Estudo mostra impactos de 35 anos da hidrelétrica de Balbina em florestas de igapó da Amazônia

Um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) trouxe uma síntese de mais de 35 anos dos impactos causados pela construção da hidrelétrica de Balbina nas florestas alagáveis de igapó até 125 quilômetros rio abaixo da barragem. O estudo foi publicado recentemente na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, tendo o pesquisador Jochen Schöngart como primeiro de um total de 22 autores, pesquisadores de instituições do Brasil, Alemanha, Holanda e Reino Unido. A publicação traz os detalhes das perturbações encontradas no espaço e no tempo na floresta de igapó, desde o início da construção da barragem em 1983, e um alerta para o que pode acontecer em outros pontos dos rios amazônicos, onde há mais de 400 barragens, operando, planejadas ou em construção.

A alteração mais nociva é o que os pesquisadores estão chamando de “efeito sanduiche”, no qual o “recheio” não é nem de longe saboroso. A pressão sofrida pelas florestas nas porções mais elevadas e mais baixas resulta na perda de habitats e na diversidade de árvores, com severos impactos nas cadeias tróficas, incluindo a alimentação de peixes, além da perda de importantes serviços ecossistêmicos. A pressão das porções baixas resulta dos elevados níveis mínimos de água durante o período de operação da barragem.

“Aproximadamente 12% das florestas de igapó já morreram e outras são ameaçadas se o modo operacional de construção das barragens continuar a alterar o regime hidrológico”, salientou Jochen Schöngart, que possui graduação e doutorado em ciências florestais. Essas árvores são espécies que estavam adaptadas ao regime regular e anual de inundação, como a Eschweilera tenufolia (conhecida como cuieira e macacarecuia), mas que após o barramento do rio Uatumã (150 quilômetros ao norte de Manaus) tiveram que lidar com inundações quase permanentes, acima da capacidade das espécies de tolerar tanto tempo debaixo d’água.

Nas topografias mais altas, as florestas de igapós foram afetadas pela invasão de espécies da terra firme que possivelmente são mais competitivas que as espécies de igapó. Nas topografias médias, houve um forte declínio da diversidade e, com isso, a dominância de algumas espécies arbóreas. Segundo o pesquisador, os distúrbios que causaram o impacto foram gerados durante o enchimento do reservatório (1983-1989) que resultou em condições de extrema seca nos igapós a jusante da barragem.

“Árvores das florestas alagáveis começaram a morrer por causa da falta de água. Possivelmente incêndios também afetaram os igapós neste período em que as condições secas geradas ainda foram potencializadas por eventos o El Niño (1982/1983 e 1986-1988), que diminuem a precipitação e tendem aumentar a temperatura e a umidade relativa do ar nesta região”, explicou.

A hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo, é considerada um dos maiores desastres socioambientais da Amazônia, com impactos que vão além do reservatório e da barragem. O reservatório inundou uma área de quase 3.000 quilômetros quadrados, afogando florestas de igapó e de terra firme. Apenas os planaltos de terra firme em altitudes mais elevadas permaneceram, formando uma paisagem fragmentada de mais de 3.500 ilhas isoladas em um “cemitério de milhões de árvores mortas”, conhecidos “paliteiros”, e a produção ao longo dos anos de um grande volume de gases de efeito estufa, como o metano. A capacidade instalada prevista era de 250 MW, porém, desde o início das operações em fevereiro de 1989, Balbina nunca gerou energia suficiente para atender Manaus que atualmente consome dez vezes mais energia do que essa usina hidrelétrica produz.

Distúrbios espaço-temporais nas florestas alagáveis de igapó a jusante da barragem de Balbina ao longo de um período de 35 anos, resultando em perda de macrohabitats, mortalidade maciça de árvores e perda da diversidade de espécies arbóreas, afetando o funcionamento do ecossistema e o fornecimento de serviços ambientais

Recomendações

O artigo traz recomendações concretas para mitigar os impactos nas áreas alagáveis para as usinas hidrelétricas em fase de operação, construção e planejamento. Para as barragens em operação, os pesquisadores apontam mudanças no modo operacional, de forma que a liberação da água do reservatório simule o regime natural de baixas águas (índice de fluxo de base do período pré-barragem). Enquanto para as barragens em construção, deveriam ser evitadas condições de extrema seca nas áreas alagáveis a jusante durante a instalação, pois isso pode resultar em elevada mortalidade de árvores por falta de água ou por incêndios. “Isso é de extrema importância nos períodos atuais em que mudanças climáticas podem potencializar os impactos devido ao aumento de temperatura e de eventos extremos de secas”, afirma Schöngart.

Para as barragens planejadas, as áreas alagáveis deveriam ser consideradas no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), que hoje só leva em conta as áreas que serão impactadas pela construção da barragem e do reservatório. Com base nos estudos sintetizados pelos pesquisadores, o EIA/Rima deveria integrar áreas alagáveis até a confluência com um afluente da mesma ordem de rio sem impactos, ou até a confluência com um rio de ordem superior que amortece as alterações causadas pelo efeito da barragem hidráulica.

“Modelos que permitem simular o nível da água e a descarga do rio deveriam estimar a geração de energia hidrelétrica, condicionada ao modo operacional que simule o regime natural de águas baixas. Isso exige uma reavaliação de muitas barragens planejadas por um consórcio envolvendo os órgãos públicos do governo, cientistas, partes interessadas da sociedade civil, indústria e as agências financeiras para evitar ou pelo menos mitigar os possíveis impactos nas áreas alagáveis”, defendem os pesquisadores.

O estudo também deixa um alerta para a necessidade de políticas públicas eficientes voltadas ao desenvolvimento sustentável da região amazônica: “Precisam avaliar os impactos das barragens planejadas considerando o balanço entre geração de energia e a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos que afetam as populações indígenas e ribeirinhas tradicionais, em particular, e a sociedade brasileira, em geral”, destacou Schöngart.

Acompanhamento e uso de modernas técnicas

Em 2009, ou seja, 20 anos após a usina iniciar sua operação, os pesquisadores observaram os paliteiros na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uatumã, dezenas de quilômetros a jusante da barragem de Balbina. Isso levou à formulação da hipótese principal do trabalho, de que as árvores morreram por causa da barragem. Os primeiros estudos tiveram início para buscar evidências. Essas atividades foram realizadas pelos participantes do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP MAUA/ Inpa), sob coordenação da pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, por meio de vários projetos e cooperações, como o Programa LBA (Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) e PELD (Pesquisa Ecológica de Longa Duração), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), de forma a permitir uma abordagem sistemática e abordar diferentes componentes da floresta (plântulas, árvores), em nível da espécie de árvore até a escala de paisagem. Os estudos tiveram apoio de parcerias dentro do Inpa (INCT-Adapta, Projeto Atto) e em nível nacional (INCT-Inau, Universidade Estadual Paulista, Universidade de Brasília) e internacional (Instituto Max-Planck de Química em Jena, Instituto Tecnológico de Karlsruhe, ambos na Alemanha), entre outras.

Para testar a hipótese principal e trazer evidências de distúrbios no passado, quando começou a instalação da barragem de Balbina, na década de 1980, os pesquisadores procuraram evidências destes impactos em séries históricas de dados hidrológicos, imagens de satélite e nas informações que as árvores armazenam no seu tronco em forma de anéis de crescimento que podem ser associadas aos anos calendários do passado por meio de datação de radiocarbono e dendrocronologia.

Em paralelo, foram feitos inventários e monitoramentos das florestas de igapó impactados em comparação com igapós sem distúrbios antropogênicos ao longo do rio Abacate, um afluente do rio Uatumã. E os estudos não param. Ainda estão sendo realizados e planejados experimentos em laboratório no Inpa (microcosmos/INCT-Adapta e casa de vegetação) sob condições controladas para obter mais informações sobre as características e respostas de algumas espécies de árvores que dominam os igapós após perturbações.

Após alcançar uma massa crítica de dados, evidências e informações, os pesquisadores elaboraram a síntese que permitiu reconstruir os distúrbios em espaço e tempo desde que a barragem de Balbina começou a ser construída até os tempos atuais. “Mais de dez anos se passaram desde a primeira observação até esta síntese para indicar recomendações concretas às políticas públicas baseadas em vários estudos capacitando alunos de diferentes níveis de formação acadêmica de diversos programas de
pós-graduação do Inpa. A formação de recursos humanos é fundamental para o futuro dos ambientes amazônicos e é um dos mais importantes produtos deste esforço”, destacou a pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, que também assina o artigo.

Próximos passos

A Fase 3 do Projeto PELD foi aprovada pelo CNPq e pela Fapeam recentemente, com o título ‘Sítios demonstrativos de ecossistemas de áreas úmidas oligotróficas pristinos e impactados na Amazônia Central: encontrando tendências e preenchendo lacunas’. Nesta fase serão testadas algumas hipóteses formuladas na síntese elaborada, e os estudos integrarão outros componentes, como epífitas, relações entre árvores e fungos, árvores e peixes e impactos socioambientais.

O objetivo é criar um sítio demonstrativo que possa fornecer para vários grupos da sociedade (cientistas, gestores ambientais, tomadores de decisão, ensino de diversos níveis, populações tradicionais e outros) um conhecimento científico integrado sobre a biodiversidade e as inter-relações de componentes-chave da biota, sobre processos e serviços ecossistêmicos, integrando também aspectos socioambientais e políticas públicas.

Da Ascom/Inpa

Foto e imagem: Jochen Schöngart

Qual o seu papel na construção de um futuro sustentável?

* Por Cristiana Xavier de Brito

Estamos vivendo um período sem precedentes e que nos tem feito refletir sobre como seguir adiante. Foi necessário se reorganizar e estabelecer novos métodos de trabalho para manter os negócios ativos e atrativos. Este momento também mostrou o quanto a sustentabilidade é importante, para o mundo e para as empresas. Não faz tanto tempo, ainda se discutia sobre criar uma área de sustentabilidade e como isso teria impacto nos negócios. Mas hoje podemos afirmar que a sustentabilidade é o próprio negócio.

A sustentabilidade segue sendo uma das principais preocupações da sociedade, com consumidores que dão preferência por organizações que evidenciem em suas atuações os pilares social, ambiental e o econômico. Muitas empresas ainda enfrentam o desafio em manter essas três frentes ativas para os diferentes públicos de interesse das organizações, incluindo investidores que estão cada vez mais atentos a essa questão. Mas como devemos nos preparar para seguir na construção de uma estratégia de negócios sustentável e assertiva? Todas as empresas estão prontas para isso? E se ainda não foi dado o primeiro passo em busca da sustentabilidade dentro da empresa, é possível começar agora?

A boa notícia é que sim. A sustentabilidade é uma jornada, e é preciso entender cada empresa e cada cadeia produtiva para buscar as melhorias incessantemente.

Neste sentido, há 15 anos, foi criada a Fundação Espaço ECO, instituída e mantida pela BASF, que promove o desenvolvimento sustentável no ambiente empresarial e na sociedade. Com uma equipe capacitada e especializada, a instituição elabora projetos de consultoria personalizados que mensuram os impactos econômicos, sociais e ambientais, de processos e produtos de uma organização, isso tudo sob a ótica da sustentabilidade. E o resultado desta consultoria não poderia ser diferente, com um direcionamento claro, a organização pode identificar seus pontos sensíveis e como traçar uma estratégia para fortalecê-los.

Atuando nos mais diferentes setores e com sua experiência, a Fundação identificou as principais tendências da sustentabilidade corporativa e quais devem guiar as discussões nos próximos anos. São eles: cadeia de valor responsável, capital natural, bioeconomia e economia circular.

Reafirmo a importância do diálogo e da troca de experiência e, celebrando os 15 anos da Fundação, foram realizados eventos abertos ao público, nos quais foi possível debater com representantes de empresas, instituições, especialistas e formadores de opinião o futuro da sustentabilidade corporativa e seus desafios. Vimos cases e estratégias e a relação com a performance organizacional, ainda mais neste período que estamos passando, além de reforçar que o tema está “quente” dentro das companhias. No meu caso, que estou muito envolvida com o assunto sustentabilidade no mundo corporativo, é muito gratificante ver isso de fato se tornando realidade.

O que temos como certo é que a sustentabilidade empresarial ainda vai trazer novas formas de conectar os recursos naturais, os bens de capital aos bens de consumo, conectando o capital natural com as demandas de mercado e criando cadeias de fornecimento mais responsáveis. Para isso, é necessário nos manter ativos e atuantes para auxiliar a todos que estão nesta mesma caminhada a acompanhar as tendências e estar alinhados com as demandas, permitindo que todos tenham êxito e conquistas.

Saliento mais uma vez a importância para que as empresas insiram a sustentabilidade nos seus negócios, aqui estamos falando de um número crescente de organizações de todos os portes, e que possam contar com a troca de experiências e o apoio de entidades como a FEE. Afinal, essa é uma demanda que está cada vez mais presente no nosso dia a dia, tanto que estudo recente do Pacto Global apontou que 92% dos CEOs acreditam que sustentabilidade é fator crítico para o sucesso da empresa, porém, apenas 48% estão integrando sustentabilidade na operação.

Temos um longo caminho a percorrer e não podemos desistir ou nos desviar do nosso objetivo. O mais importante é saber que não estamos sozinhos e que não seremos bem-sucedidos se não compartilharmos experiências. Juntos, podemos traçar estratégias e até encontrar soluções que corroborem com o sucesso e benefícios de todos. A pergunta que faço agora é: você está preparado para não desistir e seguir adiante?

* Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da BASF América do Sul e Conselheira da Fundação Espaço ECO

Wagner Moura e Greenpeace lançam animação sobre a destruição das florestas para a produção de carne

Greenpeace se uniu ao ator Wagner Moura para dar sequência ao primeiro filme produzido pela ONG, um alerta do orangotango Rang-Tan, com a atriz Emma Thompson, na sensação viral Rang-tan. O novo filme destaca a onça pintada ‘Jag-wah’ em denúncia do impacto devastador que a produção industrial de carne está tendo em florestas como a Amazônia.

“Tem um monstro na minha cozinha” conta a história de um menino que aprende sobre o desmatamento que está devastando florestas como a Amazônia, casa da onça. Com o animal, o menino explora como a carne em nossas cozinhas está alimentando o desmatamento de florestas e como reduzir a carne nas prateleiras dos supermercados, nos cardápios de fast food e em nossas próprias cozinhas pode ajudar a resolver isso. O vídeo foi feito pela agência de criação Mother e produzido pelo premiado estúdio Cartoon Saloon.

Confira o vídeo:

“Existem poucos lugares mais incríveis e preciosos na terra do que florestas como a Amazônia. No entanto, as pessoas muitas vezes não sabem que muitas das carnes e laticínios em nossas geladeiras estão ligadas aos incêndios e motosserras que estão devastando a Amazônia e outras florestas importantes. As grandes empresas de carnes continuam derrubando nossas florestas em um ritmo surpreendente. Precisamos agir antes que seja tarde demais”, afirma o ator Wagner Moura.

Os incêndios de 2019, na Amazônia, chamaram a atenção da mídia, mas a temporada de incêndios de 2020 viu novos recordes em toda a linha. Somente nos 20 primeiros dias de outubro, foram mais de 12 mil focos de incêndio na Amazônia. No acumulado do ano são 88.804 focos, apenas 372 focos a menos do total registrado em todo o ano passado. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve alta em 211%.

O Cerrado também registra aumento de 86% em comparação ao mesmo período do ano passado. São 11.946 focos de incêndio. Mas o número mais alarmante e aterrador não é da Amazônia e tampouco do Cerrado, e sim, a do Pantanal. Neste mesmo período de 2019, foram registrados 525 focos de incêndio. Neste ano, o Bioma registrou 2.667 focos de incêndio, uma diferença de 408%. Mesmo faltando dez dias para o término do mês, os três Biomas já queimaram mais que o mês de outubro inteiro do ano passado.

A onça pintada está presente em quase todos os biomas do Brasil, especialmente nos três biomas comprometidos pelas queimadas: Amazônia, Cerrado e Pantanal

“A carne é o maior promotor do desmatamento em todo o mundo. Esta animação é muito importante para expormos o futuro de nossas florestas. Em menos de 20 anos, a Amazônia pode entrar em colapso e isso está sendo impulsionado pela falta de ações das grandes empresas de carne para evitar que animais vindos de áreas desmatadas e queimadas cheguem para os consumidores. Os efeitos da política antiambiental do governo Bolsonaro são confirmados pelo aumento dos índices de desmatamento e violência no campo, com resultados negativos também para a economia do país”, ressalta Rômulo Batista do Greenpeace Brasil.

“Estou muito satisfeito por trabalhar neste filme de importância crucial com o Greenpeace. Essa luta nunca foi mais urgente. Juntos, podemos enfrentar as empresas industriais de carne que estão destruindo nossas preciosas florestas e os governos, como o meu no Brasil, que fazem conluio com eles. Espero que este filme inspire muitos a se juntarem à nossa missão de proteger as florestas”, completa Wagner.

O vídeo tem apoio da Meat Free Monday, a campanha lançada por Paul, Mary e Stella McCartney que visa aumentar a conscientização sobre o impacto ambiental prejudicial da pecuária.

Sinopse > ‘Tem um monstro na minha cozinha’ é uma poderosa história de terror de um garotinho que encontra um ‘monstro’ assustador em sua cozinha – um enorme jaguar. Dublado pelo aclamado ator brasileiro Wagner Moura (que interpretou Pablo Escobar em Narcos), ‘Jag-wah’ revela que está aqui para alertar o menino. Os verdadeiros monstros são, na verdade, as empresas industriais de carne queimando sua casa na floresta e destruindo habitats naturais para cultivar ração animal. A constatação de que a carne industrial é a maior causa do desmatamento global leva o menino a decidir “comer mais plantas e vegetais” e a “lutar contra esses monstros para que nosso planeta se renove”.

Fotos e Vídeo: Greenpeace | Divulgação

Eco-Desafio 2021 abre inscrições para soluções para embalagens e cadeia de reciclagem

A PepsiCo, uma das maiores empresas de Alimentos e Bebidas do mundo, em parceria com a Young Americas Business Trust (YABT) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), está com inscrições abertas para a 12ª edição do Eco-Desafio 2021, que tem como objetivo incentivar o empreendedorismo e ideias que tragam soluções criativas e de alto impacto ambiental.

Neste ano, o Eco-Desafio 12.0 busca identificar soluções escaláveis e sustentáveis que permitirão à indústria e ao consumidor ir além do uso tradicional do plástico e construir um mundo no qual esse material não se transforme em resíduo. Tudo isso por meio de ideias para redução, reaproveitamento, reciclagem e reinvenção desse material. O programa oferece mentoria gratuita, networking e visibilidade internacional para as equipes que chegarem às finais e o grande prêmio de US﹩ 5.000 para os vencedores de cada categoria, para serem usados como capital semente.

Os interessados podem se inscrever em duas categorias. A primeira delas é: “Reinventar: Além da Garrafa”, cujo foco é o desenvolvimento de inovações focadas na criação de materiais de embalagem alternativos que sejam recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis para substituir ou reduzir o uso das garrafas plásticas tradicionais (PET). A segunda, “Reciclar e Reutilizar”, tem como intuito apoiar a economia circular do plástico desenvolvendo ferramentas, estratégias e programas que permitam o aumento de canais de reciclagem escalonáveis, criando diferentes usos pós-consumo para cada embalagem, possibilitando a reintrodução no mercado.

“A PepsiCo tem o compromisso de construir um sistema alimentar cada vez mais sustentável e isso abrange a responsabilidade da cadeia como um todo, passando pela indústria até o descarte correto e uma cadeia de reciclagem eficiente. Nós temos o compromisso e o dever de buscar soluções mais sustentáveis, e o Eco-Desafio é um projeto do qual temos muito orgulho e que sempre nos desperta para novas ideias”, afirma Lívia Fávaro, Gerente de Cidadania Corporativa da PepsiCo Brasil.

“Como parte de sua premissa ‘Vencer com Propósito’, a PepsiCo busca alternativas para que o plástico nunca se torne resíduo, com a meta de projetar 100% das embalagens para serem recicláveis, compostáveis ou biodegradáveis até 2025”, completa a executiva. A companhia tem ainda o objetivo de aumentar para 25% o conteúdo reciclado em embalagens plásticas, reduzir 35% do conteúdo de plástico virgem no portfólio de bebidas e investir para aumentar as taxas de reciclagem nos principais mercados, tudo até 2025.

Brasil foi vencedor em 2020

Na última edição do Eco-Desafio, realizada em 2020, o Brasil foi o país com maior número de inscrições e projetos registrados em toda a América Latina. Um dos projetos vencedores foi o do brasileiro Felipe Cardoso, do Eco Panplas, que ganhou na categoria “Além da Garrafa e da Bolsa” (“Beyond the Bottle and the Bag”). A ideia inovadora do projeto consistia na criação de um sistema produtivo para a descontaminação e a reciclagem a seco de embalagens plásticas contaminadas, sem utilização de água ou geração de resíduos, facilitando a reciclagem do plástico.

O Eco-Desafio nasceu em 2009 e, até a última edição recebeu mais de 18 mil propostas de negócios apresentadas por 24.271 jovens em mais de 33 países da região; premiando 44 projetos e entregando US﹩ 220.000 em capital semente para impulsionar essas ações.

As inscrições para o Eco-Desafio 12.0 vão até 31 de dezembro de 2020 no portal do programa: www.ticamericas.net/eco-desafio/. Para obter mais informações, visite o site do YABT: www.yabt.net ou http://www.ticamericas.net.

Foto Ilustrativa: Camila Machado | Fotos Públicas
Cartaz: Divulgação

1ª telha fotovoltaica de concreto do país deve chegar ao mercado em 2021

A telha fotovoltaica de concreto BIG-F10 – primeira telha de concreto com tecnologia desenvolvida no Brasil, que capta energia solar para a produção de energia elétrica a partir de células fotovoltaicas aplicadas diretamente nas telhas, sem a necessidade de painéis adicionais -, do grupo Eternit, especializado em matérias-primas, produtos e soluções para o setor de construção civil, foi certificada no início do mês de setembro pelo INMETRO, sob o registro 005443/2020. E sua omercialização para o grande público em todo o país está prevista para o primeiro semestre de 2021.

“Somos a única companhia brasileira a produzir localmente um produto revolucionário que irá ajudar a diminuir o consumo de energia tradicional de forma ecológica, ao mesmo tempo em que promove eficiência no uso”, afirma Luís Augusto Barbosa, presidente do Grupo Eternit.

A Tégula Solar, empresa que pertence ao Grupo, iniciou a produção sob demanda na fábrica de Atibaia, no interior paulista, para projetos-pilotos em parceria com clientes selecionados em locais residenciais, comerciais e de agronegócio. Com capacidade total de 11 MWp/a (ou 11 Megawatts-pico ao ano) em geração de energia, a unidade recebeu a instalação de equipamentos nacionais e importados, e adaptou sua infraestrutura para a fabricação da nova linha de produtos de alta tecnologia.

Economia

Cada telha de concreto da Eternit Solar produz 9,16 watts e tem dimensão de 365 x 475 mm. A capacidade de produção média mensal de uma única telha é de 1,15 Kilowatts hora por mês (kwh/mês). A estimativa é que essa tecnologia seja vantajosa para o consumidor ao permitir entre 10% e 20% de economia no valor total da compra e da instalação das telhas fotovoltaicas, em relação aos painéis solares montados em cima de telhados comuns. O retorno sobre o investimento ocorre dentro de um período relativamente curto, de 3 a 5 anos, dependendo do sistema.

O número de telhas fotovoltaicas necessário para uma residência vai depender da quantidade de energia que se deseja produzir, da localização do imóvel, inclinação e orientação com relação ao sol, entre outros fatores. Uma residência pequena pode ter em torno de 100 a 150 telhas fotovoltaicas de concreto. Casas de médio e alto padrão, de 300 a 600 unidades ou mais. O restante do telhado é feito com telhas comuns, complementadas com acabamentos como cumeeiras, laterais, espigão do mesmo modelo, com mesmo material e encaixes perfeitos, garantindo a melhor estética do telhado.

Sustentabilidade nas empresas aumenta demanda por profissionais com atuação em meio ambiente

A participação do Brasil na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) vem promovendo uma mudança de comportamento por parte das empresas e sociedade. Para se ter uma ideia, das 17 metas principais, oito são focadas na preservação dos recursos naturais e na transformação no modo de consumir e produzir dos países participantes.

Com essa perspectiva, as empresas estão cada vez mais preocupadas com as questões ambientais e sua adequação ao plano global de sustentabilidade. A preocupação é validada pela população, que está mais consciente e procura consumir produtos de organizações dedicadas em preservar, recuperar e proporcionar condições de vida dignas para as próximas gerações.

O Senac EAD disponibiliza qualificações no segmento ambiental em todos os níveis de ensino e uma das opções é o curso Técnico em Meio Ambiente. O curso de nível médio totaliza 1200 horas (20 meses), período em que o aluno terá acesso a conhecimentos que vão da elaboração e implementação de projetos ambientais, até o controle e gestão de sistemas integrados no setor.

De acordo com a coordenadora do Técnico em Meio Ambiente do Senac EAD, Marília Coelho Teixeira, a área de atuação para esses profissionais é abrangente. “Há oportunidades no setor público para cargos de fiscalização e gestão ambiental, porém, a iniciativa privada oferece mais opções. O cidadão com formação técnica poderá trabalhar na análise e coleta de dados ambientais, elaboração de laudos e documentos para licenciamento ambiental, além de atuar na operação e gerenciamento de sistemas de tratamentos de resíduos sólidos e efluentes”, detalha.

A docente confirma a atenção das empresas em implementar ações e projetos de proteção ao meio ambiente, visto que compreendem a importância de estabelecer os critérios de sustentabilidade. “A contratação de profissionais da área de meio ambiente é de suma importância para as organizações, pois, são eles que irão colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos no curso e propor ações de melhoria e sustentabilidade em prol da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável”, observa.

Mudança de comportamento

Apesar da conscientização e mudança de comportamento de grande parte da sociedade, algumas ações precisam ser reforçadas com frequência. A docente Marília pontua ações simples e que podem ser incorporadas ao cotidiano das famílias, que desejam contribuir com a preservação do meio ambiente:

– Separação correta de resíduos sólidos urbanos, ainda mais relevante em razão da pandemia do novo coronavírus (famílias estão gerando resíduos hospitalares como máscaras e luvas);

– Consumo consciente com relação aos produtos essenciais para o ser humano, ou seja, comprar o que realmente for utilizar e evitar o consumo supérfluo;

– Comprar produtos de empresas que possuem valores de responsabilidade socioambiental e sustentável, assim, você está valorizando essas organizações;

– Reutilizar produtos e embalagens;

– Ser mais flexível com o trabalho em home office, pois, é uma atitude considerada sustentável. O fato dos colaboradores não precisarem se deslocar todos os dias para o emprego influencia diretamente na redução de emissões atmosféricas dos gases de efeito estufa.

Fonte: Indicadores brasileiros para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) http://odsbrasil.gov.br/

Serviço:

As inscrições para o curso Técnico em Meio Ambiente estão abertas entre os dias 22 de junho e 17 de agosto de 2020. Mais informações sobre valores e o conteúdo programático das aulas podem ser verificadas na página: http://www.ead.senac.br/cursos-tecnicos/tecnico-em-meio-ambiente/

Foto: reprodução

Temporada de fogo começa em alta na Amazônia

O período seco na Amazônia – quando, em 2019, foram registradas queimadas de dimensões trágicas – está começando com dados alarmantes. O número de queimadas entre 1 e 21 de junho de 2020 é o maior dos últimos 10 anos nesse período – e ficou 50% acima da média dos 10 anos anteriores (2010 a 2019), que foi de 979.

Nos primeiros 21 dias de junho, foram detectados 1.469 focos de queimadas no bioma Amazônia, 30% a mais que no mesmo período de 2019, quando 1.125 focos foram registrados pelo Inpe. Desses 1.469 focos de queimadas detectados na Amazônia entre 1 e 21 de junho de 2020, 63% ocorreram no Mato Grosso (915).

Esses são os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somados aos dados de desmatamento recente, este aumento no número de focos em um mês que historicamente é mais baixo anuncia o que está por vir.

Desmatamento

Entre 1º de janeiro e 31 de maio de 2020, houve alertas de desmatamento para 2.032 km2 na Amazônia Legal, o maior número registrado para o período desde 2015. E o corte raso na floresta amazônica continua subindo.

A ameaça é que o desmate deste ano supere os 10.129 km2 medidos no ano passado, na maior taxa desde 2008 e mais do que o dobro da taxa medida em 2012.

Se olharmos de agosto de 2019 a maio de 2020 com base nos dados do Deter, do Inpe, o desmatamento foi de 6.504 km2, 78% a mais em comparação ao período anterior (agosto de 2018 a maio de 2019), quando foram desmatados 3.654 km2. Esse período de 10 meses exclui os meses de junho e julho, quando o desmatamento é historicamente mais alto.

Saúde pública

Vistas isoladamente, as queimadas representam graves riscos à saúde da população. Um dos efeitos é o aumento do registro de internações hospitalares por doenças respiratórias. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz constatou que o número de crianças internadas dobrou entre maio e junho de 2019 – no início do período das queimadas, numa amostra de 100 municípios da Amazônia Legal. Foram 2,5 mil internações a mais por mês, o que teria custado R$ 1,5 milhão extras ao Sistema Único de Saúde. E não são apenas as crianças que sofrem. “As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população. Os poluentes emitidos por essas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas”, diz o informe do Observatório de Clima e Saúde, ligado à Fiocruz. 

Foto: Araquém Alcântara/WWF Brasil

Cientistas mapeiam grilagem em florestas públicas na Amazônia

Um novo artigo científico de autores brasileiros, publicado na última segunda-feira (23) na revista “Land Use Policy”, mapeia a grilagem em florestas públicas não-destinadas na Amazônia. Dos 49,8 milhões de hectares de florestas sob responsabilidade estadual e federal, mas ainda não alocados a nenhuma categoria de uso, 11,6 milhões de hectares foram declarados irregularmente como imóveis rurais, de uso particular, no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (CAR). Essa área equivale a dois estados do Rio de Janeiro.

O impacto da grilagem se traduz facilmente em desmatamento. Nessas áreas, os pesquisadores identificaram 2,6 milhões de hectares derrubados até 2018, uma área do tamanho de Sergipe. Tal destruição gerou a emissão de 1,2 bilhão de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. Oitenta por cento da área desmatada (2,1 milhões de hectares) apresenta registro no CAR, demonstrando a intenção de uso privado de uma área pública.

Se toda a área registrada até hoje como propriedade privada fosse legalizada, de 2,2 a 5,5 milhões de hectares poderiam ser derrubados nos próximos anos – isso seguindo os limites de desmatamento definidos pelo Código Florestal, quando muitas vezes o desmatamento é maior que o permitido.

Nos últimos anos, a grilagem de florestas não-destinadas aumentou. Em 2019, foi a categoria fundiária onde mais se derrubou floresta na Amazônia, de acordo com dados do sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter. A tendência se mantém em 2020.

Passo a passo

Para fazer a análise, os pesquisadores primeiro limparam as sobreposições das florestas não-designadas no Cadastro Nacional de Florestas, do Serviço Florestal Brasileiro, que conta com 62 milhões de hectares, com outras áreas na base fundiária da Amazônia. Com isso, chegou-se a 49,8 milhões de hectares de florestas públicas, próxima ao tamanho da Espanha, que ainda não foram destinadas para proteção ou uso sustentável de seus recursos naturais, como previsto na Lei de Gestão de Florestas Públicas, de 2006. Deste quinhão, os estados da Amazônia possuem uma área maior (32,7 milhões de ha) do que o governo federal (17,1 milhões de ha).

A grilagem dessas áreas tem como objetivo frequente a especulação fundiária. “Na Amazônia, observamos a seguinte dinâmica: um grileiro entra na área pública e a registra como dele ou no nome de laranjas; depois desmata a área, coloca algumas cabeças de gado para se dizer pecuarista e tenta de todos os jeitos a regularização, ou espera um desavisado comprar a terra. Uma vez vendida, essa terra entra no sistema de produção agropecuária, e o novo dono e seus produtos carregam esse passivo, enquanto o grileiro passa para a próxima área”, explica o pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), um dos autores principais do estudo.

O CAR, como registro de regularidade ambiental da propriedade, autodeclarado pelo ocupante, entra nessa equação como uma tentativa de se forjar uma ocupação regular. Por isso, é preciso barrar a validação desses cadastros falsos no sistema. “Esses registros estão na base de dados do governo. Para atuar contra a ilegalidade, é fundamental que o poder público atue para, no mínimo, avaliar a legalidade da ocupação destas áreas, pois isso é roubo do patrimônio público”, diz Moutinho.

A pesquisadora Claudia Azevedo-Ramos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que liderou o estudo, destaca o papel dessas florestas. “É preciso destinar essas florestas para fins de proteção e uso sustentável. Preservar esses ecossistemas significa respeitar os direitos das populações tradicionais e indígenas, que muitas vezes são expulsos pelos grileiros, além de manter a chuva e o clima estáveis, fundamentais para a produção agrícola na Amazônia.”

A despeito de a legislação brasileira definir categorias potenciais de destinação para as florestas públicas, e resguardar essas áreas como domínio público, os autores destacam que, desde 2019, todos os programas de designação dessas áreas foram desmontadas pelos governos federal e estaduais. “Estas florestas pertencem aos brasileiros. Aos governos, cabe protegê-las e garantir que não sejam entregues à especulação e à usurpação de seus recursos naturais. Preservar as florestas públicas é garantir que a Amazônia mantenha suas funções climáticas e socioambientais, com benefícios para todo o planeta”, explica Azevedo-Ramos.

Foto: Ibama/arquivo

Novo podcast reflete sobre a relação do homem com o meio ambiente e aproxima os ouvintes de questões da natureza

A quarentena forçada pela crise do novo coronavírus fez com que a sociedade parasse em vários sentidos e a fez refletir sobre inúmeras questões relevantes para a qualidade da vida humana, como a do meio ambiente, uma das principais. Neste cenário nasce o RECONECTA, podcast com apresentação do jornalista, fotógrafo, documentarista e diretor da Bambalaio, Rafael Duarte foto). O programa estreia na próxima sexta-feira, 12 de junho, nos principais agregadores de podcasts e é um espaço de reflexão sobre o futuro próximo do planeta, a forma como as pessoas viverão quando a crise acabar, seus hábitos e ações determinantes para a conservação do meio ambiente, que está diretamente ligado ao bem-estar do ser humano.

A primeira temporada do RECONECTA terá 10 episódios e contará com a participação de pensadores, cientistas e comunicadores que trarão reflexões sobre a conexão entre o ser humano e o seu ambiente natural. O podcast vai contextualizar as questões ambientais dos pontos de vista da nossa sociedade e irá propor caminhos para uma vida de melhor qualidade em um planeta, possivelmente, mais saudável, durável e sustentável.

“Estamos passando por um momento histórico. A humanidade vive uma fase crucial e 2020 é um ano crítico para o planeta. Temos apenas uma década para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A questão ambiental deve se tornar prioridade na pauta internacional para que a gente resolva, enquanto serem humanos, os problemas que nós mesmos criamos e assim restabelecermos um meio ambiente saudável para nós e para as demais espécies”, analisa Duarte. “A sociedade precisa ter mais informações para refletir sobre seu papel no planeta e agir para tornar a sua própria casa um lugar mais durável e sustentável”.

O programa de estreia terá a participação do pensador e líder indígena Ailton Krenak, que fala sobre a conexão do homem e a natureza. Já o segundo episódio, que também será disponibilizado em 12 de junho, conta com o climatologista Carlos Nobre, que debate sobre os desafios climáticos e os riscos que a Amazônia corre. Os demais programas serão lançados quinzenalmente, sempre às sextas-feiras, no Deezer, Spotify, Apple Podcasts, Google Podcast e demais agregadores.

RECONECTA tem produção da Bambalaio, com roteiro, apresentação e edição de Rafael Duarte, e finalização e distribuição da Half Deaf, produtora de podcasts da GMD. Para acompanhar as novidades do podcast, visite os perfis @reconectapodcast e @rafaelduartephotography no Instagram e o perfil @reconectacast no Twitter.

Foto: divulgação

Área desmatada na Amazônia a ser queimada em 2020 pode superar os 4,5 mil km²

Uma área desmatada de pelo menos 4.500 quilômetros quadrados na Amazônia, equivalente a três vezes o município de São Paulo, está pronta para queimar. Resultado da soma do que foi derrubado no ano passado e nos primeiros quatro meses desse ano, e ainda não queimado, essa vegetação no chão pode virar fumaça com a estação seca que começa em junho em mais uma temporada de fogo intensa como observamos em 2019. Se isso ocorrer, o número de internações por problemas respiratórios pode aumentar expressivamente, pressionando ainda mais o sistema de saúde da região, já duramente afetado pela covid-19.

O alerta foi dado nesta segunda-feira (8/6) em uma nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Pelos cálculos dos cientistas, se o ritmo acelerado de desmatamento continuar nos próximos meses, quase 9 mil kmpoderão virar cinzas, já que a época mais intensa de derrubada e queima se inicia agora, com a chegada do período seco na região.

“Coibir as queimadas e o desmatamento neste ano, além de uma ação de proteção ambiental, é também uma medida de saúde”, afirma o autor principal da nota, o pesquisador Paulo Moutinho, do Ipam. A preocupação reflete os dados do ano passado, quando os municípios que mais queimaram na Amazônia viram o ar ficar 53% mais poluído, em média, em relação a 2018. Moutinho ainda pondera que “uma não ação dos poderes públicos na prevenção do desmatamento e das queimadas poderá representar perdas de vidas humanas para além das previstas com a pandemia”. “Precaução é a palavra chave agora”, conclui.

Normalmente, anos assim cheios de fumaça levam centenas de pessoas para postos de saúde e hospitais da região. Se isso acontecer em 2020, elas encontrarão leitos ocupados por infectados pelo coronavírus.

“Durante a temporada de fogo, extensas áreas da Amazônia tem qualidade do ar pior que no centro da cidade de São Paulo devido às queimadas. Isso tem forte efeito na saúde, especialmente em crianças e idosos, que são as populações mais vulneráveis”, explicou o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, que colaborou com o trabalho. “Como a poluição das queimadas viaja por milhares de quilômetros, comunidades isoladas de índios respiram esta atmosfera insalubre, que é muito acima dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde.”

Quatro estados concentram 88% da área desmatada e não queimada: Pará (com 42%) dos 4,5 mil km², Mato Grosso (23%), Rondônia (13%) e Amazonas (10%). Olhando com mais cuidado, onze regiões são especialmente preocupantes. Elas devem ser consideradas como prioritárias para ações de comando e controle, especialmente aquelas planejadas pelo governo federal, assim como para o planejamento de atendimento à saúde pelos governos estaduais.

O fogo é o próximo passo no processo de conversão de uma floresta em outro uso da terra, como pasto, explica a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, que também assina a nota técnica. “Por isso, quando temos uma taxa de desmatamento alta na Amazônia, a relação com o aumento de focos de calor é direta. Foi o que vimos acontecer em 2019 e, infelizmente, se nada for feito, é o que deveremos ver em 2020, já que a derrubada continua num ritmo elevado.”

Foto: divulgação