“A melhor tática é apostar em todas as vacinas”, afirma Miguel Nicolelis

Para o neurocientista, as autoridades não devem descartar nenhum imunizante que está sendo desenvolvido para conter o avanço do novo coronavírus

Considerado pela Scientific America um dos 20 cientistas mais influentes do mundo, o neurocientista Miguel Nicolelis comparou a busca pela vacina contra o novo coronavírus a uma corrida de cavalos. Para ele, não se pode descartar nenhuma hipótese entre as medicações que estão sendo pesquisadas. Coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, Nicolelis participou nesta quinta-feira (29) da videoconferência (webinar) “Cérebro, o criador do universo e a Comunicação”, transmitida pela In Press Oficina, e falou sobre ciência, o funcionamento do cérebro e fake news.

“Acredito piamente que a vacina é o grande trunfo que vamos ter para reduzir a taxa de transmissão. A vacina é como corrida de cavalos. Tem 15 cavalos na raia e você de antemão não sabe que cavalo vai ganhar. A melhor tática é apostar em todos. Enquanto ela [vacina] não vem, em teoria teríamos que manter o que funciona, o isolamento”, afirma o Nicolelis.

Em confinamento no seu apartamento em São Paulo desde o início da pandemia, o neurocientista crê que o Brasil falhou desde o início, principalmente por ignorar os avisos externos e minimizar a gravidade da doença. “É a maior tragédia humana da história do Brasil num único evento. Nos deparamos com um sistema e instituições que negaram a gravidade da pandemia. Perdemos a guerra no começo”, diz Nicolelis.

A pandemia colocou o planeta na maior crise dos últimos 100 anos e, segundo ele, comprovou a fragilidade do modelo adotado pela sociedade moderna. “Estamos vivendo momentos épicos da história. Um pacotinho nanométrico de gordura e proteína, com um filete de RNA dentro, pôs a humanidade de joelhos, a ponto de estarmos enfrentando a maior crise econômica, maior que a depressão dos anos 30”, compara.

Entretanto, a vulnerabilidade do sistema não foi o único responsável pelas milhares de mortes causadas pela Covid-19. Nicolelis crê que a disseminação de fake news em larga escala contribuiu decisivamente para ampliar o alcance da pandemia.

“É por isso que muita gente morreu na pandemia. Nós estamos precisando de uma vacina num momento que o jornalismo sério e profissional sofre os maiores ataques da história. Esse processo acelerou com a criação de mídias de massa que permitem que essas notícias se espalhem. O cérebro é mais propenso à fake news do que verdades. E esse é o grande problema do mundo atual”, avalia.

Na mesma direção, a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, resume em poucas palavras o cenário criado pelo coronavírus: “a pandemia é também uma crise de confiança, uma guerra de narrativas e desencontros”.

Participaram da entrevista a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins; a Diretora de Curadoria e Novos Produtos, Miriam Moura; e a Diretora de Relacionamento com o Poder Público, Fernanda Lambach.

O cérebro como criador do universo

Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é autor do livro “O Verdadeiro Criador de Tudo – Como o Cérebro Humano Esculpiu o Universo como Nós o Conhecemos”, no qual propõe que o cérebro humano é o verdadeiro criador do universo.

“Para o universo ter significado ele precisa de um intérprete. Não sabemos se existe outra forma inteligente, a nossa melhor escolha para o centro do universo é a mente humana. A brainet é o mecanismo que permitiu criar os grupos sociais mais produtivos. Mitos, deuses, sistemas políticos e dinheiro vêm da mente humana. Nós vivemos imersos na nossa criação”, explica.

Diante dessa teoria de que o cérebro é o centro do universo, Nicolelis defende que a inteligência artificial jamais será capaz de superá-lo. “Dar um download nas nossas memórias e deixar num DVD nunca vai acontecer, porque as memórias são analógicas e depositadas nas sinapses dos neurônios”, diz.

Defensor de uma sociedade matriarcal, como ele mesmo se definiu, o neurocientista ainda fez um contraponto ao historiador e filósofo israelense Yuval Harari, autor do best-seller internacional “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, que aborda desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI.

“A minha visão de mundo do Yuval é completamente diferente. Eu gostei muito do Sapiens, achei que ele fez um trabalho muito bom de simplificar ideias complexas. Mas acho que ele cometeu alguns erros de análise e visão, como quando ele diz que os impérios eram inevitáveis. Eu discordo frontalmente. Inclusive eu quero a volta do matriarcado do neolítico superior”, sintetiza Miguel Nicolelis.

Fotos: Reprodução Videoconferência
Texto: Divulgação

A politização da vacina

Rodrigo Augusto Prando *

O enredo, aqui no Brasil, já é conhecido. O Presidente Bolsonaro, novamente, desautoriza e submete à humilhação o Ministro da Saúde. Antes, foram Mandetta e Teich, solenemente defenestrados; o primeiro, por defender o distanciamento/isolamento social; o segundo, por não aceitar indicar a cloroquina. Agora, é o General Pazuello, contudo, com uma diferença: os dois primeiros ministros são médicos e o atual, militar. Portanto, seguindo a hierarquia, Pazuello já explicou, limpidamente, que “é simples assim, um manda e outro obedece”.

O caso em tela, com Bolsonaro e Pazuello, está ligado às questões atinentes à vacina produzida com tecnologia chinesa e em parceria com o Instituto Butantan, no estado de São Paulo. O Ministro da Saúde havia se comprometido a comprar cerca de 46 milhões de doses da Coronavac, desde que fosse efetivada a aprovação pela Anvisa, como deve ser neste caso.

No entanto, no dia seguinte, Bolsonaro veio a público afirmar que tal compra não se daria, que não teria aporte do Governo Federal para a “vacina chinesa”. Em mensagem enviada a seus ministros, o presidente asseverou: “Alerto que não compraremos vacina da China, bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19”.

Deste comunicado, é certo que o presidente não mantém diálogo com Doria, aliás, o diálogo de Bolsonaro se dá com as redes sociais, sua base de apoio mais ideológica, e não com médicos, cientistas ou outras lideranças políticas. Mas, é cedo para afirmar que não comprará a vacina chinesa, até porque o caso pode ser judicializado e, ainda, as pressões políticas e da sociedade poderão fazer o presidente recuar. Qual o sentido de tudo isso? As vacinas chinesas não são confiáveis? O tempo de pesquisa não permite confiar nos resultados? O Instituto Butantan não oferece um serviço de qualidade cientificamente comprovada para o Brasil? Nada disso. A vacina de Oxford, por exemplo, está praticamente no mesmo patamar da Coronavac e tem financiamento do Governo Federal.

Então, o que está em jogo são duas dimensões: a ideológica e a política, ambas, infelizmente, colocando a saúde e a vida dos brasileiros em plano inferior.

Ideologicamente, Bolsonaro abandona o ator moderado dos últimos tempos e se volta, com vigor, às redes sociais, onde estão os bolsonaristas mais identificados ideologicamente com os valores sempre tornados públicos pelo presidente: negacionismo e postura anticientífica regados com teorias da conspiração. Isto posto, Bolsonaro e os bolsonaristas condenam a “vacina chinesa” comunista, mas são consumidores de quase tudo o que a China produz e exporta.

* Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

Foto: Divulgação
Ilustração: Alexandra Koch | Pixabay  

Campanha destaca serviço gratuito de imunização para pacientes especiais

Alguns pacientes são mais vulneráveis a infecções e, por isso, têm necessidades específicas de vacinação. Essas pessoas podem ser atendidas gratuitamente em unidades de saúde do SUS: os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), uma rede que já existe há 27 anos, que apesar desse histórico, o serviço ainda é pouco conhecido no Brasil, inclusive entre os médicos. Com o apoio de toda a sociedade, contudo, é possível mudar o cenário de desconhecimento e formar uma verdadeira rede de proteção em torno daqueles que correm maior risco de adoecer. Esse é o objetivo da campanha CRIE + Proteção, uma iniciativa da Pfizer, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que tem entre diversas ações uma websérie especial presentada pelo médico Dráuzio Varella, que tem uma forte ligação com a temática.

Várias condições clínicas e procedimentos podem tornar um organismo mais suscetível a infecções, como enfrentar um câncer, passar por um transplante, viver com HIV ou com diabetes. “O envelhecimento da população está associado a um incremento no número de quadros crônicos. Graças aos avanços da medicina, os pacientes oncológicos, por exemplo, vivem cada vez mais, mesmo nos estágios avançados da doença, assim como os indivíduos que vivem com HIV. Além disso, infecções podem ser causa de descompensação de doenças como cardiopatias, diabetes, entre outras. Essas doenças de base aumentam o risco de contrair infecções graves e, portanto, a vacinação desses grupos precisa estar no centro das atenções”, afirma o presidente da SBIm, Juarez Cunha.

Web Série

Para estimular o conhecimento sobre a importância e a segurança da vacinação dos chamados pacientes especiais a campanha CRIE + Proteção reúne ações presenciais e digitais. A primeira delas é uma websérie especial apresentada pelo médico Dráuzio Varella, cancerologista, que dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer de São Paulo por 20 anos e foi um dos pioneiros em iniciativas de enfrentamento da AIDS no Brasil, ainda na década de 1980. Nos três vídeos da série, o médico visita unidades do CRIE para apresentar o serviço à sociedade e discutir as opções oferecidas aos pacientes imunocomprometidos.

Em cada um dos episódios, Dráuzio Varella conversa com profissionais das unidades de referência e acompanha pacientes que visitam esses locais pela primeira vez: Jussara Del Moral, diagnosticada com câncer de mama em 2007, Pedro Frazão, que passou por um transplante renal em 2018, e Lucas Raniel, que vive com HIV desde 2013. Exibidos a partir do mês de setembro, os vídeos ficarão disponíveis no canal do médico Dráuzio Varella no Youtube e, também, no portal da SBIm: http://www.familia.sbim.org.br/pacientes-especiais. Na plataforma, o internauta também pode se informar sobre as condições crônicas de saúde contempladas com a vacinação gratuita, conhecer as indicações e contraindicações para cada caso, bem como acessar a lista completa de endereços das unidades dos CRIE em todo o Brasil.

Criando proteção

A campanha CRIE + Proteção também conta com o apoio de influenciadores digitais de diferentes segmentos na divulgação da causa. “Esperamos que a campanha possa melhorar o conhecimento sobre as unidades do CRIE e estimular a adesão dos imunocomprometidos e pessoas com doenças crônicas à vacinação, valorizando um atendimento importante que é prestado gratuitamente pelo SUS”, afirma a diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine.

Uma das novidades mais recentes no âmbito do CRIE foi a ampliação das possibilidades de prevenção contra as doenças pneumocócicas, a partir da incorporação de uma vacina que protege contra os 13 tipos mais prevalentes da bactéria pneumococo em todo o mundo. Pessoas com condições clínicas que comprometem o sistema imunológico apresentam um risco aumentado para pneumonia e doenças pneumocócicas invasivas, em relação aos indivíduos saudáveis. Entre aquelas que vivem com HIV, por exemplo, o risco de contrair pneumonia é de 50 a 100 vezes maior na comparação com pessoas sem essa condição.

Pacientes oncológicos representam outro grupo suscetível à pneumonia e outras infecções, uma vez que o sistema imune pode ser enfraquecido pelo próprio câncer e pelos tratamentos que afetam as células de defesa. Também devem receber atenção especial indivíduos que utilizam imunossupressores, como as medicações usadas para evitar a rejeição em transplantados ou mesmo os pacientes submetidos a transplante de medula, o que pode prejudicar as memórias imunológicas adquiridas ao longo da vida.

“A vacinação contra o pneumococo está muito bem estabelecida nos calendários vacinais do Brasil e do mundo, de modo que a incorporação da 13-valente aos CRIE representa um grande avanço em termos de acesso. É fundamental que todos estejam atentos às atualizações nas recomendações de imunização, respeitando as particularidades de cada paciente e de sua condição clínica”, avalia Márjori.

Endereços CRIE: https://familia.sbim.org.br/images/files/lista-cries.pdf

#CRIEmaisProteção

Vídeo: Divulgação
Foto: Reprodução Vídeo

Idosos serão vacinados contra a Influenza em suas casas

Diante das mudanças no cenário nacional de transmissibilidade do novo coronavírus, causador da Covid-19, numa decisão inédita no país, anunciada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, os idosos de Manaus serão vacinados contra a gripe sem que precisem sair de suas casas. A primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, iniciaria nesta segunda-feira, 23/3, mas devido à forte chuva que cai sobre a cidade nesta manhã, a Prefeitura de Manaus adiou o início da campanha de vacinação contra a gripe, para esta terça-feira, 24/3. Hoje, o trabalho das equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) ficará concentrado no cadastro dos idosos, que não sejam acompanhados pela Estratégia Saúde da Família, no site http://semsa.manaus.am.gov.br.

Ao acessar o link, uma mensagem direcionará para a página de cadastro. Será necessário preencher as informações do idoso a ser vacinado – CPF, data de nascimento, telefone para contato e nome completo. Na etapa seguinte deverão ser indicados os dados de endereço completo, como CEP e ponto de referência. Em seguida, um endereço de e-mail para contato. A quarta tela será para conferência dos dados, possibilitando a correção, caso seja necessário. A última tela terá a mensagem de confirmação do cadastro, com a orientação que o idoso aguarde que a equipe de vacinação irá até ele.

“Nossos técnicos do Departamento de Tecnologia da Informação trabalharam durante todo o final de semana para criar esse formulário por meio do qual os idosos poderão realizar o cadastro. A orientação do prefeito Arthur Neto é que nenhum dos mais de 111 mil idosos residentes em Manaus fique sem vacina”, afirma o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Para os idosos acompanhados pela Estratégia Saúde da Família (ESF), as equipes seguirão os cadastros individuais  já existentes para realização da vacinação de casa em casa já a partir de segunda-feira.

Cadastro dos idosos pode ser feito no site da SEMSA https://semsa.manaus.am.gov.br/

Metas

A Campanha de Vacinação contra Influenza tem a meta de imunizar 522.065 pessoas em Manaus. Serão três etapas e vai atender todos os grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde, encerrando no dia 22 de maio. A segunda etapa da campanha terá início no dia 16 de abril, e será direcionada para professores de escolas públicas e privadas, profissionais das forças de segurança e salvamento, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, conforme orientação médica.

A partir do dia 9 de maio será iniciada a terceira etapa da campanha com vacinação direcionada para os grupos: crianças de seis meses até menores de seis anos, gestantes, puérperas, jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas, povos indígenas, população privada de liberdade, pessoas com deficiência, funcionários do sistema prisional e adultos de 55 a 59 anos de idade, incluído este ano na campanha contra a Influenza, ampliando o acesso da população à vacina e prevenindo riscos. O objetivo final é imunizar no mínimo 90% do público alvo em cada grupo prioritário.

Texto – Sandra Monteiro/Semsa
Foto – Alex Pazuello / Arquivo Semcom

Idosos e trabalhadores da saúde começam a receber a vacina contra a gripe nesta segunda-feira, 23/3

Idosos com idade a partir de 60 anos e trabalhadores da saúde são o público-alvo da 1ª etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza (Gripe), que inicia na próxima segunda-feira, 23/3. Neste ano, o Ministério da Saúde antecipou a campanha, que normalmente acontece no mês de abril, considerando a evolução do novo coronavírus, causador da Covid-19, em todo o Brasil.

Por determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto, para atender aos idosos a Prefeitura de Manaus irá montar 53 postos de vacinação contra a Influenza em locais estratégicos distribuídos nas zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, além dos postos na zona rural.  A lista com o endereço dos locais de vacina será disponibilizada no site da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): http://abre.ai/aRZg

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, explica que a vacina não protege contra o coronavírus, mas a imunização dos grupos prioritários contra a Influenza vai ajudar a minimizar o impacto nos serviços de saúde, reduzindo o número de casos de gripe em um momento em que ocorre a pandemia de uma nova doença no mundo.

“Nesta etapa da campanha, a prioridade é proteger a saúde dos idosos, que são os mais vulneráveis às síndromes respiratórias. Filhos, filhas, netos e netas devem concentrar os esforços no cuidado com os pais e avôs, já que os idosos são os que têm maior risco de desenvolver complicações graves, como pneumonia, tanto no caso de Influenza quanto em relação à Covid-19”, alerta Marcelo Magaldi.

O Ministério da Saúde, segundo o secretário, recomenda a vacina contra a gripe apenas para grupos considerados de risco, que são as pessoas com maior chance de desenvolver complicações graves pela doença, como é o caso dos idosos, e para grupos que estão mais expostos à infecção pela Influenza, como acontece com os profissionais de saúde.

“Os trabalhadores de saúde estão incluídos nessa primeira etapa porque atuam diretamente no cuidado com os pacientes. Além disso, com a circulação no Brasil do novo coronavírus é essencial proteger a saúde desses profissionais, para evitar afastamentos do trabalho por um problema de saúde que pode ser evitado com a vacinação, garantindo um atendimento mais adequado da população”, destaca Marcelo Magaldi.

Postos

Em reunião realizada na quinta-feira, 19/3, com gestores de Vigilância Epidemiológica dos Distritos de Saúde (Disas) Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural, a Semsa finalizou a elaboração das estratégias que serão utilizadas nesta primeira etapa da campanha contra a Influenza.

De acordo com a subsecretária municipal de Gestão da Saúde, enfermeira Adriana Elias Lopes, este ano, para evitar a aglomeração de idosos nas unidades de saúde, a vacina contra a Influenza será disponibilizada em pontos estratégicos em todas as zonas da cidade.

“Por causa da preocupação da população com o novo coronavírus, as unidades de saúde estão recebendo um maior número de pessoas com sintomas de síndromes gripais. Por isso, a vacina contra influenza para os idosos não estará disponível nas unidades de saúde. A estratégia definida pela Semsa é estabelecer postos de vacinação em locais de fácil acesso com ambientes mais amplos e ventilados. Assim, o atendimento ao público alvo da campanha e aos pacientes nas unidades de saúde será realizado de forma mais eficiente e tranquila, como nos orientou o prefeito Arthur Neto”, esclarece Adriana Elias.

Os 53 pontos com a vacina contra Influenza irão funcionar de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h. A recomendação é para que os idosos procurem um posto apresentando o cartão de vacina, cartão SUS e documento de identidade. A vacinação estará disponível até o final do mês de maio, não sendo necessárias aglomerações. As pessoas acima de 60 anos com sinais de gripe deverão evitar sair de casa e aguardar melhora do quadro para buscar a vacinação.

Já os trabalhadores da saúde serão imunizados de acordo com a programação de cada serviço de saúde de atuação.

Metas

A Campanha de Vacinação contra Influenza tem a meta de imunizar 522.065 pessoas em Manaus. Desse total, 111.669 são idosos a partir de 60 anos e 55.514 são profissionais da saúde.

A diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Semsa, Marinélia Ferreira, explica que idosos e profissionais da saúde serão imunizados no período da primeira etapa da campanha, iniciando no dia 23 de março.

“Porém, a campanha contra a Influenza terá três etapas e vai atender todos os grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde, encerrando no dia 22 de maio”, informa Marinélia.

A segunda etapa da campanha terá início no dia 16 de abril, direcionada para professores de escolas públicas e privadas, profissionais das forças de segurança e salvamento, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, conforme orientação médica.

A partir do dia 9 de maio será iniciada a terceira etapa da campanha com vacinação direcionada para os grupos: crianças de seis meses até menores de seis anos, gestantes, puérperas, jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas, povos indígenas, população privada de liberdade, pessoas com deficiência, funcionários do sistema prisional e adultos de 55 a 59 anos de idade.

“O grupo de pessoas de 55 a 59 anos foi incluído este ano na campanha contra a Influenza, ampliando o acesso da população à vacina e prevenindo riscos. O objetivo final é imunizar no mínimo 90% do público-alvo em cada grupo prioritário”, destaca Marinélia Ferreira.

Zona rural

A população da zona rural de Manaus deve ficar atenta porque a estratégia da campanha contra a Influenza será diferenciada, atendendo as especificidades das comunidades fluviais e terrestres, e a necessidade de deslocamento em grandes distâncias geográficas das equipes de saúde.

Sarampo

Além da campanha contra a Influenza, o Ministério da Saúde recomendou o início de uma nova etapa da Campanha contra o Sarampo, no período de 23 de março a 30 de junho, para vacinação indiscriminada de todas as pessoas na faixa etária de 20 a 49 anos. A vacina contra o sarampo estará disponível nas unidades de Saúde.

Texto – Eurivania Galúcio / Semsa
Fotos – Altemar Alcântara / Arquivo Semcom

Campanhas combatem boatos sobre vacinação contra sarampo para melhorar a imunização

Com 271 casos confirmados de sarampo dos 1.841 notificados desde março de 2018, Manaus teve decretação de situação de emergência para conter o avanço da epidemia da doença na capital amazonense. Os números divulgados no Informe Epidemiológico da Sala de Situação de Vigilância em Saúde publicado em 3 de julho revelam que o crescimento no número de casos suspeitos aumenta a possibilidade de disseminação da enfermidade para outros Estados, colocando em risco os compromissos para certificação da eliminação da circulação do vírus do sarampo.

Durante todo o mês de agosto, a partir do dia 6, acontecerá em nível nacional a Campanha Nacional Contra a Poliomielite e o sarampo, e dentro da situação de emergência buscará a intensificação da aplicação da vacina para alcançar 95% da população, controlando assim a epidemia. O público-alvo é composto de crianças com no mínimo 6 anos até adultos de 49 anos. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) estimam que a população nessa faixa etária seja de 724.048 pessoas, mas aproximadamente 40% ainda não foram devidamente imunizadas. O maior número de ocorrências tem sido observado ao longo da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), na zona norte de Manaus.

O infectologista e diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-DHV), Antônio Magela Tavares, alerta sobre campanhas antivacinas baseadas em suposições e sem embasamento científico. “O sarampo, uma das doenças mais antigas de que se tem ciência mas que já tem vacina, chegou a ser vetada por pais de crianças e jovens por acreditarem que a vacina causava autismo”, exemplifica.

De acordo com Magela, os serviços de epidemiologia do Estado começaram a ficar atentos e iniciar campanhas após as notificações de casos na Venezuela, ano passado. Depois começaram as ocorrências em Roraima, principal ponto de destino dos imigrantes venezuelanos. “Como temos uma ligação direta com Boa Vista, vimos que era questão de tempo chegar aqui, por isso temos hoje o maior número de registros de sarampo na zona Norte da capital, que é por onde se entra em Manaus”, explica.

Mitos

O sarampo, conforme o infectologista, faz parte do grupo de viroses comuns da infância, não exclusivas dela. Juntamente com a crença de que a enfermidade causaria autismo, é um dos mitos que ainda existem, e vários adultos foram internados com a doença. “Ela pode evoluir gravemente em grupos de risco, com populações mais vulneráveis. Isso inclui quem faz quimioterapia, gestantes, idosos e crianças desnutridos, portadores de doenças crônicas e usuários de corticoides”, alerta Magela. Ele acrescenta que a vacina contra o sarampo também contempla a caxumba e a rubéola.

As pessoas podem ter tido sarampo na sua forma mais branda, que felizmente é a maior parte dos casos”, afirma Magela. “Quem já teve sarampo, está imunizado. Como toda epidemia, ela vai passar”, acrescenta. Isso porque, segundo o infectologista, a partir do momento em que 95% da população estiver vacinada, a doença começa a regredir.

As redes sociais tem sido a arma utilizada para tirar dúvidas, compartilhar informações sobre o sarampo e, principalmente, desmentir boatos. “Sempre surgem áudios e vídeos alarmistas, e estamos desmistificando isso para passar informações mais seguras para as pessoas”, explica Magela. “O sarampo é uma das doenças mais antigas, mas que possui vacina. Por que ainda existe? Por causa de campanhas antivacina, que não tem embasamento científico e são baseadas em suposições”, alerta.

Magela conta que, na Inglaterra, um pesquisador publicou em 1998 um artigo no qual associava o autismo à vacina do sarampo. “Houve uma redução drástica na vacinação, o sarampo aumentou, mas o autismo, não. Em 2010, o artigo foi desmentido. Em 12 anos, muita gente deixou de se vacinar, causando explosão da doença em vários países”, lembra. “No Brasil, ainda hoje é assim. São crianças que podem se imunizar entrando em contato com pessoas doentes”.

Antonio Magela Tavares, infectologista da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-DHV), Antônio Magela Tavares: sarampo ainda existe por causa de campanhas antivacina sem embasamento científico

Riscos

O médico da FMT alerta que o sarampo pode causar morte em idosos e crianças, além de causar meningite e encefalite, com grande risco de sequelas psicológicas. “Com toda essa realidade epidemiológica, é mais seguro e inteligente se vacinar. O Brasil hoje é autossuficiente na produção da vacina, feita com todo o rigor de critérios científicos e eficaz. O calendário oficial de vacinas está aí desde 1987, e em torno de umas 20 doenças podem ser prevenidas pela vacinação”, argumenta Magela.

Poliomielite

Até o final do século 20, a poliomielite ainda causou muita preocupação. “A geração que hoje tem 50 a 60 anos se lembra disso. Havia medo muito grande da polio, chamada paralisia infantil por atingir muitas crianças”, lembra Magela.

Atualmente, não há notificações sobre poliomielite, mas isso não elimina os riscos. “Mais de 300 cidades brasileiras estão em situação de risco por terem baixa cobertura vacinal, às vezes abaixo de 50%, por isso essa campanha a partir do dia 6”, justifica o infectologista.

A forma grave da poliomielite compromete o sistema nervoso central e o respiratório, e os estudos para produção de vacinas se intensificaram a partir dos anos 1950. O último caso registrado no Brasil foi em 1990, e após isso a poliomielite foi considerada erradicada no país, o que foi certificado em 1994. “Mas ela ainda existe, o que justifica a vacina. O vírus continua circulando no mundo, e no processo de globalização é fácil ir de um lugar para outro. Daí devemos intensificar a cobertura vacinal”, atesta.

Por que vacinar?

O sarampo é uma doença infecciosa viral alta transmissibilidade, cuja prevenção é feita através da vacina Tríplice Viral que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. Quem a contrai pode evoluir para quadros graves, incluindo meningite, encefalite, pneumonia e morte, principalmente em idosos, crianças desnutridas e menores de um ano de idade. A transmissão da doença ocorre diretamente de pessoa a pessoa, através de gotículas do nariz, boca ou garganta de pessoas infectadas pelo vírus.

A poliomielite é uma doença causada por um vírus que reside no intestino e é eliminado com as fezes, que contamina água e alimentos, culminando no ataque do vírus ao sistema nervoso central, destruindo os neurônios motores da medula, atrofiando as fibras musculares. Com isso, a criança perde força nos membros inferiores, atrofia, também chegando a causar outras dificuldades como insuficiência respiratória, contaminando água e alimentos e podendo infectar outra pessoa. Há o risco da transmissão direta de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva, fala, espirro e tosse.

Fotos: Mayana Lopes