Estudantes de Barreirinha transformam Amazônia em sala de aula e serão representantes do Brasil em conferência na Itália

Dados do Censo Escolar de 2018, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que 56% das escolas de Ensino Médio não têm laboratório de ciências. A Escola Professora Maria Belém, em Barreirinha (AM) – pequeno município localizado no coração da Amazônia – faz parte dessa estatística. Chamando a atenção para essa realidade, alunos do 3º ano do Ensino Médio pensaram em uma solução simples, porém extremamente criativa: levar a sala de aula para fora dos muros da escola. Era o início do projeto “Amazônia, um laboratório natural“, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

Com o objetivo de transpor os livros e dinamizar o tempo de estudo, cinco alunos se reuniram com o professor de biologia para propor alternativas para as atividades práticas na escola. Em pouco tempo, os jovens perceberam que tinham à disposição o maior laboratório natural do mundo: a Floresta Amazônica. Depois de se apropriarem dos temas que poderiam ser usados como fonte de estudos, 25 alunos viajaram de barco até a comunidade vizinha de São Francisco do Paraná do Moura. Lá, divididos em grupos, pesquisaram sobre diferentes temas, tais como os tipos de água, os habitat, as florestas primária e secundária, os aspectos das diversas plantas e os tipos de serpentes.

Além de evidenciar a falta de laboratório na escola, o sucesso da experiência transformou a percepção da turma e melhorou significativamente a absorção dos conteúdos de disciplinas como física, química e biologia. Durante todo o projeto, o grupo contou com o apoio do professor, que contribuiu com soluções para as dúvidas que surgiam e, posteriormente, ajudou na organização dos debates. A iniciativa foi multiplicada para outras turmas do “Maria Belém”, que se inspiraram no primeiro teste e passaram a ocupar outros espaços não formais e torná-los extensões das salas de aula.

De Barreirinha para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso” (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$ 1.500 para o projeto e R$ 500 para o educador.

A novidade desta edição fica por conta da viagem de premiação ser internacional: uma imersão em Roma, na Itália, no final de novembro, irá reunir mais de 2 mil crianças e jovens de países integrantes do movimento Design for Change – do qual o Criativos da Escola faz parte.

“Os sete projetos representarão um movimento de crianças e jovens de todo o Brasil que nos apresentam a beleza e a força de soluções coletivas, inovadoras e solidárias para os desafios de seus territórios e para os problemas que mais os incomodam em suas realidades. Estamos muito felizes em divulgar estas iniciativas que irão mostrar para o mundo não só projetos incríveis, mas também a necessidade de olharmos para as questões abordadas por cada um deles e para os direitos que deveriam ser garantidos para toda a sociedade”, comemora o coordenador do Criativos da Escola, Gabriel Maia Salgado.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Foto: divulgação

Terceira Feira Internacional de Vinhos na Amazônica acontecerá nos dias 20 e 21 de agosto

Especialistas em vinhos e renomados sommelières são presenças confirmadas na 3ª edição da Feira Internacional de Vinhos na Amazônia (Fiva). Gabriela Monteleone e Mikaela Paim farão parte da programação técnica da feira junto com Carlos Cabral, Denise Rohnelt, Joachim Schnorr, Dayane Casal, o cardiologista Tales Esper e o consultor esportivo Leonardo Santos. A programação de palestras acontecerá dentro do espaço da Fiva na sala Merlot, agendada para os dias 20 e 21 de agosto das 14h às 18h30, no Centro de Convenções Vasco Vasques (avenida Constantino Nery – Chapada).

A paulistana Mikaela Paim está na área de gastronomia desde 2004, se formou sommelière de vinhos em 2007, e para sua formação em todas bebidas alcoólicas do mundo viajou mais de 30 países. Hoje, com mais de 28 especializações em vinho, é a única brasileira especialista em alcoólicos, água, chá, café e sommelière internacional de charutos. Também faz palestras, consultorias, eventos e empreende em restaurantes em São Paulo e participa de iniciativas em prol do vinho no Brasil, como Enobrasil, Provinho e diretora de Vinhos na Abraselsp.

Outro nome confirmado, Gabriela Monteleone, formada em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, há 15 anos é sommelière, certificada pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP). Atuou em casas renomadas em São Paulo como Ici Bistro, Pomodori e GERO (Grupo Fasano). É head sommelier e Wine Director do Grupo D.O.M., cuidando das operações dos restaurantes D.O.M. e Dalva e Dito. É professora na ABS-SP, elabora cartas de vinhos e harmonizações de menus para empresas e para as chefes de cozinha Bel Coelho e Gabriela Barreto.É certificada pelos órgãos franceses Interloire e BIVC como Ambassadrisse Officielle dos vinhos do Vale do Loire (FR).

Carlos Cabral estuda vinho desde 1969. É idealizador e fundador da 1ª Confraria de Vinhos do Brasil – a Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (1980); membro das Confrarias dos vinhos da Bairrada, Alentejo, Madeira, Periquita (Portugal) e Saint Ubert (Espanha). É autor dos livros “A Presença do Vinho no Brasil”, “Porto: um Vinho e sua Imagem”, “A Mesa e a Diplomacia Brasileira”, “Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto”, “Imagens da Diplomacia Brasileira” e “Ferreira, Imagem que Marca”. É consultor de Vinhos da rede Pão de Açúcar Supermercados e ainda tem o projeto de pesquisa do Vinho do Porto no Ciclo da Borracha da Amazônia.

Denise Rohnelt de Araújo é jornalista especialista em gastronomia e turismo, atuando na área gastronômica desde 1997.Gaúcha de Porto Alegre, vive em Roraima há 28 anos, mas está na região amazônica há 41 anos, se dividindo entre os estados do Amazonas, Roraima e, recentemente, Pará. Além do jornalismo, formou-se em cozinha e confeitaria internacional no Instituto Internacional de Artes Culinárias Mausi Sebess, em Buenos Aires, Argentina. Ainda é curadora de eventos gastronômicos como: Feira Rota do SaboRR em Boa Vista, Roraima, e três edições da Feira Internacional de Gastronomia Amazônica – Figa, em Manaus. Foi jurada no reality gastronômico MasterChef Rede BAND de TV.

Palestras

A Fiva vai iniciar sempre às 14h e encerrará às 18h30, na sala Merlot. No dia 20, as palestras serão com o sommelier Joachim Schnorr (AM) com o tema “Técnicas de Degustação”. Às 16h, Gabriela Monteleone falará de “Vinhos naturais: tendência ou contracultura?”. Às 17h, será a vez de Mikaela Paim ministrar “Imersão ao mundo do vinho”.

No segundo dia de feira, as palestras começam com o tema “Drinks com espumantes”, ministrada por Denise Rohnelt. Na sequência, a empresária Dayane Casal, o cardiologista Tales Esper e o consultor esportivo Leonardo Santos farão o workshop “Vinho e Saúde”. A palestra de encerramento será com Carlos Cabral, com o tema “O mercado brasileiro do vinho e o comportamento do consumidor”.

Espaço Gourmet

O participante, além do circuito de degustação com 250 rótulos de vinhos, ilhas de frios e pães inclusos no passaporte da Fiva, vai ter à disposição um espaço gourmet (por adesão) com o restaurante Sabor A Mi, no comando de Luciana Felicori, com serviço a la carte para aqueles visitantes que desejaram compor as harmonizações com vinhos e espumantes.

Empresas relacionadas ao mundo do vinho, música ao vivo, estacionamento amplo com serviço de vallet, espaço totalmente climatizado com conforto para o visitante da feira e localização privilegiada.

Os expositores confirmados são Adega Alentejana, Top Internacional, Zahil Importadora, Freixenet, Vinícola Casa Perini, Decanter, Lídio Carraro, Grand Cru, Cantu Importadora, Obra Prima, Ecovino, Nossa Senhora de Fátima Importadora, Vinícola Famiglia Valduga, Bodegas Wine, Inovini, La Pastina, Oiram, Anima Vi um e Bacozon, além da Amazon Explorers, Vinotage, Santa Cláudia, Novotempo, MRM Sistema, Fabiana Arquitetura, Senac, Amazonastur e o apoio institucional da Abrasel no Amazonas.

O passaporte para um dia custa R$ 149, e R$ 270 para os dois dias. Mais informações podem ser obtidas via e-mails contato@fivaamazon.com e fivaamazonia@gmail.com.

Foto: divulgação

Dor pélvica crônica impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes

Com duração de seis meses ou mais, a Síndrome da Dor Pélvica Crônica caracteriza-se por estar centralizada entre o abdome e o quadril e é considerada debilitante, além de vir acompanhada de grande impacto social e na qualidade de vida do paciente, podendo gerar depressão. Ela pode estar associada a doenças como prostatite, cistite e até à síndrome do cólon irritável e atinge tanto homens quanto mulheres, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo.

De acordo com ele, o problema é mais amplo e prevalente do que se pensa. A dor pélvica crônica pode ser provocada por problemas neurológicos, psicológicos, endrócrinos, gastrintestinais, urinários, ginecológicos ou no músculo-esquelético.

“Em parte dos casos urológicos, a prostatite, doença inflamatória que causa inchaço na próstata, é um dos fatores recorrentes. As cistites, que caracterizam-se por inflamações na bexiga, também podem causar o problema, se não tratada a tempo e de forma adequada”, destacou.

Já a síndrome do cólon irritável (distúrbio da motilidade intestinal) provoca dor abdominal constante, constipação (prisão de ventre), diarréia e cãibras na região pélvica. Por ter inúmeros fatores de risco, esse tipo de dor crônica é bastante comum na população.

Principais características

“Uma das principais características dessa dor, que se assemelha a uma cólica, é que sua intensidade é maior, levando o indivíduo a buscar ajuda médica, geralmente. Ela aumenta com o passar do tempo e pode ser tratada clinicamente ou cirurgicamente, dependendo do caso e da avaliação clínica”, frisou.

Na população feminina, o problema acomete entre 15 e 20% das mulheres em idade reprodutiva. “Na maioria dos casos, essas mulheres ou não recebem o diagnóstico ou nunca fizeram tratamento por que deixam de procurar um especialista. Por isso, reforçamos a necessidade de uma investigação mais aprofundada”, explicou Figliuolo.

No dos homens, a população acometida é, geralmente, de jovens ou pessoas meia-idade. Sabe-se, ainda, que a síndrome está associada a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e, quando resulta em dor muito intensa, afeta o desempenho sexual e causar fadiga constante.

Nesse grupo específico, a dor pélvica crônica também ocorre durante o processo de ejaculação, ao urinar ou na eliminação das fezes, causa fluxo urinário lento ou obstrutivo, aumento da freqüência urinária, dor abaixo do umbigo, pressão ou desconforto.

Podem auxiliar no diagnóstico os exames laboratoriais (hemograma, exame de urina , PSA e etc) e exames de imagem ( ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, entre outros).

Estruturas envolvidas

O especialista reforça que qualquer estrutura abdomino-pélvica pode estar envolvida, mas, destacam-se órgãos genitais, vasos sanguíneos, músculos e parede abdominal, além da bexiga, ureteres e intestino.

“É bom observar que qualquer sinal de dor pélvica deve ser analisado por um médico. Mas, se o problema persistir por meses, com desconforto na pelve, períneo ou genitália e as causas não são explicáveis – ou seja, não estão associadas a doenças como o câncer ou anomalias estruturais -, é preciso uma atenção maior”.

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Julho verde acende alerta sobre o câncer de cabeça e pescoço

As neoplasias malignas de boca (cavidade oral e orofaringe) são as que predominam na lista dos cânceres de cabeça e pescoço no Amazonas, somando 110 casos ao ano, conforme a última projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS). Esse tipo de tumor é mais comum a partir dos 40 anos e tem relação direta com fatores de risco externos, como o tabagismo e o alcoolismo, mas também pode estar associado ao vírus HPV (Papilomavírus Humano), ao excesso de gordura corporal e à exposição ao sol (no caso dos lábios), explica a presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), enfermeira oncológica Marília Muniz.

Conforme informações do Inca, o câncer de boca afeta lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua e a região embaixo da língua. A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato fibroso, compõem a orofaringe.

O cirurgião de cabeça e pescoço, Fábio Bindá, esclarece que quando individualizados os grupos por sexo, predomina na população masculina o câncer de boca (com 80 casos) e na feminina, o de tireoide (com 70 casos previstos por ano). Além deles e do câncer de boca, fazem parte do grupo dos cânceres de cabeça e pescoço os tumores malignos de laringe, faringe e esôfago cervical. Juntos, eles somam 280 novos diagnósticos no Amazonas, anualmente, conforme estimativa.

“Os diagnósticos, em sua maioria, se dão com a doença em estágio intermediário ou avançado, o que dificulta o tratamento. Hoje, as abordagens cirúrgicas têm apresentado resultados satisfatórios, quando o diagnóstico é feito na fase inicial. Também podem ser utilizados durante o processo de combate ao câncer a quimioterapia, radioterapia e a iodoterapia (esta última voltada para o câncer de tireoide)”, explicou.

Entre os sinais do câncer de cabeça e pescoço estão: feridas na cavidade oral ou nos lábios, que não cicatrizam em até 15 dias; manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua; rouquidão persistente; nódulos ou caroços na região do pescoço; dificuldades ao mastigar ou ao engolir; dificuldade na fala ou para movimentar a língua e sensação de que há algo preso na garganta.

Campanha Julho Verde

Há alguns anos, instituições de saúde e entidades de apoio à causa câncer, inseriram em seus calendários o “Julho Verde”, campanha voltada à prevenção do câncer de cabeça e pescoço, cuja maioria dos casos tem diagnóstico tardio, o que leva a um tratamento agressivo e às vezes mutilador.

“No caso do tabagismo, as campanhas estão voltadas para a prevenção, em especial, nas escolas, buscando evitar que crianças e adolescentes tenham contato com o cigarro. O mesmo ocorre com as bebidas alcoólicas. Associados, esses dois produtos podem influenciar no desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Entre eles, estão os de cabeça e pescoço e os dos aparelhos respiratório, digestivo e urinário”, destacou Marília Muniz, presidente da Lacc.

Ela explica que a entidade tem atuado fortemente na política de prevenção e controle do câncer no Amazonas, contando com a ajuda da sociedade, que realiza doações voluntárias à instituição. As colaborações podem ser feitas pelo site www.laccam.org.br ou pelo telefone (92) 2101- 4900 .

Para ela, a intensificação das campanhas e a parceria entre os entes públicos e privados, para a disseminação de informações sobre prevenção e os fatores de risco do câncer, tendem a reduzir o número de casos e também de mortes no Amazonas. “Acreditamos no poder da informação e no envolvimento e comprometimento da sociedade com essa causa, que é tão importante e atinge milhares de famílias, todos os anos, no nosso estado. Queremos ampliar nossa atuação. Mas, para isso, precisamos da participação da população com doações e novos voluntários”, concluiu.

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Curso de informática específico para idosos ganha adeptos em Manaus

O Curso de Informática para a Terceira Idade do Senac Amazonas vem ganhando espaço e cada vez mais adeptos. A flexibilidade do horário, o atendimento individual e o preço acessível são pontos favoráveis da modalidade. O curso, que tem na ementa Windows, Internet e Rede Sociais, custa o valor de R$ 140.

A modalidade é ofertada nas unidades do Senac Centro, Chapada e Cidade Nova, por meio da Escola Interativa. O espaço é exclusivo para alunos que buscam qualificação e ensino, mas que preferem fazer o seu horário de estudo, como a aposentada Itelvina Leny dos Santos , 73.

“Eu tenho achado o curso muito bom. Tenho aprendido tanto. Temos liberdade para chegar a hora que quer, ficar só no computador, sem ninguém cutucando. Eu acho melhor assim. Aqui é só, tem que aprender só. O resultado final é meter a cara pra saber mesmo”, disse Itelvina.

A “jovem” estudante, como ela se intitula, que já fez cursos de corte e costura, datilografia, bordado e culinária, dessa vez se desafiou e afirma está contente com a escolha e promete não parar por aqui.

“Eu tenho muita dificuldade em lidar com o celular, com as coisas novas de tecnologia. Tinha que ficar pedindo dos outros. Pensei comigo mesma: Não, vou é aprender esse negócio. Quando terminar esse, vou pro avançado. Não vou sair daqui tão cedo”, brincou.

Para a doméstica Rosalba Souza, 54, o curso de informática básica é uma oportunidade. Ela frequenta a unidade do Senac duas vezes ao dia e, no seu tempo, adquiri o conhecimento desejado para conquistar a volta para o mercado de trabalho.

“Chego aqui e faço meus trabalhinhos sem pressa. Escrevo tudo, respondo as perguntas e vou aprendendo. Fiquei muito tempo parada, pensava muito no trabalho e, agora, estou aproveitando meu tempo. Meu ex-patrão quer me chamar pra distribuidora dele e pediu pra eu fazer o curso, estou me preparando”, contou eufórica.

Tempo

De acordo com o professor Rodrigo Silva, que acompanha os alunos na unidade do Senac Chapada, os idosos optam pelo curso devido a flexibilidade do tempo e liberdade no momento do aprendizado.

“A principal diferença dos cursos da Escola Interativa é essa, a flexibilidade de horário. Outros pontos que são destacados por eles também são questões como acompanhamento individual, o início imediato e a liberdade de aprender só não necessariamente precisa esperar fechar uma turma pra começar”, destacou.

Além do curso de informática para idosos, a Escola Interativa Senac oferta cursos presenciais de digitação, criação de games no Construct 2, criação de artes gráficas, técnicas para secretárias, práticas administrativas de escritório, departamento pessoal, informática kids e outros.

Foto: Fecomércio/Ascom

Amazonas é apresentado para um milhão de espectadores alemães

Da Redação

O potencial, a diversidade e a peculiaridade turística do Estado do Amazonas foi destaque no Die Welt Grenzenlos (Sem Limites – Descobrindo o Mundo), um dos mais renomados programas de viagem da Alemanha, com 1 milhão de espectadores por episódio. A equipe esteve no Brasil com apoio da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), no fim do ano de 2018, por meio de ação de press trip organizada pela Coordenação de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. A reportagem de pouco mais de 40 minutos aborda, além das belezas da floresta, o açaí, os botos, rituais indígenas, os rios e também parte da vida cotidiana dos moradores na agitada metrópole Manaus.

A apresentação da reportagem, no canal do programa no YouTube, destaca a Amazônia, como a corrente mais poderosa da Terra, em referência ao Rio Amazonas, “Joia de coroa da natureza do mundo. Para os humanos, a abundância de paisagens de rios tropicais é inestimável … Aqui, as pessoas vivem dos tesouros produzidos pelo rio e pela selva”.

Os protagonistas da matéria são típicos representantes da população do Amazonas, entre eles José, artesão de produtos da madeira carreada pelos rios; Maria, ribeirinha amiga dos botos; Anderson, carregador do Porto de Manaus; Júlio, extrativista produtor de açaí; Toti, especialista na pesca de piranhas; Raimundo Nonato, funcionário do Teatro Amazonas; o chefe Sateré-Mawé e o ritual de maioridade da formiga tucandeira, entre outros.

Para o presidente interino da Embratur, Leônidas Oliveira, “as menções positivas dos destinos brasileiros na imprensa alemã mostram que somos um país importante para o turismo internacional. Além de agregar valor, ajuda a enaltecer os aspectos regionais de cada destino. O reconhecimento de veículos renomados é fundamental para que mais viajantes se sintam atraídos em conhecer o Brasil”, disse.

De acordo com a diretora interina de Marketing e Relações Públicas do Instituto, Milena Pedrosa, o valor de mídia do programa corresponde a 4 milhões de euros, equivalente a 17 milhões de reais. “Nesta edição, o foco foi a Amazônia, intitulada como a joia da natureza do mundo. Sem temas negativos, salientamos que esse é um dos melhores resultados possíveis na Alemanha. Em termos de credibilidade, o programa é muito renomado”, informou a diretora.

A Alemanha ocupa a 7ª posição na lista dos que mais visitam o Brasil, de acordo com o Anuário Estatístico do Ministério do Turismo. Mais de 200 mil alemães estiveram nos destinos brasileiros em 2017, data do último levantamento. Destes que vieram a Lazer para o Brasil, 47% escolheram destinos de Natureza, Ecoturismo ou Turismo de Aventura, seguidos de Sol e Praia (30%).

Manôbike tem 111% mais procura em fevereiro do que no mesmo mês do ano passado

Criado para dar mais mobilidade à capital do Amazonas, o Manôbike, fruto da parceria entre a Prefeitura de Manaus e o Hapvida, teve um aumento de 111% na procura pelo serviço em fevereiro deste ano, realizando 701 viagens no mês, contra 332 no mesmo período de 2018. Para se ter uma ideia, já são mais de 16 mil viagens realizadas.

E como a capital já possui uma frota de mais de 700 mil veículos segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), cada vez mais é importante o uso de meios alternativos de transporte não poluentes e que visam à melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.

O projeto já conta com 15 estações de retiradas de bicicletas, sendo as novas estações localizadas na rua Ramos Ferreira esquina com Major Gabriel; na avenida Sete de Setembro, no final da ponte de ferro, em frente ao mercado municipal Walter Rayol, no Terminal 1 (T1), na avenida Constantino Nery, próximo da Leonardo Malcher, e no Terminal 2 (T2), na Cachoeirinha, na avenida Manicoré, esquina com Carvalho Leal.

A estação que funcionava antes na rua Miranda Leão foi transferida e está implantada agora na Praça da Matriz, mais próximo do terminal. Sábados e domingos são os dias de maior uso do modal, e o horário preferido pelos usuários é o das 16h às 18h. As estações com maior número de retiradas e bikes devolvidas são as que ficam ao lado do Teatro Amazonas e nas proximidades do Parque Jefferson Péres.

A ideia de ter as estações das bicicletas compartilhadas é facilitar a integração e conexões entre modais de transporte, para que o uso seja voltado para mobilidade urbana e deslocamentos dentro da cidade, seja para o trabalho, estudo ou lazer.

Segurança

Para segurança, conforto e melhor mobilidade aos ciclistas, a Prefeitura de Manaus implantou 14,5 quilômetros de ciclorrotas, com sinalização horizontal e vertical, num grande quadrilátero no Centro.

Vale destacar que as ciclorrotas indicam a presença e a preferência da bicicleta. Essa alternativa tem sido uma solução adotada por várias cidades para projetos de ciclomobilidade, sendo um modelo mais simples, fácil de implantar e com pouco impacto viário. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Aracaju, Vitória, Curitiba e, agora, Manaus, possuem ciclorrotas.

Como funciona?

O sistema funciona de segunda-feira a domingo, das 6h às 23h, para retirada do equipamento, e 24 horas para devolução. No site www.manobike.com.br, o usuário pode se cadastrar e conhecer mais detalhes do projeto. 

Após cadastro no aplicativo e/ou no site (www.manobike.com.br), o usuário da Manôbike tem a opção de adquirir o passe mensal (R$ 10) ou diário (R$ 5), e não paga valor adicional desde que use de acordo com as regras do projeto. De segunda a sábado, o uso pode ser de 60 minutos ininterruptos, quantas vezes por dia o usuário desejar, desde que respeite o intervalo de 15 minutos entre as viagens. Aos domingos e feriados, o uso passa a ser de 90 minutos.

As estações da Manôbike funcionam alimentadas por energia solar e são interligadas via sistema de comunicação sem fio, redes 3G e 4G, permitindo que estejam conectadas 24 horas por dia.

Foto: divulgação

Inpa vai realizar em parceria maior soltura de peixes-bois da Amazônia no final de semana

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos no próximo fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri e a 173 quilômetros de Manaus. Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história. A ação, que inicia dia 22 e vai até dia 25 de março, é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, explica o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.

A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas.

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo, e acrescenta que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada de sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã de sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).

Foto: Luciete Pedrosa/acervo Inpa

Dia da Incontinência Urinária serve de alerta para quebrar tabu sobre o problema

Atividades simples e corriqueiras do dia a dia podem tornar-se um martírio se a sua vida depender sempre de ter um banheiro por perto. Essa é a realidade de pelo menos 5% da população mundial que sofre de incontinência urinária, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Para conscientizar a população sobre esse problema que afeta tanto homens quanto mulheres, foi criado o Dia da Incontinência Urinária, comemorado dia 14 de março.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), uma em cada 25 pessoas no Brasil sofre de incontinência urinária e menos de 1/3 destes procura orientação médica. O cirurgião-urologista, Giuseppe Figliuolo, presidente da SBU Seção Amazonas, explica que a doença acomete 35% das mulheres após a menopausa, 40% das mulheres gestantes e entre os homens, cerca de 5% dos submetidos à cirurgia para retirada da próstata (prostectomia), mas a disfunção pode aparecer em qualquer fase da vida.

“A incontinência urinária é a perda involuntária de urina e esta é uma data importante para alertar a população sobre o problema que, quando aparece, vem acompanhada de desconhecimento e ansiedade, e acaba afetando diretamente o convívio social, já que muitos acabam se isolando. Assim, a pessoa passa a ter receio de determinadas situações, restringe sua vida sexual e sente-se frequentemente envergonhada, o que pode favorecer o aparecimento de um quadro de depressão”, afirma o urologista.

O problema também pode surgir como um sintoma de alguma doença como infecção urinária, cálculo vesical, tumores de bexiga, poliúria e outras doenças neurológicas como Parkinson, sequelas de AVCs ou lesões na medula.

Os sintomas de que algo está errado no sistema urinário são: Liberação involuntária de urina, especialmente ao tossir, espirrar ou rir; vazamento de uma pequena a moderada quantidade de urina; frequente e incontrolável necessidade súbita de urinar; jato urinário fraco; necessidade de se esforçar ao urinar e uma sensação de que a bexiga não está vazia.

O mito de que só acomete pessoas mais velhas também precisa ser combatido, segundo Figliuolo. A atriz britânica Kate Winslet, já admitiu que convive com o problema. No caso dela, a doença e do tipo incontinência urinária de esforço, que provoca perda involuntária de urina quando o corpo está sob pressão física, como, por exemplo, tossir, espirrar, rir, levantar objetos pesados ou até mesmo a fazer exercício físico. Um outro tipo é a incontinência urinária de urgência, quando aparece o desejo  forte e repentino de urinar  sem que a pessoa  consiga chegar a tempo ao banheiro. Pode ocorrer também quando há uma pequena quantidade de urina na bexiga. “Há também a possibilidade de ocorrência das duas formas e para todos os casos, existe tratamento”, afirmou Giuseppe Figliuolo.

Os tratamento atuais são eficientes e garantem a melhora em 80% dos casos, segundo o especialista. “A escolha do tratamento para incontinência urinária ocorre após o diagnóstico e identificação da causa e do tipo de perda urinária.  Ela muda de acordo com o quadro clínico de cada paciente e é possível que ele faça uma combinação de vários como cirurgia, fisioterapia, medicamentos, entre outros. É importante que não haja vergonha diante do médico para buscar a melhor solução”, explica Giuseppe Figliuolo.

Prevenção

A principal forma de prevenção são os hábitos saudáveis como não fumar; controlar o peso nas gestações; consultar o médico regularmente e controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão; evitar o sedentarismo e a obesidade, praticando exercícios moderados regularmente e mantendo uma alimentação balanceada e rica em fibras; evitar e tratar a prisão de ventre; além de fazer exercícios para o fortalecimento da musculatura pélvica. Um exemplo disso é movimentar a bexiga, quando estiver vazia, como se fosse para segurar a urina, contraindo ao mesmo tempo os glúteos. Manter a contração por 10 segundos e descansar por mais 10, em 10 repetições, durante três sessões diárias.  

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Fórum inicia agenda de mobilização em Manaus com abraço simbólico e caminhada pelo Dia Mundial da Água

Conservação de nascentes, lagos, igarapés e rios; fiscalização e implementação de comitês de bacia hidrográfica; informação e transparência sobre políticas públicas voltadas para esgotamento sanitário e abastecimento de água em Manaus são algumas das principais preocupações do Fórum das Águas, coletivo de entidades da sociedade civil que promove, nos próximos dias 21 e 22 de março, uma intensa programação em comemoração ao Dia Mundial da Água na capital amazonense e cujo lema deste ano é “A Água nossa de cada dia”.

O objetivo é inserir o tema na pauta da cidade a fim de despertar linhas de reflexão e ação, além de incidir em políticas públicas que entendam que água deva ser tratada de modo inteligente, recuperando a biodiversidade dos mananciais de água, tendo em vista a preservação do meio ambiente, uma vez que a água é a única fonte de riqueza natural que, se extinta, leva à destruição da vida na Terra.  

A programação consta de dois dias de atividades: no dia 21.03, a partir das 16h, haverá mobilização com cartazes e faixas educativas para chamar a atenção da população sobre a importância do Dia Mundial da Água. No dia 22.03, haverá abraço simbólico da nascente do Tarumã no bairro Jorge Teixeira às 9h, coordenado pelo Projeto Salve o Mindu, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Às 15h, a caminhada pela Água inicia na Praça Paulo Jacob, na avenida Igarapé de Manaus, Centro, e segue até a Praça da Matriz, com previsão de chegada às 17h. 

Para se ter uma idéia sobre a importância do tema e a dimensão do problema, basta considerar que o planeta Terra, embora seja composto por 70% de água, somente 0,7% é potável. Nesse contexto, a crise que afeta os igarapés da Bacia do São Raimundo, também afetam com a mesma intensidade de impacto, outras dez bacias hidrográficas de Manaus cujo sentido da correnteza, em geral poluída, é o rio Negro, tributário da maior e mais importante bacia hidrográfica do planeta, a Bacia Amazônica.

“É neste conceito que o Fórum das Águas baseia sua preocupação e princípio de luta, desde 2012. E não estamos sozinhos: tivemos a Campanha da Fraternidade 2016 com o tema ‘Casa comum, nossa responsabilidade’, que reacendeu a discussão sobre nossa responsabilidade com o Meio Ambiente, uma vez que o mundo em que vivemos é uma casa para todas as pessoas. Além disso, conseguimos aprovar a realização do Sínodo sobre a Amazônia, que abriga o maior manancial de água do planeta. Então, temos esta responsabilidade de garantir a existência das gerações futuras, mas que é preciso que comecemos porque já estamos atrasados”, afirmou o padre jesuíta Paulo Tadeu Barausse, do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (Sares), uma das instituições fundadoras do Fórum.

Ele lembra ainda que, a exemplo da tragédia ocorrida em Brumadinho (MG), com o rompimento da barragem do Córrego do Feijão onde havia exploração de minério, não há, no Brasil, legislação que ampare o julgamento de crimes contra mãe natureza. “Diante disso, fica-se à mercê da justiça comum, sem que haja qualquer parâmetro de responsabilização e todo esse contexto é o motivador da nossa luta”, completou o jesuíta.

Em nível mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, ainda em 2018, a “Década Internacional para a Ação: Água para o Desenvolvimento Sustentável (2018-2028)” como forma de alertar e estimular ações em busca de solução para o problema.

Em Manaus, a proposta de renaturalização do igarapé do Mindu e de criação do Comitê da Bacia do Mindu, a partir dos conselhos do Parque Municipal Nascentes do Mindu, Parque do Mindu e Parque dos Bilhares, idealizado e encampado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é uma das formas de iniciar o movimento de resgate e preservação de um dos principais cursos de água receptor de resíduos. A renaturalização é um conceito mundial já adotado, por exemplo, no rio Tâmisa, em Londres; e Cheonggyecheon, em Seul, modificando o cenário urbano-turístico e gerando positivo no ambiente e na economia. Estudo coordenado e orientado pela geógrafa Selma Batista, professora da instituição de ensino que também integra do Fórum das Águas, aponta que manter o modelo de canalização e aterramento de cursos d’água contribui para a produção de cenários de crise e risco socioambiental, provocados por inundações, deslizamentos, doença de veiculação hídrica entre outros danos para o homem e Natureza.

Responsável pelo “Projeto Salve o Mindu”, Selma Batista explica que a importância de se olhar para o curso d’água se dá em função das suas dimensões e localização geográfica: é o maior igarapé da cidade, com 16 quilômetros de extensão, atravessando 12 bairros de Manaus como marco divisor da cidade em Leste e Oeste. Em mais 4 quilômetros, juntamente com outros afluentes, alcança o rio Negro onde descarta toneladas de lixo, resíduos, entulhos e esgoto, carregados pela correnteza das águas das chuvas. Quando torrenciais, provocam inundações colocando em risco a população, irregularmente residente em suas margens ou mesmo as regulares, cadastradas com IPTU.

“O que considerávamos como ‘geração futura’ já são os nossos filhos e o que deixamos de legado, de cuidado com a água? Por isso trazemos esta proposta de começarmos cuidando do Mindu sem perdermos de vista a perspectiva da importância da luta sobre outras complexidades que envolvem o assunto água, como esgotamento sanitário e abastecimento, por exemplo”, afirma Batista.

Ela aponta como exemplo, a necessidade de discussão e reflexão junto à sociedade sobre a eficácia de projetos como Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), implementado pelo Governo do Estado do Amazonas na bacia do Educandos; o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis), na bacia do São Raimundo; e o Programa de Integração, Mobilidade e Desenvolvimento da Cidade de Manaus (PIMD/Manaus) que, juntos, somam um volume total de empréstimos de mais de US$ 1,35 bilhão, o que acaba por endividar Estado e Município sem, no entanto, terem corrigido o problema, colocando em risco os recursos hídricos urbanos, as encostas, a mata ciliar e o clima de Manaus.

Na avaliação de estudos coordenados pela UEA, o cenário sinaliza a necessidade, em curto prazo, de nova captação de recursos para intervenções corretivas em infraestrutura urbanística ou habitacional, ainda que os recursos anteriores não tenham atendido as metas estabelecidas, como, por exemplo, a cobertura da rede de esgoto sanitário instalada pelo Prosamim que se encontra em parte, ociosa.

Programação para o Dia Mundial da Água em Manaus foi divulgada pelo Fórum das Águas

Representante da comunidade João Paulo, no bairro Jorge Teixeira, seo Salatiel Cirilo Cordovil dos Reis sempre militou em prol do benefício do tratamento de água e do esgotamento sanitário em Manaus. “Água é vida”, afirma categoricamente.  Fundador do Fórum das Águas desde 2012, ele aprendeu no dia a dia e por meio da fiscalização de obras, a identificar situações que comprometem as comunidades do bairro e que não visam um futuro de preservação do consumo de água. “Em pouco tempo teremos áreas alagadas na região do Jorge Teixeira por conta de obras como o Prourbis que nem ao menos terminaram e já não servem ao propósito original”, afirmou, explicando que atualmente o esgoto captado não é tratado corretamente. 

Para o presidente do Instituto Sumaúma, Augusto Leite, salvar um fragmento de floresta que hoje é o parque Sumaúma é um dos exemplos do que pode ser construído a partir da coletividade. As ações coordenadas pelo parque incluem mobilização de comunitários e moradores do entorno para serem mais vigilantes quanto a irregularidades, bem como incentivar a educação de crianças do entorno e nas escolas.

O empoderamento de agentes multiplicadores, por meio da informação e conhecimento, dentro do contexto de Comitê de Bacia Hidrográfica, também um dos pontos incentivados pelo Fórum das Águas.  “Vejo que ainda não estamos tão impactados quanto às demais bacias, mas estamos suscetíveis a isso. Estamos consolidando a formação de uma agenda comum, de formação dos comitês de bacia. E isso é uma política muito forte, por exemplo, em MG, onde representantes de todos os comitês se uniram estar no local do acidente de Brumadinho, bem como cobrar e propor soluções, bem como promover políticas públicas que resguardem as águas”, afirmou a bióloga Solange Batista Damasceno, presidente do Comitê de Bacia do Tarumã-Açu, e Conselheira do Conselho Regional de Biologia da 6ª região.

“Ainda não estamos tão impactados quanto às demais bacias de Manaus, mas estamos suscetíveis a isso. A ausência de uma consciência amazônica de pertencimento e de uma cultura de descarte adequada precisa ser trabalhada”, afirma a bióloga que também é educadora ambiental.

O Fórum

O Fórum das Águas tem como princípio ser espaço público, amplo e democrático, aberto ao debate de ideias e experiências, articulador de ações eficazes junto aos movimentos da sociedade civil, lideranças comunitárias, educadores ambientais e demais entidades com a proposta de incidir na construção de políticas sobre a água na cidade de Manaus.

Integram o Fórum das Águas: Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares); MovimentoSalve o Mindu da Universidade do Estado do Amazonas – UEA; Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Tarumã-Açu (CBHTA); Instituto Sumaúma; Escola Municipal Francisca Nunes; Movimento Cultufuturista da Amazônia; Levante Popular da Juventude; Engajamundo; Rede um grito pela vida; Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus; Comunidade Eclesial de Base (CEBs) regional Norte 1; Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM); Amigos Sementes da Natureza do Puraquequara; Parque Municipal Nascente do Mindu; Pastoral da Criança da Arquidiocese de Manaus; Equipe Itinerante; Movimento de Mulheres Negras da Floresta – Dandara; Fórum Permanente das Mulheres de Manaus

Dia Mundial

Instituído Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de fevereiro de 1993, o Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi criado para alertar a população mundial acerca da importância da preservação hídrica para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta.

De acordo com a ONU, a água potável é um direito humano garantido por lei desde 2010. Mesmo o planeta Terra sendo constituído por aproximadamente 70% de água, apenas 0,7% de toda a água do mundo é potável. É considerada água potável a que é adequada para o consumo humano.

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA MUNDIAL DA ÁGUA (22 DE MARÇO)

Dia 21.03: Mobilização para o dia 22 na Bola do Produtor; às 16h

Dia 22.03: Abraço das Nascentes (Nascente do Mindu – Jorge Texeira) – 9h às 11h;

Dia 22.03: Caminhada pela água – Concentração às 15h na Praça Paulo Jacob (Av. Igarapé de Manaus – Centro) até à Praça da Matriz (previsão de chegada às 17h)

Foto principal: Valter Calheiros

Foto interna: Divulgação