Qual o seu papel na construção de um futuro sustentável?

* Por Cristiana Xavier de Brito

Estamos vivendo um período sem precedentes e que nos tem feito refletir sobre como seguir adiante. Foi necessário se reorganizar e estabelecer novos métodos de trabalho para manter os negócios ativos e atrativos. Este momento também mostrou o quanto a sustentabilidade é importante, para o mundo e para as empresas. Não faz tanto tempo, ainda se discutia sobre criar uma área de sustentabilidade e como isso teria impacto nos negócios. Mas hoje podemos afirmar que a sustentabilidade é o próprio negócio.

A sustentabilidade segue sendo uma das principais preocupações da sociedade, com consumidores que dão preferência por organizações que evidenciem em suas atuações os pilares social, ambiental e o econômico. Muitas empresas ainda enfrentam o desafio em manter essas três frentes ativas para os diferentes públicos de interesse das organizações, incluindo investidores que estão cada vez mais atentos a essa questão. Mas como devemos nos preparar para seguir na construção de uma estratégia de negócios sustentável e assertiva? Todas as empresas estão prontas para isso? E se ainda não foi dado o primeiro passo em busca da sustentabilidade dentro da empresa, é possível começar agora?

A boa notícia é que sim. A sustentabilidade é uma jornada, e é preciso entender cada empresa e cada cadeia produtiva para buscar as melhorias incessantemente.

Neste sentido, há 15 anos, foi criada a Fundação Espaço ECO, instituída e mantida pela BASF, que promove o desenvolvimento sustentável no ambiente empresarial e na sociedade. Com uma equipe capacitada e especializada, a instituição elabora projetos de consultoria personalizados que mensuram os impactos econômicos, sociais e ambientais, de processos e produtos de uma organização, isso tudo sob a ótica da sustentabilidade. E o resultado desta consultoria não poderia ser diferente, com um direcionamento claro, a organização pode identificar seus pontos sensíveis e como traçar uma estratégia para fortalecê-los.

Atuando nos mais diferentes setores e com sua experiência, a Fundação identificou as principais tendências da sustentabilidade corporativa e quais devem guiar as discussões nos próximos anos. São eles: cadeia de valor responsável, capital natural, bioeconomia e economia circular.

Reafirmo a importância do diálogo e da troca de experiência e, celebrando os 15 anos da Fundação, foram realizados eventos abertos ao público, nos quais foi possível debater com representantes de empresas, instituições, especialistas e formadores de opinião o futuro da sustentabilidade corporativa e seus desafios. Vimos cases e estratégias e a relação com a performance organizacional, ainda mais neste período que estamos passando, além de reforçar que o tema está “quente” dentro das companhias. No meu caso, que estou muito envolvida com o assunto sustentabilidade no mundo corporativo, é muito gratificante ver isso de fato se tornando realidade.

O que temos como certo é que a sustentabilidade empresarial ainda vai trazer novas formas de conectar os recursos naturais, os bens de capital aos bens de consumo, conectando o capital natural com as demandas de mercado e criando cadeias de fornecimento mais responsáveis. Para isso, é necessário nos manter ativos e atuantes para auxiliar a todos que estão nesta mesma caminhada a acompanhar as tendências e estar alinhados com as demandas, permitindo que todos tenham êxito e conquistas.

Saliento mais uma vez a importância para que as empresas insiram a sustentabilidade nos seus negócios, aqui estamos falando de um número crescente de organizações de todos os portes, e que possam contar com a troca de experiências e o apoio de entidades como a FEE. Afinal, essa é uma demanda que está cada vez mais presente no nosso dia a dia, tanto que estudo recente do Pacto Global apontou que 92% dos CEOs acreditam que sustentabilidade é fator crítico para o sucesso da empresa, porém, apenas 48% estão integrando sustentabilidade na operação.

Temos um longo caminho a percorrer e não podemos desistir ou nos desviar do nosso objetivo. O mais importante é saber que não estamos sozinhos e que não seremos bem-sucedidos se não compartilharmos experiências. Juntos, podemos traçar estratégias e até encontrar soluções que corroborem com o sucesso e benefícios de todos. A pergunta que faço agora é: você está preparado para não desistir e seguir adiante?

* Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da BASF América do Sul e Conselheira da Fundação Espaço ECO

E se for câncer infantil? GRAACC lança cartilha com principais sintomas

No mês em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, no próximo dia 23 de novembro, data instituída para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce que, com sintomas comuns às doenças de infância, nem sempre são identificados num estágio inicial e muitas vezes passam despercebidos pelos pais, o GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – lança cartilha sobre esses sintomas dessa doença que registra mais de 8 mil novos casos anualmente no Brasil, mas que tem altas chances de cura.

Anemia, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dor de cabeça que persistem por dias podem ser confundidos com doenças comuns da infância. “Quanto mais cedo for detectado, maiores serão as chances de cura da doença que, no caso do Hospital do GRAACC, ultrapassam 70%. Para isso é muito importante que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais como palidez, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dores de cabeça frequentes. Não esperem para levar a criança ao médico, principalmente quando qualquer um desses sinais persistam por mais de uma semana”, orienta a Dra. Monica Cypriano, Diretora Clínica do Hospital do GRAACC, referência nacional no tratamento de casos de alta complexidade de câncer infantojuvenil.

Se não for detectada em estágio inicial, o câncer infantojuvenil pode crescer rapidamente e dificultar um bom desfecho clínico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 8.460 novos casos de câncer infantojuvenil para cada ano do triênio 2020/2022.

Cartilha “E se for câncer infantil?”

O Hospital do GRAACC lançou uma cartilha intitulada “E se for câncer infantil? Os sinais da doença e as chances de cura“, com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre este tipo de câncer, tratamentos, chances de cura e esclarecer as principais características dos tipos de maior incidência entre crianças e adolescentes.

“Elaboramos a cartilha focando as especificidades do câncer infantojuvenil, além de informações sobre os tipos de tumores mais comuns e os principais sinais que podem indicar a existência da doença. Queremos que a publicação seja uma fonte de consulta para pais, pediatras e outros profissionais de saúde”, comenta a Dra. Monica Cypriano, que é também a autora do projeto. A cartilha está disponível para download no link: https://bit.ly/36r3oMD

Atenção aos sinais

Alguns sintomas de câncer infantojuvenil são parecidos e muitas vezes confundidos com doenças comuns da infância. Por isso, é importante ficar atento em casos de:

• Manchas roxas e caroços pelo corpo
• Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço
• Perda de peso
• Aumento ou inchaço na barriga
• Palidez inexplicada e fraqueza constante
• Aumento progressivo dos gânglios linfáticos
• Dores de cabeça, acompanhadas de vômitos
• Febre ou suores constantes e prolongados
• Distúrbios visuais e reflexos nos olhos

Mais Informações no https://www.graacc.org.br

‘Novembro Azul’ também inclui Prevenção ao diabetes

No mês alusivo à saúde do homem, especialmente de conscientização para a prevenção do câncer de próstata, instituições em todo o Brasil também reforçam a importância da prevenção e controle do diabetes, alteração que atinge cerca de 16 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Trata-se do movimento mundial de conscientização do ‘Novembro Diabetes Azul’, com base no Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro.

No ‘Novembro Diabetes Azul’, a superintendente do Núcleo de Educação Permanente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), enfermeira Adriana Macedo, explica que o trabalho educativo é voltado para pacientes com a doença e profissionais que atuam no atendimento diário a esse público, incluindo orientação para o autocuidado, atualização de protocolos práticos e de ensino, além de planejamento de ações educativas.

O Diabetes é uma doença metabólica cuja principal característica são os níveis elevados de glicose no sangue. Quando não é tratado corretamente e controlado, o diabetes pode causar várias complicações, como a neuropatia periférica, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), retinopatia, doença renal crônica e úlceras no pé, que se não tratadas a tempo, podem levar a amputações e até à morte do paciente.

O ‘Novembro Diabetes Azul’ trabalha diversas pautas correlacionadas e, neste ano, o destaque é para profissionais da enfermagem que fazem a diferença nesse contexto, desempenhando um papel vital para a compreensão dos pacientes sobre a condição em que vivem ao desenvolverem a doença e na melhoria da qualidade de vida.

Ambulatório de egressos

No Amazonas, a Segeam atua através do Programa Pé Diabético, que funciona na estrutura das policlínicas da SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde), vinculada ao Governo do Estado. O programa é voltado para o tratamento de lesões em membros inferiores dos portadores do diabetes. O Ambulatório de Egressos, que integra o programa, recebe pacientes pós-tratamento de lesões nos pés, para acompanhamento multidisciplinar. O principal objetivo é prevenir novas lesões.

Segundo Adriana Macedo, é importante que o tratamento em nível ambulatorial seja feito através de serviços especializados, garantindo, assim, que os pacientes também sejam orientados para promover o autocuidado em casa.

“Em nível ambulatorial, as boas práticas em diabetes envolvem profissionais de enfermagem, fisioterapia, médicos, nutricionistas, psicólogos, entre outros, uma vez que parte dos pacientes precisa passar por reabilitação e controle constante do quadro clínico”, destaca.

Quanto à etapa de orientações ao paciente, ela explica que pontos importantes são abordados. Entre eles, estão a hipoglicemia e a hiperglicemia (oscilação do nível de açúcar no sangue), o exame diário dos pés, o uso de calçados adequados, a correta higiene e hidratação dessa área do corpo, as implicações de se andar descalço e o corte correto das unhas. Detalhes simples, mas que, segundo ela, podem fazer a diferença.

Nutrição e uso medicamentoso

Um acompanhamento nutricional é de extrema relevância na vida de quem convive com o diabetes, pois, uma boa alimentação, com poucos carboidratos e açúcares, pode ser determinante para o equilíbrio da glicemia. Também contribuem para esse controle a utilização de medicamentos com prescrição médica.

“O planejamento dos pacientes no âmbito hospitalar vai desde a sua admissão, até a pós-alta médica. Hoje, o grande desafio é o controle da glicemia, principalmente no período de pandemia do novo coronavírus, no qual uma parte dos pacientes relaxou nos cuidados.  A preocupação passou a ser redobrada, já que o diabetes descompensado é um fator de risco para o agravamento dos quadros de Covid-19”, destacou Adriana Macedo, ao reforçar a necessidade do comparecimento às consultas de acompanhamento e de seguir as orientações da equipe de saúde.

Foto: Divulgação

“Pantanal: vida, morte e renascimento” em coleção de imagens do bioma

No Dia do Pantanal, nesta quinta-feira, 12 de novembro, o WWF-Brasil lança uma exposição internacional de fotos da maior planície úmida do planeta. O conceito da coleção de imagens é mostrar o bioma em três momentos cruciais vividos em 2020: em seu esplendor, durante as queimadas e na fase subsequente, quando o bioma tenta se recuperar. “Pantanal: Vida, Morte e Renascimento” acontece em ambiente virtual e, portanto, está acessível à população dos três países pelos quais o bioma se estende: Brasil, Bolívia e Paraguai.

A exposição reúne imagens poderosas e emblemáticas da riqueza da biodiversidade e sua emocionante resiliência capturadas pelas lentes de renomados fotógrafos brasileiros, bolivianos e paraguaios, como Araquém Alcântara, André Zumak, Nathália do Valle e Reynaldo Leite Martins Júnior (Brasil), Alejandro de los Rios e Stefflen Reichle (Bolívia) e Lourdes Matoso Mendez e Tatiane Galluppi Selich (Paraguai).

Pantanal ferido e queimado em sua soberania expõe urgência de soluções

Em seu conjunto, as 24 fotos narram a tragédia que se abateu na região pela conjunção da ação da natureza, na forma da maior seca já registrada desde 1973, com a ação humana, que iniciou os incêndios. Embora exaustivamente expostas pela imprensa, as imagens do período de queimadas ainda são uma forte denúncia da exploração insensata da natureza – denúncia esta que se torna ainda mais forte frente ao contraste de como o bioma se encontrava antes das queimadas.

Mas a exposição visa também ressaltar a capacidade regenerativa do Pantanal e a consequente importância de preservação desse bioma nos próximos anos, notadamente as áreas destruídas em 2020. No acumulado dos dez meses deste ano, 4,2 milhões de hectares foram queimados no Pantanal, equivalentes a quase um terço do bioma – uma área que agora precisa de tempo para se recompor. Diversas imagens da exposição mostram que esse renascimento já começou e alimentam a esperança de que o Pantanal recupere sua pujança.

Esperança e renascimento no rosto do povo pantaneiro

A exposição também mostra a resiliência dos povos da região. A brasileira Nathália do Valle optou por mostrar os rostos das pessoas que moram no bioma como símbolo de esperança e renascimento. Tatiane Galluppi Selich, por sua vez, retratou um mito da cultura Yshir Ybytoso, que só existe no Pantanal paraguaio e que, assim como o bioma, está ameaçado.

Para os Yshir, Nemurt é um ser poderoso que representa o equilíbrio do mundo através da bengala que ele segura sobre os ombros: se ele ficar cansado e o abaixar, os seres humanos deixarão de existir. A fotógrafa incluiu esta imagem para mostrar a necessidade de respeito pela cultura e tradições ancestrais, que também precisam ser preservadas.

A exposição é realizada em parceria com a Sciacco Studio (https://www.instagram.com/sciaccostudio/) e ficará disponível de 12/11 a 27/11 na plataforma https://bit.ly/ExpoPantanal


Tatiana Galluppi / WWF-Brasil

Araquem Alcântara / WWF-Brasil

Nathallia do Valle / WWF-Brasil

Aprendendo a cozinhar em francês na Le Cordon Bleu

Por Lenise Ipiranga

Ana Claudia Leocádio, natural do Amazonas, nascida na capital Manaus, com infância vivida no município de Alvarães, jornalista graduada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), casada com o diplomata Roberto Alfaia, residente em Brasília (DF) quando está no Brasil, levava 20 minutos de metrô de sua casa no 7º Distrito (7º arrondissement) até a escola de culinária Le Cordon Bleu, que fica no 15º Distrito, em Paris. Após nove meses de curso e mais outros três de estágio na própria escola, recebeu seu Diploma de Cozinha – Le Cordon Bleu de Diplôme de Cuisine –, e agora está como estagiária na equipe do Restaurant Guy Savoy, em Paris, um três estrelas Michelin e há quatro anos seguidos considerado o melhor restaurante do mundo pela revista francesa La Liste, da alta gastronomia mundial.

De uma sólida carreira de jornalista em Manaus, na Amazônia, até a nova profissão certificada em Paris, na Europa, a jornada de Ana Claudia Leocádio pelo mundo tem sido enriquecida por diversas conexões com pessoas, comidas, culturas, cidades e países. As voltas ao mundo começaram por conta de sua união, desde a faculdade, com Roberto Alfaia, também amazonense, diplomata brasileiro. Em 2009, selaram a união e Ana Claudia saiu de Manaus para morar em Brasília. A primeira viagem foi em 2011, para a Turquia. “Foram três anos e meio maravilhosos. O país é pura história e cultura. Foi na Turquia que esse dom culinário aflorou em mim”, relembra Ana Claudia.

A jornalista, que trabalhou em assessorias e redações de jornais, como o Jornal do Commercio, Gazeta Mercantil e Diário do Amazonas, conta que mesmo trabalhando muito, ainda em Manaus, sempre reunia amigos e cozinhava em casa. Mas foi na Turquia que Ana Claudia se sentiu motivada a conhecer o mundo da culinária. “Eu adorava experimentar as delícias da cozinha turca. E também queria aprender a cozinhar coisas diferentes para reunir amigos e conhecidos do meio diplomático em nossa casa. Foi muito prazerosa essa descoberta”, reconhece. E confessa que quando viajava para Manaus, voltava com a bagagem cheia de comida – farinha, pirarucu, jambu cozido, tucupi – “essas iguarias que nos dão muita saudade quando estamos longe. E sempre queria mostrar um pouquinho do Amazonas em nossa mesa”.

Nas lembranças da Turquia, Ana Claudia destaca o gosto pelo skender kebab – um assado de cordeiro, servido com molho de tomate e iogurte artesanal –; e pela delícia de Gozleme – um tipo de panqueca super tradicional, que pode ser recheada com um queijo parecido com o Feta. E completa que o bom da mesa turca “são os mézes (refeição ligeira), uma seleção de pequenas porções de petiscos que enchem a mesa para todos compartilharem. Algo bem acolhedor”.

De volta à Brasília, o casal ficou na capital federal de julho de 2014 a dezembro de 2016 e depois seguiu para Abuja, na Nigéria, país berço do que hoje no Brasil é conhecido como candomblé, explica Ana Claudia. “O país tem mais de 250 grupos étnicos, com três etnias dominantes: hauçás, yorubás e igbos”, detalha, para chegar ao ponto da referência culinária. “E uma das características marcantes da comida é a pimenta. Tudo muito apimentado”, conta a cozinheira graduada sobre a descoberta posterior sobre a cozinha yorubá.

E Ana Claudia destaca o uso do azeite de dendê, o peixe seco e uma papa chamada fufu para acompanhar. “Eu amava comer moimoi, que é o abará baiano (bolinho de feijão fradinho moído cozido em banho-maria embrulhado em folha de bananeira). Lá eles comem o acará (bolinho de feijão fradinho, frito no azeite de dendê) como acompanhamento, não como comemos o acarajé no Brasil, pois acarajé para eles quer dizer mais ou menos ‘eu quero acará’”, relembra Ana Claudia de suas preferências culinárias na Nigéria.

Após dois anos no continente africano, sempre guiado pelo trabalho diplomático, o casal seguiu para a Embaixada do Brasil na França, em Paris, em junho de 2018, para um período de três anos. Em suas viagens gastronômicas, ao chegar à França, Ana Claudia conferiu como a cozinha francesa é muito diversa, na qual se aproveita tudo dos animais que servem para alimentação. E reconhece que é muito difícil dizer qual o prato de sua preferência, por gostar de praticamente tudo, com exceção da receita com rim que não curtiu muito – um prato típico do Sudoeste francês. “Uma coisa que me atrai muito são os molhos, porque são eles que fazem a diferença nos pratos”, ressalta. Segundo a cozinheira, uma característica que percebeu é de que para os franceses o ideal é sentir o real sabor dos ingredientes, sem muito exagero de temperos. E relembra que conheceu um chef que dizia detestar comida condimentada por gostar de saber o que estava comendo. E Ana Claudia aponta algumas preferências: “um prato que gosto muito é bochechas de vitela (joues de veau); e também gosto muito de pato confitado (confit de canard). As bochechas de vitela são cozidas em fogo baixo por horas e quando comemos derrete na boca”, enfatiza.

Ao chegar na França, Ana Claudia tratou de se ambientar com a paisagem da região onde mora, com a esplanada e museu dos Inválidos (Esplanade des Invalides); com a gastronomia local, representada por um dos restaurantes populares mais antigos e tradicionais de Paris, o Bouillon  Chartier; e com visitas a pontos como o conjunto monumental de Mont Saint-Michel, na Normandia

Le Cordon Bleu

Antes mesmo de mudar para a Nigéria e depois se/guir para a França, ainda quando estava em Brasília, em 2015, após a Turquia, Ana Claudia resolveu entrar num curso tecnólogo em Gastronomia, no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), entre os cinco melhores do país na época, segundo o MEC (Ministério da Educação). “Foi uma escolha acertada. O curso abriu minha mente para coisas que nunca pensaria em relação à cozinha, como: a cadeia produtiva da alimentação; a importância da valorização do produtor; a qualidade”, avalia Ana Claudia, que também fez pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB).

E ao chegar à França, em 2018, a jornalista amazonense logo se questionou: “por que não unir o útil ao agradável e estudar na mais renomada escola de cozinha do Mundo?”. Ana Claudia então enviou sua inscrição e esperou a resposta, pois para ser aprovada precisa falar em inglês ou francês. Ela já falava em inglês e decidiu investir um pouco mais no estudo do idioma francês, pois gostaria de estudar culinária na língua original da escola. “E foi muito bom, porque faz uma diferença enorme aprender a cozinhar em francês”, avalia, ao explicar que a maioria dos termos e técnicas são na língua francesa. Ela foi aprovada e entrou no programa de imersão, o qual inclui os nove meses de curso, mais três meses de estágio na própria escola e, em seguida, em um restaurante.

“É Diploma de Cozinha. Esse é o título do diploma”, enfatiza Ana Claudia Leocádio sobre o seu Le Cordon Bleu de Diplôme de Cuisine, conquistado no último mês de setembro, deste ano de 2020 tão diferente. “O fato de você conquistar o diploma de cozinheiro no Le Cordon Bleu não te faz chef de cozinha, você é cozinheiro. É um caminho longo”, ressalta a cozinheira, ao falar que ainda não desenvolveu uma receita própria. “Quem sabe daqui uns anos eu possa criar algo bem bacana. Depois que concluímos o curso parece que se abre um leque de possibilidades, mas temos que focar em praticar, trabalhar e melhorar o nosso fazer na cozinha”, avalia.

Ana Claudia Leocadio cumpriu o programa de imersão na escola de culinária Le Cordon Bleu, onde fez muitas provas práticas e muitas amizades

Somente após estagiar na escola, nas cozinhas de preparação das aulas, na preparação e venda no Café, é que foi possível Ana Claudia Leocádio fazer um estágio em um restaurante. “Tive muita sorte”, comemora, ao contar que enviou seu currículo e foi logo aceita, num mercado de trabalho em que a média de idade dos estagiários é de 22 anos. A jornalista cozinheira, aos 43 anos, explica: “aqui eles começam cedo como aprendizes, aos 16 anos. O sistema é bem regulamentado para recebê-los nas empresas. Mas eu não deixo a peteca cair”.

“Agora estou fazendo um estágio no Restaurant Guy Savoy, em Paris. Está sendo uma experiência maravilhosa. Apesar de trabalhar muito, vale cada hora para aprender como funciona a alta gastronomia, ainda mais em um lugar tão requintado da capital francesa”, confirma Ana Claudia sobre todo o esforço empreendido. O restaurante é de propriedade do chef Guy Savoy, aberto em 1980, que funciona desde 2015 na Casa da Moeda, um palácio de 1775, às margens do rio Sena, e reconhecido por quatro anos seguidos como o melhor do mundo pelo ranking La liste e com três estrelas Michelin, o guia de referência mundial de restaurantes e hotéis, de origem francesa, criado em 1900. A cozinheira destaca sua estrutura, com uma grande brigada de cozinha e o foco no produto de qualidade: “por isso o resultado é tão bom. E o foco é bom produto, boa cocção e tempero correto”.

Entre as melhores lembranças do curso: o robalo  em escamas de batata; a sobremesa de creme de castanha portuguesa com chantilly e a amizade da turma de cozinheiros

Vida Amazônica

Jornalista apaixonada pelo seu ofício, Ana Claudia acredita que seu dom para as artes culinárias tem origem e vivência familiar e amazônica. “Minha mãe Nazira Leocádio é uma grande cozinheira”, destaca Ana Claudia, e acrescenta o fato de ter vivido sua infância no município de Alvarães, no interior do Estado do Amazonas, recebendo toda a influência do modo de vida dos seus avós maternos, Joaquina e Luiz Leocádio. “Desde criança fui acostumada a comer o que vinha da natureza. Na época não tínhamos geladeira, energia elétrica e tínhamos que nos alimentar do que tinha no dia – das pescarias, das caçadas, da roça e da horta da minha avó Joaquina. Foi assim que construí meu paladar”, enaltece suas origens, de onde acredita ter herdado o talento para as artes culinárias.

Durante o curso na Le Cordon Bleu, Ana Claudia conta que lembrava demais das iguarias do Amazonas e imaginava como poderia fazer algo a mais com os nossos ingredientes sem, contudo, perder a identidade de cada um. “Essa é a essência da cozinha francesa, na minha percepção: mesmo super sofisticada e elegante, a cozinha francesa valoriza cada ingrediente produzido no país, seus sabores autênticos, fato que as releituras não desprezam isso”, distingue a cozinheira.

“Meus olhos não saem do Amazonas, de ver o quanto nossa gastronomia é rica e precisa ser levada para o mundo para que possamos valorizá-la mais”, incentiva Ana Claudia. E critica a falta de iniciativas públicas e privadas para a valorização de produtos valiosos do Amazonas e Região Norte mundo afora. E expõe a surpresa e susto quando compra a castanha em Paris: “um quilo custa quase 40 euros. Mas o nosso caboclo ganha quase nada lá na ponta da cadeia produtiva”; e ainda tem o cacau com alto valor no mercado; sem falar do açaí, que Ana Claudia avalia o Estado do Pará estar melhor estruturado para explorar esses nichos de mercado.

Da Amazônia à França, até agora, com alguns sacrifícios e algumas milhas de cultura e conhecimento, Ana Claudia Leocádio conta que nada seria possível sem o incentivo de seu marido, o diplomata Roberto Alfaia

Os produtos derivados da mandioca, principalmente as farinhas ovinha e amarela, são um capítulo à parte, segundo Ana Claudia, os quais precisam urgentemente de apoio para salvar os saberes dos produtores tradicionais, que estão envelhecendo e morrendo. “Quem vai produzir com tamanha qualidade? ”, questiona. A amazonense cita o selo de Indicação Geográfica conquistada pela farinha produzida no município de Uarini, em 2019, o qual começou a embalar para exportação. “Isso é muito bom. Mas nos beiradões do rio Solimões tem muitos lugares que produzem farinhas ótimas, que precisam desse incentivo para que as novas gerações possam desfrutar dessa delícia”, alerta. Tem muita coisa para ser feita nesse sentido, diz Ana Claudia, com reais possibilidades, mas para isso precisa organização, planejamento e compromisso do poder público e da iniciativa privada.

Enquanto não sabe o seu próximo destino, Ana Claudia Leocádio reconhece os benefícios alcançados por acompanhar o marido em sua jornada de trabalho como diplomata: “isso me exigiu alguns sacrifícios, mas por outro lado ganhei umas milhas de cultura e conhecimento, pois comecei a me voltar para os estudos”. E enfatiza o apoio irrestrito de seu marido Roberto Alfaia: “nada disso seria possível sem o incentivo e apoio do meu marido. Costumo dizer que ele é meu fã número um”. A jornalista também não está desempenhando sua profissão, mas reafirma que jornalismo é sua paixão e mesmo parada sua mente é uma fonte inesgotável de pautas. E adianta que não gosta muito de falar de futuro, mas espera que o plantio feito até agora dê bons resultados.

“A melhor tática é apostar em todas as vacinas”, afirma Miguel Nicolelis

Para o neurocientista, as autoridades não devem descartar nenhum imunizante que está sendo desenvolvido para conter o avanço do novo coronavírus

Considerado pela Scientific America um dos 20 cientistas mais influentes do mundo, o neurocientista Miguel Nicolelis comparou a busca pela vacina contra o novo coronavírus a uma corrida de cavalos. Para ele, não se pode descartar nenhuma hipótese entre as medicações que estão sendo pesquisadas. Coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, Nicolelis participou nesta quinta-feira (29) da videoconferência (webinar) “Cérebro, o criador do universo e a Comunicação”, transmitida pela In Press Oficina, e falou sobre ciência, o funcionamento do cérebro e fake news.

“Acredito piamente que a vacina é o grande trunfo que vamos ter para reduzir a taxa de transmissão. A vacina é como corrida de cavalos. Tem 15 cavalos na raia e você de antemão não sabe que cavalo vai ganhar. A melhor tática é apostar em todos. Enquanto ela [vacina] não vem, em teoria teríamos que manter o que funciona, o isolamento”, afirma o Nicolelis.

Em confinamento no seu apartamento em São Paulo desde o início da pandemia, o neurocientista crê que o Brasil falhou desde o início, principalmente por ignorar os avisos externos e minimizar a gravidade da doença. “É a maior tragédia humana da história do Brasil num único evento. Nos deparamos com um sistema e instituições que negaram a gravidade da pandemia. Perdemos a guerra no começo”, diz Nicolelis.

A pandemia colocou o planeta na maior crise dos últimos 100 anos e, segundo ele, comprovou a fragilidade do modelo adotado pela sociedade moderna. “Estamos vivendo momentos épicos da história. Um pacotinho nanométrico de gordura e proteína, com um filete de RNA dentro, pôs a humanidade de joelhos, a ponto de estarmos enfrentando a maior crise econômica, maior que a depressão dos anos 30”, compara.

Entretanto, a vulnerabilidade do sistema não foi o único responsável pelas milhares de mortes causadas pela Covid-19. Nicolelis crê que a disseminação de fake news em larga escala contribuiu decisivamente para ampliar o alcance da pandemia.

“É por isso que muita gente morreu na pandemia. Nós estamos precisando de uma vacina num momento que o jornalismo sério e profissional sofre os maiores ataques da história. Esse processo acelerou com a criação de mídias de massa que permitem que essas notícias se espalhem. O cérebro é mais propenso à fake news do que verdades. E esse é o grande problema do mundo atual”, avalia.

Na mesma direção, a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, resume em poucas palavras o cenário criado pelo coronavírus: “a pandemia é também uma crise de confiança, uma guerra de narrativas e desencontros”.

Participaram da entrevista a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins; a Diretora de Curadoria e Novos Produtos, Miriam Moura; e a Diretora de Relacionamento com o Poder Público, Fernanda Lambach.

O cérebro como criador do universo

Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é autor do livro “O Verdadeiro Criador de Tudo – Como o Cérebro Humano Esculpiu o Universo como Nós o Conhecemos”, no qual propõe que o cérebro humano é o verdadeiro criador do universo.

“Para o universo ter significado ele precisa de um intérprete. Não sabemos se existe outra forma inteligente, a nossa melhor escolha para o centro do universo é a mente humana. A brainet é o mecanismo que permitiu criar os grupos sociais mais produtivos. Mitos, deuses, sistemas políticos e dinheiro vêm da mente humana. Nós vivemos imersos na nossa criação”, explica.

Diante dessa teoria de que o cérebro é o centro do universo, Nicolelis defende que a inteligência artificial jamais será capaz de superá-lo. “Dar um download nas nossas memórias e deixar num DVD nunca vai acontecer, porque as memórias são analógicas e depositadas nas sinapses dos neurônios”, diz.

Defensor de uma sociedade matriarcal, como ele mesmo se definiu, o neurocientista ainda fez um contraponto ao historiador e filósofo israelense Yuval Harari, autor do best-seller internacional “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, que aborda desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI.

“A minha visão de mundo do Yuval é completamente diferente. Eu gostei muito do Sapiens, achei que ele fez um trabalho muito bom de simplificar ideias complexas. Mas acho que ele cometeu alguns erros de análise e visão, como quando ele diz que os impérios eram inevitáveis. Eu discordo frontalmente. Inclusive eu quero a volta do matriarcado do neolítico superior”, sintetiza Miguel Nicolelis.

Fotos: Reprodução Videoconferência
Texto: Divulgação

Livro e vídeos valorizam saberes da floresta das mulheres do Careiro|AM

Projeto é apoiado pelo GT Agenda 2030 com recursos da União Europeia e promove o valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta

‘Mulheres e as ervas da Amazônia’, sobre o reconhecimento e promoção do valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta. é o livro a ser lançado pelo Instituto 5 Elementos, uma das organizações que integram o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030), no próximo dia 10 de novembro, às 17h30 (hora Brasília-DF), nos canais digitais do instituto. A publicação é acompanhada por dez vídeos educativos que mostram como são produzidas, por exemplo, a pasta de cúrcuma com gengibre, a água de babosa, a máscara facial com pó de açaí, pomada de copaíba e andiroba, batom orgânico, entre outros produtos.

A produção multimídia lança luz aos conhecimentos de mães, agricultoras, artesãs, cozinheiras e curandeiras da Amazônia, sobre o uso das ervas medicinais, suas práticas de manuseio para a criação de produtos para a saúde, bem-estar e beleza, conforme explica Mônica Borba, gestora institucional do Instituto 5 Elementos. E acrescenta que a obra procura não apenas resgatar usos e costumes de ervas da floresta mas, principalmente, valorizar esses saberes como uma riqueza das comunidades e fortalecer uma bioeconomia que preserva a floresta e estimula seu uso sustentável.

A publicação e os vídeos foram produzidos a partir do projeto Agenda 2030 – Saúde e saberes das mulheres de Careiro (AM) –, que em 2020 promoveu uma formação envolvendo 29 mulheres. O projeto recebeu o apoio financeiro do GT Agenda 2030, no I Edital de Seleção Interna de Projetos, que contou com recursos da União Europeia.

Segundo Mônica, a riqueza dos depoimentos e dos conhecimentos dessas mulheres identificada durante o curso acendeu na equipe do projeto a vontade de fazer mais, de levar os saberes daquelas mulheres para além de suas comunidades.

As autoras dos saberes da floresta: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves, do município do Careiro, do Estado do Amazonas, estarão na transmissão do lançamento

O projeto foi realizado em parceria com a Casa do Rio e também contou com o apoio financeiro da Associação BEM-TE-VI Diversidade e da Awí Superfoods. No evento de lançamento, haverá a participação de quatro das mulheres da comunidade de Careiro: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves. Também participarão as professoras Mônica Borba e Marta Magalhães e o diretor da Casa do Rio, Thiago Cavalli Azambuja.

II Edital 

O GT Agenda 2030 está com chamada aberta para o seu II Edital de Seleção Interna de Projetos. Este ano, estão sendo destinados 98 mil euros para apoiar projetos de promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como estratégia para superação das desigualdades, principalmente no contexto da pandemia da Covid-19. Serão apoiadas 12 iniciativas brasileiras de instituições que compõem formalmente o GT. As propostas podem ser enviadas até o dia 9 de novembro pelo e-mail projetoue.gt2030@gmail.com.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres e as ervas da Amazônia
Quando: 10.11.2020, das 17h30 às 18h30 (hora de Brasília|DF)
Plataformas: Youtube e Facebook do Instituto 5 Elementos

A politização da vacina

Rodrigo Augusto Prando *

O enredo, aqui no Brasil, já é conhecido. O Presidente Bolsonaro, novamente, desautoriza e submete à humilhação o Ministro da Saúde. Antes, foram Mandetta e Teich, solenemente defenestrados; o primeiro, por defender o distanciamento/isolamento social; o segundo, por não aceitar indicar a cloroquina. Agora, é o General Pazuello, contudo, com uma diferença: os dois primeiros ministros são médicos e o atual, militar. Portanto, seguindo a hierarquia, Pazuello já explicou, limpidamente, que “é simples assim, um manda e outro obedece”.

O caso em tela, com Bolsonaro e Pazuello, está ligado às questões atinentes à vacina produzida com tecnologia chinesa e em parceria com o Instituto Butantan, no estado de São Paulo. O Ministro da Saúde havia se comprometido a comprar cerca de 46 milhões de doses da Coronavac, desde que fosse efetivada a aprovação pela Anvisa, como deve ser neste caso.

No entanto, no dia seguinte, Bolsonaro veio a público afirmar que tal compra não se daria, que não teria aporte do Governo Federal para a “vacina chinesa”. Em mensagem enviada a seus ministros, o presidente asseverou: “Alerto que não compraremos vacina da China, bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19”.

Deste comunicado, é certo que o presidente não mantém diálogo com Doria, aliás, o diálogo de Bolsonaro se dá com as redes sociais, sua base de apoio mais ideológica, e não com médicos, cientistas ou outras lideranças políticas. Mas, é cedo para afirmar que não comprará a vacina chinesa, até porque o caso pode ser judicializado e, ainda, as pressões políticas e da sociedade poderão fazer o presidente recuar. Qual o sentido de tudo isso? As vacinas chinesas não são confiáveis? O tempo de pesquisa não permite confiar nos resultados? O Instituto Butantan não oferece um serviço de qualidade cientificamente comprovada para o Brasil? Nada disso. A vacina de Oxford, por exemplo, está praticamente no mesmo patamar da Coronavac e tem financiamento do Governo Federal.

Então, o que está em jogo são duas dimensões: a ideológica e a política, ambas, infelizmente, colocando a saúde e a vida dos brasileiros em plano inferior.

Ideologicamente, Bolsonaro abandona o ator moderado dos últimos tempos e se volta, com vigor, às redes sociais, onde estão os bolsonaristas mais identificados ideologicamente com os valores sempre tornados públicos pelo presidente: negacionismo e postura anticientífica regados com teorias da conspiração. Isto posto, Bolsonaro e os bolsonaristas condenam a “vacina chinesa” comunista, mas são consumidores de quase tudo o que a China produz e exporta.

* Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

Foto: Divulgação
Ilustração: Alexandra Koch | Pixabay  

Wagner Moura e Greenpeace lançam animação sobre a destruição das florestas para a produção de carne

Greenpeace se uniu ao ator Wagner Moura para dar sequência ao primeiro filme produzido pela ONG, um alerta do orangotango Rang-Tan, com a atriz Emma Thompson, na sensação viral Rang-tan. O novo filme destaca a onça pintada ‘Jag-wah’ em denúncia do impacto devastador que a produção industrial de carne está tendo em florestas como a Amazônia.

“Tem um monstro na minha cozinha” conta a história de um menino que aprende sobre o desmatamento que está devastando florestas como a Amazônia, casa da onça. Com o animal, o menino explora como a carne em nossas cozinhas está alimentando o desmatamento de florestas e como reduzir a carne nas prateleiras dos supermercados, nos cardápios de fast food e em nossas próprias cozinhas pode ajudar a resolver isso. O vídeo foi feito pela agência de criação Mother e produzido pelo premiado estúdio Cartoon Saloon.

Confira o vídeo:

“Existem poucos lugares mais incríveis e preciosos na terra do que florestas como a Amazônia. No entanto, as pessoas muitas vezes não sabem que muitas das carnes e laticínios em nossas geladeiras estão ligadas aos incêndios e motosserras que estão devastando a Amazônia e outras florestas importantes. As grandes empresas de carnes continuam derrubando nossas florestas em um ritmo surpreendente. Precisamos agir antes que seja tarde demais”, afirma o ator Wagner Moura.

Os incêndios de 2019, na Amazônia, chamaram a atenção da mídia, mas a temporada de incêndios de 2020 viu novos recordes em toda a linha. Somente nos 20 primeiros dias de outubro, foram mais de 12 mil focos de incêndio na Amazônia. No acumulado do ano são 88.804 focos, apenas 372 focos a menos do total registrado em todo o ano passado. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve alta em 211%.

O Cerrado também registra aumento de 86% em comparação ao mesmo período do ano passado. São 11.946 focos de incêndio. Mas o número mais alarmante e aterrador não é da Amazônia e tampouco do Cerrado, e sim, a do Pantanal. Neste mesmo período de 2019, foram registrados 525 focos de incêndio. Neste ano, o Bioma registrou 2.667 focos de incêndio, uma diferença de 408%. Mesmo faltando dez dias para o término do mês, os três Biomas já queimaram mais que o mês de outubro inteiro do ano passado.

A onça pintada está presente em quase todos os biomas do Brasil, especialmente nos três biomas comprometidos pelas queimadas: Amazônia, Cerrado e Pantanal

“A carne é o maior promotor do desmatamento em todo o mundo. Esta animação é muito importante para expormos o futuro de nossas florestas. Em menos de 20 anos, a Amazônia pode entrar em colapso e isso está sendo impulsionado pela falta de ações das grandes empresas de carne para evitar que animais vindos de áreas desmatadas e queimadas cheguem para os consumidores. Os efeitos da política antiambiental do governo Bolsonaro são confirmados pelo aumento dos índices de desmatamento e violência no campo, com resultados negativos também para a economia do país”, ressalta Rômulo Batista do Greenpeace Brasil.

“Estou muito satisfeito por trabalhar neste filme de importância crucial com o Greenpeace. Essa luta nunca foi mais urgente. Juntos, podemos enfrentar as empresas industriais de carne que estão destruindo nossas preciosas florestas e os governos, como o meu no Brasil, que fazem conluio com eles. Espero que este filme inspire muitos a se juntarem à nossa missão de proteger as florestas”, completa Wagner.

O vídeo tem apoio da Meat Free Monday, a campanha lançada por Paul, Mary e Stella McCartney que visa aumentar a conscientização sobre o impacto ambiental prejudicial da pecuária.

Sinopse > ‘Tem um monstro na minha cozinha’ é uma poderosa história de terror de um garotinho que encontra um ‘monstro’ assustador em sua cozinha – um enorme jaguar. Dublado pelo aclamado ator brasileiro Wagner Moura (que interpretou Pablo Escobar em Narcos), ‘Jag-wah’ revela que está aqui para alertar o menino. Os verdadeiros monstros são, na verdade, as empresas industriais de carne queimando sua casa na floresta e destruindo habitats naturais para cultivar ração animal. A constatação de que a carne industrial é a maior causa do desmatamento global leva o menino a decidir “comer mais plantas e vegetais” e a “lutar contra esses monstros para que nosso planeta se renove”.

Fotos e Vídeo: Greenpeace | Divulgação

Eco-Desafio 2021 abre inscrições para soluções para embalagens e cadeia de reciclagem

A PepsiCo, uma das maiores empresas de Alimentos e Bebidas do mundo, em parceria com a Young Americas Business Trust (YABT) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), está com inscrições abertas para a 12ª edição do Eco-Desafio 2021, que tem como objetivo incentivar o empreendedorismo e ideias que tragam soluções criativas e de alto impacto ambiental.

Neste ano, o Eco-Desafio 12.0 busca identificar soluções escaláveis e sustentáveis que permitirão à indústria e ao consumidor ir além do uso tradicional do plástico e construir um mundo no qual esse material não se transforme em resíduo. Tudo isso por meio de ideias para redução, reaproveitamento, reciclagem e reinvenção desse material. O programa oferece mentoria gratuita, networking e visibilidade internacional para as equipes que chegarem às finais e o grande prêmio de US﹩ 5.000 para os vencedores de cada categoria, para serem usados como capital semente.

Os interessados podem se inscrever em duas categorias. A primeira delas é: “Reinventar: Além da Garrafa”, cujo foco é o desenvolvimento de inovações focadas na criação de materiais de embalagem alternativos que sejam recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis para substituir ou reduzir o uso das garrafas plásticas tradicionais (PET). A segunda, “Reciclar e Reutilizar”, tem como intuito apoiar a economia circular do plástico desenvolvendo ferramentas, estratégias e programas que permitam o aumento de canais de reciclagem escalonáveis, criando diferentes usos pós-consumo para cada embalagem, possibilitando a reintrodução no mercado.

“A PepsiCo tem o compromisso de construir um sistema alimentar cada vez mais sustentável e isso abrange a responsabilidade da cadeia como um todo, passando pela indústria até o descarte correto e uma cadeia de reciclagem eficiente. Nós temos o compromisso e o dever de buscar soluções mais sustentáveis, e o Eco-Desafio é um projeto do qual temos muito orgulho e que sempre nos desperta para novas ideias”, afirma Lívia Fávaro, Gerente de Cidadania Corporativa da PepsiCo Brasil.

“Como parte de sua premissa ‘Vencer com Propósito’, a PepsiCo busca alternativas para que o plástico nunca se torne resíduo, com a meta de projetar 100% das embalagens para serem recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis até 2025”, completa a executiva. A companhia tem ainda o objetivo de aumentar para 25% o conteúdo reciclado em embalagens plásticas, reduzir 35% do conteúdo de plástico virgem no portfólio de bebidas e investir para aumentar as taxas de reciclagem nos principais mercados, tudo até 2025.

Brasil foi vencedor em 2020

Na última edição do Eco-Desafio, realizada em 2020, o Brasil foi o país com maior número de inscrições e projetos registrados em toda a América Latina. Um dos projetos vencedores foi o do brasileiro Felipe Cardoso, do Eco Panplas, que ganhou na categoria “Além da Garrafa e da Bolsa” (“Beyond the Bottle and the Bag”). A ideia inovadora do projeto consistia na criação de um sistema produtivo para a descontaminação e a reciclagem a seco de embalagens plásticas contaminadas, sem utilização de água ou geração de resíduos, facilitando a reciclagem do plástico.

O Eco-Desafio nasceu em 2009 e, até a última edição recebeu mais de 18 mil propostas de negócios apresentadas por 24.271 jovens em mais de 33 países da região; premiando 44 projetos e entregando US﹩ 220.000 em capital semente para impulsionar essas ações.

As inscrições para o Eco-Desafio 12.0 vão até 31 de dezembro de 2020 no portal do programa: www.ticamericas.net/eco-desafio/. Para obter mais informações, visite o site do YABT: www.yabt.net ou http://www.ticamericas.net.

Foto Ilustrativa: Camila Machado | Fotos Públicas
Cartaz: Divulgação