Maus hábitos durante o isolamento social podem causar problemas sérios

Quem ainda não se adequou à nova rotina de ficar em casa por conta do isolamento social precisa rever desde já os próprios hábitos. “Sabemos que, nesse período, é muito comum desregular os cuidados com a alimentação, saúde mental, sono e ficar mais sedentário, mas é necessário agir, porque esse conjunto de maus hábitos pode interferir negativamente na saúde como um todo”, afirma a médica ginecologista doutora Ana Carolina Lúcio Pereira, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Conforme médicos de várias especialidades, diversos problemas podem acontecer quando os maus hábitos se tornam rotina no período de isolamento social.

Dormir pouco

O sono irregular pode acarretar envelhecimento precoce, acne, queda capilar, acúmulo de gordura, doenças cardiovasculares e piora no sistema imune.

O sono é uma parte importante dos cuidados com a saúde. Durante o sono, o corpo entra em um modo regenerativo e construtivo. “O ideal é entre sete a oito horas de sono e de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade”, diz a doutora Aline Lamaita, cirurgiã vascular e angiologista, membro do Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida.

Para o doutor Mário Farinazzo, membro titular da Socie dade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico voluntário no atendimento a casos suspeitos de Covid-19 no Hospital São Paulo, no caso do sono a qualidade é crucial para um descanso real. “Esse período, quando realmente satisfatório, é reparador e extremamente importante para o funcionamento do sistema imunológico”, justifica.

“É comum o aparecimento de problemas de pele e até mesmo a aceleração do envelhecimento por conta de problemas como a insônia ou má qualidade do sono”, observa o dermatologista Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Isso acontece porque é no momento do sono que as células são renovadas e os radicais livres eliminados”, acrescenta o doutor Mário Farinazzo.

“Assistir à televisão não é uma maneira eficiente de relaxar antes de dormir. Especialmente porque, frequentemente, o que estamos vendo nas notícias ou algo que pode nos causar insônia ou estresse, mesmo antes de dormir, quando estamos tentando desacelerar e relaxar”, diz a médica Ana Carolina Lúcio Pereira, da Febrasgo.

O que fazer? “Tente dormir fazendo algum tipo de leitura ou meditação, principalmente próximo ao horário convencional que você dormia antes do isolamento social”, diz o doutor Mário. Outros rituais que podem ajudar são tomar um banho, acender uma vela e usar produtos e hidratantes faciais com aromas calmantes, como lavanda e sândalo. “Aproveite também para cuidar da pele, faça massagens no seu rosto ao aplicar um creme. Use máscaras e durante o período de ação do produto, esqueça os dispositivos eletrônicos”, acrescenta o doutor Jardis Volpe.

Compulsão alimentar

O abuso de “junk foods” pode causar acúmulo de gordura, envelhecimento precoce, acne e aumento de oleosidade, trombose e problemas de circulação e no fígado, pois qualquer alimento que cause inflamação e liberação de radicais livres são danosos para o nosso corpo em geral e para a pele, de acordo com o cirurgião plástico Mário Farinazzo. “Os mais comuns são os carboidratos de menor valor glicêmico como açúcares, massas de farinha branca e alimentos com gordura saturada como as frituras”, afirma Farinazzo.

Com relação ao açúcar, às vezes ele vem escondido na lista de ingredientes com outros nomes: sacarose, frutose, glicose, maltodextrina, açúcar invertido, glucose ou xarope de milho, dextrose, maltose, açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, oligossacarídeos, xarope glucose-frutose e outros carboidratos simples. “Todos são açúcares e não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas ao dia”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora da Associação Brasileira de Nutrologia. “Ou seja, além de virar reserva (acúmulo de gordura), o açúcar excedente pode se ligar e degradar proteínas de sustentação da pele, em um processo conhecido como glicação. Isso acelera o surgimento de rugas e flacidez”, acrescenta a dermatologista Claudia Marçal, membro da SBD.

Os alimentos industrializados também devem ser evitados: “A questão é que quanto mais processado é o alimento, mais ele perde seu valor nutricional, perde vitaminas durante esse processamento e geralmente esses alimentos muito processados têm muitos aditivos, conservantes, esse tipo de coisa que não faz bem para saúde e aumenta o processo inflamatório no corpo”, afirma a doutora Aline Lamaita. O excesso de sódio também está na lista de ingredientes que podem piorar a circulação, então é recomendado tomar cuidado com esse sal escondido nos alimentos, principalmente os industrializados (até suco de caixinha tem).

Comer saudavelmente é uma das melhores maneiras de ajudar a sua saúde. “A alimentação possui um papel fundamental na manutenção e fortalecimento do organismo, pois é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas, inclusive as imunológicas”, afirma a nutróloga Marcella Garcez. A médica recomenda incluir na dieta alimentos com vitamina A (cenoura e abóbora), vitamina C (kiwi e laranja), vitamina B6 (aveia e banana), vitamina E (carnes e ovos), selênio (arroz integral e castanha do pará) e zinco (frango e grãos integrais). “Fuja dos doces, dos carboidratos e dos laticínios em excesso. Aposte nos grãos integrais”, orienta a dermatologista Claudia Marçal. “Quando já percebemos que o paciente tem um quadro de glicação, indicamos substâncias orais como Glycoxil, que tem ação antioxidante eficiente e impede a ligação desse açúcar excedente com as proteínas de sustentação da pele”, acrescenta. Alguns suplementos como Desmovit podem ser interessantes para “limpar” o fígado.

Estresse e ansiedade

Passar por estresse e ansiedade pode causar rugas, acne, queda capilar e acúmulo de gordura, pois o distanciamento social representa um desafio à saúde mental, pois isola as pessoas que podem se sentir solitárias quando separadas da família e dos amigos. Além disso, as incertezas com o futuro podem estar arruinando a saúde mental das pessoas. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Além disso, sabemos que hormônios como cortisol tem influência no acúmulo de gordura abdominal”, completa o médico.

Além disso, temos a queda de cabelo por estresse que é motivada por um evento traumático (por exemplo, morte de um ente querido ou divórcio) ou problemas emocionais mais constantes. “Estima-se que o aumento do cortisol (hormônio do estresse) por um longo período de tempo esteja especialmente envolvido nesse processo, uma vez que ele aumenta quadros de inflamação que dificultam o crescimento dos fios. Além de tratar a queda capilar, nesse caso é indicado também procurar ajuda psicológica para lidar melhor com o fator desencadeante do estresse”, afirma a dermatologista Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

As dicas para resolver esses problemas são simples. “Essa é uma boa hora também para entrar em contato consigo mesmo, fazer coisas que gosta, cuidar da aparência… Pratique meditação, mindfullness. Para quem está em casa fazendo home office, a cada 60 ou 90 minutos de trabalho, pare 15 minutos para respirar, tomar um café, ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de recuperação é extremamente importante para manejo de estresse”, afirma Aline Lamaita.

“Para quem está fazendo home office, durante o trabalho é normal e muito bom usar bastante o cérebro. Quanto mais problemas a resolver, melhor para os neurônios. Mas assim que ‘sair’ do trabalho, é necessário detox para esses neurônios”, aconselha a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. “Use esse tempo de sobra que estamos tendo durante a quarentena para coisas que você queria fazer antes e não conseguia ou não teve atitude de começar. Cozinhe, comece algum projeto, leia um livro, faça exercícios, brinque com seu filho. Procure criar objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez. “Nos casos em que isso causa queda capilar, indicamos a suplementação do Exsynutriment, um silício orgânico biodisponível que fortalece os fios, conjuntamente com um pool de vitaminas”, acrescenta a doutora Claudia.

Bebidas alcoólicas e água

O consumo de bebida alcoólica e a baixa ingestão de água podem resultar em envelhecimento precoce, ressecamento da pele, problemas no fígado e de circulação. “Entre outros problemas, o álcool desidrata, porque o organismo precisa de grande quantidade de água para metabolizá-lo, além de sobrecarregar o fígado, tudo o que não precisamos nesse momento. Se não houver água suficiente, o organismo vai buscá-la em órgãos periféricos, caso da pele, diminuindo o viço e colaborando para o ressecamento e a descamação”, afirma a doutora Marcella.

“O álcool aumenta a perda de água no corpo e causa desidratação da pele
(e dependendo da bebida, você terá que beber água demais para balancear
isso). Essa desidratação constante da pele a deixa mais suscetível aos agressores que causam envelhecimento”, diz o doutor Paolo. Além disso, a doutora Marcella lembra que é essencial que as quantidades adequadas de líquidos sejam ingeridas durante a quarentena, pois mudanças de estações climáticas podem causar ressecamento da pele e mucosas, além de propiciar alergias e estados gripais. “Quanto menor a ingestão de água, maior a viscosidade do sangue. Além disso, a desidratação favorece a queda da pressão arterial, ameaçando vários órgãos. O consumo adequado de água garante que o organismo seja irrigado e bem nutrido de sangue”, afirma a angiologista Aline Lamaita.

Para manter a hidratação da pele a melhor opção é sempre a água, mas existem outras bebidas saudáveis. “Variações de águas, como a água com gás, as águas saborizadas, a água de coco e os chás são ótimas pedidas. Sucos naturais e não coados, cafés e outros líquidos, desde que não adoçados com açúcar, também podem ser consumidos, mas com moderação”, indica Marcella.

Sedentarismo

Uma vida sedentária pode acarretar acúmulo de gordura, trombose e problemas de circulação, estando diretamente ligada a um risco maior de obesidade e outras comorbidades. “A atividade física é importante para manter o sistema imunológico em dia, pois quando nos exercitamos, temos uma produção maior de linfócitos que são as células de defesa para combater o vírus”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo.

Além de toda a preocupação com a saúde imunológica, outro ponto a ser analisado é a questão da relação entre sedentarismo e trombose. “Em um período de quarentena e isolamento social, a tendência é que as pessoas fiquem em casa, assistam mais TV, comam besteiras e tornem-se mais sedentárias”, explica a angiologista Aline Lamaita. “E aí mora o perigo, já que isso favorece o surgimento de trombose, uma condição que ocorre quando um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo, assim, a passagem do sangue. Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode até resultar em morte”, explica a médica.  

Para evitar, isso, de acordo com a doutora Beatriz Lassance, é importante manter-se ativo em casa, pois o exercício físico, quando praticado de forma regular traz uma série de benefícios para a saúde, inclusive para a pele. “A atividade física (incluindo exercícios aeróbicos, musculação e alongamentos) é importante em diversos aspectos”, justifica.

“Além disso, manter-se ativo traz benefícios na melhora da disposição, humor, perda de peso e saúde cardiovascular”, diz a médica ginecologista Ana Carolina Lúcio Pereira. Há vários aplicativos na internet que disponibilizam treinos funcionais para fazer em casa, mas você também pode abusar da criatividade. “Exercícios para bíceps, tríceps e ombros podem ser feitos com instrumentos como um recurso de carga, usando até saco de arroz e saco de feijão. Para o tronco dá para fazer abdominal e as pranchas isométricas para fortalecer o core, musculatura profunda do abdômen que atua de forma muito importante na estabilização do quadril e da lombar”, afirma o doutor Mário. “A parte aeróbica pode ser feita com polichinelo, corda, corrida estática ou então um degrau de escada simulando um estepe subindo e descendo. Para quem já faz com mais regularidade exercício pode pular corda, fazer flexão de braço, barra física, mergulho no banco e agachamento”, acrescenta o cirurgião. A recomendação é de pelo menos 30 minutos de exercício. Para crianças, o recomendado é que elas façam atividades mais leves, correndo, pulando e dançando, por pelo menos uma hora por dia de atividades, porque elas precisam se movimentar mais.

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Raiva fora de controle é sinal de alerta para a saúde e para as relações sociais, alerta neuropsicóloga

Em tempos de eleições presidenciais, a raiva, uma das seis emoções básicas de todos os seres humanos, vem afetando os relacionamentos sociais, pois aumenta a intolerância com pontos de vistas diferentes. Segundo a neuropsicóloga Thaís Quaranta, sentir raiva é normal. Mas, quando a emoção é constante e fica fora de controle, é um sinal de alerta.

“No dia a dia podemos sentir raiva em diversos momentos, o que é natural. Uma bronca do chefe, uma briga com o namorado, uma fechada no trânsito. Entretanto, se a raiva é constante e passa de uma irritação para uma fúria intensa, é preciso cuidado. Isso porque uma raiva mais intensa pode levar a pessoa a se envolver em brigas e agressões físicas, por exemplo. Além disso, nessas discussões sobre política, pode até mesmo acabar com amizades ou afetar o relacionamento familiar, quando há pontos de vistas diferentes sobre o assunto”, cita Thaís.

Engolir a raiva também faz mal

Se por um lado ter explosões de raiva e partir para violência física não são atitudes adequadas, reprimir esse sentimento também pode fazer mal à saúde. “A expressão das emoções é aprendida ao longo da vida. Há fatores que influenciam como cada pessoa lida com seus sentimentos, entre eles podemos citar a educação, a religião e a cultura”, ressalta Thaís.

“Há pessoas que aprenderam a reprimir a raiva porque foram ensinadas que se trata de um sentimento negativo. Assim, acabam não sabendo expressá-la de uma forma funcional. O que nem todo mundo sabe é que a raiva reprimida pode se transformar em vários outros sentimentos, como culpa, remorso, rejeição, frustração e até mesmo em doenças físicas e psiquiátricas”, diz a psicóloga.

A explicação, segundo Thaís, é que a raiva desperta processos fisiológicos no corpo que precisam de uma resposta final. “Quando sentimos raiva, há uma série de efeitos fisiológicos, como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e liberação de adrenalina e de noradrenalina, hormônios que dão energia e disposição. Em resumo, o corpo fica pronto para resolver a situação que gerou a raiva”.

“O organismo se prepara para o combate e espera voltar ao normal depois disso. Mas, uma pessoa que reprime a raiva, ou seja, que literalmente ‘engole o sapo’, priva o corpo de voltar à sua normalidade, ou seja, de encerrar esses processos desencadeados pela raiva. Com o tempo, se isso for constante, é possível que essa pessoa desenvolva o estresse crônico, por exemplo”, comenta Thaís.

E sabe-se que o estresse crônico pode levar ao enfraquecimento do sistema imunológico, aumenta o risco cardiovascular, assim como é um fator de risco bem conhecido da depressão e da ansiedade.

Como lidar com a raiva

Nem engolir sapos, nem soltar os cachorros. Segundo a neuropsicóloga, há maneiras mais construtivas de gerenciar a raiva. Veja abaixo algumas dicas:

– Sentir raiva é normal: Se você aprendeu quando criança que só pessoas ruins sentem raiva ou que ela é negativa, livre-se já desta crença! Sentir raiva é normal, permita-se viver essa emoção, mas de uma maneira saudável.

– Identifique a origem da raiva: A raiva nem sempre está ligada a fatores externos. De onde vem a sua raiva? Do que você sente raiva? Em que situações ela acontece com maior frequência?

– Não faça nada com raiva: A raiva inibe o controle dos impulsos. Isso significa que no auge da sua irritação, você pode tomar atitudes que você não tomaria no seu estado normal. Isso não quer dizer que você deve reprimi-la. Procure se acalmar para então resolver a situação.

– Fale sobre a raiva: Falar sempre é uma boa ideia. Quando você estiver mais calmo (a), converse com alguém e expresse o que você sentiu naquela situação, porque sentiu raiva e pense em alternativas para solucionar a questão. Uma dica: não espere semanas ou meses para fazer isso. Basta estar mais calmo e não no ápice da ira.

– Você é humano(a): Trabalhar, cuidar dos filhos, da casa, das compras, dos familiares, estudar. Enfim, a rotina diária pode ser muito pesada para algumas pessoas e o estresse é o melhor amigo da raiva, quando não é bem gerenciado. Peça ajuda, divida as tarefas da casa e, principalmente, dedique um tempo do dia para cuidar de você ou para fazer algo que você gosta. Isso ajuda a diminuir o estresse e o risco de ter uma explosão de raiva.

– Ache soluções: Você sente raiva de forma recorrente? Está sempre de mal com a vida? Tome uma atitude! A raiva não vai resolver seus problemas, pode até piorá-los. O que vai realmente ajudar é pensar em soluções, alternativas para as questões que fazem você sentir raiva.

– Que tal um psicólogo? Você já tentou de tudo e nada resolveu? Procure um psicólogo. Principalmente se você se envolve em brigas físicas e se a raiva está comprometendo sua vida social, familiar e profissional.

A raiva é um sentimento, a agressão é um comportamento. Assim, é possível trabalhar a emoção para que a resposta à raiva seja diferente por meio da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).

“Trata-se de uma abordagem da psicologia que parte do princípio de que um pensamento gera um sentimento que gera uma ação. Assim, a TCC atua para modificar os padrões de pensamento que levam às emoções, modificando assim o comportamento”, encerra Thaís.

Foto: reprodução da internet