Manaus participa de novo estudo fase 3 de antiviral que avalia potencial contra transmissão da Covid-19

O novo estudo na Fase 3 MOVe-AHEAD (MK-4482-013) do antiviral oral experimental molnupiravir, da farmacêutica americana MSD (Merck Sharp & Dohme, ou Merck & Co. nos Estados Unidos), como profilaxia pós-exposição para evitar a transmissão da Covid-19 em pessoas que moram com indivíduos recentemente diagnosticados com a doença, será realizado simultaneamente em diversos países e, no Brasil, incluirá a capital do Amazonas, Manaus, e mais seis cidades.

O molnupiravir será testado também em São Paulo (na Capital e em São José do Rio Preto, no interior do Estado), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Ijuí (RS), e Campo Grande (MS). Mais informações de como participar podem ser obtidas em http://msd.com.br/estudo013/.

O medicamento, que está sendo desenvolvido pela MSD em colaboração com a Ridgeback Biotherapeutics, atua impedindo a replicação do vírus e tem potencial de ação em diversos vírus RNA, incluindo o SARS-CoV-2.

Recentemente, a MSD divulgou os resultados interinos de Fase 3 do estudo MOVe-OUT (MK-4482-002), no qual molnupiravir foi usado como tratamento nos primeiros cinco dias de sintomas e demonstrou redução de aproximadamente 50% do risco de hospitalização ou morte em pacientes adultos não hospitalizados com Covid-19 leve a moderado.

“Como a pandemia continua a evoluir com novas variantes e, surtos estão sendo relatados em muitos lugares ao redor do mundo, é importante que investiguemos novas maneiras de prevenir que indivíduos expostos ao vírus desenvolvam a doença”, afirma Luis Filipe Delgado, diretor de Pesquisa Clínica da MSD Brasil. “Se for comprovada sua eficácia e segurança, molnupiravir pode fornecer uma opção adicional importante para reduzir o impacto da Covid-19 em nossa sociedade”, completa.

Ainda segundo o médico, as vacinas são essenciais na prevenção e, se for bem-sucedido, molnupiravir tem o potencial de ser utilizado como profilaxia pós-exposição, auxiliando no combate à pandemia.

Estudo Clínico

O estudo incluirá voluntários que tenham, no mínimo, 18 anos e que não tenham tomado a vacina contra Covid-19 ou tenham recebido apenas uma dose do imunizante nos últimos seis dias. Também precisam morar com uma pessoa que tenha testado positivo para Covid-19 e apresente pelo menos um sintoma da doença como febre, tosse ou perda do paladar ou do olfato e não pode estar hospitalizada, além de outros critérios específicos exigidos no protocolo de pesquisa.

O ensaio envolverá mais de 1.300 participantes ao redor do mundo que serão randomizados para receber molnupiravir (800 mg) ou placebo por via oral a cada 12 horas por cinco dias.

Com 130 anos, a MSD está presente no Brasil desde 1952, com divisões de Saúde Humana, Saúde Animal e Pesquisa Clínica. Além do Brasil, o estudo clínico também está sendo conduzido em países como Argentina, Colômbia, França, Guatemala, Hungria, Japão, México, Peru, Filipinas, Romênia, Rússia, África do Sul, Espanha, Turquia, Ucrânia e Estados Unidos.

Metodologia

Atualmente a classe científica considera padrão-ouro estudos clínicos com algumas características que os tornam mais confiáveis e precisos. E o Estudo clínico global que acaba de iniciar é multicêntrico, duplo-cego, randomizado, controlado por placebo.

Um estudo multicêntrico ocorre de forma simultânea, por meio de um mesmo protocolo, em diversas instituições. Considerado capaz de abranger uma maior diversidade da população, sendo assim, aumentar a representatividade da amostra do estudo e, consequentemente, conferir um maior “poder”, já que seus resultados podem ser aplicáveis à população em geral.

O ensaio clínico randomizado é o tipo de estudo experimental mais frequentemente usado em pesquisa clínica. Os pacientes são alocados aleatoriamente para diferentes grupos dentro da pesquisa. Esse tipo de estudo é o padrão-ouro para determinação de eficácia de um medicamento ou vacinas.

O método duplo-cego, ou dupla ocultação, ocorre quando nem o paciente e nem o pesquisador sabem se receberam o medicamento ou placebo. O mascaramento (duplo-cego) é um dos princípios fundamentais para se evitar o viés na pesquisa, já que tanto pesquisadores como participantes podem ter noções preconcebidas, assim como esperanças e expectativas de que novas intervenções sejam mais benéficas que as antigas ou que o placebo.

Quanto ao termo controlado por placebo, significa que um grupo (de intervenção) vai receber o tratamento que se quer testar e o outro (controle) receberá placebo, para avaliar a segurança e eficácia da terapia em estudo.

A MSD está em contato com órgãos técnicos competentes para definir, caso os resultados de segurança e eficácia se confirmem, a melhor forma de acesso à população. O modelo de distribuição está sendo estudado e ainda não foi definido.

Para obter mais informações sobre os dois ensaios clínicos de molnupiravir, visite https://www.clinicaltrials.gov: estudo MOVe-OUT (MK-4482-002) – NCT04575597 e estudo MOVe-AHEAD (MK-4482-013) – NCT04939428 0

Foto: Pixabay (Reprodução)

Desenvolvimento sustentável: Manaus é a 11ª entre as capitais em ranking inédito da ONU

A poucos dias de completar 352 anos, no dia 24 de outubro, a cidade de Manaus aparece na 11ª posição entre as 26 capitais estaduais do estudo elaborado com base no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), o que mostra que a capital do Amazonas ainda tem grandes desafios a superar para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030, estando distante das metas estabelecidas em nove dos 17 ODS.

No ranking geral do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), que computou e analisou os dados de 770 municípios de todo o país, Manaus encontra-se na 260ª posição, com pontuação média de 57,60 considerando todos os objetivos a serem atingidos. Quanto mais próximo de 100, mais perto de alcançar as metas preconizadas pela ONU.

A cidade registra nove ODS assinalados na cor vermelha, nível mais baixo do índice, sendo que os objetivos situados no patamar inferior da tabela estão os de número 2 – Fome zero e agricultura sustentável (42,3 pontos), 3 – Saúde e bem-estar (43,4 pontos), 4 – Educação de qualidade (44,4 pontos), 5 – Igualdade de Gênero (34,0 pontos), 6 – Água Limpa e Saneamento (61,4 pontos), 8 – Trabalho decente e crescimento econômico (48,8 pontos), 10 – Redução das Desigualdades (39,1 pontos), 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis (48, 0 pontos) e 16 – Paz, Justiça e Instituições eficazes (38,2 pontos), sendo que alguns desses pontos são desafios compartilhados por prefeitos e gestores públicos de todo o país.

Por outro lado, o índice mostra que Manaus está muito próxima de alcançar plenamente o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível (98,0 pontos), o ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura (86,8 pontos) e o ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre (93,9 pontos).

Manaus está distante das metas estabelecidas em nove dos 17 ODS definidos pela ONU (Foto: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica)

Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades

Lançado recentemente (em 23/3), o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) é um estudo inédito desenvolvido pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), uma iniciativa da ONU para monitorar os ODS em seus países-membros.

A iniciativa conta com o apoio do Projeto CITinova e consiste em um extenso trabalho de seleção, coleta e sistematização de dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais estaduais, além de cidades de todas as regiões metropolitanas e biomas do país. Ao todo, foram utilizados 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Embora as cidades ainda tenham quase dez anos para avançar na Agenda 2030, o estudo mostra que a maioria dos municípios está muito distante de cumprir as metas estabelecidas em 2015.

O objetivo mais desafiador é o 3 – Saúde e Bem-Estar, justamente o que apresenta uma relação direta com a pandemia em sua meta 3.d, que preconiza: reforçar a capacidade de todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, para o alerta precoce, redução de riscos e gerenciamento de riscos nacionais e globais de saúde.

Neste ODS, 756 das 770 cidades estão no pior quartil do sistema de classificação e as outras 14, no segundo pior. Nenhuma cidade está nas duas melhores faixas da escala, que significam que o objetivo foi atingido (no caso do melhor quartil) ou que há alguns desafios para atingi-lo (no caso do segundo melhor). Importante destacar que os dados e indicadores do índice não levam em consideração os efeitos da pandemia, uma vez que se referem a períodos anteriores à disseminação do novo coronavírus.

Por outro lado, Manaus está muito próxima de alcançar plenamente três ODS: Energia Limpa e Acessível; de Indústria, Inovação e Infraestrutura; e de Proteger a Vida Terrestre (Foto: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica)

Metodologia

A metodologia do IDSC-BR foi elaborada pela SDSN (UN Sustainable Development Solution Network), uma iniciativa da ONU para mobilizar conhecimentos técnicos e científicos da academia, da sociedade civil e do setor privado no apoio de soluções em escalas locais, nacionais e globais. Lançada em 2012, a SDSN já desenvolveu índices para diversos países e cidades do mundo.

O IDSC-BR apresenta uma avaliação abrangente da distância para se atingir as metas dos objetivos ODS em 770 municípios, usando os dados mais atualizados (tipicamente entre 2010 e 2019) disponíveis em nível nacional e em fontes oficiais. As cidades foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios: capitais brasileiras, cidades com mais de 200 mil eleitores, cidades em regiões metropolitanas, cidades signatárias do Programa Cidades Sustentáveis (PCS) na gestão 2017-2020 e cidades com a Lei do Plano de Metas, além de contemplar todos os biomas brasileiros.

A pontuação do IDSC-BR é atribuída no intervalo entre 0 e 100 e pode ser interpretada como a porcentagem do desempenho ótimo. A diferença entre a pontuação obtida e 100 é, portanto, a distância em pontos porcentuais que uma cidade precisa superar para atingir o desempenho ótimo. Há uma pontuação para cada objetivo e outra para o conjunto dos 17 ODS.

O mesmo conjunto de indicadores foi aplicado a todos os 770 municípios para gerar pontuações e classificações comparáveis. Diferenças entre a posição de cidades na classificação final podem ocorrer por causa de pequenas distâncias na pontuação do IDSC.

Desse modo, o índice apresenta uma avaliação dos progressos e desafios dos municípios brasileiros para o cumprimento da Agenda 2030.

FOTOS: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica

Dia Nacional de Doação de Órgãos: Transplantes mudam vidas

Os rins do contador Diego Lima de Albuquerque, de 28 anos, de Nova Iguaçu (RJ), pararam de funcionar adequadamente há doze anos, quando ele ainda era um adolescente de 16 anos que amava praticar esportes. Sem nenhum sintoma aparente, a doença renal de Diego foi descoberta porque ele ficou muito amarelo e o médico pediu exames. Logo, foram constatados problemas renais comprovados pela creatinina muito alta na urina.

A doença estava muito avançada e Diego já tinha que iniciar hemodiálise, o tratamento que garante a vida de pacientes renais cujos rins não conseguem mais filtrar o sangue. Mas para isso, o paciente precisa ir a uma clínica, no mínimo três vezes por semana, e ficar durante três a quatro horas com o braço ligado à máquina de hemodiálise. Uma rotina que para um adolescente parecia difícil de manter. Ele fez também a diálise peritoneal, em casa, mas era uma rotina que o incomodava.

Logo, os médicos disseram que ele poderia tentar realizar uma cirurgia de transplante, e que o rim poderia vir de um doador vivo ou não. A mãe de Diego se ofereceu, mas ele teve muito medo de submetê-la a uma cirurgia e foi adiando a ideia.

“Descobrir-se um doente renal é bem difícil. A vida muda, passamos a ter que tomar remédio, fazer dietas bastante restritivas, eu acabei abandonando a escola porque faltava muito. Então foi aí que decidi buscar, depois de algum tempo, o transplante, apesar de muitas pessoas dizerem que eu viveria pior, porque tomaria remédios imunodepressores e ficaria sempre doente”, conta.

E destaca o apoio e o tratamento que recebeu da Clínica de Doenças Renais (CDR) de Nova Iguaçu. “Foram grandes diferenciais para eu, primeiramente, enfrentar a doença renal com todas as mudanças e depois ter coragem de transplantar”.

Mudança de Vida

Diego fazia aulas de ensino para jovens e adultos à noite, num supletivo, porque tinha deixado a escola e queria ir adiante. “Logo depois do transplante, em 2011, terminei o EJA. Fiz um curso de tecnólogo e depois faculdade de ciências contábeis. Já são dez anos de transplante. Eu só tenho a agradecer por toda a superação que consegui alcançar e sempre que posso vou à clínica contar a minha história aos outros pacientes, porque a gente precisa vencer os medos e os preconceitos. Eu não adoeci porque transplantei, como as pessoas diziam que ia acontecer, e até a Covid eu superei, não tive sequelas. Imagina se não tivesse transplantado. Como poderia estar a minha vida? Eu era muito jovem para desistir dos meus sonhos”, enfatiza o jovem.

“Agradeço muito também a minha mãe, que sempre esteve do meu lado. A melhor escolha é buscar um transplante, e se cuidar para que seja viável. Hoje vou ao médico a cada três meses, trabalho normalmente, vou para a academia. Tenho sim algumas limitações, não posso ter impacto no abdômen, como em alguns esportes”, esclarece. E acrescenta a sua qualidade de vida é quase igual a de quem nunca passou por uma doença renal.

Doação de órgãos

A médica nefrologista Dra, Ana Beatriz Barra, explica que o transplante é a opção para a falência renal que mais se aproxima de uma vida normal, por oferecer mais liberdade e maior expectativa de vida.

“Todos os pacientes em diálise devem discutir esta opção de tratamento com seus médicos”, diz a especialista da Fresenius Medical Care, empresa fornecedora líder mundial de produtos e serviços para indivíduos com doenças renais, presente no Brasil há 25 anos.

Mas nem sempre os pacientes conseguem passar pelo transplante. Muitos aguardam na fila por anos. Por isso, quanto mais pessoas se declararem doadoras de órgãos, melhor é. Pois existem muitos casos de incompatibilidade.

“O Diego teve a sorte de a mãe poder doar e eles serem compatíveis. Mas muitos não encontram essa facilidade. Enquanto o rim não chega, a missão da clínica de hemodiálise é deixar o paciente com a melhor condição de saúde possível. E depois do transplante, a nefrologia trabalha para que o paciente reduza seu risco de rejeição ao órgão. Nos orgulhamos muito dos resultados alcançados e temos a certeza e esperança de que ainda teremos muito mais transplantes no Brasil”, finaliza a médica.

Foto: Divulgação

Cartilha do Hospital do GRAACC orienta sobre a importância do diagnóstico precoce de câncer nos olhos

O Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), referência no tratamento de casos de alta complexidade do câncer infantojuvenil, acaba de lançar uma cartilha digital (https://bit.ly/retinoblastoma-graacc) com informações sobre os principais sintomas e como identificar precocemente a doença, que é um tipo de câncer nos olhos, considerado o terceiro mais comum entre crianças com até três anos de vida. São cerca de 250 novos casos diagnosticados anualmente, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Se detectado em estágio inicial e tratado em centros especializados, as chances de cura passam de 90%.

“O diagnóstico precoce é imprescindível em qualquer tipo de câncer, pois quanto mais cedo for descoberto maiores são as chances de cura. No caso do retinoblastoma, em mais de 60% dos casos, o tumor pode causar leucocoria, que é um reflexo anormal da pupila quando exposta à luz conhecido como ‘reflexo do olho de gato’. É perceptível em fotos com flash por meio de um brilho branco diferente no olho da criança”, comenta a Dra. Carla Macedo, oncologista pediátrica do GRAACC.

O lançamento da cartilha ocorreu para celebrar o Dia Nacional de Conscientização do Retinoblastoma (18/09). E a boa notícia é que o tratamento de câncer nos olhos, em casos diagnosticados em estágios iniciais e intermediários, tem avançado substancialmente na última década. O Hospital do GRAACC possui um dos mais modernos centros de tratamento do retinoblastoma, comparado aos principais serviços existentes em países da Europa e nos Estados Unidos.

São 10 anos de experiência na aplicação da quimioterapia intra-arterial, procedimento minimamente invasivo que injeta a medicação diretamente na artéria oftálmica agindo direto no foco da doença, com mais de 1500 quimio-cirurgias realizadas.

“Esse procedimento, juntamente com a quimioterapia sistêmica, quimioterapia intraocular e as demais técnicas de tratamento local, reduz, em média, para 20% as necessidades de enucleação, que é a remoção do globo ocular”, afirma Dr. Luiz Teixeira, oftalmologista do GRAACC.

Principais Sintomas

Os cuidados com os olhos, desde os primeiros dias de vida da criança, são fundamentais. “O exame de fundo de olho é o mais indicado na rotina de consultas com o pediatra para diagnosticar em estágio inicial qualquer alteração ocular nos bebês. Independente do surgimento ou não de sintomas aparentes é muito importante também que pais e responsáveis levem a criança para avaliação de um oftalmologista no primeiro ano de vida”, alerta a oncologista pediátrica.

Alguns sintomas podem revelar alterações oculares que devem ser investigadas. Os mais comuns são:

Reflexo branco na pupila: (reflexo do olho de gato). Pode ser percebido quando o olho da criança aparece com um brilho branco diferente em fotos tiradas com flash e, também, por meio de um exame oftalmológico. É considerado um dos principais sinais de retinoblastoma.

Estrabismo: desvio ocular que pode acontecer por conta da fraqueza do músculo que controla o movimento do olho, sendo o retinoblastoma uma das raras causas.

Proptose: deslocamento anterior do olho na cavidade da órbita.

Outros sinais também merecem atenção como, por exemplo: problemas de visão; aumento do tamanho do olho, dor nos olhos; vermelhidão da parte branca do olho e sangramento na parte anterior do olho.

Tratamento

Como centro de referência no tratamento do câncer infantojuvenil, o Hospital do GRAACC possui equipe multidisciplinar especializada e todas as modalidades terapêuticas necessárias: quimioterapia intravenosa, quimioterapia intra-arterial, intravítrea, braquiterapia, laser e crioterapia.

“Um dos grandes avanços no combate ao retinoblastoma é a quimioterapia intra-arterial. Um microcateter é introduzido, normalmente em um acesso na virilha, e por meio de micronavegação é posicionado na artéria oftálmica do olho onde será injetada a medicação quimioterápica que tem concentração 80 vezes maior que a quimioterapia sistêmica. Geralmente são suficientes de 3 a 5 sessões para a remissão do câncer”, explica Dra. Carla.

O tratamento varia de acordo com cada caso e pode contemplar também: quimioterapia sistêmica que combina medicamentos administrados por via oral ou intravenosa; radioterapia; braquioterapia com dispositivos contendo material radioativo; terapia a laser; crioterapia e, como último recurso, a enucleação para a extração cirúrgica do globo ocular.

Retinoblastoma

Apesar de raro, é o tipo mais comum de câncer no olho em crianças, independentemente de sexo ou etnia. É formado na retina e 95% dos casos ocorre em crianças de até 5 anos. A maioria dos casos o retinoblastoma é unilateral, ou seja, se manifesta em apenas um dos olhos. 30 a 40 % restantes afetam os dois olhos (bilaterais). Também pode ser hereditário, o que ocorre em aproximadamente 40% dos casos.

A Classificação Internacional de Retinoblastoma intraocular é um sistema de estadiamento que divide os casos em 5 grupos:

A – Tumores pequenos na retina, de até 3 mm de diâmetro, que não estão perto de estruturas oculares importantes.

B – Tumores na retina maiores que 3 mm, mas próximos de estruturas oculares importantes.

C – Tumores definidos, com pequena dispersão sob a retina ou para dentro do material gelatinoso que preenche o olho.

D – Tumores grandes ou mal definidos com humor vítreo comprometido ou acometimento sub-retiniano longe do tumor retiniano. A retina pode se desprender da parte de trás do olho.

E – Tumor muito grande que se estende até perto da parte frontal do olho, é hemorrágico ou causa glaucoma, ou tem outras características que indicam a impossibilidade de o olho ser salvo.

Sobre o GRAACC

Criado em 1991 para atender crianças e adolescentes com câncer, o Hospital do GRAACC é referência no tratamento do câncer infantojuvenil, principalmente em casos de maior complexidade. Possui uma parceria técnica-científica com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que possibilita, além de diagnosticar e tratar o câncer infantil, o desenvolvimento de ensino e pesquisa.

O GRAACC é a primeira instituição do País, especializada em câncer infantojuvenil, a receber a acreditação da Joint Commission International (JCI), uma das organizações mais conceituadas do mundo na área de certificações em serviços de saúde. Em 2020, o atendeu cerca de 4 mil pacientes de todo o País e realizou mais de 32 mil consultas, além de cerca de 1,5 mil procedimentos cirúrgicos, 20,5 mil sessões de quimioterapias e 66 transplantes de medula óssea.

A instituição completa 30 anos de atividades em 2021. Neste período, o Hospital do GRAACC elevou o patamar do tratamento de alta complexidade do câncer infantojuvenil no Brasil para 70% de chances de cura, em média.

Anticorpos contra a Covid-19 podem ser transferidos aos bebês pelo leite materno

Na finalização do ‘Agosto Dourado’, campanha que reforça a importância do aleitamento materno tanto para as mamães, quanto para seus bebês, a ciência apontou mais um benefício dessa prática. Pesquisa recente desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e conduzida pelo Hospital das Clínicas, vinculado à instituição, mostrou que a amamentação pode ser uma arma contra a Covid-19, já que as lactantes imunizadas contra a doença produzem anticorpos que são transferidos aos recém-nascidos através do leite materno.

Mais um ótimo motivo para estimular a amamentação dos pequenos. Sobre o aleitamento, a enfermeira obstetra da Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), Anne Santos, explica que o ideal é que o bebê seja alimentado até os seis meses, exclusivamente, com o leite materno, prática que dispensa, inclusive, a ingestão de água pelos pequenos. Isso porque, o leite materno é o alimento mais completo e saudável para crianças nessa idade, ajudando no fortalecimento da imunidade.

Além disso, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, recomenda a amamentação da criança até os dois anos de idade ou mais, sendo até os seis meses de forma exclusiva.

“Mas, cada caso é um caso e vai depender muito da realidade de cada família. O ideal é que sejam introduzidos, aos poucos, alimentos sólidos, que complementem a amamentação após os seis meses de idade. Mas, há casos em que as mães trabalham fora, e não conseguem manter a amamentação por um período maior”, destaca Anne Santos.

Para estimular a prática, a Segeam, principal prestadora de serviços especializados de enfermagem obstétrica ao SUS (Sistema Único de Saúde) no Amazonas, participou ativamente da programação desenvolvida pela SES-AM (Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas), nas maternidades estaduais situadas em Manaus e também no Instituto da Mulher Dona Lindú.

Além de orientar sobre as boas práticas do aleitamento, os profissionais da Associação realizaram a segunda edição da campanha ‘Doe um Pote’, para a doação de potes de vidro com tampa de plástico à instituição. Os itens serão entregues, em data a ser definida, às maternidades que mantém em suas estruturas, os chamados ‘bancos de leite materno’, que ajudam as mamães que não podem amamentar seus recém-nascidos por motivos diversos, a alimentá-los com leite materno, combatendo, assim, a desnutrição e prevenindo outros problemas de saúde.

Pesquisa

Outro dado importante revelado pelo estudo da USP/Hospital das Clínicas é que a segunda dose do imunizante resultou em um incremento de anticorpos e mesmo meses após a aplicação da vacina, eles ainda se faziam presentes no leite materno.

Uma informação de extrema importância, haja vista que no Brasil, o número de pessoas completamente imunizadas ainda é tímido, não chegando aos 30%. As lactantes que fizeram parte da análise haviam recebido as doses da vacina Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan (SP), em parceria com o laboratório chinês Sinovac. 

Foto: Divulgação

FCecon é escolhida para projeto nacional de prevenção de infecções hospitalares

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), foi selecionada para participar do projeto “Saúde em Nossas Mãos: Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil”, do Ministério da Saúde (MS).

Durante dois anos, as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de 204 hospitais selecionados em todo o Brasil serão acompanhadas por unidades de saúde que integram o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi/SUS), consideradas de excelência no país – sendo elas o Hospital Sírio-Libanês, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento, Hospital da Beneficência Portuguesa, Hospital do Coração e Hospital Alemão Oswaldo Cruz –, além de representantes do MS.

O objetivo é implantar ou aprimorar medidas voltadas à segurança do paciente, como o atendimento ao paciente com maior segurança; evitar infecções no ambiente hospitalar; e evitar desperdícios no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na última segunda-feira (30/08), uma reunião on-line com o Ministério e representantes dos 204 hospitais marcou o início do projeto. No Amazonas, além da FCecon, o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e o Hospital Delphina Aziz participam do “Saúde em Nossas Mãos”.

Treinamento e suporte

Na Fundação Cecon, estão ligados ao projeto os profissionais de saúde da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) e as equipes multiprofissionais que atuam nas UTIs adulto e pediátrica.

Ao longo de dois anos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas e médicos receberão capacitações e treinamentos presenciais e virtuais realizados pelo Hospital Sírio-Libanês, que dará suporte técnico à FCecon durante a execução do projeto.

Relatórios mensais auxiliarão no controle de indicadores de segurança do paciente. “Serão estipulados metas e prazos para alcançarmos. Cada hospital terá as suas, mas uma das metas gerais é reduzir em 30% as infecções hospitalares em dois anos”, disse a responsável pela CCIH/FCecon, enfermeira Glauciane Neves.

Intercâmbio

Na avaliação da coordenadora de enfermagem da UTI adulto da FCecon, enfermeira intensivista Simone Gaynett, a participação no projeto é uma oportunidade para aprimorar processos dentro da unidade e troca de informações com profissionais de outros hospitais.

“Com toda a equipe unida e focada nas melhorias dos protocolos propostos pelo Ministério da Saúde, iremos buscar alcançar as metas. É muito benéfica para toda a equipe multiprofissional a participação no projeto com intercâmbio com outro hospital”, disse a coordenadora.

Os primeiros treinamentos devem ocorrer já no mês de setembro.

Foto: Laís Pompeu/FCecon

Produto para saúde e bem-estar capilar chega com melhor acessibilidade ao Amazonas

Por César Augusto

Os cuidados pessoais tem demandado mais exigências por parte do consumidor quanto a qualidade, preço e comodidade para consumo dos produtos que diariamente são lançados nos nichos de mercado do bem-estar e saúde. Com base nessa necessidade nem sempre suprida pelas empresas do ramo, a agência Seevem Marketing Digital, de Manaus, apostou em um produto mais acessível do ponto de vista econômico e mais agradável para o consumo.

O Lovyhair é uma pastilha de goma, um colágeno com vitaminas que auxiliam no fortalecimento capilar, das unhas, na saúde da pele e também no fortalecimento imunológico com uma composição feita a partir de pectina vegetal. A Seevem atua como distribuidora local, com foco inicial na região Norte, ao contrário de outros produtos que por falta desse direcionamento específico chegam ao consumidor com preços extremamente altos. Em termos de comparação, um produto unitário similar e mais conhecido no mercado nacional chega a custar o triplo do Lovyhair.

Há pouco mais de um ano e meio no mercado, a Seevem procurou uma novidade no ramo de produtos de saúde e bem-estar, chegando ao Lovyhair. “Encontramos um produto com potencial e valor acessível para a região, ao observarmos uma demanda alta”, conta Carlos Henrique Lúcio, sócio da agência juntamente com Gabriel Oliveira, Paulo Ellerton e Paulo César Viana.

Paulo Ellerton (E), Gabriel Oliveira e Carlos Henrique, sócios da Seevem: aposta em produto com qualidade e com melhor acessibilidade na região Norte

A apresentação do Lovyhair se tornou um atrativo também, sendo uma opção às cápsulas tradicionais e reunindo características atraentes tanto na constituição quanto na composição. Cada gominha tem o formato de um urso coala, com sabor agradável e – fatores cada vez mais importantes no mercado da saúde e bem-estar – livre de açúcar e de testagem em animais, permitindo sua fácil aceitação em outras regiões, entre outras vantagens também para o parceiro comercial, como descontos e ações de marketing que incentivam essa aceitação. “Um produto sem esses atrativos não gera lucro, e conseguimos não repassar os custos (aos revendedores), ao contrário dos demais”, aponta Henrique. “Nosso foco inicial é em Manaus, mas logo atenderemos outras regiões”, acrescenta.

As gominhas do Lovyhair possuem formato de urso coala e sabor agradável, sem adição de açúcar, quesito bastante valorizado em produtos de saúde e bem-estar (Foto: divulgação)

Composto

A marca Lovyhair está ligada à expressão “cabelo adorável”, com a junção das palavras em inglês “love” (amor) e “hair” (cabelo), aliando ao produto a imagem de um ursinho coala, com isso passando a idéia dos cuidados e carinho das mulheres com sua beleza e saúde – mas o colágeno não é de uso exclusivo feminino, diga-se de passagem.

O produto leva em sua composição vitaminas A, B5, B6, B12, C, D3 e E, biotina B6 (base da vitamina B7 que estimula a produção de queratina para a saúde e hidratação capilares e evitando o ressecamento da pele) e colágeno hidrolisado, item importante principalmente para fortalecimento de articulações, unhas e cabelos.

A Seevem disponibilizou mais informações sobre o novo produto e para sua aquisição no Instagram @lovyhairs e em seu site www.lovyhairs.com.br .

Fotos: César Augusto

Primeiro evento-teste será realizado em setembro na Arena da Amazônia

Uma sequência de evento-teste será realizado a partir do mês de setembro, no podium da Arena da Amazônia. Após seis meses de estudos e coleta de dados, a Associação de Entretenimento do Estado do Amazonas (Asseeam), apresentou proposta ao Comitê Intersetorial de Enfrentamento à Covid-19 do Governo do Estado e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP),  que aprovou a proposta no último dia 13, após criteriosa análise e ajustes no projeto. 

A proposta prevê que todos os participantes estejam vacinados com ao menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Eles e a equipe que estará trabalhando na organização serão testados 48 horas antes do evento. Se o resultado seja positivo, a pessoa será impedida de participar. A FVS-RCP deve ainda monitorar todos por até duas semanas. 

“Todo mundo que estiver envolvido no evento deverá estar vacinado com ao menos a primeira dose e deverá estar esperando a data para tomar a segunda dose. Quem estiver com a segunda dose atrasada não vai poder participar. Outro detalhe importante é que a pessoa deverá ter tomado a primeira dose 15 dias antes do evento”, afirma o presidente da Asseeam, Gerson Sampaio. 

Sampaio ressalta, ainda, que o setor foi o mais afetado pela pandemia, e depois da ampliação e celeridade no processo de vacinação, diminuição dos casos confirmados, diminuição no número de mortes e internações por covid, o setor consegue enxergar a possibilidade de retomar gradativamente suas atividades. 

“Nós do setor de entretenimento estamos há mais de 15 meses parados. Fomos os primeiros a parar nossas atividades, logo após a confirmação dos primeiros casos da doença aqui em Manaus, e estamos sendo os últimos a retomar. Nesse período, muitos estabelecimentos decretaram falência e não mais conseguirão retornar. Milhares de pessoas perderam seus postos de trabalho, passaram necessidades. Então, neste momento em que a vacinação tem avançado no Estado, os números de casos confirmados, de mortes e de internações diminuíram consideravelmente, colocando o Estado do Amazonas com um dos melhores índices no combate ao Covid-19, conseguimos elaborar essa proposta, apresentamos ao governo e aos órgãos de saúde e conseguimos a autorização para realizar estes eventos-teste”, complementa.

O governador do Amazonas, Wilson Lima destacou que a realização do evento só será possível devido à ampliação da imunização em todo o Estado. “A gente conseguiu avançar muito na questão da vacinação aqui no Amazonas e isso é uma condicionante para que a gente possa voltar a normalidade de nossas vidas. Agora em setembro, vamos fazer um evento teste com 3 mil pessoas e estamos trabalhando com a CBF a possibilidade da realização de um jogo da seleção brasileira em Manaus, com público”, afirmou o governador. 

Estrutura

O podium da arena será dividido em três setores diferenciados pelas cores vermelha, amarela e azul. A entrada individual será feita de acordo com cada setor. O palco ficará no meio do setor de cor amarela. Os outros dois setores ficarão em lados opostos. A proposta prevê ainda que as mesas sejam substituídas por cabines.

“Todos os protocolos de segurança serão seguidos rigorosamente durante o evento. Na entrada, a pessoa terá que apresentar a carteira de vacinação em dia e deverá estar fazendo o uso correto de máscara. Teremos equipes em cada entrada para aferir a temperatura, assim como colocaremos diversos totens com álcool em gel espalhados pelo local. O distanciamento social também será cumprido”, finaliza Gerson. 

Calendário

Ao todo, devem ser realizados cinco eventos-testes em Manaus, as datas estão sendo definidas e o cronograma completo deverá ser divulgado na terça-feira (31).

Foto: divulgação

Expedição Abaré: Comunidades ribeirinhas e indígenas do rio Tapajós são atendidas por alunos e professores de Medicina de SP

Dez alunos do sexto ano do curso de Medicina e cinco professores da Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) participam da Expedição Abaré, até o dia 29 de agosto. Os atendimentos de saúde são realizados na embarcação hospital-escola, a moradores de 75 comunidades ribeirinhas e indígenas da região do rio Tapajós, nos municípios de Santarém, Aveiro e Belterra, no estado do Pará. Ao todo, devem ser realizados até 3,8 mil atendimentos.

O navio Abaré presta serviços de assistência à saúde aos moradores da região há 14 anos. A equipe multidisciplinar e multiprofissional envolvida conta com a participação de professores dos cursos de Enfermagem, Fonoaudiologia e Medicina. A ação é desenvolvida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), juntamente com as secretarias de Saúde dos três municípios e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

De acordo com a chefe do Departamento de Atenção Primária da FCMSCSP, a pediatra Maria José Carvalho Sant’anna, a experiência servirá como estágio curricular na disciplina Desenho de Carreira. “A proposta é assistencial: vamos elaborar um diagnóstico para o reconhecimento dos maiores problemas dessa população, que é vulnerável”, disse. “Queremos que esse atendimento passe a fazer parte da formação anual e seja incluído no Programa de Extensão da Faculdade”, frisou.

Entre os serviços de atenção básica à saúde, serão realizadas consultas médicas, odontológicas e de enfermagem, vacinação, coleta para exame de Papanicolau, testes rápidos de Covid-19, HIV, sífilis e hepatites virais, exames de laboratório – bioquímicos e hematológicos – e dispensação de medicamentos. Além disso, devem ser disponibilizados exames de ultrassonografia em algumas comunidades de Santarém, com a utilização de um aparelho portátil.

“A ideia é levar o aluno até um ambiente de realidade diferente, em que seja possível o reconhecimento da população. Eles irão realizar atendimentos sem muita tecnologia, respeitando a integralidade dessa comunidade e valorizando o trabalho em equipe”, disse a médica pediatra. “As habilidades de gestão desenvolvidas pelos discentes durante esse projeto de extensão, a percepção da relação de saúde com as políticas públicas e a adequação às necessidades da comunidade são elementos importantes para a formação dos alunos”, pontuou.

Alunos e professores da Faculdade da Santa Casa de São Paulo estão embarcados no hospital-escola, até o final do mês, com previsão de 3,8 mil atendimentos de saúde

Exercício prático e nova realidade

Outro aspecto importante na ação é que o deslocamento dos discentes e docentes até as comunidades abre espaço para o entendimento da situação brasileira de assistência na prática, de forma a entender as principais dificuldades enfrentadas e seus potenciais.

“Essa vivência possibilita a criação de um vínculo que vai além da relação médico-paciente, pois permite a construção de um pensamento crítico, além do fortalecimento de lutas sociais em busca de um atendimento integral e de qualidade”, disse a professora Maria José.

Expedição Abaré

O projeto do navio foi criado em 2006, com o objetivo de possibilitar o acesso da população ribeirinha da Amazônia ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, foi implementado como Política de Saúde e Saúde da Família Fluvial com repasse de recursos pelo Ministério da Saúde. Em 2017, a embarcação foi doada para a Ufopa.

Atualmente, existe um termo de acordo de cooperação mútua, entre a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e a Ufopa. A Ufopa é responsável pela manutenção e guarda da embarcação e a Semsa pelas ações assistenciais de saúde para as comunidades. Em 2020, a Rede de Integrada de Desenvolvimento Humano (RIDH), órgão da universidade que assumiu a gestão do Navio Abaré.

FOTOS: Divulgação/FCMSCSP

Vacinas com menos de 50% de eficácia na primeira dose precisam de intervalos entre doses menores

Em regiões de prevalência da variante delta do novo coronavírus, o intervalo entre doses de vacina de Covid-19 precisa ser mais curto do que doze semanas para que se tenha um controle efetivo da pandemia. É o que sugere modelo matemático desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) a partir de dados preliminares da eficácia da vacina para a variante delta. A ferramenta está descrita em artigo publicado na PNAS na quarta (18).

A tecnologia, criada pelo grupo ModCovid-19 com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP) projeta tempo seguro e ideal entre doses para controle da pandemia, a partir de dados de eficácia de vacinas. Ele mostra que vacinas com menos de 50% de eficácia na primeira dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que vacinas com taxas de eficácia maiores. Alimentada com estudos prévios sobre eficácia dos imunizantes, a tecnologia indica quando é possível adiar as doses e quando se atinge o máximo possível de proteção.

“O próprio algoritmo decide quando é melhor aplicar a segunda dose, levando em conta a primeira, de maneira a controlar o mais rápido possível a pandemia”, explica Paulo José da Silva e Silva, co-autor do estudo. Por isso, a ferramenta, que está disponível on-line, pode ajudar nas tomadas de decisão durante o processo de imunização da população brasileira e de outros países.

Paulo lembra que quando o artigo foi escrito, em fevereiro desse ano, a principal pergunta era se valeria a pena adiar a segunda dose e qual a maneira mais segura de se fazer isso, em virtude da quantidade limitada de doses. Nesse sentido, o estudo teve como base a fabricante Astrazeneca e concluiu que o percentual de eficácia entre a primeira dose e segunda era muito pequeno e por isso, comprovadamente, valeria a pena esperar e vacinar mais gente com 1ª dose.

Agora, com o avanço da variante delta em algumas regiões do Brasil e do mundo, as estratégias de vacinação podem ser revistas a partir deste modelo. “Se você está em um lugar onde ela é a variante prevalente, a eficácia da primeira dose, pelas primeiras estimativas que estão saindo agora, é muito menor do que era com a alfa, então muda a relação da eficácia entre primeira e segunda dose. Essas análises confirmam que a decisão é delicada e que tem que ser feita de maneira sistemática”, observa Paulo.

O portal buscou informações das secretarias de Saúde do Estado e do município sobre uma possível adoção da diminuição do tempo de vacinação diante da identificação de casos da variante Delta na região, entretanto não obteve retorno até o momento.

Fonte: Agência Bori

Foto: Depositphotos