Ações de rastreio e informação pautaram o Novembro Azul no Amazonas

Durante o último mês, médicos urologistas membros da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizaram, no Brasil, ações voltadas ao rastreio do câncer de próstata, além de uma extensa programação que incluiu palestras, rodas de conversa e orientação ao público, sobre temas ligados à saúde do homem. No Amazonas, o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo, destaca que as atividades fizeram parte do cronograma do Novembro Azul, movimento que é realizado há cerca de dez anos no País, e que busca fortalecer a política de assistência ao público masculino, além de democratizar o debate acerta do tema.

Presidente da seccional da SBU no Amazonas, Figliuolo destaca que reuniu cerca de mil pessoas em palestras realizadas por ele, em parceria com o poder público e instituições privadas, além de participar de pelo menos duas ações assistenciais, com o atendimento médico de 220 homens na faixa etária de risco para o câncer de próstata (a partir dos 50 anos).

“O propósito da campanha, que ainda é muito recente no Brasil, é de chamar a atenção dos homens sobre a necessidade da realização do check-up médico, a partir dos 45 ou 50 anos, anualmente. Mas também, é de dialogar com o poder público, para ampliar a rede de assistência, com estruturas voltadas especificamente para o atendimento do público masculino”, destacou.

Figliuolo explica que os homens morrem mais cedo que as mulheres e são maioria na estatística de óbitos, o que aciona o alerta para a importância de políticas públicas de prevenção às doenças masculinas, em especial, às urológicas, que se não tratadas a tempo e da forma adequada, podem causar sofrimento prolongado e levar à morte precocemente.

“Um exemplo disso é o câncer de próstata, que tem previsão de 580 casos no Estado. A maioria desses diagnósticos deverá acontecer nas fases intermediária ou avançada da doença. Isso porque, culturalmente, os homens só procuram um médico quando sentem algum sintoma. E como o câncer é uma doença silenciosa, que só apresenta sinais quando já passou da fase inicial, muitos deles precisam passar por tratamentos invasivos e têm as chances de cura reduzidas”, explicou.

Para o especialista, essa realidade pode ser mudada com campanhas permanentes sobre o tema, a ampliação da assistência e o esclarecimento da população.

“Em 2019, o envolvimento das instituições públicas e privadas, da imprensa e da sociedade em geral, foi maior que nos anos anteriores. Mas, ainda precisamos reforçar a adesão, de modo a envolver, inclusive, o público feminino, tendo em vista que muitos homens só procuram ajuda médica quando são estimulados por suas mães, esposas ou filhas”, completou.

A campanha Novembro Azul é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Urologia e neste ano, adotou o tema “Seja herói da sua saúde”, para trabalhar as ações desenvolvidas em todo o Brasil. Segundo projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS), o País registrará, em 2019, 68 mil novos casos de câncer de próstata.

Texto: Ana Carolina Barbosa
Foto: Divulgação

Check up urológico é recomendado para homens a partir dos 45 anos

Com o avanço da idade e a correria do dia a dia, fica cada vez mais evidente o quão necessário é saber se programar para garantir mais qualidade de vida e saúde. Assim, pode-se evitar que problemas controláveis, evoluam para casos críticos, com consequências às vezes irreversíveis.

A análise é do cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo. Nesse contexto, ele explica que, quando se trata da população masculina, o check up anual, a partir dos 45 anos, é a forma mais fácil de detecção precoce de diversas alterações que, quando diagnosticadas tardiamente, podem comprometer o desempenho do aparelho urinário, a vida sexual e até o convívio social.

“Estamos no século 21 e ainda lutamos para sensibilizar os homens da importância de se cuidar. Alertamos que, quando mais cedo descobrimos certas patologias, maiores são as chances de sucesso nos tratamentos”, frisou.

Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), seccional Amazonas, Figliuolo explica que, no caso da urologia, a preocupação a partir dessa idade está voltada para os aparelhos urinário e reprodutor. As alterações mais comuns são: câncer de próstata e hiperplasia prostática benigna.

Câncer de próstata

O câncer de próstata é o tipo de neoplasia maligna mais comum entre os homens e está diretamente relacionado ao envelhecimento da população. Figliuolo explica que a próstata é uma pequena glândula, responsável por produzir o sêmen. Com o avanço da idade, ela pode apresentar alterações benignas ou malignas e, no caso do câncer, pode-se dizer que boa parte dos casos ocorra de forma lenta e assintomática. Se a doença for descoberta na fase inicial, as chances de sucesso durante a terapia são de até 90%.

“Mas, ainda é comum nos depararmos com pessoas com doença em estágio avançado, que deixaram de buscar ajuda médica. Como o câncer não apresenta sinais no início, é difícil que o homem perceba que há algo de errado. Com o passar dos anos, sinais como dificuldade ao urinar, dores na região pélvica e no abdome começam a aparecer, o que indica que o quadro já está mais agravado”.

O diagnóstico é feito através de exames de rotina (toque retal e PSA – sangue), biópsia e exames complementares de imagem. Os tratamentos são indicados de acordo com o estadiamento da doença (dimensão). Se está localizada, as chances de se realizar um procedimento minimamente invasivo, como a videolaparoscopia, são grandes. “Com esse tipo de cirurgia, que ocorre através de micro-incisões, o auxílio de pinças e de uma micro-câmera, é possível manter a potência sexual do indivíduo e até evitar seqüelas como a incontinência urinária”, defendeu.

Já nos casos mais avançados, com a disseminação da doença para outras partes do corpo, pode haver a indicação de cirurgias mais agressivas e a combinação de outros tratamentos, como a radioterapia e até quimioterapia.

Hiperplasia benigna prostática

A hiperplasia benigna prostática (HBP) é caracterizada, principalmente, pelo aumento do volume da próstata, o que pode causar desconforto, retenção ou incontinência urinária, dores ao urinar, sangramento, obstruções, infecções urinárias de repetição e também exigir o uso de sonda vesical.

“Os tratamentos podem ser minimamente invasivos, com técnicas endoscópicas (sem cortes), tecnologia a laser e plasma vaporização”, explicou Giuseppe Figliuolo. A técnica de plasma vaporização é feita através da aplicação de gás à próstata, de forma segura e eficiente, sem cortes, com menor risco de sangramento e recuperação rápida. Após o tratamento, o paciente precisa continuar passando por controle, para garantir que novas alterações voltem a ocorrer, eventualmente.

Exames para check up urológico anual

– PSA (Antígeno Prostático Masculino)

– Toque retal

– Hemograma completo

– Urina – Fezes – avaliar parasitose intestinal

Foto: Divulgação

Número de casos de câncer de próstata supera os de mama no Amazonas

Projeção lançada no início do ano, pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão subordinado ao Ministério da Saúde (MS), aponta que o número de casos de câncer de próstata no Amazonas em homens, será maior que o de diagnósticos de neoplasias malignas de mama em mulheres, considerando a incidência para cada grupo com 100 mil pessoas dos sexos masculino e feminino. A metodologia utilizada pelo órgão é denominada de taxa bruta de incidência. O dado, segundo o cirurgião urologista Giuseppe Figliuolo, está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, fator que por si só, já exige atenção redobrada.

Entre 2018 e 2019, cerca de 1.160 homens devem desenvolver o câncer de próstata no Estado, uma média de 27,69 pessoas para cada 100 mil pessoas/ano. Ainda segundo o Inca, a doença é considerada a de maior incidência entre os homens, no Amazonas, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma.

“Para evitar que os diagnósticos sejam feitos de forma tardia, aproveitamos a campanha ‘Novembro Azul’, voltada à saúde do homem, para alertar a população, sobre a importância dos chamados exames de rastreio, como o PSA (Antígeno Prostático Específico), feito através da análise via coleta de sangue, e o de toque retal, que pode identificar alterações importantes na próstata, as quais merecem uma investigação mais aprofundada”, destaca.

O especialista explica que existem aproximadamente 100 milhões de homens no Brasil, dos quais 40%, com mais de 40 anos. “A expectativa de vida atual é 70 anos e, considerando essa informação, com certeza teremos muitos homens precisando de cuidados de saúde”, frisou.

Figliuolo explica que cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados com doença em estágio avançado, o que dificulta o tratamento. Por outro lado, quando diagnosticada precocemente, a doença tem elevadas chances de cura, que podem chegar a 95%.

Campanha

Sobre o Novembro Azul, que há poucos anos passou a ter notoriedade na mídia, através do trabalho de instituições como a Sociedade Brasileira de Urologia, Giuseppe Figliuolo destaca que o impacto das ações educativas ainda é menor que o desejado. Em 2018, o tema escolhido para o movimento foi: “Homem que é homem se cuida”.

“Temos muito a avançar em relação à saúde masculina. Acabamos de sair do Outubro Rosa, que chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama em mulheres, e cujas proporções são mundiais. É sempre bom lembrar que as mulheres são de importância fundamental na conscientização dos homens, pois elas realmente estão um passo à frente quando a questão é cuidar da saúde, deixando de lado qualquer preconceito. E é trabalhando a sensibilização da população masculina que vamos conseguir, futuramente, reduzir a mortalidade por câncer de próstata no Brasil e garantir mais qualidade de vida a quem enfrentar o tratamento no momento certo”, assegurou.

Fatores de risco

Além do envelhecimento da população, são considerados fatores de risco para a doença o fator hereditário (história familiar), ser da raça negra, obesidade, maus hábitos alimentares e sedentarismo.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através de avaliação clínica, exame de toque retal, PSA e, em alguns casos, com o auxílio de exames de imagem, como ressonância e ultrassonografia de próstata, além de biópsia guiada (retirada de um pequeno fragmento para análise patológica).

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