Tecnologia inovadora é aliada de estudantes com perda auditiva

A tecnologia na área auditiva é mais uma aliada na inclusão escolar. Muitos pais e professores ainda não conhecem o dispositivo “Amigo”, um sistema FM que permite a comunicação direta dos professores com crianças e jovens que têm deficiência auditiva. Dentro da sala de aula, essa tecnologia é fundamental para ajudar esses alunos a entender com clareza o que o professor está ensinando, mesmo com o burburinho das conversas de seus colegas.

O “Amigo” é composto por um transmissor e um receptor. O professor, na frente da sala de aula, usa o transmissor acoplado discretamente na roupa, e a sua voz é transmitida diretamente para o receptor que está no aparelho auditivo do aluno. Isso ajuda a diminuir qualquer efeito negativo de distância, reverberação ou ruído de fundo, mantendo o sinal da fala original alto e claro.

“Através de um exame audiológico simples, muitas desordens do sistema auditivo são encontradas. Os pais devem estar atentos para os casos de crianças que falam alto, assistem TV em volume exagerado, apresentam rouquidão crônica, otites de repetição nos ouvidos, têm dificuldades na escola, desatenção, distorções na fala e atraso no desenvolvimento da linguagem”, explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, responsável pelo Programa Infanto-Juvenil Cuidado Auditivo Amigo da Criança, da Telex Soluções Auditivas.

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 7% da população mundial é portadora de algum grau de perda auditiva.

“Com problemas na audição, as crianças podem apresentar dificuldades para aprender, já que não ouvem bem o que está sendo ensinado, afetando a leitura e escrita. Além disso, podem ter problemas de relacionamento com colegas e distúrbios de comportamento, como falta de concentração ou retraimento em excesso. Está comprovado que alunos com problemas de audição têm menor rendimento escolar. Agora, com o ‘Sistema Amigo’, da Telex, tudo ficará mais fácil”, conclui a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada

O câncer em 2020: como estamos nessa batalha?

Por Dra. Vivian Antunes

Entre outras tantas coisas, o câncer é um desafio para a humanidade. É temido por quase todos nós (senão todos), é vigorosamente caçado por cientistas ao longo dos séculos, é doloroso para os milhões que dele sofrem e é passível de prevenção em um terço das vezes.

A doença é mesmo um desafio vivo. A história dessa moléstia se entrelaça com a própria história da humanidade, com seu primeiro registro há 4 milhões de anos. Por mais que hoje se saiba mais sobre o câncer do que nunca, e que marcantes avanços sejam reconhecidos, ainda é responsável por 9,6 milhões de mortes todos os anos.

Dados recentes publicados pela American Cancer Society (ACS) documentam uma queda de 2,2% na mortalidade por câncer entre 2016 e 2017. Essa é a maior queda registrada até hoje, e pode ser parcialmente explicada pelos avanços nos cuidados do câncer de pulmão e melanoma nesse período. A mortalidade por câncer subiu até 1991, e desde então teve queda de 29%.

O mundo da ciência está otimista por presenciar o que antes parecia inatingível, como o advento da imunoterapia (tratamento que faz com que o sistema imunológico atue contra o câncer), e que traz maior chance de cura mesmo para pacientes com metástases.

As coisas também têm mudado para aqueles que vivem com a doença, não só pelos melhores desfechos e melhor controle de sintomas, mas sobretudo por assumirem cada vez mais o protagonismo do seu tratamento.

Não existe mais espaço para a medicina que olha exclusivamente para a doença. Entra em ação o trabalho de dar acesso a informações qualificadas para que os pacientes compartilhem decisões que respeitem seus valores. É viver com coerência, na saúde e na doença. É tratar com respeito a doença e o doente.

Esse processo, às vezes citado como “empoderamento” do paciente, vai além da qualificação médica: requer ação dos meios de informação por diferentes mídias, o ativismo e empenho de organizações relacionadas ao tratamento e resultam em uma feliz mudança de paradigmas no tratamento de seres humanos.

A contar para o lado triste da história estão as vidas que poderiam ser salvas com a adequada implementação de estratégias de prevenção e detecção precoce. Por exemplo, cerca de um terço das doenças neoplásicas podem ser prevenidas.

O tabaco ainda é responsável por 22% das mortes por câncer, e evitar a obesidade, manter atividade física e dieta adequadas reduzem consideravelmente o risco de desenvolver diversos tipos de tumores, como o de mama, intestino e próstata.

Ainda no caminho do que podemos evitar está o câncer de colo uterino. O Brasil tem um lamentável e elevadíssimo número de mulheres que sofrem e morrem por essa doença. É importante mencionar o papel da vacinação contra o vírus HPV como um marco na luta contra mortes pelo câncer. A melhor conscientização e educação da população, bem como estratégias de saúde pública, podem reduzir mortes por câncer. Não é otimismo excessivo. É ciência e ação!

Em um país de grandes disparidades, temos também o que chamo de desigualdade do câncer. O acesso aos recursos que trazem maior chance de cura e mais do que dobram o tempo de vida de pacientes não é homogêneo. Felizmente os tratamentos são a cada dia melhores, mas também, proporcionalmente mais caros. Sem falar no desequilíbrio no número de mortes por câncer no mundo, sendo mais frequente nos países em desenvolvimento.

O Dia Mundial do Câncer fortalece o movimento de todos que enxergam o câncer como um desafio a ser combatido para que, um dia, seja uma doença menos temida, menos sofrida, mais compreendida pela ciência e quem sabe, previnida em uma boa parte das vezes, senão em todas elas.

Vivian Castro Antunes de Vasconcelos é médica oncologista clinica do Hospital Vera Cruz, grupo SOnHe e CAISM-UNICAMP. É mestre em ciências na área de Oncologia pela Unicamp. Membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO).

Foto: https://www.worldcancerday.org/pt-br
Portal Vida Amazônica apoia a Campanha Mundial #DiaMundialdoCâncer #EuSouEEuVou

Especialista em autismo é reforço para difundir conhecimento sobre uso da Cannabis medicinal

O neuropediatra e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Rubens Wajnsztejn – que é palestrante do Cann x Lisboa, primeiro evento realizado na Europa para pra discutir a Cannabis medicinal do ponto de vista da ciência, da tecnologia e do mercado/indústria, no dia 12 de fevereiro, com o tema “CBD e suas aplicações nos distúrbios do espectro autista” -, é o novo reforço da HempMeds Brasil, primeira empresa brasileira a importar de forma legal a Cannabis medicinal para o Brasil.

Professor há mais de três décadas dos cursos de medicina do Centro Universitário Saúde ABC, em Santo André/SP, especialista em autismo e prescrição de CBD, ele assume o cargo de executivo responsável pela área médica, ou CMO (Chief Medical Officer). Wajnsztejn é formado pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), tem mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e é doutor em Ciências da Saúde na Faculdade de Medicina do ABC, instituição em que leciona.

Informação

Uma de suas principais atribuições é a de ajudar a marca pioneira neste novo mercado a difundir ainda mais conhecimento sobre um tratamento que está se popularizando no país, mas que ele já conhece há décadas. A HempMeds entende que a desinformação e o preconceito sobre o assunto prejudicam a vida de cerca de 4 milhões de pacientes, os quais podem ser beneficiados pelo canabidiol.

“Mais do que um conhecedor de causa, ele é pesquisador e tem contato direto com médicos brasileiros e futuros profissionais da saúde. Portanto, vai levar ainda mais informações sobre esse tratamento, que melhora a qualidade de vida de pacientes com doenças raras e de difícil tratamento”, afirma Caroline Heinz, vice-presidente da HempMeds Brasil.

Diante das movimentações positivas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Wajnsztejn entra na HempMeds Brasil em um momento essencial para os pacientes e um novo setor da indústria financeira. Em dezembro, o órgão regulador permitiu a venda de CBD em todas as farmácias brasileiras. Já no último dia 22 de janeiro, o colegiado aprovou a flexibilização e desburocratização da importação de produtos à base de Cannabis medicinal.

Indústria

Em 2015, a HempMeds® Brasil tornou-se a primeira empresa a fornecer um produto à base de Cannabis, o RSHO ™, para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), de maneira judicializada, que não têm condições de pagar pelo medicamento. Em julho, do mesmo ano, a Receita Federal também reduziu os impostos para importação do CBD e outros medicamentos, facilitando o acesso a mais famílias brasileiras.

A Medical Marijuana, Inc. (MJNA), grupo matriz da HempMeds Brasil, é a primeira empresa de Cannabis publicamente negociada nos Estados Unidos, não vende ou distribui quaisquer produtos que violem a Lei de Substâncias Controladas dos Estados Unidos (US.CSA). Estas empresas produzem, vendem e distribuem produtos à base de cânhamo e estão envolvidas com a distribuição federalmente legal de produtos médicos à base de maconha em determinados mercados internacionais. O canabidiol é um componente natural do óleo de cânhamo.

Uso excessivo de antibióticos pode causar de infecções até reações alérgicas

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma média superior aos países da Europa em relação ao uso de antibióticos, com 22,75 doses por dia. O risco é que a ingestão indiscriminada desse tipo de medicamento, seja por escolha do paciente ou sob prescrição médica, possa causar uma série de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, reações alérgicas, entre outras condições.

Segundo Maria Lúcia Biancalana, infectologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, outra preocupação relacionada ao uso incorreto dessa classe de medicamentos é a de que surja uma seleção de bactérias multirresistentes aos antibióticos. “O uso indiscriminado pode favorecer o crescimento dessas superbactérias. Por isso, é importante que o tratamento com antibióticos seja feito apenas para causas específicas e por tempo adequado. Quando as bactérias se tornam resistentes, os antibióticos habituais perdem a eficiência e não impedem a multiplicação desses microrganismos. Bactérias resistentes são mais difíceis de serem eliminadas e geralmente exigem medicamentos mais tóxicos. Além disso, há o risco de se alastrarem, pois podem ser transmitidas para outras pessoas”, afirma a médica.

Ela ressalta também que é essencial que a população compreenda os riscos e limites do uso desses medicamentos e das várias ameaças que ele traz. “É fundamental usar antibióticos apenas quando indicado e prescrito por um profissional de saúde, seguir a prescrição à risca, evitar reutilizar medicamentos usados em outros tratamentos e que estejam disponíveis em casa e não compartilhar antibióticos com outras pessoas”, orienta a profissional.

Os antibióticos salvam vidas e são fundamentais para tratar infecções comuns como pneumonia e até condições que mais sérias como a sepse. Porém, não são eficientes para combater infecções causadas por vírus como os da gripe e de resfriados. “Por isso é tão importante que haja conscientização não só dos profissionais de saúde como também da população de forma geral”, afirma a médica.

Com o intuito de estimular o bom uso desse tipo de medicamento, a BP mantém o Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos, que visa garantir o efeito farmacoterapêutico máximo desses agentes, reduzir a ocorrência de eventos adversos nos pacientes e prevenir a seleção e a disseminação de microrganismos resistentes.

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Presença de sangue no esperma pode ser causada por infecção na próstata, alerta urologista

Denominada hemospermia, a presença de sangue no esperma ejaculado pode acometer homens de idades variadas. Como na maioria das vezes ocorre sem sintomas, o alerta vem, geralmente, quando se nota a mudança da coloração do esperma, após a atividade sexual, que pode ir de rosa claro ao vermelho ou marrom, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo. Pelo menos 2% dos relatos urológicos estão ligados à alteração, mas especialistas acreditam que esse número é maior, já que muitos casos são sub-notificados.

De acordo com ele, grande parte dos homens com a alteração, continua tendo uma vida sexual normal até que algum sintoma decorrente da piora do caso passe a aparecer. “Mas, mesmo com algum sintoma evidente, como desconforto, por exemplo, muitos homens deixam de procurar ajuda por vergonha ou timidez”, frisou o médico.

Entre as mais comuns infecções/inflamações da próstata, está a prostatite, causada por bactérias do intestino capazes de contaminar áreas próximas. A hiperplasia benigna de próstata, caracterizada pelo crescimento da glândula, também pode contribuir para a hemospermia. Os ductos ejaculatórios também podem ser a causa do sangramento, em casos de processos inflamatórios.

A próstata é uma glândula que faz parte do aparelho genital masculino e está localizada perto da bexiga do homem. Sua principal função é armazenar um líquido que, junto aos espermatozóides, formam o sêmen.

Giuseppe Figliuolo explica que quanto mais agravado o caso, maior pode ser o sangramento que é eliminado junto ao esperma. No início, os sintomas inexistem, mas se não tratada a tempo, pode levar a dores, febre, calafrios, urina turva, mal estar, entre outros.

Outra causa provável da hemospermia pode ser uma complicação pós-cirúrgica. Os procedimentos cirúrgicos para o tratamento da próstata, por exemplo, estão inseridos nesse contexto, destaca Figliuolo.  

O diagnóstico, geralmente, é feito através de avaliação clínica e pode ter indicação de exames como o espermograma, urina e urocultura. “Em alguns casos, necessita-se de avaliações mais aprofundadas, com exames complementares como ressonância magnética da próstata, cistoscopia ou biópsia (retirada de fragmento para análise patológica)”, disse o especialista.

O tratamento é conservador, com a utilização de medicamentos, inibidores de crescimento prostático, entre outros. 

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Homens fazem menos exames que mulheres, aponta Ministério da Saúde

As campanhas de conscientização dedicadas às mulheres e aos homens se tornaram eventos oficiais nos calendários de saúde. A divulgação das ações traz à tona o questionamento: por que os homens se cuidam menos que as mulheres? Essa falta de cuidado reflete nos números. Elas vivem mais do que eles em quase todas as partes do mundo – e tem sido assim nos últimos 100 anos. No Brasil, a expectativa de vida dos homens é de 72,8 anos em 2018, enquanto a das mulheres é de 79,9 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a violência seja um dos fatores que justifique essa diferença, a falta de cuidado com a saúde também tem um peso grande.

Mais de um terço dos homens não cuidam da própria saúde, indica o Ministério da Saúde. O levantamento “Um Novo Olhar para a Saúde do Homem”, feito pela revista Saúde em parceria com o Instituto Lado a Lado Pela Vida, e divulgado em setembro de 2019, mostrou que, apesar de o urologista ser visto por 37% dos entrevistados como o médico do homem, 59% não costumam manter consultas periódicas.

O câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele (não-melanoma), de acordo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é uma doença silenciosa, ​ com cerca de 70 mil novos casos a cada ano e o número de mortes causadas pela doença, segundo o Inca, chegou a 15.391, em 2017, o que mostra que 42 homens morrem por dia em decorrência da doença e, aproximadamente, 3 milhões vivem com a doença no Brasil. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos em desenvolvimento, de acordo com o Inca, e se descoberto precocemente tem 90% de chance de cura.

Apesar dos dados alarmantes e das campanhas realizadas, muitos homens, por preconceito e desconhecimento, têm medo de fazer os exames preventivos. De acordo com o Painel Abramed 2019 – O DNA do Diagnóstico, o número de pacientes atendidos alcançou mais de 35 milhões, nas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), em 2018, que representam 50,2% dos exames na saúde suplementar e 21% no total do país.

Assim como no ano anterior, as mulheres correspondem ao maior percentual de atendimentos, 62%. O atendimento aos homens representou 38% do total no mesmo período. Comprovando que o público feminino demonstra maior preocupação com a saúde e realiza mais exames preventivos do que os homens.

Segundo indicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), para homens a partir dos 50 anos é recomendado fazer anualmente o exame de antígeno prostático específico (PSA), que é um dos procedimentos preventivos e de diagnóstico precoce, e o de toque retal, visando avaliar consistência e presença de nódulos na glândula. Normalmente, solicita-se também ultrassonografia das vias urinárias e próstata. Todos são cobertos pela Rol de Procedimentos e Eventos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que determina a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. Esses exames, quando associados, de acordo com o Inca, podem dar uma segurança de cerca de 90% ou mais, auxiliando no diagnóstico precoce da doença, já que 20% dos casos são diagnosticados na fase inicial.

“Pessoas com antecedentes familiares de neoplasia prostática, obesos e raça negra têm maior predisposição a este tipo de tumor e devem iniciar o check-up prostático já aos 40 anos, afirma o urologista do HCor, marca associada a Abramed, Antonio Correa Lopes Neto.

O número de exames de PSA realizados na saúde suplementar em 2018, segundo a ANS, foi 475.198, sendo 29,7 exames para cada mil beneficiários (homens a partir de 20 anos). Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) foram feitos 6.768.013 exames, sendo 108,6 para cada mil homens (a partir de 20 anos).

Outra informação importante, porém, preocupante, é que na saúde suplementar os homens entre 50 e 59 anos realizaram 132 mil exames, em 2018, ante a uma população de 2,4 milhões de pessoas do sexo masculino, o que representa 5,5% do total, segundo a Troca de Informação na Saúde Suplementar (TISS). “Esperava-se que este número fosse bem maior, pois nesta idade, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), a realização do PSA é obrigatória. Teríamos de estar com um percentual bem mais próximo do 100%”, ressalva Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Custos

Os gastos no Brasil em relação ao tratamento de câncer (excluindo promoção e prevenção) aumentaram de R$ 470 milhões para R$ 3,3 bilhões, entre 1999 e 2015, um crescimento de sete vezes num período de 16 anos. Cerca de dois terços destes gastos estão relacionados somente à quimioterapia.

Os números mostram que diagnosticar a doença nos estágios iniciais de tratamento e aumentar os esforços de prevenção de fatores de risco do câncer, reduz os custos na saúde. Quanto mais tardio o diagnóstico, mais oneroso é o tratamento.

Estudo feito pelo Hospital Sírio-Libanês aponta que, em 2018, foram gastos cerca de 9,3% do PIB no consumo de bens e serviços de saúde no Brasil (aproximadamente R$ 640 bilhões). Historicamente, o setor público realiza em média 42,8% das despesas, enquanto o desembolso realizado por famílias e empresas representa em média 57,2% do total. O país apresenta uma proporção de gasto público abaixo dos demais países de renda média. Por outro lado, tem uma contribuição privada bem acima na comparação com diversos países desenvolvidos.

“Investir em diagnóstico precoce do câncer, além de aumentar as possibilidades de cura, traz economia à saúde suplementar e ao SUS, por evitar gastos elevados, e proporcionar, principalmente, maior segurança ao paciente, que terá mais qualidade de vida”, afirma Shcolnik.

Demora no tratamento

A demora dos homens em ir ao médico é também um dos fatores que retardam o diagnóstico precoce da doença. Em média, eles esperam seis meses para procurarem um médico após os sintomas de câncer de próstata. O intervalo médio entre os primeiros indícios da doença, o diagnóstico e o início do tratamento é de 15 meses.

Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, com 200 homens acima dos 40 anos, diagnosticados com câncer de próstata há mais de dois anos, divididos em grupos de pacientes metastáticos e não metastáticos no Brasil, divulgada em maio deste de 2019, mostra que 51% dos pacientes com a doença em fase metastática descobriram o câncer de próstata em estágio avançado, 67% conheciam pouco ou não conheciam a doença antes do diagnóstico e um em cada três homens nunca procuraram um médico como medida preventiva, apenas recorrendo a um especialista após apresentar algum sintoma da enfermidade.

“Os homens tem medo da doença em si e dos possíveis efeitos colaterais dos tratamentos como, por exemplo, a disfunção erétil”, afirma Diogo Bastos, oncologista do Hospital Sírio-Libanês e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Segundo o médico, a maioria das pessoas acredita que todo homem que é submetido a um tratamento para câncer de próstata terá uma disfunção erétil, o que não é verdade. “Existem muitos tratamentos seguros atualmente e que não evoluem para esse problema. Em geral, esse é um câncer altamente curável, mas quanto mais cedo detectar, maior é a chance de cura”, conclui.

As informações das auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) em diversos estados, processadas em 2010, e divulgadas no Painel Abramed 2019 — O DNA do diagnóstico, revelaram que 60,5% dos pacientes foram diagnosticados em estadiamento (classificação preconizada pela União Internacional para o Controle do Câncer que determina a extensão do tumor presente no corpo de uma pessoa e onde está localizado) avançado, níveis 3 e 4 (sendo 0 para a doença restrita a área inicial; 1 – tumor restrito a uma parte do corpo; 2 – localmente avançado; 3 – localmente avançado com comprometimento do sistema linfático ou espalhando por mais tecido; e 4 – metástase a distância, espalhando para outros órgãos ou todo o corpo).

“A saúde é o bem mais desejado pelo brasileiro e, por isso, não pode ser postergada. É ela que pode possibilitar ao país condições para a retomada do crescimento, amadurecimento e aumento de produtividade. Neste setor, com muitos atores e desafios, o diagnóstico cumpre o seu protagonismo como importante elo dessa engrenagem”, ressalta Wilson Shcolnik.

Foto: Reprodução

Astellas Oncologia premia trabalho de formação de voluntários que cuidam de filhos de pacientes

Foram 27 projetos brasileiros inscritos na área de cuidados com o câncer que vão além da medicina. Número de inscrições no Brasil superou a soma de projetos canadenses, ingleses, africanos, europeus e australiano

A Astellas divulgou os vencedores do Prêmio Astellas Oncologia “C3 Prize”. A 4ª Edição do desafio global em busca de ideias inovadoras que podem gerar uma mudança significativa na atenção e cuidado com câncer premiou com US$ 100 mil o projeto da canadense Audrey Guth, fundadora da Nanny Angel Network, de Toronto. O valor será usado para financiar a expansão do seu trabalho de formação de voluntários que cuidam de crianças cujas mães foram diagnosticadas com câncer.

“As mães, principalmente em populações carentes, geralmente são forçadas a escolher entre cuidar de seus filhos e procurar tratamento, e um diagnóstico tão sério pode deixar as crianças tristes, assustadas e ansiosas”, disse Guth. “Sou grata pela oportunidade de expandir o alcance e o impacto da Nanny Angel Network, pois procuramos aliviar o fardo de viver com câncer para as famílias”.

Pelo primeiro ano, ideias brasileiras puderam participar da premiação. “Ficamos extremamente felizes por esse motivo, mas principalmente porque a adesão dos proponentes brasileiros foi enorme para uma primeira edição no país. Isso nos dá muito orgulho”, diz Ricardo Ogawa, Gerente Geral da Astellas Farma Brasil.

Três finalistas apresentaram suas ideias a um painel de juízes, incluindo o empresário de celebridades e ativista do câncer Bill Rancic e outros líderes de inovação, saúde e negócios, durante um evento ao vivo em Nova York, em outubro.

O desafio deste ano concedeu quatro prêmios, totalizando US$ 200 mil em fundos (um grande prêmio de US$ 100 mil, dois prêmios de inovação de US$ 45 mil e um prêmio de ideias emergentes de US$ 10 mil).

Juntamente com o financiamento, todos os vencedores terão a oportunidade de participar do Tedmed 2020 como bolsistas, juntando-se a uma comunidade única e multidisciplinar de importantes pensadores e realizadores de todo o cenário da saúde, medicina e inovação científica. Os vencedores também receberão uma associação complementar de um ano da Matter, uma incubadora global de start-ups de assistência médica, nexo comunitário e acelerador de inovação corporativa.

Os vencedores deste ano foram:

• Daniella Koren, de Nova York, EUA, fundadora da Arches Technology, cuja ideia é expandir um programa digital de educação e engajamento de pacientes chamado MyCareCompass, que fornece informações relevantes e educação baseada em evidências para as pessoas afetadas pelo câncer, ao longo da jornada de tratamento.

• Leslie Schover, do Texas, EUA, fundadora da Will2Love, cuja ideia é adaptar programas de auto-ajuda para homens e mulheres para atender às necessidades de populações especiais, incluindo sobreviventes mais jovens e sobreviventes LGBTQ+. O Will2Love fornece educação on-line e orientação de especialistas para ajudar as pessoas afetadas pelo câncer a superar problemas de saúde e fertilidade sexual, treina profissionais de oncologia para gerenciar melhor esses problemas e consulta hospitais para estabelecer programas de saúde reprodutiva.

“A Astellas está extremamente orgulhosa em ajudar a promover essas ideias inspiradoras dos vencedores deste ano, que estão trabalhando ativamente para transformar o que significa viver com um diagnóstico de câncer e melhorar a experiência do paciente durante toda a jornada”, disse Mark Reisenauer, VicePresidente Sênior da Unidade de Negócios Oncologia da Astellas.

Na foto: Audrey Guth, fundadaora da Nanny Angel Network, vencedora do Prêmio Astellas Oncologia “C3 Prize”

Inscrições abertas para residência médica e novos cursos de pós-graduação e MBA

São Paulo – O Hospital Alemão Oswaldo Cruz dá início ao processo de inscrições para as novas modalidades de residência médica e cursos de pós-graduação e MBA da Faculdade de Educação em Ciências da Saúde (FECS). As inscrições vão até 18 de dezembro.

Para os profissionais que buscam expandir seu conhecimento em especialidades médicas, a faculdade já oferece cursos de pós-graduação em Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Neurocirurgia Oncológica, Ecocardiografia, Urologia Robótica, Endoscopia Avançada, Clínica Médica e Otorrinolaringologia.

Com a intenção de oferecer a melhor qualidade de ensino e formação da saúde, o Hospital segue com planos para abrir mais cursos em 2020 e apresenta oito novas disciplinas integradas à grade da faculdade, como Controle de Infecção Hospitalar (programa multiprofissional, aberto para médicos, enfermeiros e farmacêuticos), Especialização em Docência em Saúde, Especialização em Práticas Integrativas, Assistência Farmacêutica em Oncologia, Enfermagem em Centro Cirúrgico, Central de Material e RPA, Auditoria em Saúde, Multiprofissional para o tratamento da dor e Engenharia e Arquitetura Hospitalar.

Para quem busca por MBA, o Hospital conta com o curso de Gestão e Inovação em Saúde, e agora também passa a oferecer especializações em Gestão de Qualidade em Saúde, Gestão de Saúde Integral e Gestão e Tecnologia em Saúde 4.0 (on-line). O início das aulas está previsto para fevereiro e março.

Residência Médica

A Instituição deu início ao programa de residência médica em 2013 e hoje disponibiliza seis cursos nas seguintes áreas: Oncologia Clínica, Clínica Médica, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência, Anestesiologia e Endoscopia. Os candidatos concorrem a duas vagas em todos os cursos, exceto o de Oncologia Clínica, que terá apenas uma vaga no ano letivo.

Para mais informações sobre os programas de residência e os novos cursos, acesse o site do Hospital e da FECS.

A Faculdade

A Faculdade do Hospital Alemão Oswaldo Cruz conta com um corpo docente especializado e titulado, formado por profissionais atuantes no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professores de outras áreas do conhecimento, com passagem por instituições de ensino renomadas.
Faculdade do Hospital Alemão Oswaldo Cruz — www.fecs.org.br

O Hospital

Fundado por um grupo de imigrantes de língua alemã, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz é um dos maiores centros hospitalares da América Latina. Com atuação de referência em serviços de alta complexidade e ênfase nas especialidades de oncologia e doenças digestivas, em 2019 a Instituição completou 122 anos.

A unidade de saúde é certificada pela Joint Commission International (JCI) — principal agência mundial de acreditação em saúde –, conta com um corpo clínico formado por mais de 3.900 médicos cadastrados ativos, e tem capacidade total instalada de 805 leitos, sendo 582 deles na saúde privada e 223 no âmbito público.

Desde 2008, atua também na área pública como um dos cinco hospitais de excelência do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz — http://www.hospitaloswaldocruz.org.br/

Ações de rastreio e informação pautaram o Novembro Azul no Amazonas

Durante o último mês, médicos urologistas membros da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizaram, no Brasil, ações voltadas ao rastreio do câncer de próstata, além de uma extensa programação que incluiu palestras, rodas de conversa e orientação ao público, sobre temas ligados à saúde do homem. No Amazonas, o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo, destaca que as atividades fizeram parte do cronograma do Novembro Azul, movimento que é realizado há cerca de dez anos no País, e que busca fortalecer a política de assistência ao público masculino, além de democratizar o debate acerta do tema.

Presidente da seccional da SBU no Amazonas, Figliuolo destaca que reuniu cerca de mil pessoas em palestras realizadas por ele, em parceria com o poder público e instituições privadas, além de participar de pelo menos duas ações assistenciais, com o atendimento médico de 220 homens na faixa etária de risco para o câncer de próstata (a partir dos 50 anos).

“O propósito da campanha, que ainda é muito recente no Brasil, é de chamar a atenção dos homens sobre a necessidade da realização do check-up médico, a partir dos 45 ou 50 anos, anualmente. Mas também, é de dialogar com o poder público, para ampliar a rede de assistência, com estruturas voltadas especificamente para o atendimento do público masculino”, destacou.

Figliuolo explica que os homens morrem mais cedo que as mulheres e são maioria na estatística de óbitos, o que aciona o alerta para a importância de políticas públicas de prevenção às doenças masculinas, em especial, às urológicas, que se não tratadas a tempo e da forma adequada, podem causar sofrimento prolongado e levar à morte precocemente.

“Um exemplo disso é o câncer de próstata, que tem previsão de 580 casos no Estado. A maioria desses diagnósticos deverá acontecer nas fases intermediária ou avançada da doença. Isso porque, culturalmente, os homens só procuram um médico quando sentem algum sintoma. E como o câncer é uma doença silenciosa, que só apresenta sinais quando já passou da fase inicial, muitos deles precisam passar por tratamentos invasivos e têm as chances de cura reduzidas”, explicou.

Para o especialista, essa realidade pode ser mudada com campanhas permanentes sobre o tema, a ampliação da assistência e o esclarecimento da população.

“Em 2019, o envolvimento das instituições públicas e privadas, da imprensa e da sociedade em geral, foi maior que nos anos anteriores. Mas, ainda precisamos reforçar a adesão, de modo a envolver, inclusive, o público feminino, tendo em vista que muitos homens só procuram ajuda médica quando são estimulados por suas mães, esposas ou filhas”, completou.

A campanha Novembro Azul é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Urologia e neste ano, adotou o tema “Seja herói da sua saúde”, para trabalhar as ações desenvolvidas em todo o Brasil. Segundo projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS), o País registrará, em 2019, 68 mil novos casos de câncer de próstata.

Texto: Ana Carolina Barbosa
Foto: Divulgação

Sensibilidade nos dentes incomoda e afeta 57% da população adulta

Para quem sofre de hipersensibilidade dentinária, ou sensibilidade nos dentes, a simples ingestão de alimentos ou bebidas quentes e frias, ou mesmo escovar os dentes se torna um desafio, pois pode causar sensibilidade dolorosa.

A sensibilidade nos dentes é um problema que afeta 57% da população adulta e acontece quando a dentina (camada interna que envolve o nervo do dente) fica exposta, ou por ausência do esmalte (camada superficial do dente) ou por retração gengival, expondo também a raiz do dente. A dentina é um tecido mais poroso que o esmalte e possui microtúbulos, que quando estimulados por mudanças de temperatura ou determinados alimentos, são capazes de conduzir sensibilidade dolorosa ao nervo do dente (a polpa dentária).

Quando a gengiva é agredida pela ação das bactérias (ou seja, não há boa higienização na região), ou pela escovação realizada com muita força e/ou utilizando cerdas duras, ela inflama e se retrai expondo a raiz do dente, bem como a dentina. Este quadro é conhecido como retração gengival e pode tornar os dentes sensíveis.

A exposição dentinária acontece quando o dente perde a sua camada protetora, e a sua causa pode ser por uma dieta ácida (ingestão frequente de refrigerantes ou frutas cítricas) ou refluxo gástrico, o que altera o pH bucal e pode destruir essa camada superficial; pelo bruxismo (ato de ranger os dentes durante o sono) ou apertamento dentário que levam ao desgaste; pela má oclusão dentária, que pode sobrecarregar um ou mais dentes, causando microtrincas; ou ainda a quebra de uma restauração ou fratura do próprio dente.

Existe também o quadro de sensibilidade dentinária temporária, que pode ocorrer após a realização do clareamento dental. Nestes casos, ela pode aparecer ainda durante o procedimento e desaparece em pouco tempo.

Tratamento

Para a Cirurgiã-dentista Dra. Daniela Yano “É de extrema importância identificar a causa da sensibilidade e o melhor procedimento indicado para cada caso. Para isso, é necessária a avaliação com um cirurgião dentista, onde será realizado um exame clínico e uma investigação da etiologia. É importante que se realize também a orientação sobre a higiene bucal juntamente com o uso da escova e pasta de dente ideal, de acordo com a necessidade.”

Em alguns casos, é possível revestir a região exposta com material restaurador ou ainda com enxerto gengival, promovendo a proteção da dentina. A associação do uso de um enxaguante com flúor pode ser necessária, a substância reforça os prismas de esmalte “fortalecendo” o dente. Atualmente, é possível promover o selamento dos túbulos dentinários através da laserterapia, um tratamento com diversas propriedades terapêuticas e muito eficaz no controle da sensibilidade dental.

Dra. Daniela Yano – CROSP 78.206 > Responsável Técnica; graduada em Odontologia pela UNESP; pós-graduada em Ortodontia pela NEO; pós-graduada em Ortopedia Funcional dos Maxilares pela CETAO; pós-graduada em Cirurgia Oral-Menor pela APCD; pós-graduada em Estética Dental /Planejamento e Comunicação Interdisciplinar/ Fotografia Odontológica Digital- DSD (Digital Smile Design); pós-graduada em Human Body Total Care (HBTC)– Regulador de Função Aragão; pós-graduada em Ortodontia pela UNICSUL.