora global de start-ups de assistência médica, nexo comunitário e acelerador de inovação corporativa.

Os vencedores deste ano foram:

• Daniella Koren, de Nova York, EUA, fundadora da Arches Technology, cuja ideia é expandir um programa digital de educação e engajamento de pacientes chamado MyCareCompass, que fornece informações relevantes e educação baseada em evidências para as pessoas afetadas pelo câncer, ao longo da jornada de tratamento.

• Leslie Schover, do Texas, EUA, fundadora da Will2Love, cuja ideia é adaptar programas de auto-ajuda para homens e mulheres para atender às necessidades de populações especiais, incluindo sobreviventes mais jovens e sobreviventes LGBTQ+. O Will2Love fornece educação on-line e orientação de especialistas para ajudar as pessoas afetadas pelo câncer a superar problemas de saúde e fertilidade sexual, treina profissionais de oncologia para gerenciar melhor esses problemas e consulta hospitais para estabelecer programas de saúde reprodutiva.

“A Astellas está extremamente orgulhosa em ajudar a promover essas ideias inspiradoras dos vencedores deste ano, que estão trabalhando ativamente para transformar o que significa viver com um diagnóstico de câncer e melhorar a experiência do paciente durante toda a jornada”, disse Mark Reisenauer, VicePresidente Sênior da Unidade de Negócios Oncologia da Astellas.

Na foto: Audrey Guth, fundadaora da Nanny Angel Network, vencedora do Prêmio Astellas Oncologia “C3 Prize”

Plataforma de conversa visa fomentar a educação médica

A Amgen, uma das maiores empresas de biotecnologia do mundo, lança no Brasil a ferramenta Conversando Sobre Mieloma Múltiplo, que visa fomentar a atualização do conhecimento científico de médicos que tratam este tipo de câncer. A plataforma, gratuita para os especialistas, apresentará vídeos no formato de blocos de conversa que, de forma didática, discutirão os temas mais atuais e relevantes acerca do Mieloma Múltiplo, bem como as melhores práticas no tratamento e cuidado com o paciente.

A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a coordenação médica do Dr. Angelo Maiolino, referência no tratamento do Mieloma Múltiplo no Brasil, e lançada durante o HEMO – principal congresso de hematologia do país, realizado entre 6 e 9 de novembro pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. A iniciativa é exclusiva para os médicos brasileiros, a fim de fomentar e contribuir com o acesso à educação cientifica.

“O Brasil é um território com diversas realidades. A ideia da plataforma é reunir conhecimento acadêmico, experiências clínicas e a diversidade que o médico enfrenta na aplicação da medicina para compartilhar com a classe as boas práticas no tratamento de pacientes com essa doença, que ainda é um grande desafio no diagnóstico e tratamento”, explica Angelo Maiolino.

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer que afeta os plasmócitos – células sanguíneas responsáveis pela produção de anticorpos. A ciência ainda não reconhece quais são os fatores que causam a enfermidade, portanto, não existem formas de prevenção. A maior parte dos pacientes tem mais de 65 anos e os casos são um pouco mais frequentes em homens do que em mulheres. Atualmente não existe cura para a doença, porém, os recentes avanços na medicina têm aumentado a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. [1]

“O mieloma múltiplo é um dos tipos de câncer mais complexos de se estudar, diagnosticar e tratar. Por muitas décadas, os pacientes não encontraram tratamento disponível que atuasse na progressão da doença”, afirma Dr. Maiolino. “Nos últimos anos, a medicina avançou em novas tecnologias que permitem que os médicos consigam tratar a doença, inclusive, em estágios mais avançados aumentando a qualidade de vida deste paciente”.

Serviço
“Conversando Sobre Mieloma Múltiplo”
Acesso gratuito para médicos
Link: http://www.conversandosobremm.com.br.

[1] Tipos de Câncer — Mieloma Múltiplo. A.C. Camargo. Disponível em http://www.accamargo.org.br/tipos-de-cancer/mieloma-multiplo.

A.C.Camargo lança série “Ciência que faz diferença”

Você sabia que Biobanco é o local onde são armazenadas coletas de materiais biológicos humanos para estudos e descobertas de doenças, assim como desenvolvimento de novos medicamentos? E que a Genômica é a ciência que estuda o genoma completo de um organismo e pode determinar a sequência de um DNA ou apenas o mapeamento de uma escala genética? E que a imunoterapia é um tratamento que tem como principal objetivo potencializar o sistema imunológico para combater doenças como o câncer? E, por fim, que o Microbioma é um conjunto de bactérias, fungos e vírus que compõem o organismo e tem um papel muito importante no corpo humano?

Se você não sabia disso ou quer saber mais sobre cada um destes assuntos, não perca os intervalos dos canais GloboNews e GNT. Ambos estão exibindo uma série desenvolvida pelo A.C.Camargo Cancer Center sob a temática “Ciência que faz diferença”. São quatro vídeos que abordam os temas Biobanco, Genômica, Imunoterapia e Microbioma.

A Pesquisa é um dos pilares do A.C.Camargo Cancer Center. É a geração de conhecimento científico que beneficia a prática assistencial, promovendo inovações ao tratamento e permitindo praticar uma oncologia cada vez mais personalizada.

Foto: Reprodução|A.C.Camargo

Oncologia de Precisão é tema de livro lançado no Congresso da SBOC 2019

Como a Oncologia de Precisão tem revolucionado a vida dos pacientes com câncer ao selecionar os melhores candidatos para drogas-alvo e imunoterapia é o tema abordado no livro Biomarcadores em Oncologia, da editora Manole e com a coordenação dos oncologistas Felipe Ades, Marcos André Costa e Ricardo Caponero, do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Além dos coordenadores da publicação, o livro conta com 25 capítulos assinados por diversos oncologistas, dentre eles Alessandro Leal, André Márcio Murad, Alessandra Real Salgues, Cheng Tzu Yen, Carlos Teixeira, Denis Jardim, Eliza Ricardo, Evandro Sobroza de Mello, Fernando Santini, Felipe Canedo, Leandro Jonata Oliveira, Maria Fernanda Vicentini, Michelle Samora, Marcelo dos Santos, Renata D’Alpino, Rodrigo Munhoz e Taciana Mutão.

O lançamento aconteceu durante o segundo dia do 21º Congresso da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), na quinta-feira (24/10) um dos principais congressos de oncologia clínica da América Latina. O evento aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no Hotel Windsor Oceânico.

O livro teve distribuição gratuita durante o evento e foi a única oportunidade para adquirir um exemplar físico. No entanto, para quem tiver interesse de ler o material digitalmente, todos os capítulos da obra ficarão disponíveis no site oficial http://biomarcadoresemoncologia.com.br/.

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, fundado por um grupo de imigrantes de língua alemã, é reconhecido entre os maiores centros hospitalares da América Latina. Com atuação de referência em serviços de alta complexidade e ênfase nas especialidades de oncologia e doenças digestivas, em 2019 a Instituição completou 122 anos. Certificado pela Joint Commission International (JCI) — principal agência mundial de acreditação em saúde, por altos padrões de qualidade e de segurança no atendimento aos pacientes.

Sobre os coordenadores

Felipe Ades tem residência de Oncologia Clínica no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCa), mestrado pelo Institut Gustave Roussy (Paris, França) e doutorado pelo Institut Jules Bordet (Bruxelas, Bélgica). É diretor de Relações Internacio­nais do Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão (GBOP) — braço Europa. Oncologista e Coordenador do Núcleo de Oncologia Mamária do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Marcos André Costa tem residência em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCa). É oncologista e Chefe da Pesquisa Clínica em Câncer do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão (GBOP).

Ricardo Caponero é médico oncologista clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Presidente do Conselho Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). O oncologista é mes­tre em Oncologia Molecular.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz — www.hospitaloswaldocruz.org.br/

Texto e Foto: Divulgação

Julho verde acende alerta sobre o câncer de cabeça e pescoço

As neoplasias malignas de boca (cavidade oral e orofaringe) são as que predominam na lista dos cânceres de cabeça e pescoço no Amazonas, somando 110 casos ao ano, conforme a última projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS). Esse tipo de tumor é mais comum a partir dos 40 anos e tem relação direta com fatores de risco externos, como o tabagismo e o alcoolismo, mas também pode estar associado ao vírus HPV (Papilomavírus Humano), ao excesso de gordura corporal e à exposição ao sol (no caso dos lábios), explica a presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), enfermeira oncológica Marília Muniz.

Conforme informações do Inca, o câncer de boca afeta lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua e a região embaixo da língua. A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato fibroso, compõem a orofaringe.

O cirurgião de cabeça e pescoço, Fábio Bindá, esclarece que quando individualizados os grupos por sexo, predomina na população masculina o câncer de boca (com 80 casos) e na feminina, o de tireoide (com 70 casos previstos por ano). Além deles e do câncer de boca, fazem parte do grupo dos cânceres de cabeça e pescoço os tumores malignos de laringe, faringe e esôfago cervical. Juntos, eles somam 280 novos diagnósticos no Amazonas, anualmente, conforme estimativa.

“Os diagnósticos, em sua maioria, se dão com a doença em estágio intermediário ou avançado, o que dificulta o tratamento. Hoje, as abordagens cirúrgicas têm apresentado resultados satisfatórios, quando o diagnóstico é feito na fase inicial. Também podem ser utilizados durante o processo de combate ao câncer a quimioterapia, radioterapia e a iodoterapia (esta última voltada para o câncer de tireoide)”, explicou.

Entre os sinais do câncer de cabeça e pescoço estão: feridas na cavidade oral ou nos lábios, que não cicatrizam em até 15 dias; manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua; rouquidão persistente; nódulos ou caroços na região do pescoço; dificuldades ao mastigar ou ao engolir; dificuldade na fala ou para movimentar a língua e sensação de que há algo preso na garganta.

Campanha Julho Verde

Há alguns anos, instituições de saúde e entidades de apoio à causa câncer, inseriram em seus calendários o “Julho Verde”, campanha voltada à prevenção do câncer de cabeça e pescoço, cuja maioria dos casos tem diagnóstico tardio, o que leva a um tratamento agressivo e às vezes mutilador.

“No caso do tabagismo, as campanhas estão voltadas para a prevenção, em especial, nas escolas, buscando evitar que crianças e adolescentes tenham contato com o cigarro. O mesmo ocorre com as bebidas alcoólicas. Associados, esses dois produtos podem influenciar no desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre eles, estão os de cabeça e pescoço e os dos aparelhos respiratório, digestivo e urinário”, destacou Marília Muniz, presidente da Lacc.

Ela explica que a entidade tem atuado fortemente na política de prevenção e controle do câncer no Amazonas, contando com a ajuda da sociedade, que realiza doações voluntárias à instituição. As colaborações podem ser feitas pelo site www.laccam.org.br ou pelo telefone (92) 2101- 4900 .

Para ela, a intensificação das campanhas e a parceria entre os entes públicos e privados, para a disseminação de informações sobre prevenção e os fatores de risco do câncer, tendem a reduzir o número de casos e também de mortes no Amazonas. “Acreditamos no poder da informação e no envolvimento e comprometimento da sociedade com essa causa, que é tão importante e atinge milhares de famílias, todos os anos, no nosso estado. Queremos ampliar nossa atuação. Mas, para isso, precisamos da participação da população com doações e novos voluntários”, concluiu.

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Páscoa Solidária levará acolhimento a pacientes com câncer da rede pública estadual de saúde

Com a proximidade da Páscoa, feriado cristão que celebra a ressurreição de Cristo, a Rede Feminina de Combate ao Câncer do Amazonas (RFCC-AM), entidade filantrópica, convida a população a exercitar a solidariedade, através de mais uma campanha, que recebe o apoio da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc). O foco, desta vez, é a arrecadação de caixas de chocolates, que serão destinadas a cerca de 300 pacientes oncológicos de baixa renda em tratamento na rede pública de saúde do Estado, explicou a diretora da RFCC-AM, Tammy Cavalcante.

A Páscoa Solidária, que acontece anualmente, há mais de dez anos, tem o objetivo de reforçar o acolhimento e a humanização no ambiente hospitalar, com a entrega de chocolates a pacientes em situação de vulnerabilidade social, que lutam contra o câncer, e estão acamados na Fundação Cecon. Para doar, basta entregar as caixas de chocolate na sede da Lacc (rua Padre Manuel da Nóbrega, Dom Pedro, atrás do colégio La Salle).

A atividade, que contará com a presença do tradicional coelhinho, personagem interpretado por um voluntário da ONG, está programada para o dia 17 deste mês, no horário da manhã. Durante a ação, kits de higiene pessoal também devem ser doados nos setores de Quimioterapia e internação, incluindo enfermarias compartilhadas para adultos e crianças. Também estão previstas apresentações musicais.

“Tudo para levar mais calor humano a essas pessoas, que precisam de apoio nessa fase difícil da vida e, quando mais carinho elas recebem, mais se sente fortalecidas e com as energias renovadas para enfrentar essa batalha”, destacou a diretora.

Tammy destaca que o fortalecimento da Política Nacional da Humanização em unidades hospitalares, como a FCecon, conhecida como referência em cancerologia em toda a Amazônia Ocidental, faz toda a diferença durante o tratamento. “Muitos pacientes passam por terapias prolongadas, o que faz com que fiquem meses dentro do hospital. As atividades voltadas à humanização ajudam também no reforço do vínculo entre as pessoas que lutam contra a doença e os profissionais que atuam na assistência”, explicou.

A atividade da RFCC-AM precede o feriado da Semana Santa, que começa na sexta-feira, 19. A Páscoa será comemorada dia 21 deste mês (domingo). Trata-se da principal celebração do ano litúrgico cristão e também a mais antiga e importante festa cristã.

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