Hora do Planeta é muito mais que apagar luzes, é restauração da natureza e conexão com o meio ambiente

Pela terceira vez consecutiva e ainda no contexto da pandemia, a Hora do Planeta – ação realizada pela Rede WWF – terá formato digital. É neste sábado, 26 de março, com programação a partir das 17h30, até chegar a Hora do Planeta, das 20h30 às 21h30 (horas de Brasília). Este ano, o tema é #ConstruaNossoFuturo.

A programação digital contará com a participação de convidados e temas do nosso dia a dia, incluindo debates, um jogo – ao vivo – de perguntas e respostas e peça de teatro criada com exclusividade para a ação.

As atividades da Hora do Planeta começaram mais cedo, nos dias 22 e 23 de março, com o Cinedebate Amazônia Criadora, mediado pela jornalista, cineasta e diretora-executiva da Negritar Filmes e Produções, Joyce Cursino.

O Cinedebate Amazônia Criadora deriva do edital Amazônia Criadora, lançado pelo WWF-Brasil para inspirar pessoas a contar as histórias dos modos de viver e crescer que promovem equilíbrio entre as pessoas e a natureza. Oito coletivos de comunicação da Amazônia foram apoiados para contarem histórias de uma Amazônia que não precisa ser desmatada para crescer.

Mesa Restauração de Ecossistemas

Às 17h30, com a participação de especialistas e pessoas que atuam no seu dia a dia com o processo de restauração, o debate visa apontar a construção de um presente e um futuro em harmonia com a natureza. Para isso, a mesa vai apresentar histórias reais de coletivos que se dedicam à restauração em suas regiões e discutir como os resultados influenciam não apenas o contexto local.

Participam do debate Marcelle Souza, da WWF-Brasil, como mediadora; Alice Pataxó, comunicadora e ativista indígena; Flávia Balderi, do projeto Copaíba; e Ana Rosa Cyrus, do Engajamundo.

Gameshow

Às 18h30, será hora de testar os conhecimentos sobre vários temas ambientais. E fazer parte de uma trama para descobrir os envolvidos numa conspiração misteriosa, que vai apontar os maiores desafios ambientais. É o jogo interativo que terá artistas participando do desafio e respondendo sobre temas socioambientais e os caminhos possíveis para superarmos os desafios ambientais da atualidade.

Participam do gameshow o humorista Bruno Motta, a historiadora e ativista Keilla Vila Flor, e a ativista indígena Tukimã Pataxó.

Peça de teatro

Às 19h, para fechar a terceira edição do Festival Digital, tem participação especial do Improclube, coletivo teatral de improviso que apresentará um espetáculo autoral e interativo. Inspirado na dinâmica do clássico jogo do detetive, a peça traz para o nosso cotidiano o debate ambiental e todas as conexões com a nossa vida, de uma maneira divertida e inovadora.

Apagar das luzes

Após o encerramento da programação, às 20h20, chega a Hora do Planeta, das 20h30 às 21h30. “É importante ressaltar que a Hora do Planeta é muito mais que apagar as luzes de residências, monumentos, fachadas e prédios históricos pelo mundo. A ação realizada desde 2007 tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância de restaurar a natureza e a nossa conexão com o meio ambiente”, declara Gabriela Yamaguchi, diretora de Engajamento do WWF-Brasil.

“Nesta edição, estamos dando a voz para os jovens, os povos tradicionais, dos indígenas, das comunidades extrativistas e das populações mais fragilizadas – como as negras e periféricas, pois acreditamos que juntos podemos vencer os desafios e retrocessos ambientais do nosso país”, pontuou.

Monumentos participantes

No Brasil, entre alguns dos monumentos confirmados estão o Cristo Redentor (RJ), Chalé da Pedra (Quixadá – CE), Edifício Matarazzo (SP), Espaço UFMG do Conhecimento (MG), Fonte luminosa da Praça Ari Coelho (MS), as três sedes do Instituto Moreira Salles (RJ, SP e MG), Jardim da Prefeitura Municipal de Campo Grande (MS), MAC (RJ), Monumento aos Pioneiros (MS), Monumento de alusão ao relógio da 14 (MS), Monumento Maria Fumaça (MS), Museu das Minas e dos Metais (MG), Museu do Amanhã (RJ), Museu Histórico de Santa Catarina (SC), Obelisco (MS), Ponte Octávio Frias de Oliveira (SP), Praça Pantaneira (MS), Teatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) e Viaduto do Chá (SP).

Movimento de base 

A Hora do Planeta é o principal movimento ambiental global da rede WWF. Nascida em Sydney em 2007, a Hora do Planeta cresceu e se tornou um dos maiores movimentos de base do mundo para o meio ambiente, inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações em mais de 180 países e territórios a tomar ações ambientais tangíveis por mais de uma década.

Historicamente, a Hora do Planeta se concentrou na crise climática. Mas, recentemente, se esforçou para trazer à tona a questão premente da perda da natureza. O objetivo é criar um movimento imparável para a natureza, como aconteceu quando o mundo se uniu para enfrentar as mudanças climáticas.

A realização é do WWF-Brasil, ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas, em todo país, para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Conheça a ONG.

Arte: Divulgação/WWF Brasil

Síndrome de Down: como a literatura pode servir de instrumento para falar sobre inclusão e diversidade

Nesta segunda-feira (21/03), comemora-se o Dia Internacional da Síndrome de Down, data promovida pela Down Syndrome International e celebrada desde 2006, que tem como objetivo exaltar a vida das pessoas com Síndrome de Down e disseminar informações para promover a inclusão de todos.

A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso faz com que as pessoas com síndrome de Down tenham 47 cromossomos em suas células ao invés de 46, como a maior parte da população. De acordo com o último censo do IBGE, existem aproximadamente 300 mil pessoas com Síndrome de Down no Brasil.

E a literatura auxilia no desenvolvimento dos pequenos com síndrome de Down e na disseminação de informação. Os livros infantis são ferramentas que podem colaborar muito com o desenvolvimento de crianças com síndrome de Down, seja no acompanhamento profissional ou no dia a dia da família. O estímulo relacionado à ludicidade da literatura pode ser uma ótima forma de desenvolver os pequenos.

O hábito da leitura desperta as potencialidades das crianças com síndrome de Down, por meio de livros voltados para a estimulação de diversas áreas, como livros coloridos, lúdicos, sensoriais, interativos e que despertem o interesse. Por isso, é importante que a família introduza o hábito da leitura, desde cedo, em casa, lendo para seu pequeno, colocando-o em contato com os livros e dando a oportunidade de manuseá-los.

Além disso, livros que tratam sobre diversidade e inclusão e com protagonistas com Síndrome de Down, ajudam a introduzir o assunto com crianças e a discutir a inclusão de todas as pessoas desde a primeira infância.

Como parte do projeto da Leiturinha, um clube de livros infantis, de trazer diversidade e inclusão social para os seus conteúdos, confira abaixo livros selecionados que auxiliam neste debate:

Joca e Dado

Leituras como a de Joca e Dado são ideais para conversar com as crianças sobre inclusão. Você sabia que as personagens são inspiradas em pessoas reais? Além disso, as ilustrações do livro Original Leiturinha foram feitas por um estúdio com profissionais diversos. Dentre eles, pessoas com Síndrome de Down. Inspirador, não é mesmo? É importante conversar com as crianças sobre as infinitas possibilidades que todos nós temos como pessoas. Além disso, incentivar que a criança interaja com as atividades ao final do livro.

Yunis

Yunis é um menino com Síndrome de Down. Ele adora cozinhar. Faz doces e bolos maravilhosos e os decora com um desenho especial que virou sua marca. Todas as noites ele deixa alguns de seus deliciosos doces na porta de cada criança do seu vilarejo. Mas elas não sabem quem é o responsável por essas coisas tão gostosas e esse ato tão generoso. Elas só descobrirão depois… Yunis é uma história que promove a diversidade e a inclusão, e encoraja a gentileza e a aproximação entre as pessoas!

Não Somos Anjinho

As crianças com síndrome de Down são como qualquer outra criança! Ora estão felizes, ora estão tristes. Por vezes, são amorosas. Em outros momentos, fazem muitas travessuras! Por isso, de maneiras simples e lúdicas, o livro Não Somos Anjinhos desmente algumas crenças bastante difundidas sobre as crianças com síndrome de Down. E revela que, apesar das particularidades, elas são apenas crianças.

Alguém Muito Especial

O livro Alguém Muito Especial conta a história de Tico e China, irmãos que estão aprendendo a conviver. Isso porque, aos poucos, Tico passa a compreender seu irmão e, assim, surge uma bonita cumplicidade entre os dois!

Indicado para crianças a partir dos 8 anos de idade, Alguém Muito Especial é um livro delicado, poético e bastante sensível. Por isso, é uma ótima sugestão para falar com os jovens leitores sobre empatia e inclusão.

ONG Zoé consolida atuação na Amazônia com projeto de saúde para populações ribeirinhas do Tapajós

Médicos e profissionais de saúde da ONG paulistana Zoé realizaram duas expedições no Pará, neste mês de março. A equipe de 25 pessoas, entre médicos, residentes, acadêmicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, entre outros profissionais, dividiu-se entre a 5ª expedição no Hospital Municipal de Belterra (HMB), nos dias 5 a 12, e a 6ª expedição no barco hospital Abaré, nos dias 6 a 8.

Parte da equipe compôs a 5ª expedição, no Hospital Municipal de Belterra (HMB), para fazer consultas, cirurgias e exames de imagem (endoscopias, colonoscopias e ultrassom). E os integrantes da 6ª expedição, no barco hospital Abaré, navegaram pelo Tapajós para atender comunidades ribeirinhas, cujo acesso só é possível por meio fluvial. No Abaré foram feitas consultas de clínica geral e dermatologia e exames de ultrassonografia.

Resultados alcançados

Há diferentes maneiras de olhar e fazer um balanço das expedições. Uma delas são os números:  em apenas uma semana, 186 exames de imagem (endoscopias, colonoscopias e ultrassonografias); 57 cirurgias de hérnia, hemorroidas, fistulas, cistos; 140 consultas médicas (clínica geral e dermatologia), isso sem contar a triagem de pacientes, entre outros atendimentos.

No entanto, nada traduz melhor a importância do trabalho da ONG Zoé e de outras instituições não governamentais que atuam na área de saúde na Amazônia, como as histórias contadas pelas pessoas que foram atendidas.

Salvo de um câncer colorretal

O agricultor Francisco Pereira dos Santos, 63 anos, da comunidade de Santo Antônio, veio ao HMB para realizar uma colonoscopia e lembra emocionado quando realizou, há cinco anos, pela primeira vez, o exame com o médico Marcelo Averbach, um dos fundadores da Zoé, e foi diagnosticado com um câncer colorretal. Era o ano de 2017 e Averbach atuava na região desde 2014, antes da criação da Zoé, em um estudo que rastreou câncer colorretal em Belterra e arredores, em pessoas entre 50 e 70 anos.  

“Eu não queria ir. Fui por insistência da agente de saúde da comunidade, mas o exame salvou minha vida. Eu tinha um câncer de intestino e fui encaminhado para fazer cirurgia no Hospital Regional de Santarém. Hoje fiz novamente a colonoscopia e não tenho mais câncer”, celebra Francisco. Como explica Averbach, o agricultor foi uma das pessoas que fez parte de seu estudo de rastreamento de câncer colorretal, selecionado na pré-triagem da 5ª expedição para reavaliação.

Emoções não planejadas

Assim como os pacientes atendidos nas expedições, os profissionais da ONG também se emocionaram em diversas situações. Muitas das pessoas atendidas estavam anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) que, apesar de constituir um modelo de referência não consegue dar vazão à demanda de regiões como as atendidas pela Zoé, entre outros motivos, pela falta de médicos.

O médico endoscopista e presidente da Zoé, Marco Aurélio D’Assunção, estava em atendimento no HMB, quando foi questionado por uma das enfermeiras do hospital se poderia avaliar uma emergência. “Era um homem de 43 anos que havia desmaiado em casa. Chegou ao hospital muito pálido, com pressão arterial baixa e informou que as fezes estavam com coloração escura”, lembrou o médico endoscopista. A primeira medida foi estabilizar o paciente. Depois, a endoscopia mostrou um sangramento importante que foi controlado.

“Como temos em nossa equipe endoscopistas e anestesistas muito experientes, foi possível tratar o paciente para que ele pudesse ser transferido com segurança para o Hospital Regional de Santarém. Sem isso, ele poderia ir a óbito no caminho. Nossa presença com os recursos que levamos naquele momento salvou a vida dele e deixou a equipe feliz e emocionada”, afirmou.

Coordenador das cirurgias realizadas no HMB durante a expedição, o médico voluntário da Zoé Pedro Popoutchi destacou o caso de um paciente que veio ao hospital para fazer uma endoscopia digestiva alta. “A equipe da endoscopia observou que ele tinha uma lesão no dedo do pé, causada por uma raia, fato comum na região. O paciente relatou que estava há 20 dias com o dedo machucado e demonstrou não ter consciência da gravidade da situação”, informou Popoutchi.

Examinado pela equipe da Zoé, a conclusão foi que a lesão infectada já estava obstruindo uma artéria e impedindo a circulação sanguínea no pé. O paciente passou por uma cirurgia para remover a infecção e reestabelecer a circulação. “Se ele não tivesse vindo para fazer a endoscopia, o quadro teria se agravado, com risco de amputação. Além disso, fizemos aqui em Belterra um procedimento que ele só poderia fazer no hospital em Santarém”, disse.

No Abaré, Dona Julia e outras histórias

O Abaré, por sua vez, atracou nas comunidades de Maripá, Pedra Branca e Vila Amorim. Antes disso, agentes de saúde locais, em parceria com a Zoé, cumpriram a importante missão de informar às comunidades sobre as datas e os atendimentos. Vieram ribeirinhos e indígenas dessas comunidades e dos arredores.

No entanto, Dona Julia Alves, 79, cadeirante, não tinha como fazer o breve trajeto de barco entre sua casa e o local onde estava o Abaré, em Maripá, mas não ficou sem atendimento. O médico cirurgião geral e vascular Fábio Tozzi, um dos fundadores da Zoé, acompanhado do agente comunitário de saúde, foi até a casa de Dona Julia. Depois do exame clínico, ele considerou ser importante realizar um ultrassom. Para isso, a equipe da Zoé fez novo deslocamento à casa da paciente, levando um ultrassom portátil para o exame.

Também no Abaré, o médico radiologista intervencionista Márcio Meira, voluntário da Zoé, realizou exames de ultrassom, entre outros pacientes, em mulheres grávidas, como Elizane Cardoso, 31, em sua quarta gestação. “É a primeira vez que faço este exame, fiquei sabendo que é um menino e está tudo bem”, disse. Infelizmente, o recurso que deu segurança à Elizane não estava presente na vida de outra família, com a qual Márcio teve contato na expedição.

“Conheci aqui um bebê de 9 meses, que é criado pelo pai e a tia porque a mãe morreu no parto. Foram oito partos naturais sem qualquer problema, feitos em casa, mas no 9º filho, certamente um pré-natal, exames como o ultrassom e a presença de um médico poderiam ter salvado a vida da mãe”, lamentou Márcio,

A Zoé

Nascida em São Paulo (SP), no final de 2019, a Zoé tem entre seus fundadores, médicos – como, Fábio Atuí (cirurgião do aparelho digestivo), Fábio Tozzi (cirurgião geral e vascular), Marcelo Averbach (cirurgião e colonoscopista), Marco Aurélio D’Assunção (endoscopista), Paulo Chapchap (cirurgião infantil) – e não médicos, como o administrador de empresas Plínio Averbach.  

A decisão de fundar a Zoé foi motivada por experiências anteriores dos médicos na Amazônia e o desejo de dar continuidade ao trabalho de contribuir para melhorar o atendimento à saúde dessas populações.

FAO discute o papel das florestas na garantia de produção e consumo sustentáveis

Neste Dia Internacional das Florestas 2022 – 21 de março, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), juntamente com a União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) e o Congresso Mundial da IUFRO 2024|Universidade Sueca de Ciências Agrárias (SLU), realizam um painel de discussão de alto nível para celebrar a data mundial sob o tema “Inspire para o futuro: o​​ papel das florestas na garantia de produção e consumo sustentáveis”. 

O evento acontece nesta segunda-feira (21/03), das 8h às 11h (Hora de Brasília), on-line e no Pavilhão Sueco, The Forest, na Expo 2020, em Dubai, com tradução será fornecida em árabe, chinês, inglês, francês, espanhol e russo. A inscrições podem ser feitas no aqui.

Atualmente, o mundo enfrenta desafios sem precedentes, sendo as mudanças climáticas uma das mais prementes de todas. Esses desafios ameaçam o bem-estar das pessoas e da natureza e exigem ação imediata para desenvolver soluções inovadoras e criativas, que coloquem o mundo no caminho da paz e da prosperidade em um planeta saudável.  

Neste evento, serão discutidas como as inovações de base florestal, eficiência de recursos, produtos de base florestal e serviços ecossistêmicos podem contribuir para um estilo de vida sustentável e acelerar uma mudança para um consumo e produção mais sustentáveis. Esses esforços ajudam a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, saúde, bem-estar e uma transição para economias verdes e de baixo carbono. 

Segurança alimentar

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para derrotar a fome. Nosso objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de alta qualidade suficientes para levar uma vida ativa e saudável. 

O Programa Florestal da FAO supervisiona mais de 230 projetos em 82 países, com um orçamento total disponível de US$ 246 milhões (a partir de 2019). A FAO é orientada em seu trabalho técnico florestal pelo Comitê Florestal (COFO) e seis comissões florestais regionais.

Desenvolvimento Sustentável

A União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) é uma organização mundial dedicada à pesquisa florestal e ciências relacionadas. Seus membros são instituições de pesquisa, universidades e cientistas individuais, bem como autoridades decisórias e outras partes interessadas com foco em florestas e árvores. A IUFRO visa contribuir para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas.  

Congresso Mundial da IUFRO 2024|SLU

A Universidade Sueca de Ciências Agrárias (SLU) é uma agência governamental e universidade internacional de classe mundial com pesquisa, educação e avaliação ambiental dentro das ciências para a vida sustentável. A SLU realiza educação, pesquisa e monitoramento e avaliação ambiental em colaboração com a sociedade em geral. A SLU é a organização anfitriã da Suécia do Congresso Mundial da IUFRO 2024, de 23 a 29 de junho em Estocolmo, em colaboração com a IUFRO e os países parceiros nórdicos e bálticos.  

Especialista destaca atendimento de populações ribeirinhas do rio Tapajós na prevenção de câncer colorretal

O médico cirurgião e colonoscopista Marcelo Averbach, um dos fundadores da ONG paulistana Zoé, fala da 5ª expedição em prol da vida das populações ribeirinhas do rio Tapajós, no Hospital Municipal de Belterra (HMB), no Pará, realizada de 5 a 12 de março. Dessa vez, o principal foco da ação foi relacionado ao Março Azul – mês de conscientização sobre o câncer colorretal (intestino grosso e reto).

Com 25 médicos voluntários que atuarão nas especialidades de colonoscopia – relacionada ao câncer colorretal –, além de endoscopia, anestesia e cirurgia e, também, acadêmicos de medicina e profissionais de enfermagem, a expedição da Zoé deu continuidade ao atendimento realizado anteriormente, por meio do estudo de rastreamento de câncer colorretal, liderado pelo médico Marcelo Averbach, entre 2014 e 2017, quando foram submetidos ao rastreamento os moradores de Belterra, na faixa etária entre 50 e 70 anos.

Foram realizados serviços de reavaliação dos pacientes que participaram do estudo e tiveram o diagnóstico de pólipos avançados ou apresentaram sintomas. Depois da avaliação, pacientes que necessitarem de tratamento oncológico serão encaminhados para o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém (PA).

Tremores no corpo: Quando procurar o médico?

O tremor é um movimento involuntário, oscilatório e rítmico que costuma surgir em diferentes situações, podendo ser fisiológico, com uma reação ao frio, psicológico, como em situações de estresse e ansiedade, ou patológico, quando está associado a algumas enfermidades, como a Doença de Parkinson, o diabetes, o AVC, o hipertireoidismo, entre outros casos.

“Esse tipo de sintoma precisa ser investigado, principalmente quando passa a ocorrer com frequência, prejudicando a saúde e a qualidade de vida do paciente. Dependendo da análise clínica, podemos entender a gravidade do tremor e tratá-lo”, esclarece o neurocirurgião Marcelo Valadares, da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.

Ainda de acordo com o médico, existem tipos diferentes de tremores que podem acometer as pessoas em estado de repouso ou em movimento, sendo que a maioria envolve mãos, braços e, menos frequentemente, cabeça, face, tronco, pernas e cordas vocais. Para entender melhor quando o tremor é um sinal de alerta de algo mais complexo, o médico esclarece abaixo a origem deles.

Reação ao frio

Está na lista dos tremores mais comuns e acontece porque a queda na temperatura faz com que os músculos se contraiam rapidamente. É uma forma que o corpo encontra para manter-se aquecido: com uma contração involuntária que garante a produção de calor. Para contornar a situação, basta proteger-se do frio.

Em casos graves, pode ocorrer uma situação crítica, chamada de hipotermia (quando a temperatura do organismo cai para menos de 35°C). Além dos tremores, outros sintomas estão associados, como a redução no batimento cardíaco, comprometimento da função renal, entre outras consequências, que podem levar até mesmo à morte.

Estresse, medo ou ansiedade

O organismo encara esses momentos de tensão e se prepara para uma reação de ataque. Uma série de hormônios estimulantes são liberados para manter a pessoa em alerta, como a adrenalina. Tais substâncias também levam à contração muscular involuntária que causa tremores, espasmos ou dores. Uma forma de controlar o estresse é recorrer a atividades que ajudam a manter a calma e a concentração, como meditação, yoga, exercícios físicos, entre outras tarefas prazerosas.

Doença neurodegenerativa

Um dos principais sintomas da Doenças de Parkinson é o tremor, notado quando o paciente está em repouso. Neste caso, costuma acometer primeiramente as mãos e, normalmente, começa de um lado do corpo, afetando depois o outro. Grande parte desses tremores podem ser controlados com medicações. Porém, quando o tratamento com remédios não é eficaz, existem outras formas seguras de controle.

Chamada de DBS (do inglês, deep brain stimulation), a estimulação profunda do cérebro consiste na implantação de um dispositivo médico cirurgicamente, semelhante a um marca-passo cardíaco, que leva ao controle desse tipo de movimento involuntário.

Tremor essencial

Confundido erroneamente com o Parkinson, o tremor essencial afeta 1 em cada 20 pessoas com mais de 40 anos, e uma em cada 5 com mais de 65 anos. Embora não seja um risco à saúde, a doença pode ser debilitante, impedindo que o paciente realize atividades básicas do dia a dia, como comer ou amarrar os sapatos, por exemplo.

Muitas pessoas reclamam do incômodo causado pela constante observação por parte de outras, que sempre questionam por que o paciente está tremendo em situações normais do dia a dia, como o trabalho. As causas do tremor essencial ainda são desconhecidas, mas a desordem pode aparecer na juventude, agravando-se com a idade. A estimulação cerebral profunda costuma ser indicada para esses casos também.

Medicamentos e outras substâncias

As medicações que interferem no sistema nervoso podem ter os tremores como efeito colateral, como alguns antidepressivos e ansiolíticos. Os broncodiladores, para controle da asma, também levam a tremores. A situação pode ser contornada com a substituição das terapias, sempre com indicação médica. Quem sofre de alcoolismo também costuma apresentar tremores em crises de abstinência. Em casos de overdose de determinadas drogas ilícitas e intoxicações, o tremor também pode ocorrer, como em situações de uso de cocaína e crack.

Outras doenças

O tremor também pode ser indício de doenças, como por exemplo, o hipertireoidismo, quando há excesso de hormônio da glândula tireoide no organismo, diabetes (queda na glicemia), esclerose múltipla, doenças hepáticas e consequência de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Na dúvida, o ideal é procurar ajuda médica o quanto antes possível para que seja feito o diagnóstico e indicado o tratamento.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Marcelo_Valadares_alta_2-683x1024.jpgDr. Marcelo Valadares é médico neurocirurgião da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.
A Neurocirurgia Funcional é a sua principal área de atuação. O especialista também é fundador e diretor do Grupo de Tratamento de Dor de Campinas, que possui uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.
No setor público, recriou a divisão de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, dando início à esperada cirurgia DBS (Deep Brain Stimulation — Estimulação Cerebral Profunda) naquela instituição. Estabeleceu linhas de pesquisa e abriu o Ambulatório de Atenção à Dor afiliado à Neurologia. 

Dia Mundial das Doenças Raras (DR): uma data para celebrar os avanços e conscientizar a sociedade

É fundamental orientar a população sobre o Teste do Pezinho Ampliado e sua importância para o diagnóstico de dezenas de doenças raras

Dr. Antonio Condino Neto *

No dia 28 de fevereiro, celebramos o Dia Mundial das Doenças Raras (DR), lembrado todos os anos no último dia de fevereiro. É uma data fundamental para conscientizar a sociedade sobre a importância da detecção de doenças graves, especialmente os pais de bebês recém-nascidos, que devem sempre ser orientados a fazer a Triagem Neonatal em seus filhos. O Teste do Pezinho é essencial na detecção precoce de dezenas de doenças graves e raras, a fim de evitar o desenvolvimento de sintomas e complicações severas na saúde do bebê.

Com a sanção, em maio de 2021, da Lei 14.154/21, que amplia o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) em todo o território nacional, é imprescindível que as informações relativas a esse tema se estendam à população em geral, além da comunidade médica e demais profissionais da saúde. Essa conquista só foi possível graças aos avanços da ciência, que nos possibilitam oferecer o Teste do Pezinho Ampliado, que atualmente detecta pelo menos 50 doenças.

Protagonistas nesta luta, nós do Instituto Jô Clemente (IJC **) implementamos o Teste do Pezinho no Brasil em 1976 e, desde 2001, somos um Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) credenciado pelo Ministério da Saúde, tendo sido um dos principais responsáveis pelo surgimento das leis que obrigam e regulamentam essa atividade no país. Atualmente, somos responsáveis pela realização da triagem de 80% dos bebês nascidos na capital paulista e 67% dos recém-nascidos do Estado de São Paulo. O nosso laboratório é o maior do Brasil em número de exames realizados e já triamos mais de 17 milhões de crianças brasileiras.

Esses avanços recentes são muito importantes para a saúde pública. Afinal, quanto mais doenças raras a Triagem Neonatal puder detectar, melhor para a saúde do bebê. E em tempos de pandemia, mais do que nunca, é necessário que os bebês tenham acesso a exames mais completos, para evitarmos sequelas e problemas sérios de saúde na criança.

Além da questão mais importante, que é a saúde do bebê, o Teste do Pezinho Ampliado deve ser visto como um investimento em saúde pública. Um grande exemplo disso é um estudo apresentado por nós e aprovado pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrando que uma criança triada, tratada e curada de Imunodeficiência Combinada Severa (SCID) – um dos Erros Inatos da Imunidade – até os três meses de idade representa à medicina privada cerca de R$ 1 milhão em decorrência de todos os procedimentos adotados, que incluem transplante de medula óssea e acompanhamento clínico. Entretanto, se não houver a triagem e, consequentemente, a intervenção clínica adequada, esse custo pode chegar a R$ 4 milhões e com grandes chances de o bebê ir a óbito antes de um ano de vida. São duas doenças graves em que a criança nasce sem o sistema imunológico completamente formado e fica suscetível a diversas enfermidades, podendo ir a óbito se não houver o diagnóstico e a intervenção precoce.

Por isso, precisamos aproveitar datas como essa para conscientizar a população e reforçar que o Teste do Pezinho é capaz de diagnosticar precocemente doenças raras cujas sequelas são muito graves. Ao ampliar a oferta de exames, permitimos que mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce e tratamento adequado a tempo de evitar essas sequelas. Quando pensamos em doenças raras, imaginamos que são condições que quase ninguém desenvolve, mas precisamos promover a medicina preventiva, até mesmo para termos um cenário mais concreto da incidência de cada uma das doenças consideradas como raras.

Essa deve ser uma luta constante. A Triagem Neonatal precisa continuar sendo ampliada com o tempo, incluindo mais doenças possíveis de serem detectadas nos primeiros dias de vida da criança. Afinal, o Teste do Pezinho é um direito do bebê. E o diagnóstico precoce, em conjunto com o tratamento especializado, significa melhor qualidade de vida.

* O Dr. Antonio Condino Neto é imunologista e consultor no laboratório do Instituto Jô Clemente (IJC).

** O Instituto Jô Clemente (IJC), antiga Apae de São Paulo, é uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que há mais de 60 anos promove saúde e qualidade de vida às pessoas com deficiência intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e doenças raras (DR), além de apoiar a sua inclusão social e a defesa de seus direitos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 5080-7000 ou pelo Site do IJC.

Foto:Divulgação

Especialista aponta sete dicas para se maquiar sem comprometer a saúde ocular

Mesmo sem aglomerar, muita gente aproveita a época de Carnaval para arrasar na maquiagem. Na opinião do médico oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP), a maior parte dos problemas seria evitada se a pessoa reservasse um tempo adequado, bem como um ambiente calmo e bem iluminado, para fazer a maquiagem.

“Um dos erros mais comuns que a gente vê, diariamente, é a mulher se maquiar enquanto dirige, a caminho do trabalho ou até mesmo de uma festa. Além de aumentar as chances de um acidente de trânsito, a instabilidade do momento pode favorecer, por exemplo, que o lápis ou ainda o aplicador de rímel atinja a córnea”, alerta o médico, ao  recomendar que o ideal, neste caso, seria reservar 15 minutos antes de sair de casa para se arrumar do jeito que achar oportuno.
 

Arranhar a córnea é um dos problemas mais recorrentes e preocupantes durante a maquiagem, já que a escoriação pode evoluir para uma infecção e colocar em xeque a visão do paciente. Neves também chama atenção para um tipo de conjuntivite relacionado a produtos de beleza que não são armazenados da maneira correta ou que já passaram do prazo de validade.

“A maioria dos itens de maquiagem para os olhos contém substâncias que evitam a proliferação de bactérias. Além dos cuidados no manuseio, armazenamento e tempo de uso, vale ressaltar que maquiagem de qualidade inferior, sem selo de qualidade ou aprovação dos órgãos responsáveis pela fiscalização, contribui bastante para o surgimento de problemas oculares”, enfatiza o oftalmologista.

Renato Neves acrescenta que, se até mesmo produtos dermatologicamente testados e aprovados podem desencadear reações alérgicas, causando vermelhidão, irritação, inchaço e até mesmo infecção, imagine o risco de se usar um produto de origem duvidosa.

Confira as dicas do médico Renato Neves para se maquiar com segurança

Reserve tempo para se maquiar – “A maquiagem mais básica possível inclui produtos para a região dos olhos, seja lápis, rímel ou sombra (ou todos juntos). Sendo assim, é importante dedicar alguns minutos, antes de sair de casa, para se maquiar num ambiente bem iluminado; e prestar atenção na hora de aplicar lápis ou delineador. O uso deve ser externo, jamais na parte interna do olho”.

Todo cuidado é pouco com glitter e purpurina – “A maquiagem de Carnaval, que costuma ser mais elaborada e trazer muito brilho, requer cuidado dobrado para que nenhuma partícula, inadvertidamente, atinja a parte interna do olho. A festa sempre acaba mais cedo para quem se descuida e o glitter acaba arranhando a córnea. Nestes casos, é fundamental procurar um serviço de pronto-atendimento em oftalmologia”.

Lentes de contato e maquiagem não combinam“Usuários de lentes de contato são bem mais suscetíveis a problemas oculares relacionados ao uso de maquiagem. Isto porque alguns produtos podem acidentalmente entrar em contato com a lente e contaminá-la – podendo causar até mesmo uma infecção. Sendo assim, uma escolha se faz necessária: ou a maquiagem pesada nos olhos, ou as lentes”.

Maquiagem não deve ser compartilhada“Até mesmo quem costuma recorrer a um salão de beleza para fazer cabelo e make-up de forma profissional deveria carregar consigo seus próprios itens de maquiagem, principalmente aqueles usados nos olhos. Esse cuidado é fundamental para evitar contaminação por bactérias. Nem mesmo entre amigas ou irmãs esse hábito deve ser estimulado”.

Substitua produtos duas ou três vezes ao ano – “Tudo o que é utilizado na maquiagem dos olhos deve ser substituído a cada quatro meses, no máximo seis. Isto porque, com o uso, as características do produto vão se modificando e aumentam as chances de contaminação. O ideal, então, é não esperar que o rímel comece a apresentar grumos ou forte odor para só então descartá-lo. A essa altura, os riscos já são consideráveis. Também é fundamental descartar a maquiagem logo depois de uma infecção ocular, a fim de evitar que as bactérias se espalhem e continuem a representar um risco para a saúde ocular”.

Cílios postiços devem ser retirados no fim da festa“A curvatura dos cílios é naturalmente programada para que eles se toquem, durante mais de 20 mil piscadas diárias, sem que um interfira no outro. Quando os cílios são obrigados a ‘suportar’ o peso dos fios artificiais, isso faz com que eles se toquem de forma diferente, podendo grudar, entortar e até arranhar a visão. Há também o risco de uma conjuntivite química e inclusive de lesões de gravidade variável em função do contato com a cola utilizada. Sendo assim, nada de passar o dia inteiro de cílios postiços e muito menos dormir com eles. Eles podem ser usados com cautela para ir a uma festa e devem ser retirados logo depois”.

Não durma de maquiagem! – “Independentemente das circunstâncias, ir para cama maquiada com lápis, rímel e sombra – mesmo que se tenha investido muito tempo para fazer os tais olhos esfumados – aumenta as chances de problemas oculares. Os olhos são extremamente sensíveis e não é raro que, no contato com o travesseiro, a maquiagem acabe entrando em contato com a parte interna da pálpebra ou ainda com a córnea, podendo no mínimo causar uma irritação”.

Foto: Divulgação

Cálculo renal: Uma a cada 10 pessoas no Brasil sofre com a alteração

Estimativa recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aponta que uma a cada 10 pessoas, no Brasil, sofre de cálculo renal, alteração que, se não tratada a tempo e de forma correta, pode levar a problemas mais graves, como redução da função renal e até deterioração dos rins. “Em casos mais extremos, pode haver a indicação da nefrectomia (retirada total ou parcial do órgão)”, alerta o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo.

Doutor em saúde coletiva e membro da SBU, Figliuolo destaca que o cálculo renal, mais conhecido como pedra nos rins, é uma alteração que tem como fatores de risco a obesidade, dietas ricas em sal e gordura animal, predisposição genética associada à doença, clima muito quente (como é o caso da maioria dos estados da região Norte), além da baixa ingestão de líquidos. A alteração atinge três vezes mais homens que mulheres, e mais comum entre 20 e 40 anos de idade.

“No período de verão, que se aproxima no Amazonas, pode haver um aumento de até 30% nos casos de cálculos renais, em decorrência da baixa ingestão de líquido somada à alimentação inadequada e rica em sal”, explicou. O ideal, segundo o médico, é ingerir cerca de três litros de água ao dia, de forma fracionada. Isso ajuda a eliminar o sal que é ingerido durante as refeições, evitando que ele fique acumulado nos rins, formando cristais que podem evoluir para cálculos.

O especialista explica que a presença dos cálculos renais nem sempre é notada. Em geral, os sinais só aparecem quando eles têm um tamanho significativo ou estão localizados em áreas muito específicas, como a uretra, atrapalhando a passagem da urina. “Nas duas situações, pode ocasionar fortes dores e incômodos frequentes, que acabam atrapalhando nas atividades cotidianas e provocando problemas secundários”, frisou.

Por isso, Figliuolo alerta que, dores nas costas, dor ou incômodo ao urinar, sangue na urina, infecção urinária de repetição, vômitos e febre, diminuição do fluxo urinário, além do aumento da frequência urinária com eliminação de pequenas quantidades de líquido, requerem uma visita ao urologista para avaliação.

Diagnóstico e tratamento

“O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica por médico especialista, com o suporte de exames de apoio, como os de imagem. Os mais usados são: ultrassonografia de abdome, tomografia computadorizada do trato urinário e, em casos mais críticos, até ressonância magnética”, explicou Figliuolo. E o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.

“Hoje em dia, contamos com técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como as cirurgias laparoscópicas por vídeo, nefrolitotripsia extracorpórea (utilização de ondas de choque para quebrar as pedras e ajudar a serem expelidas), cirurgia endoscópica (que suga o cálculo, proporcionando menos efeitos colaterais e promovendo rápida recuperação), entre outros”, completou o especialista.

Figliuolo faz um alerta especial às gestantes, que têm mais probabilidade de desenvolver o problema. “É importante que as gestantes não deixem de consumir líquidos como água, sucos cítricos naturais e façam o pré-natal seguindo todas as orientações. O cálculo renal na gravidez eleva os riscos de partos prematuros. Por isso, todo cuidado é pouco”, concluiu.

Foto: Divulgação

Março azul: Populações ribeirinhas do rio Tapajós recebem ação de prevenção de câncer colorretal

Voluntários da ONG paulistana Zoé estarão no Hospital Municipal de Belterra (HMB), no Pará, de 5 a 12 de março, em sua 5ª expedição em prol da vida das populações ribeirinhas do rio Tapajós. Dessa vez, o principal foco da ação está relacionado ao Março Azul – mês de conscientização sobre o câncer colorretal (intestino grosso e reto). Serão 25 médicos voluntários que atuarão nas especialidades de colonoscopia – relacionada ao câncer colorretal –, além de endoscopia, anestesia e cirurgia. Também participam acadêmicos de medicina e profissionais de enfermagem.

No Brasil, o câncer colorretal é o segundo tumor maligno em incidência na população feminina e masculina, excluindo o câncer de pele não melanoma, atrás apenas, respectivamente, dos cânceres de próstata e mama. São 41 mil novos casos previstos para 2022, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Na região Norte do país, o Pará é o que apresenta maior incidência de câncer colorretal, com 560 novos casos previstos para este ano, número bem superior aos demais estados: Acre, 50 novos casos; Amapá, 20; Amazonas, 210; Rondônia, 130; Roraima, 30; Tocantins, 170.

Os números corroboram o cenário revelado pelo estudo de rastreamento de câncer colorretal liderado pelo médico cirurgião e colonoscopista Marcelo Averbach, um dos fundadores da Zoé, entre 2014 e 2017, antes da criação oficial da ONG. Nesse período, foram submetidos ao rastreamento os moradores de Belterra, na faixa etária entre 50 e 70 anos. “O levantamento mostrou incidência elevada de câncer colorretal e de adenomas de alto grau que são lesões que antecedem o câncer”, disse o médico.

A atual expedição da Zoé dá continuidade a esse atendimento, com a reavaliação dos pacientes que participaram do estudo e tiveram o diagnóstico de pólipos avançados ou apresentaram sintomas. Depois da avaliação, pacientes que necessitarem de tratamento oncológico serão encaminhados para o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém (PA).

Dona Marina, uma das moradoras de Belterra, beneficiada pelas ações da ONG Zoé (Foto: Solange Macedo/SM2)

Um câncer evitável

Apesar da alta incidência, o câncer colorretal pode ser evitado. Isso porque a doença tem início com uma lesão pequena e não maligna nas paredes do intestino. O exame de colonoscopia é capaz de identificar as lesões com potencial de malignidade e removê-las, evitando um futuro câncer.

Outra medida importante no combate ao câncer colorretal é a prevenção. Nesse contexto, uma das a recomendações é adotar uma alimentação que inclua o consumo de frutas e hortaliças; evitar o consumo de alimentos processados e de bebidas alcoólicas, refrigerantes e outras bebidas açucaradas. Excesso de carne vermelha e alimentos calóricos e/ou gordurosos também aumentam o risco para a doença, assim como sedentarismo, obesidade e tabagismo. O desenvolvimento de câncer colorretal por fatores de hereditariedade representa entre 5% e 10% dos casos.

A importância da endoscopia

No total, deverão ser atendidos durante a expedição da Zoé cerca de 200 pacientes no HMB. Além de 60 colonoscopias, serão realizadas 100 endoscopias digestivas altas, 20 cirurgias proctológicas e 20 cirurgias de hérnia. “Também vamos atender pacientes que foram submetidos à cirurgia de hérnia e endoscopias na expedição realizada no final do ano passado e que, de acordo com avaliação previamente realizada, necessitam de acompanhamento”, informa o médico cirurgião do aparelho digestivo, Fábio Atuí, um dos fundadores da Zoé.

Marco Aurélio D’Assunção, médico endoscopista e presidente da Zoé, explica que entre os pacientes que serão submetidos ao exame de endoscopia de controle, estão os que foram diagnosticados e tratados de Helicobacter pylori. Essa bactéria é o principal fator de risco para câncer de estômago e o Pará ocupa a liderança na incidência de novos casos dessa doença oncológica, com 860 novos casos previstos para este ano, de acordo com estimativas do Inca. Para os demais estados a estimativa é bem inferior: Acre, 90 casos; Amapá, 80; Amazonas, 380, Rondônia, 120; Roraima, 30; e Tocantins, 100.

Nesse cenário, o exame de endoscopia é muito importante, entre outros fatores, porque, em alguns casos, é possível durante o exame remover cânceres em estágios iniciais ou colher amostras de lesões suspeitas que são encaminhadas para análise (biópsia), com objetivo de confirmar ou não o diagnóstico de doença oncológica.

Médicos da Zoé realizam cirurgia no Hospital Municipal de Belterra, em uma das expedições da ONG (Foto: Solange Macedo/SM2)

Tecnologia de ponta

Os pacientes, além da expertise dos médicos que participam da expedição, serão beneficiados pela tecnologia. Entre os recursos que a Zoé leva para Belterra, estão um bisturi elétrico de última geração, um equipamento de endoscopia com recursos de inteligência artificial e instrumental específico para cirurgia proctológica.

Ação tem apoio da Sobed e SBCP

A 5ª expedição da Zoé conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e da Sociedade Brasileira de Colocoproctologia (SBCP). Fazem parte da expedição o presidente da Sobed, Ricardo Dib, e o vice-presidente, Herberth Toledo; e o presidente da SBCP, Eduardo de Paula Vieira. A Sobed e a SBCP são sociedades que representam especialidades médicas relacionadas ao câncer colorretal e, assim como a Zoé, estão engajadas no movimento de conscientização sobre essa doença oncológica.

“O Março Azul é um alerta nacional para mobilizar os profissionais de saúde e a população brasileira sobre a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer colorretal. E estamos confiantes de que essa força-tarefa será um sucesso”, destacou o presidente da Sobed.

“Ações como essa da qual participaremos em Belterra são de extrema importância para que populações remotas tenham acesso a exames essenciais no diagnóstico e prevenção de doenças como o câncer colorretal“, complementou o presidente da SBCP.

Fotos: Solange Macedo/SM2