Foco, segurança e inovações para reinventar o turismo

Por Lenise Ipiranga

Passagens aéreas compradas, hotéis reservados, passeios agendados e pronto: tudo certo para inúmeras viagens pelo Brasil e pelo mundo em 2020. Não! Um momento! Não haverá viagens? O que aconteceu? No finalzinho de 2019, o mundo foi surpreendido com a notícia de um surto de um novo vírus na China; em fevereiro, o primeiro caso no Brasil; em março, a OMS (Organizações Mundial da Saúde) classificava o surto como pandemia, e também era confirmado o primeiro caso em Manaus; ainda em março, o epicentro na Europa massacrou a Itália e a Espanha, com milhares de vidas ceifadas, comoção mundial; emissão de decretos de isolamento social em todo o país; aeroportos monitorados; fronteiras fechadas nos outros continentes. E o mundo foi parado pela pandemia do novo coronavírus. Em Manaus, um agente de viagem autônomo, um empresário de agência de viagens de pequeno porte e uma empresária dos segmentos de viagem e hotelaria atravessam a crise que repercutiu na pós-venda, como no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos, dúvidas; avaliam o setor que poderá ter padrões de consumo modificados; e se preparam para o futuro.

“Eu sou uma mulher de muita fé e de muita esperança. E já passei por várias experiências na minha vida. E quando temos Deus no coração adquirimos uma confiança e um equilíbrio maior. Então, quando eu vi se aproximar todo aquele clima de suspense, de não saber o que estava realmente acontecendo, intimamente, eu sentia que estávamos em meio a uma guerra moderna, invisível, algo inimaginável, mas que estava acontecendo”, lembra Cláudia Mendonça, empresária dos setores de hotelaria e viagens da indústria do Turismo, com experiência de 37 anos no setor, proprietária da agência Paradise Turismo, há 28 anos, e dos hotéis Boutique Hotel Casa Teatro, há 9 anos, e Casa Perpétua Hotel D Charm, há 1 ano, os quais integram um projeto de revitalização do Centro Histórico de Manaus, onde estão localizados.

Diante do noticiário sobre a pandemia, Cláudia Mendonça buscou na sua fé o equilíbrio para gerenciar sua vida e seus negócios. “Eu rezei muito, pedi a orientação de Deus. Pedi a proteção de Deus para minha família, meus amigos, meus negócios, meus colaboradores, meus clientes, todo o planeta enfim”, conta. E foi assim que a empresária recebeu a notícia do fechamento das fronteiras, que inviabilizava completamente seus negócios de viagens e hotelaria. Mas, ao mesmo tempo, ressalta Cláudia, “meu coração ficava tranquilo, pois havia conseguido cumprir minha missão e agora teria de esperar o momento de Deus dizer ‘fora vírus e vamos dar uma reviravolta’. E estamos aqui esperando que se complete essa vontade e que voltemos fortemente para as nossas atividades”.

Empresária Cláudia Mendonça buscou na sua fé a orientação para enfrentar a pandemia

A quarentena foi cumprida em etapas, conta a empresária, seguindo as instruções: todos em suas casas, sempre falando em grupos de funcionários, de familiares, de amigos, com mensagens de esperança. “Foi um pânico geral, mas ficaram todos bem em suas casas, sabendo que teriam o básico, pois entramos no auxílio do governo, primeiro com a suspensão dos contratos de trabalho e demais etapas oferecidas, fato que evitou o pior”, relembra Cláudia, mas mesmo assim, todos os dias como hoje, a empresária demonstra sua preocupação de como será a retomada e se retomarão do ponto em que estavam.

Em meio às preocupações, Cláudia Mendonça abre um parêntese para questionamentos sobre a pandemia em relação ao comportamento humano: “Será que isso veio para desacelerar empresas e pessoas? E dar um tempo para que as pessoas se voltem um pouco para o pensar em suas vidas, no seu próximo? Também acredito muito nisso! E sabendo que temos de retomar a vida, com todos bem, equipe bem e nos preparando para a retomada”.

Relação com o cliente

Empresária experiente do segmento de viagens, desde a década de 1980, Cláudia Mendonça destaca, nesse capítulo histórico de crise mundial, a preocupação com seus clientes, os quais foram todos reacomodados e receberam a informação correta. “Quando tudo aconteceu, pudemos tranquilizá-los e dizer para terem calma, que não perderiam nada, pois todos estavam prorrogando suas viagens e eles continuariam com seus créditos. Essa relação é muito importante”, avalia. E lamenta que muitas pessoas que compraram on line perderam várias viagens, por não saberem aonde se dirigir ou a quem se conectar para poder fazer todos os arranjos de suas viagens.

“Temos de respeitar o mundo WEB (World Wide Web, sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet), de tecnologia, de praticidade para todos. Quando começaram as compras de passagens pela internet, mudamos um pouco o foco da nossa Paradise (Turismo), com viagens exclusivas, para clientes exclusivos, preparando viagens especiais, que fazemos até hoje”, observa. Também destaca que sua paixão por restauro, de valorização de antiguidades, de espaços, de pessoas, de lugares, ampliou e inspirou um olhar voltado para o Centro Histórico de Manaus, com projetos de restauro de casas antigas, revitalizadas como hotéis charmosos como a Boutique Hotel Casa Teatro e Casa Perpétua Hotel D Charm; e também a casa J.G. Araújo, um espaço disponível para eventos, todos para movimentar a área histórica com o turismo.

Mas essa parte de contato pessoal, humano, das agências de viagens que ainda tem suas lojas físicas, dos agentes de viagens, é diferenciada e importante na elaboração de uma viagem de um cliente. A relação com os clientes não se resume à venda e compra de produtos, acrescenta a empresária, mas são trocas de energia, trocas de experiências: “além da segurança, sim, de saber que tem uma pessoa 24h no ar para falar sobre alguma questão de sua viagem, algum problema ou mesmo a troca de experiência, pois eu sempre digo que eu viajo junto com meus clientes, fico 24h ligada participando de suas emoções, notícias da viagem”. Para Cláudia, essa parada também serve para destacar o quanto é importante comprar viagens com um agente de viagem cadastrado.

Novos padrões de consumo

“Tudo não vai mais ser como era antes para o setor e para os clientes”, enfatiza Cláudia Mendonça sobre as mudanças inspiradas pela parada mundial de 2020, especialmente do Turismo. E acredita que as pessoas terão maior preocupação sobre segurança, saúde, higienização, para viajarem tranquilamente. “Mas acima de tudo, sobre essas dúvidas que possam ter, nós, agentes de viagens, vamos ter um exercício extra: o de encorajar as pessoas a viajar, a sair de suas casas, porque muitos ficaram apavorados, traumatizados”, avalia. Contudo, acrescenta, ao mesmo tempo, também devido à parada impactante, as pessoas estão readquirindo o desejo de sair, desbravar o mundo, dar-se ao luxo ou à necessidade de sair para respirar um pouco, para viver um pouco, para ver culturas diferentes. “E eles vão fazer isso, mas com um sabor diferente, com um outro olhar, de coração, de valorização, de resiliência. As pessoas vão querer fazer turismo de uma forma diferenciada, sem futilidade; com toda a família, com seus amores; de gratidão a Deus, por estar em condições de viver todas essas experiências que o mundo tem para nos oferecer. Vai ser um turismo diferente, para contemplar, para agradecer, para fazer coisas simples da vida, mas com estrutura, evidentemente”, Cláudia Mendonça.

Atualmente, como diversos setores da economia mundial, empreendimentos e profissionais do turismo aguardam pela retomada de suas atividades. A proprietária da Paradise Turismo adianta que estão dando os passos necessários e aguardam a posição de todos os parceiros, do governo, para ver como irão dar outros passos para, finalmente, a agência de turismo funcionar normalmente, assim como seus dois hotéis também, pois tudo depende da abertura das fronteiras. “Manaus está numa condição um pouco melhor, com pessoas voltando a ter suas rotinas, buscando passear nos rios, porque todos querem viver um pouco, agradecer, valorizar a vida”, diz Cláudia. E explica que a espera é pelo turismo interno, pois o que tem girado é com público local e por isso estão pontuando tudo que pode ser oferecido, seja hotelaria, passeios de barco, criando alternativas de turismo para a cidade. Tem ainda a espera pelo mercado brasileiro, quando todo o país melhorar também e começar a movimentar o turismo nacional.

“Precisamos iniciar uma campanha com todos os amazonenses, todos os segmentos, para cuidarmos da nossa cidade. Fazermos com que Manaus se torne uma cidade modelo, padrão, uma cidade que as pessoas tenham desejo de conhecer”, sugere a empresária, com a certeza de que Manaus e seu entorno tem todos os atrativos para oferecer praias de rio, um verão intenso, passeios de barco, contato com a natureza e a cultura indígena, degustação de peixes e iguarias. “Isso tudo é muito importante. Temos de unir todos para essa força-tarefa, para retornamos com intensidade esse nosso segmento”, enfatiza. Existe ainda o exercício de montar pacotes para o exterior, à espera da abertura das fronteiras, anuncia a empresária: “seguimos sempre a linha de escutar bastante nosso cliente e ver o que o coração dele está pedindo para suas viagens. Temos recebido muitas ligações de grupos de amigos, de grupos de famílias, casais, querendo viajar, celebrar a pós pandemia. E vamos estar aqui esperando que isso tudo passe para poder oferecer o melhor do mundo para todos os nossos clientes”.


Setor terá de se reinventar

O agente André Marques aponta que setor terá de buscar
alternativas seguras e apresentar inovações de mercado

“Este ano (2020), estavam sendo investidas todas as apostas de melhorias para alavancar o turismo, por todos os profissionais da área. E sem a realização das atividades turísticas, particularmente falando, ocorreu um grande desequilíbrio financeiro e emocional para as pessoas que dependem e vivem somente do Turismo”, lamenta André Marques, turismólogo e agente de viagem autônomo, com 20 anos de experiência no setor, diante da notícia e orientação de fechamento do comércio, do setor e das fronteiras, recebida por meio dos noticiários de TV e jornais, que impactou de imediato no seu trabalho, no seu cotidiano e na sua vida.

O agente de viagem, que trabalhou mais de uma década no turismo social do Sesc Amazonas, avalia que as agências e agentes foram pegos de surpresa, assim como o mundo todo, e a maioria não estava preparada financeiramente para essa “pausa”. E vão precisar de um tempo, avalia Marques, até que a normalidade da atividade volte, com o passar dos meses, a longo prazo, para se refortalecerem.

“Por mais que se ofereça e venda pacotes com toda segurança, obedecendo os protocolos de saúde, o cliente tem que se sentir seguro, sem medo do risco”, adianta o agente. E acredita que parte dos usuários de compras diretas de serviços turísticos on line, tem grandes chances de se tornar um cliente direto de agência, por sentir mais segurança para adquirir seus benefícios, de forma mais prática e direta, ao invés de se deparar com grandes burocracias e aborrecimentos, que normalmente ocorrem nas compras pela internet.
André Marques comanda excursões
para viajantes da terceira idade há 20 anos
André Marques acredita que a pandemia terá reflexo nos padrões de consumo do turismo, mas não chegará a ser uma mudança brusca por parte dos clientes pois, com certeza, afirma ele, uma viagem turística trata de sonhos, que foram apenas transferidos por um breve momento. “E o que se espera, com toda certeza, é que agências, operadoras de turismo, rede hoteleira e demais prestadores de serviços turísticos estejam buscando alternativas seguras e dentro dos patrões de saúde, com grandes inovações, pois devem apresentar um diferencial para venda dos produtos”, destaca o agente.

“O cliente tem que se encantar novamente. Sentir-se atraído para querer viajar. E o fornecedor tem que se reinventar, para poder se manter no mercado, diante das atuais circunstâncias”, observa Marques, que no momento, aguarda a situação da pandemia amenizar, passar enfim, e ressalta que “devemos ser muito prudentes nesta hora, pois lidamos com vidas. E a saúde do meu passageiro sempre estará em primeiro lugar. Devo me sentir seguro para voltar a promover as viagens em excursão e, assim, manter o padrão do trabalho com qualidade, segurança e bem-estar do passageiro”.

Dias melhores virão

“A notícia chegou de surpresa, uma péssima notícia por sinal, nos deixou sem chão. E as orientações sobre o que fazer foram ainda piores, pois havia muita incerteza e divergências no que podia ou não ser feito, para nós foi um choque”, relata o empresário Emerson Ximenes, há seis anos no mercado de Turismo com a GAD TUR Agência de Viagens, sobre o início da pandemia em Manaus.

Emerson Ximenes conta que a paralisação refletiu de forma devastadora e assustadora em sua empresa e, consequentemente, alterou totalmente seu cotidiano da pior forma. “Minha vida virou de pernas para o ar. Fiquei sem saber o que fazer, pois toda minha experiência adquirida em anos não servia de nada”, desabafa o empresário, sobre o momento de muito trabalho e noites sem dormir diante de cancelamentos e adiamentos de viagens. ”Infelizmente tive de dispensar nossos colaboradores”, lamenta.

Emerson Ximenes continua focado em dias melhores e
em breve poderá recontratar seus colaboradores

Mas, mesmo em meio à crise econômica e financeira vivida por todos, o empresário avalia com esperança que há males que vem para o bem, pois, no seu caso, acredita ter se tornado um profissional mais preparado com todo o aprendizado que a pandemia trouxe. E enfatiza que as agências que sobreviverem à crise sairão mais fortalecidas e com uma boa imagem junto aos clientes, já que a qualidade e segurança no atendimento no pós-venda, no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos e dúvidas em uma situação dessa só tende a fidelizar os clientes.

“O mercado do turismo nunca mais será o mesmo. Ainda é cedo para definir quais serão as mudanças nos padrões de consumo desse mercado após a pandemia”, observa Ximenes. E acrescenta que será um momento de recuperação total, pois a pandemia fragilizou o setor inteiro, mas com a experiência da crise a indústria do turismo será melhor. O empresário ressalta que sua agência de viagens continua focada e determinada, com o pensamento de que dias melhores virão. O atendimento presencial da GAD TUR já foi reiniciado, com todos os cuidados e determinações exigidas. “E em breve recontrataremos nossos colaboradores, com planos para nossa recuperação e no futuro o crescimento”, anuncia.

Fotos: Acervos Pessoais dos Entrevistados

Como (re)pensar a sustentabilidade

*por Camila Von Muller Vergueiro Caram

Você sabia que, segundo o Google Trends, a pergunta mais buscada na internet com relação a sustentabilidade no Brasil, no período de 13/06/19 a 13/06/20, é “O que é sustentabilidade?”. Parece estranho que essa seja a questão que mais intriga os brasileiros em pleno século XXI, mas há uma explicação para isso.

A questão é que o conceito de sustentabilidade mudou muito ao longo dos anos. No começo da minha carreira, essa palavra já tinha ganhado destaque, mas ainda estava associada ao cuidado com o meio ambiente, junto com outros termos, como reflorestamento, limpeza de rios e lagos, economia de energia e papel, repensar o uso de combustíveis fósseis, mas sempre associando sustentabilidade ao meio ambiente.

Nos últimos tempos, o conceito ficou mais abrangente e incorporou a roupagem de como está hoje no dicionário, que especifica sustentabilidade relacionando-a a aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, buscando suprir as necessidades do presente sem afetar as gerações futuras.

Ao meu ver, faz mais sentido, já que quando pensamos nas gerações futuras, construímos em nossa mente o mundo que queremos deixar a elas. E, de fato, ele não é permeado apenas pelo meio ambiente.

Por isso, a sustentabilidade precisa ser pensada por todos nós em suas várias facetas. Sustentabilidade é cuidar da água, da terra, da natureza. Mas, também é olhar para a igualdade de gênero, dar condições aos colaboradores para exercerem suas funções da melhor maneira possível, estimular a criatividade, reconhecer que as pessoas são o que diferencia uma empresa da outra, dividir o que se tem em grande quantidade com quem tem muito pouco, proporcionar cultura, educação e saúde a todos, melhorar a distribuição de renda, deixar de segmentar as pessoas pela cor da pele ou origem social, estimular o cuidado com a saúde e educar sobre todas essas questões.

É um conceito realmente bastante amplo, que está pouco a pouco saindo do campo das ideias para o das ações. No entanto, é preciso a força e a compreensão de toda a sociedade para que isso aconteça.

Percebe como não é tão esquisito saber que, pelo menos no Brasil, a pergunta “o que é sustentabilidade?” é a que reúne mais acessos quando se busca sobre o conceito de sustentabilidade no período citado? E esse fator complementa outra pesquisa realizada também no Google Trends, considerando todo o mundo e o período de 14/06/19 a 14/06/20, onde a primeira pergunta mais buscada é, na tradução para o português: “Por que as empresas estão começando a incorporar a sustentabilidade em seu modelo de negócios?”.

A resposta está visível, por um viés ou pelo outro. A sociedade mudou, assim como aconteceu com o conceito de sustentabilidade. Hoje, uma empresa desperta interesse não só pela posição que ocupa no mercado ou por seu faturamento, mas também pelo propósito e pelas práticas relacionadas a diversidade, sustentabilidade e iniciativas sociais, para citar alguns exemplos. De fato, é tudo isso que irá determinar o verdadeiro valor de uma marca.

Mas aqui vale uma ressalva. Da mesma forma que sustentabilidade não é só cuidar do ‘verde’, ela também não é só filantropia. É preciso entender, praticar e disseminar o conhecimento de sustentabilidade em sua amplitude.

Uma forma de começar essa discussão na sua empresa é ter a agenda de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) como o fio condutor para uma atuação responsável aliada à ideia de progresso, já que ela engloba 17 objetivos, os ODSs (http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/). Estou segura de que não há evolução sem uma agenda de crescimento sustentável, da mesma forma em que não há desenvolvimento sem o protagonismo das empresas no tema.

A maioria das empresas já entendeu que implantar iniciativas sustentáveis não é um gasto, mas sim um investimento. Já estão no radar, também, as vantagens competitivas proporcionadas pelo tema, as oportunidades de mercado que são criadas, bem como a atração e retenção de talentos por trás de uma empresa sustentável. Mas quero trazer aqui uma provocação para quem talvez não saiba por onde começar: simplesmente comece!

Você pode começar de várias maneiras: por meio de pequenas práticas; com agendas sustentáveis e se comprometendo a solucionar os principais problemas globais, mas em âmbito local; apoiando a pequena comunidade no entorno da sua empresa. E essas são apenas algumas das várias iniciativas que podem surgir.

Começar pode não ser fácil, mas tem um valor enorme. Não só para você ou a sua empresa, mas para os colaboradores, a cadeia de fornecedores, as comunidades, os clientes, os investidores e todos os que estão à volta deles. Por isso, volto a dizer: simplesmente comece! Essa a forma que temos para construir o futuro no melhor tempo, o agora.

* Camila Von Muller Vergueiro Caram é superintendente de Estratégia Digital e Marketing da OdontoPrev, empresa líder em planos odontológicos na América Latina e maior operadora do setor de saúde do Brasil em número de clientes.

UNICEF e Undime lançam guia para buscar criança e adolescente que estão sem acesso à aprendizagem

No último dia 24 de julho, foi lançado o guia Busca Ativa Escolar em Crises e Emergência, para apoiar estados e municípios na garantia do direito à educação de crianças e adolescentes em situações de calamidade pública e emergências, como a pandemia da Covid-19, quando escolas precisaram ser fechadas, deixando cerca de 35 milhões de crianças e adolescentes longe das salas de aula. Foram criadas opções para a continuidade da aprendizagem em casa, mas nem todos estão conseguindo manter o processo de aprendizagem – em especial os mais vulneráveis.

O guia é fruto da parceria do UNICEF com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

“A busca ativa precisa começar já, em paralelo à preparação das redes escolares para que possam reabrir em segurança”, explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil. “Não há como definir uma data única de volta às aulas presenciais no País, que tem de ser decidida de acordo com a situação epidemiológica de cada estado e município. Mas a preparação das redes escolares para a reabertura de maneira segura deve ser prioridade absoluta em todo o País, assim como a busca ativa de quem não está conseguindo aprender com as escolas fechadas”, defende.

O fechamento das escolas gerou impacto negativo significativo na aprendizagem, na nutrição – uma vez que muitas crianças dependem da merenda escolar – e na segurança de crianças e adolescentes, em especial os mais vulneráveis. Mesmo com as opções de atividades para a continuidade das aprendizagens em casa, pelo menos 4,8 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil não têm acesso à internet em casa, além de outros milhões com acesso precário ou falta de equipamento, não podendo manter o vínculo com a escola durante todo o período de isolamento social. Tudo isso, somado a questões econômicas, contribui para a evasão.

“A exclusão escolar afeta os mais vulneráveis. Há milhões de crianças e adolescentes que estavam na escola, aprendendo, mas não conseguiram manter atividades em casa por falta de estrutura e estão ficando para atrás. Há, também, 6,4 milhões de meninas e meninos que já estavam com dois ou mais anos de atraso escolar, e correm o risco de não conseguir mais voltar. E há, ainda, mais de 1,7 milhão que já estavam fora da escola antes da pandemia, e estão ficando cada vez mais longe dela”, explica Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.

Para reverter esse quadro, mesmo enquanto as escolas ainda estão fisicamente fechadas, é preciso ir atrás de cada um deles e tomar as medidas necessárias para que consigam retomar os estudos e seguir aprendendo. É isso que propõe a Busca Ativa Escolar, estratégia lançada em 2017 e agora adaptada para situações de calamidade pública e emergências, como a pandemia da Covid-19

O guia busca auxiliar as escolas no seu planejamento de reabertura ou de readequação de ações. Está dividido em três seções, trazendo orientações para potencializar a Busca Ativa Escolar e enfrentar a crise, e orientações para o acolhimento e o cuidado dentro das escolas, divididos por etapa escolar. Além disso, traz conteúdos de referências que podem ser usados pelos municípios.

É urgente preparar as escolas para reabrir em segurança
Além de encontrar meninas e meninos que estão fora da escola, ou em risco de evadir, é fundamental preparar as escolas para receber os estudantes em segurança, mitigando os riscos de infecção pelo novo coronavírus. Não se pode determinar uma data única para a volta às aulas presenciais no País – o que deve acontecer de acordo com a situação da pandemia em cada lugar. Mas uma coisa é certa: é urgente colocar crianças e adolescentes como prioridade absoluta nos investimentos e planos de retomada.

“Crianças e adolescentes são as vítimas ocultas da pandemia, sendo quem mais sofre com as consequências da crise em médio e longo prazos. É urgente que os governos priorizem crianças e adolescentes em seus planos de reabertura e invistam nas ações necessárias para a retomada das escolas. O UNICEF chama cada estado e município a agir agora para garantir condições seguras de funcionamento das escolas, e a analisar a situação da pandemia para definir o momento seguro de reabrir”, defende Florence Bauer.

É preciso garantir que as escolas estejam preparadas para recebê-los com segurança. Isso inclui adaptações no ambiente escolar que mantenham estudantes, famílias e profissionais de educação protegidos, como adaptações no transporte escolar, na ventilação das salas de aulas e no acesso a água e saneamento nas escolas, entre outros pontos. Há também que se investir em práticas pedagógicas e apoio psicossocial a educadores e profissionais para a retomada.

Desde o início da pandemia, o UNICEF vem trabalhando com estados e municípios na formulação de protocolos e planos para a reabertura. Em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Banco Mundial e Programa Mundial de Alimentos (PMA), foi desenvolvido um protocolo com medidas claras que precisam ser tomadas. Também já há protocolos desenvolvidos pela Undime e pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed) .

“Os municípios estão organizando protocolos e buscando as condições para ofertar o que for necessário, em termos de higiene e saúde, para receber todos na escola em segurança”, afirma Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime.

Foto: Ilustração/Lourdes NiqueGrentz-Pixabay

UNICEF inclui cartilha sobre saúde menstrual em kit de higiene na pandemia

Brasília – Garantir o acesso a informações seguras é fundamental para se proteger contra o coronavírus e cuidar da saúde. Mas nem sempre crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade conseguem receber essas informações. Por isso, desde o começo da pandemia, o UNICEF tem produzido cartilhas, folhetos e cartazes, com informações seguras e baseadas em evidências científicas, que estão sendo distribuídos em capitais brasileiras. Entre esses materiais, foi incluída uma cartilha sobre saúde menstrual.

A cartilha Menstruação na Pandemia e Outras Coisinhas é voltada a meninas adolescentes e possui informações sobre como acompanhar e entender o ciclo menstrual, métodos anticoncepcionais e saúde sexual. O material inclui, também, informações sobre saúde mental. Traz, ainda, orientações às meninas sobre o que fazer em situações de violência, incluindo canais de denúncia e os caminhos para acessá-los.

A cartilha faz parte de um conjunto de conteúdos impressos que têm sido produzidos e distribuídos pelo UNICEF a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Grande parte dos materiais é entregue junto com as doações de produtos de higiene e limpeza que estão sendo distribuídos em 10 capitais brasileiras. Há, também, distribuição em locais específicos, como unidades socioeducativas e abrigos para migrantes venezuelanos.

Folhetos sobre saúde e direitos


Entre os conteúdos distribuídos está, também, um folheto sobre como cuidar da saúde em tempos de Covid-19. Ilustrado pelos personagens da turminha do Bairro do Limoeiro, ele traz instruções sobre o que é a Covid-19, como se prevenir e como lidar com o isolamento social. Produzido pela Mauricio de Sousa Produções, com o apoio do UNICEF, o material foi traduzido para o espanhol e alcançou também imigrantes e refugiados venezuelanos.

Além dele, foram produzidos e distribuídos folhetos com informações sobre o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal.

Para unidades socioeducativas, o UNICEF preparou cartazes com informações sobre o coronavírus, os direitos garantidos a adolescentes e os canais de apoio psicossocial. Os cartazes foram afixados nas paredes das unidades.

Os folhetos foram impressos com apoio de Água de Manaus, Americanas, Bayer; Instituto Mitsui, Ministério Público do Trabalho (MPT), Supervia e Unilever. Além de Arteris, CGN, EDF Renewables, Gemini Energy, Omega Energia, Essencis e Termoverde, essas por meio de parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Resposta à Covid-19 – A disseminação de informações faz parte da resposta do UNICEF à Covid-19, mas a estratégia não se limita a isso. Ao mesmo tempo em que busca responder às necessidades emergenciais de crianças, adolescentes e suas famílias, o UNICEF tem trabalhado em ações estruturais de longo prazo para minimizar os efeitos da pandemia na vida de meninas e meninos, e garantir direitos.

Entre as ações, destacam-se o fornecimento de itens de higiene e limpeza; o trabalho com governos nos níveis federal, estadual e municipal, empresas e sociedade civil para diminuir o impacto da crise nos serviços de saúde, educação, assistência social e proteção contra a violência de meninos e meninas; e o apoio à saúde mental de adolescentes e o monitoramento da situação e o impacto social da pandemia para produzir evidências em apoio a políticas e ações.

Médico é o profissional em quem os brasileiros mais confiam

Qual o profissional em quem você mais confia e acredita? Com essa pergunta em mãos, o Instituto Datafolha foi às ruas para saber o grau de confiabilidade da população brasileira em diferentes categorias de trabalhadores. O resultado confirmou os médicos, com 35% de aprovação, como aqueles que são depositários de maior grau de confiança e credibilidade por parte da população. Na segunda posição, aparecem os professores, com 21%, e os bombeiros, com 11%.

O mesmo levantamento indica que a situação provocada pela Covid-19, em que informações desencontradas têm deixado a população insegura, contribuiu para o aumento do percentual de confiabilidade dos médicos. Na pesquisa anterior, realizada em 2018, também pelo Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), os médicos tinham um índice de 24%, que agora cresceu nove pontos percentuais.

Atrás de médicos, professores e bombeiros, aparecem policiais (5%), militares e juízes (cada categoria com 4%) e advogados, jornalistas e engenheiros (3%, cada). Na sequência, surgem os procuradores de Justiça (com 1%) e os políticos (com 0,5%). A pesquisa ouviu 1.511 pessoas, com 16 anos ou mais, em entrevistas estruturadas por telefone, de todas as regiões do país. A amostra contemplou a distribuição da população segundo sexo, classes sociais e níveis de escolaridade.

Boa imagem

O alto nível de confiança e credibilidade depositado nos médicos se deve, principalmente, à percepção das mulheres (42%), da população com ensino fundamental (42%) e com idade a partir de 45 anos (37%). A boa imagem da categoria também é maior entre os que ganham até dois salários mínimos (41%) ou mais de 10 salários mínimos (33%). Do ponto de vista da distribuição geográfica, os percentuais são muito próximos, com ligeiro destaque para os estados do Nordeste (37%) e Sul (38%).

Os dados coletados pelo Datafolha ainda permitiram captar qual a percepção dos brasileiros com respeito à atuação dos médicos brasileiros no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Na opinião de 77%, o trabalho desses profissionais é considerado ótimo ou bom. Outros 17% consideram essa performance como regular e apenas 6% como ruim ou péssimo.

As mulheres (78%), a população com idades de 45 a 59 anos (82%), os com nível superior (81%) e com rendimento maior do que dez salários mínimos (78%) são os segmentos que se destacam no que se refere à imagem positiva dos médicos. Geograficamente, o bom conceito não apresenta grandes variações por região, ficando, em média, em 76%.

Pandemia

Essa avaliação do trabalho dos médicos durante a pandemia vem amparada em percepções específicas. Por exemplo, 79% dos brasileiros avaliam como ótimo ou bom o empenho dos profissionais para atender os pacientes, e 73% classificam da mesma forma a qualidade da assistência oferecida. Para 64%, o nível de confiança depositada no trabalho realizado durante a pandemia é alto.

Por outro lado, 49% dos brasileiros acreditam que o trabalho do médico não tem recebido a valorização merecida, considerando-a como regular, ruim ou péssimo. Já 65% avaliam com esses mesmos conceitos as condições de trabalho oferecidas aos médicos, ou seja, entendem que o trabalho desses profissionais tem sido prejudicado por falta de infraestrutura.

De forma geral, independentemente do período da pandemia, os brasileiros mantêm o entendimento de que os médicos são vítimas de problemas de gestão. Para 99% dos entrevistados, esses profissionais carecem de condições adequadas para o pleno exercício de suas atividades. Já na percepção de 95%, eles merecem ser alvos de medidas de valorização, como maior remuneração e plano de carreira.

Foto: Hamilton Viana / Pixabay

Fiocruz, GSK e ViiV Healthcare vão produzir medicamentos para tratamento do HIV em dose única inédita no Brasil

A Farmanguinhos/Fiocruz – Instituto de Tecnologia em Fármacos -, a farmacêutica britânica GSK e a ViiV Healthcare – empresa dedicada exclusivamente a tratamentos para o HIV -, firmam parceria para desenvolvimento e produção de antirretrovirais no Brasil. A cooperação, assinada na última terça-feira (14), denominada Aliança Estratégica de longo prazo, tem como objetivo melhorar a capacidade nacional de produção de medicamentos para o tratamento de pessoas que vivem com HIV.

O projeto prevê a colaboração para fabricação local de uma combinação de Dolutegravir 50 mg e Lamivudina 300 mg em dose única diária. A tecnologia será transferida da ViiV Healthcare – detentora da propriedade intelectual – para Farmanguinhos em fases. A primeira consiste na absorção tecnológica e “know-how” para a fabricação de Dolutegravir 50mg, um dos mais modernos antirretrovirais utilizado no tratamento de HIV no mundo. No Brasil, o medicamento foi introduzido no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2016 e, atualmente, é distribuído a mais de 300 mil pacientes, o que representa cerca de metade das pessoas em tratamento contra o HIV atendidas pelo SUS.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, destaca a importância da cooperação para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Esta cooperação reforça o compromisso da Fiocruz com a saúde pública e a qualidade de vida dos brasileiros. Por meio dessa parceria, iremos modernizar o tratamento de HIV no Brasil com potencial de beneficiar milhares de pacientes com a redução dos comprimidos e dos efeitos adversos. Ao mesmo tempo, daremos impulso à ciência e à produção nacionais, tão importantes para o fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde”, destaca.

A ViiV Healthcare ainda colaborará com Farmanguinhos para desenvolver localmente uma formulação de dose única diária a partir da combinação de Dolutegravir 50mg e Lamivudina 300mg – ainda não disponível no país. É a primeira vez que um tratamento antirretroviral ainda não comercializado no Brasil é objeto de uma aliança estratégica entre uma companhia multinacional e um laboratório público brasileiro.

Para José Carlos Felner, presidente da divisão Farmacêutica da GSK no Brasil, este modelo de aliança estratégica é muito benéfica no sentido de garantir acesso a medicamentos inovadores a pessoas vivendo com HIV/Aids. “Há mais de três décadas, contribuímos para o avanço da ciência no Brasil, por meio de alianças estratégicas com Instituições de Pesquisa e de Produção para transferência de tecnologia de nossos medicamentos e vacinas. Nos últimos 10 anos, junto com a ViiV Healthcare, disponibilizamos medicamentos inovadores para o tratamento do HIV. Esta nova cooperação é mais um passo rumo à garantia do acesso amplo a terapias modernas à populaçãoe ao nosso compromisso de não deixar nenhuma pessoa vivendo com HIV para trás, melhorando cada vez mais a qualidade de vida desta comunidade.

O diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, destaca a ampliação da cooperação a fim de favorecer o acesso a tratamentos inovadores. “O objetivo é elaborar um portfólio de antirretrovirais de primeira linha, que sejam de interesse do Ministério da Saúde para que possamos distribuí-los no SUS. Nossa preocupação é com a qualidade de vida das pessoas. Neste sentido, redução de comprimidos significa menos eventos adversos para os pacientes que vivem com HIV/Aids. “, explica Mendonça.

Benefícios da Aliança Estratégica

A cooperação propiciará benefícios para os pacientes, tais como acesso a tratamentos modernos, redução de comprimidos e menos efeitos adversos, o que melhora a adesão. A Aliança Estratégica vai gerar economia aos cofres públicos com redução dos custos de aquisição de medicamentos, o que diminui a dependência do Programa de HIV/Aids por insumos importados, em médio e longo prazo. Outro objetivo é trazer para o Brasil mais conhecimento na fabricação desses produtos, que são estratégicos para o SUS, o que fortalece o Complexo insdustrial da Saúde Brasileira, contribuindo ainda para a geração de emprego e renda no país.

Os parceiros

A cooperação conta com a GSK, empresa global de saúde com foco em ciência e com um propósito especial de ajudar as pessoas a fazer mais, sentir-se melhor e viver mais, por meio de três negócios globais de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos inovadores, vacinas e produtos de saúde. Há mais de três décadas, a GSK tem colaborado com o governo brasileiro, no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e em diversas Alianças Estratégicas, desde Transferências de Tecnologia até colaborações de Pesquisa & Desenvolvimento, com diferentes instituições. Foi a GSK que trouxe para o Brasil, em 1991, o primeiro medicamento antirretroviral do mundo, o AZT, para fornecimento ao Ministério da Saúde.

E a ViiV Healthcare é líder em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos para o HIV, criada em 2009, a partir de uma joint venture entre a GSK e a Pfizer, forma uma companhia global dedicada exclusivamente a tratamentos para o HIV. Em 2012, a japonesa Shionogi completou a sociedade.

Pelo Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é a instituição de pesquisa e desenvolvimento científico vinculada ao Ministério da Saúde. Responsável por produzir e divulgar conhecimentos e tecnologias que visam o fortalecimento e a consolidação dos sistemas de saúde, a Fundação é a principal instituição de pesquisa e promoção da saúde pública da América Latina.

E a Farmanguinhos, uma unidade técnico-científica da Fiocruz, atua de forma multidisciplinar nas áreas de educação, pesquisa, inovação tecnológica e produção de medicamentos. Reconhecida como o maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde, é mais do que uma fábrica, é um instituto de ciência e tecnologia em saúde. Além de pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos essenciais para a população brasileira, Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos desses produtos, permitindo a ampliação ao acesso de mais pessoas aos programas de saúde pública. Para mais informações, acesse o site: http://www.far.fiocruz.br

Foto: Reprodução/Site Fiocruz

ONU lança versão brasileira de site de combate à desinformação durante pandemia

Com o objetivo de aumentar o volume e o alcance de informações precisas e confiáveis sobre a covid-19, o site ‘Verificado’ disponibiliza conteúdo inteiramente em português e pode ser acessado pelo endereço compartilheverificado.com.br.

“Não podemos ceder nossos espaços virtuais para aqueles que publicam mentiras, medo e ódio”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao anunciar a iniciativa. “Desinformação é divulgada online, em aplicativos de mensagem e de pessoa para pessoa. Seus criadores usam produção e métodos de distribuição maliciosos. Para combater isso, cientistas e instituições como as Nações Unidas precisam alcançar pessoas com informação acurada, na qual possam confiar. “

O site Verificado é liderado pelo Departamento de Comunicação Global (DCG) da ONU e traz dados, orientações e números relacionados ao novo coronavírus vindos de fontes seguras e confiáveis, graças a parcerias feitas pelas Nações Unidas com agências, influenciadores, sociedade civil, empresas e organizações de mídia.

“A internet tem uma influência poderosa, assim como a televisão. Quando há fontes de informação fortes e conflitantes, em quem a pessoa vai acreditar e como ela chegará a uma conclusão firme? Eu acredito que o site Verificado assegura ao mundo que as Nações Unidas se mantêm como uma fonte de informação independente e confiável, por meio do seu Departamento de Comunicação Global”, disse Kimberly Mann, diretora do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro).

A plataforma oferece conteúdo verificado sobre a covid-19 em três temas: ciência – para salvar vidas; solidariedade – para promover cooperação local e global; e soluções – para defender o apoio a populações impactadas. Os leitores também podem se cadastrar para receber as novidades do site por e-mail e se tornar “voluntários de informações”, compartilhando dados e orientações confiáveis com suas redes de amigos e familiares.

“Em muitos países, a crescente desinformação em canais digitais está impedindo a resposta de saúde pública e provocando instabilidade. Há esforços inquietantes de explorar a crise para avançar nativismo ou atingir grupos minoritários, o que pode piorar na medida em que a pressão aumenta nas sociedades e instabilidades econômicas e sociais entram em cena”, afirma a sub-secretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming.

O site Verificado é realizado em colaboração com a Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e tem o apoio da Fundação IKEA e da Luminate. Além disso, o projeto também conta com o apoio de articulação da Nexus.

Foto: reprodução

Segeam doa totens para a dispensação de álcool gel 70% a unidades públicas de saúde

A Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas) doará às unidades da rede pública de saúde do Amazonas, 18 unidades de totens dispensers de álcool gel 70% antisséptico, que ajudarão na prevenção à Covid-19 e mitigação de seus impactos na rede SUS. Segundo a presidente da instituição, enfermeira Karina Barros, os primeiros itens foram entregues nesta semana, ao Serviço de Pronto Atendimento Danilo Corrêa (Cidade Nova, zona Norte), e às maternidades Ana Braga (zona Leste) e Nazira Daou (Zona Norte).

Ela explica que a ação visa fortalecer a rede de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e, ao mesmo tempo, garantir mais segurança a pacientes e profissionais que atuam na rede pública, entre eles, enfermeiros da própria Segeam.

“No campo da responsabilidade social, traçamos cronogramas de ações que visem o bem-estar coletivo. E por estarmos em um momento difícil, sabemos que iniciativas como essa fazem toda a diferença”, destacou. Os totens possuem um sistema de dispensação do produto que deve ser acionado na base, com a ajuda dos pés, evitando o contato direto com as mãos.

A idéia foi pautada em recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de demais autoridades da área, as quais apontam que uma das formas de se minimizar o contágio do covid-19 (vírus SARS-COV-2) é o uso do álcool etílico 70% em forma de gel para assepsia das mãos e higienização de superfícies e objetos.

Em fevereiro deste ano, o presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho, emitiu nota reforçando que o álcool etílico (etanol) é um eficiente desinfetante de superfícies/objetos e antisséptico de pele. “Para este propósito, o grau alcoólico recomendado é 70%, condição que propicia a desnaturação de proteínas e de estruturas lipídicas da membrana celular, e a consequente destruição do microrganismo”.

No âmbito do SUS, a utilização do produto é considerada essencial, pois é nas unidades de saúde que os profissionais ficam expostos a vírus e bactérias, diariamente, e o álcool ajuda a evitar contágios em todos os setores da assistência.

 Unidades a serem beneficiadas com a doação

– Maternidade Nazira Daou

– Maternidade Ana Braga

– Instituto da Mulher dona Lindu

– Maternidade Balbina Mestrinho

– Maternidade Chapot Prevost

– Hospital e Pronto Socorro João Lúcio

– Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto (serão 2 unidades)

– Hospital e Pronto Socorro da Criança Zona Sul

– Hospital e Pronto Socorro da Criança Zona Leste

– Hospital e Pronto Socorro da Criança Zona Oeste

– Hospital e Pronto Socorro Platão Araújo

– Policlínica PAM Codajás

– Policlínica PAM Gilberto Mestrinho

– Policlínica Zeno Lanzini

– Policlínica e SPA Danilo Corrêa

– Policlínica José Lins

– Lar Residencial Terapêutico Rosa Blaya (SRT)

Foto: divulgação

Temporada de fogo começa em alta na Amazônia

O período seco na Amazônia – quando, em 2019, foram registradas queimadas de dimensões trágicas – está começando com dados alarmantes. O número de queimadas entre 1 e 21 de junho de 2020 é o maior dos últimos 10 anos nesse período – e ficou 50% acima da média dos 10 anos anteriores (2010 a 2019), que foi de 979.

Nos primeiros 21 dias de junho, foram detectados 1.469 focos de queimadas no bioma Amazônia, 30% a mais que no mesmo período de 2019, quando 1.125 focos foram registrados pelo Inpe. Desses 1.469 focos de queimadas detectados na Amazônia entre 1 e 21 de junho de 2020, 63% ocorreram no Mato Grosso (915).

Esses são os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somados aos dados de desmatamento recente, este aumento no número de focos em um mês que historicamente é mais baixo anuncia o que está por vir.

Desmatamento

Entre 1º de janeiro e 31 de maio de 2020, houve alertas de desmatamento para 2.032 km2 na Amazônia Legal, o maior número registrado para o período desde 2015. E o corte raso na floresta amazônica continua subindo.

A ameaça é que o desmate deste ano supere os 10.129 km2 medidos no ano passado, na maior taxa desde 2008 e mais do que o dobro da taxa medida em 2012.

Se olharmos de agosto de 2019 a maio de 2020 com base nos dados do Deter, do Inpe, o desmatamento foi de 6.504 km2, 78% a mais em comparação ao período anterior (agosto de 2018 a maio de 2019), quando foram desmatados 3.654 km2. Esse período de 10 meses exclui os meses de junho e julho, quando o desmatamento é historicamente mais alto.

Saúde pública

Vistas isoladamente, as queimadas representam graves riscos à saúde da população. Um dos efeitos é o aumento do registro de internações hospitalares por doenças respiratórias. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz constatou que o número de crianças internadas dobrou entre maio e junho de 2019 – no início do período das queimadas, numa amostra de 100 municípios da Amazônia Legal. Foram 2,5 mil internações a mais por mês, o que teria custado R$ 1,5 milhão extras ao Sistema Único de Saúde. E não são apenas as crianças que sofrem. “As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população. Os poluentes emitidos por essas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas”, diz o informe do Observatório de Clima e Saúde, ligado à Fiocruz. 

Foto: Araquém Alcântara/WWF Brasil

ONG busca doações para o resgate da autoestima de pacientes que lutam contra o câncer

Para ampliar as ações voltadas ao resgate da autoestima de mulheres portadoras do câncer de mama, a Rede Feminina de Combate ao Câncer do Amazonas está em busca de doações que financiem a confecção de sutiãs com enchimento, os quais serão destinados, no dia 6 de julho, a pacientes pré-selecionadas pelo Serviço Social da Fundação Cecon, durante uma atividade que receberá o apoio da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc).

A meta é arrecadar pelo menos R$ 2 mil para a compra de insumos para a produção, explica a presidente da Rede, Tammy Cavalcante. De acordo com ela, as doações podem ser feitas através da vakinha virtual da ONG (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/dia-das-criancas-rede-feminina-de-combate-ao-cancer-amazonas), ou, via transferência bancária (Banco Sicoob, Código 756, Agência 3352, Conta Corrente 138-4, CNPJ: 07.154.473/0001-92).

“Serão entregues 20 sutiãs com próteses e mais 20 próteses individuais. A idéia é confeccionar, inicialmente, pelo menos 80 peças, a serem doadas gradativamente, durante as atividades de acolhimento das pacientes oncológicas”, explicou Tammy.

As próteses que irão compor os sutiãs para mulheres mastectomizadas (que perderam parcialmente ou completamente as mamas), serão confeccionadas por voluntárias da Rede Feminina e o tecido para o bojo foi doado pela Tapajós Tecido, parceira no projeto.  Os demais materiais precisam ser custeados, como silica gel, malha para a capa protetora, enchimentos e afins.

O câncer de mama é o segundo em incidência no Amazonas e o primeiro no mundo. Tammy explica que o procedimento de mastectomia é, em geral, muito traumático às pacientes e acaba afetando a autoestima e muitas vezes, o equilíbrio psicológico, além do convívio social. Apesar de uma parte delas optar pela cirurgia de reconstrução da mama, a grande maioria acaba não se submetendo a esse procedimento. E as próteses artesanais são o pontapé inicial para superar esse obstáculo.

“Trabalhamos também outras ações voltadas ao resgate da vaidade, com voluntárias de cursos de estética, que ajudam com cortes de cabelo, escovação, manicure, maquiagem, depilação, entre outros serviços. Temos um espaço dedicado exclusivamente a essas ações, na sede da Lacc (Dom Pedro), que funciona através de agendamento. É uma forma de mostrarmos que essas pacientes não estão sozinhas e também de reforçar a humanização durante o tratamento contra o câncer, que é longo e muito difícil”, explicou.

Foto: divulgação