Cirurgia robótica e videolaparoscopia ganham espaço na urologia

Os avanços tecnológicos em saúde têm trazido importantes benefícios e mais qualidade de vida aos pacientes. No caso da urologia, destacam-se melhorias no campo cirúrgico, tais como as cirurgias robóticas e videolaparoscopias, ambas consideradas minimamente invasivas e com menos efeitos colaterais e sequelas associadas. O urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo, explica que os procedimentos são indicados para o tratamento de diversas alterações, entre elas, os cânceres de próstata, rins e cálculos urinários.

“Hoje, em Manaus, não dispomos de cirurgia robótica nas unidades de saúde. Porém, nos antecipamos na Urocentro, por sabermos dos benefícios desses procedimentos, e celebramos parcerias com unidades de referência em São Paulo e no Rio de Janeiro, que dispõem dessa tecnologia. Além disso, passamos por treinamentos na área, agregando valor às terapias ofertadas hoje no mercado local”, frisou.

De acordo com ele, além de ser mais rápida, a cirurgia robótica é feita através de pequenas incisões e, sendo assim, apresenta menos risco de sangramento durante o procedimento e também no pós-cirúrgico. “A recuperação é mais rápida e as chances de sequelas são menores”, afirmou.


O especialista deu como exemplo as modalidades voltadas para o tratamento das neoplasias malignas de próstata, consideradas as mais incidentes na população masculina do Amazonas, com previsão de 580 casos/ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde.

“O robô, que é guiado por um médico, que fica em uma cabine dentro do centro cirúrgico. O equipamento tem uma precisão maior na hora da extração do tumor. Por isso, os riscos de se desenvolver incontinência urinária e disfunção erétil pós-cirurgia, são reduzidos, já que as pinças são mais direcionadas, ocasionando menos dano tecidual”, explicou Figliuolo.

Para procedimentos que implicam na ressecção de tecidos maiores, o procedimento também pode ser aplicado. “No caso do câncer renal, a nefrectomia radical, ou seja, a retirada total de um dos rins, também é possível através da tecnologia robótica. Outra modalidade bastante utilizada é a vídeolaparoscopia, que utiliza pinças e pequenas incisões, com a vantagem de ter uma recuperação mais rápida. Em pouco tempo, o paciente retorna às suas atividades cotidianas, sem prejuízos maiores”, assegurou.

De acordo com Giuseppe Figliuolo, ambos os procedimentos só são indicados após uma análise minuciosa, que inclui exames de imagem, avaliação médica, exames complementares laboratoriais, entre outros.

“É importante frisar que todos os procedimentos, cirúrgicos ou não, vão depender do estadiamento da doença. Ou seja: da extensão que ela apresenta. Quando mais cedo as alterações são detectadas, maiores as chances de cura e de procedimentos menos invasivos. Por isso, destacamos sempre a necessidade das avaliações anuais, que buscam investigar problemas assintomáticos, que se desenvolvem de forma lenta e que só são evidenciados, geralmente, quando o paciente passa a sentir dor, nas fases intermediária ou avançada”, reforçou o especialista, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e tem mais de 20 anos de experiência na área.

Foto: divulgação

Represas andinas planejadas para Peru e Bolívia ameaçam ecossistema fluvial da Amazônia

Seis hidrelétricas planejadas para serem construídas nos maiores rios saindo das montanhas andinas no Peru e na Bolívia são consideradas a maior ameaça ao ecossistema fluvial amazônico. A conclusão é do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o biólogo com doutorado em ecologia Bruce Forsberg. O assunto foi debatido na estreia dos Seminários da Amazônia, que retornaram com nova roupagem após seis anos.

As montanhas andinas são fonte da maior parte de nutrientes e sedimentos que banham as várzeas dos rios da Amazônia, chegando até o final onde são depositados numa área chamada de delta, no final do rio Amazonas, desembocando no mar. Essas barragens novas ameaçam cortar esse fluxo.

Das seis hidrelétricas, quatro serão construídas no Peru (TAM 40, no rio Ucayali; Pongo de Aguirre, no Rio Huallaga; Pongo de Manseriche, no rio Maranon, e Inambari, no rio Inambari) e duas na Bolívia (Agosto Del Bala, no rio Beni; e Rositas, no rio Grande). Juntas devem produzir 10.000 megawatts e a maioria será construída em parceria com Brasil.

Impactos

De acordo com Forsberg, os impactos ambientais dessas hidrelétricas serão muito maiores no Brasil do que no Peru e Bolívia. “Esses reservatórios vão barrar o fluxo dos sedimentos e nutrientes Andinos, que sustentam a produção pesqueira e agrícola das várzeas, que alimenta nossos ribeirinhos”, afirmou Forsberg, que é especialista em ecossistemas fluviais.

Além da redução de quase 70% no fluxo de sedimentos e nutrientes que abastecem os rios da região e o delta do rio Amazonas, o pulso de inundação (subida e descida do nível do rio) será diminuído, causando impacto sobre a flora das várzeas e sobre os peixes que dependem dessa flora para sua alimentação e reprodução.

Outro impacto importante é sobre o mercúrio nos rios, com contaminação prevista acima e abaixo das novas barragens, especialmente no peixe que será consumido pelas populações nessas regiões. O mercúrio é um metal tóxico e pode trazer problemas de saúde quando encontrado em concentrações muito altas no organismo, comprometendo o sistema neurológico, podendo causar tremores nas mãos e dificuldade motora, causando até a morte em casos extremos.

Metilmercúrio

Segundo Forsberg, o mercúrio está presente naturalmente nos rios da Amazônia, que tem solos ricos com esse metal, porém está presente principalmente na forma inorgânica, apresentando pouco risco para os seres humanos. O garimpo de ouro também contribui para o mercúrio nos rios, mas não é a fonte predominante.

O mercúrio só apresenta riscos à saúde humana quando é transformado na forma orgânica, Metilmercúrio. Isso aconteça nos reservatórios quando a floresta da terra firme é alagada e entra em decomposição, tirando o oxigênio da água e promovendo a transformação do mercúrio inorgânico em metilmercúrio. “Uma vez formado, o metilmercúrio acumula na cadeia alimentar, contaminando o peixe e o povo que come esse peixe. Esse impacto é sentido tanto no reservatório quanto no rio à jusante”, explicou o pesquisador.

Esse problema foi verificado no reservatório de Balbina, em Presidente Figueiredo-AM, fechado em 1988. Durante os primeiros dez anos, os níveis de mercúrio no tucunaré e nos cabelos de mulheres que consumiam esse peixe aumentaram muito. O nível em cabelos chegou a um valor considerado perigoso para mulher grávida (7,5 partes por milhão – ppm), depois começou a cair (5 ppm, hoje), mas ainda não voltou ao nível original A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um valor máximo de 6 ppm de mercúrio em cabelos das mulheres lactantes.

As usinas hidrelétricas também vão aumentar as emissões regionais de gases de efeito estufa (CO2 e metano), que são contabilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e outras organizações globais.

Enfrentamento

Para enfrentar a situação, Forsberg sugere que os pesquisadores trabalhem em conjunto, de forma transdisciplinar, em colaborações transnacionais, envolvendo parceiros governamentais e não governamentais de todos os países envolvidos.

“Se queremos ter impacto, não adianta só fazermos nossas pesquisas, teses, artigos. Temos de levar essas informações para os governantes, para a sociedade, para criar consciência e ações efetivas sobre esses problemas”, disse Forsberg. “E vamos começar a falar sobre alternativas, outras matrizes, como a solar, que está com o custo por megawatt já quase chegando ao mesmo patamar do megawatt produzido por hidrelétrica”, ressaltou o pesquisador.

Segundo Forsberg, os projetos das hidrelétricas estão parados, especialmente por problemas de corrupção, mas a qualquer momento os governos e construtoras podem retomar os planos. O motivo é que os reservatórios estão previstos para serem construídos em “gargantas profundas”, em montanha com rio grande passando, que dá garantia de grande produção energética, porém com significativos impactos socioambientais que não foram levados em consideração.

Seminários

Realizado de 1976 a 2013, os Seminários da Amazônia voltam com a proposta de discutir temas de ponta da pesquisa científica do mundo e da Amazônia, com temas provocativos e que estimulam a discussão e o aprendizado.

Agora o tradicional evento científico do Inpa acontece quinzenalmente às quintas-feiras, às 15h, no Auditório da Biblioteca, na avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus. É gratuito e aberto à comunidade. A 2ª edição será no dia 25 de abril com o também palestrante da casa, o pesquisador Charles Clement, que falará sobre “Dez mil anos de domesticação da Amazônia”.

Promovido pela Coordenação de Extensão, os Seminários da Amazônia tem na liderança da Comissão Organizadora as pesquisadoras Rita Mesquita e Cristina Cox Fernandes.

Saiba mais

Artigo científico publicado na Plos One sobre o mesmo assunto da palestrado Dr. Bruce Forsberg pode ser acessado clicando aqui.

Foto: Cimone Barros/Inpa


Estudo do Ipea destaca a relevância do programa de defesa da Amazônia Azul

O atraso na implementação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) pode acarretar importantes efeitos ne­gativos não só para a segurança marítima brasileira, mas também para o desenvolvimento científico-tecnológico do país. É o que aponta estudo recém-lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Programa, iniciado em 2009, passa por uma fase de reformulação desde 2015, decorrente da restrição orçamentária vigente no país.

O trabalho Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul: Soberania, Vigilância e Defesa das Águas Jurisdicionais Brasileiras, coordenado pelo técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Israel Oliveira Andrade, ressalta que a extensão da Amazônia Azul – que compreende todo litoral do país e as águas jurisdicionais brasileiras – constitui, por si só, um desafio para a defesa nacional.

Para proteger este espaço marítimo, a Marinha do Brasil tem desenvolvido programas estratégicos, entre eles o SisGAAz, relevante pelas parcerias entre empresas nacionais e estrangeiras que envolvem a transferência de tecnologia e cujo objetivo é desenvolver continuamente sistemas de monitoramento e controle. Neste programa, está previsto também o uso de satélites, radares e equipamentos de sensoriamento por meio da integração de redes de informação e de apoio à decisão.

“Trata-se de ferramenta com alta densidade tecnológica que permite resposta rápida no caso de ameaças, inclusive de tragédias ambientais. Por se tratar de um sistema adaptável e configurável, o SisGAAz beneficia-se dos conceitos de integração de sistemas e interoperabilidade. Pode também contribuir para o aperfeiçoamento do monitoramento aéreo e ambiental, permitir a cooperação com outras instituições do Estado como o Ibama, no combate a ilícitos ambientais, e com a Polícia Federal e Receita Federal, no combate ao tráfico de drogas e contrabando de armas, por exemplo”, explicou Andrade, autor da pesquisa, que teve como coautores Antônio Jorge Ramalho da Rocha e Luiz Gustavo Aversa Franco.

O estudo do Ipea enfatiza que o SisGAAz deve figurar entre as prioridades governamentais por razões econômicas, de soberania e defesa nacional. E manifesta preocupação quanto à contratação de empresas estrangeiras. “Alguns aspectos do programa, como a possível utilização de satélites e o de­senvolvimento de softwares para obtenção de dados, ressaltam a importância do nível de nacionalização das empresas envolvidas. Nesse sentido, a contratação de empresas estrangeiras geraria uma vulnerabilidade, dada a perda de autonomia decorrente da ausência de controle sobre a informação produzida, tornando preferível o uso de recur­sos nacionais”, explicam os pesquisadores.

A Amazônia Azul equivale a mais da metade do território nacional e nela se encontram recursos naturais consideravelmente importantes – cerca de 95% do petróleo e 80% do gás natural produzido pelo país. É, também, rota importante para o comércio marítimo. Por essa área passam aproximadamente 95% da importação e exportação do Brasil, além de linhas de comunicação fundamentais. Há ainda grande concentração populacional nas águas jurisdicionais e forte presença de infraestrutura produtiva brasileira nas regi­ões litorâneas.

Foto: Agência Pará

Cheia do rio Negro este ano deve atingir entre 28,74 e 29,34 metros, segundo previsão do Inpa

A cheia do rio Negro para este ano, em Manaus, deverá alcançar um nível de 29,04 metros com uma margem de erro de 30 centímetros para cima ou para baixo (28,74 a 29,34 metros). A informação tem como base o modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro desenvolvido pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Jochen Schöngart, do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA). Pelo modelo, este ano haverá uma cheia que potencialmente causará problemas na cidade de Manaus e nas zonas rurais da região.

De acordo com o pesquisador, o modelo de previsão é uma ferramenta importante para se fazer previsões e evitar possíveis desastres com antecedência de três meses do pico da cheia, normalmente ocorrendo no mês de junho na região da Amazônia Central. “Isto permite que as autoridades tomem providências em casos de cheias severas previstas, tanto na zona urbana quanto na zona rural do Estado”, diz Schöngart.

A partir de 2012, Schöngart adotou uma nova metodologia que integra mais parâmetros independentes para fazer uma nova modelagem e mais “robustas estatisticamente”, reduzindo o erro médio da previsão para 30 centímetros para cima e para baixo. O pesquisador explica também que a nova modelagem de previsão de cheias utiliza uma série temporal longa de dados disponíveis a partir de 1951 até 1990, que foram utilizados para fazer a calibração do modelo, além de dados de 1991 até os dias de hoje para fazer a validação e testar se o modelo é capaz de prever cheias com antecedência de mais de três meses.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, o rio Negro, até o dia 15/03, estava com 1,30 metros acima do nível na mesma data marcando 25,81 metros. Porém, em comparação com os meses anteriores o rio encheu pouco neste mês de março, passando por um fenômeno chamado de repiquete nos últimos dias, que é a estagnação do nível das águas até uma pequena descida.

“Este fenômeno é acentuado em anos de El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial na região central-leste. Este ano, as anomalias de temperaturas das águas superficiais indicam a evolução de um El Niño fraco que geralmente afeta as cabeceiras das regiões do norte, central e leste da Bacia Amazônica”, explica Schöngart.

Pelo monitoramento das sub-bacias, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), os rios Negro e Branco possuem níveis da água abaixo das médias observados neste período, mas os rios Solimões e Madeira possuem níveis expressivamente altas para este período do ano. O Negro na região de Manaus atinge seu nível máximo geralmente na segunda quinzena de junho.

O pesquisador lembra que no Porto de Manaus há um registro excepcional de medições do nível da água que começaram em setembro de 1902. Trata-se de uma série histórica longa que abrange mais de 116 anos. Depois de uma série de cheias extremas, o modelo prevê novamente uma cheia acentuada acima da média das enchentes históricas.

Jochen Schöngart, pesquisador do Inpa: modelo de previsão pode evitar possíveis desastres

Tendência

Segundo Schöngart, tem-se observado nos últimos 30 anos a tendência de aumento de cheias que resultaram nas duas maiores cheias no registro de 2009 (29,77 metros) e 2012 (29,97 metros). Com as cheias nos anos subsequentes de 2013 (29,50 metros), 2014 (29,33 metros), 2015 (29,66 metros) e 2017 (29,00 metros) a região passou por seis cheias extremas durante os últimos dez anos. No período antes da década de 1970 somente nos anos de 1953, 1922 e 1909 foram registradas cheias severas passando o nível crítico de 29 metros. “Este aumento da frequência e magnitude de eventos extremos das cheias é resultado de uma intensificação das Células de Walker”, explica o pesquisador Schongart.

Esse sistema influencia padrões climáticos e pluviométricos principalmente em regiões tropicais movido pelas diferenças de temperaturas e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais, particularmente os oceanos Pacífico e Atlântico e como eles interagem. Devido ao forte aquecimento do oceano Atlântico e ao resfriamento do Pacífico no mesmo período a convecção e precipitação intensificou na Amazônia, principalmente nas regiões central e norte da bacia. O Pacífico mudou recentemente de uma fase fria para uma fase quente, porém a tendência de aquecimento do Atlântico tropical deverá continuar nos próximos anos.

“Sabe-se também que oscilações multidecadais (oscilações de baixa frequência que não mudam ano por ano e sim ao longo de décadas) também têm fortes influências no regime, como, por exemplo, a Oscilação Multidecadal do Atlântico que tem mais influência nas secas e a Oscilação Decadal do Pacífico que tem influência no regime de cheias.

A hidrologia da Amazônia é complexa pelas dimensões da maior hidrobacia do mundo com quase 20% da descarga de água doce para os oceanos. Os três grandes oceanos influenciam a convecção e precipitação na Amazônia pela variação ano por ano da temperatura nas superfícies, mas também pelas oscilações de baixa frequência ao longo de décadas. “Isto mostra a complexidade da hidrologia na Amazônia e a necessidade de sofisticar os modelos de previsão conforme que o nosso conhecimento sobre os fatores que influenciam a Amazônia e os mecanismos por trás disso avança”, destacou Schöngart.

Foto principal: Brasil.gov

Foto interna: Cimone Barros/Inpa

Inpa vai realizar em parceria maior soltura de peixes-bois da Amazônia no final de semana

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos no próximo fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri e a 173 quilômetros de Manaus. Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história. A ação, que inicia dia 22 e vai até dia 25 de março, é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, explica o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.

A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas.

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo, e acrescenta que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada de sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã de sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).

Foto: Luciete Pedrosa/acervo Inpa

Startup desenvolve aplicativo para contenção do desperdício de água

Agência Sebrae de Notícias

Embora seja naturalmente renovável, a água potável do planeta é um recurso finito. O brasileiro consome de forma direta, em média, 154 litros de água diariamente – 44 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para resolver esse problema, uma startup do Rio Grande do Sul está desenvolvendo um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água em imóveis. A iniciativa busca assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis, conforme prevê o 12º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, de quem o Sebrae é parceiro no fomento aos negócios de impacto social e ambiental desde 2015.

A Aldiwa – Sistema de Controle Sustentável surgiu como um projeto acadêmico de Alan Henkel, Diego Mergener e Wagner Kuhn, do curso de Design da Universidade Feevale (RS). Eles buscaram rever o desperdício de água por meio do controle consciente do uso em imóveis. “Na época, não sabíamos se o projeto era aplicável, mas agregamos um programador à equipe para viabilizarmos comercialmente”, conta Wagner Kuhn. Hoje, já formados, os jovens seguem no desenvolvimento do aplicativo que irá fornecer, ao usuário final consulta ao consumo de água em tempo real, alertas preventivos de vazamento e consumo, bem como o desligamento remoto do fornecimento, com o objetivo de economizar dinheiro e os recursos hídricos do planeta.

Atualmente, a Aldiwa está em fase de implantação, testes e viabilidade para utilização em outros equipamentos de hardware. A startup é do Rio Grande do Sul, mas espera entrar no mercado nacional, atendendo de forma compatível os mais diversos equipamentos de automação do consumo de água existentes. As negociações mais avançadas para implementação da ferramenta são de fora do estado gaúcho.

Não deve demorar para que moradores, síndicos e administradoras de grandes centros habitacionais, como prédios e condomínios, possam controlar os gastos excessivos de água. O app estará em fase de testes até o final de março e a previsão é de no 2º semestre de 2019 o piloto entre em operação em dois locais. “Nossa expectativa é facilitar a vida das pessoas e, acima de tudo, conscientiza-las quanto ao correto uso da água. Ninguém faz ideia de quanto consome em seus banhos, lavando louça e roupas, mas quando se depararem com essa informação em litros, vão se impressionar e, a partir daí, tomar providências para economizar, reeducando os seus usos”, finaliza Wagner.

Foto: reprodução

Livro do AmazonFACE explica riscos das mudanças climáticas para a Floresta Amazônica

“O maior risco que essa floresta corre é a falta de conhecimento sobre ela”. A afirmação é do pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente do comitê científico do Programa AmazonFACE, David Lapola, durante lançamento do livro “Floresta em risco – as mudanças climáticas destruirão a Floresta Amazônica?”, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A obra do AmazonFACE (Free Air CO2 Enrichiment, sigla em inglês para Enriquecimento por gás carbônico ao ar livre) foi escrita por Lapola e pelo jornalista norte-americano Daniel Grossman, com fotos de João Marcos Rosa e ilustrações de Rogério Lupo. O AmazonFACE é um Programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) executado pelo Inpa, que busca entender como o funcionamento da floresta amazônica, a maior floresta tropical do mundo, vai responder ao aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa na atmosfera.

“É isso [falta de conhecimento] que assola essa floresta, em vista da mudança do clima; é a gente não saber, ter pouca evidência, pouco estudo e ciência em relação à como a floresta amazônica vai se comportar com relação às mudanças climáticas”, disse Lapola, que é ecólogo com doutorado em modelagem do Sistema Terrestre.

Com uma linguagem acessível ao grande público, a obra explica o problema das mudanças climáticas globais, e detalha a abordagem científica do programa AmazonFACE, sua justificativa, métodos e perguntas científicas. O programa é realizado na Estação Experimental de Silvicultura Tropical ZF-2 do Inpa, 50 quilômetros ao norte de Manaus, na rodovia BR-174 (Manaus/AM-Boa Vista/RR).

Para o jornalista americano, o grande desafio na produção do livro foi trazer o conhecimento relacionado ao AmazonFACE e seu desenho experimental, de uma maneira simples para o para o publico. “Isso demandou muita reflexão sobre o texto do livro. Por exemplo: o experimento não vai simular exatamente como será o futuro, vai simular apenas um aspecto que é a mudança de concentração de gás carbônico na atmosfera, e em cima disso o pessoal do AmazonFACE vai incorporar outras informações de como o clima responde em diferentes processos ecológicos da floresta”, explicou Grossman.

A ideia do livro nasceu de uma conversa comum técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com a equipe do programa, dentro de caminhonete no retorno da visita ao sítio experimental. Na ocasião o técnico sugeriu ao programa investir na divulgação daquele conhecimento para o grande público. A equipe abraçou a ideia e foram produzidos um vídeo sobre o projeto, esse livro publicado agora, e a exposição “Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência”, que ficou cinco meses em cartaz, no Paiol da Cultura do Inpa. A proposta é levar a exposição para outras cidades do país, como Campinas (SP) e Brasília (DF).

A obra de 64 páginas teve uma primeira tiragem de 500 exemplares, com distribuição gratuita de 20% durante o lançamento no dia 6 fevereiro para aqueles que se inscreveram. O restante será distribuído para universidades e algumas escolas de ensino médio da região amazônica. A versão e-book do livro está disponível no site do programa AmazonFACE.

Savanização

Este ano a hipótese de savanização da Amazônia completará 20 anos. Ela foi
uma das justificativas para a existência do AmazonFACE. Para Lapola, a possibilidade de a floresta amazônica perder 50%, 60% ou até 80% de sua área por causa de mudanças do clima deveria estar deixando os governos dos países amazônicos “de cabelo em pé”, mas não está principalmente por causa das incertezas científicas relacionadas ao possível efeito de fertilização por CO2.

“Então, a floresta está em risco? Está sim, vinte anos se passaram e até hoje o nosso nível de certeza em relação a essa hipótese ainda está ‘no ar’. Por isso destaco a questão das incertezas cientificas, pois quanto mais estudos tivermos, mais vamos reduzir essas incertezas sobre o futuro, e caso um futuro ruim estiver nos aguardando lá na frente, se tivermos um bom nível de conhecimento agora, conseguiremos preparar a sociedade para esse futuro”, alertou o pesquisador.

AmazonFACE

Atualmente o programa tem seu foco em experimentos feitos em arvoretas do sub-bosque da floresta (plantas pequenas de até três metros de altura) em câmeras de topo aberto (uma estrutura metálica com revestimento de polipropileno) de 2,4 metros de diâmetro e 3 metros de altura, que são um passo intermediário para o experimento do tipo “FACE” com árvores adultas, na escala do ecossistema.

A proposta central do programa é construir um aparato experimental de enriquecimento por CO2 ao ar livre, que vai aspergir CO2 na floresta madura por dez anos, por meio de pulverizadores que estarão pendurados em 16 torres de 35 metros de altura, uniformemente espaçadas ao redor do perímetro de cada parcela florestal, para saber como ela reage. Para essa infraestrutura do experimento são necessários pelo menos R$ 6 milhões.

Carlos Alberto Quesada, pesquisador do Inpa e gerente do AmazonFACE: clima mais seco resultará em impactos socioeconômicos muito grandes

Nos últimos 30 a 40 anos, a temperatura média na Amazônia aumentou em média 0.7°C, um impacto relevante grande. Pelas projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Amazônia terá um aumento na temperatura de 2°C a 6°C até 2100, um cenário que requer preocupação agora e exige melhores previsões do que pode acontecer, segundo os cientistas.

“Isso vai influenciar a floresta, talvez leve a uma grande mortalidade da floresta. Com o clima mais seco e tudo isso podemos ter perda de floresta, impactos na agricultura, na saúde das pessoas, na geração de energia, impactos socioeconômicos muito grandes”, disse o gerente executivo do AmazonFACE, o pesquisador do Inpa Carlos Alberto Quesada.

O mesmo gás que aumenta a temperatura, o CO2, é a base da fotossíntese. Então, o experimento AmazonFACE busca saber se esse gás, que é o substrato para o funcionamento da floresta, se não vai ter um “lado bom também”, que seria tornar a floresta mais resistente a secas, ajudá-la a crescer mais, ou se a “retenção de água nas plantas diminuiria a evapotranspiração, desacelerando o motor hidrológico de reciclagem das chuvas amazônicas, o que acabaria por realimentar a estiagem”. Se encontrar esse “lado bom”, isso daria uma salvaguarda para todos, dando tempo maior de preparação para lidar com as mudanças e os seus impactos.

“A gente quer fazer um experimento no campo em que simule o aumento numa concentração de CO2 na atmosfera que é prevista para ser alcançada com as emissões de gases de efeito estufa pela humanidade entre 2050 e 2100”, explica Quesada. “Isso vai nos ajudar a tentar entender hoje o impacto que mudanças do clima e a elevação de CO2 terá na floresta do amanhã. Aí a gente vai começar a poder se preparar para evitar o impactos socioeconômicos, ter políticas públicas e tentar reverter esses impactos”, completou.

Financiamento e Apoio

Iniciado em 2011, o AmazonFACE envolve diretamente cerca de 50 pesquisadores, bolsistas e estudantes de várias instituições brasileiras e do exterior, mas o número dobra se contadas todas as colaborações mais pontuais. Até o momento o programa já obteve cerca de R$ 7 milhões, incluindo a primeira fase e o início desta fase 1.5, intermediária entre o início do experimento de larga-escala.

Até o momento o programa já recebeu financiamento do MCTIC, BID, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) e Instituto Serrapilheira.

Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

Tempestades de vento intensificam a degradação de florestas na Amazônia

As tempestades de vento são distúrbios que ocorrem naturalmente na Amazônia, porém podem amplificar os impactos na floresta do desmatamento e o fogo. Um artigo científico publicado na revista “Journal of Ecology”, com autoria de cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explora as sinergias entre a derrubada de florestas, fogo e tempestade de vento como causas da degradação na Amazônia. As áreas mais fragmentadas e as já atingidas previamente por fogo são as que mais sofrem com os efeitos das tempestades de vento.

O estudo quantificou as respostas da vegetação a uma tempestade de alta intensidade que durou cerca de 30 minutos e ocorreu no sul da Amazônia em um experimento de fogo em grande escala em 2012. Os dados coletados antes e após a tempestade indicaram que os danos foram maiores para grandes árvores, em áreas perto da borda da floresta, e em áreas queimadas em anos anteriores.

A área experimental fica na Fazenda Tanguro, em Mato Grosso, onde o Ipam  desenvolve o Projeto Tanguro, e consiste em três parcelas de 50 hectares estabelecidas em 2004, sendo uma que nunca foi queimada (mantida como controle), uma queimada anualmente e outra queimada em intervalos de três anos. Os resultados mostraram que a tempestade de vento podou, quebrou e arrancou árvores. Nas parcelas queimadas anualmente, 13% das árvores foram danificadas; na queimada a cada três anos foram 17% e, na parcela de controle, apenas 8%.

Quatro anos após a tempestade de vento, cerca de 85% das árvores atingidas pelo vento nas áreas queimadas e 57% na parcela controle morreram. Outro estudo, publicado em 2018 com participação de um pesquisador do Ipam, mostrou um aumento na taxa de mortalidade de árvores em florestas tropicais de diversas partes do mundo devido ao aumento da temperatura, secas longas e piores, ventos mais fortes, entre outros fatores.

O pesquisador do Ipam Divino Silvério, que liderou o trabalho, explica que os resultados são importantes por mostrarem alguns dos processos que levam à grande mortalidade de árvores nas florestas atingidas pelo fogo, mesmo vários anos após a ocorrência dos incêndios. “O fogo torna os troncos mais frágeis e mais fáceis de ser quebrados pelo vento”, afirma Silvério. Ao mesmo tempo, prossegue, a passagem do fogo reduz a densidade das árvores e a camada de raízes no solo que dá sustentação aos troncos. Esses processos tornam as árvores remanescentes muito mais expostas aos ventos. “Mesmo ventos não tão intensos já são suficientes para causar o tombamento das árvores”, afirma o cientista.

Silvério diz também que o fogo tende a matar preferencialmente as árvores menores, deixando para trás as árvores maiores – justamente as que ficam mais expostas aos ventos intensos. Uma vez que a maior parte do carbono das florestas está estocado nas árvores grandes, e que estas são atingidas preferencialmente pelos ventos fortes, grande quantidade da biomassa estocada nas florestas é perdida neste processo.

Tudo indica que as alterações climáticas em curso aumentem a frequência e a intensidade de tempestades de vento, assim, a interação deste fator com outros processos de degradação causados pelo homem, colocam em xeque a estabilidade da floresta.

O Projeto Tanguro é um esforço científico com o objetivo de conciliar a produção de alimentos e a integridade ambiental com as mudanças climáticas globais e locais. Ele é composto por um grupo interdisciplinar de pesquisadores, sob a coordenação do Ipam e com a colaboração da Amaggi, cuja Fazenda Tanguro, localizada em Querência (MT), serve como centro de experiências do projeto.

Foto: reprodução

Pesquisadora do Inpa estuda bebidas de frutos amazônicos no controle de doenças crônicas não transmissíveis

Aprimorar tecnologias na obtenção e verificar o efeito de bebidas à base de frutos amazônicos. Este é o objetivo do novo projeto da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) Francisca das Chagas do Amaral Souza, que foi aprovada no Programa de Bolsas de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As Bolsas DT financiadas pelo CNPq são destinadas a pesquisadores que se destaquem no desenvolvimento tecnológico, indução e disseminação de inovação e empreendedorismo de base tecnológica.

O trabalho busca desenvolver bebidas, como shake – de camu-camu (rica em vitamina C), açaí, bacaba e patauá, além de avaliar o efeito desses produtos biotecnológicos para reduzir taxas elevadas de colesterol no sangue e obesidade abdominal. Nesta fase, a pesquisa fará os testes em roedores. A bolsa para desenvolver o projeto tem duração de 36 meses.

Doença crônica, a obesidade cresceu de forma “incontrolável”, tornando-se a maior ameaça nutricional na América Latina e no Caribe. O problema já afeta um em cada quatro adultos, conforme o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional 2018  divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Unicef e Programa Alimentar Mundial (PAM). A cada ano, 3,6 milhões de pessoas ficam obesas nessa região.

Alimentação saudável

O foco do estudo é a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes, que vislumbra, em última instância, a promoção da alimentação saudável em prol da saúde humana.

No projeto serão trabalhadas espécies com potencial econômico tecnológico, nutricional e funcional como o grupo das arecaceaes: bacaba (Oneocarpus bacaba Mart.), patauá (Oneocarpos pataua) e açaí (Euterpe oleracea Mart.), assim como as mirtaceaes dentre eles, camu-camu (Myrciaria dubia (Kunth) Mac vaugh), frutos nativos, tipicamente amazônicos e de uma singularidade ímpar.

Segundo Souza, normalmente esses frutos são subaproveitados, com uso direcionado principalmente ao consumo direto, e necessitam de novas tecnologias em relação ao processamento que possibilitem aumento da vida de prateleira e melhor utilização. “Neste contexto, compõe o leque de atividades a serem implementadas o processamento das arecaceaes para fins de obtenção de óleos e torta residual e das mirtaceaes para fins de obtenção de bebidas, assim como o impacto da utilização desses produtos na redução de colesterol e triglicérides”, explicou a pesquisadora.

Reconhecimento

Líder do Grupo de Alimentos e Nutrição do Inpa, Francisca Souza conquistou no ano passado junto com o pesquisador do Inpa Jaime Aguiar o 2º lugar no Prêmio Samuel Benchimol na categoria Projetos de Desenvolvimento Sustentável na Região Amazônica com a proposta Frutos Amazônicos como estratégia de inovação, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida.

Na última década, o Grupo de Alimentos e Nutrição do Inpa se dedicou a estudar as propriedades e funcionalidades de frutos nativos, espécies que têm participação na economia do setor agrícola da região. A proposta agora é agregar valor a alimentos existentes e na elaboração de novos produtos regionais, nutritivos e funcionais.

Fotos: Ingrydd Ramos /Inpa

Inpa lança chamada pública para 48 vagas em Programa de Capacitação Institucional

Estão abertas até o dia 11 de fevereiro as inscrições para o Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ao todo, as seis chamadas públicas oferecem 48 vagas.

O valor da bolsa varia de R$ 2.860 (PCI-DD) a R$ 5.200 (PCI-DA), conforme estipulado nas chamadas. A maioria das bolsas é de PCI-DB, no valor de R$ 4.160.

As chamadas tem o objetivo de selecionar especialistas, pesquisadores e técnicos que contribuirão para a execução de projetos de pesquisa no âmbito do PCI (Inpa/MCTIC/CNPQ 2019-2023). O resultado preliminar será divulgado no dia 26 de fevereiro, e o resultado final, dia 01 de março.

Os profissionais selecionados atuarão em seis grandes áreas distintas: 1) Pesquisas em desenvolvimento em sociedade, ambiente e saúde, 2) Pesquisa em biodiversidade e recursos naturais, 3) Pesquisa em tecnologia e inovação, 4) Pesquisa sobre a floresta e os ciclos biogeoquímicos, 5) Padronização das instalações animais do Inpa e 6) Inovação tecnológica.

Para participar do processo, o candidato deverá ler a chamada pública de interesse e conferir as exigências ao cargo e documentação exigida. As propostas deverão ser encaminhadas ao Inpa para o e-mail pci.inscricao@inpa.gov.br, contendo no título da mensagem o termo “Chamada XX/2019 – PCI”, seguido do nome do candidato e a área de atuação escolhida (Ex.: Chamada 01/2019 – PCI – Fulano de Tal – Área 1).

O processo é dirigido no Inpa pela Coordenação de Capacitação Institucional. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (92) 3643-3103 / 3643-3149 (das 08 às 12h e das 14h às 18h, horário de Manaus) e pelo e-mail: pci.inscricao@inpa.gov.br.

Para ter acesso à Chamada Pública, clique aqui ou acesse no Portal Inpa: Capacitação-Oportunidades e Bolsas-PCI.

LISTA DAS CHAMADAS PÚBLICAS E RESPECTIVAS VAGAS

1. PESQUISAS EM DESENVOLVIMENTO EM SOCIEDADE, AMBIENTE E SAÚDE – 8 vagas

2. PESQUISA EM BIODIVERSIDADE E RECURSOS NATURAIS – 15 vagas

3. PESQUISA EM TECNOLOGIA E INOVAÇÃO – 10 vagas

4. PESQUISA SOBRE A FLORESTA E OS CICLOS BIOGEOQUIMICOS – 10 vagas

5. PADRONIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES ANIMAIS DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA – 2 vagas

6. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA – 3 vagas

Foto: Eduardo Gomes/acervo Inpa