Amazônia Legal tem nova plataforma de informações para desenvolvimento sustentável

Por César Augusto*

Uma plataforma de acesso a dados consolidados sobre os nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) foi lançada nesta quarta-feira (24) pela iniciativa Uma Concertação pela Amazônia em webinar transmitido pelo canal Revista Página22, no YouTube. A Amazônia Legal em Dados, com acesso liberado a qualquer pessoa, proporciona de forma inédita uma visão integrada das nove unidades amazônicas, reunindo 113 indicadores em 11 temas como ciência e tecnologia, demografia, desenvolvimento social, educação, economia, infraestrutura, institucional, meio ambiente, saneamento, saúde e segurança.  Todas as informações são obtidas a partir de 16 fontes conhecidas, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, pretende oferecer uma melhor base para a discussão e implementação de políticas públicas para a região.

A ferramenta, desenvolvida pela empresa Macroplan, traz análises de questões críticas e mostra desafios da região nos últimos 10 anos, além de permitir observações prospectivas, ou seja, como estes indicadores podem evoluir rumo a 2030. Os dados podem ser visualizados por municípios e também dentro de quatro grandes divisões da Amazônia: arco do desmatamento, cidades, região antropizada e região conservada.

Com base nos dados disponibilizados na plataforma, é possível acessar informações, por exmeplo, sobre taxa de homícidios nos nove Estados e seus municípios, número de óbitos por acidentes de trânsito, índices educacionais, dados populacionais e taxa de desemprego. A intenção é buscdar o desenvolvimento sustentável a partir de informações estratégicas, segundo o sócio diretor da Macroplan, Gustavo Morelli. “Não se trata de um repositório de dados, e sim de um hub de inteligência estratégica para apregar valor aos protagonistas desse processo (moradores da região e aqueles que se beneficiam desse momento”, esclarece. Outra característica da plataforma é a possibilidade de identificar os desafios específicos na região com base em algoritmos que os identificam. “Ela foi pensada para o gestor público, o governador, o empresário”, informa. Segundo Morelli, essa primeira versão da plataforma deve ser incrementada aos poucos com o retorno dos usuários.

O representante da Concertação e fellow do Instituto Arapyaú, que participou da concepção do projeto, Francisco Gaetani – também professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundcação Getúlio Vargas (Ebape/FGV) -, afirma çque a plataforma permite uma base para trabalhos na região de forma a alavancar o seu desenvolvimento sustentável. “É um impulso ao esfçroço conjunto de trabalho por uma Amazônia inovadora, transformadora, que respeita suas riquezas e as use como mola para o desenvolvimento. “A região é uma grande vitrine viva do Brasil para o mundo”, declara. “Cada vez mais valorizamos as evidências, pois ajudam a entender a realidade e a tomar as melhores decisões. Neste portal reunimos mais de 100 indicadores em um único lugar para facilitar a obtenção e análise de dados, principalmente para o gestor público”, acrescenta Gateani.

Para o governador do Maranhão e presidente do Consórcio Amazônia Legal, Flávio Dino, a plataforma vai iluminar as realidades da região e reunir dados confiáveis para geração de projetos, captação de recursos e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento sustentável. “Essas iniciativas regionais ganham importância quando existe hoje apologia da ignorância como norteadora de ‘políticas públicas’. Acreditamos no conhecimento como chave de superação dos problemas, sem saídas milagrosas”, aponta o governador.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Tatiana Schor, declara que a iniciativa permite mostrar a utilidade e necessidade dos dados apresentados, possibilitando cruzamento de dados de modo fácil. “Precisamos pensar em como a plataforma vai ser útil nas áreas de atuação”, afirma Schor, com a experieência de quem, como pesquisadora, sempre percebeu a dificuldade de monitoramento de dados pela ausência de informações fidedignas. “Este portal vai além das plataformas que temos disponíveis atualmente, pois permite a análise dos desafios e os recortes temáticos, assim como as possibilidades de fazer perguntas e de ter perspectivas de novas análises. Sabemos que só com os dados que já existem a aferição ainda é fraca”, acrescenta a secretária.

“Existe uma visão maniqueísta sobre a Amazônia que nos leva a cair em armadilhas, e a plataforma vai ajudar a se ter uma melhor noção do que é a região”, avalia o economista e ex-governador do Pará, Simão Jatene. “Os dados ajudam a construir uma história, qualificando melhor os problemas de cada Estado e ajudando a responder melhor a eles”, acrescenta. Para o economista, a Amazônia deve deixar de ser vista como um apêndice do país, em razão de sua extensão, pois ocupa cerca de 60% do território nacional.

“A Concertação nasceu, essencialmente, para a desfragmentação de iniciativas na Amazônia Legal. O lançamento da plataforma é o primeiro passo concreto da iniciativa nesse rumo e tem a intenção de se tornar, mais do que um hub de tecnologia, uma plataforma comum de conhecimento dos dados a ser utilizada por gestores públicos e demais interessados na agenda de desenvolvimento sustentável da região”, diz Renata Piazzon, Secretária Executiva da Concertação pela Amazônia.

Funcionalidades

Pelo portal, é possível checar com agilidade, por exemplo, quais os coeficientes de Gini (que mede a desigualdade de renda domiciliar per capita) dos estados e da região. O território da Amazônia Legal aparece em crescente evolução no coeficiente de Gini, que em 2019 foi de 0,535, próximo da média nacional (0,538), mas ainda distante da região Sul, que foi 0,467. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. O melhor indicador na região foi registrado no Mato Grosso, de 0,456, em 2019, refletindo sua posição como o estado com a melhor renda domiciliar per capita da Amazônia Legal, no valor de R$ 1.360,20, enquanto a média da região é de R$ 872,00.

Ao mesmo tempo, a plataforma Amazônia Legal em Dados mostra que a região teve crescimento nos últimos dez anos tanto do PIB total quanto do PIB per capita. Na década de 2008 a 2018, houve um crescimento real do PIB de 32% e a participação da região no PIB do país subiu 1,5 p.p. no período. Enquanto o PIB per capita da região teve um crescimento médio real de 1,2% ao ano, superior ao do Brasil (0,3%) e das demais regiões do país. Porém, é necessário ousar no crescimento do PIB per capita da região, o qual ainda é 38,7% inferior ao restante do país.

AMAZÔNIA LEGAL EM NÚMEROS

808 municípios (14,5% das cidades do país)

5,1 milhões de quilômetros quadrados (60% do território brasileiro)

29,3 milhões de habitantes (14% do Brasil)

11,2 milhões de ocupados (12% do Brasil)

PIB de R$ 623 bilhões (9% do PIB nacional)

SERVIÇO

Portal Amazônia em Dados – https://amazonialegalemdados.info/home/home.php

Uma Concertação Pela Amazônia

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia nasceu em 2020 sob a premissa de que é preciso gerar conhecimento, promover o debate e buscar consensos sobre os diversos aspectos e dimensões que envolvem a região amazônica. Fazem parte da iniciativa mais de 250 lideranças que priorizaram o entendimento da complexidade da Amazônia como condição essencial para o desenvolvimento do país. São representantes de toda a sociedade brasileira, como governos, entidades filantrópicas, setor econômico, comunidades locais e academia, que buscam soluções de conservação e de desenvolvimento sustentável da região.

Seus membros se encontram em plenárias mensais e em grupos de trabalho para discutirem questões como bioeconomia, regularização fundiária, caminhos para a Cop26 e engajamento do setor privado, voltadas para as quatro macro regiões, classificadas como:

. Amazônia Conservada, que hoje tem boa área de proteção, serviços ambientais e bioeconomia de baixo impacto;

. Arco do Desmatamento, região do agronegócio com predominância do manejo florestal;

. Amazônia Antropizada, com atuação do setor de mineração e agronegócio, e

. Amazônia Urbana, onde predominam os serviços e a indústria.

Ao ampliar vozes, garantir a diversidade e promover um ambiente seguro de trocas, a Concertação busca reduzir a fragmentação de iniciativas e a polarização sobre a região e, assim, construir uma agenda positiva e de longo prazo. Dessa forma, pretende também engajar mais líderes e promover modelos de negócios voltados para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Mais informações: https://pagina22.com.br/uma-concertacao-pela-amazonia/

* Com informações da assessoria de comunicação

Foto: Agência Brasil

Foco, segurança e inovações para reinventar o turismo

Por Lenise Ipiranga

Passagens aéreas compradas, hotéis reservados, passeios agendados e pronto: tudo certo para inúmeras viagens pelo Brasil e pelo mundo em 2020. Não! Um momento! Não haverá viagens? O que aconteceu? No finalzinho de 2019, o mundo foi surpreendido com a notícia de um surto de um novo vírus na China; em fevereiro, o primeiro caso no Brasil; em março, a OMS (Organizações Mundial da Saúde) classificava o surto como pandemia, e também era confirmado o primeiro caso em Manaus; ainda em março, o epicentro na Europa massacrou a Itália e a Espanha, com milhares de vidas ceifadas, comoção mundial; emissão de decretos de isolamento social em todo o país; aeroportos monitorados; fronteiras fechadas nos outros continentes. E o mundo foi parado pela pandemia do novo coronavírus. Em Manaus, um agente de viagem autônomo, um empresário de agência de viagens de pequeno porte e uma empresária dos segmentos de viagem e hotelaria atravessam a crise que repercutiu na pós-venda, como no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos, dúvidas; avaliam o setor que poderá ter padrões de consumo modificados; e se preparam para o futuro.

“Eu sou uma mulher de muita fé e de muita esperança. E já passei por várias experiências na minha vida. E quando temos Deus no coração adquirimos uma confiança e um equilíbrio maior. Então, quando eu vi se aproximar todo aquele clima de suspense, de não saber o que estava realmente acontecendo, intimamente, eu sentia que estávamos em meio a uma guerra moderna, invisível, algo inimaginável, mas que estava acontecendo”, lembra Cláudia Mendonça, empresária dos setores de hotelaria e viagens da indústria do Turismo, com experiência de 37 anos no setor, proprietária da agência Paradise Turismo, há 28 anos, e dos hotéis Boutique Hotel Casa Teatro, há 9 anos, e Casa Perpétua Hotel D Charm, há 1 ano, os quais integram um projeto de revitalização do Centro Histórico de Manaus, onde estão localizados.

Diante do noticiário sobre a pandemia, Cláudia Mendonça buscou na sua fé o equilíbrio para gerenciar sua vida e seus negócios. “Eu rezei muito, pedi a orientação de Deus. Pedi a proteção de Deus para minha família, meus amigos, meus negócios, meus colaboradores, meus clientes, todo o planeta enfim”, conta. E foi assim que a empresária recebeu a notícia do fechamento das fronteiras, que inviabilizava completamente seus negócios de viagens e hotelaria. Mas, ao mesmo tempo, ressalta Cláudia, “meu coração ficava tranquilo, pois havia conseguido cumprir minha missão e agora teria de esperar o momento de Deus dizer ‘fora vírus e vamos dar uma reviravolta’. E estamos aqui esperando que se complete essa vontade e que voltemos fortemente para as nossas atividades”.

Empresária Cláudia Mendonça buscou na sua fé a orientação para enfrentar a pandemia

A quarentena foi cumprida em etapas, conta a empresária, seguindo as instruções: todos em suas casas, sempre falando em grupos de funcionários, de familiares, de amigos, com mensagens de esperança. “Foi um pânico geral, mas ficaram todos bem em suas casas, sabendo que teriam o básico, pois entramos no auxílio do governo, primeiro com a suspensão dos contratos de trabalho e demais etapas oferecidas, fato que evitou o pior”, relembra Cláudia, mas mesmo assim, todos os dias como hoje, a empresária demonstra sua preocupação de como será a retomada e se retomarão do ponto em que estavam.

Em meio às preocupações, Cláudia Mendonça abre um parêntese para questionamentos sobre a pandemia em relação ao comportamento humano: “Será que isso veio para desacelerar empresas e pessoas? E dar um tempo para que as pessoas se voltem um pouco para o pensar em suas vidas, no seu próximo? Também acredito muito nisso! E sabendo que temos de retomar a vida, com todos bem, equipe bem e nos preparando para a retomada”.

Relação com o cliente

Empresária experiente do segmento de viagens, desde a década de 1980, Cláudia Mendonça destaca, nesse capítulo histórico de crise mundial, a preocupação com seus clientes, os quais foram todos reacomodados e receberam a informação correta. “Quando tudo aconteceu, pudemos tranquilizá-los e dizer para terem calma, que não perderiam nada, pois todos estavam prorrogando suas viagens e eles continuariam com seus créditos. Essa relação é muito importante”, avalia. E lamenta que muitas pessoas que compraram on line perderam várias viagens, por não saberem aonde se dirigir ou a quem se conectar para poder fazer todos os arranjos de suas viagens.

“Temos de respeitar o mundo WEB (World Wide Web, sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet), de tecnologia, de praticidade para todos. Quando começaram as compras de passagens pela internet, mudamos um pouco o foco da nossa Paradise (Turismo), com viagens exclusivas, para clientes exclusivos, preparando viagens especiais, que fazemos até hoje”, observa. Também destaca que sua paixão por restauro, de valorização de antiguidades, de espaços, de pessoas, de lugares, ampliou e inspirou um olhar voltado para o Centro Histórico de Manaus, com projetos de restauro de casas antigas, revitalizadas como hotéis charmosos como a Boutique Hotel Casa Teatro e Casa Perpétua Hotel D Charm; e também a casa J.G. Araújo, um espaço disponível para eventos, todos para movimentar a área histórica com o turismo.

Mas essa parte de contato pessoal, humano, das agências de viagens que ainda tem suas lojas físicas, dos agentes de viagens, é diferenciada e importante na elaboração de uma viagem de um cliente. A relação com os clientes não se resume à venda e compra de produtos, acrescenta a empresária, mas são trocas de energia, trocas de experiências: “além da segurança, sim, de saber que tem uma pessoa 24h no ar para falar sobre alguma questão de sua viagem, algum problema ou mesmo a troca de experiência, pois eu sempre digo que eu viajo junto com meus clientes, fico 24h ligada participando de suas emoções, notícias da viagem”. Para Cláudia, essa parada também serve para destacar o quanto é importante comprar viagens com um agente de viagem cadastrado.

Novos padrões de consumo

“Tudo não vai mais ser como era antes para o setor e para os clientes”, enfatiza Cláudia Mendonça sobre as mudanças inspiradas pela parada mundial de 2020, especialmente do Turismo. E acredita que as pessoas terão maior preocupação sobre segurança, saúde, higienização, para viajarem tranquilamente. “Mas acima de tudo, sobre essas dúvidas que possam ter, nós, agentes de viagens, vamos ter um exercício extra: o de encorajar as pessoas a viajar, a sair de suas casas, porque muitos ficaram apavorados, traumatizados”, avalia. Contudo, acrescenta, ao mesmo tempo, também devido à parada impactante, as pessoas estão readquirindo o desejo de sair, desbravar o mundo, dar-se ao luxo ou à necessidade de sair para respirar um pouco, para viver um pouco, para ver culturas diferentes. “E eles vão fazer isso, mas com um sabor diferente, com um outro olhar, de coração, de valorização, de resiliência. As pessoas vão querer fazer turismo de uma forma diferenciada, sem futilidade; com toda a família, com seus amores; de gratidão a Deus, por estar em condições de viver todas essas experiências que o mundo tem para nos oferecer. Vai ser um turismo diferente, para contemplar, para agradecer, para fazer coisas simples da vida, mas com estrutura, evidentemente”, Cláudia Mendonça.

Atualmente, como diversos setores da economia mundial, empreendimentos e profissionais do turismo aguardam pela retomada de suas atividades. A proprietária da Paradise Turismo adianta que estão dando os passos necessários e aguardam a posição de todos os parceiros, do governo, para ver como irão dar outros passos para, finalmente, a agência de turismo funcionar normalmente, assim como seus dois hotéis também, pois tudo depende da abertura das fronteiras. “Manaus está numa condição um pouco melhor, com pessoas voltando a ter suas rotinas, buscando passear nos rios, porque todos querem viver um pouco, agradecer, valorizar a vida”, diz Cláudia. E explica que a espera é pelo turismo interno, pois o que tem girado é com público local e por isso estão pontuando tudo que pode ser oferecido, seja hotelaria, passeios de barco, criando alternativas de turismo para a cidade. Tem ainda a espera pelo mercado brasileiro, quando todo o país melhorar também e começar a movimentar o turismo nacional.

“Precisamos iniciar uma campanha com todos os amazonenses, todos os segmentos, para cuidarmos da nossa cidade. Fazermos com que Manaus se torne uma cidade modelo, padrão, uma cidade que as pessoas tenham desejo de conhecer”, sugere a empresária, com a certeza de que Manaus e seu entorno tem todos os atrativos para oferecer praias de rio, um verão intenso, passeios de barco, contato com a natureza e a cultura indígena, degustação de peixes e iguarias. “Isso tudo é muito importante. Temos de unir todos para essa força-tarefa, para retornamos com intensidade esse nosso segmento”, enfatiza. Existe ainda o exercício de montar pacotes para o exterior, à espera da abertura das fronteiras, anuncia a empresária: “seguimos sempre a linha de escutar bastante nosso cliente e ver o que o coração dele está pedindo para suas viagens. Temos recebido muitas ligações de grupos de amigos, de grupos de famílias, casais, querendo viajar, celebrar a pós pandemia. E vamos estar aqui esperando que isso tudo passe para poder oferecer o melhor do mundo para todos os nossos clientes”.


Setor terá de se reinventar

O agente André Marques aponta que setor terá de buscar
alternativas seguras e apresentar inovações de mercado

“Este ano (2020), estavam sendo investidas todas as apostas de melhorias para alavancar o turismo, por todos os profissionais da área. E sem a realização das atividades turísticas, particularmente falando, ocorreu um grande desequilíbrio financeiro e emocional para as pessoas que dependem e vivem somente do Turismo”, lamenta André Marques, turismólogo e agente de viagem autônomo, com 20 anos de experiência no setor, diante da notícia e orientação de fechamento do comércio, do setor e das fronteiras, recebida por meio dos noticiários de TV e jornais, que impactou de imediato no seu trabalho, no seu cotidiano e na sua vida.

O agente de viagem, que trabalhou mais de uma década no turismo social do Sesc Amazonas, avalia que as agências e agentes foram pegos de surpresa, assim como o mundo todo, e a maioria não estava preparada financeiramente para essa “pausa”. E vão precisar de um tempo, avalia Marques, até que a normalidade da atividade volte, com o passar dos meses, a longo prazo, para se refortalecerem.

“Por mais que se ofereça e venda pacotes com toda segurança, obedecendo os protocolos de saúde, o cliente tem que se sentir seguro, sem medo do risco”, adianta o agente. E acredita que parte dos usuários de compras diretas de serviços turísticos on line, tem grandes chances de se tornar um cliente direto de agência, por sentir mais segurança para adquirir seus benefícios, de forma mais prática e direta, ao invés de se deparar com grandes burocracias e aborrecimentos, que normalmente ocorrem nas compras pela internet.
André Marques comanda excursões
para viajantes da terceira idade há 20 anos
André Marques acredita que a pandemia terá reflexo nos padrões de consumo do turismo, mas não chegará a ser uma mudança brusca por parte dos clientes pois, com certeza, afirma ele, uma viagem turística trata de sonhos, que foram apenas transferidos por um breve momento. “E o que se espera, com toda certeza, é que agências, operadoras de turismo, rede hoteleira e demais prestadores de serviços turísticos estejam buscando alternativas seguras e dentro dos patrões de saúde, com grandes inovações, pois devem apresentar um diferencial para venda dos produtos”, destaca o agente.

“O cliente tem que se encantar novamente. Sentir-se atraído para querer viajar. E o fornecedor tem que se reinventar, para poder se manter no mercado, diante das atuais circunstâncias”, observa Marques, que no momento, aguarda a situação da pandemia amenizar, passar enfim, e ressalta que “devemos ser muito prudentes nesta hora, pois lidamos com vidas. E a saúde do meu passageiro sempre estará em primeiro lugar. Devo me sentir seguro para voltar a promover as viagens em excursão e, assim, manter o padrão do trabalho com qualidade, segurança e bem-estar do passageiro”.

Dias melhores virão

“A notícia chegou de surpresa, uma péssima notícia por sinal, nos deixou sem chão. E as orientações sobre o que fazer foram ainda piores, pois havia muita incerteza e divergências no que podia ou não ser feito, para nós foi um choque”, relata o empresário Emerson Ximenes, há seis anos no mercado de Turismo com a GAD TUR Agência de Viagens, sobre o início da pandemia em Manaus.

Emerson Ximenes conta que a paralisação refletiu de forma devastadora e assustadora em sua empresa e, consequentemente, alterou totalmente seu cotidiano da pior forma. “Minha vida virou de pernas para o ar. Fiquei sem saber o que fazer, pois toda minha experiência adquirida em anos não servia de nada”, desabafa o empresário, sobre o momento de muito trabalho e noites sem dormir diante de cancelamentos e adiamentos de viagens. ”Infelizmente tive de dispensar nossos colaboradores”, lamenta.

Emerson Ximenes continua focado em dias melhores e
em breve poderá recontratar seus colaboradores

Mas, mesmo em meio à crise econômica e financeira vivida por todos, o empresário avalia com esperança que há males que vem para o bem, pois, no seu caso, acredita ter se tornado um profissional mais preparado com todo o aprendizado que a pandemia trouxe. E enfatiza que as agências que sobreviverem à crise sairão mais fortalecidas e com uma boa imagem junto aos clientes, já que a qualidade e segurança no atendimento no pós-venda, no caso de cancelamentos, remarcações, reembolsos e dúvidas em uma situação dessa só tende a fidelizar os clientes.

“O mercado do turismo nunca mais será o mesmo. Ainda é cedo para definir quais serão as mudanças nos padrões de consumo desse mercado após a pandemia”, observa Ximenes. E acrescenta que será um momento de recuperação total, pois a pandemia fragilizou o setor inteiro, mas com a experiência da crise a indústria do turismo será melhor. O empresário ressalta que sua agência de viagens continua focada e determinada, com o pensamento de que dias melhores virão. O atendimento presencial da GAD TUR já foi reiniciado, com todos os cuidados e determinações exigidas. “E em breve recontrataremos nossos colaboradores, com planos para nossa recuperação e no futuro o crescimento”, anuncia.

Fotos: Acervos Pessoais dos Entrevistados

Viajar ou não: incertezas da pandemia geram dúvidas e até agressividade entre viajantes

Por César Augusto

Depois do golpe que o setor turístico levou com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus em março passado, o segundo semestre iniciou com expectativas entremeadas com dúvidas para quem planeja suas viagens: o momento é seguro para manter os planos ou se deve esperar mais um pouco? De um lado, vários países começam aos poucos a voltar à normalidade tendo controlado a incidência da covid-19; de outro, o surgimento de novos casos obrigou a volta das restrições que tanto afetaram o mercado de turismo, com cancelamentos de voos, fechamento de aeroportos e rodoviárias.

Entre as duas situações, as empresas aéreas demonstram otimismo e buscam estimular os turistas a viajarem, com apelo para os protocolos de segurança, principalmente o uso de máscaras. Não é para menos: a pancada foi violenta no setor. Segundo levantamento feito até abril passado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o número de passageiros transportados no turismo doméstico caiu de 9,26 milhões em janeiro, antes da pandemia provocar as medidas restritivas em território nacional, para pouco mais de 399,5 mil em abril. O impacto pode ser medido considerando-se o índice do ano anterior: no mesmo mês, em 2019, foram 7,73 milhões de passageiros transportados. O número de decolagens indica bem esse drama: enquanto em abril do ano passado foram 62 mil decolagens, doze meses depois foram somente 4.315.

Fabíola Abess, jornalista: show cancelado em São Paulo e incerteza quanto aos projetos

Diante das incertezas, o turista fica indeciso sobre qual decisão tomar. A jornalista Fabíola Abess, 33, está dividida. Ela já havia comprado os ingressos para o Festival Folclórico de Parintins, cuja realização em junho havia sido cancelada e, por enquanto, remarcada para novembro. Além disso, tem passagens já compradas para São Luís (MA) para o feriado prolongado da Semana da Pátria, em setembro. “Sinceramente, ainda não sei o que fazer. Um lado meu tem medo, pede cautela e distanciamento social enquanto não houver vacina, o outro é o espírito de mochileira clamando por viagem”, declarou.

Cautela também é o lema da administradora Winnie Duarte Buriti de Moura, 33. Sua viagem para o Rio de Janeiro seria em abril, mas acabou sendo cancelada. A nova data é em novembro. “Se houver a possibilidade de a situação estar mais controlada”, frisou. O mesmo destino, só que em outubro, deverá ser o da auxiliar de escritório Alessandra Carvalho, 27, com a esperança de que a situação tenha ao menos amenizado. A viagem deveria ter acontecido como parte de um roteiro de férias que ela havia iniciado em março pela Argentina, quando ainda não havia casos de covid-19 confirmados. De lá ela seguiu para a Bahia, quando começaram as restrições seguintes aos registros da pandemia. “Cheguei à Bahia dia 16 [de março], com três dias veio o primeiro decreto de isolamento social. Fiquei sete dias dentro do hotel sem poder sair para canto algum que não fosse supermercado e farmácia”, relembrou. Seu próximo destino seria justamente o Rio de Janeiro, onde havia agendado a solicitação de visto americano. “Tive que trocar o voo voltando para Porto Velho (RO) direto de Porto Seguro, o que me custou 860 reais, taxa de alteração essa que meu seguro de viagem não cobriu pelo fato de ser pandemia”, contou. As passagens, hospedagem em hostel e a taxa paga para o Consulado dos Estados Unidos ficaram como saldo para remarcação no prazo de um ano. “Estou com passagens emitidas também para fora do Brasil no próximo ano, em março. Espero que seja possível realizar a viagem”.

Winnie Duarte: viagem reprogramada depende do controle da pandemia no país

O professor Frank Gundim Silva, 38, tem hoje uma percepção mais flexível sobre o assunto. “Até pouco tempo atrás eu achava insano alguém planejar uma viagem nesse período de pandemia. Hoje acho que existe gente que está relaxada com o vírus (o que gera ações irresponsáveis) e existe quem está aprendendo a lidar com ele”, opinou. “Se a pessoa vai viajar com toda precaução e responsabilidade, por que não fazer? Mas sabe que tem assumir o risco de se contaminar, pois ele é real”, acrescentou.

Pânico e sufoco

Como Alessandra, muitos viajantes tiveram que interromper suas viagens e passaram sufoco para retornar para suas casas, com aeroportos sendo fechados e fronteiras interestaduais e internacionais com restrições para transporte rodoviário de passageiros. Fabíola Abess estava em São Paulo para um show dos Backstreet Boys, marcado para 15 de março. “Um dia antes, o governador [João Dória] baixou um decreto proibindo eventos. O show estava com ingressos esgotados, com estimativa de 45 mil pessoas no Allianz Parque”, lembrou. Apesar da promessa da organização de remarcar a data, até o momento o evento segue sem previsão de nova realização.

Frank Gundim: sem segurança no momento para articular planejamentos de viagens

Winnie Duarte e Frank Gundim tiveram mais sorte. Segundo a administradora, em seu retorno do Rio de Janeiro para Manaus no dia 3 de março já havia um clima de pânico nos aeroportos, após a confirmação de um caso de covid-19 naquele Estado e outro em São Paulo. “Na semana seguinte começou a quarentena obrigatória. Então, viajei com a liberdade que tínhamos antes da pandemia e voltei com o clima tenso, e assimilando aos poucos que muitas coisas iriam mudar”, disse Winnie. Desse modo, toda a programação que ela havia feito foi concluída com sucesso.

A última viagem de Gundim, morador de Palmas (TO), antes da crise, foi durante o carnaval, para Brasília. “Já havia o caso em Wuhan [China] e aqui ainda não tinha sido veiculado nada. Só quando cheguei [em Palmas] veicularam a notícia sobre o italiano que chegou contaminado em São Paulo e depois pipocaram os casos no Brasil”, contou.

Críticas e agressões

Para quem programa suas viagens (domésticas ou internacionais) com alguma esperança de que a pandemia esteja sob controle, com o surgimento de alguma vacina ou com a devida valorização das medidas de prevenção – infelizmente ignoradas por um grande número de pessoas por todo o mundo – , ainda há um problema a ser enfrentado: as críticas e a agressividade de quem enxerga na atitude do viajante descaso com a situação.

Alessandra Carvalho na Argentina: roteiro teve que ser alterado por conta da pandemia

Embora haja diversas medidas sanitárias tomadas nos destinos turísticos, pelo menos em teoria, para a segurança da saúde do viajante, o medo e a falta de confiança chegam a criar verdadeiras batalhas virtuais nas redes sociais. A peleja começa nos grupos destinados à troca de informações sobre viagens quando um internauta faz perguntas sobre determinado destino em alguma época deste ano. É o princípio de uma enxurrada de xingamentos e comentários agressivos em sua maioria, como se pensar em viajar agora fosse anúncio de um crime hediondo prestes a ser cometido.

“É um assunto sensível, porque neste momento é preciso pensar no coletivo”, afirmou Winnie Duarte. “Minha reprogramação é de acordo com os dados que mostram que a situação já está mais sob controle e, óbvio, onde é permitido turistar”, acrescentou. Ela participa de grupos em redes sociais, entretanto não expõe seus planos para não receber críticas. Já Alessandra Carvalho, integrante de alguns grupos, sentiu a fúria virtual. “Fui atacada por um comentário que fiz na postagem de outro integrante do grupo. Acho desnecessário esse ataque, essa euforia. Os grupos existem justamente para troca de experiências, informações e para distrair desse momento tão duro em que estamos vivendo”, opinou. Para ela, todos os cuidados devem ser tomados. “Mas acho que já passamos da época de se isolar totalmente e de voltar a viver aos poucos com precaução. Até porque eu mesma me infectei em casa, sem nenhum tipo de convivo com outras pessoas”, acrescentou.

Participante do Couchsurfing Manaus, a jornalista Fabíola Abess contou que já houve brigas por conta do relaxamento promovido pelo governo em restaurantes e outros estabelecimentos. “Mal reabriram os locais e alguns membros questionaram quando haveria meeting novamente, postando fotos em flutuantes e outros lugares, sem máscara. Fiquei irritada e saí do grupo, pois ainda estou em isolamento, saindo muito pouco de casa”, disse. Para ela, o retorno só será possível quando houver real segurança em Manaus. “Quanto a pedir informações sobre viagens, não recebi nenhum ataque ao perguntar sobre quem iria para eventos da comunidade em outras capitais”.

Apesar de participar de grupos com o tema nas redes sociais, Frank Gundim não tem costume de pedir dicas. “Vou a sites pesquisar sobre a cidade. Se gostar, mergulho no desconhecido”, afirmou. Para este ano, as viagens programadas foram todas canceladas. “Só viajarei novamente quando me sentir seguro. Neste momento, não me sinto”.

Fotos cedidas de arquivos pessoais

Nova Zelândia lança campanha de reconexão ao mundo a partir de valores da cultura Maori

A Nova Zelândia lançou a campanha global A Journey of Reflection (Uma Jornada de Reflexão) para reconectar o país aos neozelandeses e aos turistas do mundo todo, por meio do compartilhamento de mensagens de reflexão sobre o que importa na vida. Essa iniciativa reforça valores relevantes da sua nação, nesse momento em que alguns sinais iniciais de recuperação começam a ser percebidos pela população da Nova Zelândia e ao redor do mundo.

Enquanto o país está se recuperando e aguarda o momento seguro quando poderá receber novamente visitantes, a Nova Zelândia produziu dois vídeos (vídeo 1 e vídeo 2) que trazem valores profundamente importantes que foram incorporados no estilo de vida dos neozelandeses a partir da herança da sua cultura Maori única. Alguns desses valores que a campanha leva para reflexão e estão na narrativa dos vídeos são o kaitiakitanga, que na cultura Maori significa proteger e cuidar de pessoas e lugares; o valor manaaki manuhiri, ou seja, acolher e cuidar de todos os visitantes; e whanaungatanga, que representa tratar os outros como família.

“Uma pausa forçada pode ser um motivo para reflexão sobre o que é mais importante para todos nós. Em tempos de crise, há oportunidades. Um tempo para refletir e redefinir nós mesmos e o mundo em que vivemos. À medida que velhos hábitos se desintegram sob força maior, novos caminhos podem surgir ou podemos simplesmente ser lembrados sobre o que sempre importou”, comenta Brodie Reid, diretora de Marketing do Turismo Nova Zelândia.

A Nova Zelândia se orgulha de como sempre manteve suas portas abertas para visitantes e o cuidado com eles e com a sua nação. E isso representa o valor Maori manaaki refletido na cultura do país. “Nós sabemos que muitas pessoas ao redor do mundo sentem uma conexão especial com o nosso país. Por isso queremos garantir que estamos cuidando dele e, quando estiver seguro, esperamos ansiosos em compartilhá-lo novamente”, completa Brodie Reid.

Enquanto aguarda a abertura das fronteiras internacionais, a Nova Zelândia também lançou a campanha Do Something New New Zeland (Faça algo novo Nova Zelândia), para os neozelandeses. O vídeo os incentiva a explorem o seu próprio país e todas as aventuras e descobertas que ele oferece.

Foto: divulgação

Empreendedora indígena ganha grafitada em Manaus

Neurilene Cruz, membro do grupo de mulheres indígenas da etnia Kambeba que gerencia o Restaurante Sumimi, na comunidade Três Unidos, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, às margens da Boca do Rio Cuieiras, a aproximadamente 60km de Manaus (AM), foi homenageada com uma ilustração grafitada pelas mãos de Deborah de Lemos, em uma fachada na Av. Torquato Tapajós, uma das principais avenidas de Manaus/AM, que ficará exposta até o dia 12 de dezembro.

A homenagem é parte do movimento #elasinvestem, que procura mostrar o quanto as assessoradas do Consulado da Mulher – ação social da marca Consul, com 17 anos de atuação, mais de 35 mil pessoas beneficiadas em mais de 551 projetos apoiados por todo o Brasil, que trabalha na transformação social por meio do incentivo ao empreendedorismo feminino e geração de renda – investem tempo, amor, esforço e conhecimento em seus negócios.

Neurilene Cruz começou a trabalhar com alimentação em 2010 e não parou mais. Ela e o grupo de mulheres da comunidade conheceram o Consulado da Mulher em 2016, quando a Fundação Amazonas Sustentável – FAS as inscreveu na 4ª edição do Prêmio Consulado da Mulher. Neurilene Cruz foi uma das vencedoras, juntamente com o Restaurante Sumimi, e a conquista do Prêmio Consulado da Mulher permitiu que o dinheiro recebido promovesse melhorias no restaurante, para que pudesse receber mais visitantes com mais conforto.

Ilustração de Neurilene Cruz pela grafiteira Deborah Lemos

Atualmente, além de cuidar do restaurante Sumimi, a manauara Neurilene Cruz também recepciona turistas que visitam o local e dá aulas de culinária indígena – ajudando outras mulheres a se tornarem independentes.

E como forma de homenagear e incentivar o empreendedorismo feminino, a imagem de Neurilene ficará grafitada em um muro da Av. Torquato Tapajós, uma das avenidas mais importantes de Manaus, até o dia 12 de dezembro. Outras empreendedoras do Consulado da Mulher também foram homenageadas, tendo suas imagens grafitadas em famosos pontos turísticos como o Beco do Batman, em São Paulo.

Foto: Divulgação

Manaus receberá 4,5 mil turistas em Temporada de Cruzeiros em Dezembro

Mais de 4,5 mil turistas chegarão a Manaus no mês de dezembro, dando continuidade à Temporada de Cruzeiros 2019/2020. A primeira das quatro embarcações previstas é o M/S Volendam, que chega à cidade no próximo domingo, 1º/12, às 9h, com aproximadamente 1,9 mil estrangeiros a bordo, entre passageiros e tripulantes.

Durante toda a temporada, os turistas são recepcionados por equipes da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), e da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), com entrega de guias bilíngues e brindes promocionais.

O M/S Volendam deixará a capital na segunda-feira, 2/12, às 16h, com destino a Parintins, no interior do Amazonas. Em sua primeira vez na cidade, o navio receberá uma placa de boas-vindas para registrar a visita, e deve retornar a Manaus ainda em março de 2020.

Temporada de Cruzeiros

Ainda em dezembro, o M/S Insignia é o próximo da lista, com chegada marcada para o dia 4, às 9h. Depois do Natal, será a vez do M/S Seven Seas Mariner atracar em Manaus, no dia 26, onde ficará por um dia. Por último, o Viking Seas chega à cidade no dia 31 e parte no sábado, 1º/1.

Com programação diversificada, os visitantes conhecem atrativos turísticos do Centro Histórico, como o Teatro Amazonas, Palácio Rio Negro e Museu da Cidade de Manaus, e percorrem outras belezas naturais da região, como o Lago do Janauacá e o Encontro das Águas, além de experimentarem a gastronomia local e participarem de atividades culturais.

A Temporada de Cruzeiros 2019/2020 começou em novembro, e teve como primeiro navio a aportar o M/S Viking Sun, que trouxe mais de 1,3 mil viajantes e ficou por dois dias na cidade. Com encerramento previsto para abril de 2020, a temporada trará a Manaus 12 embarcações no total, em 16 visitas, com mais de 20 mil turistas a bordo.

Texto: Tiago Souza / Manauscult
Fotos: Leonardo Leão / Manauscult

Plataforma de hospedagens destaca opções em Manaus

Temporada de férias se aproximando, nem sempre é fácil encontrar a casa dos sonhos para você, seus amigos e sua família curtirem um período de laser e descanso. Com a competição pelos melhores espaços em alta é preciso estar atento aos recursos disponíveis nas plataformas digitais.

O Airbnb, um dos maiores marketplaces (shopping virtual) do mundo para estadias e atividades únicas e autênticas, com mais de 7 milhões de acomodações e 40 mil atividades personalizadas, desenvolvidas por anfitriões locais, destaca alguma opções no Amazonas e elenca cinco dicas para facilitar a sua busca e aproveitar o ano novo no melhor estilo: viajando!

Três tipos de hospedagens são apontadas como opção para curtir a natureza e conhecer aspectos culturais e turísticos da região, na capital Manaus. Refúgio Samaúma, na comunidade ribeirinha do Livramento, na zona rural de Manaus; Casa Flutuante, em área de reserva ambiental no Rio Negro; e o Flat Tropical, no final da praia da Ponta Negra.

Refúgio Samaúma é opção de chalé, passeios, box de banho a céu aberto e banheiro ecológico

Para encontrar estas e tantas outras opções de hospedagem na Amazônia e em outros 190 países do mundo, confira cinco dicas de busca do local para sua próxima hospedagem:

Filtros >>> Para encontrar o melhor cantinho, não deixe de lado os filtros avançados de busca. Muito mais do que definir o local, a data e quantas pessoas irão com você, é possível pré-visualizar o tipo de acomodação desejada, selecionar lugares únicos (de barco a casa flutuante!), o número de quartos e camas, assim como as regras da casa para pets, por exemplo. Além disso, o Airbnb possibilita procurar exclusivamente por anúncios de Superhosts — anfitriões experientes e bem avaliados, que reúnem o que há de melhor em hospitalidade dentro da plataforma.

Comodidades >>> Vai viajar com crianças? Segundo pesquisa do Airbnb, comodidades como cozinha completa, televisão, estacionamento gratuito e máquina de lavar são indispensáveis para a maioria das pessoas. Por isso, na plataforma é possível buscar locais que tenham tudo isso e diversas outras facilidades que atendam a sua demanda para o momento: desde itens essenciais (como toalha e papel higiênico), passando por aquecimento central e até cabides.

Casa Flutuante é opção típica da região para passeio e hospedagem

Avaliações >>> O Airbnb já recebeu mais de 500 milhões de pessoas no mundo todo, formando uma comunidade forte e confiável. Ao escolher a acomodação ideal para você, confira os depoimentos de quem já viveu essa experiência e compartilhou como foi. Se tiver qualquer detalhe a esclarecer, fale com o seu anfitrião pela plataforma de maneira ágil e segura.

Pagamento seguro e rastreável >>> Para proteger viajantes e anfitriões, o Airbnb garante a segurança do pagamento, que é 100% rastreável, via cartão de crédito, e só é liberado para o anfitrião 24h após o check-in, a fim de assegurar que tudo esteja como o que foi anunciado.

A opção urbana, ao final da praia da Ponta Negra é o Flat Tropical

Dúvidas? >>> Se houver qualquer problema, o Airbnb disponibiliza um serviço de Atendimento ao Cliente para anfitriões e hóspedes, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, em 11 idiomas — incluindo português. 

Fotos: Divulgação

Investe Turismo percorre 16 Estados em três meses

Lançado em junho, em Fortaleza, o programa Investe Turismo já alcançou 21 Unidades da Federação e contou com a participação de quase três mil pessoas em seminários realizados por todo o país. O programa, que é resultado de uma parceria entre Sebrae, Ministério do Turismo e Embratur, visa a articulação e o fomento do turismo, por meio da convergência de ações e investimentos para acelerar o desenvolvimento, gerar empregos e aumentar a qualidade e competitividade de 30 rotas turísticas estratégicas do Brasil, entre elas: Brasília e Chapada dos Veadeiros, Pantanal, Palmas e Jalapão, Boa Vista e Monte Roraima, Costa do Descobrimento, entre outras.

O Investe Turismo já passou pelos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. Nesses locais, os seminários tiveram a presença de 2.827 pessoas envolvidas com a atividade do turismo. Ao todo já foram feitos cerca de 550 atendimentos voltados principalmente para a melhoria do acesso ao crédito. Esta ação une grandes agentes, como o BNDES, e atores locais que estão mais próximos dos empreendedores de cada estado. Após o Seminário, são realizados atendimentos individualizados – focados na necessidade e realidade de cada empreendedor.

“O Programa é relevante para o Sebrae porque está alinhado com a nossa estratégia e vai atender a mais de 4.000 pequenos negócios, com foco em inovação, sustentabilidade e na gestão de destinos com base em dados. Estes são elementos essenciais para o desenvolvimento do território, que é onde tudo acontece”, avalia o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “Trabalhamos para que isso ocorra com a mudança na vida das pessoas, com a geração de um ambiente econômico dinâmico”, complementa.

O programa Investe Turismo tem, entre as atividades previstas, a formalização de prestadores de serviços no segmento do turismo, assim como a orientação aos donos de pequenos negócios, com foco na inovação tecnológica, na sustentabilidade dos negócios e na conquista de novos mercados. A estrutura das ações gira em torno de rotas que visam o desenvolvimento do setor de forma regional e integrada, tanto com os parceiros públicos quanto com os privados. Inicialmente, serão investidos R$ 200 milhões para o desenvolvimento e qualificação do setor nessas localidades.

Pacote de ações das rotas turísticas:

  • O fortalecimento da governança, por meio de uma integração entre setor público e privado;
  • A melhoria dos serviços e atrativos turísticos, com foco especial nas micro e pequenas empresas;
  • Atração de investimentos e apoio ao acesso a linhas de crédito e fontes de financiamento;
  • Marketing e apoio à comercialização, com campanhas, produção de inteligência mercadológica e participação em eventos estratégicos.

Foto: reprodução

Botos Cor de Rosa e Tucuxi “brigam” pelo desempate de títulos no Çairé 2019

No ritmo de carimbó e com apelos à preservação da floresta, os botos Cor de Rosa, atual campeão do festival, e Tucuxi foram os donos do terceiro dia da Festa do Çairé, em Alter do Chão, oeste do estado do Pará.

Saraipora do Boto Cor de Rosa

O resultado da disputa será conhecido nesta segunda-feira (23), à tarde, com a abertura da nota dos jurados, quatro no total, contando com o presidente da comissão, que não tem direito a voto. Portanto, é a nota dos jurados, que tiveram a responsabilidade de analisar os 16 itens de avaliação do certame, que vai desempatar a disputa igualada em dez títulos para cada um.

Os itens de avaliação são: apresentador, cantador, rainha do Çairé, cabocla Borari, curandeiro, rainha do artesanato, boto homem encantador, boto animal evolução, rainha do Lago Verde, carimbó, organização do conjunto folclórico, alegorias, letra e música, ritual, torcida, sedução.

“Este ano tem mais esse ingrediente. Vamos ter que desempatar essa disputa. Nós, do boto Tucuxi estamos confiantes”, disse Edilson Santana, que é compositor e cantador do Tucuxi.

Edilson Santana é bem conhecido dos amazonenses. Ex-amo do boi Caprichoso, este ano voltou integrar o grupo de cantores do boi-bumbá Garantido (Festival de Parintins). No Tucuxi, defendeu a música, “Somos resistência”, de sua autoria.

Torcida

Com 30 minutos de “esquenta” da torcida, que a exemplo do Festival de Parintins (Amazonas) não se manifesta na apresentação contrário, os botos ocuparam o lago de apresentação do Çairódromo com alegorias, ítens e carimboleiros, que deram um show a parte com coreografias e indumentárias trabalhadas. As torcidas contam pontos e por isso era visível a animação a cada entrada de alegoria, item e cordão coreografado.

Apresentação

A disputa dos botos pelo título, iniciou com o boto Cor de Rosa que trouxe para o lago dos Botos o tema “Alter do Chão, berço da vida”, dando ênfase a sustentabilidade como fonte da vida, a água.

Um dos pontos altos de sua apresentação foi transformação da alegoria de Nossa Senhora da Saúde, padroeira da vila, na Saraipora, representada pela Rainha do Çairé, Maria Eulália de Oliveira.

No ápice da apresentação dos botos, a lenda do boto (identidade cultural do povo borari), mito do imaginário popular na Amazônia. De acordo com a lenda amazônica, até hoje o boto aparece nas festas ribeirinhas e as moças no período fértil têm que tomar cuidado com os homens elegantes que aparecem vestidos de branco. É a encenação da sedução da cabocla, que é apresentada pelos botos.

O presidente do boto Cor de Rosa, Miguel Von, acredita na vitória. “Fizemos uma bonita apresentação. Deu tudo certo. Não tivemos quebra de alegoria. Tudo funcionou 100%”, afirmou ao final da apresentação do boto vermelho.

O boto Tucuxi, que este ano tenta recuperar o título de campeão perdido ano passado, levou para o lago a temática “A Resistência Borari”. No contexto apresentado, estavam a luta pela sobrevivência, o grito contra a destruição da floresta, a cultura do índio e do do caboclo.

Em uma das cenas, o Tucuxi levou para o lago o forno de produção de farinha.

Não faltaram alegorias e indumentárias bonitas na apresentação dos botos, elaboradas por artistas de Santarém, Alter do Chão e Parintins, que se integram na produção de espetáculos culturais no oeste do Pará.

Texto e fotos: Nely Pedroso | Especial para o Portal Vida Amazônica

Çairé inicia com levantamento dos mastros em Alter do Chão

Texto e fotos: Nely Pedroso

A tradicional Festa do Cairé, que ocorre sempre no mês de setembro em Alter do Chão, oeste do Pará, iniciou nesta quinta-feira (19), com o ritual religioso de inauguração do barracão, guardião do símbolo do Cairé (Divino Espirito Santo), procissão e levantamento dos mastros, ocorridos na Praça do Cairé.

O rito religioso do povo Borari (habitantes da Vila de Alter do Chão, como são conhecidos) foi conduzido pelo capitão, juízes, mordomos, saraipora, procuradeira, entre outros personagens da festa, que em procissão circularam ao redor dos mastros, levantados em uma competição acirrada entre homens e mulheres. Os homens levaram a melhor no levantamento dos mastros ornamentados por galhos de plantas e frutas, muitas frutas, simbolizando fartura.

A saraipora Dalva de Jesus Vieira, guardiã do símbolo do Çairé há cinco anos, sente-se orgulhosa por conduzir o símbolo sagrado da festa, que é a Santíssima Trindade. “Faço isso com muita devoção”, garante.

O evento traz sempre boas lembranças aos moradores tradicionais de Alter, como assegurou a moradora Francisca Garcia Costa, 96, que é cega, mas faz questão de participar da festa. “Venho e fico escutando as músicas entoadas na celebração”, afirma, sentada na entrada do barracão.

Dona Santila de Sousa Alves, 77, também faz questão de participar da abertura da festa. “Faço questão de vir. Eu sempre participava ajudando na programação”, garante.

Programação

A Festa do Çairé, que data mais de 300 anos, terá, até o dia 23, uma grande programação, com apresentações musicais (locais e regionais), ritos religiosos como ladainhas e procissões, cerimônia do beija fita e a disputa ferrenha entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, marcada para o sábado, dia 21.

Estrutura

Toda uma estrutura foi montada pela Prefeitura de Santarém para a festa. O Lago dos Botos recebeu obras de infraestrutura para os shows, como um palco com camarins, banheiros, além de arquibancadas, camarotes, iluminação, barracas na praça de alimentação e banheiros públicos.

É intenção do prefeito Nélio Aguiar concluir a estrutura definitiva do Lago dos Botos. Para isso, vai pedir ajuda ao governador Jader Barbalho, em pleito a ser entregue nos próximos dias, conforme assegurou. “É uma festa grandiosa, que não é só da área da cultura, mas de Santarém, de Alter do Chão e de todas as secretarias envolvidas. Que todos tenhamos um Çairé de paz, de alegria do povo de Alter do Chão e do povo Borari”, diz.

A festa de abertura foi bonita e encerrou com muita comilança: sanduíches e frutas foram distribuídos aos moradores e visitantes. Fechando a programação matutina, um show musical em ritmo de carimbo do conjunto musical nativo Espanta Cão.

Vale lembrar que no encerramento do Çairé, dia 23, o barracão até então para atos litúrgicos, se transforma em festa com danças tradicionais do local, como Marambiré, Quebra Macaxeira, Matucará e Desfeiteira.

Alter do Chão é um dos distritos de Santarém (PA), distante a 37 quilômetros pela rodovia Everaldo Martins. Os principais atrativos turísticos são as praias do Amor e do Cajueiro.