E se for câncer infantil? GRAACC lança cartilha com principais sintomas

No mês em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, no próximo dia 23 de novembro, data instituída para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce que, com sintomas comuns às doenças de infância, nem sempre são identificados num estágio inicial e muitas vezes passam despercebidos pelos pais, o GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – lança cartilha sobre esses sintomas dessa doença que registra mais de 8 mil novos casos anualmente no Brasil, mas que tem altas chances de cura.

Anemia, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dor de cabeça que persistem por dias podem ser confundidos com doenças comuns da infância. “Quanto mais cedo for detectado, maiores serão as chances de cura da doença que, no caso do Hospital do GRAACC, ultrapassam 70%. Para isso é muito importante que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais como palidez, manchas roxas, nódulos, aumento de volume nas pernas, coxas e barriga e dores de cabeça frequentes. Não esperem para levar a criança ao médico, principalmente quando qualquer um desses sinais persistam por mais de uma semana”, orienta a Dra. Monica Cypriano, Diretora Clínica do Hospital do GRAACC, referência nacional no tratamento de casos de alta complexidade de câncer infantojuvenil.

Se não for detectada em estágio inicial, o câncer infantojuvenil pode crescer rapidamente e dificultar um bom desfecho clínico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 8.460 novos casos de câncer infantojuvenil para cada ano do triênio 2020/2022.

Cartilha “E se for câncer infantil?”

O Hospital do GRAACC lançou uma cartilha intitulada “E se for câncer infantil? Os sinais da doença e as chances de cura“, com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre este tipo de câncer, tratamentos, chances de cura e esclarecer as principais características dos tipos de maior incidência entre crianças e adolescentes.

“Elaboramos a cartilha focando as especificidades do câncer infantojuvenil, além de informações sobre os tipos de tumores mais comuns e os principais sinais que podem indicar a existência da doença. Queremos que a publicação seja uma fonte de consulta para pais, pediatras e outros profissionais de saúde”, comenta a Dra. Monica Cypriano, que é também a autora do projeto. A cartilha está disponível para download no link: https://bit.ly/36r3oMD

Atenção aos sinais

Alguns sintomas de câncer infantojuvenil são parecidos e muitas vezes confundidos com doenças comuns da infância. Por isso, é importante ficar atento em casos de:

• Manchas roxas e caroços pelo corpo
• Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço
• Perda de peso
• Aumento ou inchaço na barriga
• Palidez inexplicada e fraqueza constante
• Aumento progressivo dos gânglios linfáticos
• Dores de cabeça, acompanhadas de vômitos
• Febre ou suores constantes e prolongados
• Distúrbios visuais e reflexos nos olhos

Mais Informações no https://www.graacc.org.br

‘Novembro Azul’ também inclui Prevenção ao diabetes

No mês alusivo à saúde do homem, especialmente de conscientização para a prevenção do câncer de próstata, instituições em todo o Brasil também reforçam a importância da prevenção e controle do diabetes, alteração que atinge cerca de 16 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Trata-se do movimento mundial de conscientização do ‘Novembro Diabetes Azul’, com base no Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro.

No ‘Novembro Diabetes Azul’, a superintendente do Núcleo de Educação Permanente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), enfermeira Adriana Macedo, explica que o trabalho educativo é voltado para pacientes com a doença e profissionais que atuam no atendimento diário a esse público, incluindo orientação para o autocuidado, atualização de protocolos práticos e de ensino, além de planejamento de ações educativas.

O Diabetes é uma doença metabólica cuja principal característica são os níveis elevados de glicose no sangue. Quando não é tratado corretamente e controlado, o diabetes pode causar várias complicações, como a neuropatia periférica, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), retinopatia, doença renal crônica e úlceras no pé, que se não tratadas a tempo, podem levar a amputações e até à morte do paciente.

O ‘Novembro Diabetes Azul’ trabalha diversas pautas correlacionadas e, neste ano, o destaque é para profissionais da enfermagem que fazem a diferença nesse contexto, desempenhando um papel vital para a compreensão dos pacientes sobre a condição em que vivem ao desenvolverem a doença e na melhoria da qualidade de vida.

Ambulatório de egressos

No Amazonas, a Segeam atua através do Programa Pé Diabético, que funciona na estrutura das policlínicas da SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde), vinculada ao Governo do Estado. O programa é voltado para o tratamento de lesões em membros inferiores dos portadores do diabetes. O Ambulatório de Egressos, que integra o programa, recebe pacientes pós-tratamento de lesões nos pés, para acompanhamento multidisciplinar. O principal objetivo é prevenir novas lesões.

Segundo Adriana Macedo, é importante que o tratamento em nível ambulatorial seja feito através de serviços especializados, garantindo, assim, que os pacientes também sejam orientados para promover o autocuidado em casa.

“Em nível ambulatorial, as boas práticas em diabetes envolvem profissionais de enfermagem, fisioterapia, médicos, nutricionistas, psicólogos, entre outros, uma vez que parte dos pacientes precisa passar por reabilitação e controle constante do quadro clínico”, destaca.

Quanto à etapa de orientações ao paciente, ela explica que pontos importantes são abordados. Entre eles, estão a hipoglicemia e a hiperglicemia (oscilação do nível de açúcar no sangue), o exame diário dos pés, o uso de calçados adequados, a correta higiene e hidratação dessa área do corpo, as implicações de se andar descalço e o corte correto das unhas. Detalhes simples, mas que, segundo ela, podem fazer a diferença.

Nutrição e uso medicamentoso

Um acompanhamento nutricional é de extrema relevância na vida de quem convive com o diabetes, pois, uma boa alimentação, com poucos carboidratos e açúcares, pode ser determinante para o equilíbrio da glicemia. Também contribuem para esse controle a utilização de medicamentos com prescrição médica.

“O planejamento dos pacientes no âmbito hospitalar vai desde a sua admissão, até a pós-alta médica. Hoje, o grande desafio é o controle da glicemia, principalmente no período de pandemia do novo coronavírus, no qual uma parte dos pacientes relaxou nos cuidados.  A preocupação passou a ser redobrada, já que o diabetes descompensado é um fator de risco para o agravamento dos quadros de Covid-19”, destacou Adriana Macedo, ao reforçar a necessidade do comparecimento às consultas de acompanhamento e de seguir as orientações da equipe de saúde.

Foto: Divulgação

“Pantanal: vida, morte e renascimento” em coleção de imagens do bioma

No Dia do Pantanal, nesta quinta-feira, 12 de novembro, o WWF-Brasil lança uma exposição internacional de fotos da maior planície úmida do planeta. O conceito da coleção de imagens é mostrar o bioma em três momentos cruciais vividos em 2020: em seu esplendor, durante as queimadas e na fase subsequente, quando o bioma tenta se recuperar. “Pantanal: Vida, Morte e Renascimento” acontece em ambiente virtual e, portanto, está acessível à população dos três países pelos quais o bioma se estende: Brasil, Bolívia e Paraguai.

A exposição reúne imagens poderosas e emblemáticas da riqueza da biodiversidade e sua emocionante resiliência capturadas pelas lentes de renomados fotógrafos brasileiros, bolivianos e paraguaios, como Araquém Alcântara, André Zumak, Nathália do Valle e Reynaldo Leite Martins Júnior (Brasil), Alejandro de los Rios e Stefflen Reichle (Bolívia) e Lourdes Matoso Mendez e Tatiane Galluppi Selich (Paraguai).

Pantanal ferido e queimado em sua soberania expõe urgência de soluções

Em seu conjunto, as 24 fotos narram a tragédia que se abateu na região pela conjunção da ação da natureza, na forma da maior seca já registrada desde 1973, com a ação humana, que iniciou os incêndios. Embora exaustivamente expostas pela imprensa, as imagens do período de queimadas ainda são uma forte denúncia da exploração insensata da natureza – denúncia esta que se torna ainda mais forte frente ao contraste de como o bioma se encontrava antes das queimadas.

Mas a exposição visa também ressaltar a capacidade regenerativa do Pantanal e a consequente importância de preservação desse bioma nos próximos anos, notadamente as áreas destruídas em 2020. No acumulado dos dez meses deste ano, 4,2 milhões de hectares foram queimados no Pantanal, equivalentes a quase um terço do bioma – uma área que agora precisa de tempo para se recompor. Diversas imagens da exposição mostram que esse renascimento já começou e alimentam a esperança de que o Pantanal recupere sua pujança.

Esperança e renascimento no rosto do povo pantaneiro

A exposição também mostra a resiliência dos povos da região. A brasileira Nathália do Valle optou por mostrar os rostos das pessoas que moram no bioma como símbolo de esperança e renascimento. Tatiane Galluppi Selich, por sua vez, retratou um mito da cultura Yshir Ybytoso, que só existe no Pantanal paraguaio e que, assim como o bioma, está ameaçado.

Para os Yshir, Nemurt é um ser poderoso que representa o equilíbrio do mundo através da bengala que ele segura sobre os ombros: se ele ficar cansado e o abaixar, os seres humanos deixarão de existir. A fotógrafa incluiu esta imagem para mostrar a necessidade de respeito pela cultura e tradições ancestrais, que também precisam ser preservadas.

A exposição é realizada em parceria com a Sciacco Studio (https://www.instagram.com/sciaccostudio/) e ficará disponível de 12/11 a 27/11 na plataforma https://bit.ly/ExpoPantanal


Tatiana Galluppi / WWF-Brasil

Araquem Alcântara / WWF-Brasil

Nathallia do Valle / WWF-Brasil

“A melhor tática é apostar em todas as vacinas”, afirma Miguel Nicolelis

Para o neurocientista, as autoridades não devem descartar nenhum imunizante que está sendo desenvolvido para conter o avanço do novo coronavírus

Considerado pela Scientific America um dos 20 cientistas mais influentes do mundo, o neurocientista Miguel Nicolelis comparou a busca pela vacina contra o novo coronavírus a uma corrida de cavalos. Para ele, não se pode descartar nenhuma hipótese entre as medicações que estão sendo pesquisadas. Coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, Nicolelis participou nesta quinta-feira (29) da videoconferência (webinar) “Cérebro, o criador do universo e a Comunicação”, transmitida pela In Press Oficina, e falou sobre ciência, o funcionamento do cérebro e fake news.

“Acredito piamente que a vacina é o grande trunfo que vamos ter para reduzir a taxa de transmissão. A vacina é como corrida de cavalos. Tem 15 cavalos na raia e você de antemão não sabe que cavalo vai ganhar. A melhor tática é apostar em todos. Enquanto ela [vacina] não vem, em teoria teríamos que manter o que funciona, o isolamento”, afirma o Nicolelis.

Em confinamento no seu apartamento em São Paulo desde o início da pandemia, o neurocientista crê que o Brasil falhou desde o início, principalmente por ignorar os avisos externos e minimizar a gravidade da doença. “É a maior tragédia humana da história do Brasil num único evento. Nos deparamos com um sistema e instituições que negaram a gravidade da pandemia. Perdemos a guerra no começo”, diz Nicolelis.

A pandemia colocou o planeta na maior crise dos últimos 100 anos e, segundo ele, comprovou a fragilidade do modelo adotado pela sociedade moderna. “Estamos vivendo momentos épicos da história. Um pacotinho nanométrico de gordura e proteína, com um filete de RNA dentro, pôs a humanidade de joelhos, a ponto de estarmos enfrentando a maior crise econômica, maior que a depressão dos anos 30”, compara.

Entretanto, a vulnerabilidade do sistema não foi o único responsável pelas milhares de mortes causadas pela Covid-19. Nicolelis crê que a disseminação de fake news em larga escala contribuiu decisivamente para ampliar o alcance da pandemia.

“É por isso que muita gente morreu na pandemia. Nós estamos precisando de uma vacina num momento que o jornalismo sério e profissional sofre os maiores ataques da história. Esse processo acelerou com a criação de mídias de massa que permitem que essas notícias se espalhem. O cérebro é mais propenso à fake news do que verdades. E esse é o grande problema do mundo atual”, avalia.

Na mesma direção, a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, resume em poucas palavras o cenário criado pelo coronavírus: “a pandemia é também uma crise de confiança, uma guerra de narrativas e desencontros”.

Participaram da entrevista a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins; a Diretora de Curadoria e Novos Produtos, Miriam Moura; e a Diretora de Relacionamento com o Poder Público, Fernanda Lambach.

O cérebro como criador do universo

Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é autor do livro “O Verdadeiro Criador de Tudo – Como o Cérebro Humano Esculpiu o Universo como Nós o Conhecemos”, no qual propõe que o cérebro humano é o verdadeiro criador do universo.

“Para o universo ter significado ele precisa de um intérprete. Não sabemos se existe outra forma inteligente, a nossa melhor escolha para o centro do universo é a mente humana. A brainet é o mecanismo que permitiu criar os grupos sociais mais produtivos. Mitos, deuses, sistemas políticos e dinheiro vêm da mente humana. Nós vivemos imersos na nossa criação”, explica.

Diante dessa teoria de que o cérebro é o centro do universo, Nicolelis defende que a inteligência artificial jamais será capaz de superá-lo. “Dar um download nas nossas memórias e deixar num DVD nunca vai acontecer, porque as memórias são analógicas e depositadas nas sinapses dos neurônios”, diz.

Defensor de uma sociedade matriarcal, como ele mesmo se definiu, o neurocientista ainda fez um contraponto ao historiador e filósofo israelense Yuval Harari, autor do best-seller internacional “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, que aborda desde a evolução arcaica da espécie humana na idade da pedra, até o século XXI.

“A minha visão de mundo do Yuval é completamente diferente. Eu gostei muito do Sapiens, achei que ele fez um trabalho muito bom de simplificar ideias complexas. Mas acho que ele cometeu alguns erros de análise e visão, como quando ele diz que os impérios eram inevitáveis. Eu discordo frontalmente. Inclusive eu quero a volta do matriarcado do neolítico superior”, sintetiza Miguel Nicolelis.

Fotos: Reprodução Videoconferência
Texto: Divulgação

Livro e vídeos valorizam saberes da floresta das mulheres do Careiro|AM

Projeto é apoiado pelo GT Agenda 2030 com recursos da União Europeia e promove o valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta

‘Mulheres e as ervas da Amazônia’, sobre o reconhecimento e promoção do valor dos saberes tradicionais e da ciência da floresta. é o livro a ser lançado pelo Instituto 5 Elementos, uma das organizações que integram o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030), no próximo dia 10 de novembro, às 17h30 (hora Brasília-DF), nos canais digitais do instituto. A publicação é acompanhada por dez vídeos educativos que mostram como são produzidas, por exemplo, a pasta de cúrcuma com gengibre, a água de babosa, a máscara facial com pó de açaí, pomada de copaíba e andiroba, batom orgânico, entre outros produtos.

A produção multimídia lança luz aos conhecimentos de mães, agricultoras, artesãs, cozinheiras e curandeiras da Amazônia, sobre o uso das ervas medicinais, suas práticas de manuseio para a criação de produtos para a saúde, bem-estar e beleza, conforme explica Mônica Borba, gestora institucional do Instituto 5 Elementos. E acrescenta que a obra procura não apenas resgatar usos e costumes de ervas da floresta mas, principalmente, valorizar esses saberes como uma riqueza das comunidades e fortalecer uma bioeconomia que preserva a floresta e estimula seu uso sustentável.

A publicação e os vídeos foram produzidos a partir do projeto Agenda 2030 – Saúde e saberes das mulheres de Careiro (AM) –, que em 2020 promoveu uma formação envolvendo 29 mulheres. O projeto recebeu o apoio financeiro do GT Agenda 2030, no I Edital de Seleção Interna de Projetos, que contou com recursos da União Europeia.

Segundo Mônica, a riqueza dos depoimentos e dos conhecimentos dessas mulheres identificada durante o curso acendeu na equipe do projeto a vontade de fazer mais, de levar os saberes daquelas mulheres para além de suas comunidades.

As autoras dos saberes da floresta: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves, do município do Careiro, do Estado do Amazonas, estarão na transmissão do lançamento

O projeto foi realizado em parceria com a Casa do Rio e também contou com o apoio financeiro da Associação BEM-TE-VI Diversidade e da Awí Superfoods. No evento de lançamento, haverá a participação de quatro das mulheres da comunidade de Careiro: Eli Marcia Freitas dos Santos, Liliane Silva do Nascimento, Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira e Raimunda Cheila Alves. Também participarão as professoras Mônica Borba e Marta Magalhães e o diretor da Casa do Rio, Thiago Cavalli Azambuja.

II Edital 

O GT Agenda 2030 está com chamada aberta para o seu II Edital de Seleção Interna de Projetos. Este ano, estão sendo destinados 98 mil euros para apoiar projetos de promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como estratégia para superação das desigualdades, principalmente no contexto da pandemia da Covid-19. Serão apoiadas 12 iniciativas brasileiras de instituições que compõem formalmente o GT. As propostas podem ser enviadas até o dia 9 de novembro pelo e-mail projetoue.gt2030@gmail.com.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres e as ervas da Amazônia
Quando: 10.11.2020, das 17h30 às 18h30 (hora de Brasília|DF)
Plataformas: Youtube e Facebook do Instituto 5 Elementos

A politização da vacina

Rodrigo Augusto Prando *

O enredo, aqui no Brasil, já é conhecido. O Presidente Bolsonaro, novamente, desautoriza e submete à humilhação o Ministro da Saúde. Antes, foram Mandetta e Teich, solenemente defenestrados; o primeiro, por defender o distanciamento/isolamento social; o segundo, por não aceitar indicar a cloroquina. Agora, é o General Pazuello, contudo, com uma diferença: os dois primeiros ministros são médicos e o atual, militar. Portanto, seguindo a hierarquia, Pazuello já explicou, limpidamente, que “é simples assim, um manda e outro obedece”.

O caso em tela, com Bolsonaro e Pazuello, está ligado às questões atinentes à vacina produzida com tecnologia chinesa e em parceria com o Instituto Butantan, no estado de São Paulo. O Ministro da Saúde havia se comprometido a comprar cerca de 46 milhões de doses da Coronavac, desde que fosse efetivada a aprovação pela Anvisa, como deve ser neste caso.

No entanto, no dia seguinte, Bolsonaro veio a público afirmar que tal compra não se daria, que não teria aporte do Governo Federal para a “vacina chinesa”. Em mensagem enviada a seus ministros, o presidente asseverou: “Alerto que não compraremos vacina da China, bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre covid-19”.

Deste comunicado, é certo que o presidente não mantém diálogo com Doria, aliás, o diálogo de Bolsonaro se dá com as redes sociais, sua base de apoio mais ideológica, e não com médicos, cientistas ou outras lideranças políticas. Mas, é cedo para afirmar que não comprará a vacina chinesa, até porque o caso pode ser judicializado e, ainda, as pressões políticas e da sociedade poderão fazer o presidente recuar. Qual o sentido de tudo isso? As vacinas chinesas não são confiáveis? O tempo de pesquisa não permite confiar nos resultados? O Instituto Butantan não oferece um serviço de qualidade cientificamente comprovada para o Brasil? Nada disso. A vacina de Oxford, por exemplo, está praticamente no mesmo patamar da Coronavac e tem financiamento do Governo Federal.

Então, o que está em jogo são duas dimensões: a ideológica e a política, ambas, infelizmente, colocando a saúde e a vida dos brasileiros em plano inferior.

Ideologicamente, Bolsonaro abandona o ator moderado dos últimos tempos e se volta, com vigor, às redes sociais, onde estão os bolsonaristas mais identificados ideologicamente com os valores sempre tornados públicos pelo presidente: negacionismo e postura anticientífica regados com teorias da conspiração. Isto posto, Bolsonaro e os bolsonaristas condenam a “vacina chinesa” comunista, mas são consumidores de quase tudo o que a China produz e exporta.

* Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

Foto: Divulgação
Ilustração: Alexandra Koch | Pixabay  

Wagner Moura e Greenpeace lançam animação sobre a destruição das florestas para a produção de carne

Greenpeace se uniu ao ator Wagner Moura para dar sequência ao primeiro filme produzido pela ONG, um alerta do orangotango Rang-Tan, com a atriz Emma Thompson, na sensação viral Rang-tan. O novo filme destaca a onça pintada ‘Jag-wah’ em denúncia do impacto devastador que a produção industrial de carne está tendo em florestas como a Amazônia.

“Tem um monstro na minha cozinha” conta a história de um menino que aprende sobre o desmatamento que está devastando florestas como a Amazônia, casa da onça. Com o animal, o menino explora como a carne em nossas cozinhas está alimentando o desmatamento de florestas e como reduzir a carne nas prateleiras dos supermercados, nos cardápios de fast food e em nossas próprias cozinhas pode ajudar a resolver isso. O vídeo foi feito pela agência de criação Mother e produzido pelo premiado estúdio Cartoon Saloon.

Confira o vídeo:

“Existem poucos lugares mais incríveis e preciosos na terra do que florestas como a Amazônia. No entanto, as pessoas muitas vezes não sabem que muitas das carnes e laticínios em nossas geladeiras estão ligadas aos incêndios e motosserras que estão devastando a Amazônia e outras florestas importantes. As grandes empresas de carnes continuam derrubando nossas florestas em um ritmo surpreendente. Precisamos agir antes que seja tarde demais”, afirma o ator Wagner Moura.

Os incêndios de 2019, na Amazônia, chamaram a atenção da mídia, mas a temporada de incêndios de 2020 viu novos recordes em toda a linha. Somente nos 20 primeiros dias de outubro, foram mais de 12 mil focos de incêndio na Amazônia. No acumulado do ano são 88.804 focos, apenas 372 focos a menos do total registrado em todo o ano passado. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve alta em 211%.

O Cerrado também registra aumento de 86% em comparação ao mesmo período do ano passado. São 11.946 focos de incêndio. Mas o número mais alarmante e aterrador não é da Amazônia e tampouco do Cerrado, e sim, a do Pantanal. Neste mesmo período de 2019, foram registrados 525 focos de incêndio. Neste ano, o Bioma registrou 2.667 focos de incêndio, uma diferença de 408%. Mesmo faltando dez dias para o término do mês, os três Biomas já queimaram mais que o mês de outubro inteiro do ano passado.

A onça pintada está presente em quase todos os biomas do Brasil, especialmente nos três biomas comprometidos pelas queimadas: Amazônia, Cerrado e Pantanal

“A carne é o maior promotor do desmatamento em todo o mundo. Esta animação é muito importante para expormos o futuro de nossas florestas. Em menos de 20 anos, a Amazônia pode entrar em colapso e isso está sendo impulsionado pela falta de ações das grandes empresas de carne para evitar que animais vindos de áreas desmatadas e queimadas cheguem para os consumidores. Os efeitos da política antiambiental do governo Bolsonaro são confirmados pelo aumento dos índices de desmatamento e violência no campo, com resultados negativos também para a economia do país”, ressalta Rômulo Batista do Greenpeace Brasil.

“Estou muito satisfeito por trabalhar neste filme de importância crucial com o Greenpeace. Essa luta nunca foi mais urgente. Juntos, podemos enfrentar as empresas industriais de carne que estão destruindo nossas preciosas florestas e os governos, como o meu no Brasil, que fazem conluio com eles. Espero que este filme inspire muitos a se juntarem à nossa missão de proteger as florestas”, completa Wagner.

O vídeo tem apoio da Meat Free Monday, a campanha lançada por Paul, Mary e Stella McCartney que visa aumentar a conscientização sobre o impacto ambiental prejudicial da pecuária.

Sinopse > ‘Tem um monstro na minha cozinha’ é uma poderosa história de terror de um garotinho que encontra um ‘monstro’ assustador em sua cozinha – um enorme jaguar. Dublado pelo aclamado ator brasileiro Wagner Moura (que interpretou Pablo Escobar em Narcos), ‘Jag-wah’ revela que está aqui para alertar o menino. Os verdadeiros monstros são, na verdade, as empresas industriais de carne queimando sua casa na floresta e destruindo habitats naturais para cultivar ração animal. A constatação de que a carne industrial é a maior causa do desmatamento global leva o menino a decidir “comer mais plantas e vegetais” e a “lutar contra esses monstros para que nosso planeta se renove”.

Fotos e Vídeo: Greenpeace | Divulgação

Mês Mundial da Visão tem Daniela Mercury como embaixadora e conscientiza sobre glaucoma

Cerca de 80 milhões de pessoas têm glaucoma em todo o mundo e estimativas apontam que 3,2 milhões delas ficariam cegas devido à doença até o final de 2020; perda da visão causada pelo glaucoma é irreversível

Outubro também é o Mês Mundial da Visão, e tem campanha de conscientização “Não perca seu mundo de vista, tenha um novo olhar para o glaucoma”, conduzida pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) e pela Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não transmissíveis. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, ficando atrás apenas da catarata. Entretanto, representa um desafio maior para a saúde pública do que a catarata, porque a cegueira causada pelo glaucoma é irreversível.

A iniciativa terá diversas ações com foco no universo digital e seguem as orientações sanitárias com relação ao distanciamento social no combate ao novo coronavírus. Destaque para a cantora baiana Daniela Mercury como embaixadora da causa, uma voz influente em todo país e, principalmente, na região Nordeste – onde está a maior população afrodescente, público vulnerável por fazer parte do grupo de risco. Daniela tem aderência com o público acima dos 40 anos, mais suscetível ao glaucoma e aproximação com os jovens, também importante pelo grande desconhecimento percebido na pesquisa realizada “Um olhar para o glaucoma no Brasil”, aplicada neste ano pelo IBOPE Inteligência.

“Fiquei feliz em vestir essa camisa e lutar por uma causa tão importante para a saúde de todos. Por falta de conhecimento, algumas pessoas passam anos sem saber que têm glaucoma e consultar um especialista é fundamental. Houve, por exemplo, um caso de doença ocular na minha família e percebi o quanto um problema na visão pode impactar na saúde geral de uma pessoa. É essencial divulgar e falar sobre esse tema”, conta a artista.

Daniela Mercury é embaixadora da campanha de conscientização sobre Glaucoma

Ações digitais

Segundo projeções do IAPB (Agência Internacional para Prevenção da Cegueira), há cerca de 80 milhões de pessoas com glaucoma em todo o mundo e estimativas apontam que 3,2 milhões delas ficariam cegas devido à doença até o final de 20202. Pensando nisso, um filtro temático e dinâmico para Instagram foi criado, levando o efeito tubular e embaçado, com possibilidade de avançar os estágios da doença, para percepção de como o glaucoma atinge a visão e causa a perda de importantes momentos da vida. Já no Facebook será possível adicionar um tema na foto do perfil que simula a fase mais avançada da doença.

“Por meio de um discurso sensível e educacional, esperamos engajar diferentes públicos. O insight criativo é demonstrar com o uso dos filtros que simulam o efeito do glaucoma que a doença pode roubar as melhores cenas da vida e, para sempre. Por isso, a importância dos cuidados com a saúde ocular”, explica Ana Luiza Petry, gerente de Comunicação e Assuntos Corporativos da Upjohn.

Para dar ainda mais visibilidade, força e o tom certo à iniciativa, um time de famosos, influenciadores e anônimos formarão uma corrente com postagens, mensagens de apoio e até testemunhos que entoarão um videoclipe especial para conscientização do Mês Mundial da Visão, que também trará dados da doença e números da pesquisa. Também será usada a hashtag #deolhonoglaucoma que será compartilhada por todos nas plataformas digitais.

Dia Mundial da Visão

Outro ponto alto da campanha acontece em 8 de outubro, Dia Mundial da Visão, com o desafio que será lançado por algumas celebridades para marcarem em suas redes sociais e engajarem mais pessoas a participarem da ativação com o uso dos filtros e levando conhecimento sobre o tema para o maior número de brasileiros.

“Estamos falando de uma doença de elevado potencial e que está associada a um desfecho irreversível que é a cegueira. Por isso, reforçamos a importância de dialogar sobre o assunto por meio de iniciativas de conscientização e que a frequência oftalmológica se torne parte da rotina médica”, destaca Ana.

Integra a campanha uma ampla investigação sobre o cenário do glaucoma no Brasil e a necessidade de uma nova visão sobre a doença, com a pesquisa “Um olhar para o glaucoma no Brasil”, aplicada pelo IBOPE Inteligência a 2,7 mil internautas brasileiros, a partir dos 18 anos de idade, em diferentes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Pernambuco. “Alguns públicos possuem maior chance de desenvolvimento em pessoas com casos na família, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada3“, relata o mestre e doutor em Oftalmologia, Augusto Paranhos Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).

“Estima-se que entre 2 a 3% da população brasileira acima de 40 anos possam ter a doença, o que representa cerca de 1,5 milhão de pessoas. E o levantamento aponta que quase metade (47%) acreditava ser um mito ou desconheciam a relação com a hereditariedade e 90% não associavam a patologia com a afrodescendência”, finaliza o especialista.

Foto: Daniela Mercury | Divulgação
Ilustração: Pete Linforth | Pixabay

Fórum Global de Bem-Estar Emocional abordará impacto da pandemia

Um fato unânime e mundial que a pandemia de COVID-19 trouxe foi o impacto emocional nas pessoas. Do dia para a noite houve uma mudança radical no padrão de vida, na rotina e na socialização do ser humano. Passados quase seis meses, a pergunta é: como estamos olhando para as nossas emoções? Como estão os nossos relacionamentos? Quais aprendizados vamos levar?

Para responder a estas e outras questões, o Grupo Mulheres do Brasil reuniu seus núcleos do mundo todo para uma ação conjunta, on-line e gratuita, o 1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional, que será realizado no dia 26 de setembro (sábado), das 9h às 18h (horário de Brasília), pelo canal do YouTube do Grupo.

“Juntas somos mais fortes! Uma frase que nos inspira todos os dias. Se já reuníamos um grupo de mulheres com competências e habilidades capazes de grandes transformações, agora com a forte expansão do Grupo no mundo todo, estamos construindo uma sinergia ainda mais forte”, ressalta Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil.

Marisa Cesar, CEO do Grupo, explica que a proposta é reunir neste Fórum todas as ações que estão sendo realizadas pelos quatro cantos do planeta. “Estamos trazendo profissionais especializados nos mais variados temas ligados à depressão, inteligência emocional, mindfulness, psicologia positiva, relacionamentos, para apoiar e ajudar as pessoas a passarem por esse momento de forma mais leve e saírem fortalecidas”, explica Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

O evento contará com a presença da atriz Denise Fraga, do terapeuta transpessoal Tadashi Kadomoto e de muitos outros profissionais. Ao todo, serão cinco painéis, intercalados por performances artísticas e práticas de meditação, mindfulness, yoga, entre outras.

Outra novidade do Fórum é a fusão de projetos que surgiram em decorrência da pandemia – o Escuta com Afeto para a comunidade em geral – e o @Elas Apoiam – para as mulheres do Grupo -, e o lançamento de uma plataforma global de Apoio Emocional.

“Nosso objetivo é lançar uma plataforma continuada e colaborativa, realizando fóruns de temas variados e ações que apoiem a mulher na construção de uma estrutura emocional que a ajude a enfrentar qualquer adversidade”, afirma Annette de Castro, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza.

Queremos que todas as mulheres saibam que estamos aqui, juntas e vamos nos ajudar nessa rede colaborativa de sororidade e apoio”, ressalta Fátima Macedo, líder do Grupo de Apoio Emocional do Grupo Mulheres do Brasil.

Para participar do evento basta entrar no canal do YouTube: http://www.youtube.com/grupomulheresdobrasil

Serviço
1º Fórum Global de Bem-Estar Emocional
Data: 26 de setembro
Horário: das 9h às 18h (horário de Brasília)
Onde: Youtube: http://www.youtube.com/c/GrupoMulheresdoBrasil
On-line e gratuito

Diagnóstico de linfomas exige atenção aos sintomas

O Instituto Nacional de Câncer estima que 12.670 novos casos de Linfomas sejam registrados no Brasil neste ano de 2020. E, segundo o Observatório de Oncologia, em 58% dos casos a doença é diagnosticada em estágio avançado. “O alerta vem, por exemplo, do aparecimento de um gânglio grande nos locais de apresentação mais comuns, como pescoço e na axila. Mas a verdade é que os linfomas podem surgir em qualquer lugar, como na tireoide, no cérebro, testículos, estômago e até intestino”, explica o hematologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Rony Schaffel, ao destacar que não existe uma forma de prevenir linfomas, pois eles dificilmente têm uma causa definida, mas sinais e sintomas devem ser observados pelo paciente principalmente o crescimento de massas.

Os linfomas são tumores derivados das células chamadas de linfócitos, responsáveis por orquestrar a defesa do organismo contra infecções e outras doenças. O descontrole dos linfócitos pode fazer com que quando maduras, essas células se alojem nos gânglios e se desenvolvam de forma maligna, ocupando essas estruturas, causando o seu crescimento e, como consequência, o linfoma. A conscientização sobre os linfomas é destacada em todo o mês de setembro, com data mundial no dia 15.

Dr. Rony Schaffel estima que cerca de 90% dos linfomas diagnosticados são não-Hodgkin, que se caracterizam por uma infiltração difusa por linfócitos de diferentes formas de acordo com o subtipo. Já os linfomas de Hodgkin têm uma estrutura celular diferente dos outros. Segundo o médico, apenas 5% do tumor é composto pelas células malignas e o restante por células inflamatórias. Além disto, as células malignas do linfoma de Hodgkin, conhecidas como células de Reed-Sternberg, são bizarras, grandes e em forma de “olhos de coruja”. “Por este motivo, até os anos 90, o linfoma de Hodgkin era chamado de doença de Hodgkin. Posteriormente foi confirmado que se trata de linfócitos e foi alterada a nomenclatura”, lembra.  

Pelo levantamento realizado pelo Observatório de Oncologia, o diagnóstico dos pacientes com linfoma no Brasil atendidos pelo SUS entre 2008 e 2017 foi tardio. Em 58% dos casos, a doença já estava avançada. Na opinião de Schaffel, não existe uma forma de prevenir linfomas, pois eles dificilmente têm uma causa definida, mas sinais e sintomas devem ser observados pelo paciente principalmente o crescimento de massas. E as pessoas devem ficar atentas ao alerta de aparecimento de um gânglio grande nos locais de apresentação mais comuns, como pescoço e na axila, por exemplo. Mas o hematologista enfatiza que os linfomas podem surgir em qualquer parte do corpo.

A busca pelo diagnóstico

Por ser difícil de rastrear, a jornada do paciente com linfoma pode ser longa e conturbada. Em 2011, com apenas 28 anos, a administradora e especialista em desenvolvimento, Heloísa Orsolini Albertotti, foi diagnosticada com linfoma não Hodgkin, após três longos meses investigando um sintoma inicial de uma dor forte no braço. “No começo, eu desenvolvi uma trombose. Mas não foi diagnosticado de início que, na verdade, era o linfoma que estava comprimindo uma veia e causando o problema”, conta. Ela explica que passou por diversos especialistas como ortopedista, ginecologista, vascular e fez uma biópsia que deu negativo para linfoma. Somente após a segunda biópsia mais aprofundada, ela teve diagnóstico fechado e foi encaminhada a um oncologista e hematologista. “É preciso perceber os sinais do corpo e ir atrás para investigar alterações”, afirma. Heloísa passou por oito sessões de imunoquimioterapia e hoje está curada.

O Dr. Rony Schaffel recomenda que em caso de aumento de gânglios o paciente seja encaminhado direto para um hematologista. No entanto, alerta que é importante que o paciente tenha um médico do seu relacionamento (clínico-geral, por exemplo), que ajude a excluir as causas de aumento de gânglios que não tem ligação com linfomas, como infecção de garganta. O especialista afirma que “o hemograma é um exame fundamental, porque existem linfomas que aparecem no sangue na forma de linfócitos aumentados. Além disso, é imprescindível a realização de biópsia para confirmação do diagnóstico”.

Tratamento e acesso

Segundo o professor da UFRJ, a maioria dos linfomas são tratados com imunoquimioterapia, que combina a administração de quatro medicamentos, conhecido como esquema CHOP, com o uso de um anticorpo monoclonal chamado rituximabe.

O especialista afirma que os medicamentos biológicos como o rituximabe são essenciais para a oncologia. No tratamento dos linfomas, aumentam a taxa de cura dos pacientes. “O monopólio e a patente dos medicamentos de referência vem acompanhada de um preço bem alto dos produtos. A chegada dos biossimilares no mercado tem diversas vantagens, principalmente a competição de alto nível, com substâncias de qualidade eficácia e segurança testadas, similares ao de referência, proporcionando queda do preço e com isso, naturalmente, o sistema tende a absorver mais tratamentos e novas indicações dentro do mesmo valor de orçamento”, explica o hematologista. “Outra vantagem é que a nacionalização da produção desse tipo de medicamento reforça e facilita o sistema de farmacovigilância. O Brasil também ganha em termos de produção intelectual, mercado de trabalho e, principalmente amplia a possibilidade de desenvolvimento e produção de moléculas inovadoras”, conclui.

O medicamento rituximabe é o primeiro biossimilar produzido no Brasil, na Biotec da Libbs – responsável pela produção de medicamentos biológicos indicados para tratar câncer e doenças autoimunes –, em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo. O medicamento biológico obteve registro da Anvisa em 2019 e, a partir daí, a Libbs – indústria farmacêutica brasileira 100% nacional, que está no mercado há mais de 60 anos – iniciou as vendas para o mercado privado. A Libbs possui Parceria para Desenvolvimento de Produtos (PDPs) com o Governo para produtos biológicos, incluindo o Rituximabe. No mês de junho deste ano, foram enviados todos os documentos para o início do fornecimento do medicamento ao SUS e a expectativa é de que até o final deste ano sejam realizadas as primeiras vendas.

Dr. Rony Schaffel, hematologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)