Alteração que atinge 5% das mulheres grávidas, cistite aumenta as chances de partos prematuros

Causada geralmente por infecção bacteriana, a cistite (inflamação na bexiga) atinge principalmente pessoas do sexo feminino e pode evoluir para outras partes do trato urinário, como uretra e rins, causando desconforto, dores e outros sintomas. Estão inseridas nesse contexto, 5% das mulheres gestantes, que quando acometidas pela alteração, têm os riscos de partos prematuros e até abortos, potencializados, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo.

Doutor em saúde coletiva, Figliuolo explica que, no caso das mulheres grávidas, o alargamento do trato urinário, ocasionado pelas mudanças hormonais, as torna mais propensas a esse tipo de problema, quadro que facilita o acesso das bactérias à bexiga e até ao útero, provocando, em casos mais graves, a antecipação dos partos.

Pessoas fora dessa condição também são alvos fáceis e podem desenvolver a cistite de forma repetitiva. Quando isso ocorre, a orientação é que haja uma avaliação clínica com um urologista, para a correção do problema e a melhoria da qualidade de vida do paciente.

O especialista ressalta que a principal causadora da cistite, também conhecida como infecção urinária, ou, Infecção do Trato Urinário (ITU), é a bactéria Escherichia coli, ou, E.coli, que integra a microbiota intestinal e acaba migrando para o sistema urinário. “No caso das mulheres, a cistite é mais comum porque a uretra feminina é mais curta que a masculina, o que facilita o acesso da bactéria ao organismo”, destacou.

De acordo com o especialista, sintomas como necessidade urgente de urinar com mais frequência, liberação de quantidade pequena de urina, ardor ao fazer xixi, dores pélvicas e na bexiga, nas costas, sangue na urina e febre, podem indicar a presença da alteração, que se não tratada adequadamente, com a dosagem medicamentosa prescrita por um médico, pode evoluir para quadros de infecção generalizada e levar, inclusive, à morte.

Prevenção

Apesar de comum, a cistite pode ser prevenida com medicas simples no dia-a-dia, como consumir muita água (pelo menos dois litros ao dia para ajudar a eliminar as bactérias da bexiga durante a micção), esvaziar com frequência a bexiga – segurar o xixi por tempo prolongado é contraindicado -, reforçar os cuidados com a higiene pessoal, urinar após as relações sexuais, usar sempre o papel higiênico na direção da frente para trás e, se possível, lavar a região após evacuar.

“Roupas íntimas muito justas ou que retenham calor e umidade, ajudam na proliferação dessas bactérias nocivas. Na região Norte, onde o calor é potencializado pela proximidade com a Linha do Equador, isso fica mais evidente e os cuidados devem ser redobrados”, frisou.

Foto: divulgação

Alteração silenciosa, gordura no fígado atinge cerca de 30% dos brasileiros

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que cerca de 30% da população brasileira é acometida pela esteatose hepática não alcoólica, alteração negligenciada por boa parte dos indivíduos e que tem como uma das principais características, o desenvolvimento silencioso e assintomático inicialmente. Especialistas alertam que, se não tratada a tempo e da forma adequada, a doença pode evoluir para a morte ou levar a quadros graves de saúde.

A presidente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), Karina Barros, explica que a gordura no fígado, também classificada como Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), está diretamente associada à má alimentação (rica em gorduras saturadas presentes em fast-food, enlatados e embutidos, por exemplo), ao diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo e outros fatores de risco, como as síndromes metabólicas (pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides – nesses últimos dois casos, denomina-se dislipidemia).

No entanto, há pessoas magras (sem tendência a engordar) que também desenvolvem o problema, devido ao consumo de alimentos muito gordurosos.

“Há alguns anos, estimava-se que o número de brasileiros acometidos pela esteatose hepática chegava a 20%. Com a vida corrida, a falta de tempo e a comodidade de pedir um alimento pronto para consumo em casa ou no trabalho, sem a devida atenção às orientações nutricionais gerais, esse número já chega a 30%. Por isso, é preciso alertar as pessoas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, através de um check up médico anual, por exemplo, e do controle das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, que associadas à gordura no fígado, podem levar a quadros mais complicados à saúde e a tratamentos mais prolongados”, destaca Karina Barros.

Detectada geralmente por exames de imagem, como a ultrassonografia, a esteatose também pode estar associada, segundo pesquisas na área, a doenças no fígado, como a hepatite, e até a alterações no ovário, conhecidas como ovário policístico, além do hipotireoidismo e ao uso de corticoides e outros medicamentos.

O quadro de esteatose hepática se dá através do acúmulo excessivo de gordura (lipídios) nas células do fígado (os hepatócitos). Os laudos da esteatose hepática podem apontar grau 1 (esteatose hepática leve) quando há pequeno acúmulo de gordura; grau 2, quando há acúmulo moderado e esteatose hepática; grau 3, quando o acúmulo de gordura no fígado é grande e o quadro é mais preocupante.

Na maioria dos casos, o tratamento é feito através de dieta com acompanhamento nutricional, uso de medicamentos e exercícios físicos regulares, além de avaliação médica especializada e acompanhamento de clínico geral ou hepatologista.

Segundo a Associação Brasileira de Hepatologia (ABH), “desde que controlado os fatores que causaram a doença, a esteatose pode permanecer estável em torno de 70 a 80% dos pacientes. Em 20 a 30% dos casos a esteatose pode evoluir para esteatoepatite, que pode ser controlada com o tratamento adequado. Entretanto essa forma da doença tem maior potencial de progressão ao longo dos anos para cirrose e carcinoma hepatocelular, se não for devidamente orientada”, destaca a entidade.

Foto: divulgação

Associação de enfermagem lança programa com dicas de saúde no YouTube

Com foco na promoção à saúde, a Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas) lançou, na última semana, em seu canal no YouTube, o programa “Pé de saúde em casa”, uma iniciativa que visa facilitar, durante o período da pandemia do novo coronavírus, o acesso da população a informações relevantes, voltadas à prevenção de doenças, fatores de risco e reabilitação.

Embora o nome do projeto faça alusão ao programa “Pé Diabético”, desenvolvido pela Segeam na rede pública estadual de saúde do Amazonas, a série de vídeos abordará temas variados. A primeira edição, publicada na última semana nas plataformas digitais, está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=CsNTI0ar7Kk, e traz como mote uma sequência de “exercícios respiratórios”, importantes ao processo de reabilitação e bem-estar de pacientes com problemas no aparelho respiratório, entre eles, sequelas provocadas pela Covid-19.

No vídeo, de pouco mais de quatro minutos, a fisioterapeuta Paula Gondim, que atua no Ambulatório de Egressos, um dos braços do programa Pé Diabético em Manaus, explica como executar cada exercício, as posições indicadas, número de repetições, entre outros detalhes.

A presidente da Segeam, enfermeira Karina Barros, explica que, mesmo com as dicas, é importante que haja um acompanhamento médico, dependendo do quadro clínico de cada paciente.

Ela destaca, ainda, que a produção dos vídeos ocorrerá por tempo indeterminado e frisa a importância das tecnologias para o momento atual vivido pela humanidade. “Como já sabemos, autoridades em saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde), têm reforçado a importância de se manter o distanciamento social, como medida de combate à pandemia. No Amazonas, vivemos, há poucas semanas, momentos muito difíceis. Por isso, decidimos utilizar a internet, para estreitar a relação com a população e, ao mesmo tempo, contribuir com as ações em saúde, levando orientação e reforçando protocolos já utilizados em atendimentos domiciliares e até mesmo hospitalares”, enfatizou. Os vídeos serão publicados no canal do YouTube (Segeam) e serão reproduzidos nos perfis da Associação no Instagram (@segeam_amazonas) e Facebook (@Segeam). Os personagens atenderão a critérios técnicos, como formação e especialização nas áreas de abordagem.

Foto: divulgação

Taxa de câncer de colo uterino no Amazonas é 102% maior que a média brasileira

Com uma taxa bruta de casos de câncer de colo de útero 102,3% maior que a brasileira, o Amazonas tem como um dos grandes desafios na saúde pública, e também na privada, conscientizar sobre a importância da prevenção à doença, através de ações individuais e coletivas, como a realização anual do exame preventivo Papanicolau e a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano), principal agente causador da alteração, explica a presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), enfermeira oncológica Marília Muniz.

Dados da Estimativa de Casos Novos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apontam que a taxa bruta, que projeta o número de casos para cada 100 mil mulheres, é de 16,35 para o Brasil e 33,08 para o Amazonas. Quando se trata de Manaus, a situação é ainda mais grave, com uma taxa bruta de incidência de 51,94 para a mesma proporção de mulheres. Significa dizer que a maior parte dos casos está concentrada na capital. O Inca é um órgão é subordinado ao Ministério da Saúde (MS) e a tabela com a estimativa consta na projeção mais recente lançada pelo Governo Federal.

Em 2019, o movimento Março Lilás foi lançado no Amazonas, através da Lei 4.768/19, sancionada pelo Governo do Amazonas. Em 2021, ano de pandemia, explica Marília Muniz, as ações educativas estão mais tímidas, restritas à conscientização em ambientes hospitalares internos e à internet.

“Por isso, decidimos lançar um alerta sobre a situação. A ampliação de ações educativas, tendo as novas tecnologias como aliadas, podem ajudar a mudar uma triste realidade que assombra nosso Estado. Temos um dos maiores índices da doença no País e sabemos que isso pode ser evitado, uma vez que o câncer de colo uterino é 100% prevenível”, destacou.

Usar o preservativo durante as relações sexuais, vacinar meninas em idade escolar para imunizá-las contra o HPV e chamar a atenção de mulheres em idade reprodutiva, sobre a necessidade do preventivo, são medidas essenciais para conter o avanço desse tipo de neoplasia maligna, que deve acometer, só em 2021, cerca de 700 mulheres no Amazonas e 16.710 no Brasil.

“Uma informação importante é: se fizer o Papanicolau, busque o resultado. E, em caso de alteração sugestiva, procure ajuda médica especializada o mais rápido possível”, orienta Marília. De acordo com ela, mais de 90% dos casos de câncer de colo uterino são provocados pelo HPV (Papilomavírus Humano), considerado uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), mas que pode ser evitado.

“Existem centenas de tipos de HPV, mas apenas 13 são considerados oncogênicos (que podem evoluir para o câncer), o que não anula a importância e a responsabilidade de se investigar caso a caso. As lesões provocadas pelo HPV são consideradas precursoras e, se tratadas a tempo, não evoluem para quadros de câncer”, assegurou.

O ideal, segundo a especialista, é que mulheres com vida sexual ativa façam um check up médico uma vez ao ano, se antecipando a eventuais problemas, ou, detectando-os precocemente. “Agendar-se com antecedência para consultas com ginecologista, mastologista e outros especialistas, é um ato de amor próprio. Lembramos que, na oncologia, o principal ditado é: quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as chances de cura”, concluiu.

Foto: divulgação

Amazônia Legal tem nova plataforma de informações para desenvolvimento sustentável

Por César Augusto*

Uma plataforma de acesso a dados consolidados sobre os nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) foi lançada nesta quarta-feira (24) pela iniciativa Uma Concertação pela Amazônia em webinar transmitido pelo canal Revista Página22, no YouTube. A Amazônia Legal em Dados, com acesso liberado a qualquer pessoa, proporciona de forma inédita uma visão integrada das nove unidades amazônicas, reunindo 113 indicadores em 11 temas como ciência e tecnologia, demografia, desenvolvimento social, educação, economia, infraestrutura, institucional, meio ambiente, saneamento, saúde e segurança.  Todas as informações são obtidas a partir de 16 fontes conhecidas, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, pretende oferecer uma melhor base para a discussão e implementação de políticas públicas para a região.

A ferramenta, desenvolvida pela empresa Macroplan, traz análises de questões críticas e mostra desafios da região nos últimos 10 anos, além de permitir observações prospectivas, ou seja, como estes indicadores podem evoluir rumo a 2030. Os dados podem ser visualizados por municípios e também dentro de quatro grandes divisões da Amazônia: arco do desmatamento, cidades, região antropizada e região conservada.

Com base nos dados disponibilizados na plataforma, é possível acessar informações, por exmeplo, sobre taxa de homícidios nos nove Estados e seus municípios, número de óbitos por acidentes de trânsito, índices educacionais, dados populacionais e taxa de desemprego. A intenção é buscdar o desenvolvimento sustentável a partir de informações estratégicas, segundo o sócio diretor da Macroplan, Gustavo Morelli. “Não se trata de um repositório de dados, e sim de um hub de inteligência estratégica para apregar valor aos protagonistas desse processo (moradores da região e aqueles que se beneficiam desse momento”, esclarece. Outra característica da plataforma é a possibilidade de identificar os desafios específicos na região com base em algoritmos que os identificam. “Ela foi pensada para o gestor público, o governador, o empresário”, informa. Segundo Morelli, essa primeira versão da plataforma deve ser incrementada aos poucos com o retorno dos usuários.

O representante da Concertação e fellow do Instituto Arapyaú, que participou da concepção do projeto, Francisco Gaetani – também professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundcação Getúlio Vargas (Ebape/FGV) -, afirma çque a plataforma permite uma base para trabalhos na região de forma a alavancar o seu desenvolvimento sustentável. “É um impulso ao esfçroço conjunto de trabalho por uma Amazônia inovadora, transformadora, que respeita suas riquezas e as use como mola para o desenvolvimento. “A região é uma grande vitrine viva do Brasil para o mundo”, declara. “Cada vez mais valorizamos as evidências, pois ajudam a entender a realidade e a tomar as melhores decisões. Neste portal reunimos mais de 100 indicadores em um único lugar para facilitar a obtenção e análise de dados, principalmente para o gestor público”, acrescenta Gateani.

Para o governador do Maranhão e presidente do Consórcio Amazônia Legal, Flávio Dino, a plataforma vai iluminar as realidades da região e reunir dados confiáveis para geração de projetos, captação de recursos e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento sustentável. “Essas iniciativas regionais ganham importância quando existe hoje apologia da ignorância como norteadora de ‘políticas públicas’. Acreditamos no conhecimento como chave de superação dos problemas, sem saídas milagrosas”, aponta o governador.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Tatiana Schor, declara que a iniciativa permite mostrar a utilidade e necessidade dos dados apresentados, possibilitando cruzamento de dados de modo fácil. “Precisamos pensar em como a plataforma vai ser útil nas áreas de atuação”, afirma Schor, com a experieência de quem, como pesquisadora, sempre percebeu a dificuldade de monitoramento de dados pela ausência de informações fidedignas. “Este portal vai além das plataformas que temos disponíveis atualmente, pois permite a análise dos desafios e os recortes temáticos, assim como as possibilidades de fazer perguntas e de ter perspectivas de novas análises. Sabemos que só com os dados que já existem a aferição ainda é fraca”, acrescenta a secretária.

“Existe uma visão maniqueísta sobre a Amazônia que nos leva a cair em armadilhas, e a plataforma vai ajudar a se ter uma melhor noção do que é a região”, avalia o economista e ex-governador do Pará, Simão Jatene. “Os dados ajudam a construir uma história, qualificando melhor os problemas de cada Estado e ajudando a responder melhor a eles”, acrescenta. Para o economista, a Amazônia deve deixar de ser vista como um apêndice do país, em razão de sua extensão, pois ocupa cerca de 60% do território nacional.

“A Concertação nasceu, essencialmente, para a desfragmentação de iniciativas na Amazônia Legal. O lançamento da plataforma é o primeiro passo concreto da iniciativa nesse rumo e tem a intenção de se tornar, mais do que um hub de tecnologia, uma plataforma comum de conhecimento dos dados a ser utilizada por gestores públicos e demais interessados na agenda de desenvolvimento sustentável da região”, diz Renata Piazzon, Secretária Executiva da Concertação pela Amazônia.

Funcionalidades

Pelo portal, é possível checar com agilidade, por exemplo, quais os coeficientes de Gini (que mede a desigualdade de renda domiciliar per capita) dos estados e da região. O território da Amazônia Legal aparece em crescente evolução no coeficiente de Gini, que em 2019 foi de 0,535, próximo da média nacional (0,538), mas ainda distante da região Sul, que foi 0,467. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. O melhor indicador na região foi registrado no Mato Grosso, de 0,456, em 2019, refletindo sua posição como o estado com a melhor renda domiciliar per capita da Amazônia Legal, no valor de R$ 1.360,20, enquanto a média da região é de R$ 872,00.

Ao mesmo tempo, a plataforma Amazônia Legal em Dados mostra que a região teve crescimento nos últimos dez anos tanto do PIB total quanto do PIB per capita. Na década de 2008 a 2018, houve um crescimento real do PIB de 32% e a participação da região no PIB do país subiu 1,5 p.p. no período. Enquanto o PIB per capita da região teve um crescimento médio real de 1,2% ao ano, superior ao do Brasil (0,3%) e das demais regiões do país. Porém, é necessário ousar no crescimento do PIB per capita da região, o qual ainda é 38,7% inferior ao restante do país.

AMAZÔNIA LEGAL EM NÚMEROS

808 municípios (14,5% das cidades do país)

5,1 milhões de quilômetros quadrados (60% do território brasileiro)

29,3 milhões de habitantes (14% do Brasil)

11,2 milhões de ocupados (12% do Brasil)

PIB de R$ 623 bilhões (9% do PIB nacional)

SERVIÇO

Portal Amazônia em Dados – https://amazonialegalemdados.info/home/home.php

Uma Concertação Pela Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia nasceu em 2020 sob a premissa de que é preciso gerar conhecimento, promover o debate e buscar consensos sobre os diversos aspectos e dimensões que envolvem a região amazônica. Fazem parte da iniciativa mais de 250 lideranças que priorizaram o entendimento da complexidade da Amazônia como condição essencial para o desenvolvimento do país. São representantes de toda a sociedade brasileira, como governos, entidades filantrópicas, setor econômico, comunidades locais e academia, que buscam soluções de conservação e de desenvolvimento sustentável da região.

Seus membros se encontram em plenárias mensais e em grupos de trabalho para discutirem questões como bioeconomia, regularização fundiária, caminhos para a Cop26 e engajamento do setor privado, voltadas para as quatro macro regiões, classificadas como:

. Amazônia Conservada, que hoje tem boa área de proteção, serviços ambientais e bioeconomia de baixo impacto;

. Arco do Desmatamento, região do agronegócio com predominância do manejo florestal;

. Amazônia Antropizada, com atuação do setor de mineração e agronegócio, e

. Amazônia Urbana, onde predominam os serviços e a indústria.

Ao ampliar vozes, garantir a diversidade e promover um ambiente seguro de trocas, a Concertação busca reduzir a fragmentação de iniciativas e a polarização sobre a região e, assim, construir uma agenda positiva e de longo prazo. Dessa forma, pretende também engajar mais líderes e promover modelos de negócios voltados para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Mais informações: https://pagina22.com.br/uma-concertacao-pela-amazonia/

* Com informações da assessoria de comunicação

Foto: Agência Brasil

Livro e vídeos valorizam saberes da floresta das mulheres do Careiro|AM

Projeto é apoiado pelo GT Agenda 2030 com recursos da União Europeia e promove o valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta

‘Mulheres e as ervas da Amazônia’, sobre o reconhecimento e promoção do valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta. é o livro a ser lançado pelo Instituto 5 Elementos, uma das organizações que integram o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030), no próximo dia 10 de novembro, às 17h30 (hora Brasília-DF), nos canais digitais do instituto. A publicação é acompanhada por dez vídeos educativos que mostram como são produzidas, por exemplo, a pasta de cúrcuma com gengibre, a água de babosa, a máscara facial com pó de açaí, pomada de copaíba e andiroba, batom orgânico, entre outros produtos.

A produção multimídia lança luz aos conhecimentos de mães, agricultoras, artesãs, cozinheiras e curandeiras da Amazônia, sobre o uso das ervas medicinais, suas práticas de manuseio para a criação de produtos para a saúde, bem-estar e beleza, conforme explica Mônica Borba, gestora institucional do Instituto 5 Elementos. E acrescenta que a obra procura não apenas resgatar usos e costumes de ervas da floresta mas, principalmente, valorizar esses saberes como uma riqueza das comunidades e fortalecer uma bioeconomia que preserva a floresta e estimula seu uso sustentável.

A publicação e os vídeos foram produzidos a partir do projeto Agenda 2030 – Saúde e saberes das mulheres de Careiro (AM) –, que em 2020 promoveu uma formação envolvendo 29 mulheres. O projeto recebeu o apoio financeiro do GT Agenda 2030, no I Edital de Seleção Interna de Projetos, que contou com recursos da União Europeia.

Segundo Mônica, a riqueza dos depoimentos e dos conhecimentos dessas mulheres identificada durante o curso acendeu na equipe do projeto a vontade de fazer mais, de levar os saberes daquelas mulheres para além de suas comunidades.

As autoras dos saberes da floresta: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves, do município do Careiro, do Estado do Amazonas, estarão na transmissão do lançamento

O projeto foi realizado em parceria com a Casa do Rio e também contou com o apoio financeiro da Associação BEM-TE-VI Diversidade e da Awí Superfoods. No evento de lançamento, haverá a participação de quatro das mulheres da comunidade de Careiro: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves. Também participarão as professoras Mônica Borba e Marta Magalhães e o diretor da Casa do Rio, Thiago Cavalli Azambuja.

II Edital 

O GT Agenda 2030 está com chamada aberta para o seu II Edital de Seleção Interna de Projetos. Este ano, estão sendo destinados 98 mil euros para apoiar projetos de promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como estratégia para superação das desigualdades, principalmente no contexto da pandemia da Covid-19. Serão apoiadas 12 iniciativas brasileiras de instituições que compõem formalmente o GT. As propostas podem ser enviadas até o dia 9 de novembro pelo e-mail projetoue.gt2030@gmail.com.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres e as ervas da Amazônia
Quando: 10.11.2020, das 17h30 às 18h30 (hora de Brasília|DF)
Plataformas: Youtube e Facebook do Instituto 5 Elementos

Fórum Global de Bem-Estar Emocional abordará impacto da pandemia

Um fato unânime e mundial que a pandemia de COVID-19 trouxe foi o impacto emocional nas pessoas. Do dia para a noite houve uma mudança radical no padrão de vida, na rotina e na socialização do ser humano. Passados quase seis meses, a pergunta é: como estamos olhando para as nossas emoções? Como estão os nossos relacionamentos? Quais aprendizados vamos levar?

Para responder a estas e outras questões, o Grupo Mulheres do Brasil reuniu seus núcleos do mundo todo para uma ação conjunta, on-line e gratuita, o 1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional, que será realizado no dia 26 de setembro (sábado), das 9h às 18h (horário de Brasília), pelo canal do YouTube do Grupo.

“Juntas somos mais fortes! Uma frase que nos inspira todos os dias. Se já reuníamos um grupo de mulheres com competências e habilidades capazes de grandes transformações, agora com a forte expansão do Grupo no mundo todo, estamos construindo uma sinergia ainda mais forte”, ressalta Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil.

Marisa Cesar, CEO do Grupo, explica que a proposta é reunir neste Fórum todas as ações que estão sendo realizadas pelos quatro cantos do planeta. “Estamos trazendo profissionais especializados nos mais variados temas ligados à depressão, inteligência emocional, mindfulness, psicologia positiva, relacionamentos, para apoiar e ajudar as pessoas a passarem por esse momento de forma mais leve e saírem fortalecidas”, explica Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

O evento contará com a presença da atriz Denise Fraga, do terapeuta transpessoal Tadashi Kadomoto e de muitos outros profissionais. Ao todo, serão cinco painéis, intercalados por performances artísticas e práticas de meditação, mindfulness, yoga, entre outras.

Outra novidade do Fórum é a fusão de projetos que surgiram em decorrência da pandemia – o Escuta com Afeto para a comunidade em geral – e o @Elas Apoiam – para as mulheres do Grupo -, e o lançamento de uma plataforma global de Apoio Emocional.

“Nosso objetivo é lançar uma plataforma continuada e colaborativa, realizando fóruns de temas variados e ações que apoiem a mulher na construção de uma estrutura emocional que a ajude a enfrentar qualquer adversidade”, afirma Annette de Castro, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza.

Queremos que todas as mulheres saibam que estamos aqui, juntas e vamos nos ajudar nessa rede colaborativa de sororidade e apoio”, ressalta Fátima Macedo, líder do Grupo de Apoio Emocional do Grupo Mulheres do Brasil.

Para participar do evento basta entrar no canal do YouTube: http://www.youtube.com/grupomulheresdobrasil

Serviço
1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional
Data: 26 de setembro
Horário: das 9h às 18h (horário de Brasília)
Onde: Youtube: http://www.youtube.com/c/GrupoMulheresdoBrasil
On-line e gratuito

Foco, segurança e inovações para reinventar o turismo

Por Lenise Ipiranga

Passagens aéreas compradas, hotéis reservados, passeios agendados e pronto: tudo certo para inúmeras viagens pelo Brasil e pelo mundo em 2020. Não! Um momento! Não haverá viagens? O que aconteceu? No finalzinho de 2019, o mundo foi surpreendido com a notícia de um surto de um novo vírus na China; em fevereiro, o primeiro caso no Brasil; em março, a OMS (Organizações Mundial da Saúde) classificava o surto como pandemia, e também era confirmado o primeiro caso em Manaus; ainda em março, o epicentro na Europa massacrou a Itália e a Espanha, com milhares de vidas ceifadas, comoção mundial; emissão de decretos de isolamento social em todo o país; aeroportos monitorados; fronteiras fechadas nos outros continentes. E o mundo foi parado pela pandemia do novo coronavírus. Em Manaus, um agente de viagem autônomo, um empresário de agência de viagens de pequeno porte e uma empresária dos segmentos de viagem e hotelaria atravessam a crise que repercutiu na pós-venda, como no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos, dúvidas; avaliam o setor que poderá ter padrões de consumo modificados; e se preparam para o futuro.

“Eu sou uma mulher de muita fé e de muita esperança. E já passei por várias experiências na minha vida. E quando temos Deus no coração adquirimos uma confiança e um equilíbrio maior. Então, quando eu vi se aproximar todo aquele clima de suspense, de não saber o que estava realmente acontecendo, intimamente, eu sentia que estávamos em meio a uma guerra moderna, invisível, algo inimaginável, mas que estava acontecendo”, lembra Cláudia Mendonça, empresária dos setores de hotelaria e viagens da indústria do Turismo, com experiência de 37 anos no setor, proprietária da agência Paradise Turismo, há 28 anos, e dos hotéis Boutique Hotel Casa Teatro, há 9 anos, e Casa Perpétua Hotel D Charm, há 1 ano, os quais integram um projeto de revitalização do Centro Histórico de Manaus, onde estão localizados.

Diante do noticiário sobre a pandemia, Cláudia Mendonça buscou na sua fé o equilíbrio para gerenciar sua vida e seus negócios. “Eu rezei muito, pedi a orientação de Deus. Pedi a proteção de Deus para minha família, meus amigos, meus negócios, meus colaboradores, meus clientes, todo o planeta enfim”, conta. E foi assim que a empresária recebeu a notícia do fechamento das fronteiras, que inviabilizava completamente seus negócios de viagens e hotelaria. Mas, ao mesmo tempo, ressalta Cláudia, “meu coração ficava tranquilo, pois havia conseguido cumprir minha missão e agora teria de esperar o momento de Deus dizer ‘fora vírus e vamos dar uma reviravolta’. E estamos aqui esperando que se complete essa vontade e que voltemos fortemente para as nossas atividades”.

Empresária Cláudia Mendonça buscou na sua fé a orientação para enfrentar a pandemia

A quarentena foi cumprida em etapas, conta a empresária, seguindo as instruções: todos em suas casas, sempre falando em grupos de funcionários, de familiares, de amigos, com mensagens de esperança. “Foi um pânico geral, mas ficaram todos bem em suas casas, sabendo que teriam o básico, pois entramos no auxílio do governo, primeiro com a suspensão dos contratos de trabalho e demais etapas oferecidas, fato que evitou o pior”, relembra Cláudia, mas mesmo assim, todos os dias como hoje, a empresária demonstra sua preocupação de como será a retomada e se retomarão do ponto em que estavam.

Em meio às preocupações, Cláudia Mendonça abre um parêntese para questionamentos sobre a pandemia em relação ao comportamento humano: “Será que isso veio para desacelerar empresas e pessoas? E dar um tempo para que as pessoas se voltem um pouco para o pensar em suas vidas, no seu próximo? Também acredito muito nisso! E sabendo que temos de retomar a vida, com todos bem, equipe bem e nos preparando para a retomada”.

Relação com o cliente

Empresária experiente do segmento de viagens, desde a década de 1980, Cláudia Mendonça destaca, nesse capítulo histórico de crise mundial, a preocupação com seus clientes, os quais foram todos reacomodados e receberam a informação correta. “Quando tudo aconteceu, pudemos tranquilizá-los e dizer para terem calma, que não perderiam nada, pois todos estavam prorrogando suas viagens e eles continuariam com seus créditos. Essa relação é muito importante”, avalia. E lamenta que muitas pessoas que compraram on line perderam várias viagens, por não saberem aonde se dirigir ou a quem se conectar para poder fazer todos os arranjos de suas viagens.

“Temos de respeitar o mundo WEB (World Wide Web, sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet), de tecnologia, de praticidade para todos. Quando começaram as compras de passagens pela internet, mudamos um pouco o foco da nossa Paradise (Turismo), com viagens exclusivas, para clientes exclusivos, preparando viagens especiais, que fazemos até hoje”, observa. Também destaca que sua paixão por restauro, de valorização de antiguidades, de espaços, de pessoas, de lugares, ampliou e inspirou um olhar voltado para o Centro Histórico de Manaus, com projetos de restauro de casas antigas, revitalizadas como hotéis charmosos como a Boutique Hotel Casa Teatro e Casa Perpétua Hotel D Charm; e também a casa J.G. Araújo, um espaço disponível para eventos, todos para movimentar a área histórica com o turismo.

Mas essa parte de contato pessoal, humano, das agências de viagens que ainda tem suas lojas físicas, dos agentes de viagens, é diferenciada e importante na elaboração de uma viagem de um cliente. A relação com os clientes não se resume à venda e compra de produtos, acrescenta a empresária, mas são trocas de energia, trocas de experiências: “além da segurança, sim, de saber que tem uma pessoa 24h no ar para falar sobre alguma questão de sua viagem, algum problema ou mesmo a troca de experiência, pois eu sempre digo que eu viajo junto com meus clientes, fico 24h ligada participando de suas emoções, notícias da viagem”. Para Cláudia, essa parada também serve para destacar o quanto é importante comprar viagens com um agente de viagem cadastrado.

Novos padrões de consumo

“Tudo não vai mais ser como era antes para o setor e para os clientes”, enfatiza Cláudia Mendonça sobre as mudanças inspiradas pela parada mundial de 2020, especialmente do Turismo. E acredita que as pessoas terão maior preocupação sobre segurança, saúde, higienização, para viajarem tranquilamente. “Mas acima de tudo, sobre essas dúvidas que possam ter, nós, agentes de viagens, vamos ter um exercício extra: o de encorajar as pessoas a viajar, a sair de suas casas, porque muitos ficaram apavorados, traumatizados”, avalia. Contudo, acrescenta, ao mesmo tempo, também devido à parada impactante, as pessoas estão readquirindo o desejo de sair, desbravar o mundo, dar-se ao luxo ou à necessidade de sair para respirar um pouco, para viver um pouco, para ver culturas diferentes. “E eles vão fazer isso, mas com um sabor diferente, com um outro olhar, de coração, de valorização, de resiliência. As pessoas vão querer fazer turismo de uma forma diferenciada, sem futilidade; com toda a família, com seus amores; de gratidão a Deus, por estar em condições de viver todas essas experiências que o mundo tem para nos oferecer. Vai ser um turismo diferente, para contemplar, para agradecer, para fazer coisas simples da vida, mas com estrutura, evidentemente”, Cláudia Mendonça.

Atualmente, como diversos setores da economia mundial, empreendimentos e profissionais do turismo aguardam pela retomada de suas atividades. A proprietária da Paradise Turismo adianta que estão dando os passos necessários e aguardam a posição de todos os parceiros, do governo, para ver como irão dar outros passos para, finalmente, a agência de turismo funcionar normalmente, assim como seus dois hotéis também, pois tudo depende da abertura das fronteiras. “Manaus está numa condição um pouco melhor, com pessoas voltando a ter suas rotinas, buscando passear nos rios, porque todos querem viver um pouco, agradecer, valorizar a vida”, diz Cláudia. E explica que a espera é pelo turismo interno, pois o que tem girado é com público local e por isso estão pontuando tudo que pode ser oferecido, seja hotelaria, passeios de barco, criando alternativas de turismo para a cidade. Tem ainda a espera pelo mercado brasileiro, quando todo o país melhorar também e começar a movimentar o turismo nacional.

“Precisamos iniciar uma campanha com todos os amazonenses, todos os segmentos, para cuidarmos da nossa cidade. Fazermos com que Manaus se torne uma cidade modelo, padrão, uma cidade que as pessoas tenham desejo de conhecer”, sugere a empresária, com a certeza de que Manaus e seu entorno tem todos os atrativos para oferecer praias de rio, um verão intenso, passeios de barco, contato com a natureza e a cultura indígena, degustação de peixes e iguarias. “Isso tudo é muito importante. Temos de unir todos para essa força-tarefa, para retornamos com intensidade esse nosso segmento”, enfatiza. Existe ainda o exercício de montar pacotes para o exterior, à espera da abertura das fronteiras, anuncia a empresária: “seguimos sempre a linha de escutar bastante nosso cliente e ver o que o coração dele está pedindo para suas viagens. Temos recebido muitas ligações de grupos de amigos, de grupos de famílias, casais, querendo viajar, celebrar a pós pandemia. E vamos estar aqui esperando que isso tudo passe para poder oferecer o melhor do mundo para todos os nossos clientes”.


Setor terá de se reinventar

O agente André Marques aponta que setor terá de buscar
alternativas seguras e apresentar inovações de mercado

“Este ano (2020), estavam sendo investidas todas as apostas de melhorias para alavancar o turismo, por todos os profissionais da área. E sem a realização das atividades turísticas, particularmente falando, ocorreu um grande desequilíbrio financeiro e emocional para as pessoas que dependem e vivem somente do Turismo”, lamenta André Marques, turismólogo e agente de viagem autônomo, com 20 anos de experiência no setor, diante da notícia e orientação de fechamento do comércio, do setor e das fronteiras, recebida por meio dos noticiários de TV e jornais, que impactou de imediato no seu trabalho, no seu cotidiano e na sua vida.

O agente de viagem, que trabalhou mais de uma década no turismo social do Sesc Amazonas, avalia que as agências e agentes foram pegos de surpresa, assim como o mundo todo, e a maioria não estava preparada financeiramente para essa “pausa”. E vão precisar de um tempo, avalia Marques, até que a normalidade da atividade volte, com o passar dos meses, a longo prazo, para se refortalecerem.

“Por mais que se ofereça e venda pacotes com toda segurança, obedecendo os protocolos de saúde, o cliente tem que se sentir seguro, sem medo do risco”, adianta o agente. E acredita que parte dos usuários de compras diretas de serviços turísticos on line, tem grandes chances de se tornar um cliente direto de agência, por sentir mais segurança para adquirir seus benefícios, de forma mais prática e direta, ao invés de se deparar com grandes burocracias e aborrecimentos, que normalmente ocorrem nas compras pela internet.
André Marques comanda excursões
para viajantes da terceira idade há 20 anos
André Marques acredita que a pandemia terá reflexo nos padrões de consumo do turismo, mas não chegará a ser uma mudança brusca por parte dos clientes pois, com certeza, afirma ele, uma viagem turística trata de sonhos, que foram apenas transferidos por um breve momento. “E o que se espera, com toda certeza, é que agências, operadoras de turismo, rede hoteleira e demais prestadores de serviços turísticos estejam buscando alternativas seguras e dentro dos patrões de saúde, com grandes inovações, pois devem apresentar um diferencial para venda dos produtos”, destaca o agente.

“O cliente tem que se encantar novamente. Sentir-se atraído para querer viajar. E o fornecedor tem que se reinventar, para poder se manter no mercado, diante das atuais circunstâncias”, observa Marques, que no momento, aguarda a situação da pandemia amenizar, passar enfim, e ressalta que “devemos ser muito prudentes nesta hora, pois lidamos com vidas. E a saúde do meu passageiro sempre estará em primeiro lugar. Devo me sentir seguro para voltar a promover as viagens em excursão e, assim, manter o padrão do trabalho com qualidade, segurança e bem-estar do passageiro”.

Dias melhores virão

“A notícia chegou de surpresa, uma péssima notícia por sinal, nos deixou sem chão. E as orientações sobre o que fazer foram ainda piores, pois havia muita incerteza e divergências no que podia ou não ser feito, para nós foi um choque”, relata o empresário Emerson Ximenes, há seis anos no mercado de Turismo com a GAD TUR Agência de Viagens, sobre o início da pandemia em Manaus.

Emerson Ximenes conta que a paralisação refletiu de forma devastadora e assustadora em sua empresa e, consequentemente, alterou totalmente seu cotidiano da pior forma. “Minha vida virou de pernas para o ar. Fiquei sem saber o que fazer, pois toda minha experiência adquirida em anos não servia de nada”, desabafa o empresário, sobre o momento de muito trabalho e noites sem dormir diante de cancelamentos e adiamentos de viagens. ”Infelizmente tive de dispensar nossos colaboradores”, lamenta.

Emerson Ximenes continua focado em dias melhores e
em breve poderá recontratar seus colaboradores

Mas, mesmo em meio à crise econômica e financeira vivida por todos, o empresário avalia com esperança que há males que vem para o bem, pois, no seu caso, acredita ter se tornado um profissional mais preparado com todo o aprendizado que a pandemia trouxe. E enfatiza que as agências que sobreviverem à crise sairão mais fortalecidas e com uma boa imagem junto aos clientes, já que a qualidade e segurança no atendimento no pós-venda, no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos e dúvidas em uma situação dessa só tende a fidelizar os clientes.

“O mercado do turismo nunca mais será o mesmo. Ainda é cedo para definir quais serão as mudanças nos padrões de consumo desse mercado após a pandemia”, observa Ximenes. E acrescenta que será um momento de recuperação total, pois a pandemia fragilizou o setor inteiro, mas com a experiência da crise a indústria do turismo será melhor. O empresário ressalta que sua agência de viagens continua focada e determinada, com o pensamento de que dias melhores virão. O atendimento presencial da GAD TUR já foi reiniciado, com todos os cuidados e determinações exigidas. “E em breve recontrataremos nossos colaboradores, com planos para nossa recuperação e no futuro o crescimento”, anuncia.

Fotos: Acervos Pessoais dos Entrevistados

Viajar ou não: incertezas da pandemia geram dúvidas e até agressividade entre viajantes

Por César Augusto

Depois do golpe que o setor turístico levou com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus em março passado, o segundo semestre iniciou com expectativas entremeadas com dúvidas para quem planeja suas viagens: o momento é seguro para manter os planos ou se deve esperar mais um pouco? De um lado, vários países começam aos poucos a voltar à normalidade tendo controlado a incidência da covid-19; de outro, o surgimento de novos casos obrigou a volta das restrições que tanto afetaram o mercado de turismo, com cancelamentos de voos, fechamento de aeroportos e rodoviárias.

Entre as duas situações, as empresas aéreas demonstram otimismo e buscam estimular os turistas a viajarem, com apelo para os protocolos de segurança, principalmente o uso de máscaras. Não é para menos: a pancada foi violenta no setor. Segundo levantamento feito até abril passado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o número de passageiros transportados no turismo doméstico caiu de 9,26 milhões em janeiro, antes da pandemia provocar as medidas restritivas em território nacional, para pouco mais de 399,5 mil em abril. O impacto pode ser medido considerando-se o índice do ano anterior: no mesmo mês, em 2019, foram 7,73 milhões de passageiros transportados. O número de decolagens indica bem esse drama: enquanto em abril do ano passado foram 62 mil decolagens, doze meses depois foram somente 4.315.

Fabíola Abess, jornalista: show cancelado em São Paulo e incerteza quanto aos projetos

Diante das incertezas, o turista fica indeciso sobre qual decisão tomar. A jornalista Fabíola Abess, 33, está dividida. Ela já havia comprado os ingressos para o Festival Folclórico de Parintins, cuja realização em junho havia sido cancelada e, por enquanto, remarcada para novembro. Além disso, tem passagens já compradas para São Luís (MA) para o feriado prolongado da Semana da Pátria, em setembro. “Sinceramente, ainda não sei o que fazer. Um lado meu tem medo, pede cautela e distanciamento social enquanto não houver vacina, o outro é o espírito de mochileira clamando por viagem”, declarou.

Cautela também é o lema da administradora Winnie Duarte Buriti de Moura, 33. Sua viagem para o Rio de Janeiro seria em abril, mas acabou sendo cancelada. A nova data é em novembro. “Se houver a possibilidade de a situação estar mais controlada”, frisou. O mesmo destino, só que em outubro, deverá ser o da auxiliar de escritório Alessandra Carvalho, 27, com a esperança de que a situação tenha ao menos amenizado. A viagem deveria ter acontecido como parte de um roteiro de férias que ela havia iniciado em março pela Argentina, quando ainda não havia casos de covid-19 confirmados. De lá ela seguiu para a Bahia, quando começaram as restrições seguintes aos registros da pandemia. “Cheguei à Bahia dia 16 [de março], com três dias veio o primeiro decreto de isolamento social. Fiquei sete dias dentro do hotel sem poder sair para canto algum que não fosse supermercado e farmácia”, relembrou. Seu próximo destino seria justamente o Rio de Janeiro, onde havia agendado a solicitação de visto americano. “Tive que trocar o voo voltando para Porto Velho (RO) direto de Porto Seguro, o que me custou 860 reais, taxa de alteração essa que meu seguro de viagem não cobriu pelo fato de ser pandemia”, contou. As passagens, hospedagem em hostel e a taxa paga para o Consulado dos Estados Unidos ficaram como saldo para remarcação no prazo de um ano. “Estou com passagens emitidas também para fora do Brasil no próximo ano, em março. Espero que seja possível realizar a viagem”.

Winnie Duarte: viagem reprogramada depende do controle da pandemia no país

O professor Frank Gundim Silva, 38, tem hoje uma percepção mais flexível sobre o assunto. “Até pouco tempo atrás eu achava insano alguém planejar uma viagem nesse período de pandemia. Hoje acho que existe gente que está relaxada com o vírus (o que gera ações irresponsáveis) e existe quem está aprendendo a lidar com ele”, opinou. “Se a pessoa vai viajar com toda precaução e responsabilidade, por que não fazer? Mas sabe que tem assumir o risco de se contaminar, pois ele é real”, acrescentou.

Pânico e sufoco

Como Alessandra, muitos viajantes tiveram que interromper suas viagens e passaram sufoco para retornar para suas casas, com aeroportos sendo fechados e fronteiras interestaduais e internacionais com restrições para transporte rodoviário de passageiros. Fabíola Abess estava em São Paulo para um show dos Backstreet Boys, marcado para 15 de março. “Um dia antes, o governador [João Dória] baixou um decreto proibindo eventos. O show estava com ingressos esgotados, com estimativa de 45 mil pessoas no Allianz Parque”, lembrou. Apesar da promessa da organização de remarcar a data, até o momento o evento segue sem previsão de nova realização.

Frank Gundim: sem segurança no momento para articular planejamentos de viagens

Winnie Duarte e Frank Gundim tiveram mais sorte. Segundo a administradora, em seu retorno do Rio de Janeiro para Manaus no dia 3 de março já havia um clima de pânico nos aeroportos, após a confirmação de um caso de covid-19 naquele Estado e outro em São Paulo. “Na semana seguinte começou a quarentena obrigatória. Então, viajei com a liberdade que tínhamos antes da pandemia e voltei com o clima tenso, e assimilando aos poucos que muitas coisas iriam mudar”, disse Winnie. Desse modo, toda a programação que ela havia feito foi concluída com sucesso.

A última viagem de Gundim, morador de Palmas (TO), antes da crise, foi durante o carnaval, para Brasília. “Já havia o caso em Wuhan [China] e aqui ainda não tinha sido veiculado nada. Só quando cheguei [em Palmas] veicularam a notícia sobre o italiano que chegou contaminado em São Paulo e depois pipocaram os casos no Brasil”, contou.

Críticas e agressões

Para quem programa suas viagens (domésticas ou internacionais) com alguma esperança de que a pandemia esteja sob controle, com o surgimento de alguma vacina ou com a devida valorização das medidas de prevenção – infelizmente ignoradas por um grande número de pessoas por todo o mundo – , ainda há um problema a ser enfrentado: as críticas e a agressividade de quem enxerga na atitude do viajante descaso com a situação.

Alessandra Carvalho na Argentina: roteiro teve que ser alterado por conta da pandemia

Embora haja diversas medidas sanitárias tomadas nos destinos turísticos, pelo menos em teoria, para a segurança da saúde do viajante, o medo e a falta de confiança chegam a criar verdadeiras batalhas virtuais nas redes sociais. A peleja começa nos grupos destinados à troca de informações sobre viagens quando um internauta faz perguntas sobre determinado destino em alguma época deste ano. É o princípio de uma enxurrada de xingamentos e comentários agressivos em sua maioria, como se pensar em viajar agora fosse anúncio de um crime hediondo prestes a ser cometido.

“É um assunto sensível, porque neste momento é preciso pensar no coletivo”, afirmou Winnie Duarte. “Minha reprogramação é de acordo com os dados que mostram que a situação já está mais sob controle e, óbvio, onde é permitido turistar”, acrescentou. Ela participa de grupos em redes sociais, entretanto não expõe seus planos para não receber críticas. Já Alessandra Carvalho, integrante de alguns grupos, sentiu a fúria virtual. “Fui atacada por um comentário que fiz na postagem de outro integrante do grupo. Acho desnecessário esse ataque, essa euforia. Os grupos existem justamente para troca de experiências, informações e para distrair desse momento tão duro em que estamos vivendo”, opinou. Para ela, todos os cuidados devem ser tomados. “Mas acho que já passamos da época de se isolar totalmente e de voltar a viver aos poucos com precaução. Até porque eu mesma me infectei em casa, sem nenhum tipo de convivo com outras pessoas”, acrescentou.

Participante do Couchsurfing Manaus, a jornalista Fabíola Abess contou que já houve brigas por conta do relaxamento promovido pelo governo em restaurantes e outros estabelecimentos. “Mal reabriram os locais e alguns membros questionaram quando haveria meeting novamente, postando fotos em flutuantes e outros lugares, sem máscara. Fiquei irritada e saí do grupo, pois ainda estou em isolamento, saindo muito pouco de casa”, disse. Para ela, o retorno só será possível quando houver real segurança em Manaus. “Quanto a pedir informações sobre viagens, não recebi nenhum ataque ao perguntar sobre quem iria para eventos da comunidade em outras capitais”.

Apesar de participar de grupos com o tema nas redes sociais, Frank Gundim não tem costume de pedir dicas. “Vou a sites pesquisar sobre a cidade. Se gostar, mergulho no desconhecido”, afirmou. Para este ano, as viagens programadas foram todas canceladas. “Só viajarei novamente quando me sentir seguro. Neste momento, não me sinto”.

Fotos cedidas de arquivos pessoais

Sustentabilidade nas empresas aumenta demanda por profissionais com atuação em meio ambiente

A participação do Brasil na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) vem promovendo uma mudança de comportamento por parte das empresas e sociedade. Para se ter uma ideia, das 17 metas principais, oito são focadas na preservação dos recursos naturais e na transformação no modo de consumir e produzir dos países participantes.

Com essa perspectiva, as empresas estão cada vez mais preocupadas com as questões ambientais e sua adequação ao plano global de sustentabilidade. A preocupação é validada pela população, que está mais consciente e procura consumir produtos de organizações dedicadas em preservar, recuperar e proporcionar condições de vida dignas para as próximas gerações.

O Senac EAD disponibiliza qualificações no segmento ambiental em todos os níveis de ensino e uma das opções é o curso Técnico em Meio Ambiente. O curso de nível médio totaliza 1200 horas (20 meses), período em que o aluno terá acesso a conhecimentos que vão da elaboração e implementação de projetos ambientais, até o controle e gestão de sistemas integrados no setor.

De acordo com a coordenadora do Técnico em Meio Ambiente do Senac EAD, Marília Coelho Teixeira, a área de atuação para esses profissionais é abrangente. “Há oportunidades no setor público para cargos de fiscalização e gestão ambiental, porém, a iniciativa privada oferece mais opções. O cidadão com formação técnica poderá trabalhar na análise e coleta de dados ambientais, elaboração de laudos e documentos para licenciamento ambiental, além de atuar na operação e gerenciamento de sistemas de tratamentos de resíduos sólidos e efluentes”, detalha.

A docente confirma a atenção das empresas em implementar ações e projetos de proteção ao meio ambiente, visto que compreendem a importância de estabelecer os critérios de sustentabilidade. “A contratação de profissionais da área de meio ambiente é de suma importância para as organizações, pois, são eles que irão colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos no curso e propor ações de melhoria e sustentabilidade em prol da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável”, observa.

Mudança de comportamento

Apesar da conscientização e mudança de comportamento de grande parte da sociedade, algumas ações precisam ser reforçadas com frequência. A docente Marília pontua ações simples e que podem ser incorporadas ao cotidiano das famílias, que desejam contribuir com a preservação do meio ambiente:

– Separação correta de resíduos sólidos urbanos, ainda mais relevante em razão da pandemia do novo coronavírus (famílias estão gerando resíduos hospitalares como máscaras e luvas);

– Consumo consciente com relação aos produtos essenciais para o ser humano, ou seja, comprar o que realmente for utilizar e evitar o consumo supérfluo;

– Comprar produtos de empresas que possuem valores de responsabilidade socioambiental e sustentável, assim, você está valorizando essas organizações;

– Reutilizar produtos e embalagens;

– Ser mais flexível com o trabalho em home office, pois, é uma atitude considerada sustentável. O fato dos colaboradores não precisarem se deslocar todos os dias para o emprego influencia diretamente na redução de emissões atmosféricas dos gases de efeito estufa.

Fonte: Indicadores brasileiros para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) http://odsbrasil.gov.br/

Serviço:

As inscrições para o curso Técnico em Meio Ambiente estão abertas entre os dias 22 de junho e 17 de agosto de 2020. Mais informações sobre valores e o conteúdo programático das aulas podem ser verificadas na página: http://www.ead.senac.br/cursos-tecnicos/tecnico-em-meio-ambiente/

Foto: reprodução