Mini We’e’ena Tikuna: Boneca de pano, de cultura e de resistência indígena

Por Lenise Ipiranga

Com pinturas no rosto e vestimentas com grafismos sagrados, as bonecas de pano da artista plástica e proprietária da marca que leva seu nome, a We’e’ena Tikuna – Arte Indígena, carregam significados e a herança cultural originária do Brasil. Muito mais que bonecas, as Mini We’e’ena Tikuna, de forma lúdica e educativa, inspiram crianças a valorizar e respeitar a cultura indígena, a sabedoria da ancestralidade.

“Somos os próprios protagonistas da nossa história. Tenho orgulho, pois vencemos o medo de expressar a nossa cultura através da arte. E agora podemos mostrar para a sociedade que existe também uma boneca que representa o povo indígena”, ressalta a artista, ao destacar que as bonecas possibilitam que os pais possam educar os seus filhos sobre a importância da cultura indígena. “A educação e respeito vem de berço. Ninguém nasce com pré-conceito”, enfatiza.

We’e’ena Tikuna e suas miniaturas lúdicas e educativas de pano

We’e’ena Tikuna explica que as crianças estão acostumadas com um padrão de bonecas (brancas, loiras e magras) e, por isso, ela observou a necessidade de ter uma representatividade indígena de bonecas. Como brinquedo educativo, para que as crianças possam se conectar diretamente com a cultura indígena e quebrar todo o preconceito com a cultura e, principalmente, com as pessoas.

“As bonecas nasceram do não conhecimento da verdadeira história dos povos indígenas. A partir da criação da coleção de looks de We’e’ena Tikuna Arte Indígena”, conta a artista, ao explicar que, em 2019, ela lançou sua grife de roupas no Brasil Eco Fashion Week e, em 2020, foi convidada VIP pela produção para apresentar uma nova coleção. E acrescenta que como nem todas as pessoas poderiam ter roupas da sua coleção, ela criou as miniaturas, as Mini We’e’ena Tikuna. E cada uma tem seu nome Indígena Tikuna: a We’e’ena, a Djuena e a Memena.

“Na aldeia nunca tivemos bonecas nas nossas brincadeiras, brincamos mais nos rios, com os animais, em conexão com a natureza”, ressalta a artista, ao falar que toda arte é forma de resistência para os povos indígenas. E ela quer dar essa visibilidade à cultura indígena com sua arte, com suas roupas e bonecas.

Coleção da We’e’ena Tikuna lançada no Brasil Eco Fashion Week, em novembro de 2020

A estilista We’e’ena destaca o evento Brasil Eco Fashion Week, por ter incluído a coleção da sua Arte Indígena em suas duas últimas edições, e da importância de participar de um evento nacional de moda e representar seu povo, sua ancestralidade, sua Amazônia, como forma de valorizar e dar visibilidade à história e cultura dos povos indígenas e, assim, tentar diminuir o preconceito e a desinformação sobre seu povo.

Uma história de superação

We’e’ena Tikuna significa “a onça que nada para o outro lado no rio”, da cultura do povo Tikuna, originária da Aldeia de Umariuaçu, no município de Tabatinga, no estado do Amazonas, na região do Alto Rio Solimões, Região Norte.

É artista plástica formada pelo Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura do Amazonas – IDC, em dezembro de 2004, com diversas premiações e exposições já realizadas e dedicada ao trabalho de inclusão social dos povos indígenas por meio da sua arte.

Viveu na aldeia toda sua infância, é a quarta filha de Nutchametü rü Metchitücü, seu pai, nome que na cultura Tikuna quer dizer “onça com rosto redondo e bonito “. Sua mãe se chama Totchimaüna, ”Três araras voando”. E um dia seus pais decidiram morar na capital do Amazonas, em Manaus, para que seus seis filhos pudessem estudar.

Ao mudarem para capital, seus pais criaram a comunidade indígena Tikuna em Manaus, para que os filhos não perdessem os costumes e a tradição de povo originário. Foi assim que We’e’e’na cresceu, no entreviver de duas culturas, das tradições da aldeia aos costumes da cidade, onde sofreu racismo e foi humilhada por não falar o português, repetiu o colegial várias vezes por não entender o idioma, pois até os 12 anos só tinha contato com a língua nativa Tikuna, sua língua Mãe.

Mas, como filha Tikuna, We’e’e’na é uma mulher guerreira que venceu todos os obstáculos e o racismo. Por meio de sua história de superação ela inspira muitos e muitas indígenas. Além de artista plástica, We’e’e’na é cantora, palestrante, nutricionista, designer de moda e também ativista dos direitos indígenas e youtuber.

We’e’ena enfatiza que arte é forma de resistência para os povos indígenas. E ela quer dar essa visibilidade à cultura indígena com sua arte, com suas roupas e bonecas

Serviço:
Palestras, Oficinas, exposições, Shows e desfiles de moda

> weenaticuna@gmail.com / +55(21)99554-1608
>Facebook https://www.facebook.com/weeenatikuna/
>Instagram @weena_tikuna
>Instagram Grife @weenatikunaarteindigena
>YouTube : https://www.youtube.com/user/weenaticuna

Bonecas

>Unidades limitadas, feitas à mão
>30 cm
>100 % algodão
>Antialérgica
>Pintura com grafismo sagrados Tikuna representando o Urucum e o Jenipapo nas cores.
>Modelos: Cada uma tem seu nome Indígena Tikuna: We’e’ena, Djuena e Memena
>Vendas no link: weenatikuna.com/collections/bonecas-indigenas-we-e-ena-tikuna-novidade

Dori Carvalho representa o Amazonas e leva seu talento para Festival de Poesia nacional

Dois Córregos, cidade do interior de São Paulo, conhecida como a terra da poesia, realiza nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2020, a partir das 20h (Hora Brasília), a 13ª edição de seu Festival de Poesia. Com o tema “Poesia a arte do encontro”, o evento pretende trazer mais leveza em meio à pandemia do Covid-19 e conta com a participação virtual de artistas dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal, como Dori Carvalho, do Amazonas.

A videoconferência (webinar) reunirá artistas locais e de outras regiões do Brasil para prestigiar a diversidade poética, estimular o encontro com as rimas e permitir que os cidadãos gorjeiem suas criações. O poeta Dori Carvalho, que representará o estado do Amazonas durante o festival é ator, prosador e diretor de teatro. Além de atuar em diversos espetáculos teatrais e participar de diversos filmes, é autor dos livros de poemas “Desencontro das Águas” e “Paixão e fúria”, editados pela editora Valer e “Meu ovo esquerdo”, pela editora Travessia.

No teatro, Dori Carvalho atuou em A Farsa do Juiz; A balada do flautista; O elogio da preguiça; Aquela outra face da tribo; Os morcegos; Zaratustra; Ekhart – o cruel; Next; O mendigo e o cão morto; e Pique-nique no front. E também participou de filmes como A cor dos pássaros e Bad Boy, de Herbert Brödl; Silvino Santos – o cineasta da selva, de Aurélio Michiles; Nas asas do condor, de Cristiane Garcia, baseado em conto de Milton Hatoum; e Segredos do Putumayo, de Aurélio Michiles.

Dori Carvalho foi ainda diretor da Divisão Artística da TV Educativa, coordenador e professor do Núcleo de Teatro da Universidade Federal do Amazonas; coordenador do Centro de Artes Chaminé; coordenador de eventos e assessor editorial da Editora Valer; diretor de produção e apresentador da TV Câmara, coordenador da Comissão de Acervo Histórico da Câmara de Manaus.

Durante o Festival, o município leva para as ruas da cidade, literalmente, as criações de artistas já reconhecidos por sua obra e as da própria população. Em sua 13ª edição, pela primeira vez o Festival reunirá renomados artistas dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, que participarão do evento por meio de videoconferências (webinares). Ao final do Festival, as poesias serão reunidas para posterior lançamento de um livro.

“Acredito que a poesia é um caminho para o resgate dos sonhos, da ternura e da esperança. E que é o caminho para a transformação humana, ao expressar o afeto, a generosidade e a paz”, afirma José Eduardo Mendes Camargo, idealizador e fundador da ONG Usina de Sonhos, responsável pelo Festival e por outras iniciativas ligadas à produção literária com foco em poesia em Dois Córregos.

Usina de Sonhos

Fundada em 1995, e idealizada pelo empresário e poeta José Eduardo Mendes Camargo, a Usina de Sonhos visa obter uma transformação positiva do ser humano por meio do desenvolvimento da criança e da comunidade através das mais variadas formas de linguagem, em especial a poética. Desta forma, estimula e contribui para o surgimento de novos talentos, para o despertar do interesse pela leitura, para o desenvolvimento do pensamento crítico e de produções e manifestações culturais.

O projeto, que foi reconhecido pela UNESCO, órgão das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Cultura, está presente em escolas públicas e particulares de Dois Córregos, por meio da adesão a concursos de poesias; nas indústrias, onde funcionários são estimulados a produzir poesias e participar de concursos culturais; na penitenciária feminina, tem contribuído com a autoestima e a solução de conflitos entre as mulheres encarceradas.

O evento é aberto e para participar é só acessar as redes:
Instagram: @instituto_usina_de_sonhos
Youtube: Instituto Usina de Sonhos
Facebook: Usina de Sonhos

Da floresta amazônica para o tapete vermelho do Oscar

Em seu sétimo destino, a Expedição #AquiTemSebrae desembarcou em Cruzeiro do Sul, no Acre (a 635 quilômetros da capital, Rio Branco), para conhecer a história do artesão e empresário Maqueson Pereira da Silva. Com uma técnica singular de marchetaria, ele vende suas obras para países de todos os continentes e já expôs em cidades como Paris, Tóquio, Nova Iorque, Milão e Londres. No Oscar de 2017, teve uma de suas clutches (bolsas de mão), usada pela estilista Stacy London.

Mas o início dessa trajetória de sucesso não foi nada fácil. Do local onde vivia, no Seringal Flora, até a cidade mais próxima na época – Porto Walter/AC, eram três dias de viagem de barco. Maqueson nasceu no seringal no final dos anos 50 e aprendeu a ler com seu avô, que era cego. Trabalhava com o pai na extração do látex das seringueiras e já entalhava a madeira, construindo barcos e instrumentos musicais. “Minha família veio do Ceará no auge do ciclo da borracha. E a gente vivia muito isolado. Ao mesmo tempo que a gente tinha tudo, tinha a natureza, a gente estava distante de tudo”, lembra.

Maqueson só iniciou os estudos formais aos 14 anos, quando saiu do seringal e ingressou em uma escola coordenada por padres missionários alemães. Devido a seu destaque em disciplinas como língua portuguesa e alemã, matemática e teologia, foi transferido do Acre para estudar no Instituto Liebermann, na cidade de Salete, em Santa Catarina. O seminário exigia que, além dos estudos formais, o aluno desenvolvesse alguma habilidade manual. Ele, então, optou pelo trabalho com a madeira, tão íntima dos seus tempos de floresta. Começou a construir móveis e utensílios e, intuitivamente, a desenvolver quadros usando a marchetaria, o que chamou a atenção do responsável pelos seus estudos, Guilherme Schüler, padre alemão, que logo lhe apresentou os detalhes históricos e artísticos daquela técnica, estimulando seu aprendizado e desenvolvimento.

Arte com madeira colorida natural

A marchetaria é a técnica de se utilizar lâminas de madeira recortadas e aplicadas de forma minuciosa, formando figuras. No caso da Marchetaria do Acre, os conhecimentos de Maqueson em botânica o permite utilizar em sua arte mais de 150 espécies de madeiras e raízes, obtendo colorações inimagináveis para a marchetaria. E sem o uso de tintas. “Eu comecei a trabalhar com a marchetaria porque queria criar algo diferente, não queria fazer móveis. Hoje, usamos resíduos de árvores e madeiras de áreas certificadas. Usamos a madeira natural, sem pintura, e o céu é o limite para a quantidade de tons que podemos combinar. Assim, cada peça é única”, ressalta.

No início de sua carreira, Maqueson trabalhava basicamente com a arte sacra e o cubismo. Após alguns anos, com a ajuda do padre, foi para a Alemanha onde se especializou ainda mais em sua técnica. Estudou também na Itália e na Suíça. Retornou para Cruzeiro do Sul e inaugurou sua oficina. A partir daí, em um resgate de suas origens, passou a incluir em suas obras temas da flora e da fauna amazônica.

Sua oficina é responsável por cerca de 20 empregos diretos, produzindo objetos de arte, decoração e moda para diversas lojas e galerias do país e do exterior, além de órgãos governamentais. “Sei o que significa começar do zero e chegar até aqui. Em muitos momentos, enfrentei preconceitos e me sentia inferiorizado, por ser um `caboclo` nascido nas barrancas do Rio Juruá. Tudo o que aconteceu na minha trajetória foi muito importante. Hoje entendo que esta origem representa um diferencial do meu trabalho”, diz, emocionado.

Árvore que dá boa sombra

O primeiro plano de negócios do Sebrae na cidade de Cruzeiro do Sul foi realizado para a abertura da empresa Marchetaria do Acre, no início dos anos de 1990. De lá pra cá, a parceria continua firme. A convite do Sebrae, Maqueson já participou de diversas feiras, missões e exposições nacionais e internacionais, como a Expo Milão. Ele também já foi reconhecido, por três vezes, pelo Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato. “Estas feiras foram fundamentais para eu me tornar conhecido. Eu sempre tive o olhar para o mercado externo e, com o olhar muito crítico, precisamos vencer desafios de insumos e logística para conquistar os clientes, mantendo o compromisso com a qualidade e o cumprimento dos prazos”, explica. Com este foco, hoje a empresa consegue vender para todo o Brasil e para países como Japão, Estados Unidos, Itália, Catar e Emirados Árabes Unidos.

O artista, de fala calma e suave, destaca que toda sua história é de muita luta e superação. Afirma que, se um ribeirinho da floresta amazônica conseguiu chegar onde ele chegou, qualquer pessoa, com garra e persistência, pode conquistar seus objetivos. “O importante é buscar seus sonhos e não desistir nunca”, destaca.

Maqueson finaliza citando um provérbio da floresta que costumava ouvir de seu pai: “só encoste em árvore que dá boa sombra”, já que esse tipo de árvore é forte e te dá suporte. Para ele “o Sebrae é esta árvore de boa sombra, sempre oferecendo apoio a quem quer empreender”.

Foto: Lorrane Freitas/Agência Sebrae

Espaço de arte abre temporada de orientações poéticas na pintura

O Espaço de Arte “Onde Nascem os Mitos”, em parceria com o Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC) e Manaus Amazônia Galeria de Arte, abrem quinta-feira, 26, a nova temporada de Orientações Poéticas na Pintura para iniciantes e profissionais que possuem afinidades técnicas para as artes visuais e que buscam aperfeiçoar suas produções artísticas por meio de orientação profissional. As orientações serão ministradas pelo professor e artista plástico, Nelson Falcão, com atuação de 15 anos neste segmento.

O destaque deste tipo de acompanhamento permanente, ainda inédito na cidade de Manaus, é que o inscrito poderá de forma metodológica e prática aprofundar sua descoberta pessoal como artista e da sua expressão artística.

As orientações durante serão ministradas pelo professor e artista plástico Nelson Falcão

Este acompanhamento atende às pessoas que possuem alguma experiência técnica em pintura ou já possuem produção de pinturas. A ideia é permitir que o inscrito possa compreender ainda mais sua forma de expressão pessoal na arte. Entre as práticas do curso estão o “diálogo com a obra”, a conexão do trabalho do artista com as influências históricas, a obra de arte como “espelho” do artista e a aplicação na pintura das características da personalidade do aluno.

As turmas são permanentes e funcionarão de 19h às 22h, todas as quintas-feiras. O investimento mensal é de R$ 450, e as vagas serão limitadas em apenas dez participantes devido o acompanhamento ser direcionado e personalizado. As inscrições são via Whats App (92) 98802-4432 e as aulas acontecem no espaço de arte “Onde Nascem os Mitos”, no novo Colégio Martha Falcão, na rua Salvador, Adrianópolis.

Outros cursos

O Espaço de Arte “Onde Nascem os Mitos” também oferece cursos de Vivências em Pintura para iniciantes; História e Estética da Arte e o curso multidisciplinar: A Ciência dos Anjos, que explica a existência dos seres angelicais pelo cruzamento entre ciência, arte e mitologia.

Fotos: Divulgação

Exposição revela olhar de artistas sobre expedição na Amazônia

O Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), em São Paulo (SP), abriu até dia 29 de julho a exposição “Amazônia: os novos viajantes”. Cerca de 30 artistas com curadoria de Cauê Alves e Lúcia Lohmann expõem quadros e esculturas que resgatam questões ambientais.

Diferente das exposições de artes plásticas recentes que ocorreram sobre o assunto, essa exposição inova ao partir de uma pesquisa científica sobre a origem da Amazônia, coordenada pela professora Lúcia Lohmann, doutora em biologia, onde artistas foram levados em uma expedição de coleta junto com cientistas.

Exposição ficará aberta ao público no MuBE em São Paulo até dia 29 de julho, com entrada franca (Foto: Divulgação)

“Amazônia: os novos viajantes” está dividida em três núcleos principais: Núcleo Histórico, que traz obras originais dos primeiros viajantes que desbravaram a Amazônia nos séculos passados; Núcleo Científico, que incluirá um filme sobre a expedição científica e amostras coletadas pela equipe da bióloga; e o Núcleo de Arte, que apresentará obras de artistas que fizeram parte da expedição científica e produziram seus trabalhos a partir dela, assim como também obras de artistas que estiveram na região em outras épocas e fizeram seu trabalho a partir de suas próprias viagens.

A exposição tem apoio da empresa Hidrovias do Brasil, que atua na Amazônia como operadora logística no escoamento de grãos. “A Hidrovias tem como pilares estratégicos a preservação do meio ambiente e atuação social nas comunidades em que se encontra. Isto, atrelado ao fato de atuarmos no Norte do País nos levou a patrocinar esta exposição. Todas as obras expostas remetem a importância da preservação da região amazônica”, afirma Lilia Vieira, vice presidente de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Hidrovias do Brasil

 

Serviço

“Amazônia: os novos viajantes”

Curadoria Cauê Alves e Lúcia Lohmann

Local: MuBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (Rua Alemanha 221, Jardim Europa, São Paulo – SP)

Terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada franca

Encerramento: 29 de julho de 2018

Exposição Latitude Amazônica alia arte e ciência na interpretação das nuvens amazônicas

Artista que pinta as paisagens amazônicas há quase 50 anos, Jair Jacqmont, 71, estreou a exposição Latitude Amazônica, no último sábado (2), às 10 horas, no Paiol da Cultura do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Com um painel panorâmico de 22 metros, o artista plástico traz as nuvens, em tons azuis, à altura do olhar para levar o visitante a refletir com o auxílio da ciência sobre a importância da floresta amazônica para a manutenção do clima na América do sul.

“As pessoas gostam da cultura e querem saber da ciência o porquê das coisas. Como se formam as nuvens, como se comportam a seca e a chuva. Eu, como artista plástico, faço a minha interpretação da natureza e os cientistas vão explicar os motivos”, destacou Jacqmont que na pintura faz uma divisão da paisagem em nuvens, floresta e rio, o rio Amazonas.

De diferentes formas, cores e tamanhos, as nuvens fazem parte do imaginário das pessoas. Muitas já passaram horas observando o céu e tentando encontrar formas conhecidas nas nuvens, como cachorrinhos, cavalos, pássaros e rostos, a depender da criatividade do observador. No movimento das nuvens e dos ‘rios voadores’, que distribuem água da Amazônia para várias áreas da América do Sul, a proposta da exposição promovida pelo programa LabVerde é “casar” cultura e ciência.

A exposição faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente do Inpa que acontece de 5 a 10 de junho, com entrada gratuita, mas a mostra segue até o dia 26 de agosto, no horário de funcionamento do Bosque da Ciência do Inpa, de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h 16h (entrada), sábado e domingo das 9h às 16h (entrada). O espaço de visitação pública do Inpa fica na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis, zona sul de Manaus.

O trabalho do artista plástico conta com o auxílio científico do gerente operacional pelo lado Alemão da Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), o pesquisador Stefan Wolff, especializado nos estudos de formação de nuvens. Com 325 metros de altura, a Atto é a maior torre de monitoramento climático do mundo.

“Esse ‘link’ arte e ciência é uma boa oportunidade para um grande público ver o que a ciência faz, e a arte dá outra visão para os estudos científicos. É uma boa abordagem de tratar um assunto diferente e chegar a uma forma nova”, destacou o meteorologista alemão.

Segundo o pesquisador, é fundamental que a sociedade entenda a importância da floresta amazônica na formação das nuvens, das chuvas e dos ‘rios voadores’ que são rios aéreos de vapor alimentados pela umidade que evapora da floresta amazônica e que transporta pela atmosfera matéria-prima para causar chuvas no Brasil e outros países como Argentina, Uruguai e Paraguai.

“Nós precisamos de uma floresta saudável e em pé para deixarmos esse sistema complexo e rico com a formação de chuvas e a precipitação por toda a América do Sul. Quando se destrói esse sistema com o desmatamento, por exemplo, isso tem efeitos graves não só na Amazônia, mas em várias regiões do planeta”, destacou Wolff.

Por ser mais muito e densa, a floresta amazônica, a maior floresta equatorial do mundo, possui maior potencial de estocar água e jogar para a atmosfera – a camada de ar que envolve a Terra, já que as árvores possuem uma capacidade inata de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera pela transpiração.

“Funciona mais ou menos assim: quando chove, a floresta agradece a chuva e engole as gotas de água nas folhas, tronco, escorre uma parte para o solo e as raízes pegam uma porcentagem dessa água e manda de volta para cima. Então, a floresta usa uma grande porcentagem da chuva para reciclar e este volume é diferente de todas as regiões do mundo”, explica o pesquisador.

LabVerde

O LabVerde foi criado pelo grupo Manifesta Arte e Cultura em cooperação com o Inpa, em 2013, para explorar os limites da arte com a promoção de experiências autênticas e confronto entre disciplinas, envolvendo arte, ciência e natureza. O objetivo principal do programa é a criação de conteúdos culturais sobre o meio ambiente, gerados pelo conhecimento teórico e pela experiência prática na floresta amazônica.

Segundo a coordenadora do LabVerde, a curadora Lilian Fraiji, o LabVerde promove uma vivência intensiva na floresta mediada por uma equipe de especialistas nas áreas de arte, filosofia, biologia, ecologia e ciências naturais. Ano passado, o LabVerde levou para o Inpa a exposição “Nem Tudo que Reluz é Ouro” da artista paulista Simone Reis que tratava sobre Terra-Preta-de-Indio.

Além do Inpa – Bosque da Ciência e projeto ATTO, a exposição conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e Villa Amazônia.

Foto: Cimone Barros/Inpa