Alteração silenciosa, gordura no fígado atinge cerca de 30% dos brasileiros

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que cerca de 30% da população brasileira é acometida pela esteatose hepática não alcoólica, alteração negligenciada por boa parte dos indivíduos e que tem como uma das principais características, o desenvolvimento silencioso e assintomático inicialmente. Especialistas alertam que, se não tratada a tempo e da forma adequada, a doença pode evoluir para a morte ou levar a quadros graves de saúde.

A presidente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), Karina Barros, explica que a gordura no fígado, também classificada como Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), está diretamente associada à má alimentação (rica em gorduras saturadas presentes em fast-food, enlatados e embutidos, por exemplo), ao diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo e outros fatores de risco, como as síndromes metabólicas (pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides – nesses últimos dois casos, denomina-se dislipidemia).

No entanto, há pessoas magras (sem tendência a engordar) que também desenvolvem o problema, devido ao consumo de alimentos muito gordurosos.

“Há alguns anos, estimava-se que o número de brasileiros acometidos pela esteatose hepática chegava a 20%. Com a vida corrida, a falta de tempo e a comodidade de pedir um alimento pronto para consumo em casa ou no trabalho, sem a devida atenção às orientações nutricionais gerais, esse número já chega a 30%. Por isso, é preciso alertar as pessoas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, através de um check up médico anual, por exemplo, e do controle das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, que associadas à gordura no fígado, podem levar a quadros mais complicados à saúde e a tratamentos mais prolongados”, destaca Karina Barros.

Detectada geralmente por exames de imagem, como a ultrassonografia, a esteatose também pode estar associada, segundo pesquisas na área, a doenças no fígado, como a hepatite, e até a alterações no ovário, conhecidas como ovário policístico, além do hipotireoidismo e ao uso de corticoides e outros medicamentos.

O quadro de esteatose hepática se dá através do acúmulo excessivo de gordura (lipídios) nas células do fígado (os hepatócitos). Os laudos da esteatose hepática podem apontar grau 1 (esteatose hepática leve) quando há pequeno acúmulo de gordura; grau 2, quando há acúmulo moderado e esteatose hepática; grau 3, quando o acúmulo de gordura no fígado é grande e o quadro é mais preocupante.

Na maioria dos casos, o tratamento é feito através de dieta com acompanhamento nutricional, uso de medicamentos e exercícios físicos regulares, além de avaliação médica especializada e acompanhamento de clínico geral ou hepatologista.

Segundo a Associação Brasileira de Hepatologia (ABH), “desde que controlado os fatores que causaram a doença, a esteatose pode permanecer estável em torno de 70 a 80% dos pacientes. Em 20 a 30% dos casos a esteatose pode evoluir para esteatoepatite, que pode ser controlada com o tratamento adequado. Entretanto essa forma da doença tem maior potencial de progressão ao longo dos anos para cirrose e carcinoma hepatocelular, se não for devidamente orientada”, destaca a entidade.

Foto: divulgação

Fórum Global de Bem-Estar Emocional abordará impacto da pandemia

Um fato unânime e mundial que a pandemia de COVID-19 trouxe foi o impacto emocional nas pessoas. Do dia para a noite houve uma mudança radical no padrão de vida, na rotina e na socialização do ser humano. Passados quase seis meses, a pergunta é: como estamos olhando para as nossas emoções? Como estão os nossos relacionamentos? Quais aprendizados vamos levar?

Para responder a estas e outras questões, o Grupo Mulheres do Brasil reuniu seus núcleos do mundo todo para uma ação conjunta, on-line e gratuita, o 1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional, que será realizado no dia 26 de setembro (sábado), das 9h às 18h (horário de Brasília), pelo canal do YouTube do Grupo.

“Juntas somos mais fortes! Uma frase que nos inspira todos os dias. Se já reuníamos um grupo de mulheres com competências e habilidades capazes de grandes transformações, agora com a forte expansão do Grupo no mundo todo, estamos construindo uma sinergia ainda mais forte”, ressalta Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil.

Marisa Cesar, CEO do Grupo, explica que a proposta é reunir neste Fórum todas as ações que estão sendo realizadas pelos quatro cantos do planeta. “Estamos trazendo profissionais especializados nos mais variados temas ligados à depressão, inteligência emocional, mindfulness, psicologia positiva, relacionamentos, para apoiar e ajudar as pessoas a passarem por esse momento de forma mais leve e saírem fortalecidas”, explica Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

O evento contará com a presença da atriz Denise Fraga, do terapeuta transpessoal Tadashi Kadomoto e de muitos outros profissionais. Ao todo, serão cinco painéis, intercalados por performances artísticas e práticas de meditação, mindfulness, yoga, entre outras.

Outra novidade do Fórum é a fusão de projetos que surgiram em decorrência da pandemia – o Escuta com Afeto para a comunidade em geral – e o @Elas Apoiam – para as mulheres do Grupo -, e o lançamento de uma plataforma global de Apoio Emocional.

“Nosso objetivo é lançar uma plataforma continuada e colaborativa, realizando fóruns de temas variados e ações que apoiem a mulher na construção de uma estrutura emocional que a ajude a enfrentar qualquer adversidade”, afirma Annette de Castro, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza.

Queremos que todas as mulheres saibam que estamos aqui, juntas e vamos nos ajudar nessa rede colaborativa de sororidade e apoio”, ressalta Fátima Macedo, líder do Grupo de Apoio Emocional do Grupo Mulheres do Brasil.

Para participar do evento basta entrar no canal do YouTube: http://www.youtube.com/grupomulheresdobrasil

Serviço
1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional
Data: 26 de setembro
Horário: das 9h às 18h (horário de Brasília)
Onde: Youtube: http://www.youtube.com/c/GrupoMulheresdoBrasil
On-line e gratuito

Foco, segurança e inovações para reinventar o turismo

Por Lenise Ipiranga

Passagens aéreas compradas, hotéis reservados, passeios agendados e pronto: tudo certo para inúmeras viagens pelo Brasil e pelo mundo em 2020. Não! Um momento! Não haverá viagens? O que aconteceu? No finalzinho de 2019, o mundo foi surpreendido com a notícia de um surto de um novo vírus na China; em fevereiro, o primeiro caso no Brasil; em março, a OMS (Organizações Mundial da Saúde) classificava o surto como pandemia, e também era confirmado o primeiro caso em Manaus; ainda em março, o epicentro na Europa massacrou a Itália e a Espanha, com milhares de vidas ceifadas, comoção mundial; emissão de decretos de isolamento social em todo o país; aeroportos monitorados; fronteiras fechadas nos outros continentes. E o mundo foi parado pela pandemia do novo coronavírus. Em Manaus, um agente de viagem autônomo, um empresário de agência de viagens de pequeno porte e uma empresária dos segmentos de viagem e hotelaria atravessam a crise que repercutiu na pós-venda, como no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos, dúvidas; avaliam o setor que poderá ter padrões de consumo modificados; e se preparam para o futuro.

“Eu sou uma mulher de muita fé e de muita esperança. E já passei por várias experiências na minha vida. E quando temos Deus no coração adquirimos uma confiança e um equilíbrio maior. Então, quando eu vi se aproximar todo aquele clima de suspense, de não saber o que estava realmente acontecendo, intimamente, eu sentia que estávamos em meio a uma guerra moderna, invisível, algo inimaginável, mas que estava acontecendo”, lembra Cláudia Mendonça, empresária dos setores de hotelaria e viagens da indústria do Turismo, com experiência de 37 anos no setor, proprietária da agência Paradise Turismo, há 28 anos, e dos hotéis Boutique Hotel Casa Teatro, há 9 anos, e Casa Perpétua Hotel D Charm, há 1 ano, os quais integram um projeto de revitalização do Centro Histórico de Manaus, onde estão localizados.

Diante do noticiário sobre a pandemia, Cláudia Mendonça buscou na sua fé o equilíbrio para gerenciar sua vida e seus negócios. “Eu rezei muito, pedi a orientação de Deus. Pedi a proteção de Deus para minha família, meus amigos, meus negócios, meus colaboradores, meus clientes, todo o planeta enfim”, conta. E foi assim que a empresária recebeu a notícia do fechamento das fronteiras, que inviabilizava completamente seus negócios de viagens e hotelaria. Mas, ao mesmo tempo, ressalta Cláudia, “meu coração ficava tranquilo, pois havia conseguido cumprir minha missão e agora teria de esperar o momento de Deus dizer ‘fora vírus e vamos dar uma reviravolta’. E estamos aqui esperando que se complete essa vontade e que voltemos fortemente para as nossas atividades”.

Empresária Cláudia Mendonça buscou na sua fé a orientação para enfrentar a pandemia

A quarentena foi cumprida em etapas, conta a empresária, seguindo as instruções: todos em suas casas, sempre falando em grupos de funcionários, de familiares, de amigos, com mensagens de esperança. “Foi um pânico geral, mas ficaram todos bem em suas casas, sabendo que teriam o básico, pois entramos no auxílio do governo, primeiro com a suspensão dos contratos de trabalho e demais etapas oferecidas, fato que evitou o pior”, relembra Cláudia, mas mesmo assim, todos os dias como hoje, a empresária demonstra sua preocupação de como será a retomada e se retomarão do ponto em que estavam.

Em meio às preocupações, Cláudia Mendonça abre um parêntese para questionamentos sobre a pandemia em relação ao comportamento humano: “Será que isso veio para desacelerar empresas e pessoas? E dar um tempo para que as pessoas se voltem um pouco para o pensar em suas vidas, no seu próximo? Também acredito muito nisso! E sabendo que temos de retomar a vida, com todos bem, equipe bem e nos preparando para a retomada”.

Relação com o cliente

Empresária experiente do segmento de viagens, desde a década de 1980, Cláudia Mendonça destaca, nesse capítulo histórico de crise mundial, a preocupação com seus clientes, os quais foram todos reacomodados e receberam a informação correta. “Quando tudo aconteceu, pudemos tranquilizá-los e dizer para terem calma, que não perderiam nada, pois todos estavam prorrogando suas viagens e eles continuariam com seus créditos. Essa relação é muito importante”, avalia. E lamenta que muitas pessoas que compraram on line perderam várias viagens, por não saberem aonde se dirigir ou a quem se conectar para poder fazer todos os arranjos de suas viagens.

“Temos de respeitar o mundo WEB (World Wide Web, sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet), de tecnologia, de praticidade para todos. Quando começaram as compras de passagens pela internet, mudamos um pouco o foco da nossa Paradise (Turismo), com viagens exclusivas, para clientes exclusivos, preparando viagens especiais, que fazemos até hoje”, observa. Também destaca que sua paixão por restauro, de valorização de antiguidades, de espaços, de pessoas, de lugares, ampliou e inspirou um olhar voltado para o Centro Histórico de Manaus, com projetos de restauro de casas antigas, revitalizadas como hotéis charmosos como a Boutique Hotel Casa Teatro e Casa Perpétua Hotel D Charm; e também a casa J.G. Araújo, um espaço disponível para eventos, todos para movimentar a área histórica com o turismo.

Mas essa parte de contato pessoal, humano, das agências de viagens que ainda tem suas lojas físicas, dos agentes de viagens, é diferenciada e importante na elaboração de uma viagem de um cliente. A relação com os clientes não se resume à venda e compra de produtos, acrescenta a empresária, mas são trocas de energia, trocas de experiências: “além da segurança, sim, de saber que tem uma pessoa 24h no ar para falar sobre alguma questão de sua viagem, algum problema ou mesmo a troca de experiência, pois eu sempre digo que eu viajo junto com meus clientes, fico 24h ligada participando de suas emoções, notícias da viagem”. Para Cláudia, essa parada também serve para destacar o quanto é importante comprar viagens com um agente de viagem cadastrado.

Novos padrões de consumo

“Tudo não vai mais ser como era antes para o setor e para os clientes”, enfatiza Cláudia Mendonça sobre as mudanças inspiradas pela parada mundial de 2020, especialmente do Turismo. E acredita que as pessoas terão maior preocupação sobre segurança, saúde, higienização, para viajarem tranquilamente. “Mas acima de tudo, sobre essas dúvidas que possam ter, nós, agentes de viagens, vamos ter um exercício extra: o de encorajar as pessoas a viajar, a sair de suas casas, porque muitos ficaram apavorados, traumatizados”, avalia. Contudo, acrescenta, ao mesmo tempo, também devido à parada impactante, as pessoas estão readquirindo o desejo de sair, desbravar o mundo, dar-se ao luxo ou à necessidade de sair para respirar um pouco, para viver um pouco, para ver culturas diferentes. “E eles vão fazer isso, mas com um sabor diferente, com um outro olhar, de coração, de valorização, de resiliência. As pessoas vão querer fazer turismo de uma forma diferenciada, sem futilidade; com toda a família, com seus amores; de gratidão a Deus, por estar em condições de viver todas essas experiências que o mundo tem para nos oferecer. Vai ser um turismo diferente, para contemplar, para agradecer, para fazer coisas simples da vida, mas com estrutura, evidentemente”, Cláudia Mendonça.

Atualmente, como diversos setores da economia mundial, empreendimentos e profissionais do turismo aguardam pela retomada de suas atividades. A proprietária da Paradise Turismo adianta que estão dando os passos necessários e aguardam a posição de todos os parceiros, do governo, para ver como irão dar outros passos para, finalmente, a agência de turismo funcionar normalmente, assim como seus dois hotéis também, pois tudo depende da abertura das fronteiras. “Manaus está numa condição um pouco melhor, com pessoas voltando a ter suas rotinas, buscando passear nos rios, porque todos querem viver um pouco, agradecer, valorizar a vida”, diz Cláudia. E explica que a espera é pelo turismo interno, pois o que tem girado é com público local e por isso estão pontuando tudo que pode ser oferecido, seja hotelaria, passeios de barco, criando alternativas de turismo para a cidade. Tem ainda a espera pelo mercado brasileiro, quando todo o país melhorar também e começar a movimentar o turismo nacional.

“Precisamos iniciar uma campanha com todos os amazonenses, todos os segmentos, para cuidarmos da nossa cidade. Fazermos com que Manaus se torne uma cidade modelo, padrão, uma cidade que as pessoas tenham desejo de conhecer”, sugere a empresária, com a certeza de que Manaus e seu entorno tem todos os atrativos para oferecer praias de rio, um verão intenso, passeios de barco, contato com a natureza e a cultura indígena, degustação de peixes e iguarias. “Isso tudo é muito importante. Temos de unir todos para essa força-tarefa, para retornamos com intensidade esse nosso segmento”, enfatiza. Existe ainda o exercício de montar pacotes para o exterior, à espera da abertura das fronteiras, anuncia a empresária: “seguimos sempre a linha de escutar bastante nosso cliente e ver o que o coração dele está pedindo para suas viagens. Temos recebido muitas ligações de grupos de amigos, de grupos de famílias, casais, querendo viajar, celebrar a pós pandemia. E vamos estar aqui esperando que isso tudo passe para poder oferecer o melhor do mundo para todos os nossos clientes”.


Setor terá de se reinventar

O agente André Marques aponta que setor terá de buscar
alternativas seguras e apresentar inovações de mercado

“Este ano (2020), estavam sendo investidas todas as apostas de melhorias para alavancar o turismo, por todos os profissionais da área. E sem a realização das atividades turísticas, particularmente falando, ocorreu um grande desequilíbrio financeiro e emocional para as pessoas que dependem e vivem somente do Turismo”, lamenta André Marques, turismólogo e agente de viagem autônomo, com 20 anos de experiência no setor, diante da notícia e orientação de fechamento do comércio, do setor e das fronteiras, recebida por meio dos noticiários de TV e jornais, que impactou de imediato no seu trabalho, no seu cotidiano e na sua vida.

O agente de viagem, que trabalhou mais de uma década no turismo social do Sesc Amazonas, avalia que as agências e agentes foram pegos de surpresa, assim como o mundo todo, e a maioria não estava preparada financeiramente para essa “pausa”. E vão precisar de um tempo, avalia Marques, até que a normalidade da atividade volte, com o passar dos meses, a longo prazo, para se refortalecerem.

“Por mais que se ofereça e venda pacotes com toda segurança, obedecendo os protocolos de saúde, o cliente tem que se sentir seguro, sem medo do risco”, adianta o agente. E acredita que parte dos usuários de compras diretas de serviços turísticos on line, tem grandes chances de se tornar um cliente direto de agência, por sentir mais segurança para adquirir seus benefícios, de forma mais prática e direta, ao invés de se deparar com grandes burocracias e aborrecimentos, que normalmente ocorrem nas compras pela internet.
André Marques comanda excursões
para viajantes da terceira idade há 20 anos
André Marques acredita que a pandemia terá reflexo nos padrões de consumo do turismo, mas não chegará a ser uma mudança brusca por parte dos clientes pois, com certeza, afirma ele, uma viagem turística trata de sonhos, que foram apenas transferidos por um breve momento. “E o que se espera, com toda certeza, é que agências, operadoras de turismo, rede hoteleira e demais prestadores de serviços turísticos estejam buscando alternativas seguras e dentro dos patrões de saúde, com grandes inovações, pois devem apresentar um diferencial para venda dos produtos”, destaca o agente.

“O cliente tem que se encantar novamente. Sentir-se atraído para querer viajar. E o fornecedor tem que se reinventar, para poder se manter no mercado, diante das atuais circunstâncias”, observa Marques, que no momento, aguarda a situação da pandemia amenizar, passar enfim, e ressalta que “devemos ser muito prudentes nesta hora, pois lidamos com vidas. E a saúde do meu passageiro sempre estará em primeiro lugar. Devo me sentir seguro para voltar a promover as viagens em excursão e, assim, manter o padrão do trabalho com qualidade, segurança e bem-estar do passageiro”.

Dias melhores virão

“A notícia chegou de surpresa, uma péssima notícia por sinal, nos deixou sem chão. E as orientações sobre o que fazer foram ainda piores, pois havia muita incerteza e divergências no que podia ou não ser feito, para nós foi um choque”, relata o empresário Emerson Ximenes, há seis anos no mercado de Turismo com a GAD TUR Agência de Viagens, sobre o início da pandemia em Manaus.

Emerson Ximenes conta que a paralisação refletiu de forma devastadora e assustadora em sua empresa e, consequentemente, alterou totalmente seu cotidiano da pior forma. “Minha vida virou de pernas para o ar. Fiquei sem saber o que fazer, pois toda minha experiência adquirida em anos não servia de nada”, desabafa o empresário, sobre o momento de muito trabalho e noites sem dormir diante de cancelamentos e adiamentos de viagens. ”Infelizmente tive de dispensar nossos colaboradores”, lamenta.

Emerson Ximenes continua focado em dias melhores e
em breve poderá recontratar seus colaboradores

Mas, mesmo em meio à crise econômica e financeira vivida por todos, o empresário avalia com esperança que há males que vem para o bem, pois, no seu caso, acredita ter se tornado um profissional mais preparado com todo o aprendizado que a pandemia trouxe. E enfatiza que as agências que sobreviverem à crise sairão mais fortalecidas e com uma boa imagem junto aos clientes, já que a qualidade e segurança no atendimento no pós-venda, no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos e dúvidas em uma situação dessa só tende a fidelizar os clientes.

“O mercado do turismo nunca mais será o mesmo. Ainda é cedo para definir quais serão as mudanças nos padrões de consumo desse mercado após a pandemia”, observa Ximenes. E acrescenta que será um momento de recuperação total, pois a pandemia fragilizou o setor inteiro, mas com a experiência da crise a indústria do turismo será melhor. O empresário ressalta que sua agência de viagens continua focada e determinada, com o pensamento de que dias melhores virão. O atendimento presencial da GAD TUR já foi reiniciado, com todos os cuidados e determinações exigidas. “E em breve recontrataremos nossos colaboradores, com planos para nossa recuperação e no futuro o crescimento”, anuncia.

Fotos: Acervos Pessoais dos Entrevistados

Viajar ou não: incertezas da pandemia geram dúvidas e até agressividade entre viajantes

Por César Augusto

Depois do golpe que o setor turístico levou com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus em março passado, o segundo semestre iniciou com expectativas entremeadas com dúvidas para quem planeja suas viagens: o momento é seguro para manter os planos ou se deve esperar mais um pouco? De um lado, vários países começam aos poucos a voltar à normalidade tendo controlado a incidência da covid-19; de outro, o surgimento de novos casos obrigou a volta das restrições que tanto afetaram o mercado de turismo, com cancelamentos de voos, fechamento de aeroportos e rodoviárias.

Entre as duas situações, as empresas aéreas demonstram otimismo e buscam estimular os turistas a viajarem, com apelo para os protocolos de segurança, principalmente o uso de máscaras. Não é para menos: a pancada foi violenta no setor. Segundo levantamento feito até abril passado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o número de passageiros transportados no turismo doméstico caiu de 9,26 milhões em janeiro, antes da pandemia provocar as medidas restritivas em território nacional, para pouco mais de 399,5 mil em abril. O impacto pode ser medido considerando-se o índice do ano anterior: no mesmo mês, em 2019, foram 7,73 milhões de passageiros transportados. O número de decolagens indica bem esse drama: enquanto em abril do ano passado foram 62 mil decolagens, doze meses depois foram somente 4.315.

Fabíola Abess, jornalista: show cancelado em São Paulo e incerteza quanto aos projetos

Diante das incertezas, o turista fica indeciso sobre qual decisão tomar. A jornalista Fabíola Abess, 33, está dividida. Ela já havia comprado os ingressos para o Festival Folclórico de Parintins, cuja realização em junho havia sido cancelada e, por enquanto, remarcada para novembro. Além disso, tem passagens já compradas para São Luís (MA) para o feriado prolongado da Semana da Pátria, em setembro. “Sinceramente, ainda não sei o que fazer. Um lado meu tem medo, pede cautela e distanciamento social enquanto não houver vacina, o outro é o espírito de mochileira clamando por viagem”, declarou.

Cautela também é o lema da administradora Winnie Duarte Buriti de Moura, 33. Sua viagem para o Rio de Janeiro seria em abril, mas acabou sendo cancelada. A nova data é em novembro. “Se houver a possibilidade de a situação estar mais controlada”, frisou. O mesmo destino, só que em outubro, deverá ser o da auxiliar de escritório Alessandra Carvalho, 27, com a esperança de que a situação tenha ao menos amenizado. A viagem deveria ter acontecido como parte de um roteiro de férias que ela havia iniciado em março pela Argentina, quando ainda não havia casos de covid-19 confirmados. De lá ela seguiu para a Bahia, quando começaram as restrições seguintes aos registros da pandemia. “Cheguei à Bahia dia 16 [de março], com três dias veio o primeiro decreto de isolamento social. Fiquei sete dias dentro do hotel sem poder sair para canto algum que não fosse supermercado e farmácia”, relembrou. Seu próximo destino seria justamente o Rio de Janeiro, onde havia agendado a solicitação de visto americano. “Tive que trocar o voo voltando para Porto Velho (RO) direto de Porto Seguro, o que me custou 860 reais, taxa de alteração essa que meu seguro de viagem não cobriu pelo fato de ser pandemia”, contou. As passagens, hospedagem em hostel e a taxa paga para o Consulado dos Estados Unidos ficaram como saldo para remarcação no prazo de um ano. “Estou com passagens emitidas também para fora do Brasil no próximo ano, em março. Espero que seja possível realizar a viagem”.

Winnie Duarte: viagem reprogramada depende do controle da pandemia no país

O professor Frank Gundim Silva, 38, tem hoje uma percepção mais flexível sobre o assunto. “Até pouco tempo atrás eu achava insano alguém planejar uma viagem nesse período de pandemia. Hoje acho que existe gente que está relaxada com o vírus (o que gera ações irresponsáveis) e existe quem está aprendendo a lidar com ele”, opinou. “Se a pessoa vai viajar com toda precaução e responsabilidade, por que não fazer? Mas sabe que tem assumir o risco de se contaminar, pois ele é real”, acrescentou.

Pânico e sufoco

Como Alessandra, muitos viajantes tiveram que interromper suas viagens e passaram sufoco para retornar para suas casas, com aeroportos sendo fechados e fronteiras interestaduais e internacionais com restrições para transporte rodoviário de passageiros. Fabíola Abess estava em São Paulo para um show dos Backstreet Boys, marcado para 15 de março. “Um dia antes, o governador [João Dória] baixou um decreto proibindo eventos. O show estava com ingressos esgotados, com estimativa de 45 mil pessoas no Allianz Parque”, lembrou. Apesar da promessa da organização de remarcar a data, até o momento o evento segue sem previsão de nova realização.

Frank Gundim: sem segurança no momento para articular planejamentos de viagens

Winnie Duarte e Frank Gundim tiveram mais sorte. Segundo a administradora, em seu retorno do Rio de Janeiro para Manaus no dia 3 de março já havia um clima de pânico nos aeroportos, após a confirmação de um caso de covid-19 naquele Estado e outro em São Paulo. “Na semana seguinte começou a quarentena obrigatória. Então, viajei com a liberdade que tínhamos antes da pandemia e voltei com o clima tenso, e assimilando aos poucos que muitas coisas iriam mudar”, disse Winnie. Desse modo, toda a programação que ela havia feito foi concluída com sucesso.

A última viagem de Gundim, morador de Palmas (TO), antes da crise, foi durante o carnaval, para Brasília. “Já havia o caso em Wuhan [China] e aqui ainda não tinha sido veiculado nada. Só quando cheguei [em Palmas] veicularam a notícia sobre o italiano que chegou contaminado em São Paulo e depois pipocaram os casos no Brasil”, contou.

Críticas e agressões

Para quem programa suas viagens (domésticas ou internacionais) com alguma esperança de que a pandemia esteja sob controle, com o surgimento de alguma vacina ou com a devida valorização das medidas de prevenção – infelizmente ignoradas por um grande número de pessoas por todo o mundo – , ainda há um problema a ser enfrentado: as críticas e a agressividade de quem enxerga na atitude do viajante descaso com a situação.

Alessandra Carvalho na Argentina: roteiro teve que ser alterado por conta da pandemia

Embora haja diversas medidas sanitárias tomadas nos destinos turísticos, pelo menos em teoria, para a segurança da saúde do viajante, o medo e a falta de confiança chegam a criar verdadeiras batalhas virtuais nas redes sociais. A peleja começa nos grupos destinados à troca de informações sobre viagens quando um internauta faz perguntas sobre determinado destino em alguma época deste ano. É o princípio de uma enxurrada de xingamentos e comentários agressivos em sua maioria, como se pensar em viajar agora fosse anúncio de um crime hediondo prestes a ser cometido.

“É um assunto sensível, porque neste momento é preciso pensar no coletivo”, afirmou Winnie Duarte. “Minha reprogramação é de acordo com os dados que mostram que a situação já está mais sob controle e, óbvio, onde é permitido turistar”, acrescentou. Ela participa de grupos em redes sociais, entretanto não expõe seus planos para não receber críticas. Já Alessandra Carvalho, integrante de alguns grupos, sentiu a fúria virtual. “Fui atacada por um comentário que fiz na postagem de outro integrante do grupo. Acho desnecessário esse ataque, essa euforia. Os grupos existem justamente para troca de experiências, informações e para distrair desse momento tão duro em que estamos vivendo”, opinou. Para ela, todos os cuidados devem ser tomados. “Mas acho que já passamos da época de se isolar totalmente e de voltar a viver aos poucos com precaução. Até porque eu mesma me infectei em casa, sem nenhum tipo de convivo com outras pessoas”, acrescentou.

Participante do Couchsurfing Manaus, a jornalista Fabíola Abess contou que já houve brigas por conta do relaxamento promovido pelo governo em restaurantes e outros estabelecimentos. “Mal reabriram os locais e alguns membros questionaram quando haveria meeting novamente, postando fotos em flutuantes e outros lugares, sem máscara. Fiquei irritada e saí do grupo, pois ainda estou em isolamento, saindo muito pouco de casa”, disse. Para ela, o retorno só será possível quando houver real segurança em Manaus. “Quanto a pedir informações sobre viagens, não recebi nenhum ataque ao perguntar sobre quem iria para eventos da comunidade em outras capitais”.

Apesar de participar de grupos com o tema nas redes sociais, Frank Gundim não tem costume de pedir dicas. “Vou a sites pesquisar sobre a cidade. Se gostar, mergulho no desconhecido”, afirmou. Para este ano, as viagens programadas foram todas canceladas. “Só viajarei novamente quando me sentir seguro. Neste momento, não me sinto”.

Fotos cedidas de arquivos pessoais

ONU lança versão brasileira de site de combate à desinformação durante pandemia

Com o objetivo de aumentar o volume e o alcance de informações precisas e confiáveis sobre a covid-19, o site ‘Verificado’ disponibiliza conteúdo inteiramente em português e pode ser acessado pelo endereço compartilheverificado.com.br.

“Não podemos ceder nossos espaços virtuais para aqueles que publicam mentiras, medo e ódio”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao anunciar a iniciativa. “Desinformação é divulgada online, em aplicativos de mensagem e de pessoa para pessoa. Seus criadores usam produção e métodos de distribuição maliciosos. Para combater isso, cientistas e instituições como as Nações Unidas precisam alcançar pessoas com informação acurada, na qual possam confiar. “

O site Verificado é liderado pelo Departamento de Comunicação Global (DCG) da ONU e traz dados, orientações e números relacionados ao novo coronavírus vindos de fontes seguras e confiáveis, graças a parcerias feitas pelas Nações Unidas com agências, influenciadores, sociedade civil, empresas e organizações de mídia.

“A internet tem uma influência poderosa, assim como a televisão. Quando há fontes de informação fortes e conflitantes, em quem a pessoa vai acreditar e como ela chegará a uma conclusão firme? Eu acredito que o site Verificado assegura ao mundo que as Nações Unidas se mantêm como uma fonte de informação independente e confiável, por meio do seu Departamento de Comunicação Global”, disse Kimberly Mann, diretora do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro).

A plataforma oferece conteúdo verificado sobre a covid-19 em três temas: ciência – para salvar vidas; solidariedade – para promover cooperação local e global; e soluções – para defender o apoio a populações impactadas. Os leitores também podem se cadastrar para receber as novidades do site por e-mail e se tornar “voluntários de informações”, compartilhando dados e orientações confiáveis com suas redes de amigos e familiares.

“Em muitos países, a crescente desinformação em canais digitais está impedindo a resposta de saúde pública e provocando instabilidade. Há esforços inquietantes de explorar a crise para avançar nativismo ou atingir grupos minoritários, o que pode piorar na medida em que a pressão aumenta nas sociedades e instabilidades econômicas e sociais entram em cena”, afirma a sub-secretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming.

O site Verificado é realizado em colaboração com a Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e tem o apoio da Fundação IKEA e da Luminate. Além disso, o projeto também conta com o apoio de articulação da Nexus.

Foto: reprodução

ONG busca doações para o resgate da autoestima de pacientes que lutam contra o câncer

Para ampliar as ações voltadas ao resgate da autoestima de mulheres portadoras do câncer de mama, a Rede Feminina de Combate ao Câncer do Amazonas está em busca de doações que financiem a confecção de sutiãs com enchimento, os quais serão destinados, no dia 6 de julho, a pacientes pré-selecionadas pelo Serviço Social da Fundação Cecon, durante uma atividade que receberá o apoio da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc).

A meta é arrecadar pelo menos R$ 2 mil para a compra de insumos para a produção, explica a presidente da Rede, Tammy Cavalcante. De acordo com ela, as doações podem ser feitas através da vakinha virtual da ONG (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/dia-das-criancas-rede-feminina-de-combate-ao-cancer-amazonas), ou, via transferência bancária (Banco Sicoob, Código 756, Agência 3352, Conta Corrente 138-4, CNPJ: 07.154.473/0001-92).

“Serão entregues 20 sutiãs com próteses e mais 20 próteses individuais. A idéia é confeccionar, inicialmente, pelo menos 80 peças, a serem doadas gradativamente, durante as atividades de acolhimento das pacientes oncológicas”, explicou Tammy.

As próteses que irão compor os sutiãs para mulheres mastectomizadas (que perderam parcialmente ou completamente as mamas), serão confeccionadas por voluntárias da Rede Feminina e o tecido para o bojo foi doado pela Tapajós Tecido, parceira no projeto.  Os demais materiais precisam ser custeados, como silica gel, malha para a capa protetora, enchimentos e afins.

O câncer de mama é o segundo em incidência no Amazonas e o primeiro no mundo. Tammy explica que o procedimento de mastectomia é, em geral, muito traumático às pacientes e acaba afetando a autoestima e muitas vezes, o equilíbrio psicológico, além do convívio social. Apesar de uma parte delas optar pela cirurgia de reconstrução da mama, a grande maioria acaba não se submetendo a esse procedimento. E as próteses artesanais são o pontapé inicial para superar esse obstáculo.

“Trabalhamos também outras ações voltadas ao resgate da vaidade, com voluntárias de cursos de estética, que ajudam com cortes de cabelo, escovação, manicure, maquiagem, depilação, entre outros serviços. Temos um espaço dedicado exclusivamente a essas ações, na sede da Lacc (Dom Pedro), que funciona através de agendamento. É uma forma de mostrarmos que essas pacientes não estão sozinhas e também de reforçar a humanização durante o tratamento contra o câncer, que é longo e muito difícil”, explicou.

Foto: divulgação

Nova campanha fala sobre abuso infantil e violência doméstica

Diante do cenário de abuso infantil no Brasil, o jornalista e premiado publicitário Brunno Barbosa, idealizador da ONG Bandeiras Brancas, entidade que visa com ações criativas de comunicação a espalhar a paz, criou uma campanha de conscientização e alerta sobre o crescimento do abuso e violência doméstica em confinamento e isolamento social.

“Trata-se de uma campanha de conscientização. Nosso objetivo com esse material e promover uma conscientização da população para que estejam atentos a movimentações diferentes vindos dos vizinhos (principalmente nesse período de isolamento) e/ou mudanças no comportamento das crianças. Essas circunstâncias podem ser indícios de abusos domésticos”, explica Brunno Barbosa, idealizador da ONG.

A campanha criada originalmente em inglês, visa alertar o problema social não só no Brasil, como no mundo inteiro.

O abuso infantil é, incontestavelmente, um dos maiores problemas do Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, divulgados em 2019 pela revista Veja São Paulo, diariamente, são notificadas no Brasil, em média, 233 agressões de diferentes tipos (física, psicológica e tortura) contra crianças e adolescentes com idade até 19 anos.

Os números, que já são altamente impactantes, tendem a aumentar cada vez mais devido a pandemia do coronavírus. Com as aulas suspensas, as crianças estão passando mais tempo em casa com seus familiares, o que já as expõem, com maior frequência, a familiares abusivos e incontroláveis.

Esta tendência também é fortemente apontada no relatório elaborado pela World Vision (ONG), e divulgado no site oficial da Agência Brasil. Segundo o documento, estima-se que até 85 milhões de crianças e adolescentes, com idades entre 2 e 17 anos, poderão se somar às vítimas de violência física, emocional e sexual nos próximos três meses em todo o planeta. O número representa um aumento que pode variar de 20% a 32% da média anual das estatísticas oficiais.

Além disso, de acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no país aumentou de 11,2% para 12,6% no trimestre que vai de fevereiro a abril, o que resulta em cerca de 898 mil pessoas sem renda fixa. Fator este que pode agravar ainda mais os quadros da violência infantil, contribuindo para que estes pais descontem seus sentimentos de raiva e frustração nas crianças.

“As tensões acumuladas com temores sobre a pandemia, a intensa convivência familiar, a sobrecarga de tarefas domésticas e o trabalho em casa, ou a falta de emprego e renda, podem ser geradoras ou agravantes de conflitos e violências em muitos lares. Violências que já poderiam ocorrer, anteriormente, contra crianças e adolescentes vão se manter e podem se agravar”, afirmou Bárbara Salvaterra, coordenadora estadual do Programa Saúde na Escola (PSE) e Saúde do Adolescente, que representa a SES-RJ no CEDCA-RJ.

A coordenadora do Unicef no Rio de Janeiro, Luciana Phebo, explicou que neste momento de pandemia, ficar em casa é importante para a proteção contra o coronavírus. “Mas é preciso, também, que todos façamos um esforço extra e estejamos atentos para evitar que crianças e adolescentes sofram agressões e outros atos de violência”.

Para assistir o vídeo da campanha, acesse: http://www.youtube.com/watch?v=QLXMJY2bkPU

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Eirunepé inaugura ala com 19 leitos exclusivos para tratamento de covid-19 e prorroga restrições do comércio no município

A Prefeitura de Eirunepé inaugurou no último domingo, 31 de maio, uma nova ala no Hospital Regional Vinicius Conrado, com 19 leitos de enfermaria, que já está funcionando e atendendo pacientes com covid-19. Com a entrega, a unidade de saúde passa de 61 para 80 leitos disponíveis. Também foi publicado um decreto que prorroga as restrições para o funcionamento do comércio do município até dia 30 deste mês.

A inauguração foi realizada pelo prefeito Raylan Barroso, junto com secretário Executivo Adjunto de Atenção Especializada do Interior, da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Cássio Roberto do Espírito Santo.

O local, que foi todo reformado e adaptado pela prefeitura, agora funciona exclusivamente para atender pessoas com sintomas de síndrome gripal inclusive possíveis pacientes de covid-19, em baixa e média complexidade. A ala foi equipada com três respiradores mecânicos, cardiovessor, bomba de infusão, monitores, cápsulas “Vanessa”, entre outros.

O secretário da Susam falou sobre a participação do Estado e no apoio dado à prefeitura neste momento de pandemia. “Estamos integrando três leitos de Unidades de Cuidados Intermediários completos, com respiradores invasivos, com bombas de infusão, como monitores e desfibrilador, projeto este do Governo do Estado, que apoia neste momento de pandemia os municípios polos, em parceria com o governo federal, governo estadual e prefeitura, vamos atendendo as demandas do estado, para melhorar a qualidade de saúde da população”, finalizou Cássio.

A prefeitura garantiu que o espaço, além de equipamentos, também conte com uma equipe completa de profissionais formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e motorista, todos atuando com equipamentos de proteção indicados para garantir a proteção da equipe.

“Esta é uma ala preparada para atender as pessoas infectadas com a Covid-19, que construímos e equipamos pensando em salvar vidas neste momento tão difícil.  Estamos adquirindo equipamentos, insumos, EPIs, entre outros, em grande parte com recursos próprios, mas também com a ajuda do Governo do Amazonas que tem sido um grande parceiro e que ajudou muito na implantação deste espaço no hospital”, disse o prefeito Raylan Barroso.

O chefe do executivo de Eirunepé lembrou que a prefeitura também adquiriu aparelhos respiradores e BiPAPs para ampliar a oferta de tratamento na cidade.

Prorrogação

Já na manhã de segunda-feira, a prefeitura de Eirunepé prorrogou as medidas de enfrentamento à disseminação do covid-19 no município. O novo decreto se estende até dia 30 de junho.

No texto da publicação, fica definido que o horário de funcionamento dos estabelecimentos de comércio varejista em geral e de prestação de serviços no município de Eirunepé será de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h e das 14h às 17h. No sábado e domingo o funcionamento será das 7h às 12h. 

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Novo antigripal considera diferenças regionais definidas com base em pesquisas

A campanha de lançamento do antigripal da Genomma Lab, Next, foi definida a partir de um estudo quantitativo de comportamento, crenças e hábitos, realizado pela IQVIA, para entender de que forma os consumidores lidam com a gripe em cada região do país. A maioria das pessoas entrevistadas, por exemplo, afirmou utilizar-se de outros métodos para o alívio dos sintomas, além da ingestão de um medicamento antigripal.

A empresa também encomendou uma pesquisa para o Climatempo, a fim de compreender o comportamento dos quadros virais em determinados meses do ano. Para isso, foram levantados elementos climatológicos como temperatura, precipitação, vento, umidade e pressão do ar, bem como suas variações rítmicas e sazonais, indicando como isso pode interferir no aumento da propagação do vírus de gripes, resfriados e de problemas respiratórios. Nesse estudo, entendeu-se que, em muitas regiões, a gripe está conectada a variação de temperatura mais do que com o inverno, as massas polares e o clima seco, em certas épocas, propiciam maior incidência de sintomas em cada região.

Já a pesquisa “U&A (Usage and Attitudes) Gripe e Resfriado”, conduzida pela IQVIA, utilizou uma amostra total de 783 pessoas que ingeriram medicamento para tratar os sintomas de gripe/resfriado nos últimos 12 meses, entre homens e mulheres de 18 a 64 anos, classes ABC, moradores das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em um quadro geral, a pesquisa demonstrou que a ocorrência de gripe e resfriados é relatada, em média, três vezes por ano e que 75% desses entrevistados, responderam que tomam muita água quando estão gripados, 60% relatam que costumam beber muito chá, 47% utilizam spray nasal e pastilhas para a garganta, 39% tomam mel, 33% ficam deitados e em repouso e 23% utilizam própolis. Importante reiterar que são hábitos sempre atrelados ao uso de algum medicamento. Na região Norte, 74% da população aumenta a ingestão de água e 47% revela tomar chás para ajudar a aplacar os sintomas. O comprimido é a melhor forma de medicação para 83% dos entrevistados. Em todas as regiões brasileiras, a maioria dos entrevistados se automedica, e caso o remédio não faça efeito, eles procuram por um médico.

Next é uma marca da Genomma Global e teve um lançado diferenciado, no Brasil, no dia 15 de abril, com exibições de uma versão de campanha nacional e dezesseis versões regionais, para cada uma das cidades listadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santos, São José dos Campos, Uberlândia, Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Belém, Manaus, Goiânia e Brasília. Cada um dos filmes de 30” regionais conta com apresentadores dos telejornais locais, que apontam as previsões do tempo e lembram de algumas ações e cuidados combinados para o combate à gripe.

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Coronavírus e poluição do ar podem ser combinação perigosa

Os dois principais fatores que elevam os riscos de óbito em pacientes infectados pelo novo coronavírus são ter mais de 60 anos e ter o sistema imunológico enfraquecido. A poluição do ar tem influência sobre esse segundo fator. “Quem mora numa área poluída tem os pulmões comprometidos da mesma forma que alguém que fuma. Isso também torna a pessoa mais suscetível ao coronavírus”, adverte o epidemiologista Kofi Amegah, especialista em poluição atmosférica da Universidade de Cape Coast, em Gana.

A poluição do ar, que provoca mais de 7 milhões de mortes por ano, pode tornar a covid-19 mais mortal por piorar doenças crônicas que deixam os pacientes fracos diante de uma infecção por Sars-Cov-2. A Aliança Europeia de Saúde Pública afirmou que a poluição do ar provavelmente reduz as chances de sobrevivência de uma pessoa infectada.

Pesquisas sobre surtos anteriores sugerem que o ar poluído torna os vírus mais perigosos e faz com que eles se espalhem mais. Um estudo realizado com as vítimas do Sars-Cov-1, o coronavírus que causou um surto em 2003, revelou que os pacientes tinham duas vezes mais riscos de morrer em regiões onde os níveis de poluição do ar eram mais altos. Mesmo em regiões com poluição moderada, o risco ainda era 84% maior.

Se existir uma dinâmica semelhante para a covid-19, isso poderá aumentar a pressão em UTIs de hospitais de grandes cidades em todo o mundo. Também poderia significar mais riscos para as populações mais pobres, que muitas vezes queimam madeira, esterco, querosene ou carvão em ambientes fechados para cozinhar e aquecer suas casas.

Inimigo silencioso

Na cidade chinesa de Wuhan e no norte da Itália, locais com altos níveis de poluição e infecção pelo novo coronavírus, dados preliminares sugerem que o chamado material particulado pode ter influenciado na sobrecarga dos sistemas de saúde.

As partículas inaláveis finas (MP2,5), ou seja, aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor ou igual a 2,5 µm – mais fino que a espessura de um fio de cabelo – podem penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir os alvéolos pulmonares, aumentando o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas e respiratórias.

A taxa de mortalidade por covid-19 na China foi nove vezes maior para pessoas com doenças cardiovasculares e seis vezes maior para pacientes com diabete, hipertensão e doenças respiratórias do que para pessoas sem problemas de saúde, afirma um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em parceria com a China no mês de fevereiro.

Na Itália, as autoridades de saúde relataram em março que 99% de uma amostra de pacientes que faleceram por covid-19 apresentava uma doença pré-existente, e quase metade das vítimas sofria de três ou mais doenças. Porém, o relatório não apresenta rigor estatístico sobre a população. Entre as doenças mais comuns estavam pressão alta, doenças cardíacas e diabete.

A OMS afirma que a pandemia ainda é muito recente para que se possa estabelecer uma ligação entre a poluição do ar e a mortalidade por Sars-Cov-2, mas isso não deve impedir os países de agir. “Haja ou não essa correlação entre a covid-19 e o ar poluído, precisamos reduzir a poluição do ar”, diz Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS. “Parar de fumar e reduzir os níveis de poluição do ar são recomendações que podemos dar, mesmo sem termos mais evidências da relação entre eles e o novo coronavírus”.

Juntamente com a destruição da camada de ozônio, as partículas finas MP2,5 diminuem a expectativa de vida em quase três anos, segundo um estudo publicado mês passado pela revista Cardiovascular Research, da Universidade de Oxford. No mundo, o número de óbitos devido à poluição do ar é dez vezes maior do que a de todas as formas de violência juntas.

Além disso, cerca de nove em cada dez mortes prematuras causadas pela poluição do ar – incluindo gases tóxicos, como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre – atingem populações de países emergentes ou subemergentes. Mesmo em cidades ricas da Europa e da América do Norte, minorias e populações marginalizadas tendem a respirar um ar mais poluído.

Na África Subsaariana, as mulheres são as mais expostas a poluentes em ambientes fechados. “O sistema pulmonar dessas mulheres está comprometido”, afirma Amegah, e acrescenta que, se a covid-19 se espalhar pela região, elas estarão muito vulneráveis. “Nós oramos e mantemos os dedos cruzados para não ver os níveis de infecção que estamos vendo em outros países.”

Propagação da doença

Além de enfraquecer o sistema imunológico, os poluentes transportados pelo ar poderiam até mesmo atuar como portadores do novo coronavírus, permitindo que ele sobreviva ligado às partículas poluentes, sugere uma equipe de pesquisadores italianos.

Altas concentrações de material particulado em algumas regiões do norte da Itália poderiam ter “impulsionado” a propagação da pandemia, de acordo com a Sociedade Italiana de Medicina Ambiental num documento publicado e ainda não revisado (preprint). Mas outros cientistas levantam dúvidas sobre isso, apontando que o ser humano é o principal vetor de transmissão e que não há casos relatados de disseminação do novo coronavírus pelo ar.

“É bom reduzir a poluição do ar para melhorar a saúde, ou para ajudar a diminuir o risco de que doenças pré-existentes, como a asma, sejam agravadas, mas não vejo a poluição do ar como uma parte importante da discussão sobre a contenção do vírus”, afirma o cientista Jos Lelieveld, diretor do Instituto Max Planck de Química em Mainz, na Alemanha, e autor de um estudo sobre mortes devido à poluição do ar.

Quarentena reduz poluição em São Paulo

Além disso, à medida que os casos de covid-19 aumentam exponencialmente em todo o mundo, as ações de isolamento para impedir a disseminação do vírus reduzem os níveis de poluição nas cidades. Os bloqueios e as medidas de isolamento fecharam fábricas e diminuíram o tráfego aéreo e nas estradas – o que levou a uma diminuição no uso de combustíveis fósseis.

Imagens de satélite da China e da Itália mostram quedas drásticas na concentração de dióxido de nitrogênio  – um gás tóxico que inflama as vias aéreas – à medida que fábricas foram sendo fechadas e o tráfego de automóveis diminuiu drasticamente.

A redução dos níveis de poluição do ar na China pode ter salvado mais vidas do que seriam perdidas com a covid-19, sugere um estudo ainda não revisado, embora essa comparação não leve em consideração as vidas que teriam sido perdidas caso o novo coronavírus tivesse se espalhado sem controle pelo país.

A diminuição dos níveis de poluição atmosférica vista do espaço não pode ser atribuída apenas aos bloqueios e medidas de isolamento. A poluição do ar é mais alta nos meses mais frios porque as pessoas usam mais os aquecedores e se locomovem de carro com mais frequência, por isso ela tende a cair com o aumento das temperaturas, nesta época do ano, explica Christian Retscher, da Agência Espacial Europeia.

“Certamente vemos um efeito da pandemia na queda dos níveis de dióxido de nitrogênio. É um efeito adicional, pois não sabemos os números exatos”, comenta. Embora as medidas de isolamento tenham ajudado a melhorar a qualidade do ar, não se sabe por quanto tempo os níveis de poluição vão se manter baixos.

“Quando a crise passar, e vemos isso na China, há uma tendência de compensar as semanas e os meses perdidos”, diz Zoltan Massay-Kosubek, especialista em políticas de qualidade do ar e transporte sustentável da Aliança Europeia de Saúde Pública.

No entanto, tudo isso prova que é possível reduzir a poluição do ar, o que
salva vidas, afirma Maria Neira, da OMS. “Agora precisamos manter isso – não o confinamento, mas a redução dos níveis de poluição do ar.”

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