Seis ações para reduzir as incertezas na era pós covid-19

Por Rodrigo Castro*

Com a expectativa de início da retomada à nova normalidade, pós pandemia da covid-19 no Brasil, é hora das empresas se estruturarem para reduzir os impactos desta freada brusca que o mundo e os negócios sofreram. É certo que esta crise não passará como num passe de mágica.

Reflexos serão sentidos por muitos meses, ou melhor, anos. Alguns deles, previsíveis e cujos impactos podem ser minimizados ou tratados. Outros, imprevisíveis, o que reforça ainda mais a necessidade da estruturação de mecanismos de gestão de crises e riscos continuamente. Analisando este cenário, listei seis ações para reduzir as incertezas nesta era pós-Covid.

1. Reavalie os riscos de serviços e fornecedores essenciais: após a crise, seus fornecedores estarão preparados para continuar operando com você? Muitos parceiros enfrentaram problemas severos de caixa, liquidez, ruptura de fornecimento de insumos e reestruturação do modelo de trabalho, que podem impactar o seu negócio. As obrigações trabalhistas foram cumpridas? Os tributos e encargos foram pagos? A equipe em trabalho remoto dos seus parceiros está lidando com as suas informações de forma segura? O seu parceiro tem caixa para manter a empresa operando? Essas e outras dúvidas podem ser respondidas por meio de uma análise de riscos de fornecedores, que deverá ser feito periodicamente para os parceiros mais críticos.

2. Tenha estruturas de trabalho flexíveis: com a redução drástica das operações e queda de receita, muitas empresas precisaram recorrer aos socorros governamentais para redução de folha de pagamento e horas de trabalho para readequar o tamanho da empresa à situação atual. Se antes o uso intensivo de capital humano compensava investimentos em tecnologia e investimentos em produtividade, agora o cenário impôs rapidamente outra realidade.

Neste sentido, executivos estão repensando se é necessário manter estruturas internas inflexíveis para operações que poderiam ser moldadas de acordo com a necessidade do negócio. E, geralmente, essas áreas são as de suporte, as quais recebem pouco investimento para melhorias e aumento da produtividade, o que poderia ser terceirizado ajustando as operações e otimizando sua eficiência para amortecer as variações do mercado. Uma alternativa rápida é avaliar o potencial de terceirização de áreas para subsidiar a tomada de decisão.

3. Automatize e digitalize a sua operação: as grandes empresas possuem lajes imensas, recheadas de pessoas em frente a seus computadores. Você já parou para pensar o que todas estão fazendo? Em grande parte, são trabalhos repetitivos e automáticos. Basta passar pelas telas para notar ERPs abertos para preenchimento de campos, coleta de dados para alimentar planilhas em Excel, dados de documentos físicos sendo digitados em sistema e outras atividades sem qualquer geração de valor para a organização e para o colaborador.

Todos esses trabalhos repetitivos podem ser substituídos por tecnologias baratas e eficientes, trazendo um potencial de automação de processos ou áreas, que podem suportar na tomada rápida de decisão. Estes assuntos ainda estão circunscritos à área de TI, mas no cenário atual, este tema passa a ser estratégico.

4. Estruture suas ações de gestão de crises: alguns executivos desengavetaram seus manuais de gestão de crises e planos de continuidade de negócios. Porém, muitos deles não tinham estes processos estruturados nas empresas. A fricção no processo foi grande. Muitas reuniões, busca pelos responsáveis para a tomada das decisões, contingências não programadas, recursos indisponíveis e outros problemas. A crise mostrou que os planos de recuperação e continuidade não são só teoria. Devem ser feitos e revisitados periodicamente. Isto garante que a empresa esteja preparada para os imprevistos, independentemente de quais sejam.

5. Reforce a segurança de informação: o ambiente controlado dos escritórios, com infraestrutura e tecnologia dedicada para manter a segurança da informação da empresa ainda é suscetível a fragilidades, que expõem os dados das organizações. Imagine quando há ruptura deste controle e os colaboradores passam a trabalhar de forma pulverizada, acessando os dados da empresa por redes domésticas, em computadores pessoais e em ambientes compartilhados por outros familiares? E os dados pessoais coletados pela empresa sem o devido tratamento? Isto abre espaço para mais vulnerabilidades que podem levar, no extremo caso, por exemplo, à interrupção de serviços por ataques hackers.

As empresas foram forçadas a aumentar seu nível de maturidade em segurança de informação e a vigilância deve ser constante, seja pela gestão das vulnerabilidades que surgem a cada dia nos sistemas e softwares utilizados, seja pelo monitoramento 24/7 de incidentes, no qual a velocidade da reação faz toda a diferença da minimização dos impactos.

6. Repense as áreas de auditoria, compliance e controles internos: em momentos de crise, a tendência dos executivos é primeiramente desmobilizar áreas que não geram receita ou não estão ligadas à atividade primária da organização. Neste cenário, as estruturas de gestão de riscos, auditoria e compliance sofrem mais rapidamente, comprometendo os controles dos processos que evitam riscos de perdas, desvios, fraudes, erros, multas ou atos ilícitos.

Em um cenário de pressão situacional, colaboradores podem ter salários reduzidos, descontentamento com as novas políticas de trabalho e flexibilização de controles por conta do home office. A falta de monitoramento pode acarretar problemas futuros para a organização. Uma opção é a terceirização de atividades da segunda e terceira linha de defesa, assim como é possível lançar mão de tecnologias como a auditoria contínua com base em dados, a mineração contínua de processos para prevenção e detecção constante de erros e desvios e outros mecanismos que barateiam e são mais eficazes na manutenção dos controles operacionais.

A gestão de riscos na retomada deve ser tratada com a seriedade que a realidade atual impõe. As organizações não voltarão a ser como eram. O novo normal poderá trazer muitas oportunidades que, se bem exploradas, poderão levar as empresas a patamares mais elevados de eficiência e produtividade, sem abrir mão de controles e monitoramento dos riscos.

*Rodrigo Castro é diretor de riscos e performance na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Foto: Divulgação

Embrapa e A.B.E.L.H.A. oferecem curso on-line de criação de abelhas sem ferrão

Está no ar o primeiro curso on-line e gratuito sobre criação de abelhas sem ferrão, fruto da colaboração entre a Embrapa Meio Ambiente e a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.).

O Curso de Meliponicultura Embrapa/A.B.E.L.H.A. está disponível na plataforma http://www.embrapa.br/e-campo e no canal da Embrapa Meio Ambiente no YouTube, com linguagem acessível, rico em imagens e demonstrações práticas. As videoaulas vêm atender ao interesse crescente pela criação de abelhas sociais nativas do Brasil. Elas são dóceis – pois não têm ferrão – e podem ser criadas como hobby, mesmo em casa e centros urbanos, ou para fins comerciais, já que produzem méis especiais – alguns com grande valor de mercado.

O curso é idealizado e ministrado por Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente na área de abelhas e polinização, e também membro do comitê científico da A.B.E.L.H.A.. O principal objetivo de suas pesquisas é desenvolver tecnologias para tornar a atividade de criação de abelhas sem ferrão economicamente viável.

“Além de capacitar as pessoas para iniciar na meliponicultura (a criação de abelhas sem ferrão), também queremos aprimorar as técnicas de quem já é criador, mas o faz de forma rústica, para que possa melhorar seu desempenho produtivo”, conta Menezes.

Nos moldes de ensino à distância, a capacitação está dividida em quatro módulos que, no total, somam carga horária de 8 horas. É um curso completo sobre o assunto, com informações sobre a biologia das abelhas sem ferrão e técnicas de manejo. Após assistir às quatro videoaulas, as pessoas estarão preparadas para iniciar sua própria criação e produzir mel.

Abelhas para todo lado

“O Brasil vive um período especial em relação às abelhas, com muito interesse seja do público leigo, seja da Academia. Agora, com o curso de meliponicultura, a ideia é que mais pessoas tenham contato com nossas abelhas. Assim, ajudamos a conservá-las”, explica Ana Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A..

O curso conta ainda com o apoio de um importante parceiro do setor produtivo, a Loja das Abelhas , o maior fornecedor de produtos para criação de abelhas sem ferrão do Brasil, e da Kombee, projeto que usa as espécies nativas para ações de educação ambiental.

Serviço

Curso de Meliponicultura Embrapa/A.B.E.L.H.A.

As inscrições são permanentes e, após a sua efetivação, o participante tem sete dias para realizar o curso. Os quatro módulos juntos somam carga horária de 8 horas.

Módulo I: Quem são as abelhas sem ferrão?

Apresenta a diversidade de abelhas presentes no Brasil e as principais características que diferem as abelhas sem ferrão das demais.

Módulo II: Biologia geral das abelhas sem ferrão

Demonstra a biologia geral das abelhas sem ferrão e como suas colônias são organizadas.

Módulo III: Por que criar abelhas sem ferrão?

Mostra caminhos que o meliponicultor pode seguir com a sua atividade.

Módulo IV: Técnicas de manejo de abelhas sem ferrão

Aprendizagem sobre como criar as abelhas sem ferrão e manejá-las de forma eficiente.

Foto: Reprodução

Como ficam as contribuições do empregado ao INSS durante a quarentena do covid-19?

Por Vinícius Pacheco Fluminhan

Com a entrada em vigor da Medida Provisória 936/20, muitos empregados terão suas atividades profissionais diminuídas ou suspensas por determinação de seus empregadores. Embora o momento seja de revisão do orçamento doméstico e diminuição de gastos, existe uma questão previdenciária que merece cuidado. Esses trabalhadores não terão o INSS recolhido pelas empresas ou o terão apenas parcialmente. Será que todos estão cientes disso?

Os empregados das empresas que optaram (ou vão optar) pela suspensão dos contratos de trabalho receberão do Governo Federal, o denominado Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEPER), que muito se assemelha ao conhecido Seguro-Desemprego. A suspensão poderá durar até 60 dias e neste período não haverá pagamento de salários. Portanto, não haverá recolhimento ao INSS. Mesmo para as empresas de maior porte, que deverão obrigatoriamente pagar aos empregados a ajuda compensatória equivalente a 30% do salário, também não haverá recolhimento sobre tais valores. Em suma, muita gente vai ficar sem contribuição ao INSS por dois meses.

Para os empregados que tiverem acordo de redução da jornada e do salário em 25%, 50% ou 75%, a situação não é muito diferente. Eles receberão o BEPER por até 90 dias e isso pode gerar impacto nos recolhimentos ao INSS se o valor do salário, após o acordo, ficar abaixo do salário mínimo. Mesmo que a empresa pague espontaneamente a ajuda compensatória, sobre tal valor não haverá recolhimento previdenciário. Assim, nesses meses o recolhimento da empresa ao INSS poderá ficar abaixo do piso (salário mínimo).

Daí a pergunta: somente dois ou três meses de INSS fazem muita diferença para o trabalhador? Sim. Esse curto período pode ser o prazo necessário para que se complete a carência para um benefício no futuro. Pode ser essencial para se atingir um percentual maior de aposentadoria quando ela for concedida. E pode também ser motivo de antecipação da aposentadoria quando o trabalhador mais precisar dela. Além disso, quem não comprova o recolhimento mensal pelo menos no piso (salário mínimo) não pode contar esse período para efeito de aposentadoria ou carência para outros benefícios.

Então o que deve fazer o empregado que está (ou estará em breve) com o contrato suspenso? Para ele, o Governo Federal autorizou recolhimentos pessoais ao INSS. Basta preencher a Guia da Previdência Social (GPS), disponível no site www.inss.gov.br, e utilizar o código 1406 para pagar a alíquota de 20%, ou código 1473 para pagar a alíquota reduzida de 11%. A alíquota reduzida só pode ser adotada por aqueles trabalhadores que abriram mão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição. No primeiro caso, a base de cálculo é de livre escolha do trabalhador, desde que respeite o piso de R$ 1.045,00 e o teto de R$ 6.101,06. No segundo caso, a base de cálculo é sempre o salário mínimo.

E o que deve fazer o empregado que teve acordo de redução de salário e vai receber menos do que o mínimo (R$ 1.045,00)? Ele deve recolher a diferença para evitar surpresas desagradáveis no futuro. Como o complemento já é uma realidade para o empregado intermitente, que utiliza o código 1872, esse deve ser o caminho para o recolhimento da diferença. Neste caso, atenção! Não se recolhe uma GPS para pagar a diferença ao INSS, mas sim uma DARF, que pode ser obtida facilmente no site da Receita Federal (www.receita.economia.gov.br).

Por fim, um aviso importante. De acordo com a legislação em vigor (Lei 8.212/91 e Lei 8.213/91) não haverá espaço para arrependimento futuro se os trabalhadores com contrato suspenso optarem por não fazer esses recolhimentos agora. Para eles vale a regra que sempre foi aplicada aos segurados facultativos: não existe possibilidade de recolhimento retroativo. Por isso, é sempre bom lembrar o velho ditado: é melhor prevenir do que remediar, especialmente em se tratando de previdência.

Vinícius Pacheco Fluminhan é doutor em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pela Université Paris-Nanterre e professor de Direito Previdenciário da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Idosos serão vacinados contra a Influenza em suas casas

Diante das mudanças no cenário nacional de transmissibilidade do novo coronavírus, causador da Covid-19, numa decisão inédita no país, anunciada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, os idosos de Manaus serão vacinados contra a gripe sem que precisem sair de suas casas. A primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, iniciaria nesta segunda-feira, 23/3, mas devido à forte chuva que cai sobre a cidade nesta manhã, a Prefeitura de Manaus adiou o início da campanha de vacinação contra a gripe, para esta terça-feira, 24/3. Hoje, o trabalho das equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) ficará concentrado no cadastro dos idosos, que não sejam acompanhados pela Estratégia Saúde da Família, no site http://semsa.manaus.am.gov.br.

Ao acessar o link, uma mensagem direcionará para a página de cadastro. Será necessário preencher as informações do idoso a ser vacinado – CPF, data de nascimento, telefone para contato e nome completo. Na etapa seguinte deverão ser indicados os dados de endereço completo, como CEP e ponto de referência. Em seguida, um endereço de e-mail para contato. A quarta tela será para conferência dos dados, possibilitando a correção, caso seja necessário. A última tela terá a mensagem de confirmação do cadastro, com a orientação que o idoso aguarde que a equipe de vacinação irá até ele.

“Nossos técnicos do Departamento de Tecnologia da Informação trabalharam durante todo o final de semana para criar esse formulário por meio do qual os idosos poderão realizar o cadastro. A orientação do prefeito Arthur Neto é que nenhum dos mais de 111 mil idosos residentes em Manaus fique sem vacina”, afirma o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Para os idosos acompanhados pela Estratégia Saúde da Família (ESF), as equipes seguirão os cadastros individuais  já existentes para realização da vacinação de casa em casa já a partir de segunda-feira.

Cadastro dos idosos pode ser feito no site da SEMSA https://semsa.manaus.am.gov.br/

Metas

A Campanha de Vacinação contra Influenza tem a meta de imunizar 522.065 pessoas em Manaus. Serão três etapas e vai atender todos os grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde, encerrando no dia 22 de maio. A segunda etapa da campanha terá início no dia 16 de abril, e será direcionada para professores de escolas públicas e privadas, profissionais das forças de segurança e salvamento, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, conforme orientação médica.

A partir do dia 9 de maio será iniciada a terceira etapa da campanha com vacinação direcionada para os grupos: crianças de seis meses até menores de seis anos, gestantes, puérperas, jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas, povos indígenas, população privada de liberdade, pessoas com deficiência, funcionários do sistema prisional e adultos de 55 a 59 anos de idade, incluído este ano na campanha contra a Influenza, ampliando o acesso da população à vacina e prevenindo riscos. O objetivo final é imunizar no mínimo 90% do público alvo em cada grupo prioritário.

Texto – Sandra Monteiro/Semsa
Foto – Alex Pazuello / Arquivo Semcom

Tecnologia embarcada em drone agrícola vai detectar doenças na lavoura

Utilizar o drone como ferramenta agrícola já é uma realidade que melhora a produtividade no campo. Mas agora, a empresa Horus Aeronaves e Basf, em parceria com a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e o Sebrae, avança e cria uma tecnologia que amplia e melhora seu desempenho. Trata-se de um software para drone de monitoramento agrícola que detecta os locais de maior infestação de pragas e vegetação doente no cultivo de soja.

O projeto foi desenvolvido pela Fundação CERTI, Unidade EMBRAPII, e reúne dados captados por câmeras especiais instaladas no drone. Com as informações e imagens obtidas, é possível identificar com exatidão os locais infestados por pragas, plantas invasoras, doenças ou deficiência nutricional.

Em geral, o processo convencional no combate a ervas daninhas na cultura de soja é baseado na verificação periódica do plantio e algumas medidas acabam sendo adotadas tardiamente. O software agilizará este processo permitindo um monitoramento preventivo e de maior abrangência através das análises de campo. Além disso, identificado o problema na lavoura, não mais será necessária a utilização de herbicidas nas áreas saudáveis.

“A tecnologia possibilitará estimar linhas e falhas de plantio e identificar ervas daninhas, aumentando em até 20% a produtividade. Será possível também integrar os dados obtidos com os drones aos maquinários agrícolas para aplicação de insumos, gerando uma economia de até 50%”, diz o CEO da Hórus, Fabrício Hertz. De acordo com Laercio Aniceto Silva, superintendente de Negócios da CERTI, o modelo EMBRAPII traz um importante ganho no desenvolvimento da indústria. “O financiamento não reembolsável viabiliza que uma empresa de pequeno porte como a Horus possa contratar projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) com a CERTI e ainda envolver a BASF, interessada nos impactos que esta solução trará para os produtores em campo”, diz.

EMBRAPII e Sebrae

Este e diversos outros projetos são resultados de uma parceria entre EMBRAPII e Sebrae que firmaram recentemente novo contrato que pode alavancar até R$100 milhões em investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em projetos de startups, micro e pequenas empresas. O objetivo é financiar ideias inovadoras de pequenos empreendedores buscando potencializar a competitividade de suas empresas no mercado.

No modelo convencional da EMBRAPII são financiados até 1/3 do valor dos projetos inovadores da indústria brasileira com recursos não reembolsáveis, além de colocar à disposição para seu desenvolvimento as Unidades EMBRAPII, renomados centros de pesquisa credenciados pela instituição. No modelo específico que inclui o Sebrae, os empreendedores recebem o complemento de suas contrapartidas financeiras nos projetos compartilhando os riscos e contribuindo para sua viabilização.

Foto: Divulgação

Estudantes de Barreirinha transformam Amazônia em sala de aula e serão representantes do Brasil em conferência na Itália

Dados do Censo Escolar de 2018, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que 56% das escolas de Ensino Médio não têm laboratório de ciências. A Escola Professora Maria Belém, em Barreirinha (AM) – pequeno município localizado no coração da Amazônia – faz parte dessa estatística. Chamando a atenção para essa realidade, alunos do 3º ano do Ensino Médio pensaram em uma solução simples, porém extremamente criativa: levar a sala de aula para fora dos muros da escola. Era o início do projeto “Amazônia, um laboratório natural“, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

Com o objetivo de transpor os livros e dinamizar o tempo de estudo, cinco alunos se reuniram com o professor de biologia para propor alternativas para as atividades práticas na escola. Em pouco tempo, os jovens perceberam que tinham à disposição o maior laboratório natural do mundo: a Floresta Amazônica. Depois de se apropriarem dos temas que poderiam ser usados como fonte de estudos, 25 alunos viajaram de barco até a comunidade vizinha de São Francisco do Paraná do Moura. Lá, divididos em grupos, pesquisaram sobre diferentes temas, tais como os tipos de água, os habitat, as florestas primária e secundária, os aspectos das diversas plantas e os tipos de serpentes.

Além de evidenciar a falta de laboratório na escola, o sucesso da experiência transformou a percepção da turma e melhorou significativamente a absorção dos conteúdos de disciplinas como física, química e biologia. Durante todo o projeto, o grupo contou com o apoio do professor, que contribuiu com soluções para as dúvidas que surgiam e, posteriormente, ajudou na organização dos debates. A iniciativa foi multiplicada para outras turmas do “Maria Belém”, que se inspiraram no primeiro teste e passaram a ocupar outros espaços não formais e torná-los extensões das salas de aula.

De Barreirinha para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso” (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$ 1.500 para o projeto e R$ 500 para o educador.

A novidade desta edição fica por conta da viagem de premiação ser internacional: uma imersão em Roma, na Itália, no final de novembro, irá reunir mais de 2 mil crianças e jovens de países integrantes do movimento Design for Change – do qual o Criativos da Escola faz parte.

“Os sete projetos representarão um movimento de crianças e jovens de todo o Brasil que nos apresentam a beleza e a força de soluções coletivas, inovadoras e solidárias para os desafios de seus territórios e para os problemas que mais os incomodam em suas realidades. Estamos muito felizes em divulgar estas iniciativas que irão mostrar para o mundo não só projetos incríveis, mas também a necessidade de olharmos para as questões abordadas por cada um deles e para os direitos que deveriam ser garantidos para toda a sociedade”, comemora o coordenador do Criativos da Escola, Gabriel Maia Salgado.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Foto: divulgação

Boto Cor de Rosa é bicampeão do Çairé

Com 464 pontos, um a mais que o boto Tucuxi, o boto Cor de Rosa conquistou o bicampeonato do Festival dos Botos do Çairé 2019, ocorrido na Vila de Alter do Chão, no oeste do Pará.

A disputa das duas agremiações foi acirrada durante toda a apuração, ocorrida na tarde desta segunda-feira, 23, data do encerramento da festa, no Lago dos Botos, em Alter do Chão. Esse é o 11° título do boto Cor de Rosa, o qual desempata a competição que estava igualada em 10 títulos para cada agremiação.

O boto campeão de 2019 destacou na sua apresentação a importância da água para a preservação da vida do planeta, a sustentabilidade como fonte de vida, e empolgou a torcida com seus cordões de carimboleiros, itens, artes cênicas, alegorias e torcida.

Um dos destaques foi a transformação de Nossa Senhora da Saúde, padroeira da vila, na Saraipora, representada pela Rainha do Çairé, Maria Eulália.

A cênica da sedução da cabocla pelo boto homem violeiro também chamou a atenção dos jurados e dos presentes.

O resultado está sendo muito comemorado pelos brincantes e torcedores do Cor de Rosa na Vila se Alter do Chão, berço do boto.

Os botos se apresentaram no último dia 21, sábado.

Texto e fotos: Nely Pedroso

Estudo aponta marcador promissor no pós-operatório digestivo oncológico

O estudo do nutricionista clínico-oncológico Ábner Souza Paz, especialista em terapias nutricionais da SENSUMED Oncologia e pesquisador do Instituto SENSUMED de Ensino e Pesquisa Ruy França – ISENP, que finalizou seu mestrado, realizado na Universidade Federal do Amazonas – UFAM, pelo Programa de Pós-graduação em Cirurgia – PPGRACI, aponta um marcador promissor, o Ângulo de Fase (AF°), advindo de aplicação de Bioimpedância Elétrica, na atuação das equipes cirúrgicas digestivas oncológicas, no intuito de prever situações indesejáveis no pós-operatório, tais como efeitos da desnutrição e até mesmo o óbito.

Pela dissertação de mestrado de Ábner Souza, que teve orientação da professora Drª. Maria Conceição de Oliveira, e avaliação da professora Drª. Ana Rita e do médico cirurgião e professor Dr. Gerson Nakajima, foi provado que o marcador AF° é mais sensível em diagnosticar a desnutrição e prever possíveis problemas após a cirurgia, quando comparado com os outros marcadores convencionais usados na prática clínica.

Segundo o especialista, a utilização do AF° favorece a compreensão da equipe cirúrgica multidisciplinar para as condutas conservadoras, durante o período operatório, dando assim maior chance de recuperação aos pacientes, bem como menores riscos de morte.

Os métodos de avaliação nutricional com o AF°, no pré-operatório, explica Ábner Souza, apresentam diagnóstico, mesmo antes da intervenção cirúrgica, de valores com significação clínica de elevado risco e de piora do quadro de desnutrição, com possíveis desfechos negativos no pós-operatório. “Sendo assim, a avaliação nos dá embasamento para talvez postergar o procedimento cirúrgico, em detrimento de um possível preparo de imunonutrição no pré-operatório”, enfatiza o nutricionista clínico-oncológico. Destacando-se nesse sentido o cuidado com a alta prevalência de desnutriç& atilde;o antes de procedimento cirúrgico favorecendo as complicações pós-operatórias graves, das quais a desnutrição é um fator preditivo para sua ocorrência.

As limitações desse estudo, ressalta o pesquisador, incluem a avaliação de pacientes de apenas um único centro médico implicando no transversal, tamanho da amostra com um número expressivo.

Perspectivas

Pelo estudo realizado, destaca Ábner Souza, o marcador AFº deverá se tornar ferramenta rotineiramente empregada nos serviços de oncologia, possibilitando antever o prognóstico do paciente, além de poder servir como instrumento de triagem nutricional, possibilitando o encaminhamento de pacientes ao serviço de nutrição. “Dessa maneira, é possível reduzir as complicações decorrentes do tratamento cirúrgico oncológico e, consequentemente, proporcionar melhores desfechos, inclusive com menores custos hospitalares”, avalia o pesquisador.

Ábner Souza recomenda que os métodos antropométricos de avaliação nutricional, relacionados às medidas físicas do corpo humano, devem ser reavaliados à luz da epidemia de sobrepeso e obesidade. O nutricionista adianta que novos estudos devem sugerir pontos de corte que sejam mais sensíveis para identificar desnutrição. E demais métodos de avaliação nutricional, como dinamometria e EMAP, devem ser melhor avaliados em diferentes populações com maiores números de participantes.

A partir dessa dissertação, avalia Ábner Souza, novos trabalhos poderão ser desenvolvidos em assuntos relacionados ao estado nutricional e à gravidade da inflamação em pacientes com câncer, bem como incorporar o AFº como indicador prognóstico durante a avaliação pré-operatória.

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Queimadas na Amazônia seguem rastro do desmatamento, mostra análise

O número de focos de calor registrados na Amazônia já é 60% mais alto do que o registrado nos últimos três anos. O pico tem relação com o desmatamento, e não com uma seca mais forte como poderia se supor, segundo nota técnica sobre a atual temporada de queimadas que o Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (Ipam) divulgou hoje, 20 de agosto.

Confira a nota técnica na íntegra.

De 1º de janeiro a 14 de agosto, 32.728 focos foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Uma das hipóteses para explicar a alta em 2019 seria uma estiagem intensa, como registrada em 2016. Mas ela não se confirmou: apesar da seca, há mais umidade na Amazônia hoje do que havia nos últimos três anos.

Se a seca não explica as queimadas atuais, a retomada da derrubada da floresta faz isso. O fogo é normalmente usado para limpar o terreno depois do desmatamento, e a relação entre os dois fatores é positiva em uma análise entre os focos de calor e o registro de derrubada feito pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD).

“Não há fogo natural na Amazônia. O que há são pessoas que praticam queimadas, que podem piorar e virar incêndios na temporada de seca”, explica a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar, uma das autoras da nota. “Mesmo em uma estiagem menos intensa do que em 2016, quando sofremos com um El Niño muito forte, o risco do fogo escapar é alto.”

A fumaça desencadeia uma série de problemas respiratórios em quem mora na região, o que gera ainda gastos com saúde pública e prejuízos econômicos pela ausência de funcionários. No Acre, que a nota destaca como exemplo, os satélites já registraram 1.790 focos de calor, número 57% mais alto do que em 2018 e 23% mais alto do que em 2016, com cidades respirando uma quantidade de material particulado muito acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

“As consequências para a população são imensas. A poluição do ar causa doenças e o impacto econômico pode ser alto”, diz o pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho. “Combater o desmatamento, que é um vetor das queimadas, e desestimular o uso do fogo para limpar o terreno são fundamentais para garantir a saúde das pessoas e das florestas.”

Foto: reprodução

Serviço Florestal Brasileiro e Ufam inauguram Casa do Carbono em Manaus

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) inauguraram no último dia 8 de agosto o primeiro Laboratório de Inventário e Mensuração Florestal – a Casa do Carbono, que irá apoiar os esforços do Inventário Florestal Nacional na determinação de peso seco e teor de carbono armazenado pelas árvores da Amazônia.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, que, esteve no ato, representando a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, destacou que a Casa do Carbono permitirá tratar de forma científica, por meio de dados, o volume de madeira, biomassa e carbono armazenado pela Floresta Amazônica.

“Com a implementação da Casa Carbono, teremos elementos técnico-científicos para fazermos a gestão da floresta. Dentro dessa visão, trabalharemos conjuntamente com a Ufam e o Fundo Amazônia, para extrairmos dados que possibilitem mensurar a floresta e a sua biomassa”, disse Colatto.

O reitor da Ufam, Sylvio Puga, destacou a importância da obra para a pesquisa e o conhecimento sobre a Amazônia. “Agora, podemos dizer que temos a única Casa de Carbono da região Norte e que estará a serviço do nosso país e do mundo. As informações produzidas aqui serão públicas e estarão disponibilizadas para qualquer pessoa que queira entender mais sobre a Amazônia”, avaliou o reitor.

O chefe do Departamento de Meio Ambiente e Fundo Amazônia do BNDES, Nabil Moura Kadri, explicou que o apoio do Fundo Amazônia à Ufam se deu, por meio do Serviço Florestal Brasileiro, dentro do projeto do Inventário Florestal Nacional (IFN).

“A Ufam é o locus principal para a geração de conhecimento e inovação. Será fundamental essa parceria para que a gente conheça melhor, não só os estoques de carbono, mas também as florestas para aprimorar as políticas públicas de preservação e conservação”, declarou.

Equações Alométricas

O diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Joberto Veloso de Freitas, explicou que, para que as estimativas do volume de madeira e peso da biomassa de cada árvore possam ser feitas, é necessário dispor de equações matemáticas, que transformam os dados coletados em campo (altura e diâmetro) em variáveis mais complexas. Essas equações são chamadas de equações alométricas. O desenvolvimento dessas equações envolve a derrubada, cubagem e pesagem total de centenas de árvores, com subsequente tratamento de amostras de madeira em laboratório para a determinação do peso seco de cada árvore e a determinação do teor de carbono por espécie.

Inventário Florestal

O Inventário Florestal Nacional é um levantamento realizado pelo Governo Federal para produzir informações sobre os recursos florestais brasileiros. A coleta de dados é feita em todo o território brasileiro, diretamente nas florestas – naturais e plantadas – incluindo a coleta de amostras botânicas e de solo, a medição das árvores e a realização de entrevistas com os moradores das proximidades. Desta forma, são avaliadas a qualidade e as condições das florestas e a sua importância para as pessoas.

Fotos: SFB/divulgação