Chega de pseudociência

Por Vivaldo José Breternitz*

Nesses tempos de pandemia, aumentou exponencialmente o número de curiosos, políticos, gurus e terapeutas de diversas linhas alternativas, nem sempre honestos, que tem proposto a adoção de práticas e remédios para combater a covid-19. A situação chegou a tal ponto que Donald Trump sugeriu a injeção de desinfetantes, e o que é pior, alguns seguiram a recomendação e morreram.

Essa explosão de desinformação, que a Organização Mundial da Saúde chama de “infodemia”, chamou a atenção de cientistas sérios que passaram a combatê-la, como o professor Timothy Allen Caulfield, da Universidade de Alberta, no Canadá, que é especialista em questões legais, políticas e éticas ligadas à pesquisa médica.

Para Caulfield, devemos deixar de tolerar a pseudociência, especialmente em universidades e instituições de saúde famosas, como a Cleveland Clinic, de Ohio, que legitimam práticas não científicas como o reiki, que pretende “balancear a energia vital que flui através de todas as coisas vivas”.

Também é necessário combater propostas de quiropatas, naturopatas, herbalistas, consteladores e “terapeutas holísticos”, versões modernosas das benzedeiras do tempo de nossas avós, que estão oferecendo produtos e serviços destinados a combater a pandemia – precisamos reconhecer que ajustamentos da espinha dorsal, alinhamentos dos chakras, injeções de vitaminas e práticas similares são absolutamente inúteis para esse fim.

Talvez essas coisas possam funcionar como placebos e aliviar a tensão dos doentes, mas em termos práticos atrapalham o desenvolvimento da pesquisa científica séria e confundem os leigos, ao misturar conceitos díspares como física quântica, células tronco e outros.

Em tempos onde há pessoas que são contra vacinas ou negam que o clima está mudando, pode parecer difícil combater a desinformação gerada pelos algoritmos que governam as redes sociais e por celebridades de diversas áreas não ligadas à ciência e que acabam divulgando pseudociência.

Esperemos que um dos legados da pandemia seja o reconhecimento de que tolerar a pseudociência pode fazer muito mal a todos.

* Vivaldo José Breternitz é doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, professor de Planejamento Estratégico e Sistemas Integrados de Gestão da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O que está em discussão é a sobrevivência!

*Por Diogo Cuoco

Tenho visto muito debate sobre isolamento vertical ou horizontal e exponho aqui a minha visão sobre o assunto e o que tenho pensado sobre a crise. Em momentos de histeria, está evidente que se dificulta a manutenção do equilíbrio e do respeito. Vivemos um momento de discussões calorosas sobre a vida e a sobrevivência.

Os que defendem a vida, chamam a atenção para uma trágica pandemia, em um cenário de guerra com muitas mortes e doentes. Os da sobrevivência, divulgam números e dados indicando que irão morrer mais pessoas de outras doenças, fomes e suicídios como efeito do confinamento do coronavírus. Agridem-se, medem forças, ultrapassam limites. Mas quem está realmente certo?

Vivemos sim uma grande pandemia. Voltamos a ser indígenas em contato com uma “gripezinha” vinda de outro país. Adoecemos e morremos. O problema é que não estamos mais em florestas; vivemos aglomerados. Já tínhamos uma enorme quantidade da população doente ou suspeita utilizando os hospitais, lotando corredores, brigando por vagas em UTIs. Então, onde arrumar espaço para tantos outros que irão necessitar?

Medidas de isolamento social para ganhar tempo e permitir a estruturação do sistema de saúde devem e estão sendo tomadas. Por outro lado, como ficam os pacientes que necessitam de tratamento para doenças como câncer, insuficiência renal e coronariana que precisam de acompanhamento constante? Quantos também irão morrer com o adiamento de cirurgias? Qual realmente é a medida do custo da morte? Mortes por coronavírus, por acidente de carro, pela violência urbana e em decorrência de complicações cardiovasculares?

Como empreendedor, não estou apartado da sociedade em que vivo e, especialmente por sentir na pele, também questiono o fator econômico. Quantos irão fechar portas, perder empregos, morrer de fome e entrar em depressão se esse isolamento social se prolongar por três, quatro, cinco meses ou mais?

O que está em discussão – e parece que temos que ter muito equilíbrio para perceber e refletir – é a sobrevivência. Sobrevivência individual, dos países e do mundo. Inclusive, cabe a análise do modelo de sociedade globalizada que tínhamos e o que queremos para nosso futuro e das gerações que se seguirão às nossas.

As entidades médicas e os pesquisadores terão que parar de pensar somente em um vírus e pensar no ser humano como um todo. Os economistas terão que parar de pensar só no desastre econômico. Precisamos estar saudáveis, mas para isso precisamos comer e viver para poder sobreviver. Isso não só envolve as medidas de cuidados em prevenção de qualquer doença, mas também na “saúde” econômica.

Passado o isolamento inicial para evitar o colapso da saúde, que se abram as discussões entre dois grupos, pois viver tem uma relação direta com sobreviver.

*Diogo Cuoco é founder e CEO da Taki Pagamentos, startup credenciada do Denatran com soluções para parcelar no cartão diversos tipos de pagamentos de tributos.

Lacc lança carta aberta à sociedade com pedido de ajuda para a manutenção de projetos

A Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) assinou, por meio de sua diretoria, uma carta aberta à sociedade amazonense, com um pedido de ajuda para a manutenção de seus projetos sociais. A ONG, que atua no Amazonas  há 65 anos, está passando por dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia do novo coronavírus, que tem afetado instituições do terceiro setor, levando à queda na arrecadação. “Estamos correndo o risco de termos que suspender parcialmente alguns auxílios por falta de recursos, deixando vários pacientes sem o suporte que precisam para continuarem os tratamentos oncológicos”, explicou a presidente da entidade, Marília Muniz.

De acordo com ela, apesar de ser uma instituição sem fins lucrativos, a Lacc depende de doações para manter suas ações sociais, tais como a doação mensal de cestas básicas a pacientes de baixa renda que lutam contra o câncer, o custeio de aluguéis sociais, o transporte de pacientes à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) para a realização de tratamento de radioterapia e quimioterapia, o fornecimento diário de lanches às pessoas em tratamento hospitalar, o custeio de passagens terrestres e fluviais aos que moram no interior e em outros estados e estão em tratamento em Manaus e, finalmente, o suporte às ações assistenciais e de prevenção da FCecon.

“Cedemos um carro para auxiliar as equipes do Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da FCecon, que atendem os pacientes FPTs (Fora de Possibilidade Terapêutica), em casa, fazendo o controle da dor e dando mais dignidade a essas pessoas que estão na fase final da vida”, ressaltou o vice-presidente da Lacc, médico mastologista Jesus Pinheiro.

Toda a diretoria da ONG é composta por voluntários que apoiam a causa e que, de alguma forma, ajudam a manter o projeto vivo. “A Lacc tem uma hospedaria em sua sede (rua Padre Manuel da Nóbrega, Dom Pedro, Manaus), pronta para receber pacientes em situação de vulnerabilidade social durante o período em que são submetidos à terapia. Mas, embora ela tenha sido inaugurada há alguns anos, ainda não foi ativada por falta de recursos. É muito triste saber que algumas pessoas abandonam o tratamento por não terem onde ficar quando vêm a Manaus”, frisou Pinheiro.

A Lacc trabalha com doações através de seu site (www.laccam.org.br), call center (92-2101 4900), depósitos ou transferências bancárias ( especificações: Liga Amazonense Contra o Câncer – LACC CNPJ: 04.499.182/0001-48 Banco: Bradesco / Agencia: 0482-0 / Conta Corrente: 691.017-3) e boleto bancário ( https://lacc.doaeacao.com.br ). 

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Novo antigripal considera diferenças regionais definidas com base em pesquisas

A campanha de lançamento do antigripal da Genomma Lab, Next, foi definida a partir de um estudo quantitativo de comportamento, crenças e hábitos, realizado pela IQVIA, para entender de que forma os consumidores lidam com a gripe em cada região do país. A maioria das pessoas entrevistadas, por exemplo, afirmou utilizar-se de outros métodos para o alívio dos sintomas, além da ingestão de um medicamento antigripal.

A empresa também encomendou uma pesquisa para o Climatempo, a fim de compreender o comportamento dos quadros virais em determinados meses do ano. Para isso, foram levantados elementos climatológicos como temperatura, precipitação, vento, umidade e pressão do ar, bem como suas variações rítmicas e sazonais, indicando como isso pode interferir no aumento da propagação do vírus de gripes, resfriados e de problemas respiratórios. Nesse estudo, entendeu-se que, em muitas regiões, a gripe está conectada a variação de temperatura mais do que com o inverno, as massas polares e o clima seco, em certas épocas, propiciam maior incidência de sintomas em cada região.

Já a pesquisa “U&A (Usage and Attitudes) Gripe e Resfriado”, conduzida pela IQVIA, utilizou uma amostra total de 783 pessoas que ingeriram medicamento para tratar os sintomas de gripe/resfriado nos últimos 12 meses, entre homens e mulheres de 18 a 64 anos, classes ABC, moradores das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em um quadro geral, a pesquisa demonstrou que a ocorrência de gripe e resfriados é relatada, em média, três vezes por ano e que 75% desses entrevistados, responderam que tomam muita água quando estão gripados, 60% relatam que costumam beber muito chá, 47% utilizam spray nasal e pastilhas para a garganta, 39% tomam mel, 33% ficam deitados e em repouso e 23% utilizam própolis. Importante reiterar que são hábitos sempre atrelados ao uso de algum medicamento. Na região Norte, 74% da população aumenta a ingestão de água e 47% revela tomar chás para ajudar a aplacar os sintomas. O comprimido é a melhor forma de medicação para 83% dos entrevistados. Em todas as regiões brasileiras, a maioria dos entrevistados se automedica, e caso o remédio não faça efeito, eles procuram por um médico.

Next é uma marca da Genomma Global e teve um lançado diferenciado, no Brasil, no dia 15 de abril, com exibições de uma versão de campanha nacional e dezesseis versões regionais, para cada uma das cidades listadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santos, São José dos Campos, Uberlândia, Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Belém, Manaus, Goiânia e Brasília. Cada um dos filmes de 30” regionais conta com apresentadores dos telejornais locais, que apontam as previsões do tempo e lembram de algumas ações e cuidados combinados para o combate à gripe.

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Hospital Sírio-Libanês e Aché iniciam terceiro protocolo de pesquisa da Coalizão Covid Brasil

O Hospital Sírio-Libanês, por meio da Coalizão Covid Brasil e em parceria com o Aché Laboratórios, iniciará protocolo de pesquisa para avaliar o impacto do medicamento dexametasona em pacientes graves em ventilação mecânica nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Serão inclusos nessa pesquisa apenas os pacientes que apresentarem síndrome do desconforto respiratório agudo por covid-19.

Os pacientes que participarem da pesquisa vão receber o medicamento dexametasona, que faz parte de uma classe de drogas chamada corticoide. Os mesmos demonstraram anteriormente ajudar a reduzir a duração do uso de ventilação mecânica em pacientes com síndrome de desconforto respiratório agudo. “A avaliação agora é entender como esse medicamento pode ajudar pacientes com essa síndrome provocada pela covid-19”, explica Luciano Cesar Azevedo, superintendente de Ensino do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.

Para este protocolo de pesquisa, além da dexametasona, o Aché destinou um apoio financeiro para realização da logística de entrega do medicamento a todos os centros de pesquisa participantes e contratação dos seguros para os participantes. Este seguro fornece cobertura e tranquilidade para quaisquer necessidades médicas durante e após o término do estudo. Além disso, os centros de pesquisa também receberam equipamentos de proteção individual – EPIs – e álcool em gel. Segundo o Diretor Médico do Aché, Dr. Stevin Zung, “o Aché está participando com diversas formas de auxílio para a população e para a comunidade médica neste momento de pandemia, e o incentivo a pesquisas clínicas como essa é uma das grandes frentes de atuação para tratarmos e controlarmos o quanto antes a covid-19”.

A pesquisa terá dois braços, sendo que um deles usará a dexametasona e o outro, o tratamento padrão da instituição, que não deve incluir o uso de corticoides. Dessa forma, será possível fazer a comparação entre os resultados obtidos pelos dois grupos.

A pesquisa avaliará 300 pacientes e, além do Sírio-Libanês, contará com o apoio dos demais hospitais e entidades que formam a Coalizão CovidBrasil, entre eles Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e também a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet) e o Ministério da Saúde. Os primeiros resultados devem sair em dois meses.

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Coronavírus: gravidez na pandemia

Por Waldemar Carvalho*

Com o surto do novo coronavírus, mais conhecido como covid-19, os números de casos vêm crescendo exponencialmente. O que torna a compreensão dos modos de infecção e prevenção um desafio e aprendizado diário. São inúmeras as dúvidas que surgem ao decorrer dos dias e, muitas vezes, o clima que prevalece é de medo, principalmente para aquelas que estão gerando vidas: as gestantes.

Para a maioria delas, principalmente as mamães de primeira viagem, o nascimento do filho é um dos episódios mais emocionantes de suas vidas. Mas, o que fazer quando esse momento é acompanhado por uma pandemia mundial de um vírus altamente contagioso do qual ainda estamos em processo de estudo?

Diante de tal situação, é normal que muitas gestantes se sintam inseguras ou até com medo dos próximos passos. Muitas me perguntam qual a influência do Covid-19 durante a gravidez e até mesmo depois dela, desde o pós-parto até o estabelecimento de laços, como começar a amamentar.

A resposta é simples e um tanto tranquilizadora. Por enquanto, pouco se sabe acerca do impacto dessa infecção, mas há relatos de mães testadas positivo que geraram seus bebês livres do vírus. Existem estudos em andamento que analisam o impacto direto do coronavírus na gravidez, mas não há precisão de dados que comprovam se a covid-19 dificulta ou não a gravidez, bem como se interfere no desenvolvimento e saúde do feto ou após nascimento do bebê. Ou seja, ainda não há evidências que as gestantes correm mais riscos de contrair o vírus do que a população em geral.

Posso apontar um exemplo sobre isso. Uma pesquisa realizada durante os dias 13 a 25 de março, pelo Centro de Medicina da Universidade de Columbia, em Nova York, EUA, revelou que, entre 43 grávidas que participaram do estudo, 37 (86%) possuíam sintomas leves, quatro (9,3) sintomas graves e duas (4,7) apresentaram quadro crítico. Também não foram detectados casos confirmados em neonatos após teste inicial no primeiro dia de vida.

Entretanto, todo cuidado é pouco. Costumo dizer que gestantes e até as purpéras – mulheres que deram a luz recentemente – fazem parte de “grupos de riscos”, até porque a condição da gravidez – e até mesmo depois do parto – exige uma série de cuidados em relação a não-gestante, por exemplo, que, quando não seguidos, pode acarretar diretamente na imunidade da mulher, podendo gerar problemas de saúde. E com o coronavírus a situação não é diferente: é preciso redobrar esses cuidados comuns da gravidez e seguir rigorosamente as medidas de segurança preconizadas pelo Ministério da Saúde em relação à pandemia.

Os órgãos institucionais de reprodução humana e obstetrícia reforçam as medidas básicas de prevenção divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A principal orientação é manter o isolamento social, saindo apenas em casos de urgências. Atualmente, a gestante pode recorrer a recursos tecnológicos para manter contato com o seu obstetra, inclusive para consultas, como a videoconferência. Nos casos de necessidade de exames de rotina, há laboratórios que disponibilizam o serviço em home care. Além disso, se houver a necessidade de exames como ultrassonografia, por exemplo, pode ser alinhado com o obstetra a possibilidade de postergar ou as orientações necessárias para ir até uma clínica realiza-lo. Minha orientação é analisar caso a caso, sempre em comum acordo entre médico e
paciente.

 Além disso, redobrar as medidas de precaução que são divulgadas pela mídia. É extremamente importante manter a higienização das mãos, preferencialmente com água e sabão, e se achar necessário, usar o álcool em gel. Em casos de contatos externos, também é importante o uso da máscara, tanto pela mãe quanto para outros familiares, para proteção do bebê.

Para o período de amamentação, as mães também podem ficar tranquilas. Podem amamentar normalmente, pois também não comprovação de que esse vírus pode ser transmitido pelo leite materno. De qualquer modo, é preciso cumprir as regras de higiene e entender que nesse momento o isolamento social é fundamental.

Mesmo para as gestantes que estão na reta final, não é preciso ter ansiedade ou mudar os planos do parto. O importante ainda é que o bebê nasça no seu tempo e que os pais entendem que esse ritual do nascimento, que é muito social, nesse momento precisará ser mais íntimo para preservar a saúde da família, mas que logo todos poderão celebrar essa nova vida.

*Waldemar Carvalho é ginecologista e obstetra da Clínica Tempo Fértil, especializado em reprodução humana no Portland Fertility Center de Londres, Inglaterra É referência em reprodução humana assistida, preservação da fertilidade feminina e planejamento reprodutivo.

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Suporte psicológico ajuda profissionais da enfermagem no enfrentamento à pandemia de covid-19

Com a proposta de fornecer apoio psicológico durante o período de pandemia do novo coronavírus, a Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), criou um canal de diálogo com seus colaboradores – em sua maioria, profissionais da enfermagem -, para trabalhar o controle da ansiedade durante o exercício da profissão e também no pós-plantão. A psicóloga Francivânia Vieira, gerente do Núcleo de Educação Permanente da instituição, explica que a metodologia inclui o envio de material didático, dinâmicas e atendimento presencial, caso necessário.

O grupo é coordenado por ela e pela psicóloga Quézia Freitas, que atua no Ambulatório de Egressos da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). De acordo com Francivânia, a medida foi adotada considerando a carga de estresse obtida por esses profissionais, que estão na linha de frente do combate à covid-19, cuja disseminação segue acelerada em vários países, inclusive no Brasil, conforme dados de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A metodologia segue protocolos de psicologia e o Código de Ética da categoria e inclui recomendações como: procurar um lugar mais calmo, se possível, para alguns minutos de reflexão durante o dia; praticar exercícios respiratórios – principalmente ao acordar e na hora de dormir; buscar dialogar quando se sentir ansioso e utilizar a tecnologia a seu favor para não se sentir só, mantendo, assim, um contato permanente com o mundo externo (o uso de videochamadas é um exemplo neste último caso).

“Sabemos que não é fácil encarar uma pandemia. O trabalho desses profissionais tem sido essencial para salvar centenas de vidas no nosso Estado e eles merecem um tratamento especial, com todo o apoio necessário. Mas também sabemos que, ao sair do plantão, muitos deles sentem dificuldade em se desligar da realidade hospitalar. Tentamos ajudar ouvindo as experiências dessas pessoas, pois o equilíbrio psicológico é essencial para que elas não adoeçam e mantenham-se firmes nessa missão assistencial”, destacou.

O acesso ao serviço de atendimento criado pela Segeam se dá através dos coordenadores das equipes de cada unidade de saúde onde os colaboradores atuam, a exemplo de prontos-socorros e maternidades públicas.

Protetor facial

Fracivânia explica que a Segeam tem adotado outras medidas de suporte ao controle da disseminação do coronavírus e proteção de seus colaboradores. Um exemplo é a aquisição de mil protetores faciais, que estão sendo entregues, desde a semana passada, aos profissionais de enfermagem contratados pela empresa, durante seus plantões.

Os EPIs (equipamentos de proteção individual), denominados ‘Face Shield’, impedem, por exemplo, que haja a contaminação de enfermeiros por gotículas de saliva que sejam eventualmente expelidas por pessoas com covid-19.

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Coronavírus e poluição do ar podem ser combinação perigosa

Os dois principais fatores que elevam os riscos de óbito em pacientes infectados pelo novo coronavírus são ter mais de 60 anos e ter o sistema imunológico enfraquecido. A poluição do ar tem influência sobre esse segundo fator. “Quem mora numa área poluída tem os pulmões comprometidos da mesma forma que alguém que fuma. Isso também torna a pessoa mais suscetível ao coronavírus”, adverte o epidemiologista Kofi Amegah, especialista em poluição atmosférica da Universidade de Cape Coast, em Gana.

A poluição do ar, que provoca mais de 7 milhões de mortes por ano, pode tornar a covid-19 mais mortal por piorar doenças crônicas que deixam os pacientes fracos diante de uma infecção por Sars-Cov-2. A Aliança Europeia de Saúde Pública afirmou que a poluição do ar provavelmente reduz as chances de sobrevivência de uma pessoa infectada.

Pesquisas sobre surtos anteriores sugerem que o ar poluído torna os vírus mais perigosos e faz com que eles se espalhem mais. Um estudo realizado com as vítimas do Sars-Cov-1, o coronavírus que causou um surto em 2003, revelou que os pacientes tinham duas vezes mais riscos de morrer em regiões onde os níveis de poluição do ar eram mais altos. Mesmo em regiões com poluição moderada, o risco ainda era 84% maior.

Se existir uma dinâmica semelhante para a covid-19, isso poderá aumentar a pressão em UTIs de hospitais de grandes cidades em todo o mundo. Também poderia significar mais riscos para as populações mais pobres, que muitas vezes queimam madeira, esterco, querosene ou carvão em ambientes fechados para cozinhar e aquecer suas casas.

Inimigo silencioso

Na cidade chinesa de Wuhan e no norte da Itália, locais com altos níveis de poluição e infecção pelo novo coronavírus, dados preliminares sugerem que o chamado material particulado pode ter influenciado na sobrecarga dos sistemas de saúde.

As partículas inaláveis finas (MP2,5), ou seja, aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor ou igual a 2,5 µm – mais fino que a espessura de um fio de cabelo – podem penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir os alvéolos pulmonares, aumentando o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas e respiratórias.

A taxa de mortalidade por covid-19 na China foi nove vezes maior para pessoas com doenças cardiovasculares e seis vezes maior para pacientes com diabete, hipertensão e doenças respiratórias do que para pessoas sem problemas de saúde, afirma um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em parceria com a China no mês de fevereiro.

Na Itália, as autoridades de saúde relataram em março que 99% de uma amostra de pacientes que faleceram por covid-19 apresentava uma doença pré-existente, e quase metade das vítimas sofria de três ou mais doenças. Porém, o relatório não apresenta rigor estatístico sobre a população. Entre as doenças mais comuns estavam pressão alta, doenças cardíacas e diabete.

A OMS afirma que a pandemia ainda é muito recente para que se possa estabelecer uma ligação entre a poluição do ar e a mortalidade por Sars-Cov-2, mas isso não deve impedir os países de agir. “Haja ou não essa correlação entre a covid-19 e o ar poluído, precisamos reduzir a poluição do ar”, diz Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS. “Parar de fumar e reduzir os níveis de poluição do ar são recomendações que podemos dar, mesmo sem termos mais evidências da relação entre eles e o novo coronavírus”.

Juntamente com a destruição da camada de ozônio, as partículas finas MP2,5 diminuem a expectativa de vida em quase três anos, segundo um estudo publicado mês passado pela revista Cardiovascular Research, da Universidade de Oxford. No mundo, o número de óbitos devido à poluição do ar é dez vezes maior do que a de todas as formas de violência juntas.

Além disso, cerca de nove em cada dez mortes prematuras causadas pela poluição do ar – incluindo gases tóxicos, como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre – atingem populações de países emergentes ou subemergentes. Mesmo em cidades ricas da Europa e da América do Norte, minorias e populações marginalizadas tendem a respirar um ar mais poluído.

Na África Subsaariana, as mulheres são as mais expostas a poluentes em ambientes fechados. “O sistema pulmonar dessas mulheres está comprometido”, afirma Amegah, e acrescenta que, se a covid-19 se espalhar pela região, elas estarão muito vulneráveis. “Nós oramos e mantemos os dedos cruzados para não ver os níveis de infecção que estamos vendo em outros países.”

Propagação da doença

Além de enfraquecer o sistema imunológico, os poluentes transportados pelo ar poderiam até mesmo atuar como portadores do novo coronavírus, permitindo que ele sobreviva ligado às partículas poluentes, sugere uma equipe de pesquisadores italianos.

Altas concentrações de material particulado em algumas regiões do norte da Itália poderiam ter “impulsionado” a propagação da pandemia, de acordo com a Sociedade Italiana de Medicina Ambiental num documento publicado e ainda não revisado (preprint). Mas outros cientistas levantam dúvidas sobre isso, apontando que o ser humano é o principal vetor de transmissão e que não há casos relatados de disseminação do novo coronavírus pelo ar.

“É bom reduzir a poluição do ar para melhorar a saúde, ou para ajudar a diminuir o risco de que doenças pré-existentes, como a asma, sejam agravadas, mas não vejo a poluição do ar como uma parte importante da discussão sobre a contenção do vírus”, afirma o cientista Jos Lelieveld, diretor do Instituto Max Planck de Química em Mainz, na Alemanha, e autor de um estudo sobre mortes devido à poluição do ar.

Quarentena reduz poluição em São Paulo

Além disso, à medida que os casos de covid-19 aumentam exponencialmente em todo o mundo, as ações de isolamento para impedir a disseminação do vírus reduzem os níveis de poluição nas cidades. Os bloqueios e as medidas de isolamento fecharam fábricas e diminuíram o tráfego aéreo e nas estradas – o que levou a uma diminuição no uso de combustíveis fósseis.

Imagens de satélite da China e da Itália mostram quedas drásticas na concentração de dióxido de nitrogênio  – um gás tóxico que inflama as vias aéreas – à medida que fábricas foram sendo fechadas e o tráfego de automóveis diminuiu drasticamente.

A redução dos níveis de poluição do ar na China pode ter salvado mais vidas do que seriam perdidas com a covid-19, sugere um estudo ainda não revisado, embora essa comparação não leve em consideração as vidas que teriam sido perdidas caso o novo coronavírus tivesse se espalhado sem controle pelo país.

A diminuição dos níveis de poluição atmosférica vista do espaço não pode ser atribuída apenas aos bloqueios e medidas de isolamento. A poluição do ar é mais alta nos meses mais frios porque as pessoas usam mais os aquecedores e se locomovem de carro com mais frequência, por isso ela tende a cair com o aumento das temperaturas, nesta época do ano, explica Christian Retscher, da Agência Espacial Europeia.

“Certamente vemos um efeito da pandemia na queda dos níveis de dióxido de nitrogênio. É um efeito adicional, pois não sabemos os números exatos”, comenta. Embora as medidas de isolamento tenham ajudado a melhorar a qualidade do ar, não se sabe por quanto tempo os níveis de poluição vão se manter baixos.

“Quando a crise passar, e vemos isso na China, há uma tendência de compensar as semanas e os meses perdidos”, diz Zoltan Massay-Kosubek, especialista em políticas de qualidade do ar e transporte sustentável da Aliança Europeia de Saúde Pública.

No entanto, tudo isso prova que é possível reduzir a poluição do ar, o que
salva vidas, afirma Maria Neira, da OMS. “Agora precisamos manter isso – não o confinamento, mas a redução dos níveis de poluição do ar.”

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Maus hábitos durante o isolamento social podem causar problemas sérios

Quem ainda não se adequou à nova rotina de ficar em casa por conta do isolamento social precisa rever desde já os próprios hábitos. “Sabemos que, nesse período, é muito comum desregular os cuidados com a alimentação, saúde mental, sono e ficar mais sedentário, mas é necessário agir, porque esse conjunto de maus hábitos pode interferir negativamente na saúde como um todo”, afirma a médica ginecologista doutora Ana Carolina Lúcio Pereira, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Conforme médicos de várias especialidades, diversos problemas podem acontecer quando os maus hábitos se tornam rotina no período de isolamento social.

Dormir pouco

O sono irregular pode acarretar envelhecimento precoce, acne, queda capilar, acúmulo de gordura, doenças cardiovasculares e piora no sistema imune.

O sono é uma parte importante dos cuidados com a saúde. Durante o sono, o corpo entra em um modo regenerativo e construtivo. “O ideal é entre sete a oito horas de sono e de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade”, diz a doutora Aline Lamaita, cirurgiã vascular e angiologista, membro do Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida.

Para o doutor Mário Farinazzo, membro titular da Socie dade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico voluntário no atendimento a casos suspeitos de Covid-19 no Hospital São Paulo, no caso do sono a qualidade é crucial para um descanso real. “Esse período, quando realmente satisfatório, é reparador e extremamente importante para o funcionamento do sistema imunológico”, justifica.

“É comum o aparecimento de problemas de pele e até mesmo a aceleração do envelhecimento por conta de problemas como a insônia ou má qualidade do sono”, observa o dermatologista Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Isso acontece porque é no momento do sono que as células são renovadas e os radicais livres eliminados”, acrescenta o doutor Mário Farinazzo.

“Assistir à televisão não é uma maneira eficiente de relaxar antes de dormir. Especialmente porque, frequentemente, o que estamos vendo nas notícias ou algo que pode nos causar insônia ou estresse, mesmo antes de dormir, quando estamos tentando desacelerar e relaxar”, diz a médica Ana Carolina Lúcio Pereira, da Febrasgo.

O que fazer? “Tente dormir fazendo algum tipo de leitura ou meditação, principalmente próximo ao horário convencional que você dormia antes do isolamento social”, diz o doutor Mário. Outros rituais que podem ajudar são tomar um banho, acender uma vela e usar produtos e hidratantes faciais com aromas calmantes, como lavanda e sândalo. “Aproveite também para cuidar da pele, faça massagens no seu rosto ao aplicar um creme. Use máscaras e durante o período de ação do produto, esqueça os dispositivos eletrônicos”, acrescenta o doutor Jardis Volpe.

Compulsão alimentar

O abuso de “junk foods” pode causar acúmulo de gordura, envelhecimento precoce, acne e aumento de oleosidade, trombose e problemas de circulação e no fígado, pois qualquer alimento que cause inflamação e liberação de radicais livres são danosos para o nosso corpo em geral e para a pele, de acordo com o cirurgião plástico Mário Farinazzo. “Os mais comuns são os carboidratos de menor valor glicêmico como açúcares, massas de farinha branca e alimentos com gordura saturada como as frituras”, afirma Farinazzo.

Com relação ao açúcar, às vezes ele vem escondido na lista de ingredientes com outros nomes: sacarose, frutose, glicose, maltodextrina, açúcar invertido, glucose ou xarope de milho, dextrose, maltose, açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, oligossacarídeos, xarope glucose-frutose e outros carboidratos simples. “Todos são açúcares e não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas ao dia”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora da Associação Brasileira de Nutrologia. “Ou seja, além de virar reserva (acúmulo de gordura), o açúcar excedente pode se ligar e degradar proteínas de sustentação da pele, em um processo conhecido como glicação. Isso acelera o surgimento de rugas e flacidez”, acrescenta a dermatologista Claudia Marçal, membro da SBD.

Os alimentos industrializados também devem ser evitados: “A questão é que quanto mais processado é o alimento, mais ele perde seu valor nutricional, perde vitaminas durante esse processamento e geralmente esses alimentos muito processados têm muitos aditivos, conservantes, esse tipo de coisa que não faz bem para saúde e aumenta o processo inflamatório no corpo”, afirma a doutora Aline Lamaita. O excesso de sódio também está na lista de ingredientes que podem piorar a circulação, então é recomendado tomar cuidado com esse sal escondido nos alimentos, principalmente os industrializados (até suco de caixinha tem).

Comer saudavelmente é uma das melhores maneiras de ajudar a sua saúde. “A alimentação possui um papel fundamental na manutenção e fortalecimento do organismo, pois é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas, inclusive as imunológicas”, afirma a nutróloga Marcella Garcez. A médica recomenda incluir na dieta alimentos com vitamina A (cenoura e abóbora), vitamina C (kiwi e laranja), vitamina B6 (aveia e banana), vitamina E (carnes e ovos), selênio (arroz integral e castanha do pará) e zinco (frango e grãos integrais). “Fuja dos doces, dos carboidratos e dos laticínios em excesso. Aposte nos grãos integrais”, orienta a dermatologista Claudia Marçal. “Quando já percebemos que o paciente tem um quadro de glicação, indicamos substâncias orais como Glycoxil, que tem ação antioxidante eficiente e impede a ligação desse açúcar excedente com as proteínas de sustentação da pele”, acrescenta. Alguns suplementos como Desmovit podem ser interessantes para “limpar” o fígado.

Estresse e ansiedade

Passar por estresse e ansiedade pode causar rugas, acne, queda capilar e acúmulo de gordura, pois o distanciamento social representa um desafio à saúde mental, pois isola as pessoas que podem se sentir solitárias quando separadas da família e dos amigos. Além disso, as incertezas com o futuro podem estar arruinando a saúde mental das pessoas. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Além disso, sabemos que hormônios como cortisol tem influência no acúmulo de gordura abdominal”, completa o médico.

Além disso, temos a queda de cabelo por estresse que é motivada por um evento traumático (por exemplo, morte de um ente querido ou divórcio) ou problemas emocionais mais constantes. “Estima-se que o aumento do cortisol (hormônio do estresse) por um longo período de tempo esteja especialmente envolvido nesse processo, uma vez que ele aumenta quadros de inflamação que dificultam o crescimento dos fios. Além de tratar a queda capilar, nesse caso é indicado também procurar ajuda psicológica para lidar melhor com o fator desencadeante do estresse”, afirma a dermatologista Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

As dicas para resolver esses problemas são simples. “Essa é uma boa hora também para entrar em contato consigo mesmo, fazer coisas que gosta, cuidar da aparência… Pratique meditação, mindfullness. Para quem está em casa fazendo home office, a cada 60 ou 90 minutos de trabalho, pare 15 minutos para respirar, tomar um café, ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de recuperação é extremamente importante para manejo de estresse”, afirma Aline Lamaita.

“Para quem está fazendo home office, durante o trabalho é normal e muito bom usar bastante o cérebro. Quanto mais problemas a resolver, melhor para os neurônios. Mas assim que ‘sair’ do trabalho, é necessário detox para esses neurônios”, aconselha a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. “Use esse tempo de sobra que estamos tendo durante a quarentena para coisas que você queria fazer antes e não conseguia ou não teve atitude de começar. Cozinhe, comece algum projeto, leia um livro, faça exercícios, brinque com seu filho. Procure criar objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez. “Nos casos em que isso causa queda capilar, indicamos a suplementação do Exsynutriment, um silício orgânico biodisponível que fortalece os fios, conjuntamente com um pool de vitaminas”, acrescenta a doutora Claudia.

Bebidas alcoólicas e água

O consumo de bebida alcoólica e a baixa ingestão de água podem resultar em envelhecimento precoce, ressecamento da pele, problemas no fígado e de circulação. “Entre outros problemas, o álcool desidrata, porque o organismo precisa de grande quantidade de água para metabolizá-lo, além de sobrecarregar o fígado, tudo o que não precisamos nesse momento. Se não houver água suficiente, o organismo vai buscá-la em órgãos periféricos, caso da pele, diminuindo o viço e colaborando para o ressecamento e a descamação”, afirma a doutora Marcella.

“O álcool aumenta a perda de água no corpo e causa desidratação da pele
(e dependendo da bebida, você terá que beber água demais para balancear
isso). Essa desidratação constante da pele a deixa mais suscetível aos agressores que causam envelhecimento”, diz o doutor Paolo. Além disso, a doutora Marcella lembra que é essencial que as quantidades adequadas de líquidos sejam ingeridas durante a quarentena, pois mudanças de estações climáticas podem causar ressecamento da pele e mucosas, além de propiciar alergias e estados gripais. “Quanto menor a ingestão de água, maior a viscosidade do sangue. Além disso, a desidratação favorece a queda da pressão arterial, ameaçando vários órgãos. O consumo adequado de água garante que o organismo seja irrigado e bem nutrido de sangue”, afirma a angiologista Aline Lamaita.

Para manter a hidratação da pele a melhor opção é sempre a água, mas existem outras bebidas saudáveis. “Variações de águas, como a água com gás, as águas saborizadas, a água de coco e os chás são ótimas pedidas. Sucos naturais e não coados, cafés e outros líquidos, desde que não adoçados com açúcar, também podem ser consumidos, mas com moderação”, indica Marcella.

Sedentarismo

Uma vida sedentária pode acarretar acúmulo de gordura, trombose e problemas de circulação, estando diretamente ligada a um risco maior de obesidade e outras comorbidades. “A atividade física é importante para manter o sistema imunológico em dia, pois quando nos exercitamos, temos uma produção maior de linfócitos que são as células de defesa para combater o vírus”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo.

Além de toda a preocupação com a saúde imunológica, outro ponto a ser analisado é a questão da relação entre sedentarismo e trombose. “Em um período de quarentena e isolamento social, a tendência é que as pessoas fiquem em casa, assistam mais TV, comam besteiras e tornem-se mais sedentárias”, explica a angiologista Aline Lamaita. “E aí mora o perigo, já que isso favorece o surgimento de trombose, uma condição que ocorre quando um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo, assim, a passagem do sangue. Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode até resultar em morte”, explica a médica.  

Para evitar, isso, de acordo com a doutora Beatriz Lassance, é importante manter-se ativo em casa, pois o exercício físico, quando praticado de forma regular traz uma série de benefícios para a saúde, inclusive para a pele. “A atividade física (incluindo exercícios aeróbicos, musculação e alongamentos) é importante em diversos aspectos”, justifica.

“Além disso, manter-se ativo traz benefícios na melhora da disposição, humor, perda de peso e saúde cardiovascular”, diz a médica ginecologista Ana Carolina Lúcio Pereira. Há vários aplicativos na internet que disponibilizam treinos funcionais para fazer em casa, mas você também pode abusar da criatividade. “Exercícios para bíceps, tríceps e ombros podem ser feitos com instrumentos como um recurso de carga, usando até saco de arroz e saco de feijão. Para o tronco dá para fazer abdominal e as pranchas isométricas para fortalecer o core, musculatura profunda do abdômen que atua de forma muito importante na estabilização do quadril e da lombar”, afirma o doutor Mário. “A parte aeróbica pode ser feita com polichinelo, corda, corrida estática ou então um degrau de escada simulando um estepe subindo e descendo. Para quem já faz com mais regularidade exercício pode pular corda, fazer flexão de braço, barra física, mergulho no banco e agachamento”, acrescenta o cirurgião. A recomendação é de pelo menos 30 minutos de exercício. Para crianças, o recomendado é que elas façam atividades mais leves, correndo, pulando e dançando, por pelo menos uma hora por dia de atividades, porque elas precisam se movimentar mais.

Fotos: reprodução

Idosos serão vacinados contra a Influenza em suas casas

Diante das mudanças no cenário nacional de transmissibilidade do novo coronavírus, causador da Covid-19, numa decisão inédita no país, anunciada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, os idosos de Manaus serão vacinados contra a gripe sem que precisem sair de suas casas. A primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, iniciaria nesta segunda-feira, 23/3, mas devido à forte chuva que cai sobre a cidade nesta manhã, a Prefeitura de Manaus adiou o início da campanha de vacinação contra a gripe, para esta terça-feira, 24/3. Hoje, o trabalho das equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) ficará concentrado no cadastro dos idosos, que não sejam acompanhados pela Estratégia Saúde da Família, no site http://semsa.manaus.am.gov.br.

Ao acessar o link, uma mensagem direcionará para a página de cadastro. Será necessário preencher as informações do idoso a ser vacinado – CPF, data de nascimento, telefone para contato e nome completo. Na etapa seguinte deverão ser indicados os dados de endereço completo, como CEP e ponto de referência. Em seguida, um endereço de e-mail para contato. A quarta tela será para conferência dos dados, possibilitando a correção, caso seja necessário. A última tela terá a mensagem de confirmação do cadastro, com a orientação que o idoso aguarde que a equipe de vacinação irá até ele.

“Nossos técnicos do Departamento de Tecnologia da Informação trabalharam durante todo o final de semana para criar esse formulário por meio do qual os idosos poderão realizar o cadastro. A orientação do prefeito Arthur Neto é que nenhum dos mais de 111 mil idosos residentes em Manaus fique sem vacina”, afirma o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Para os idosos acompanhados pela Estratégia Saúde da Família (ESF), as equipes seguirão os cadastros individuais  já existentes para realização da vacinação de casa em casa já a partir de segunda-feira.

Cadastro dos idosos pode ser feito no site da SEMSA https://semsa.manaus.am.gov.br/

Metas

A Campanha de Vacinação contra Influenza tem a meta de imunizar 522.065 pessoas em Manaus. Serão três etapas e vai atender todos os grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde, encerrando no dia 22 de maio. A segunda etapa da campanha terá início no dia 16 de abril, e será direcionada para professores de escolas públicas e privadas, profissionais das forças de segurança e salvamento, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, conforme orientação médica.

A partir do dia 9 de maio será iniciada a terceira etapa da campanha com vacinação direcionada para os grupos: crianças de seis meses até menores de seis anos, gestantes, puérperas, jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas, povos indígenas, população privada de liberdade, pessoas com deficiência, funcionários do sistema prisional e adultos de 55 a 59 anos de idade, incluído este ano na campanha contra a Influenza, ampliando o acesso da população à vacina e prevenindo riscos. O objetivo final é imunizar no mínimo 90% do público alvo em cada grupo prioritário.

Texto – Sandra Monteiro/Semsa
Foto – Alex Pazuello / Arquivo Semcom