Exposição “Nipetirã” é recorde de visitação e terá catálogo virtual

A Coletiva reúne mais de 130 obras de arte de 4 artistas indígenas e foi visitada por mais de 10 mil pessoas, na Galeria do Largo, em Manaus-AM

Um pouco mais de 10 mil pessoas visitaram a exposição Nipetirã, que ficou em cartaz durante 4 meses e meio na Galeria do Largo, no Largo de São Sebastião, Centro de Manaus-AM. Aberta em outubro de 2019 para marcar as comemorações do Governo do Amazonas pelos 350 anos da cidade de Manaus, a exposição “Nipetirã” (que significa “todos” na língua Tukano) apresentou a cultura ancestral amazônica por meio de 130 obras de arte de quatro artistas indígenas – Dhiani Pa’saro (etnia Wanano), Duhigó (etnia Tukano), Sãnipã (etnia Apurinã/Kamadeni) e Yúpuri (etnia Tukano). Um catálogo virtual e imagens da exposição poderão ser vistas futuramente na internet.

A exposição apresentou um projeto expográfico que contemplou quatro ambientes artísticos com murais pintados nas paredes da Galeria do Largo e que expressam o imaginário, a mitologia, o cotidiano e a ambiência destes artistas dentro suas etnias. Além dos murais, a mostra exibiu 54 obras – entre pinturas e quadros de marchetaria – e 72 esferas de acrílica sobre ouriço de castanha-do-Pará, exibidas em uma instalação em formato de totem na parte central da exposição.

Nipetirã: Carlysson Sena, Duhigó, Yúpuri, Sãnipã e Dhiani Pa’saro

Promovida pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Manaus Amazônia Galeria de Arte, a exposição teve entrada gratuita e é um sucesso de público. Os artistas expositores que já possuem projeção nacional puderam com a exposição serem um pouco mais conhecidos pela cidade. “A arte amazônica é, de fato, um presente para quem pode apreciá-la. É uma honra poder apresentar em um dos espaços da SEC uma exposição totalmente feita por artistas indígenas, que representam uma face importante do nosso povo”, destacou Marcos Apolo Muniz, secretário da cultura e economia criativa.

Para Carlysson Sena, fundador da Manaus Amazônia Galeria de Arte, a exposição foi um marco importante, pois conectou a população aos quatro artistas que estão salvaguardando suas culturas, por meio das artes visuais. Criou também um elo de conhecimento e amor de quem visitou, com a arte contemporânea produzida na Amazônia e com a temática amazônica. “Vamos eternizar a exposição por meio de um catálogo virtual e imagens em vídeo que irão compor um passeio pela exposição, como se ela nunca tivesse sido encerrada. Este material está em produção pela Manaus Amazônia Galeria de Arte e estará disponível no site da galeria em breve”, avaliou Carlysson.

Ancestralidade

O diretor da Galeria do Largo e curador da exposição, Cristóvão Coutinho, explicou que a parceria com a Manaus Amazônia Galeria de Arte e a Galeria do Largo, proporcionou ao espaço expositivo oportunidades inúmeras, em que a sociedade tomou conhecimento de sua relação existencial com uma produção artística concebida por artistas que tem em seu DNA elementos culturais dos povos indígenas da Amazônia. “A mostra possibilitou aproximações de concepções estéticas, nesse momento de inserção da identidade de nossas ancestralidades, e foi perceptível a imersão dos visitantes na proposta curatorial da Nipetirã”, completou Coutinho.

Na proposta curatorial, a artista Sanipã trouxe as esferas/ouriços e pintou grafismos das etnias das quais descende – Apurinã e Kamadeni – que resgatam a memória desses povos, caracterizando o ambiente sobre o universo. Duhigó preparou um ambiente que fala sobre a casa, com pinturas sobre as pedras do município de São Gabriel da Cachoeira, sua terra natal, e trazendo referências de sua mitologia Tukano. Dhiani Pa’saro pintou o ambiente sobre o sagrado, com representações de rituais, o pajé, a música e instrumentos sagrados dos Wanano. Já Yúpuri fez o ambiente sobre o mundo, com grafismos e pinturas que refletem sobre sua identidade inserida no mundo contemporâneo.

Duhigó, artista plástica da etnia Tukano, batizou o nome da exposição com um nome indígena que é muito significativo, pois une o trabalho de artistas de diversas etnias. “Nipetirã somos todos nós artistas indígenas, que buscamos trazer de volta aquilo do passado que ainda tem em nossa imaginação e que nós queremos mostrar para que as pessoas possam conhecer, apreciar e pesquisar”, diz a artista que, junto com Dhiani Pa’saro, está também em exposição nacional coletiva e itinerante intitulada “VaiVém”, nos Centros Culturais Banco do Brasil de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte – reunindo 113 artistas com obras de arte sobre as redes de dormir brasileiras.

Todos Artistas

Sanipã (significa “Caba”, um tipo de vespa) nasceu em 31 de outubro de 1979, na região do Caetitu, localizada no município de Lábrea, nas margens do rio Purus, Amazonas. Em 2005, formou-se no curso de Pintura da Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia, em Manaus. Tornou-se a primeira indígena da etnia Apurinã e Kamadeni a se profissionalizar nas artes visuais. Atualmente vive e trabalha em Manaus e Lábrea. Em sua arte, expressa a cultura dos dois povos que descende: Apurinã e Kamadeni. Em suas telas e suportes derivados da floresta, há os grafismos, artefatos, rituais e o imaginário que envolve sua vivência como indígena da Amazônia. Sãnipã resgata a memória de sua tribo e de seu povo, com leituras e releituras da estética indígena.

Sanipã é a primeira indígena da etnia Apurinã e Kamadeni a se profissionalizar nas artes visuais

Dhiani Pa’saro (nome que significa “Pato do Mato”, na língua indígena Wanano) é um índio da etnia Wanano e nasceu em 23 de fevereiro de 1975, na aldeia Tainá, no município de São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro. É filho de pai Wanano e mãe Kobéua. Veio para Manaus aos 23 anos e formou-se em Pintura e Marchetaria na Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia, em 2007 e 2008. É o primeiro indígena da etnia Wanano a se profissionalizar nas artes visuais. Fala fluentemente as línguas indígenas Wanano, Kobéua e Tukano. Em suas telas, Dhiani expressa, principalmente, a cultura primitiva e ancestral da Amazônia na cosmovisão indígena, dentro de uma expressão poética original e muito própria de um artista que vê na arte a possibilidade de salvaguardar a memória ancestral de seu povo Wanano.

Dhiani revela a cultura primitiva e ancestral da Amazônia na cosmovisão indígena

Duhigó (significa “primogênita”, na língua indígena Tukano) nasceu em 02 de março de 1957, na aldeia Paricachoeira, município de São Gabriel da Cachoeira, região do Alto Rio Negro. É filha de pai Tukano e mãe Dessana (etnias amazônicas). Mora em Manaus desde 1995. Concluiu o curso de Pintura na Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia, em 2005, tornando-se a primeira indígena da etnia Tukano a se profissionalizar nas artes visuais. Em suas telas, expressa, principalmente, a cultura ancestral da Amazônia na cosmovisão indígena.

Duhigó tem produção artística continua e já participou de exposições no Brasil e no exterior

Também costuma representar em seus trabalhos o cotidiano próprio das “nações” indígenas, seus artefatos e elementos mitológicos. Sua prioridade é registrar a memória dos índios Tukano, assim como a natureza amazônica presentes em sua memória afetiva. Fala fluentemente as línguas indígenas Tukano, Dessana e Tuyuka, além do português. Desde 2005, Duhigó possui uma contínua produção artística que já lhe rendeu exposições no Brasil e no exterior. Em 2009, o Governo do Amazonas presenteou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, com sua obra “Pote Tukano”, durante a campanha para a cidade de Manaus se tornar sub-sede da Copa do Mundo de 2014.

A pintura de Yúpuri tem como característica poética os registros de rituais, o cotidiano caboclo e indígena da Amazônia

Yúpury (significa “o primogênito da nação Tukano da 3ª geração”, na língua Tukano) nasceu em Porto Velho, Rondônia, no dia 15 de julho de 1987, filho de mãe Tukano e pai baiano. Em 2007, concluiu o curso de Pintura na Escola de Arte do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia, em Manaus. Filho da artista Duhigó sempre acompanhou sua mãe no ofício das artes visuais, desenvolvendo o seu próprio estilo. Atualmente, Yúpury encontra na arte uma terapia e uma forma de contribuir para que os hábitos e costumes de sua etnia Tukano sejam preservados. O que antes era uma memória guardada na oralidade indígena passa a ser eternizado pela arte visual do artista. Sua pintura tem como característica poética os registros de rituais, o cotidiano caboclo e indígena da Amazônia, bem como os elementos mitológicos dos índios tukano em diálogo com a contemporaneidade.

Texto e Fotos: Manaus Amazônia Galeria de Arte/Divulgação

Inpa inaugura ampliação de seu laboratório voltado para a piscicultura

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) inaugura nesta terça-feira (14), às 9h, a ampliação e reforma do Laboratório de Fisiologia Aplicado à Piscicultura (Lafap), que conta com infraestrutura moderna e adequada para realizar pesquisas em piscicultura, área com perspectiva produtiva e sustentável para a região, e capacitação. A modernização do laboratório faz parte da revitalização do Centro de Aquicultura, localizado no Campus III, Morada do Sol, zona Centro-Sul de Manaus.

A obra no Lafap levou três meses para ser concluída e recebeu investimento
de R$ 169.884,10 do Projeto “Implantação de Unidades Demonstrativas
Agroflorestais na Amazônia (Iudaa)”, patrocinado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Iudaa atua nas áreas de piscicultura, coordenado pela pesquisadora Elizabeth Gusmão, e plantios agroflorestais, coordenado pela pesquisadora Rosalee Coelho. A coordenação geral é da titular da Coordenação de Tecnologia Social (Cotes), Denise Gutierrez.

A finalidade do Lafap é realizar pesquisas em aquicultura, nas linhas sobre
nutrição, sanidade e sistema de produção de peixes de cultivo, além de atuar na capacitação de alunos de graduação à pós-graduação (mestrado e doutorado). O laboratório foi implantado em 2002, com uma estrutura simples e espaço limitado, passando por ampliações no decorrer dos anos.

Segundo Gusmão, o Lafap desenvolve pesquisas de ponta na área de
aquicultura, a exemplos dos projetos com a tecnologia de bioflocos, pioneira com espécies nativas (tambaqui e matrinxã) e que contribui com o futuro da aquicultura na região Norte. Os bioflocos são microrganismos ricos em nutrientes que diminuem a quantidade de substâncias tóxicas da água.

“Outras pesquisas que serão beneficiadas com esta infraestrutura são as relacionadas com as questões sanitárias, principalmente novas substâncias para tratamento de doenças, como a acantocefalose que tem diminuído a produção de tambaqui, sendo este um dos maiores obstáculos atualmente enfrentado pelo setor”, disse Gusmão, que também é líder do Grupo de Pesquisa em Aquicultura na Amazônia Ocidental do Inpa.

As duas linhas de pesquisas recebem fomento de projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Banco da Amazônia e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior (Capes). O Amazonas é o maior consumidor per capita de peixe do país (33 quilos por ano), porém não é autossuficiente na piscicultura nem para suprir o mercado local.

Pesquisa e capacitação

Segundo Denise Gutierrez, a infraestrutura do Centro de Aquicultura foi modernizada e adaptada para atender as necessidades contemporâneas, com novos equipamentos adquiridos e instalados. “Trata-se de um convênio para execução de projeto voltado não apenas para a pesquisa aplicada, mas também para a capacitação de produtores do interior do Amazonas, o que significa uma resposta efetiva do Inpa para as demandas das populações locais. Nele, pesquisa e capacitação foram perfeitamente articuladas, ficando como exemplo para propostas futuras”, destacou a coordenadora.

Em 2018, também com recurso do projeto Iudaa/Finep (R$ 357.144,47), a Estação de Aquicultura do Inpa ampliou sua infraestrutura com a construção de uma fábrica de ração e uma sala de aula para curso de extensão, além da revitalização do prédio central desta Estação. Como resultados desses investimentos, o Grupo de Pesquisa “Aquicultura na Amazônia Ocidental”, do qual fazem parte os pesquisadores e alunos da Estação, vem contribuindo com a capacitação de profissionais da região Norte, com cursos sobre elaboração de rações e o uso da extrusora, além de minicursos sobre bioflocos e sanidade, ambos oferecidos para toda a sociedade.

“As pesquisas estão sendo realizadas com uma infraestrutura de melhor qualidade, o que podemos garantir que daqui a poucos anos estaremos disponibilizando serviços para as instituições de pesquisa do Norte do país, e os resultados gerados já podem ser utilizados pelo setor produtivo”, ressaltou Gusmão.  Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail pgusmao1@yahoo.com.br.

Foto: Vadelira Fernandes/Inpa

Guaraná Antarctica, Ellus e Salinas em coleção inspirada na Amazônia e Maués

Parceria prevê diversas coleções que terão parte das vendas revertidas para projetos de produção sustentável do guaraná. Consumidores podem acompanhar arrecadação em plataforma de transparência

Originais do Brasil, Guaraná Antarctica, Ellus e Salinas apresentam neste mês a coleção “Guaraná Cultura”. As três marcas se inspiraram no fruto do guaraná para criar peças vibrantes, cheias de brasilidade e que terão uma importante função socioambiental.

Com lançamento neste mês de novembro, a parceria valoriza a essência original do Brasil da marca em parceria com grifes que trazem toda a leveza necessária para encarar o verão brasileiro. A linha teve inspiração na Amazônia e em Maués, cidade que é berço do Guaraná Antarctica e que fazem da marca um símbolo nacional.

Todo o street style e identidade urbana da Ellus ganha uma releitura mais próxima à natureza. A grife apresenta coleção com camisas, bermuda, camisetas, windbreaker e bonés. As estampas foram inspiradas na cultura do guaraná, fruto da região de Maués na Amazônia, que é repleta de lendas e histórias contadas pela população local.

Especializada em moda praia, Salinas terá sete diferentes biquínis na coleção. Serão ainda dois maiôs, dois chinelos unissex, duas bermudas e uma sunga. Tão brasileira quanto o Guaraná, a Salinas traz sua bossa à coleção na linha beachwear. Diferentes texturas, tecidos e aviamentos remetem à fauna e flora da região do cultivo.

Bikini, maiô, saia pareô, boardshort, chinelo e sunga compõem a coleção cápsula, que tem as principais modelagens da marca com aviamentos exclusivos.

“Guaraná Antarctica faz parte do dia a dia dos brasileiros. Ter a oportunidade de unir nossa marca com Ellus e Salinas em peças que valorizam nossa origem na Amazônia é algo grandioso e importante na construção de um novo tipo relacionamento com nossos consumidores”, comenta Daniel Silber, gerente de marketing de Guaraná Antarctica.

Toda a coleção “Guaraná Cultura” já está disponível nos tamanhos de P ao GG a partir desta semana em lojas físicas das duas grifes e também em e-commerce, franquias e lojas multimarcas de todo o Brasil.

Maués

A coleção tem ainda um papel que vai além da moda. Parte do lucro será investido nos projetos que Guaraná Antarctica apoia na cidade de Maués, a 641 quilômetros de Manaus. Por meio da Aliança Guaraná de Maués, projeto financiado por Guaraná e USAID e executado pelo Idesam, é desenvolvido um ativo e participativo trabalho junto a um conselho de produtores para promover a produção sustentável do fruto, além de trazer melhorias, escolhidas pela própria comunidade, nas áreas de educacional e sociocultural, com envolvimento e atuação de produtores e instituições do município.

Para que o público possa acompanhar todos os detalhes da parceria entre as marcas e também conhecer o impacto gerado na região de Maués, basta acessar o site http://www.guaranacultura.com.br.

Foto: Divuldação

Investe Turismo percorre 16 Estados em três meses

Lançado em junho, em Fortaleza, o programa Investe Turismo já alcançou 21 Unidades da Federação e contou com a participação de quase três mil pessoas em seminários realizados por todo o país. O programa, que é resultado de uma parceria entre Sebrae, Ministério do Turismo e Embratur, visa a articulação e o fomento do turismo, por meio da convergência de ações e investimentos para acelerar o desenvolvimento, gerar empregos e aumentar a qualidade e competitividade de 30 rotas turísticas estratégicas do Brasil, entre elas: Brasília e Chapada dos Veadeiros, Pantanal, Palmas e Jalapão, Boa Vista e Monte Roraima, Costa do Descobrimento, entre outras.

O Investe Turismo já passou pelos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. Nesses locais, os seminários tiveram a presença de 2.827 pessoas envolvidas com a atividade do turismo. Ao todo já foram feitos cerca de 550 atendimentos voltados principalmente para a melhoria do acesso ao crédito. Esta ação une grandes agentes, como o BNDES, e atores locais que estão mais próximos dos empreendedores de cada estado. Após o Seminário, são realizados atendimentos individualizados – focados na necessidade e realidade de cada empreendedor.

“O Programa é relevante para o Sebrae porque está alinhado com a nossa estratégia e vai atender a mais de 4.000 pequenos negócios, com foco em inovação, sustentabilidade e na gestão de destinos com base em dados. Estes são elementos essenciais para o desenvolvimento do território, que é onde tudo acontece”, avalia o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “Trabalhamos para que isso ocorra com a mudança na vida das pessoas, com a geração de um ambiente econômico dinâmico”, complementa.

O programa Investe Turismo tem, entre as atividades previstas, a formalização de prestadores de serviços no segmento do turismo, assim como a orientação aos donos de pequenos negócios, com foco na inovação tecnológica, na sustentabilidade dos negócios e na conquista de novos mercados. A estrutura das ações gira em torno de rotas que visam o desenvolvimento do setor de forma regional e integrada, tanto com os parceiros públicos quanto com os privados. Inicialmente, serão investidos R$ 200 milhões para o desenvolvimento e qualificação do setor nessas localidades.

Pacote de ações das rotas turísticas:

  • O fortalecimento da governança, por meio de uma integração entre setor público e privado;
  • A melhoria dos serviços e atrativos turísticos, com foco especial nas micro e pequenas empresas;
  • Atração de investimentos e apoio ao acesso a linhas de crédito e fontes de financiamento;
  • Marketing e apoio à comercialização, com campanhas, produção de inteligência mercadológica e participação em eventos estratégicos.

Foto: reprodução

Çairé inicia com levantamento dos mastros em Alter do Chão

Texto e fotos: Nely Pedroso

A tradicional Festa do Cairé, que ocorre sempre no mês de setembro em Alter do Chão, oeste do Pará, iniciou nesta quinta-feira (19), com o ritual religioso de inauguração do barracão, guardião do símbolo do Cairé (Divino Espirito Santo), procissão e levantamento dos mastros, ocorridos na Praça do Cairé.

O rito religioso do povo Borari (habitantes da Vila de Alter do Chão, como são conhecidos) foi conduzido pelo capitão, juízes, mordomos, saraipora, procuradeira, entre outros personagens da festa, que em procissão circularam ao redor dos mastros, levantados em uma competição acirrada entre homens e mulheres. Os homens levaram a melhor no levantamento dos mastros ornamentados por galhos de plantas e frutas, muitas frutas, simbolizando fartura.

A saraipora Dalva de Jesus Vieira, guardiã do símbolo do Çairé há cinco anos, sente-se orgulhosa por conduzir o símbolo sagrado da festa, que é a Santíssima Trindade. “Faço isso com muita devoção”, garante.

O evento traz sempre boas lembranças aos moradores tradicionais de Alter, como assegurou a moradora Francisca Garcia Costa, 96, que é cega, mas faz questão de participar da festa. “Venho e fico escutando as músicas entoadas na celebração”, afirma, sentada na entrada do barracão.

Dona Santila de Sousa Alves, 77, também faz questão de participar da abertura da festa. “Faço questão de vir. Eu sempre participava ajudando na programação”, garante.

Programação

A Festa do Çairé, que data mais de 300 anos, terá, até o dia 23, uma grande programação, com apresentações musicais (locais e regionais), ritos religiosos como ladainhas e procissões, cerimônia do beija fita e a disputa ferrenha entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, marcada para o sábado, dia 21.

Estrutura

Toda uma estrutura foi montada pela Prefeitura de Santarém para a festa. O Lago dos Botos recebeu obras de infraestrutura para os shows, como um palco com camarins, banheiros, além de arquibancadas, camarotes, iluminação, barracas na praça de alimentação e banheiros públicos.

É intenção do prefeito Nélio Aguiar concluir a estrutura definitiva do Lago dos Botos. Para isso, vai pedir ajuda ao governador Jader Barbalho, em pleito a ser entregue nos próximos dias, conforme assegurou. “É uma festa grandiosa, que não é só da área da cultura, mas de Santarém, de Alter do Chão e de todas as secretarias envolvidas. Que todos tenhamos um Çairé de paz, de alegria do povo de Alter do Chão e do povo Borari”, diz.

A festa de abertura foi bonita e encerrou com muita comilança: sanduíches e frutas foram distribuídos aos moradores e visitantes. Fechando a programação matutina, um show musical em ritmo de carimbo do conjunto musical nativo Espanta Cão.

Vale lembrar que no encerramento do Çairé, dia 23, o barracão até então para atos litúrgicos, se transforma em festa com danças tradicionais do local, como Marambiré, Quebra Macaxeira, Matucará e Desfeiteira.

Alter do Chão é um dos distritos de Santarém (PA), distante a 37 quilômetros pela rodovia Everaldo Martins. Os principais atrativos turísticos são as praias do Amor e do Cajueiro.

Programa ajuda UTIs públicas a melhorar indicadores de qualidade

Iniciativa da Associação de Medicina Intensiva Brasileira prestará assessoria gerencial, treinamento e aprimoramento técnico a uma UTI pública que precise melhorar seus processos

São Paulo, agosto de 2019 – De acordo com dados do último Censo das UTIs, realizado em 2016 pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), o Brasil possui um total de 1.961 unidades em atividade no País, das quais 550 (28%) são exclusivamente públicas e 499 de cunho filantrópico – totalizando 54% das UTIs que atuam no território nacional. Uma realidade comum nesse nicho específico, de acordo com análise da AMIB, está na dificuldade vivida pelas UTIs públicas de estabelecer padrões de qualidade de forma equiparada às unidades privadas do setor.

“De uma maneira geral, as UTI privadas são regidas por padrões de qualidade e segurança aos quais têm que se adequar sob o risco de perderem pacientes. Esses princípios ainda não atingiram as UTI públicas de forma disseminada, por motivos diversos, mas há uma preocupação da sociedade civil em relação a esse aspecto que deverá se traduzir, mais cedo ou mais tarde, na adoção de medidas que contemplem essas imposições”, afirma Dr. Ciro Leite Mendes, presidente da AMIB.

É justamente para estimular um movimento de mudança nesse cenário que a instituição acaba de lançar o AMIB Adota, um programa que visa apoiar UTIs públicas no aprimoramento de processos visando a melhoria de seus indicadores de qualidade. O projeto pretende mostrar que a implementação das estratégias sistematizadas tem um grande impacto nos indicadores e na eficiência da UTI, apoiando as unidades nesse processo com orientações sobre gerenciamento e capacitação profissional.  

O programa prevê a escolha de uma UTI brasileira que tenha indicadores abaixo da média, que será acompanhada em um processo de assessoria gerencial, treinamento e aprimoramento técnico, além de supervisão permanente ao longo de 12 meses. A ação é gratuita e todo o trabalho de instrução será realizado pelos associados da AMIB de forma voluntária.

“Esse programa tem muita importância para nós. Uma vez concluído, ele servirá para demonstrar que investimento baixo em gestão e capacitação é uma questão que pode ser considerada efetiva. Se houver investimento é possível melhorar os indicadores de qualidade das UTI públicas, tanto relacionados ao desfecho dos pacientes quanto aqueles relativos ao uso de recursos. É nossa pretensão que isso possa servir de modelo para as iniciativas governamentais no setor”, avalia o presidente da AMIB.

Como participar do AMIB Adota

As inscrições para projeto vão até 8 de novembro e podem participar UTIs de todo o País que internam majoritariamente pacientes do Sistema Único de Saúde e integram o programa UTI Brasileiras, uma iniciativa da AMIB e da Epimed Solutions que consolida um Registro Nacional de Terapia Intensiva no Brasil. É preciso que as unidades participantes preencham seus dados de forma integral e contínua neste programa durante pelo menos três meses antes da data da seleção.

“Para saber se uma UTI pública desenvolve um bom papel na saúde, é necessária uma análise de indicadores de desempenho mínimos e que essa informação seja coletada localmente. Para isso é fundamental que a coleta de dados seja nacionalmente adotada, algo que a AMIB busca tornar realidade no país por meio do projeto UTIs Brasileiras”, explica Dr. Ciro.  

A unidade que quiser participar deve preencher um formulário específico e anexar a carta do presidente da regional AMIB de seu Estado com exposição de motivos pelos quais espera ser selecionada. Para se candidatar e acessar o regulamento, basta clicar aqui.

Há 38 anos atuando em favor da valorização do médico intensivista, a AMIB – Associação de Medicina Intensiva Brasileira hoje reúne mais de 7 mil associados e 25 regionais espalhadas em todo o território nacional e tem como principal missão o fomento à pesquisa, formação, titulação e defesa dos profissionais da medicina intensiva.

Texto: Trama Comunicação

Sebrae debate bioeconomia como solução para a Amazônia

O Sebrae promoverá, em São Paulo, diálogos sobre como os bionegócios podem salvar a Floresta Amazônica e como podem transformar o ecossistema e os arranjos produtivos na região. Os painéis serão realizados nos dias 3 e 4 de setembro durante a Conferência Ethos 360º, evento que conta com o apoio do Sebrae, que busca promover a sustentabilidade junto aos pequenos negócios por meio do compartilhamento de práticas bem-sucedidas para ampliar o comprometimento com estratégias do desenvolvimento sustentável.

Casos de empreendedores que exploram sustentavelmente a biodiversidade da Amazônia, e que ao mesmo tempo conquistam mercados, serão exemplos no painel com a participação de Paulo Renato Cabral, gerente de Inovação do Sebrae, no dia 03, das 11h às 12h30. Na ocasião, o Sebrae apresentará, de forma inédita, a proposta de seu programa de inovação aberta de bionegócios para atrair e desenvolver empreendedores de classe mundial para a Amazônia. Como convidados, estarão Carlos Danniel Pinheiro (Biozer Simbioze), Maqueson Pereira da Silva (Marchetaria do Acre) e Maria José Freitas Luiz (Ekilibre Amazonia).

No dia 04, o Sebrae debaterá, das 11 às 12h, a promoção de uma revolução industrial baseada no aproveitamento da biodiversidade, no painel “Bioeconomia e bioindustrialização: um modelo de desenvolvimento que alia floresta em pé e tecnologia”. Na visão da entidade, a bioeconomia deve ser adotada como modelo de desenvolvimento capaz de alterar os arranjos produtivos predominantes na região Norte e Centro-oeste do Brasil, gerando emprego e renda.

Helen Camargo de Almeida, especialista do Centro Sebrae de Sustentabilidade do Sebrae (CSS), Ismael Nobre (Amazônia 4.0 da A3W), João Matos (Aliança para a Bioeconomia da Amazônia) e Virgílio Viana (Fundação Amazonas Sustentável) responderão às perguntas sobre quais medidas são necessárias para que o Brasil desponte como uma potência biotecnológica, além de qual trajetória a Amazônia já percorreu nesse sentido.

SERVIÇO
Conferência Ethos 360º São Paulo
Data: 03 e 04 de setembro de 2019
Local: Bienal do Ibirapuera – Térreo e Mezanino, em São Paulo
Site: http://sustentabilidade. sebrae.com.br/sites/Sustentabilidade

Foto: Idesam

Represas andinas planejadas para Peru e Bolívia ameaçam ecossistema fluvial da Amazônia

Seis hidrelétricas planejadas para serem construídas nos maiores rios saindo das montanhas andinas no Peru e na Bolívia são consideradas a maior ameaça ao ecossistema fluvial amazônico. A conclusão é do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o biólogo com doutorado em ecologia Bruce Forsberg. O assunto foi debatido na estreia dos Seminários da Amazônia, que retornaram com nova roupagem após seis anos.

As montanhas andinas são fonte da maior parte de nutrientes e sedimentos que banham as várzeas dos rios da Amazônia, chegando até o final onde são depositados numa área chamada de delta, no final do rio Amazonas, desembocando no mar. Essas barragens novas ameaçam cortar esse fluxo.

Das seis hidrelétricas, quatro serão construídas no Peru (TAM 40, no rio Ucayali; Pongo de Aguirre, no Rio Huallaga; Pongo de Manseriche, no rio Maranon, e Inambari, no rio Inambari) e duas na Bolívia (Agosto Del Bala, no rio Beni; e Rositas, no rio Grande). Juntas devem produzir 10.000 megawatts e a maioria será construída em parceria com Brasil.

Impactos

De acordo com Forsberg, os impactos ambientais dessas hidrelétricas serão muito maiores no Brasil do que no Peru e Bolívia. “Esses reservatórios vão barrar o fluxo dos sedimentos e nutrientes Andinos, que sustentam a produção pesqueira e agrícola das várzeas, que alimenta nossos ribeirinhos”, afirmou Forsberg, que é especialista em ecossistemas fluviais.

Além da redução de quase 70% no fluxo de sedimentos e nutrientes que abastecem os rios da região e o delta do rio Amazonas, o pulso de inundação (subida e descida do nível do rio) será diminuído, causando impacto sobre a flora das várzeas e sobre os peixes que dependem dessa flora para sua alimentação e reprodução.

Outro impacto importante é sobre o mercúrio nos rios, com contaminação prevista acima e abaixo das novas barragens, especialmente no peixe que será consumido pelas populações nessas regiões. O mercúrio é um metal tóxico e pode trazer problemas de saúde quando encontrado em concentrações muito altas no organismo, comprometendo o sistema neurológico, podendo causar tremores nas mãos e dificuldade motora, causando até a morte em casos extremos.

Metilmercúrio

Segundo Forsberg, o mercúrio está presente naturalmente nos rios da Amazônia, que tem solos ricos com esse metal, porém está presente principalmente na forma inorgânica, apresentando pouco risco para os seres humanos. O garimpo de ouro também contribui para o mercúrio nos rios, mas não é a fonte predominante.

O mercúrio só apresenta riscos à saúde humana quando é transformado na forma orgânica, Metilmercúrio. Isso aconteça nos reservatórios quando a floresta da terra firme é alagada e entra em decomposição, tirando o oxigênio da água e promovendo a transformação do mercúrio inorgânico em metilmercúrio. “Uma vez formado, o metilmercúrio acumula na cadeia alimentar, contaminando o peixe e o povo que come esse peixe. Esse impacto é sentido tanto no reservatório quanto no rio à jusante”, explicou o pesquisador.

Esse problema foi verificado no reservatório de Balbina, em Presidente Figueiredo-AM, fechado em 1988. Durante os primeiros dez anos, os níveis de mercúrio no tucunaré e nos cabelos de mulheres que consumiam esse peixe aumentaram muito. O nível em cabelos chegou a um valor considerado perigoso para mulher grávida (7,5 partes por milhão – ppm), depois começou a cair (5 ppm, hoje), mas ainda não voltou ao nível original A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um valor máximo de 6 ppm de mercúrio em cabelos das mulheres lactantes.

As usinas hidrelétricas também vão aumentar as emissões regionais de gases de efeito estufa (CO2 e metano), que são contabilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e outras organizações globais.

Enfrentamento

Para enfrentar a situação, Forsberg sugere que os pesquisadores trabalhem em conjunto, de forma transdisciplinar, em colaborações transnacionais, envolvendo parceiros governamentais e não governamentais de todos os países envolvidos.

“Se queremos ter impacto, não adianta só fazermos nossas pesquisas, teses, artigos. Temos de levar essas informações para os governantes, para a sociedade, para criar consciência e ações efetivas sobre esses problemas”, disse Forsberg. “E vamos começar a falar sobre alternativas, outras matrizes, como a solar, que está com o custo por megawatt já quase chegando ao mesmo patamar do megawatt produzido por hidrelétrica”, ressaltou o pesquisador.

Segundo Forsberg, os projetos das hidrelétricas estão parados, especialmente por problemas de corrupção, mas a qualquer momento os governos e construtoras podem retomar os planos. O motivo é que os reservatórios estão previstos para serem construídos em “gargantas profundas”, em montanha com rio grande passando, que dá garantia de grande produção energética, porém com significativos impactos socioambientais que não foram levados em consideração.

Seminários

Realizado de 1976 a 2013, os Seminários da Amazônia voltam com a proposta de discutir temas de ponta da pesquisa científica do mundo e da Amazônia, com temas provocativos e que estimulam a discussão e o aprendizado.

Agora o tradicional evento científico do Inpa acontece quinzenalmente às quintas-feiras, às 15h, no Auditório da Biblioteca, na avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus. É gratuito e aberto à comunidade. A 2ª edição será no dia 25 de abril com o também palestrante da casa, o pesquisador Charles Clement, que falará sobre “Dez mil anos de domesticação da Amazônia”.

Promovido pela Coordenação de Extensão, os Seminários da Amazônia tem na liderança da Comissão Organizadora as pesquisadoras Rita Mesquita e Cristina Cox Fernandes.

Saiba mais

Artigo científico publicado na Plos One sobre o mesmo assunto da palestrado Dr. Bruce Forsberg pode ser acessado clicando aqui.

Foto: Cimone Barros/Inpa


Inpa vai realizar em parceria maior soltura de peixes-bois da Amazônia no final de semana

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos no próximo fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri e a 173 quilômetros de Manaus. Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história. A ação, que inicia dia 22 e vai até dia 25 de março, é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, explica o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.

A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas.

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo, e acrescenta que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada de sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã de sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).

Foto: Luciete Pedrosa/acervo Inpa

Tempestades de vento intensificam a degradação de florestas na Amazônia

As tempestades de vento são distúrbios que ocorrem naturalmente na Amazônia, porém podem amplificar os impactos na floresta do desmatamento e o fogo. Um artigo científico publicado na revista “Journal of Ecology”, com autoria de cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explora as sinergias entre a derrubada de florestas, fogo e tempestade de vento como causas da degradação na Amazônia. As áreas mais fragmentadas e as já atingidas previamente por fogo são as que mais sofrem com os efeitos das tempestades de vento.

O estudo quantificou as respostas da vegetação a uma tempestade de alta intensidade que durou cerca de 30 minutos e ocorreu no sul da Amazônia em um experimento de fogo em grande escala em 2012. Os dados coletados antes e após a tempestade indicaram que os danos foram maiores para grandes árvores, em áreas perto da borda da floresta, e em áreas queimadas em anos anteriores.

A área experimental fica na Fazenda Tanguro, em Mato Grosso, onde o Ipam  desenvolve o Projeto Tanguro, e consiste em três parcelas de 50 hectares estabelecidas em 2004, sendo uma que nunca foi queimada (mantida como controle), uma queimada anualmente e outra queimada em intervalos de três anos. Os resultados mostraram que a tempestade de vento podou, quebrou e arrancou árvores. Nas parcelas queimadas anualmente, 13% das árvores foram danificadas; na queimada a cada três anos foram 17% e, na parcela de controle, apenas 8%.

Quatro anos após a tempestade de vento, cerca de 85% das árvores atingidas pelo vento nas áreas queimadas e 57% na parcela controle morreram. Outro estudo, publicado em 2018 com participação de um pesquisador do Ipam, mostrou um aumento na taxa de mortalidade de árvores em florestas tropicais de diversas partes do mundo devido ao aumento da temperatura, secas longas e piores, ventos mais fortes, entre outros fatores.

O pesquisador do Ipam Divino Silvério, que liderou o trabalho, explica que os resultados são importantes por mostrarem alguns dos processos que levam à grande mortalidade de árvores nas florestas atingidas pelo fogo, mesmo vários anos após a ocorrência dos incêndios. “O fogo torna os troncos mais frágeis e mais fáceis de ser quebrados pelo vento”, afirma Silvério. Ao mesmo tempo, prossegue, a passagem do fogo reduz a densidade das árvores e a camada de raízes no solo que dá sustentação aos troncos. Esses processos tornam as árvores remanescentes muito mais expostas aos ventos. “Mesmo ventos não tão intensos já são suficientes para causar o tombamento das árvores”, afirma o cientista.

Silvério diz também que o fogo tende a matar preferencialmente as árvores menores, deixando para trás as árvores maiores – justamente as que ficam mais expostas aos ventos intensos. Uma vez que a maior parte do carbono das florestas está estocado nas árvores grandes, e que estas são atingidas preferencialmente pelos ventos fortes, grande quantidade da biomassa estocada nas florestas é perdida neste processo.

Tudo indica que as alterações climáticas em curso aumentem a frequência e a intensidade de tempestades de vento, assim, a interação deste fator com outros processos de degradação causados pelo homem, colocam em xeque a estabilidade da floresta.

O Projeto Tanguro é um esforço científico com o objetivo de conciliar a produção de alimentos e a integridade ambiental com as mudanças climáticas globais e locais. Ele é composto por um grupo interdisciplinar de pesquisadores, sob a coordenação do Ipam e com a colaboração da Amaggi, cuja Fazenda Tanguro, localizada em Querência (MT), serve como centro de experiências do projeto.

Foto: reprodução