Guaraná Antarctica, Ellus e Salinas em coleção inspirada na Amazônia e Maués

Parceria prevê diversas coleções que terão parte das vendas revertidas para projetos de produção sustentável do guaraná. Consumidores podem acompanhar arrecadação em plataforma de transparência

Originais do Brasil, Guaraná Antarctica, Ellus e Salinas apresentam neste mês a coleção “Guaraná Cultura”. As três marcas se inspiraram no fruto do guaraná para criar peças vibrantes, cheias de brasilidade e que terão uma importante função socioambiental.

Com lançamento neste mês de novembro, a parceria valoriza a essência original do Brasil da marca em parceria com grifes que trazem toda a leveza necessária para encarar o verão brasileiro. A linha teve inspiração na Amazônia e em Maués, cidade que é berço do Guaraná Antarctica e que fazem da marca um símbolo nacional.

Todo o street style e identidade urbana da Ellus ganha uma releitura mais próxima à natureza. A grife apresenta coleção com camisas, bermuda, camisetas, windbreaker e bonés. As estampas foram inspiradas na cultura do guaraná, fruto da região de Maués na Amazônia, que é repleta de lendas e histórias contadas pela população local.

Especializada em moda praia, Salinas terá sete diferentes biquínis na coleção. Serão ainda dois maiôs, dois chinelos unissex, duas bermudas e uma sunga. Tão brasileira quanto o Guaraná, a Salinas traz sua bossa à coleção na linha beachwear. Diferentes texturas, tecidos e aviamentos remetem à fauna e flora da região do cultivo.

Bikini, maiô, saia pareô, boardshort, chinelo e sunga compõem a coleção cápsula, que tem as principais modelagens da marca com aviamentos exclusivos.

“Guaraná Antarctica faz parte do dia a dia dos brasileiros. Ter a oportunidade de unir nossa marca com Ellus e Salinas em peças que valorizam nossa origem na Amazônia é algo grandioso e importante na construção de um novo tipo relacionamento com nossos consumidores”, comenta Daniel Silber, gerente de marketing de Guaraná Antarctica.

Toda a coleção “Guaraná Cultura” já está disponível nos tamanhos de P ao GG a partir desta semana em lojas físicas das duas grifes e também em e-commerce, franquias e lojas multimarcas de todo o Brasil.

Maués

A coleção tem ainda um papel que vai além da moda. Parte do lucro será investido nos projetos que Guaraná Antarctica apoia na cidade de Maués, a 641 quilômetros de Manaus. Por meio da Aliança Guaraná de Maués, projeto financiado por Guaraná e USAID e executado pelo Idesam, é desenvolvido um ativo e participativo trabalho junto a um conselho de produtores para promover a produção sustentável do fruto, além de trazer melhorias, escolhidas pela própria comunidade, nas áreas de educacional e sociocultural, com envolvimento e atuação de produtores e instituições do município.

Para que o público possa acompanhar todos os detalhes da parceria entre as marcas e também conhecer o impacto gerado na região de Maués, basta acessar o site http://www.guaranacultura.com.br.

Foto: Divuldação

Estudantes de Barreirinha transformam Amazônia em sala de aula e serão representantes do Brasil em conferência na Itália

Dados do Censo Escolar de 2018, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que 56% das escolas de Ensino Médio não têm laboratório de ciências. A Escola Professora Maria Belém, em Barreirinha (AM) – pequeno município localizado no coração da Amazônia – faz parte dessa estatística. Chamando a atenção para essa realidade, alunos do 3º ano do Ensino Médio pensaram em uma solução simples, porém extremamente criativa: levar a sala de aula para fora dos muros da escola. Era o início do projeto “Amazônia, um laboratório natural“, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

Com o objetivo de transpor os livros e dinamizar o tempo de estudo, cinco alunos se reuniram com o professor de biologia para propor alternativas para as atividades práticas na escola. Em pouco tempo, os jovens perceberam que tinham à disposição o maior laboratório natural do mundo: a Floresta Amazônica. Depois de se apropriarem dos temas que poderiam ser usados como fonte de estudos, 25 alunos viajaram de barco até a comunidade vizinha de São Francisco do Paraná do Moura. Lá, divididos em grupos, pesquisaram sobre diferentes temas, tais como os tipos de água, os habitat, as florestas primária e secundária, os aspectos das diversas plantas e os tipos de serpentes.

Além de evidenciar a falta de laboratório na escola, o sucesso da experiência transformou a percepção da turma e melhorou significativamente a absorção dos conteúdos de disciplinas como física, química e biologia. Durante todo o projeto, o grupo contou com o apoio do professor, que contribuiu com soluções para as dúvidas que surgiam e, posteriormente, ajudou na organização dos debates. A iniciativa foi multiplicada para outras turmas do “Maria Belém”, que se inspiraram no primeiro teste e passaram a ocupar outros espaços não formais e torná-los extensões das salas de aula.

De Barreirinha para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso” (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$ 1.500 para o projeto e R$ 500 para o educador.

A novidade desta edição fica por conta da viagem de premiação ser internacional: uma imersão em Roma, na Itália, no final de novembro, irá reunir mais de 2 mil crianças e jovens de países integrantes do movimento Design for Change – do qual o Criativos da Escola faz parte.

“Os sete projetos representarão um movimento de crianças e jovens de todo o Brasil que nos apresentam a beleza e a força de soluções coletivas, inovadoras e solidárias para os desafios de seus territórios e para os problemas que mais os incomodam em suas realidades. Estamos muito felizes em divulgar estas iniciativas que irão mostrar para o mundo não só projetos incríveis, mas também a necessidade de olharmos para as questões abordadas por cada um deles e para os direitos que deveriam ser garantidos para toda a sociedade”, comemora o coordenador do Criativos da Escola, Gabriel Maia Salgado.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Foto: divulgação

Sebrae debate bioeconomia como solução para a Amazônia

O Sebrae promoverá, em São Paulo, diálogos sobre como os bionegócios podem salvar a Floresta Amazônica e como podem transformar o ecossistema e os arranjos produtivos na região. Os painéis serão realizados nos dias 3 e 4 de setembro durante a Conferência Ethos 360º, evento que conta com o apoio do Sebrae, que busca promover a sustentabilidade junto aos pequenos negócios por meio do compartilhamento de práticas bem-sucedidas para ampliar o comprometimento com estratégias do desenvolvimento sustentável.

Casos de empreendedores que exploram sustentavelmente a biodiversidade da Amazônia, e que ao mesmo tempo conquistam mercados, serão exemplos no painel com a participação de Paulo Renato Cabral, gerente de Inovação do Sebrae, no dia 03, das 11h às 12h30. Na ocasião, o Sebrae apresentará, de forma inédita, a proposta de seu programa de inovação aberta de bionegócios para atrair e desenvolver empreendedores de classe mundial para a Amazônia. Como convidados, estarão Carlos Danniel Pinheiro (Biozer Simbioze), Maqueson Pereira da Silva (Marchetaria do Acre) e Maria José Freitas Luiz (Ekilibre Amazonia).

No dia 04, o Sebrae debaterá, das 11 às 12h, a promoção de uma revolução industrial baseada no aproveitamento da biodiversidade, no painel “Bioeconomia e bioindustrialização: um modelo de desenvolvimento que alia floresta em pé e tecnologia”. Na visão da entidade, a bioeconomia deve ser adotada como modelo de desenvolvimento capaz de alterar os arranjos produtivos predominantes na região Norte e Centro-oeste do Brasil, gerando emprego e renda.

Helen Camargo de Almeida, especialista do Centro Sebrae de Sustentabilidade do Sebrae (CSS), Ismael Nobre (Amazônia 4.0 da A3W), João Matos (Aliança para a Bioeconomia da Amazônia) e Virgílio Viana (Fundação Amazonas Sustentável) responderão às perguntas sobre quais medidas são necessárias para que o Brasil desponte como uma potência biotecnológica, além de qual trajetória a Amazônia já percorreu nesse sentido.

SERVIÇO
Conferência Ethos 360º São Paulo
Data: 03 e 04 de setembro de 2019
Local: Bienal do Ibirapuera – Térreo e Mezanino, em São Paulo
Site: http://sustentabilidade. sebrae.com.br/sites/Sustentabilidade

Foto: Idesam

Serviço Florestal Brasileiro e Ufam inauguram Casa do Carbono em Manaus

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) inauguraram no último dia 8 de agosto o primeiro Laboratório de Inventário e Mensuração Florestal – a Casa do Carbono, que irá apoiar os esforços do Inventário Florestal Nacional na determinação de peso seco e teor de carbono armazenado pelas árvores da Amazônia.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, que, esteve no ato, representando a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, destacou que a Casa do Carbono permitirá tratar de forma científica, por meio de dados, o volume de madeira, biomassa e carbono armazenado pela Floresta Amazônica.

“Com a implementação da Casa Carbono, teremos elementos técnico-científicos para fazermos a gestão da floresta. Dentro dessa visão, trabalharemos conjuntamente com a Ufam e o Fundo Amazônia, para extrairmos dados que possibilitem mensurar a floresta e a sua biomassa”, disse Colatto.

O reitor da Ufam, Sylvio Puga, destacou a importância da obra para a pesquisa e o conhecimento sobre a Amazônia. “Agora, podemos dizer que temos a única Casa de Carbono da região Norte e que estará a serviço do nosso país e do mundo. As informações produzidas aqui serão públicas e estarão disponibilizadas para qualquer pessoa que queira entender mais sobre a Amazônia”, avaliou o reitor.

O chefe do Departamento de Meio Ambiente e Fundo Amazônia do BNDES, Nabil Moura Kadri, explicou que o apoio do Fundo Amazônia à Ufam se deu, por meio do Serviço Florestal Brasileiro, dentro do projeto do Inventário Florestal Nacional (IFN).

“A Ufam é o locus principal para a geração de conhecimento e inovação. Será fundamental essa parceria para que a gente conheça melhor, não só os estoques de carbono, mas também as florestas para aprimorar as políticas públicas de preservação e conservação”, declarou.

Equações Alométricas

O diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Joberto Veloso de Freitas, explicou que, para que as estimativas do volume de madeira e peso da biomassa de cada árvore possam ser feitas, é necessário dispor de equações matemáticas, que transformam os dados coletados em campo (altura e diâmetro) em variáveis mais complexas. Essas equações são chamadas de equações alométricas. O desenvolvimento dessas equações envolve a derrubada, cubagem e pesagem total de centenas de árvores, com subsequente tratamento de amostras de madeira em laboratório para a determinação do peso seco de cada árvore e a determinação do teor de carbono por espécie.

Inventário Florestal

O Inventário Florestal Nacional é um levantamento realizado pelo Governo Federal para produzir informações sobre os recursos florestais brasileiros. A coleta de dados é feita em todo o território brasileiro, diretamente nas florestas – naturais e plantadas – incluindo a coleta de amostras botânicas e de solo, a medição das árvores e a realização de entrevistas com os moradores das proximidades. Desta forma, são avaliadas a qualidade e as condições das florestas e a sua importância para as pessoas.

Fotos: SFB/divulgação

Florestas na Amazônia pós-fogo demoram sete anos para recuperar funções

Florestas da Amazônia degradadas pelo fogo recuperam sua capacidade de bombear água para a atmosfera e absorver carbono em sete anos. Mas o que se perdeu de carbono não volta mais. As boas e as más notícias fazem parte de um novo estudo científico publicado por pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha na revista “Global Change Biology”.

Os cientistas analisaram dados de um experimento conduzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em uma fazenda em Mato Grosso. Nas áreas que passaram por queimadas controladas, as árvores grandes sobreviventes ao fogo sucumbiram rapidamente nos anos seguintes, porém mais fracas e vulneráveis a doenças e rajadas de vento, especialmente nas bordas da mata.

“Essas feridas na floresta podem deixar cicatrizes permanentes, com menos árvores e carbono”, explica o principal autor do artigo, o brasileiro Paulo Brando, do Ipam. Também nos anos seguintes a composição de espécies mudou, e gramíneas invadiram o local.

A partir do sétimo ano, os cientistas observaram uma mudança no quadro: aquela área retirava tanto carbono da atmosfera e jogava umidade no ar quanto antes do fogo. “Para se recuperar, as plantas trabalham muito rápido, tem muita fotossíntese, por isso tiram muito carbono do ar e transpiram bastante”, explica o pesquisador Michael Coe, do Instituto de Pesquisa de Woods Hole, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo. “Mas perdemos o carbono que estava estocado nas árvores mais antigas.”

O resultado mostra a importância de deixar áreas queimadas na Amazônia se recuperarem, o que ajuda a estabilizar o clima local – na região do estudo, sudeste da Amazônia, a estação seca é duas semanas mais longa do que 30 anos atrás. “Poucos estudos documentaram a recuperação da floresta após distúrbios múltiplos, o que ajuda a prever as trajetórias das funções florestais no futuro”, diz a cientista Susan Trumbore, do Instituto Max Planck de Biogeoquímica, coautora da pesquisa.

Brando destaca que é preciso acompanhar as áreas queimadas por mais tempo, para saber se elas vão se recuperar totalmente ou se a vegetação será um híbrido de floresta com gramíneas – o que, por sua vez, deixa a área mais suscetível a novos incêndios.

No Brasil, o fogo é um instrumento usado corriqueiramente para limpar terrenos, antes com floresta, plantio ou mesmo pasto. Na Amazônia, o fogo ocorre naturalmente em determinada área a cada 500 anos, no mínimo. Porém, hoje algumas regiões queimam anualmente ou com poucos anos de diferença devido à ação humana.

O desmatamento e as queimadas são a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, o que intensifica as mudanças climáticas.

Foto: Repam (reprodução)

LafargeHolcim Awards abre inscrições para projetos de construção sustentável

O LafargeHolcim Awards busca projetos que combinem soluções de construção sustentável com excelência arquitetônica. O sexto ciclo da competição internacional está aberto para inscrições até 25 de fevereiro de 2020 e oferece um total de 2 milhões de dólares em prêmios em dinheiro, durante toda a competição, a projetos e conceitos de arquitetura, engenharia, planejamento urbano, materiais e tecnologia de construção e áreas relacionadas.

As inscrições na categoria principal do LafargeHolcim Awards incluem projetos de construção sustentável em um estágio avançado, com alta probabilidade de realização, que não tenham sido iniciados antes de 1º de janeiro de 2019. Já a categoria Next Generation, busca conceitos de design visionário e ideias arrojadas em um estágio preliminar de design, incluindo estúdio de design e trabalho de pesquisa. Para participar desta categoria, os autores não podem ter mais de 30 anos. Estudantes e jovens profissionais são bem-vindos para entrar em ambas as categorias do LafargeHolcim Awards.

O júri, formado por especialistas independentes de cinco continentes, avalia as inscrições a partir de “questões-alvo” abrangentes para a construção sustentável segundo a LafargeHolcim Foundation: inovação e transferibilidade; padrões éticos e inclusão social; recursos e desempenho ambiental; viabilidade econômica e compatibilidade; e impacto contextual e estético. A competição promove o pensamento circular e a redução das emissões de CO2 em todas as disciplinas e identifica as ideias com o maior potencial para enfrentar os desafios atuais, buscando aumentar a urbanização e melhora da qualidade de vida.

A inscrição para o concurso é gratuita e deve ser feita em inglês, usando o formulário online para incluir informações sobre autoria, resumo do projeto, detalhes técnicos, imagens e/ou ilustrações do projeto. Um guia com o passo-a-passo explica o processo em detalhes e mostra como se inscrever por meio do link www.lafargeholcim-awards.org

Desde 2003, a LafargeHolcim Foundation promove a agenda da construção sustentável, principalmente por meio do LafargeHolcim Awards, a maior competição de design sustentável do mundo. A LafargeHolcim Foundation é uma iniciativa da LafargeHolcim, líder global em materiais e soluções de construção.

Foto: Reprodução

Da floresta amazônica para o tapete vermelho do Oscar

Em seu sétimo destino, a Expedição #AquiTemSebrae desembarcou em Cruzeiro do Sul, no Acre (a 635 quilômetros da capital, Rio Branco), para conhecer a história do artesão e empresário Maqueson Pereira da Silva. Com uma técnica singular de marchetaria, ele vende suas obras para países de todos os continentes e já expôs em cidades como Paris, Tóquio, Nova Iorque, Milão e Londres. No Oscar de 2017, teve uma de suas clutches (bolsas de mão), usada pela estilista Stacy London.

Mas o início dessa trajetória de sucesso não foi nada fácil. Do local onde vivia, no Seringal Flora, até a cidade mais próxima na época – Porto Walter/AC, eram três dias de viagem de barco. Maqueson nasceu no seringal no final dos anos 50 e aprendeu a ler com seu avô, que era cego. Trabalhava com o pai na extração do látex das seringueiras e já entalhava a madeira, construindo barcos e instrumentos musicais. “Minha família veio do Ceará no auge do ciclo da borracha. E a gente vivia muito isolado. Ao mesmo tempo que a gente tinha tudo, tinha a natureza, a gente estava distante de tudo”, lembra.

Maqueson só iniciou os estudos formais aos 14 anos, quando saiu do seringal e ingressou em uma escola coordenada por padres missionários alemães. Devido a seu destaque em disciplinas como língua portuguesa e alemã, matemática e teologia, foi transferido do Acre para estudar no Instituto Liebermann, na cidade de Salete, em Santa Catarina. O seminário exigia que, além dos estudos formais, o aluno desenvolvesse alguma habilidade manual. Ele, então, optou pelo trabalho com a madeira, tão íntima dos seus tempos de floresta. Começou a construir móveis e utensílios e, intuitivamente, a desenvolver quadros usando a marchetaria, o que chamou a atenção do responsável pelos seus estudos, Guilherme Schüler, padre alemão, que logo lhe apresentou os detalhes históricos e artísticos daquela técnica, estimulando seu aprendizado e desenvolvimento.

Arte com madeira colorida natural

A marchetaria é a técnica de se utilizar lâminas de madeira recortadas e aplicadas de forma minuciosa, formando figuras. No caso da Marchetaria do Acre, os conhecimentos de Maqueson em botânica o permite utilizar em sua arte mais de 150 espécies de madeiras e raízes, obtendo colorações inimagináveis para a marchetaria. E sem o uso de tintas. “Eu comecei a trabalhar com a marchetaria porque queria criar algo diferente, não queria fazer móveis. Hoje, usamos resíduos de árvores e madeiras de áreas certificadas. Usamos a madeira natural, sem pintura, e o céu é o limite para a quantidade de tons que podemos combinar. Assim, cada peça é única”, ressalta.

No início de sua carreira, Maqueson trabalhava basicamente com a arte sacra e o cubismo. Após alguns anos, com a ajuda do padre, foi para a Alemanha onde se especializou ainda mais em sua técnica. Estudou também na Itália e na Suíça. Retornou para Cruzeiro do Sul e inaugurou sua oficina. A partir daí, em um resgate de suas origens, passou a incluir em suas obras temas da flora e da fauna amazônica.

Sua oficina é responsável por cerca de 20 empregos diretos, produzindo objetos de arte, decoração e moda para diversas lojas e galerias do país e do exterior, além de órgãos governamentais. “Sei o que significa começar do zero e chegar até aqui. Em muitos momentos, enfrentei preconceitos e me sentia inferiorizado, por ser um `caboclo` nascido nas barrancas do Rio Juruá. Tudo o que aconteceu na minha trajetória foi muito importante. Hoje entendo que esta origem representa um diferencial do meu trabalho”, diz, emocionado.

Árvore que dá boa sombra

O primeiro plano de negócios do Sebrae na cidade de Cruzeiro do Sul foi realizado para a abertura da empresa Marchetaria do Acre, no início dos anos de 1990. De lá pra cá, a parceria continua firme. A convite do Sebrae, Maqueson já participou de diversas feiras, missões e exposições nacionais e internacionais, como a Expo Milão. Ele também já foi reconhecido, por três vezes, pelo Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato. “Estas feiras foram fundamentais para eu me tornar conhecido. Eu sempre tive o olhar para o mercado externo e, com o olhar muito crítico, precisamos vencer desafios de insumos e logística para conquistar os clientes, mantendo o compromisso com a qualidade e o cumprimento dos prazos”, explica. Com este foco, hoje a empresa consegue vender para todo o Brasil e para países como Japão, Estados Unidos, Itália, Catar e Emirados Árabes Unidos.

O artista, de fala calma e suave, destaca que toda sua história é de muita luta e superação. Afirma que, se um ribeirinho da floresta amazônica conseguiu chegar onde ele chegou, qualquer pessoa, com garra e persistência, pode conquistar seus objetivos. “O importante é buscar seus sonhos e não desistir nunca”, destaca.

Maqueson finaliza citando um provérbio da floresta que costumava ouvir de seu pai: “só encoste em árvore que dá boa sombra”, já que esse tipo de árvore é forte e te dá suporte. Para ele “o Sebrae é esta árvore de boa sombra, sempre oferecendo apoio a quem quer empreender”.

Foto: Lorrane Freitas/Agência Sebrae

Represas andinas planejadas para Peru e Bolívia ameaçam ecossistema fluvial da Amazônia

Seis hidrelétricas planejadas para serem construídas nos maiores rios saindo das montanhas andinas no Peru e na Bolívia são consideradas a maior ameaça ao ecossistema fluvial amazônico. A conclusão é do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o biólogo com doutorado em ecologia Bruce Forsberg. O assunto foi debatido na estreia dos Seminários da Amazônia, que retornaram com nova roupagem após seis anos.

As montanhas andinas são fonte da maior parte de nutrientes e sedimentos que banham as várzeas dos rios da Amazônia, chegando até o final onde são depositados numa área chamada de delta, no final do rio Amazonas, desembocando no mar. Essas barragens novas ameaçam cortar esse fluxo.

Das seis hidrelétricas, quatro serão construídas no Peru (TAM 40, no rio Ucayali; Pongo de Aguirre, no Rio Huallaga; Pongo de Manseriche, no rio Maranon, e Inambari, no rio Inambari) e duas na Bolívia (Agosto Del Bala, no rio Beni; e Rositas, no rio Grande). Juntas devem produzir 10.000 megawatts e a maioria será construída em parceria com Brasil.

Impactos

De acordo com Forsberg, os impactos ambientais dessas hidrelétricas serão muito maiores no Brasil do que no Peru e Bolívia. “Esses reservatórios vão barrar o fluxo dos sedimentos e nutrientes Andinos, que sustentam a produção pesqueira e agrícola das várzeas, que alimenta nossos ribeirinhos”, afirmou Forsberg, que é especialista em ecossistemas fluviais.

Além da redução de quase 70% no fluxo de sedimentos e nutrientes que abastecem os rios da região e o delta do rio Amazonas, o pulso de inundação (subida e descida do nível do rio) será diminuído, causando impacto sobre a flora das várzeas e sobre os peixes que dependem dessa flora para sua alimentação e reprodução.

Outro impacto importante é sobre o mercúrio nos rios, com contaminação prevista acima e abaixo das novas barragens, especialmente no peixe que será consumido pelas populações nessas regiões. O mercúrio é um metal tóxico e pode trazer problemas de saúde quando encontrado em concentrações muito altas no organismo, comprometendo o sistema neurológico, podendo causar tremores nas mãos e dificuldade motora, causando até a morte em casos extremos.

Metilmercúrio

Segundo Forsberg, o mercúrio está presente naturalmente nos rios da Amazônia, que tem solos ricos com esse metal, porém está presente principalmente na forma inorgânica, apresentando pouco risco para os seres humanos. O garimpo de ouro também contribui para o mercúrio nos rios, mas não é a fonte predominante.

O mercúrio só apresenta riscos à saúde humana quando é transformado na forma orgânica, Metilmercúrio. Isso aconteça nos reservatórios quando a floresta da terra firme é alagada e entra em decomposição, tirando o oxigênio da água e promovendo a transformação do mercúrio inorgânico em metilmercúrio. “Uma vez formado, o metilmercúrio acumula na cadeia alimentar, contaminando o peixe e o povo que come esse peixe. Esse impacto é sentido tanto no reservatório quanto no rio à jusante”, explicou o pesquisador.

Esse problema foi verificado no reservatório de Balbina, em Presidente Figueiredo-AM, fechado em 1988. Durante os primeiros dez anos, os níveis de mercúrio no tucunaré e nos cabelos de mulheres que consumiam esse peixe aumentaram muito. O nível em cabelos chegou a um valor considerado perigoso para mulher grávida (7,5 partes por milhão – ppm), depois começou a cair (5 ppm, hoje), mas ainda não voltou ao nível original A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um valor máximo de 6 ppm de mercúrio em cabelos das mulheres lactantes.

As usinas hidrelétricas também vão aumentar as emissões regionais de gases de efeito estufa (CO2 e metano), que são contabilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e outras organizações globais.

Enfrentamento

Para enfrentar a situação, Forsberg sugere que os pesquisadores trabalhem em conjunto, de forma transdisciplinar, em colaborações transnacionais, envolvendo parceiros governamentais e não governamentais de todos os países envolvidos.

“Se queremos ter impacto, não adianta só fazermos nossas pesquisas, teses, artigos. Temos de levar essas informações para os governantes, para a sociedade, para criar consciência e ações efetivas sobre esses problemas”, disse Forsberg. “E vamos começar a falar sobre alternativas, outras matrizes, como a solar, que está com o custo por megawatt já quase chegando ao mesmo patamar do megawatt produzido por hidrelétrica”, ressaltou o pesquisador.

Segundo Forsberg, os projetos das hidrelétricas estão parados, especialmente por problemas de corrupção, mas a qualquer momento os governos e construtoras podem retomar os planos. O motivo é que os reservatórios estão previstos para serem construídos em “gargantas profundas”, em montanha com rio grande passando, que dá garantia de grande produção energética, porém com significativos impactos socioambientais que não foram levados em consideração.

Seminários

Realizado de 1976 a 2013, os Seminários da Amazônia voltam com a proposta de discutir temas de ponta da pesquisa científica do mundo e da Amazônia, com temas provocativos e que estimulam a discussão e o aprendizado.

Agora o tradicional evento científico do Inpa acontece quinzenalmente às quintas-feiras, às 15h, no Auditório da Biblioteca, na avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus. É gratuito e aberto à comunidade. A 2ª edição será no dia 25 de abril com o também palestrante da casa, o pesquisador Charles Clement, que falará sobre “Dez mil anos de domesticação da Amazônia”.

Promovido pela Coordenação de Extensão, os Seminários da Amazônia tem na liderança da Comissão Organizadora as pesquisadoras Rita Mesquita e Cristina Cox Fernandes.

Saiba mais

Artigo científico publicado na Plos One sobre o mesmo assunto da palestrado Dr. Bruce Forsberg pode ser acessado clicando aqui.

Foto: Cimone Barros/Inpa


Estudo do Ipea destaca a relevância do programa de defesa da Amazônia Azul

O atraso na implementação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) pode acarretar importantes efeitos ne­gativos não só para a segurança marítima brasileira, mas também para o desenvolvimento científico-tecnológico do país. É o que aponta estudo recém-lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Programa, iniciado em 2009, passa por uma fase de reformulação desde 2015, decorrente da restrição orçamentária vigente no país.

O trabalho Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul: Soberania, Vigilância e Defesa das Águas Jurisdicionais Brasileiras, coordenado pelo técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Israel Oliveira Andrade, ressalta que a extensão da Amazônia Azul – que compreende todo litoral do país e as águas jurisdicionais brasileiras – constitui, por si só, um desafio para a defesa nacional.

Para proteger este espaço marítimo, a Marinha do Brasil tem desenvolvido programas estratégicos, entre eles o SisGAAz, relevante pelas parcerias entre empresas nacionais e estrangeiras que envolvem a transferência de tecnologia e cujo objetivo é desenvolver continuamente sistemas de monitoramento e controle. Neste programa, está previsto também o uso de satélites, radares e equipamentos de sensoriamento por meio da integração de redes de informação e de apoio à decisão.

“Trata-se de ferramenta com alta densidade tecnológica que permite resposta rápida no caso de ameaças, inclusive de tragédias ambientais. Por se tratar de um sistema adaptável e configurável, o SisGAAz beneficia-se dos conceitos de integração de sistemas e interoperabilidade. Pode também contribuir para o aperfeiçoamento do monitoramento aéreo e ambiental, permitir a cooperação com outras instituições do Estado como o Ibama, no combate a ilícitos ambientais, e com a Polícia Federal e Receita Federal, no combate ao tráfico de drogas e contrabando de armas, por exemplo”, explicou Andrade, autor da pesquisa, que teve como coautores Antônio Jorge Ramalho da Rocha e Luiz Gustavo Aversa Franco.

O estudo do Ipea enfatiza que o SisGAAz deve figurar entre as prioridades governamentais por razões econômicas, de soberania e defesa nacional. E manifesta preocupação quanto à contratação de empresas estrangeiras. “Alguns aspectos do programa, como a possível utilização de satélites e o de­senvolvimento de softwares para obtenção de dados, ressaltam a importância do nível de nacionalização das empresas envolvidas. Nesse sentido, a contratação de empresas estrangeiras geraria uma vulnerabilidade, dada a perda de autonomia decorrente da ausência de controle sobre a informação produzida, tornando preferível o uso de recur­sos nacionais”, explicam os pesquisadores.

A Amazônia Azul equivale a mais da metade do território nacional e nela se encontram recursos naturais consideravelmente importantes – cerca de 95% do petróleo e 80% do gás natural produzido pelo país. É, também, rota importante para o comércio marítimo. Por essa área passam aproximadamente 95% da importação e exportação do Brasil, além de linhas de comunicação fundamentais. Há ainda grande concentração populacional nas águas jurisdicionais e forte presença de infraestrutura produtiva brasileira nas regi­ões litorâneas.

Foto: Agência Pará

Manôbike tem 111% mais procura em fevereiro do que no mesmo mês do ano passado

Criado para dar mais mobilidade à capital do Amazonas, o Manôbike, fruto da parceria entre a Prefeitura de Manaus e o Hapvida, teve um aumento de 111% na procura pelo serviço em fevereiro deste ano, realizando 701 viagens no mês, contra 332 no mesmo período de 2018. Para se ter uma ideia, já são mais de 16 mil viagens realizadas.

E como a capital já possui uma frota de mais de 700 mil veículos segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), cada vez mais é importante o uso de meios alternativos de transporte não poluentes e que visam à melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.

O projeto já conta com 15 estações de retiradas de bicicletas, sendo as novas estações localizadas na rua Ramos Ferreira esquina com Major Gabriel; na avenida Sete de Setembro, no final da ponte de ferro, em frente ao mercado municipal Walter Rayol, no Terminal 1 (T1), na avenida Constantino Nery, próximo da Leonardo Malcher, e no Terminal 2 (T2), na Cachoeirinha, na avenida Manicoré, esquina com Carvalho Leal.

A estação que funcionava antes na rua Miranda Leão foi transferida e está implantada agora na Praça da Matriz, mais próximo do terminal. Sábados e domingos são os dias de maior uso do modal, e o horário preferido pelos usuários é o das 16h às 18h. As estações com maior número de retiradas e bikes devolvidas são as que ficam ao lado do Teatro Amazonas e nas proximidades do Parque Jefferson Péres.

A ideia de ter as estações das bicicletas compartilhadas é facilitar a integração e conexões entre modais de transporte, para que o uso seja voltado para mobilidade urbana e deslocamentos dentro da cidade, seja para o trabalho, estudo ou lazer.

Segurança

Para segurança, conforto e melhor mobilidade aos ciclistas, a Prefeitura de Manaus implantou 14,5 quilômetros de ciclorrotas, com sinalização horizontal e vertical, num grande quadrilátero no Centro.

Vale destacar que as ciclorrotas indicam a presença e a preferência da bicicleta. Essa alternativa tem sido uma solução adotada por várias cidades para projetos de ciclomobilidade, sendo um modelo mais simples, fácil de implantar e com pouco impacto viário. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Aracaju, Vitória, Curitiba e, agora, Manaus, possuem ciclorrotas.

Como funciona?

O sistema funciona de segunda-feira a domingo, das 6h às 23h, para retirada do equipamento, e 24 horas para devolução. No site www.manobike.com.br, o usuário pode se cadastrar e conhecer mais detalhes do projeto. 

Após cadastro no aplicativo e/ou no site (www.manobike.com.br), o usuário da Manôbike tem a opção de adquirir o passe mensal (R$ 10) ou diário (R$ 5), e não paga valor adicional desde que use de acordo com as regras do projeto. De segunda a sábado, o uso pode ser de 60 minutos ininterruptos, quantas vezes por dia o usuário desejar, desde que respeite o intervalo de 15 minutos entre as viagens. Aos domingos e feriados, o uso passa a ser de 90 minutos.

As estações da Manôbike funcionam alimentadas por energia solar e são interligadas via sistema de comunicação sem fio, redes 3G e 4G, permitindo que estejam conectadas 24 horas por dia.

Foto: divulgação