Vacina contra a dengue, já disponível no Brasil, é aprovada na Europa

A Comissão Europeia concedeu autorização de comercialização para Dengvaxia®, única vacina contra a dengue aprovada no mundo. Produzido pela Sanofi Pasteur, o imunizante está disponível no Brasil desde dezembro de 2015.

A autorização para a introdução no mercado europeu segue a recomendação de 18 de outubro de 2018, do Comitê de Produtos Medicinais para Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos, para aprovar o uso da vacina nas áreas endêmicas do continente.

A dengue é uma infecção causada pela picada do mosquito e que pode ocorrer até quatro vezes durante a vida. A doença é conhecida como “febre quebra-ossos” em decorrência da sua característica debilitante e episódios prolongados de febre alta e dores articulares importantes. A doença pode progredir de forma imprevisível e, até, ameaçar a vida, como se observa em sua forma hemorrágica. Atualmente, não há tratamento específico para dengue.

Para os países com alta endemicidade de dengue, que pretendem utilizar a vacina como parte de sua estratégia integrada de controle e prevenção da dengue, a OMS recomenda como opção preferencial a triagem pré-vacinação, na qual apenas os indivíduos previamente infectados pelo vírus da dengue são vacinados. Sorotestes ou Testes de Diagnóstico Rápido podem ser considerados até que testes mais aprimorados estejam disponíveis.

“Nas regiões onde a dengue ocorre regularmente, as pessoas que tiveram uma infecção anteriormente correm o risco de serem infectadas com o vírus novamente”, explica o Dr. Su-Peing Ng, Chefe Médico Global da Sanofi Pasteur. Ele ressalta que, “como a segunda infecção tende a ser mais severa que a primeira, é importante poder oferecer uma vacina que ajuda a proteger contra infecções subsequentes da dengue.”

Segundo a OMS, a incidência mundial de dengue cresceu rapidamente nas últimas décadas e agora ameaça metade da população mundial que vive em 128 países. A dengue é endêmica em vários territórios europeus localizados em climas tropicais e subtropicais propensos a surtos da doença, particularmente durante os meses mais chuvosos.  No início deste ano, surtos de dengue em La Reunion resultaram em mais de 6 mil pessoas infectadas pelo vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypt.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterou a bula da vacina em agosto de 2018, com o objetivo de direcionar seu uso para pessoas que tiveram infecção prévia por dengue. Dengvaxia® estará disponível na Europa para prevenir a doença em indivíduos de 9 a 45 anos de idade que já tenham tido infecção prévia e que vivam em áreas endêmicas.

Dengvaxia® foi aprovada para uso em vários países endêmicos na América Latina e Asia, onde reduzir o ônus econômico e a carga da doença é crítico. A vacina, atualmente, encontra-se em processo prioritário de revisão  pela US Food and Drug Administration (FDA), pois é considerada um significativo avanço médico na prevenção da dengue, que é uma necessidade médica ainda não atendida.

Foto: reprodução da internet

Projeto inédito no mundo é usado no combate à dengue em Jacarezinho

A empresa israelense Forrest Innovations deu início à soltura de mosquitos estéreis em Jacarezinho (PR), uma ação inédita no mundo para o combate à dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O projeto da multinacional, que tem unidades em Israel, nos Estados Unidos e no Brasil, tem a parceria do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e da prefeitura da cidade situada no norte do estado.

A tecnologia desenvolvida pelo CEO da Forrest Innovations, o cientista israelense Nitzan Paldi, deve reduzir em 90% a população do Aedes aegypti – mosquito vetor de patógenos que causam dengue, febre amarela urbana, zika e chikungunya. A primeira soltura liberou cerca de 50 mil machos estéreis nas áreas selecionadas para o tratamento (Bairros Aeroporto, Novo Aeroporto e Vila Leão). O início oficial do trabalho reuniu no Centro da Juventude autoridades, investidores, cientistas e alunos das escolas locais.

A multinacional mantém um laboratório móvel em Jacarezinho, cidade com um dos maiores índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti no Paraná. “Há meses nossa equipe está na região trabalhando com pesquisa, visitando as residências das áreas mais atingidas e buscando conscientizar a população sobre a proliferação desse mosquito. A soltura é o momento em que colocamos nossa pesquisa em prática. Nos próximos oito meses ela será repetida de forma gradativa”, explica Elaine Santos, diretora da Forrest Brasil e membro do conselho Forrest Innovations.

A técnica é inédita e considerada natural, pois ela não utiliza manipulação genética. “A partir de ovos de mosquitos coletados na região afetada e levados para o laboratório, são produzidos mosquitos estéreis. A espécie é alimentada com ingredientes específicos nas fases de larva e pupa, capazes de tornar os machos estéreis quando atingem o estágio de mosquito adulto. Esses machos são soltos na natureza para copular com as fêmeas, que não são fertilizadas e por isso não reproduzem”, destaca o coordenador do projeto Emerson Soares Bernardes.

“Jacarezinho é a primeira cidade do mundo a receber projeto, o que é um passo gigantesco para o controle de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Em breve poderemos mostrar os resultados desse trabalho e, possivelmente, levá-lo para outras regiões afetadas, em qualquer lugar do mundo”, salienta o CEO Nitzan Paldi.

Para o prefeito de Jacarezinho, Sérgio Faria, a empresa está conseguindo sensibilizar a população. “O profissionalismo da Forrest faz a comunidade assimilar a relevância do trabalho e, inclusive, colaborar com ele. Jacarezinho é o município que mais preocupa a Secretaria da Saúde do Estado do Paraná com relação à dengue, pois registramos um alto índice do Aedes.”

O diretor industrial do Tecpar Rodrigo Silvestre destacou que o instituto trabalha em parceria com a Forrest no grande desafio do país de combater as arboviroses, especialmente a dengue. “Trata-se de uma técnica inovadora, eficaz e segura que nos interessou imediatamente”, diz ele.

Controle Natural de Vetores

A técnica desenvolvida pela Forrest Innovations, que atua no Controle Natural de Vetores (CNV), é baseada na criação massiva de machos estéreis para serem soltos na natureza. Quando uma fêmea silvestre copula com um macho estéril ela não gera descendentes, diminuindo assim a proliferação desses mosquitos.

O mosquito macho se alimenta apenas de seiva de plantas e, portanto, não pica e não oferece nenhum risco para a população. São as fêmeas que transmitem as doenças porque, além de consumirem seiva, precisam de sangue para completar o processo de maturação dos ovos e fazer a postura.

Foto: Hugo Batista/Talk Comunicação