Outubro Rosa reforça importância de exames de rastreio e hábitos saudáveis

Por Lenise Ipiranga

Oano de 2020 tem desafiado a todos. Uma pandemia do novo coronavirus tem interferido dramaticamente nas vidas, nas rotinas e no planeta. E em meio ao combate ao vírus letal, que exige isolamento social, protocolos sanitários, uso obrigatório de máscara e responsabilidade consigo e com o próximo, temos de seguir com as outras batalhas em curso pela saúde, a exemplo da luta contra o câncer. E o Outubro Rosa deste ano reforça a necessidade da detecção precoce e de hábitos saudáveis de vida. O médico oncologista clínico William Hiromi Fuzita alerta para a importância de se manter a rotina de exames preventivos e de rastreamento, e destaca a inclusão de mais um medicamento contra o câncer de mama no Sistema Único de Saúde – o SUS.

Os índices são crescentes, tanto de incidência quanto de mortalidade. Fuzita aponta que, de acordo com recente estimativa mundial (2018), ocorreram 18 milhões de casos novos de câncer, sendo o câncer de pulmão o mais incidente, com 2,1 milhões de casos, seguido do câncer de mama, com 2,1 milhões de casos, nas mulheres as maiores incidências foram o câncer de mama com 24,2%, seguido do de intestino com 9,5%.

No Brasil, segundo o médico oncologista, a Estimativa 2020 do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), é de que ocorrerão em torno de 625 mil casos novos de câncer: o câncer de pele é o mais incidente com 177 mil casos; seguido pelo câncer de mama, com 66 mil casos, e o câncer de próstata, também com aproximadamente 66 mil casos. Em 2017, foi registrada a última análise da mortalidade, com 16.724 óbitos por câncer de mama.

O câncer de próstata e de mama representam as maiores taxas ajustadas para todas as regiões geográficas do pais, explica o médico, exceto na Região Norte, onde a incidência do câncer de mama é bem próxima do câncer de colo de útero. “E no Amazonas a situação é muito pior, porque o esperado é muito mais tumores de colo de útero do que de mama: a estimativa para 2020, são 580 casos de câncer de colo de útero, enquanto de mama são 450 casos novos”, alerta.

Conquista no SUS

No SUS, ressalta William Fuzita, foi uma grata felicidade a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), criada em 2011, que avalia as novas tecnologias a serem implementadas no SUS, ter aprovado, em dezembro de 2017, o uso do medicamento Pertuzumabe, específico para as mulheres com câncer de mama metastático HER2 positivo, o subtipo mais agressivo da doença. “Essa é uma ferramenta extraordinária, que traz inúmeros benefícios para a paciente com câncer de mama HER2 positivo. É uma grande conquista ter sido incluído no arsenal de tratamento para as mulheres no SUS”, enfatizou o oncologista clínico.

O medicamento Pertuzumabe, em terapia associada a outros dois, atua em termos do controle da doença, no prolongamento da vida com qualidade. Após dois anos e sete meses de sua aprovação, o Ministério da Saúde anunciou, em julho de 2020, a aquisição do medicamento e sua primeira parcela contratual foi entregue no mês de agosto deste ano. A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) publicou, em 28 de agosto de 2020, e confirmou que o novo tratamento passou a ser oferecido para suas pacientes a partir da segunda quinzena do mesmo mês.

William Fuzita enfatiza que apesar da pandemia da COVID 19, as pessoas não podem abandonar os exames de rastreamento, preventivos, e procurar sempre o serviço médico assim que encontrar ou notar alguma alteração na mama

Alerta na Pandemia

O especialista aponta a pesquisa do Reino Unido, da cientista principal responsável Alvina Lai, PhD, do Institute of Health Informatics e do Health Data Research, ambos da University College London UK, na qual foi identificado que por causa da pandemia houve atraso no diagnóstico e, consequentemente, a descoberta do tumor com um volume maior, em estágio mais avançado; o estudo também registrou um afastamento do paciente, um distanciamento não só do diagnóstico, como também dos tratamentos. “Por tudo isso, é esperado um aumento de 40% de mortalidade por doença oncológica a partir deste ano de 2020 no Reino Unido, o que evidencia como a pandemia está modificando dramaticamente o tratamento do câncer”, ressalta o médico. E acrescenta que será preciso, infelizmente, que os serviços de saúde que tratam o câncer se preparem para atender pacientes com doenças mais avançadas, mais graves, e que tornam o tratamento muito mais complexo e, em consequência disso, com maior mortalidade.

“É importante salientar para a população que apesar da pandemia da COVID 19, não podemos abandonar os exames de rastreamento, preventivos, e procurar sempre o serviço médico assim que encontrar ou notar alguma alteração na mama”, alerta William Fuzita e recomenda: se a mulher notar algum nódulo na mama, alguma secreção do mamilo (descarga mamilar), a pessoa deve procurar o serviço de saúde; se já está completando 1 ano da sua avaliação das mamas, procurar novamente o mastologista, oncologista ou ginecologista para refazer os exames.

“Isso é muito importante, não devemos parar o rastreamento, para evitar o que foi observado nessa pesquisa cientifica no Reino Unido que, infelizmente, o diagnóstico está sendo mais tardio e isso está impactando de maneira significativa no aumento de 40% de mortalidade pelo câncer”, enfatiza. Independentemente da pandemia, reforça o médico, todos os serviços de saúde tem adotado práticas de prevenção e contingenciamento da infecção do SACS-COV 2, o novo coronavirus que desenvolve a COVID 19.

Orientações Médicas

O oncologista clínico explica que o Ministério da Saúde ainda preserva a orientação de que as mulheres devem fazer a mamografia a partir dos 50 anos de idade, a cada 2 anos, porém, tanto a Sociedade de Brasileira de Mastologia (SBM) como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) mantem a recomendação de que, acima dos 45/50 anos, a mulher deva fazer a mamografia anualmente. “Isso traz um excelente benefício no rastreio precoce de doenças, consequentemente, é possível diagnosticá-las em estágios iniciais, muito mais fáceis de serem tratadas e, obviamente, atingir o que sempre esperamos de um tratamento oncológico que é a cura”, esclarece o médico.

E, mesmo no Outubro Rosa sendo a data de chamar a atenção para o câncer de mama, William Fuzita alerta que no estado do Amazonas é fundamental salientar a importância da prevenção do câncer de colo de útero, onde são esperados mais casos do que o câncer de mama. O médico ressalta que o câncer de colo de útero pode ser 100% prevenível, com a realização do exame Papanicolau, conhecido como preventivo, e também da vacina contra o vírus HPV (Papilomavirus Humano), que é distribuída gratuitamente na rede pública de saúde, no SUS, com indicação de: duas doses para meninas dos 12 aos 15 anos, e para meninos dos 13 aos 15 anos; e acima dessa faixa etária, dos 15 anos, disponível somente na rede privada de atendimento, com  orientação de três doses da vacina.

Pela Organização Mundial da Saúde – OMS, pontua William Fuzita, na hipótese de que todos conseguissem fazer atividade física todos os dias, manter o peso ideal para a respectiva altura, não fumar, não ingerir bebida alcoólica, comer de maneira adequada, com uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, seriam evitados 40 % de todos os diagnósticos oncológicos do mundo, ou seja, 40% de todos os cânceres, se fossem praticados hábitos de vida saudável pela população mundial.

Dr. William Hiromi Fuzita é membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica|SBOC; membro titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia|SBC; membro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica|ASCO; e diretor da Sensumed Oncologia.

Foto Médico: Divulgação

Mês Mundial da Visão tem Daniela Mercury como embaixadora e conscientiza sobre glaucoma

Cerca de 80 milhões de pessoas têm glaucoma em todo o mundo e estimativas apontam que 3,2 milhões delas ficariam cegas devido à doença até o final de 2020; perda da visão causada pelo glaucoma é irreversível

Outubro também é o Mês Mundial da Visão, e tem campanha de conscientização “Não perca seu mundo de vista, tenha um novo olhar para o glaucoma”, conduzida pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) e pela Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não transmissíveis. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, ficando atrás apenas da catarata. Entretanto, representa um desafio maior para a saúde pública do que a catarata, porque a cegueira causada pelo glaucoma é irreversível.

A iniciativa terá diversas ações com foco no universo digital e seguem as orientações sanitárias com relação ao distanciamento social no combate ao novo coronavírus. Destaque para a cantora baiana Daniela Mercury como embaixadora da causa, uma voz influente em todo país e, principalmente, na região Nordeste – onde está a maior população afrodescente, público vulnerável por fazer parte do grupo de risco. Daniela tem aderência com o público acima dos 40 anos, mais suscetível ao glaucoma e aproximação com os jovens, também importante pelo grande desconhecimento percebido na pesquisa realizada “Um olhar para o glaucoma no Brasil”, aplicada neste ano pelo IBOPE Inteligência.

“Fiquei feliz em vestir essa camisa e lutar por uma causa tão importante para a saúde de todos. Por falta de conhecimento, algumas pessoas passam anos sem saber que têm glaucoma e consultar um especialista é fundamental. Houve, por exemplo, um caso de doença ocular na minha família e percebi o quanto um problema na visão pode impactar na saúde geral de uma pessoa. É essencial divulgar e falar sobre esse tema”, conta a artista.

Daniela Mercury é embaixadora da campanha de conscientização sobre Glaucoma

Ações digitais

Segundo projeções do IAPB (Agência Internacional para Prevenção da Cegueira), há cerca de 80 milhões de pessoas com glaucoma em todo o mundo e estimativas apontam que 3,2 milhões delas ficariam cegas devido à doença até o final de 20202. Pensando nisso, um filtro temático e dinâmico para Instagram foi criado, levando o efeito tubular e embaçado, com possibilidade de avançar os estágios da doença, para percepção de como o glaucoma atinge a visão e causa a perda de importantes momentos da vida. Já no Facebook será possível adicionar um tema na foto do perfil que simula a fase mais avançada da doença.

“Por meio de um discurso sensível e educacional, esperamos engajar diferentes públicos. O insight criativo é demonstrar com o uso dos filtros que simulam o efeito do glaucoma que a doença pode roubar as melhores cenas da vida e, para sempre. Por isso, a importância dos cuidados com a saúde ocular”, explica Ana Luiza Petry, gerente de Comunicação e Assuntos Corporativos da Upjohn.

Para dar ainda mais visibilidade, força e o tom certo à iniciativa, um time de famosos, influenciadores e anônimos formarão uma corrente com postagens, mensagens de apoio e até testemunhos que entoarão um videoclipe especial para conscientização do Mês Mundial da Visão, que também trará dados da doença e números da pesquisa. Também será usada a hashtag #deolhonoglaucoma que será compartilhada por todos nas plataformas digitais.

Dia Mundial da Visão

Outro ponto alto da campanha acontece em 8 de outubro, Dia Mundial da Visão, com o desafio que será lançado por algumas celebridades para marcarem em suas redes sociais e engajarem mais pessoas a participarem da ativação com o uso dos filtros e levando conhecimento sobre o tema para o maior número de brasileiros.

“Estamos falando de uma doença de elevado potencial e que está associada a um desfecho irreversível que é a cegueira. Por isso, reforçamos a importância de dialogar sobre o assunto por meio de iniciativas de conscientização e que a frequência oftalmológica se torne parte da rotina médica”, destaca Ana.

Integra a campanha uma ampla investigação sobre o cenário do glaucoma no Brasil e a necessidade de uma nova visão sobre a doença, com a pesquisa “Um olhar para o glaucoma no Brasil”, aplicada pelo IBOPE Inteligência a 2,7 mil internautas brasileiros, a partir dos 18 anos de idade, em diferentes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Pernambuco. “Alguns públicos possuem maior chance de desenvolvimento em pessoas com casos na família, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada3“, relata o mestre e doutor em Oftalmologia, Augusto Paranhos Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).

“Estima-se que entre 2 a 3% da população brasileira acima de 40 anos possam ter a doença, o que representa cerca de 1,5 milhão de pessoas. E o levantamento aponta que quase metade (47%) acreditava ser um mito ou desconheciam a relação com a hereditariedade e 90% não associavam a patologia com a afrodescendência”, finaliza o especialista.

Foto: Daniela Mercury | Divulgação
Ilustração: Pete Linforth | Pixabay

Fórum Global de Bem-Estar Emocional abordará impacto da pandemia

Um fato unânime e mundial que a pandemia de COVID-19 trouxe foi o impacto emocional nas pessoas. Do dia para a noite houve uma mudança radical no padrão de vida, na rotina e na socialização do ser humano. Passados quase seis meses, a pergunta é: como estamos olhando para as nossas emoções? Como estão os nossos relacionamentos? Quais aprendizados vamos levar?

Para responder a estas e outras questões, o Grupo Mulheres do Brasil reuniu seus núcleos do mundo todo para uma ação conjunta, on-line e gratuita, o 1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional, que será realizado no dia 26 de setembro (sábado), das 9h às 18h (horário de Brasília), pelo canal do YouTube do Grupo.

“Juntas somos mais fortes! Uma frase que nos inspira todos os dias. Se já reuníamos um grupo de mulheres com competências e habilidades capazes de grandes transformações, agora com a forte expansão do Grupo no mundo todo, estamos construindo uma sinergia ainda mais forte”, ressalta Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil.

Marisa Cesar, CEO do Grupo, explica que a proposta é reunir neste Fórum todas as ações que estão sendo realizadas pelos quatro cantos do planeta. “Estamos trazendo profissionais especializados nos mais variados temas ligados à depressão, inteligência emocional, mindfulness, psicologia positiva, relacionamentos, para apoiar e ajudar as pessoas a passarem por esse momento de forma mais leve e saírem fortalecidas”, explica Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

O evento contará com a presença da atriz Denise Fraga, do terapeuta transpessoal Tadashi Kadomoto e de muitos outros profissionais. Ao todo, serão cinco painéis, intercalados por performances artísticas e práticas de meditação, mindfulness, yoga, entre outras.

Outra novidade do Fórum é a fusão de projetos que surgiram em decorrência da pandemia – o Escuta com Afeto para a comunidade em geral – e o @Elas Apoiam – para as mulheres do Grupo -, e o lançamento de uma plataforma global de Apoio Emocional.

“Nosso objetivo é lançar uma plataforma continuada e colaborativa, realizando fóruns de temas variados e ações que apoiem a mulher na construção de uma estrutura emocional que a ajude a enfrentar qualquer adversidade”, afirma Annette de Castro, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza.

Queremos que todas as mulheres saibam que estamos aqui, juntas e vamos nos ajudar nessa rede colaborativa de sororidade e apoio”, ressalta Fátima Macedo, líder do Grupo de Apoio Emocional do Grupo Mulheres do Brasil.

Para participar do evento basta entrar no canal do YouTube: http://www.youtube.com/grupomulheresdobrasil

Serviço
1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional
Data: 26 de setembro
Horário: das 9h às 18h (horário de Brasília)
Onde: Youtube: http://www.youtube.com/c/GrupoMulheresdoBrasil
On-line e gratuito

Diagnóstico de linfomas exige atenção aos sintomas

O Instituto Nacional de Câncer estima que 12.670 novos casos de Linfomas sejam registrados no Brasil neste ano de 2020. E, segundo o Observatório de Oncologia, em 58% dos casos a doença é diagnosticada em estágio avançado. “O alerta vem, por exemplo, do aparecimento de um gânglio grande nos locais de apresentação mais comuns, como pescoço e na axila. Mas a verdade é que os linfomas podem surgir em qualquer lugar, como na tireoide, no cérebro, testículos, estômago e até intestino”, explica o hematologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Rony Schaffel, ao destacar que não existe uma forma de prevenir linfomas, pois eles dificilmente têm uma causa definida, mas sinais e sintomas devem ser observados pelo paciente principalmente o crescimento de massas.

Os linfomas são tumores derivados das células chamadas de linfócitos, responsáveis por orquestrar a defesa do organismo contra infecções e outras doenças. O descontrole dos linfócitos pode fazer com que quando maduras, essas células se alojem nos gânglios e se desenvolvam de forma maligna, ocupando essas estruturas, causando o seu crescimento e, como consequência, o linfoma. A conscientização sobre os linfomas é destacada em todo o mês de setembro, com data mundial no dia 15.

Dr. Rony Schaffel estima que cerca de 90% dos linfomas diagnosticados são não-Hodgkin, que se caracterizam por uma infiltração difusa por linfócitos de diferentes formas de acordo com o subtipo. Já os linfomas de Hodgkin têm uma estrutura celular diferente dos outros. Segundo o médico, apenas 5% do tumor é composto pelas células malignas e o restante por células inflamatórias. Além disto, as células malignas do linfoma de Hodgkin, conhecidas como células de Reed-Sternberg, são bizarras, grandes e em forma de “olhos de coruja”. “Por este motivo, até os anos 90, o linfoma de Hodgkin era chamado de doença de Hodgkin. Posteriormente foi confirmado que se trata de linfócitos e foi alterada a nomenclatura”, lembra.  

Pelo levantamento realizado pelo Observatório de Oncologia, o diagnóstico dos pacientes com linfoma no Brasil atendidos pelo SUS entre 2008 e 2017 foi tardio. Em 58% dos casos, a doença já estava avançada. Na opinião de Schaffel, não existe uma forma de prevenir linfomas, pois eles dificilmente têm uma causa definida, mas sinais e sintomas devem ser observados pelo paciente principalmente o crescimento de massas. E as pessoas devem ficar atentas ao alerta de aparecimento de um gânglio grande nos locais de apresentação mais comuns, como pescoço e na axila, por exemplo. Mas o hematologista enfatiza que os linfomas podem surgir em qualquer parte do corpo.

A busca pelo diagnóstico

Por ser difícil de rastrear, a jornada do paciente com linfoma pode ser longa e conturbada. Em 2011, com apenas 28 anos, a administradora e especialista em desenvolvimento, Heloísa Orsolini Albertotti, foi diagnosticada com linfoma não Hodgkin, após três longos meses investigando um sintoma inicial de uma dor forte no braço. “No começo, eu desenvolvi uma trombose. Mas não foi diagnosticado de início que, na verdade, era o linfoma que estava comprimindo uma veia e causando o problema”, conta. Ela explica que passou por diversos especialistas como ortopedista, ginecologista, vascular e fez uma biópsia que deu negativo para linfoma. Somente após a segunda biópsia mais aprofundada, ela teve diagnóstico fechado e foi encaminhada a um oncologista e hematologista. “É preciso perceber os sinais do corpo e ir atrás para investigar alterações”, afirma. Heloísa passou por oito sessões de imunoquimioterapia e hoje está curada.

O Dr. Rony Schaffel recomenda que em caso de aumento de gânglios o paciente seja encaminhado direto para um hematologista. No entanto, alerta que é importante que o paciente tenha um médico do seu relacionamento (clínico-geral, por exemplo), que ajude a excluir as causas de aumento de gânglios que não tem ligação com linfomas, como infecção de garganta. O especialista afirma que “o hemograma é um exame fundamental, porque existem linfomas que aparecem no sangue na forma de linfócitos aumentados. Além disso, é imprescindível a realização de biópsia para confirmação do diagnóstico”.

Tratamento e acesso

Segundo o professor da UFRJ, a maioria dos linfomas são tratados com imunoquimioterapia, que combina a administração de quatro medicamentos, conhecido como esquema CHOP, com o uso de um anticorpo monoclonal chamado rituximabe.

O especialista afirma que os medicamentos biológicos como o rituximabe são essenciais para a oncologia. No tratamento dos linfomas, aumentam a taxa de cura dos pacientes. “O monopólio e a patente dos medicamentos de referência vem acompanhada de um preço bem alto dos produtos. A chegada dos biossimilares no mercado tem diversas vantagens, principalmente a competição de alto nível, com substâncias de qualidade eficácia e segurança testadas, similares ao de referência, proporcionando queda do preço e com isso, naturalmente, o sistema tende a absorver mais tratamentos e novas indicações dentro do mesmo valor de orçamento”, explica o hematologista. “Outra vantagem é que a nacionalização da produção desse tipo de medicamento reforça e facilita o sistema de farmacovigilância. O Brasil também ganha em termos de produção intelectual, mercado de trabalho e, principalmente amplia a possibilidade de desenvolvimento e produção de moléculas inovadoras”, conclui.

O medicamento rituximabe é o primeiro biossimilar produzido no Brasil, na Biotec da Libbs – responsável pela produção de medicamentos biológicos indicados para tratar câncer e doenças autoimunes –, em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo. O medicamento biológico obteve registro da Anvisa em 2019 e, a partir daí, a Libbs – indústria farmacêutica brasileira 100% nacional, que está no mercado há mais de 60 anos – iniciou as vendas para o mercado privado. A Libbs possui Parceria para Desenvolvimento de Produtos (PDPs) com o Governo para produtos biológicos, incluindo o Rituximabe. No mês de junho deste ano, foram enviados todos os documentos para o início do fornecimento do medicamento ao SUS e a expectativa é de que até o final deste ano sejam realizadas as primeiras vendas.

Dr. Rony Schaffel, hematologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Campanha destaca serviço gratuito de imunização para pacientes especiais

Alguns pacientes são mais vulneráveis a infecções e, por isso, têm necessidades específicas de vacinação. Essas pessoas podem ser atendidas gratuitamente em unidades de saúde do SUS: os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), uma rede que já existe há 27 anos, que apesar desse histórico, o serviço ainda é pouco conhecido no Brasil, inclusive entre os médicos. Com o apoio de toda a sociedade, contudo, é possível mudar o cenário de desconhecimento e formar uma verdadeira rede de proteção em torno daqueles que correm maior risco de adoecer. Esse é o objetivo da campanha CRIE + Proteção, uma iniciativa da Pfizer, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que tem entre diversas ações uma websérie especial presentada pelo médico Dráuzio Varella, que tem uma forte ligação com a temática.

Várias condições clínicas e procedimentos podem tornar um organismo mais suscetível a infecções, como enfrentar um câncer, passar por um transplante, viver com HIV ou com diabetes. “O envelhecimento da população está associado a um incremento no número de quadros crônicos. Graças aos avanços da medicina, os pacientes oncológicos, por exemplo, vivem cada vez mais, mesmo nos estágios avançados da doença, assim como os indivíduos que vivem com HIV. Além disso, infecções podem ser causa de descompensação de doenças como cardiopatias, diabetes, entre outras. Essas doenças de base aumentam o risco de contrair infecções graves e, portanto, a vacinação desses grupos precisa estar no centro das atenções”, afirma o presidente da SBIm, Juarez Cunha.

Web Série

Para estimular o conhecimento sobre a importância e a segurança da vacinação dos chamados pacientes especiais a campanha CRIE + Proteção reúne ações presenciais e digitais. A primeira delas é uma websérie especial apresentada pelo médico Dráuzio Varella, cancerologista, que dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer de São Paulo por 20 anos e foi um dos pioneiros em iniciativas de enfrentamento da AIDS no Brasil, ainda na década de 1980. Nos três vídeos da série, o médico visita unidades do CRIE para apresentar o serviço à sociedade e discutir as opções oferecidas aos pacientes imunocomprometidos.

Em cada um dos episódios, Dráuzio Varella conversa com profissionais das unidades de referência e acompanha pacientes que visitam esses locais pela primeira vez: Jussara Del Moral, diagnosticada com câncer de mama em 2007, Pedro Frazão, que passou por um transplante renal em 2018, e Lucas Raniel, que vive com HIV desde 2013. Exibidos a partir do mês de setembro, os vídeos ficarão disponíveis no canal do médico Dráuzio Varella no Youtube e, também, no portal da SBIm: http://www.familia.sbim.org.br/pacientes-especiais. Na plataforma, o internauta também pode se informar sobre as condições crônicas de saúde contempladas com a vacinação gratuita, conhecer as indicações e contraindicações para cada caso, bem como acessar a lista completa de endereços das unidades dos CRIE em todo o Brasil.

Criando proteção

A campanha CRIE + Proteção também conta com o apoio de influenciadores digitais de diferentes segmentos na divulgação da causa. “Esperamos que a campanha possa melhorar o conhecimento sobre as unidades do CRIE e estimular a adesão dos imunocomprometidos e pessoas com doenças crônicas à vacinação, valorizando um atendimento importante que é prestado gratuitamente pelo SUS”, afirma a diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine.

Uma das novidades mais recentes no âmbito do CRIE foi a ampliação das possibilidades de prevenção contra as doenças pneumocócicas, a partir da incorporação de uma vacina que protege contra os 13 tipos mais prevalentes da bactéria pneumococo em todo o mundo. Pessoas com condições clínicas que comprometem o sistema imunológico apresentam um risco aumentado para pneumonia e doenças pneumocócicas invasivas, em relação aos indivíduos saudáveis. Entre aquelas que vivem com HIV, por exemplo, o risco de contrair pneumonia é de 50 a 100 vezes maior na comparação com pessoas sem essa condição.

Pacientes oncológicos representam outro grupo suscetível à pneumonia e outras infecções, uma vez que o sistema imune pode ser enfraquecido pelo próprio câncer e pelos tratamentos que afetam as células de defesa. Também devem receber atenção especial indivíduos que utilizam imunossupressores, como as medicações usadas para evitar a rejeição em transplantados ou mesmo os pacientes submetidos a transplante de medula, o que pode prejudicar as memórias imunológicas adquiridas ao longo da vida.

“A vacinação contra o pneumococo está muito bem estabelecida nos calendários vacinais do Brasil e do mundo, de modo que a incorporação da 13-valente aos CRIE representa um grande avanço em termos de acesso. É fundamental que todos estejam atentos às atualizações nas recomendações de imunização, respeitando as particularidades de cada paciente e de sua condição clínica”, avalia Márjori.

Endereços CRIE: https://familia.sbim.org.br/images/files/lista-cries.pdf

#CRIEmaisProteção

Vídeo: Divulgação
Foto: Reprodução Vídeo

Novos caminhos da oncologia

Por Ramon Andrade de Mello (*)

Os avanços da ciência têm proporcionado respostas para diversos males que afligem a população. Nessa pandemia, por exemplo, a agilidade dos cientistas na produção de uma vacina para combater o novo coronavírus superou as expectativas. Os resultados podem trazer alento às pessoas que enfrentam a Covid-19.

Nos próximos anos, a ciência deve continuar oferecendo importantes respostas para as doenças que devemos enfrentar num futuro bem próximo. O envelhecimento da população trará profundos impactos na saúde. Para o triênio 2020-2022, as estimativas brasileiras apontam o registro de 625 mil novos casos de câncer no período, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma.

Para superar esse novo panorama, pesquisadores de todo o mundo têm se lançado na busca de medicamentos e procedimentos capazes de mudar a abordagem de tratamento das pessoas acometidas por diversos tumores. Na área de oncologia, as terapias genéticas vêm se mostrando o melhor caminho pelos cientistas. Elas atuam nas mutações dos genes das células defeituosas para eliminá-las, uma técnica complementar aos métodos tradicionais – quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.

Para quem considera que esses procedimentos ainda estão distantes da nossa realidade, vale ressaltar que o Brasil segue a tendência mundial na busca do tratamento contra o câncer e estudos pioneiros, como os iniciados na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), vão sequenciar o código genético de pessoas não fumantes acometidas por câncer de pulmão. A proposta da pesquisa é identificar os fatores de risco dessa população e apontar os tratamentos mais adequados para muitos casos da doença, com medicamentos que ofereçam maior poder de precisão e menores efeitos colaterais. Denominados de terapias-alvo, esses tratamentos atuam diretamente nas moléculas indispensáveis para as atividades das células cancerígenas, freando a sua expansão.

A ciência e os pacientes também comemoram os bons resultados da imunoterapia, uma técnica que estimula as próprias células de defesa contra o câncer. A escolha do melhor procedimento depende de uma avaliação minuciosa da saúde de cada paciente, realizada por meio de exames clínicos, entre outros processos. Esse método estimula o sistema imunológico no combate às células cancerígenas, bloqueando as engrenagens que elas usam para enganar as defesas com a liberação de proteínas, que se encaixam em receptores dos linfócitos T. Com a técnica, eles identificam e ordenam que outras células destruam os patógenos, que são agentes infecciosos.

Os cientistas já conseguem inclusive fazer a mutação em laboratório dos linfócitos T. Essa alteração ajuda a estimular no reconhecimento das células tumorais quando eles são reintroduzidos no paciente. A dificuldade do tratamento é identificar as alterações precisas que permitam ser aplicadas como alvos, pois o câncer é uma doença multifatorial e de mecanismos moleculares complexos, que se relacionam entre si para manter a célula maligna atuante.

As descobertas trazem vantagens como a redução significativa dos efeitos colaterais dos métodos tradicionais, como a quimioterapia. O sucesso dessas novas técnicas já permite vislumbrar, num horizonte de curto e médio prazos, a abordagem do câncer como uma doença crônica, mas ao mesmo tempo controlável quando bem acompanhada, assim como hoje ocorre com a hipertensão ou a diabetes. Os novos passos da ciência na área de oncologia reforçam nosso otimismo de que a cura para muitas doenças não é apenas um sonho.

(*) Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

Foto: Divulgação/ExLibris
Ilustração: Gerd Altmann/Pixabay

Estilo de vida saudável previne câncer de mama

Diante de um cenário atípico por conta da pandemia do covid-19, neste Outubro Rosa 2020, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) vem alertar o público sobre a importância de celebrar a vida. Para isso, lança o movimento de conscientização QUANTO ANTES MELHOR, cujas mensagens principais são a adoção de um estilo de vida que compreenda a prática de atividades físicas, alimentação saudável, visitas regulares ao médico, exames preventivos e, quando preciso, o início do tratamento logo após o diagnóstico. Quanto mais cedo isso for feito melhor para a saúde da mulher.

De acordo com o presidente da SBM, Dr. Vilmar Marques, todas essas medidas são fatores que previnem várias doenças, dentre elas, o câncer de mama. Segundo ele, num ano tão difícil como este, a SBM quer reforçar que há muita vida após o câncer de mama e que o cuidado com a saúde deve ser constante, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e, em alguns lugares, ainda sendo gradativamente retomados por conta da pandemia.

Segundo o presidente, o movimento deste ano será totalmente online e focará na disseminação da informação. Ele lembra que diversos estudos, por exemplo, revelam que o sobrepeso e a obesidade, além da falta de atividades físicas no dia a dia, aumentam os riscos para câncer de mama e ainda proporcionam uma má qualidade de vida para quem está em tratamento. “Nosso alerta é para QUANTO ANTES mudar o estilo de vida MELHOR para a saúde e isso envolve exercícios, alimentação saudável e a consciência da saúde preventiva como um todo”, afirma ele, completando que o acompanhamento com o mastologista e a realização da mamografia anual nas mulheres a partir dos 40 anos é igualmente importante e está dentro desse contexto.

Em relação à pandemia de Covid-19, ele destaca a preocupação da entidade com a interrupção do rastreamento, exames e tratamentos. A SBM recomenda que nas regiões onde o pico da doença tenha diminuído, os casos estejam estabilizados e com certa flexibilização, as mulheres retomem seus exames e tratamentos, desde que seguindo as medidas de segurança. “Uma vez deixando de fazer o rastreamento, não identificando um tumor inicial com alta chance de cura, pode resultar em um diagnóstico tardio e em estágio mais avançado e isso preocupa. Da mesma forma as pacientes que estão em tratamento é fundamental o prosseguimento”, explica o médico.

Já nas regiões com alta incidência da pandemia, o mais correto é que as mulheres não consideradas urgentes, assintomáticas ou que fazem controle por alterações benignas aguardem o momento de pico passar. No entanto, nos casos com suspeita de um nódulo palpável não se deve postergar e buscar atendimento imediatamente para fazer o diagnóstico. “A pandemia gera uma sensação de insegurança e muitas mulheres deixaram de ir ao consultório. Isso é natural, mas é preciso retomar o rastreamento o quanto antes para evitar casos avançados no futuro”, conclui Dr. Vilmar.

Sociedade Brasileira de Mastologia lança movimento QUANTO ANTES MELHOR alertando
a população para adoção de melhores hábitos que levam à uma vida com mais qualidade

DICAS DE HÁBITOS IDEAIS PARA UMA ROTINA SAUDÁVEL

>>> Alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer de três em três horas, em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os alimentos industrializados.

>>> Evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais.

>>> Procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino.

>>> Faça exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de exercícios físicos moderados divididos entre os cinco dias ou 75 minutos de exercícios vigorosos divididos pela semana.

>>> Planeje o seu dia alimentar e tente segui-lo.

Arte: Divulgação/SBM
Foto Ilustrativa: Daniel Reche/Pixabay

Einstein faz nova remessa de doações para cerca de 600 aldeias indígenas e mais de 130 hospitais públicos e filantrópicos

Para apoiar o trabalho de profissionais de saúde no atendimento de pacientes com o novo coronavírus, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein irá doar R﹩ 40 milhões em Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) – que compreendem máscaras de proteção N95 e protetor facial (face shield) – e álcool gel a 138 hospitais públicos e filantrópicos do país.

Serão beneficiados hospitais de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe. Também serão doados EPI’s e álcool gel para profissionais de saúde que atuam, através de 5 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), em cerca de 600 aldeias indígenas no Mato Grosso.

Os produtos doados foram adquiridos pelo Einstein como parte da sua preparação para o combate à pandemia em São Paulo. A distribuição destes materiais e a escolha das unidades beneficiadas considerou, além da necessidade e número de funcionários, a evolução da doença, o número de leitos e internações nos diferentes municípios brasileiros.

A ação, que conta com o apoio logístico da DHL, tem início previsto para segunda quinzena de agosto com a saída de 51 carretas de São Paulo e deve durar um mês.

Outras doações

Desde o início da pandemia, o Einstein recebeu de uma rede de doadores recursos financeiros, materiais e equipamentos totalizando R﹩ 42,6 milhões, que foram integralmente transferidos para ações junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) e comunidades carentes.

Na primeira remessa, no mês de abril, para os estados do Amazonas, Pará e Ceará, foram R﹩ 4,1 milhões destinados à distribuição de EPI’s e álcool gel

Do total, mais de R﹩ 36 milhões foram destinados à ampliação e melhoria da infraestrutura de unidades públicas de saúde públicos geridas pelo Einstein em São Paulo – como respiradores e outros equipamentos médicos. Entre os beneficiados estão o Hospital M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch, o Hospital da Vila Santa Catarina – Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho, a UPA Campo Limpo e o Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu. Ainda na capital paulista, foram entregues 50 mil kits de higiene para a prevenção da Covid-19 e cerca de 25 mil cestas básicas aos moradores da comunidade de Paraisópolis e regiões da Vila Andrade e Campo Limpo, na zona sul.

As doações fazem parte do compromisso Einstein no apoio ao sistema público de saúde por meio da transferência de práticas, conhecimento e recursos que contribuam para a qualidade do atendimento oferecido à população.

Foto: Divulgação|Einstein

Movimento Saúde Emocional oferece conteúdo gratuito para apoiar professores

A Nova Escola, negócio social voltado a apoiar e oferecer recursos para educadores e melhorar a educação pública no Brasil, acaba de lançar um movimento para sensibilizar, apoiar e engajar os professores nos desafios relacionados à sua saúde mental durante a após a pandemia. Questões que acompanham a profissão há anos foram especialmente agravadas com o isolamento social e os desafios do ensino remoto.

O Movimento Saúde Emocional de A a Z, uma iniciativa realizada em parceria com a Fundação Tide Setubal e com o apoio da Fundação Lemann, apoiará esses profissionais, em um espaço de reflexão, conhecimento, troca de experiências e esclarecimento de dúvidas sobre sua saúde emocional, por meio de conteúdos e ferramentas de apoio exclusivos para professores da educação infantil e do ensino fundamental 1 e 2.

As premissas do Movimento são: diversidade racial; professor protagonista; foco na prática do educador; e respeito à realidade da escola pública brasileira. Ele integra a campanha Nova Escola Em Casa, lançada no fim de março em resposta às necessidades dos educadores neste período de pandemia. O acesso a todos os recursos será online e gratuito por meio da plataforma da Nova Escola .

“O interesse pelo tema ganhou força depois de uma análise sobre os desconfortos emocionais que professoras e professores sentem, em dados que coletamos em uma pesquisa de 2018 sobre a saúde do educador. Passamos então a incorporar na missão da Nova Escola o desenvolvimento de recursos e soluções para apoiá-lo de forma mais completa. A parceria com a Tide Setubal, fundação que também buscava incentivar projetos para mitigar os efeitos da pandemia, permitiu então a criação de recursos específicos aos desafios atuais. Precisamos seguir dando muita atenção a esse assunto, que não surgiu agora, mas é urgente”, diz Ana Ligia Scachetti, Gerente Pedagógica da Nova Escola.

Recursos pedagógicos

O pacote de ações do Movimento Saúde Emocional de A a Z estará disponível a partir de 11 de agosto. Inclui matérias jornalísticas que serão publicadas no site da Nova Escola e três edições completas, uma para cada etapa de ensino, do Nova Escola Box, caixa de conteúdos digitais com sugestões práticas sobre o tema, além de um e-book com dicas de bem-estar. Também farão parte do Nova Escola Box indicações de livros, textos, vídeos e áudios ligados ao tema.

“Estamos prevendo ainda atividades para que os professores usem com os seus alunos. Desenhos, contações de histórias e rodas de conversa para que falem do que estão sentindo. Assim como os professores, os alunos também devem sair da pandemia com uma carga de perdas e seguirão precisando de muito apoio”, completa Ana Ligia.

Para Tide Setubal, psicóloga e psicanalista e coordenadora da área de saúde mental da Fundação Tide Setubal, o Movimento auxiliará os educadores a cuidarem constantemente da saúde emocional em suas vidas pessoal e profissional. “Incentivaremos também que tentem promover espaços de trocas e reflexões com seus alunos para cuidarmos desse universo emocional e afetivo central na vida de todos. Essas atividades são importantíssimas para que professores e estudantes criem narrativas, entendimentos e elaborações sobre o que estamos vivendo. A pandemia escancarou questões como a enorme desigualdade social do nosso país e a necessidade de olharmos para temas que deixávamos de lado, entre eles a saúde mental”.

Com o tema ‘Saúde emocional do professor – O que é possível fazer?’, especialistas como Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP, a psicóloga escolar Roberta Federico e Gláucia Tavares, psicóloga clínica e presidente da Rede API – Apoio a Perdas (Ir) reparáveis, participarão de um webinário para falar de assuntos como estresse, ansiedade e burnout. A formação ocorrerá no dia 13 de agosto às 15 horas, com duas horas de duração, e será transmitida simultaneamente no site da Nova Escola, no Facebook e no YouTube. O vídeo ficará disponível após a transmissão.

E, já que o Movimento Saúde Emocional de A a Z visa a troca de informações, experiências e aprendizados entre os professores, a comunidade Nova Escola em Casa, que existe desde março de 2020 no Facebook, será usada para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação. Elas serão incentivadas a compartilhar depoimentos e os caminhos que têm adotado para lidar com a saúde emocional.

“Os profissionais da educação tiveram que se reinventar, se adaptar a ferramentas virtuais, manter os alunos estimulados e, ao mesmo tempo, lidar com todas as pressões do cotidiano impostas pela pandemia. Esse contexto torna ainda mais fundamental um olhar cuidadoso para a saúde emocional dos professores, daí a importância desse movimento”, diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann .

Campanha nas redes sociais

A campanha da ação contará com depoimentos de professores coletados por meio de mobilizações nas redes sociais da Nova Escola e no site da campanha, histórias estas que serão potencializadas posteriormente, por meio do trabalho de atrizes e atores em vídeos que circularão na internet. Lá também será compartilhado um dicionário do Movimento com palavras e termos de A a Z para aqueles que quiserem saber mais sobre saúde emocional.

Serviço:

>>> A partir de 11 de Agosto

Conteúdos especiais e recursos exclusivos do Nova Escola Box, tudo gratuito: http://novaescola.org.br/saude-emocional

>>> 13 de Agosto

Webinário gratuito com especialistas: https://novaescola.org.br/subhome/177/saude-emocional

Comunidade no Facebook para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação: Nova Escola em Casa

Outras redes sociais Nova Escola:
> Instagram
> Twitter
> LinkedIn

UNICEF inclui cartilha sobre saúde menstrual em kit de higiene na pandemia

Brasília – Garantir o acesso a informações seguras é fundamental para se proteger contra o coronavírus e cuidar da saúde. Mas nem sempre crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade conseguem receber essas informações. Por isso, desde o começo da pandemia, o UNICEF tem produzido cartilhas, folhetos e cartazes, com informações seguras e baseadas em evidências científicas, que estão sendo distribuídos em capitais brasileiras. Entre esses materiais, foi incluída uma cartilha sobre saúde menstrual.

A cartilha Menstruação na Pandemia e Outras Coisinhas é voltada a meninas adolescentes e possui informações sobre como acompanhar e entender o ciclo menstrual, métodos anticoncepcionais e saúde sexual. O material inclui, também, informações sobre saúde mental. Traz, ainda, orientações às meninas sobre o que fazer em situações de violência, incluindo canais de denúncia e os caminhos para acessá-los.

A cartilha faz parte de um conjunto de conteúdos impressos que têm sido produzidos e distribuídos pelo UNICEF a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Grande parte dos materiais é entregue junto com as doações de produtos de higiene e limpeza que estão sendo distribuídos em 10 capitais brasileiras. Há, também, distribuição em locais específicos, como unidades socioeducativas e abrigos para migrantes venezuelanos.

Folhetos sobre saúde e direitos


Entre os conteúdos distribuídos está, também, um folheto sobre como cuidar da saúde em tempos de Covid-19. Ilustrado pelos personagens da turminha do Bairro do Limoeiro, ele traz instruções sobre o que é a Covid-19, como se prevenir e como lidar com o isolamento social. Produzido pela Mauricio de Sousa Produções, com o apoio do UNICEF, o material foi traduzido para o espanhol e alcançou também imigrantes e refugiados venezuelanos.

Além dele, foram produzidos e distribuídos folhetos com informações sobre o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal.

Para unidades socioeducativas, o UNICEF preparou cartazes com informações sobre o coronavírus, os direitos garantidos a adolescentes e os canais de apoio psicossocial. Os cartazes foram afixados nas paredes das unidades.

Os folhetos foram impressos com apoio de Água de Manaus, Americanas, Bayer; Instituto Mitsui, Ministério Público do Trabalho (MPT), Supervia e Unilever. Além de Arteris, CGN, EDF Renewables, Gemini Energy, Omega Energia, Essencis e Termoverde, essas por meio de parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Resposta à Covid-19 – A disseminação de informações faz parte da resposta do UNICEF à Covid-19, mas a estratégia não se limita a isso. Ao mesmo tempo em que busca responder às necessidades emergenciais de crianças, adolescentes e suas famílias, o UNICEF tem trabalhado em ações estruturais de longo prazo para minimizar os efeitos da pandemia na vida de meninas e meninos, e garantir direitos.

Entre as ações, destacam-se o fornecimento de itens de higiene e limpeza; o trabalho com governos nos níveis federal, estadual e municipal, empresas e sociedade civil para diminuir o impacto da crise nos serviços de saúde, educação, assistência social e proteção contra a violência de meninos e meninas; e o apoio à saúde mental de adolescentes e o monitoramento da situação e o impacto social da pandemia para produzir evidências em apoio a políticas e ações.