Simpósio internacional discute inovação e sustentabilidade na Amazônia

Nos próximos dias 26, 27 e 28 de outubro, o Instituto de Engenharia (IE) sedia o Simpósio Internacional: Uma Amazônia Inovadora e Sustentável (SIPAIS). O evento será realizado de modo on-line, respeitando as normas de prevenção à covid-19, com vários painéis e debates.

O evento do IE tem por objetivo sensibilizar sobre a importância de uma cooperação internacional, dos mais diversos ecossistemas, para desenvolver e escalar ações sinérgicas e sustentáveis com países da Amazônia. Desse modo, promover a verdadeira revolução ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) através da engenharia.

O simpósio também buscará iniciativas e projetos nas áreas de infraestrutura, energia e logística, educação e pesquisa, com foco no crescimento econômico sustentável da região amazônica.

Os debates devem trazer oportunidades do uso de fontes públicas e privadas para o financiamento da infraestrutura, mensuração do índice ESG, bem como motivações sociais em segurança, qualidade de vida, o ecossistema econômico, industrial e tecnológico, segurança jurídica e operacional de empreendimentos naquela região.

Para isso, entre os convidados a participar das discussões estão representantes de governos, entidades internacionais, empresas, academias, centros de pesquisa, ONGs, engenheiros e profissionais ligados às questões de inovação e sustentabilidade.

Propostas reais

Ao final, o SIPAIS consolidará uma síntese, sugestões e transcrição dos painéis realizados nos três dias de simpósio do Instituto de Engenharia e as contribuições voltadas para um desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O resultado desse trabalho será encaminhado ao Conselho da Amazônia Legal, ao Parlamento Amazônico, à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), autoridades, embaixadas, setor financeiro e para toda a sociedade civil.

Inscrições

A inscrição ao SIPAIS será feita no site do Instituto de Engenharia (https://www.institutodeengenharia.org.br/SIPAIS). O inscrito receberá um link em seu e-mail e terá acesso às transmissões por plataforma eletrônica webinar.

Confira a programação

26 de outubro

13h30 – Abertura

15h30 – Projeto Amazônia e Bioeconomia Sustentada em CT&I

16h15 – Inclusão Geodigital da Gestão Produtiva – Práticas ESG com Tecnologia Aplicada

18h – Oportunidades para a melhoria da infraestrutura em segurança, logística, energia e telecomunicações

27 de outubro

13h30 – Comunidade Integrada e Participativa – Cooperativa e Agropecuária Familiar

16h – Educação, Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Tecnológico – Intercâmbio e Potencial da Sociedade Amazônica

18h – Desenvolvimento Social, Econômico, Turístico e Cultural

28 de outubro

9h30 – Ecossistema Revolução ESG

13h30 – Desafios da Logística para o Desenvolvimento da Bioeconomia e da Bioengenharia na Amazônia

16h – Estabelecimento de Critérios Ambientais, Sociais e de Gerenciamento para uma Amazônia Sustentável

18h – Bacia Amazônica como um vetor de Integração Econômica

29 de novembro

17h – Entrega do caderno de conclusão dos painéis debatidos com as oportunidades de ações para a Amazônia

Foto: Vista da Amazônia / Bruno Cecim / Agência Pará

Desenvolvimento sustentável: Manaus é a 11ª entre as capitais em ranking inédito da ONU

A poucos dias de completar 352 anos, no dia 24 de outubro, a cidade de Manaus aparece na 11ª posição entre as 26 capitais estaduais do estudo elaborado com base no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), o que mostra que a capital do Amazonas ainda tem grandes desafios a superar para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030, estando distante das metas estabelecidas em nove dos 17 ODS.

No ranking geral do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), que computou e analisou os dados de 770 municípios de todo o país, Manaus encontra-se na 260ª posição, com pontuação média de 57,60 considerando todos os objetivos a serem atingidos. Quanto mais próximo de 100, mais perto de alcançar as metas preconizadas pela ONU.

A cidade registra nove ODS assinalados na cor vermelha, nível mais baixo do índice, sendo que os objetivos situados no patamar inferior da tabela estão os de número 2 – Fome zero e agricultura sustentável (42,3 pontos), 3 – Saúde e bem-estar (43,4 pontos), 4 – Educação de qualidade (44,4 pontos), 5 – Igualdade de Gênero (34,0 pontos), 6 – Água Limpa e Saneamento (61,4 pontos), 8 – Trabalho decente e crescimento econômico (48,8 pontos), 10 – Redução das Desigualdades (39,1 pontos), 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis (48, 0 pontos) e 16 – Paz, Justiça e Instituições eficazes (38,2 pontos), sendo que alguns desses pontos são desafios compartilhados por prefeitos e gestores públicos de todo o país.

Por outro lado, o índice mostra que Manaus está muito próxima de alcançar plenamente o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível (98,0 pontos), o ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura (86,8 pontos) e o ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre (93,9 pontos).

Manaus está distante das metas estabelecidas em nove dos 17 ODS definidos pela ONU (Foto: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica)

Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades

Lançado recentemente (em 23/3), o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) é um estudo inédito desenvolvido pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), uma iniciativa da ONU para monitorar os ODS em seus países-membros.

A iniciativa conta com o apoio do Projeto CITinova e consiste em um extenso trabalho de seleção, coleta e sistematização de dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais estaduais, além de cidades de todas as regiões metropolitanas e biomas do país. Ao todo, foram utilizados 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Embora as cidades ainda tenham quase dez anos para avançar na Agenda 2030, o estudo mostra que a maioria dos municípios está muito distante de cumprir as metas estabelecidas em 2015.

O objetivo mais desafiador é o 3 – Saúde e Bem-Estar, justamente o que apresenta uma relação direta com a pandemia em sua meta 3.d, que preconiza: reforçar a capacidade de todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, para o alerta precoce, redução de riscos e gerenciamento de riscos nacionais e globais de saúde.

Neste ODS, 756 das 770 cidades estão no pior quartil do sistema de classificação e as outras 14, no segundo pior. Nenhuma cidade está nas duas melhores faixas da escala, que significam que o objetivo foi atingido (no caso do melhor quartil) ou que há alguns desafios para atingi-lo (no caso do segundo melhor). Importante destacar que os dados e indicadores do índice não levam em consideração os efeitos da pandemia, uma vez que se referem a períodos anteriores à disseminação do novo coronavírus.

Por outro lado, Manaus está muito próxima de alcançar plenamente três ODS: Energia Limpa e Acessível; de Indústria, Inovação e Infraestrutura; e de Proteger a Vida Terrestre (Foto: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica)

Metodologia

A metodologia do IDSC-BR foi elaborada pela SDSN (UN Sustainable Development Solution Network), uma iniciativa da ONU para mobilizar conhecimentos técnicos e científicos da academia, da sociedade civil e do setor privado no apoio de soluções em escalas locais, nacionais e globais. Lançada em 2012, a SDSN já desenvolveu índices para diversos países e cidades do mundo.

O IDSC-BR apresenta uma avaliação abrangente da distância para se atingir as metas dos objetivos ODS em 770 municípios, usando os dados mais atualizados (tipicamente entre 2010 e 2019) disponíveis em nível nacional e em fontes oficiais. As cidades foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios: capitais brasileiras, cidades com mais de 200 mil eleitores, cidades em regiões metropolitanas, cidades signatárias do Programa Cidades Sustentáveis (PCS) na gestão 2017-2020 e cidades com a Lei do Plano de Metas, além de contemplar todos os biomas brasileiros.

A pontuação do IDSC-BR é atribuída no intervalo entre 0 e 100 e pode ser interpretada como a porcentagem do desempenho ótimo. A diferença entre a pontuação obtida e 100 é, portanto, a distância em pontos porcentuais que uma cidade precisa superar para atingir o desempenho ótimo. Há uma pontuação para cada objetivo e outra para o conjunto dos 17 ODS.

O mesmo conjunto de indicadores foi aplicado a todos os 770 municípios para gerar pontuações e classificações comparáveis. Diferenças entre a posição de cidades na classificação final podem ocorrer por causa de pequenas distâncias na pontuação do IDSC.

Desse modo, o índice apresenta uma avaliação dos progressos e desafios dos municípios brasileiros para o cumprimento da Agenda 2030.

FOTOS: Lenise Ipiranga/Vida Amazônica

Amazônia: Exposição internacional de Sebastião Salgado será apresentada pela primeira vez no Brasil

Na primeira apresentação ao público brasileiro da sua exposição internacional “Amazônia”, o fotógrafo Sebastião Salgado mostrará 200 grandes painéis fotográficos sobre a região amazônica, durante a quinta reunião do Observatório do Meio Ambiente do Poder Judiciário, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abordará a grandiosidade da floresta amazônica, sua diversidade e a necessidade de preservação, na terça-feira (14/9), às 14h, por videoconferência que será transmitida ao vivo pelo canal do CNJ no YouTube.

Entre as fotografias, estão imagens pouco conhecidas do país, de matas, rios e montanhas da Amazônia, a exemplo do Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana e cuja fauna e flora ainda são um mistério para a humanidade. A exposição inclui ainda imagens de tribos indígenas que habitam a Amazônia, em um modo de vida ancestral associado à natureza.

A exposição foi inaugurada em maio deste ano na Filarmônica de Paris e seguirá para outras cidades, incluindo Londres, Roma, São Paulo e Rio de Janeiro. As fotos foram tiradas entre 2013 e 2019 durante viagens do fotógrafo à Amazônia em um registro estético que representa uma continuidade do trabalho “Gênesis”, sobre áreas do planeta ainda preservadas da ação humana.

Indígenas da etnia Ashaninka, no Acre. Foto: Sebastião Salgado / philharmoniedeparis.fr / reprodução

Proteção ambiental

A apresentação do fotógrafo brasileiro de reconhecimento internacional e membro do Observatório do Meio Ambiente ocorre em meio à crescente preocupação, no Brasil e no exterior, com a conservação da Amazônia. Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em agosto deste ano, a região registrou mais de 28 mil focos de calor, o terceiro maior número para meses de agosto desde 2010, abaixo apenas de 2019 e de 2020, refletindo a escalada do desmatamento e de atividades ilícitas como garimpo ilegal e contrabando de madeira.

O Poder Judiciário tem sido um aliado nas ações de preservação do meio ambiente e conservação da Amazônia. E tem reforçado seu compromisso por meio de uma série de medidas adotadas pelo CNJ e pela Justiça nos últimos anos para aprimorar a tutela ambiental.

Observatório

A criação do Observatório do Meio Ambiente, em novembro do ano passado, é uma dessas medidas e está voltada para viabilizar diagnósticos, dar visibilidade a boas práticas, formular políticas e implementar projetos que auxiliem a atividade jurisdicional de combate à degradação do ecossistema.

Integrado por representantes do poder público e da sociedade civil, o Observatório tem o objetivo de se tornar um núcleo de referência no acompanhamento e disseminação de dados, informações, instrumentalização de pesquisas, estudos, análises e debates.

Agenda 2030

Também são ações coordenadas pelo CNJ, a adoção da Agenda 2030 na Justiça, com a incorporação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as 169 metas da Agenda de Sustentabilidade das Nações Unidas, a criação de meta nacional em 2021 para impulsionar dos processos ambientais pelos tribunais brasileiros e o lançamento da plataforma SireneJud, uma ferramenta de integração de dados do CNJ, cartórios de registro de imóveis e outras bases de informações sobre florestas públicas e temas relacionados ao meio ambiente.

Link para a 5ª Reunião do Observatório do Meio Ambiente – 14 de setembro/2021
https://www.youtube.com/watch?v=u-_9vo7Ce4I&authuser=0

Demarcação Já: Gilberto Gil, Elza Soares e BNegão se unem em live pela causa indígena

O Festival Demarcação Já Remix, projeto do DJ MAM abre a semana com uma programação on-line intensa de painéis para debates sobre a causa indígena, a qual inicia hoje com o tema “Meio Ambiente e Cultura: Do Rio Carioca à Amazônia”, às 18h, e encerra no sábado (11/09), com Gilberto Gil em seu canal no YouTube com live musical e presença de mais de 30 artistas, como Elza Soares, Bnegão, Dona Onete, Rodrigo Sha, Djuena Tikuna, Jonathan Ferr, Felipe Cordeiro, entre outros.

A abertura do festival, no Dia da Amazônia (5/9), teve ato cultural e político, de reparação histórica aos povos originários, no Museu do Amanhã e a presença do Coral Guarani Tenonderã. Nesta edição o evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Coral Guarani Tenonderã, na abertura do Festival Demarcação Já Remix, na Praça Mauá
(Foto: Eduardo Napoli)

Artistas e autoridades participam das conversas. Entre eles a líder indígena Sônia Guajajara, o artista multimídia indígena Kadu Xukuru; o ator Paulo Betti; o cantor e compositor Pedro Luis; o secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Cavalieri, e o secretário municipal de Cultura do Rio, Marcus Faustini.

Conteúdo – Serão seis painéis, que acontecerão até sábado, sempre às 18 horas, com transmissão pelo Instagram do Festival. Entre os temas abordados, questões como ‘Meio Ambiente e Cultura’, ‘A Temática indígena e ambiental nas telas’ e ‘NFT Socioambiental’.

A live de encerramento será exibida no formato de programa de TV, com DJ MAM, direto do Museu do Amanhã, convidando os artistas a se juntarem à causa. As participações serão por meio de canto, música, clipe, fala.

Gilberto Gil, apoiador do festival, cedeu seu canal para transmissão e participará através dos clipes “Demarcação Já” e “Do Guarani ao Guaraná”.

Doações

O público poderá contribuir durante a live, através de QR Code, para a APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e para o Coral Guarani Tenonderã.

O Festival

O festival é uma extensão da campanha “Demarcação Já”, criada pelo Greenpeace e pelo Instituto Socioambiental, em 2017, a partir da canção de mesmo nome dos compositores Carlos Rennó e Chico César. Seu videoclipe e remixes lançados nas plataformas digitais por DJs e grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Maria Bethânia, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Céu e Tropkillaz já ecoaram mais de 100 milhões de vezes a frase de ordem “Demarcação Já”.

DJ MAM comanda Festival Demarcação Jà Remix (Foto: Simone Kontraluz)

DJ MAM

Curador de séries fonográficas e festivais como o Sotaque Carregado, o Demarcação Já Remix, o Carnaval Remix e o inédito Amazônia Remix, DJ MAM mixa o Brasil às pistas globais. Prêmio Noite Rio de melhor DJ de MPB, já tocou em 15 países, tendo colaborações com Gilberto Gil, Dona Onete e BNegão.

MAM é compositor e intérprete da trilha oficial do Rio de Janeiro, “Oba Rio” e do tema de 80 Anos do Cristo, “Redentor”. Seu álbum autoral Sotaque Carregado e remix Sotaque ReCarregado foram indicados ao Prêmio da Música Brasileira e chegaram ao Top 20 World Music Charts Europe.

Em 24 anos, seu selo, programas de rádio e festivais deram palco a mais de 500 nomes como Elza Soares, Hermeto Pascoal, Gaby Amarantos e BaianaSystem. Sua empresa foi indicada a diversos prêmios como o SIM – Semana Internacional da Música 2020, Brasil Criativo e Profissionais da Música nas categorias criatividade, inovação e transformação social.

Participações confirmadas

Gilberto Gil | Elza Soares | Ziraldo | Sonia Guajajara | BNegão | Dona Onete | Letícia Sabatella | DJ MAM | Coral Guarani Tenonderã | Digitaldubs | Oskar Metsavaht | Djuena Tikuna | Felipe Cordeiro | Jonathan Ferr | Zahy Guajajara | Pedro Luis | Carlos Rennó | Yaka Sales P | Andre Vallias | Rodrigo Sha | Paka Noke Koi | Batman Zavareze | VJ Carol Santana | Eric Marky | DJ Flavya | DJ Raiz | Kadu Xukuru | Manie Dansante | Silvan Galvão | Patricia Bastos | Banda Conceição | Roberta Carvalho | Aíla.

Painéis Demarcação Já Remix

Local: Instagram Festival Demarcação Já Remix

Horário: 18h

7 de setembro, terça-feira

Meio Ambiente e Cultura: Do Rio Carioca à Amazônia

Convidados: Marcus Faustini (Secretário Municipal de Cultura do Rio), Tica Minami

Mediação: DJ MAM

8 de setembro, quarta-feira

A Temática Indígena e Ambiental nas Telas

Convidados: Paulo Betti, Zahy Guajajara e Felipe Scapino

Mediação: DJ MAM

9 de setembro, quinta-feira

NFT Socioambiental: Green NFT, Música e Cryptoarte Indígena

Convidados: Raphael King (Brasil NFT), Byron Mendes (Metaverse Agency) e Fausto Vanin

Mediação: DJ MAM

10 de setembro, quinta-feira

Futurismo Indígena: A Arte e o Território da Ancestralidade ao Pop

Convidados: Ziraldo Artes Produções Julia Vidal e Kadu Xukuru

Mediação: DJ MAM

11 de setembro, sábado

Composição Engajada

Convidado: Carlos Rennó

Mediação: DJ MAM

Live Demarcação Já Remix

Local: YouTube Gilberto Gil

Horário: 21h

Foto Gilberto Gil: Gérard Giaume

Fórum Virada Sustentável discute a Amazônia e os impactos do seu desmatamento na sociedade

Na segunda-feira (13/9), a 11ª Virada Sustentável apresenta o painel Amazônia e o Futuro do Brasil em sua programação, que começou na quinta-feira (2/9), na capital paulista, e segue até o dia 22. O desmatamento e os impactos sociais causados por isso são questões-chave da discussão.

Para situar o debate, a descrição do painel aponta que no início o desmatamento foi para projetos de infraestrutura e, hoje, a Floresta perde espaço pelos extrativismos vegetal e mineral e para a produção agropecuária, numa troca que pode ter consequências sérias para a sociedade, em especial, a questão climática e o equilíbrio biológico do mundo.

A discussão terá moderação de Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável, além da presença dos palestrantes Paulo Artaxo, vice-presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, USP, e Roberto Waack Arapyaú, presidente do Instituto Arapyaú. O painel sobre a Amazônia será às 14h (hora de Brasília), com transmissão pelas redes sociais do evento.

Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável
(Foto: Divulgação)

#MinhaMensagem

Neste ano, o tema do maior festival de sustentabilidade do país é #MinhaMensagem, que traz 100 mensagens importantes sobre este momento de construção coletiva para o futuro pós-pandemia. O tema permeia toda a programação do evento, que é gratuita e repete o modelo híbrido experienciado na edição de 2020.

As frases da campanha foram elaboradas por 100 organizações de diversos setores da sociedade civil. “Estamos dando voz para várias organizações da sociedade civil para que possamos nos inspirar para construir um mundo mais sustentável e igualitário”, conta Mariana Amaral.

Pela primeira vez, a programação do Fórum Virada Sustentável foi construída a partir de uma pesquisa com representantes da iniciativa privada e sociedade sobre quais temas e assuntos eles consideram urgentes de serem conversados. A partir daí a programação do Fórum foi agrupada por temas de interesse apresentados na pesquisa: água, economia circular, empreendedorismo em comunidades, agenda ESG, mudanças climáticas, Amazônia, questões indígenas, habitação, segurança alimentar e diversidade. 

Em paralelo, várias manifestações e intervenções artísticas ocorrem pela cidade de São Paulo refletindo os pontos abordados virtualmente.

“Nosso objetivo é promover uma visão inspiradora sobre um futuro sustentável. Além disso, o festival, desde sua primeira edição, funciona como um grande reforço às redes de transformação e impacto social existentes, reunindo sociedade, organizações da sociedade civil, artistas, agentes públicos e marcas nesta construção”, complementa André Palhano, também fundador da Virada Sustentável.

Jazz ao Pôr do Sol na Virada Sustentável 2021
(Foto: Bruno Noda)

Conteúdo

Com 26 painéis virtuais, o Fórum Virada Sustentável amplia a possibilidade de participação para pessoas de fora de São Paulo. Todas as atividades contam com tradução em Libras e tradução simultânea nas palestras de convidados internacionais. Para participar, os interessados precisam se inscrever gratuitamente no site da Virada Sustentável: www.viradasustentavel.org.br /palestras

Um dos destaques do Fórum é o painel do dia 13, apresentado pelo economista estadunidense Jeffrey Sachs. Em sua palestra Mensagens para o Mundo Pós-Pandemia, às 10h (hora de Brasília), ele fala sobre a importância de uma agenda política alinhada às pautas de desenvolvimento sustentável para um crescimento socioeconômico global. Ao fim da exposição, Sachs responderá perguntas do público.

Os rumos da agenda ESG estão presentes nos encontros em que serão discutidas a importância da Amazônia para a economia, a questão da biodiversidade dentro do contexto da agenda ESG e as tendências do consumo on-line com impacto positivo.

No dia 15 de setembro, o Fórum Virada Sustentável traz desigualdade e diversidade de gênero para o debate na conversa Oportunidades e desafios da equidade de gênero nas organizações com Margareth Goldenberg (Movimento Mulher 360), Camili Calixto (Mais Diversidade) e Suellen Moraes (BALL), que analisam a situação atual do mercado de trabalho para as mulheres, a partir do dado do IBGE de que em 2021, a participação feminina no mercado teve o menor índice dos últimos 30 anos. E no dia 22, às 11h30, o painel Inclusão e diversidade: a importância de metas para impulsionar a agenda também traz, como parte da pauta ESG, a necessidade de construir ambientes empresariais inclusivos e uma cultura corporativa guiada pelo combate às desigualdades.

Economia circular é o eixo da programação dos dias 8 e 9 de setembro. As conversas abordam desde como a sociedade pode começar a se engajar sobre este tema, passando por questões de reciclagem, tanto de embalagens usadas em domicílios como o aço produzido pela indústria.

O tema volta a ser debatido no painel Educação e Economia Circular: Construindo um Mundo sem lixo no dia 20, às 15h15, que discute caminhos e propostas para que se possa trazer o conceito da economia circular para o dia a dia, a partir de propostas e possibilidades para professores, gestores e famílias.

A questão da água é o tema do painel Despoluir é necessário. Manter o Rio Pinheiros limpo é obrigação de todos marcado para o dia 15 de setembro, às 15h15.

No dia 16 de setembro, o Fórum Virada Sustentável abarca várias frentes sobre a questão da alimentação: o painel Entendendo o supermercado: um diálogo sobre a agricultura brasileira e fome; a mesa Redução de Emissões na Gestão de Resíduos: um Coringa para Alcançar as Metas Desejadas; Fome e Desenvolvimento: o futuro dos alimentos e a soberania alimentar em um mundo pós-pandemia, em que o público é convidado para o debate sobre a questão.

No penúltimo dia de programação do Fórum, 20 de setembro, moradia e cidades inteligentes são pontos-chave das discussões promovidas nos debates Habitação Pós-Pandemia: A sua casa é a sua causa! e Cidades Inteligentes e Sustentáveis – Mais Conectadas, Criativas e Sustentáveis.

O último dia do Fórum Virada Sustentável, 22 de setembro, também marca o encerramento da 11ª edição da Virada Sustentável. Com uma programação intensa composta por 6 painéis, a agenda do dia discute os principais tópicos abordados ao longo do evento.

Após sua realização, todas as atividades da programação do Fórum Virada Sustentável ficarão disponíveis com tradução em Libras e legenda no canal da Virada Sustentável no Youtube (https://www.youtube.com/user/ViradaSustentavel).

Economista estadunidense Jeffrey Sachs integra o Fórum Virada Sustentável
(Foto: Divulgação)

A Virada Sustentável

O maior festival de sustentabilidade do Brasil envolve articulação e participação direta de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, coletivos de cultura, movimentos sociais, equipamentos culturais, empresas, escolas e universidades. O festival tem como objetivo apresentar uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade e seus diferentes temas para a população, gerando reflexão e discussões a fim de promover um futuro sustentável e reforçando as redes de transformação e impacto social existentes.

O evento, que pelo segundo ano apresenta atividades em formato híbrido, acontece por meio de intervenções em diversas áreas da cidade de São Paulo e em plataformas virtuais, com programação completamente gratuita que apresenta instalações, projeções, grafites, performances, teatro, programação de bem-estar, além do Fórum Virada Sustentável.

A Virada Sustentável São Paulo 2021 é apresentada por Braskem, com patrocínio master da Isa Cteep, patrocínio da Ambev, Gerdau, Sabesp, co patrocínio de Electrolux, Mercado Livre, Novelis, Tetra Pak e apoio das empresas Ball, Deloitte, Instituto Center Norte, Instituto Vedacit e ValGroup. Além da co-realização com a Prefeitura de São Paulo e parceria com PNUD, Instituto Alana, Metrô SP, Pacto Global, Rotary Club, Sesc, Estadão, Eletromidia e Ótima.

Programação

A programação completa pode ser acompanhada nos seguintes canais:
Site: https://www.viradasustentavel.org.br
Instagram: @viradasustentavel
Facebook: facebook.com/viradasustentavel
Youtube: https://www.youtube.com/ViradaSustentavel

Dia 08/09

14h – Economia Circular: Tudo que você precisa saber para se engajar
Descrição
: Dados recentes mostram que o atual sistema linear de “extração-produção-descarte” apresenta claros sinais de esgotamento, demonstrando a necessidade premente de uma transição para um modelo mais circular. No entanto, levantamento internacional identificou que há cerca de cinquenta definições para o termo Economia Circular. Como alinhar esse conceito e implementar um sistema de EC na região? E quem serão os principais protagonistas nessa transição?
Moderador:
Carlos RV Silva Filho: Diretor-presidente da ABRELPE/ISWA
Palestrantes:
Carolina Zoccoli: Especialista em sustentabilidade da Firjan
Flavio Ribeiro: Engenheiro e professor da Unisantos
Alexandre Citvaras: diretor de novos negócios e ESG da Orizon

15h15 – Do fim ao começo: a reciclagem transformando vidas
Descrição
: Como o fim da vida útil das embalagens pode ser o começo da transformação da vida de pessoas que trabalham com a reciclagem e também o começo da vida útil de novos produtos que geram renda para indústrias recicladoras.
Moderadora:
Roberta Jansen, Jornalista
Palestrantes:
Patricia Rosa: Coordenadora de projetos sociais, captação de recursos e gestão institucional da Cataki
Rodrigo Creato: Diretor industrial da NBR Plásticos de Engenharia
Valéria Michel: Diretora de Sustentabilidade da Tetra Pak Brasil e Cone Sul

16h30 – O Aço como agente transformador

Dia 09/09

14h – Futuro da reciclagem
Moderador:
Wagner Soares Costa: Gerente de Meio Ambiente da FIEMG
Palestrantes:
Fabiana Quiroga: Diretora de Economia Circular da Braskem na América do Sul da Braskem
Eduardo Berkovitz: Diretor de Relações Institucionais da Valgroup
Roger Koeppl: Diretor-presidente da YouGreen Cooperativa
Rodrigo Figueiredo: Vice-presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da América do Sul da Ambev.

15h15 – Inovação na reciclagem de embalagens flexíveis
Moderadora:
Roberta Jansen: Jornalista
Palestrantes:
Marcelo Guerreiro Mason: Head de Sustentabilidade da Deink
Karina Turci: Gerente de Sustentabilidade de Embalagens da Ambev

Dia 13/09

10h – Mensagens para o Mundo Pós-Pandemia
Descrição
: Palestra com Jeffrey D. Sachs, professor de economia de renome mundial, autor de best-sellers, educador inovador e líder global em desenvolvimento sustentável.
Moderador:
Jorge Soto: Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem
Palestrante: Jeffrey Sachs

14h – Amazônia e o Futuro do Brasil
Descrição
: O início do desmatamento foi para projetos de infraestrutura, hoje a Floresta perde espaço pelos extrativismos vegetal e mineral e para a produção agropecuária numa troca que pode ter consequências sérias para a sociedade, em especial, a questão climática e o equilíbrio biológico do mundo.
Moderador:
Virgílio Viana: Superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS)
Palestrantes:
Paulo Artaxo: Vice-presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, USP
Roberto Waack Arapyaú: Presidente da Instituto Arapyaú

15h15 – Proteger sem Possuir | A Importância da Biodiversidade dentro de Contexto de Agenda
Descrição
: Na agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), a proteção da biodiversidade vai muito além do impacto ambiental positivo – é a perfeita harmonia entre a conservação dos biomas, o estímulo a alternativas econômicas sustentáveis e o benefício às comunidades locais. Mas de quem é essa responsabilidade? Nesta sessão, os palestrantes vão conversar sobre iniciativas e práticas de preservação e conservação inovadoras e como cada um de nós pode ir além e fazer a diferença.
Moderador:
Bárbara Lins, jornalista
Palestrantes:
Rui Chammas: Diretor-Presidente da ISA CTEEP
Mário Haberfeld: Presidente e co-fundador do Onçafari
Gabriela Yamaguchi: Diretora de Sociedade Engajada da WWF

16h30 – Tendências do consumo online com impacto positivo
Descrição
: A busca por um modo de vida e, consequentemente, um consumo mais sustentável está crescendo no Brasil, e a comercialização online amplia as possibilidades de pessoas encontrarem produtos e marcas de impacto positivo. O objetivo deste painel é debater as tendências do consumo online com impacto positivo a partir da apresentação de dados sobre o consumo de produtos sustentáveis no Mercado Livre e da experiência de dois empreendedores de impacto que alcançaram seus impactos positivos por meio da venda online.
Mediadora:
Laura Motta: Gerente de Sustentabilidade do Mercado Livre
Palestrantes:
Paulo Reis: Pesquisador e diretor da Manioca, premiada indústria de alimentos especializada nos sabores da Amazônia

Dia 15/09

14h – Governança, Sustentabilidade e Geração de Valor
Descrição
: O painel abordará sobre como as boas práticas de Governança podem agregar valor para as empresas, abordar a influência dos aspectos ESG e qual é o processo de implantação dessas boas práticas.
Mediador:
Rodrigo Miguel Trentin: Gerente de Educação Corporativa do IBGC
Palestrantes:
Thiago Salgado: Diretor do FAMÍLIA S.A e Membro da Comissão Empresas Familiares do IBGC

15h15 – Despoluir é necessário. Manter o Rio Pinheiros limpo é obrigação de todos

16h30 – Oportunidades e desafios da equidade de gênero nas organizações
Descrição
: Quais os desafios e oportunidades para implementação da equidade de gênero nas organizações? A sociedade brasileira ainda precisa percorrer um longo caminho para tornar efetiva a igualdade entre homens e mulheres, declarada na Constituição de 1988. Segundo o IBGE, a participação feminina no mercado de trabalho chegou em 2021 ao seu menor índice em 30 anos (46,3%), retornando aos números da década de 1990. Gerar oportunidades e criar um ambiente inclusivo é o caminho para reinserir essas mulheres cujas carreiras foram ainda mais afetadas pela pandemia no mercado de trabalho e ampliar a presença delas em diferentes funções, cargos e níveis hierárquicos. Muitas empresas, cientes de sua força transformadora, vêm trabalhando para desenvolver ambientes mais inclusivos onde seus funcionários possam prosperar. Além disso, já foi comprovado que a diversidade entre indivíduos e as equipes ajuda a revelar ideias e estimula a inovação, promovendo o crescimento e o valor em toda a organização.
Palestrantes:
Margareth Goldenberg: CEO Goldenberg Diversidade e gestora executiva do Movimento Mulher 360
Camili Calixto: Consultora de diversidade e inclusão na consultoria Mais Diversidade
Suellen Moraes: Gerente de Diversidade e Inclusão Ball Corporation para a América do Sul

Dia 16/09

14h – Entendendo o supermercado: um diálogo sobre a agricultura brasileira e fome
Descrição
: O Brasil retorna ao mapa da fome da ONU no mesmo ano em que o setor agrícola bate recordes de exportação de commodities do campo. Como compreender o aumento da produtividade agrícola em um país em que 58 milhões de pessoas correm o risco de deixar de comer por não ter renda suficiente para sobreviver, onde nem todos possuem poder de compra (uma vez que os preços do feijão, do arroz, da carne e outros insumos estão alarmantes nos supermercados) e nem acesso a uma alimentação equilibrada, saudável e sustentável? Neste painel será explorado esse paradoxo entre a superprodução de alimentos base e, como esta produção não resulta em comida no prato dos brasileiros, intensificando a discussão sobre a insegurança alimentar.
Mediadora:
Marina Esteves: Assistente de projetos em práticas empresariais e políticas públicas – Instituto Ethos
Palestrantes:
Paola Loureiro Carvalho: diretora de Relações Institucionais e Internacionais, Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB)
Scarlett Rodrigues: Coordenadora de Práticas Empresariais e Políticas Públicas em Direitos Humanos do Instituto Ethos

15h15 – Redução de Emissões na Gestão de Resíduos: um Coringa para Alcançar as Metas Desejadas
Descrição:
Ser responsável por cerca de 4% das emissões de poluentes climáticos parece muito pouco, mas o setor de resíduos é dos únicos que podem zerar sua contribuição para as mudanças do clima. E mais que isso: contribuir com a diminuição das emissões dos outros.
Mediadora:
Gabriela GP Otero: Coordenadora Técnica da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais)
Palestrantes:
Sandra Mazo-Nix: Coordenadora da Iniciativa de Resíduos da Coalizão pelo Clima e Ar Limpos, CCAC
Patricia Iglecias: Presidente da CETESB

16h30 – Fome e Desenvolvimento: o futuro dos alimentos e a soberania alimentar em um mundo pós-pandemia
Descrição
: Há comida suficiente no mundo para alimentar todas as pessoas, mas, por causa das falhas nos sistemas alimentares, cerca de 811 milhões de pessoas vão para a cama com fome todas as noites, enquanto 2 bilhões estão acima do peso. Alcançar a meta de Fome Zero até 2030 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2) requer soluções que abordem ineficiências sistêmicas, crises políticas e mudanças climáticas, reunindo políticas, intervenções impactantes, infraestrutura, serviços, inovação e tecnologia com liderança política e investimentos. Para aliviar a fome crônica, é necessário pensar no alimento como um direito humano básico, não apenas uma mercadoria, e abordar os problemas específicos de cada país que enfrenta a insegurança alimentar.

Foto Desmatamento: Alex Ribeiro/Ag. Pará/Fotos Públicas

Sema promove série de cursos on-line para celebrar Semana da Amazônia

Em alusão ao dia 5 de setembro, data em que é celebrado o Dia da Amazônia, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) promove uma série de cursos on-line, com emissão de certificados de participação e horas complementares. A programação ocorre de 30 de agosto a 3 de setembro, no canal da Sema Amazonas no Youtube (https://bit.ly/3zrh5s9). 

Os cursos serão abertos ao público, sem restrição de participação. No entanto, para garantia do certificado é necessário preencher formulário disponível no link https://abre.ai/ddge. No dia da live, o participante também deverá confirmar presença, informando o nome completo, nos comentários na transmissão ao vivo. O certificado será emitido apenas para quem cumprir estas duas etapas. 

“A Amazônia é nosso maior patrimônio e não poderíamos deixar esta data sem comemoração. Dessa vez, trouxemos palestras com conteúdos que podem ser aplicados no dia a dia das pessoas, além de conteúdos que as ajudam a entender melhor essa imensidão que é o lugar onde vivemos”, pontuou o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira. 

Palestrantes

Entre os convidados a compartilhar conhecimento na Semana da Amazônia, estão nomes como o do pesquisador e especialista no estudo de plantas medicinais, Moacir Tadeu Biondo. 

O pesquisador é um dos pioneiros a contribuir para o resgate da medicina tradicional e é idealizador da metodologia construtiva “A montagem da paisagem do conhecimento local”, que alcançou cerca de 1,2 mil pessoas em mais de 50 comunidades no Amazonas. 

O mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor Marcus Aurélio Pereira, também palestrará no evento. O biólogo e assessor técnico da Coordenação de Educação Ambiental da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (Seduc), falará sobre Plantas Alimentícias não Convencionais, as PANCs.

Também estão entre os palestrantes, o coordenador do Núcleo de Pesca da Sema, Eduardo Conde, e a assessora do Núcleo de Educação Ambiental da secretaria, Maria Edilene, que falarão sobre os potenciais da pesca esportiva no Amazonas e o voluntariado ambiental, respectivamente.

O encerramento será com um painel sobre bioeconomia em Unidades de Conservação, que reunirá o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira; o arquiteto Marcelo Rosenbaum; o superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana; e o artesão Manoel Garrido, vencedor do ‘Prêmio Casa Vogue Design 2021’. 

“Reunimos um time incrível de palestrantes. Pessoas com muita expertise para compartilhar conhecimentos com o público que quer saber mais sobre o meio ambiente e a Amazônia”, ressaltou Eduardo Taveira. 

Programação completa 

Segunda-feira (30/08)

Curso: Pescando sustentabilidade – potenciais do turismo de pesca esportiva no Amazonas, com Eduardo Conde, coordenador do Núcleo de Pesca da Sema.

Hora: 14h às 15h30.  

Terça-feira (31/08)

Curso: Como ser um multiplicador ambiental na sua comunidade local, com Maria Edilene, assessora do Núcleo de Educação Ambiental da Sema, especialista em Educação e Gestão Ambiental.

Hora: 14h às 15h30.

Quarta-feira (01/09)

Curso: PANCs – conheça as plantas alimentícias não convencionais da Amazônia, com o assessor técnico da Coordenação de Educação Ambiental da Seduc, professor Marcus Aurélio Pereira, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Hora: 14h às 15h30.

Quinta-feira (02/09)

Curso: Plantas Medicinais e Saberes Tradicionais – remédio para o bem-estar do corpo e da mente, com o pesquisador e especialista no estudo de plantas medicinais, Moacir Tadeu Biondo.

Hora: 9h às 10h30.

Sexta-feira (03/09)

Curso: Empreendedorismo sustentável nas Unidades de Conservação (UCs) do Amazonas, com o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira; o superintendente da FAS, Virgílio Viana; o artesão e vencedor do prêmio ‘Casa Vogue’, Manoel Garrido; e o arquiteto Marcelo Rosenbaum.

Hora: 14h às 15h30.

Foto: Ricardo Oliveira/Sema

Luta contra as mudanças climáticas está mais agressiva, aponta IPCC

Os danos causados ao meio ambiente resultam em mudanças climáticas que têm sido cada vez mais drásticas não são novidade, mas o novo relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), revela que a luta contra o tempo está ainda mais agressiva. Apesar de as emissões de CO2 terem dobrado nos últimos 60 anos, florestas, solos e oceanos absorveram 56% de toda essa emissão. Isso significa que o planeta seria um lugar bem mais quente e hostil do que é agora, não fosse a ajuda da natureza. O problema é que a humanidade não está conseguindo combater a destruição do meio ambiente e ele pode entrar em colapso antes do que se imaginava.

O alerta vermelho é acionado para o problema do desmatamento na Amazônia e, no entanto, esses índices seguem batendo recordes históricos. “Precisamos entender, de uma vez por todas, que quando uma pessoa invade e desmata, o impacto se dá em toda a humanidade.”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do projeto LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Segundo Fabiana, a flexibilidade na fiscalização está ameaçando até as Áreas Protegidas, que ainda conseguem manter níveis bem mais baixos de desmatamento se comparadas com as outras áreas. “A criação das áreas protegidas – as unidades de conservação e as terras indígenas -, é uma estratégia significativa para garantir o futuro da Amazônia – e por consequência, da biodiversidade”, afirma.

No entanto, é preciso gerir, monitorar e avaliar esses espaços de forma eficiente, o que significa cumprir os objetivos de criação das áreas protegidas, manter a biodiversidade, as culturas e das comunidades locais e tradicionais além de contribuir com serviços ecossistêmicos para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. “Por isso, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, implementa ações colaborativas multisetoriais (empresas, sociedade civil, governos e movimentos sociais) por meio do Projeto LIRA”, diz Fabiana.

O LIRA nasceu para promover o fortalecimento e a consolidação da gestão dessas áreas protegidas do Bioma Amazônico e colaborar para que sejam desenvolvidas alternativas sustentáveis de produção para as populações desses territórios. “A intenção do Projeto é transformar essas áreas em um polo de desenvolvimento regional e territorial, por meio de seus ativos naturais e sabedoria ancestral dos povos da floresta, possibilitando uma renda eficiente para a população local e o fortalecimento desses povos”, afirma Fabiana.

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais.

Consciência e Atitudes

Neste dia 5 de junho de 2021, nossa consciência deve estar em sintonia com a Casa Comum de todos os viventes em nosso planeta e Mãe Terra, com profundo zelo com a Ecologia Integral, que devemos enquanto comunidade, seres humanos, ser solidários, com respeito à natureza, que tanto nos beneficia com os recursos naturais e que devem ser geridos com sustentabilidade, para que possamos entregar aos nossos filhos e netos um planeta digno de se viver em harmonia, com as bênçãos do Grande Arquiteto do Universo – que é DEUS!

Temos ainda de combater a pobreza extrema dos que estão sofrendo de fome, de falta de abrigo e amor fraterno! Temos que sair de nossas zonas de conforto e praticarmos a caridade com compaixão dos que mais precisam, em tempos tão difíceis, em meio a essa pandemia avassaladora e cruel.

Nesse sentido, precisamos “Pensar global e agir local”, devemos estar atentos e conscientes do que acontece no mundo, mas a nossa atuação pode e deve ser em nosso meio, em nosso lar, comunidade e trabalho. Podemos influenciar nossos amigos, vizinhos e familiares. E essa corrente sustentável pode atingir pessoas influentes e distantes. Podemos conservar, preservar e de forma sustentável ajudar o mundo, apenas melhorando hábitos com respeito ao planeta e todas as suas criaturas existentes.

Temos, ainda, o desmatamento na Amazônia Brasileira que diminui a quantidade de árvores e, com isso, diminui: a densidade da floresta; a assimilação de CO2; o Regime Hidrológico, responsável pela evapotranspiração dos vapores d’água, transportados pelos rios voadores, para o equilíbrio e manutenção das chuvas para o resto do mundo.

Devemos priorizar a segurança dos recursos naturais, com um monitoramento perene e eficaz contra as forças destrutivas que insistem em desmatar e promover queimadas criminosas, as quais destroem a flora e a fauna implacavelmente, colocando em risco a vida e a sobrevivência dos povos tradicionais e indígenas em nossa casa comum. Devemos preservar as áreas de extrema significância ecológica e ambiental, para podermos proporcionar as conexões biológicas, transições gênicas das espécies do reino animal, insecta, aquático dentre outros no contexto do bioma amazônico.

Mais que um Dia mundial de comemorações, precisamos ter CONSCIÊNCIA E ATITUDES globais e locais para nossa casa comum em nossa ecologia integral.

Jurimar Collares Ipiranga
Engenheiro Florestal | CREA AM 8687-D
Mestre em Gestão Ambiental e Áreas Protegidas – UFAM/FCA
Avaliador e Perito Florestal – IBAPE

FOTO: Bruno Kelly|Amazonia Real | Fotos Públicas | Queimada vista aérea floresta próximo a Porto Velho/RO

Estudo mostra impactos de 35 anos da hidrelétrica de Balbina em florestas de igapó da Amazônia

Um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) trouxe uma síntese de mais de 35 anos dos impactos causados pela construção da hidrelétrica de Balbina nas florestas alagáveis de igapó até 125 quilômetros rio abaixo da barragem. O estudo foi publicado recentemente na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, tendo o pesquisador Jochen Schöngart como primeiro de um total de 22 autores, pesquisadores de instituições do Brasil, Alemanha, Holanda e Reino Unido. A publicação traz os detalhes das perturbações encontradas no espaço e no tempo na floresta de igapó, desde o início da construção da barragem em 1983, e um alerta para o que pode acontecer em outros pontos dos rios amazônicos, onde há mais de 400 barragens, operando, planejadas ou em construção.

A alteração mais nociva é o que os pesquisadores estão chamando de “efeito sanduiche”, no qual o “recheio” não é nem de longe saboroso. A pressão sofrida pelas florestas nas porções mais elevadas e mais baixas resulta na perda de habitats e na diversidade de árvores, com severos impactos nas cadeias tróficas, incluindo a alimentação de peixes, além da perda de importantes serviços ecossistêmicos. A pressão das porções baixas resulta dos elevados níveis mínimos de água durante o período de operação da barragem.

“Aproximadamente 12% das florestas de igapó já morreram e outras são ameaçadas se o modo operacional de construção das barragens continuar a alterar o regime hidrológico”, salientou Jochen Schöngart, que possui graduação e doutorado em ciências florestais. Essas árvores são espécies que estavam adaptadas ao regime regular e anual de inundação, como a Eschweilera tenufolia (conhecida como cuieira e macacarecuia), mas que após o barramento do rio Uatumã (150 quilômetros ao norte de Manaus) tiveram que lidar com inundações quase permanentes, acima da capacidade das espécies de tolerar tanto tempo debaixo d’água.

Nas topografias mais altas, as florestas de igapós foram afetadas pela invasão de espécies da terra firme que possivelmente são mais competitivas que as espécies de igapó. Nas topografias médias, houve um forte declínio da diversidade e, com isso, a dominância de algumas espécies arbóreas. Segundo o pesquisador, os distúrbios que causaram o impacto foram gerados durante o enchimento do reservatório (1983-1989) que resultou em condições de extrema seca nos igapós a jusante da barragem.

“Árvores das florestas alagáveis começaram a morrer por causa da falta de água. Possivelmente incêndios também afetaram os igapós neste período em que as condições secas geradas ainda foram potencializadas por eventos o El Niño (1982/1983 e 1986-1988), que diminuem a precipitação e tendem aumentar a temperatura e a umidade relativa do ar nesta região”, explicou.

A hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo, é considerada um dos maiores desastres socioambientais da Amazônia, com impactos que vão além do reservatório e da barragem. O reservatório inundou uma área de quase 3.000 quilômetros quadrados, afogando florestas de igapó e de terra firme. Apenas os planaltos de terra firme em altitudes mais elevadas permaneceram, formando uma paisagem fragmentada de mais de 3.500 ilhas isoladas em um “cemitério de milhões de árvores mortas”, conhecidos “paliteiros”, e a produção ao longo dos anos de um grande volume de gases de efeito estufa, como o metano. A capacidade instalada prevista era de 250 MW, porém, desde o início das operações em fevereiro de 1989, Balbina nunca gerou energia suficiente para atender Manaus que atualmente consome dez vezes mais energia do que essa usina hidrelétrica produz.

Distúrbios espaço-temporais nas florestas alagáveis de igapó a jusante da barragem de Balbina ao longo de um período de 35 anos, resultando em perda de macrohabitats, mortalidade maciça de árvores e perda da diversidade de espécies arbóreas, afetando o funcionamento do ecossistema e o fornecimento de serviços ambientais

Recomendações

O artigo traz recomendações concretas para mitigar os impactos nas áreas alagáveis para as usinas hidrelétricas em fase de operação, construção e planejamento. Para as barragens em operação, os pesquisadores apontam mudanças no modo operacional, de forma que a liberação da água do reservatório simule o regime natural de baixas águas (índice de fluxo de base do período pré-barragem). Enquanto para as barragens em construção, deveriam ser evitadas condições de extrema seca nas áreas alagáveis a jusante durante a instalação, pois isso pode resultar em elevada mortalidade de árvores por falta de água ou por incêndios. “Isso é de extrema importância nos períodos atuais em que mudanças climáticas podem potencializar os impactos devido ao aumento de temperatura e de eventos extremos de secas”, afirma Schöngart.

Para as barragens planejadas, as áreas alagáveis deveriam ser consideradas no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), que hoje só leva em conta as áreas que serão impactadas pela construção da barragem e do reservatório. Com base nos estudos sintetizados pelos pesquisadores, o EIA/Rima deveria integrar áreas alagáveis até a confluência com um afluente da mesma ordem de rio sem impactos, ou até a confluência com um rio de ordem superior que amortece as alterações causadas pelo efeito da barragem hidráulica.

“Modelos que permitem simular o nível da água e a descarga do rio deveriam estimar a geração de energia hidrelétrica, condicionada ao modo operacional que simule o regime natural de águas baixas. Isso exige uma reavaliação de muitas barragens planejadas por um consórcio envolvendo os órgãos públicos do governo, cientistas, partes interessadas da sociedade civil, indústria e as agências financeiras para evitar ou pelo menos mitigar os possíveis impactos nas áreas alagáveis”, defendem os pesquisadores.

O estudo também deixa um alerta para a necessidade de políticas públicas eficientes voltadas ao desenvolvimento sustentável da região amazônica: “Precisam avaliar os impactos das barragens planejadas considerando o balanço entre geração de energia e a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos que afetam as populações indígenas e ribeirinhas tradicionais, em particular, e a sociedade brasileira, em geral”, destacou Schöngart.

Acompanhamento e uso de modernas técnicas

Em 2009, ou seja, 20 anos após a usina iniciar sua operação, os pesquisadores observaram os paliteiros na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uatumã, dezenas de quilômetros a jusante da barragem de Balbina. Isso levou à formulação da hipótese principal do trabalho, de que as árvores morreram por causa da barragem. Os primeiros estudos tiveram início para buscar evidências. Essas atividades foram realizadas pelos participantes do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP MAUA/ Inpa), sob coordenação da pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, por meio de vários projetos e cooperações, como o Programa LBA (Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) e PELD (Pesquisa Ecológica de Longa Duração), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), de forma a permitir uma abordagem sistemática e abordar diferentes componentes da floresta (plântulas, árvores), em nível da espécie de árvore até a escala de paisagem. Os estudos tiveram apoio de parcerias dentro do Inpa (INCT-Adapta, Projeto Atto) e em nível nacional (INCT-Inau, Universidade Estadual Paulista, Universidade de Brasília) e internacional (Instituto Max-Planck de Química em Jena, Instituto Tecnológico de Karlsruhe, ambos na Alemanha), entre outras.

Para testar a hipótese principal e trazer evidências de distúrbios no passado, quando começou a instalação da barragem de Balbina, na década de 1980, os pesquisadores procuraram evidências destes impactos em séries históricas de dados hidrológicos, imagens de satélite e nas informações que as árvores armazenam no seu tronco em forma de anéis de crescimento que podem ser associadas aos anos calendários do passado por meio de datação de radiocarbono e dendrocronologia.

Em paralelo, foram feitos inventários e monitoramentos das florestas de igapó impactados em comparação com igapós sem distúrbios antropogênicos ao longo do rio Abacate, um afluente do rio Uatumã. E os estudos não param. Ainda estão sendo realizados e planejados experimentos em laboratório no Inpa (microcosmos/INCT-Adapta e casa de vegetação) sob condições controladas para obter mais informações sobre as características e respostas de algumas espécies de árvores que dominam os igapós após perturbações.

Após alcançar uma massa crítica de dados, evidências e informações, os pesquisadores elaboraram a síntese que permitiu reconstruir os distúrbios em espaço e tempo desde que a barragem de Balbina começou a ser construída até os tempos atuais. “Mais de dez anos se passaram desde a primeira observação até esta síntese para indicar recomendações concretas às políticas públicas baseadas em vários estudos capacitando alunos de diferentes níveis de formação acadêmica de diversos programas de
pós-graduação do Inpa. A formação de recursos humanos é fundamental para o futuro dos ambientes amazônicos e é um dos mais importantes produtos deste esforço”, destacou a pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, que também assina o artigo.

Próximos passos

A Fase 3 do Projeto PELD foi aprovada pelo CNPq e pela Fapeam recentemente, com o título ‘Sítios demonstrativos de ecossistemas de áreas úmidas oligotróficas pristinos e impactados na Amazônia Central: encontrando tendências e preenchendo lacunas’. Nesta fase serão testadas algumas hipóteses formuladas na síntese elaborada, e os estudos integrarão outros componentes, como epífitas, relações entre árvores e fungos, árvores e peixes e impactos socioambientais.

O objetivo é criar um sítio demonstrativo que possa fornecer para vários grupos da sociedade (cientistas, gestores ambientais, tomadores de decisão, ensino de diversos níveis, populações tradicionais e outros) um conhecimento científico integrado sobre a biodiversidade e as inter-relações de componentes-chave da biota, sobre processos e serviços ecossistêmicos, integrando também aspectos socioambientais e políticas públicas.

Da Ascom/Inpa

Foto e imagem: Jochen Schöngart

Amazônia Legal tem nova plataforma de informações para desenvolvimento sustentável

Por César Augusto*

Uma plataforma de acesso a dados consolidados sobre os nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) foi lançada nesta quarta-feira (24) pela iniciativa Uma Concertação pela Amazônia em webinar transmitido pelo canal Revista Página22, no YouTube. A Amazônia Legal em Dados, com acesso liberado a qualquer pessoa, proporciona de forma inédita uma visão integrada das nove unidades amazônicas, reunindo 113 indicadores em 11 temas como ciência e tecnologia, demografia, desenvolvimento social, educação, economia, infraestrutura, institucional, meio ambiente, saneamento, saúde e segurança.  Todas as informações são obtidas a partir de 16 fontes conhecidas, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, pretende oferecer uma melhor base para a discussão e implementação de políticas públicas para a região.

A ferramenta, desenvolvida pela empresa Macroplan, traz análises de questões críticas e mostra desafios da região nos últimos 10 anos, além de permitir observações prospectivas, ou seja, como estes indicadores podem evoluir rumo a 2030. Os dados podem ser visualizados por municípios e também dentro de quatro grandes divisões da Amazônia: arco do desmatamento, cidades, região antropizada e região conservada.

Com base nos dados disponibilizados na plataforma, é possível acessar informações, por exmeplo, sobre taxa de homícidios nos nove Estados e seus municípios, número de óbitos por acidentes de trânsito, índices educacionais, dados populacionais e taxa de desemprego. A intenção é buscdar o desenvolvimento sustentável a partir de informações estratégicas, segundo o sócio diretor da Macroplan, Gustavo Morelli. “Não se trata de um repositório de dados, e sim de um hub de inteligência estratégica para apregar valor aos protagonistas desse processo (moradores da região e aqueles que se beneficiam desse momento”, esclarece. Outra característica da plataforma é a possibilidade de identificar os desafios específicos na região com base em algoritmos que os identificam. “Ela foi pensada para o gestor público, o governador, o empresário”, informa. Segundo Morelli, essa primeira versão da plataforma deve ser incrementada aos poucos com o retorno dos usuários.

O representante da Concertação e fellow do Instituto Arapyaú, que participou da concepção do projeto, Francisco Gaetani – também professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundcação Getúlio Vargas (Ebape/FGV) -, afirma çque a plataforma permite uma base para trabalhos na região de forma a alavancar o seu desenvolvimento sustentável. “É um impulso ao esfçroço conjunto de trabalho por uma Amazônia inovadora, transformadora, que respeita suas riquezas e as use como mola para o desenvolvimento. “A região é uma grande vitrine viva do Brasil para o mundo”, declara. “Cada vez mais valorizamos as evidências, pois ajudam a entender a realidade e a tomar as melhores decisões. Neste portal reunimos mais de 100 indicadores em um único lugar para facilitar a obtenção e análise de dados, principalmente para o gestor público”, acrescenta Gateani.

Para o governador do Maranhão e presidente do Consórcio Amazônia Legal, Flávio Dino, a plataforma vai iluminar as realidades da região e reunir dados confiáveis para geração de projetos, captação de recursos e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento sustentável. “Essas iniciativas regionais ganham importância quando existe hoje apologia da ignorância como norteadora de ‘políticas públicas’. Acreditamos no conhecimento como chave de superação dos problemas, sem saídas milagrosas”, aponta o governador.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Tatiana Schor, declara que a iniciativa permite mostrar a utilidade e necessidade dos dados apresentados, possibilitando cruzamento de dados de modo fácil. “Precisamos pensar em como a plataforma vai ser útil nas áreas de atuação”, afirma Schor, com a experieência de quem, como pesquisadora, sempre percebeu a dificuldade de monitoramento de dados pela ausência de informações fidedignas. “Este portal vai além das plataformas que temos disponíveis atualmente, pois permite a análise dos desafios e os recortes temáticos, assim como as possibilidades de fazer perguntas e de ter perspectivas de novas análises. Sabemos que só com os dados que já existem a aferição ainda é fraca”, acrescenta a secretária.

“Existe uma visão maniqueísta sobre a Amazônia que nos leva a cair em armadilhas, e a plataforma vai ajudar a se ter uma melhor noção do que é a região”, avalia o economista e ex-governador do Pará, Simão Jatene. “Os dados ajudam a construir uma história, qualificando melhor os problemas de cada Estado e ajudando a responder melhor a eles”, acrescenta. Para o economista, a Amazônia deve deixar de ser vista como um apêndice do país, em razão de sua extensão, pois ocupa cerca de 60% do território nacional.

“A Concertação nasceu, essencialmente, para a desfragmentação de iniciativas na Amazônia Legal. O lançamento da plataforma é o primeiro passo concreto da iniciativa nesse rumo e tem a intenção de se tornar, mais do que um hub de tecnologia, uma plataforma comum de conhecimento dos dados a ser utilizada por gestores públicos e demais interessados na agenda de desenvolvimento sustentável da região”, diz Renata Piazzon, Secretária Executiva da Concertação pela Amazônia.

Funcionalidades

Pelo portal, é possível checar com agilidade, por exemplo, quais os coeficientes de Gini (que mede a desigualdade de renda domiciliar per capita) dos estados e da região. O território da Amazônia Legal aparece em crescente evolução no coeficiente de Gini, que em 2019 foi de 0,535, próximo da média nacional (0,538), mas ainda distante da região Sul, que foi 0,467. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. O melhor indicador na região foi registrado no Mato Grosso, de 0,456, em 2019, refletindo sua posição como o estado com a melhor renda domiciliar per capita da Amazônia Legal, no valor de R$ 1.360,20, enquanto a média da região é de R$ 872,00.

Ao mesmo tempo, a plataforma Amazônia Legal em Dados mostra que a região teve crescimento nos últimos dez anos tanto do PIB total quanto do PIB per capita. Na década de 2008 a 2018, houve um crescimento real do PIB de 32% e a participação da região no PIB do país subiu 1,5 p.p. no período. Enquanto o PIB per capita da região teve um crescimento médio real de 1,2% ao ano, superior ao do Brasil (0,3%) e das demais regiões do país. Porém, é necessário ousar no crescimento do PIB per capita da região, o qual ainda é 38,7% inferior ao restante do país.

AMAZÔNIA LEGAL EM NÚMEROS

808 municípios (14,5% das cidades do país)

5,1 milhões de quilômetros quadrados (60% do território brasileiro)

29,3 milhões de habitantes (14% do Brasil)

11,2 milhões de ocupados (12% do Brasil)

PIB de R$ 623 bilhões (9% do PIB nacional)

SERVIÇO

Portal Amazônia em Dados – https://amazonialegalemdados.info/home/home.php

Uma Concertação Pela Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia nasceu em 2020 sob a premissa de que é preciso gerar conhecimento, promover o debate e buscar consensos sobre os diversos aspectos e dimensões que envolvem a região amazônica. Fazem parte da iniciativa mais de 250 lideranças que priorizaram o entendimento da complexidade da Amazônia como condição essencial para o desenvolvimento do país. São representantes de toda a sociedade brasileira, como governos, entidades filantrópicas, setor econômico, comunidades locais e academia, que buscam soluções de conservação e de desenvolvimento sustentável da região.

Seus membros se encontram em plenárias mensais e em grupos de trabalho para discutirem questões como bioeconomia, regularização fundiária, caminhos para a Cop26 e engajamento do setor privado, voltadas para as quatro macro regiões, classificadas como:

. Amazônia Conservada, que hoje tem boa área de proteção, serviços ambientais e bioeconomia de baixo impacto;

. Arco do Desmatamento, região do agronegócio com predominância do manejo florestal;

. Amazônia Antropizada, com atuação do setor de mineração e agronegócio, e

. Amazônia Urbana, onde predominam os serviços e a indústria.

Ao ampliar vozes, garantir a diversidade e promover um ambiente seguro de trocas, a Concertação busca reduzir a fragmentação de iniciativas e a polarização sobre a região e, assim, construir uma agenda positiva e de longo prazo. Dessa forma, pretende também engajar mais líderes e promover modelos de negócios voltados para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Mais informações: https://pagina22.com.br/uma-concertacao-pela-amazonia/

* Com informações da assessoria de comunicação

Foto: Agência Brasil