Campanha destaca serviço gratuito de imunização para pacientes especiais

Alguns pacientes são mais vulneráveis a infecções e, por isso, têm necessidades específicas de vacinação. Essas pessoas podem ser atendidas gratuitamente em unidades de saúde do SUS: os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), uma rede que já existe há 27 anos, que apesar desse histórico, o serviço ainda é pouco conhecido no Brasil, inclusive entre os médicos. Com o apoio de toda a sociedade, contudo, é possível mudar o cenário de desconhecimento e formar uma verdadeira rede de proteção em torno daqueles que correm maior risco de adoecer. Esse é o objetivo da campanha CRIE + Proteção, uma iniciativa da Pfizer, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que tem entre diversas ações uma websérie especial presentada pelo médico Dráuzio Varella, que tem uma forte ligação com a temática.

Várias condições clínicas e procedimentos podem tornar um organismo mais suscetível a infecções, como enfrentar um câncer, passar por um transplante, viver com HIV ou com diabetes. “O envelhecimento da população está associado a um incremento no número de quadros crônicos. Graças aos avanços da medicina, os pacientes oncológicos, por exemplo, vivem cada vez mais, mesmo nos estágios avançados da doença, assim como os indivíduos que vivem com HIV. Além disso, infecções podem ser causa de descompensação de doenças como cardiopatias, diabetes, entre outras. Essas doenças de base aumentam o risco de contrair infecções graves e, portanto, a vacinação desses grupos precisa estar no centro das atenções”, afirma o presidente da SBIm, Juarez Cunha.

Web Série

Para estimular o conhecimento sobre a importância e a segurança da vacinação dos chamados pacientes especiais a campanha CRIE + Proteção reúne ações presenciais e digitais. A primeira delas é uma websérie especial apresentada pelo médico Dráuzio Varella, cancerologista, que dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer de São Paulo por 20 anos e foi um dos pioneiros em iniciativas de enfrentamento da AIDS no Brasil, ainda na década de 1980. Nos três vídeos da série, o médico visita unidades do CRIE para apresentar o serviço à sociedade e discutir as opções oferecidas aos pacientes imunocomprometidos.

Em cada um dos episódios, Dráuzio Varella conversa com profissionais das unidades de referência e acompanha pacientes que visitam esses locais pela primeira vez: Jussara Del Moral, diagnosticada com câncer de mama em 2007, Pedro Frazão, que passou por um transplante renal em 2018, e Lucas Raniel, que vive com HIV desde 2013. Exibidos a partir do mês de setembro, os vídeos ficarão disponíveis no canal do médico Dráuzio Varella no Youtube e, também, no portal da SBIm: http://www.familia.sbim.org.br/pacientes-especiais. Na plataforma, o internauta também pode se informar sobre as condições crônicas de saúde contempladas com a vacinação gratuita, conhecer as indicações e contraindicações para cada caso, bem como acessar a lista completa de endereços das unidades dos CRIE em todo o Brasil.

Criando proteção

A campanha CRIE + Proteção também conta com o apoio de influenciadores digitais de diferentes segmentos na divulgação da causa. “Esperamos que a campanha possa melhorar o conhecimento sobre as unidades do CRIE e estimular a adesão dos imunocomprometidos e pessoas com doenças crônicas à vacinação, valorizando um atendimento importante que é prestado gratuitamente pelo SUS”, afirma a diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine.

Uma das novidades mais recentes no âmbito do CRIE foi a ampliação das possibilidades de prevenção contra as doenças pneumocócicas, a partir da incorporação de uma vacina que protege contra os 13 tipos mais prevalentes da bactéria pneumococo em todo o mundo. Pessoas com condições clínicas que comprometem o sistema imunológico apresentam um risco aumentado para pneumonia e doenças pneumocócicas invasivas, em relação aos indivíduos saudáveis. Entre aquelas que vivem com HIV, por exemplo, o risco de contrair pneumonia é de 50 a 100 vezes maior na comparação com pessoas sem essa condição.

Pacientes oncológicos representam outro grupo suscetível à pneumonia e outras infecções, uma vez que o sistema imune pode ser enfraquecido pelo próprio câncer e pelos tratamentos que afetam as células de defesa. Também devem receber atenção especial indivíduos que utilizam imunossupressores, como as medicações usadas para evitar a rejeição em transplantados ou mesmo os pacientes submetidos a transplante de medula, o que pode prejudicar as memórias imunológicas adquiridas ao longo da vida.

“A vacinação contra o pneumococo está muito bem estabelecida nos calendários vacinais do Brasil e do mundo, de modo que a incorporação da 13-valente aos CRIE representa um grande avanço em termos de acesso. É fundamental que todos estejam atentos às atualizações nas recomendações de imunização, respeitando as particularidades de cada paciente e de sua condição clínica”, avalia Márjori.

Endereços CRIE: https://familia.sbim.org.br/images/files/lista-cries.pdf

#CRIEmaisProteção

Vídeo: Divulgação
Foto: Reprodução Vídeo

Novos caminhos da oncologia

Por Ramon Andrade de Mello (*)

Os avanços da ciência têm proporcionado respostas para diversos males que afligem a população. Nessa pandemia, por exemplo, a agilidade dos cientistas na produção de uma vacina para combater o novo coronavírus superou as expectativas. Os resultados podem trazer alento às pessoas que enfrentam a Covid-19.

Nos próximos anos, a ciência deve continuar oferecendo importantes respostas para as doenças que devemos enfrentar num futuro bem próximo. O envelhecimento da população trará profundos impactos na saúde. Para o triênio 2020-2022, as estimativas brasileiras apontam o registro de 625 mil novos casos de câncer no período, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma.

Para superar esse novo panorama, pesquisadores de todo o mundo têm se lançado na busca de medicamentos e procedimentos capazes de mudar a abordagem de tratamento das pessoas acometidas por diversos tumores. Na área de oncologia, as terapias genéticas vêm se mostrando o melhor caminho pelos cientistas. Elas atuam nas mutações dos genes das células defeituosas para eliminá-las, uma técnica complementar aos métodos tradicionais – quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.

Para quem considera que esses procedimentos ainda estão distantes da nossa realidade, vale ressaltar que o Brasil segue a tendência mundial na busca do tratamento contra o câncer e estudos pioneiros, como os iniciados na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), vão sequenciar o código genético de pessoas não fumantes acometidas por câncer de pulmão. A proposta da pesquisa é identificar os fatores de risco dessa população e apontar os tratamentos mais adequados para muitos casos da doença, com medicamentos que ofereçam maior poder de precisão e menores efeitos colaterais. Denominados de terapias-alvo, esses tratamentos atuam diretamente nas moléculas indispensáveis para as atividades das células cancerígenas, freando a sua expansão.

A ciência e os pacientes também comemoram os bons resultados da imunoterapia, uma técnica que estimula as próprias células de defesa contra o câncer. A escolha do melhor procedimento depende de uma avaliação minuciosa da saúde de cada paciente, realizada por meio de exames clínicos, entre outros processos. Esse método estimula o sistema imunológico no combate às células cancerígenas, bloqueando as engrenagens que elas usam para enganar as defesas com a liberação de proteínas, que se encaixam em receptores dos linfócitos T. Com a técnica, eles identificam e ordenam que outras células destruam os patógenos, que são agentes infecciosos.

Os cientistas já conseguem inclusive fazer a mutação em laboratório dos linfócitos T. Essa alteração ajuda a estimular no reconhecimento das células tumorais quando eles são reintroduzidos no paciente. A dificuldade do tratamento é identificar as alterações precisas que permitam ser aplicadas como alvos, pois o câncer é uma doença multifatorial e de mecanismos moleculares complexos, que se relacionam entre si para manter a célula maligna atuante.

As descobertas trazem vantagens como a redução significativa dos efeitos colaterais dos métodos tradicionais, como a quimioterapia. O sucesso dessas novas técnicas já permite vislumbrar, num horizonte de curto e médio prazos, a abordagem do câncer como uma doença crônica, mas ao mesmo tempo controlável quando bem acompanhada, assim como hoje ocorre com a hipertensão ou a diabetes. Os novos passos da ciência na área de oncologia reforçam nosso otimismo de que a cura para muitas doenças não é apenas um sonho.

(*) Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

Foto: Divulgação/ExLibris
Ilustração: Gerd Altmann/Pixabay

Estilo de vida saudável previne câncer de mama

Diante de um cenário atípico por conta da pandemia do covid-19, neste Outubro Rosa 2020, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) vem alertar o público sobre a importância de celebrar a vida. Para isso, lança o movimento de conscientização QUANTO ANTES MELHOR, cujas mensagens principais são a adoção de um estilo de vida que compreenda a prática de atividades físicas, alimentação saudável, visitas regulares ao médico, exames preventivos e, quando preciso, o início do tratamento logo após o diagnóstico. Quanto mais cedo isso for feito melhor para a saúde da mulher.

De acordo com o presidente da SBM, Dr. Vilmar Marques, todas essas medidas são fatores que previnem várias doenças, dentre elas, o câncer de mama. Segundo ele, num ano tão difícil como este, a SBM quer reforçar que há muita vida após o câncer de mama e que o cuidado com a saúde deve ser constante, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e, em alguns lugares, ainda sendo gradativamente retomados por conta da pandemia.

Segundo o presidente, o movimento deste ano será totalmente online e focará na disseminação da informação. Ele lembra que diversos estudos, por exemplo, revelam que o sobrepeso e a obesidade, além da falta de atividades físicas no dia a dia, aumentam os riscos para câncer de mama e ainda proporcionam uma má qualidade de vida para quem está em tratamento. “Nosso alerta é para QUANTO ANTES mudar o estilo de vida MELHOR para a saúde e isso envolve exercícios, alimentação saudável e a consciência da saúde preventiva como um todo”, afirma ele, completando que o acompanhamento com o mastologista e a realização da mamografia anual nas mulheres a partir dos 40 anos é igualmente importante e está dentro desse contexto.

Em relação à pandemia de Covid-19, ele destaca a preocupação da entidade com a interrupção do rastreamento, exames e tratamentos. A SBM recomenda que nas regiões onde o pico da doença tenha diminuído, os casos estejam estabilizados e com certa flexibilização, as mulheres retomem seus exames e tratamentos, desde que seguindo as medidas de segurança. “Uma vez deixando de fazer o rastreamento, não identificando um tumor inicial com alta chance de cura, pode resultar em um diagnóstico tardio e em estágio mais avançado e isso preocupa. Da mesma forma as pacientes que estão em tratamento é fundamental o prosseguimento”, explica o médico.

Já nas regiões com alta incidência da pandemia, o mais correto é que as mulheres não consideradas urgentes, assintomáticas ou que fazem controle por alterações benignas aguardem o momento de pico passar. No entanto, nos casos com suspeita de um nódulo palpável não se deve postergar e buscar atendimento imediatamente para fazer o diagnóstico. “A pandemia gera uma sensação de insegurança e muitas mulheres deixaram de ir ao consultório. Isso é natural, mas é preciso retomar o rastreamento o quanto antes para evitar casos avançados no futuro”, conclui Dr. Vilmar.

Sociedade Brasileira de Mastologia lança movimento QUANTO ANTES MELHOR alertando
a população para adoção de melhores hábitos que levam à uma vida com mais qualidade

DICAS DE HÁBITOS IDEAIS PARA UMA ROTINA SAUDÁVEL

>>> Alimente-se bem e não fique muito tempo sem comer, ou seja, prefira comer de três em três horas, em pequenas quantidades, sempre priorizando os alimentos naturais e evitando os alimentos industrializados.

>>> Evite o excesso de gorduras e carboidratos simples, como açúcar adicionado aos alimentos, doces, sucos de caixinha ou saquinho, refrigerantes, pão branco, macarrão, sempre preferindo as opções integrais.

>>> Procure ingerir proteínas de boa qualidade, principalmente frutas, legumes e verduras por serem fontes de vitaminas e minerais essenciais e ricas em fibras que ajudam na saciedade e no funcionamento adequado do intestino.

>>> Faça exercícios físicos durante a semana. O ideal são 150 minutos de exercícios físicos moderados divididos entre os cinco dias ou 75 minutos de exercícios vigorosos divididos pela semana.

>>> Planeje o seu dia alimentar e tente segui-lo.

Arte: Divulgação/SBM
Foto Ilustrativa: Daniel Reche/Pixabay

Einstein faz nova remessa de doações para cerca de 600 aldeias indígenas e mais de 130 hospitais públicos e filantrópicos

Para apoiar o trabalho de profissionais de saúde no atendimento de pacientes com o novo coronavírus, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein irá doar R﹩ 40 milhões em Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) – que compreendem máscaras de proteção N95 e protetor facial (face shield) – e álcool gel a 138 hospitais públicos e filantrópicos do país.

Serão beneficiados hospitais de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe. Também serão doados EPI’s e álcool gel para profissionais de saúde que atuam, através de 5 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), em cerca de 600 aldeias indígenas no Mato Grosso.

Os produtos doados foram adquiridos pelo Einstein como parte da sua preparação para o combate à pandemia em São Paulo. A distribuição destes materiais e a escolha das unidades beneficiadas considerou, além da necessidade e número de funcionários, a evolução da doença, o número de leitos e internações nos diferentes municípios brasileiros.

A ação, que conta com o apoio logístico da DHL, tem início previsto para segunda quinzena de agosto com a saída de 51 carretas de São Paulo e deve durar um mês.

Outras doações

Desde o início da pandemia, o Einstein recebeu de uma rede de doadores recursos financeiros, materiais e equipamentos totalizando R﹩ 42,6 milhões, que foram integralmente transferidos para ações junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) e comunidades carentes.

Na primeira remessa, no mês de abril, para os estados do Amazonas, Pará e Ceará, foram R﹩ 4,1 milhões destinados à distribuição de EPI’s e álcool gel

Do total, mais de R﹩ 36 milhões foram destinados à ampliação e melhoria da infraestrutura de unidades públicas de saúde públicos geridas pelo Einstein em São Paulo – como respiradores e outros equipamentos médicos. Entre os beneficiados estão o Hospital M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch, o Hospital da Vila Santa Catarina – Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho, a UPA Campo Limpo e o Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu. Ainda na capital paulista, foram entregues 50 mil kits de higiene para a prevenção da Covid-19 e cerca de 25 mil cestas básicas aos moradores da comunidade de Paraisópolis e regiões da Vila Andrade e Campo Limpo, na zona sul.

As doações fazem parte do compromisso Einstein no apoio ao sistema público de saúde por meio da transferência de práticas, conhecimento e recursos que contribuam para a qualidade do atendimento oferecido à população.

Foto: Divulgação|Einstein

Movimento Saúde Emocional oferece conteúdo gratuito para apoiar professores

A Nova Escola, negócio social voltado a apoiar e oferecer recursos para educadores e melhorar a educação pública no Brasil, acaba de lançar um movimento para sensibilizar, apoiar e engajar os professores nos desafios relacionados à sua saúde mental durante a após a pandemia. Questões que acompanham a profissão há anos foram especialmente agravadas com o isolamento social e os desafios do ensino remoto.

O Movimento Saúde Emocional de A a Z, uma iniciativa realizada em parceria com a Fundação Tide Setubal e com o apoio da Fundação Lemann, apoiará esses profissionais, em um espaço de reflexão, conhecimento, troca de experiências e esclarecimento de dúvidas sobre sua saúde emocional, por meio de conteúdos e ferramentas de apoio exclusivos para professores da educação infantil e do ensino fundamental 1 e 2.

As premissas do Movimento são: diversidade racial; professor protagonista; foco na prática do educador; e respeito à realidade da escola pública brasileira. Ele integra a campanha Nova Escola Em Casa, lançada no fim de março em resposta às necessidades dos educadores neste período de pandemia. O acesso a todos os recursos será online e gratuito por meio da plataforma da Nova Escola .

“O interesse pelo tema ganhou força depois de uma análise sobre os desconfortos emocionais que professoras e professores sentem, em dados que coletamos em uma pesquisa de 2018 sobre a saúde do educador. Passamos então a incorporar na missão da Nova Escola o desenvolvimento de recursos e soluções para apoiá-lo de forma mais completa. A parceria com a Tide Setubal, fundação que também buscava incentivar projetos para mitigar os efeitos da pandemia, permitiu então a criação de recursos específicos aos desafios atuais. Precisamos seguir dando muita atenção a esse assunto, que não surgiu agora, mas é urgente”, diz Ana Ligia Scachetti, Gerente Pedagógica da Nova Escola.

Recursos pedagógicos

O pacote de ações do Movimento Saúde Emocional de A a Z estará disponível a partir de 11 de agosto. Inclui matérias jornalísticas que serão publicadas no site da Nova Escola e três edições completas, uma para cada etapa de ensino, do Nova Escola Box, caixa de conteúdos digitais com sugestões práticas sobre o tema, além de um e-book com dicas de bem-estar. Também farão parte do Nova Escola Box indicações de livros, textos, vídeos e áudios ligados ao tema.

“Estamos prevendo ainda atividades para que os professores usem com os seus alunos. Desenhos, contações de histórias e rodas de conversa para que falem do que estão sentindo. Assim como os professores, os alunos também devem sair da pandemia com uma carga de perdas e seguirão precisando de muito apoio”, completa Ana Ligia.

Para Tide Setubal, psicóloga e psicanalista e coordenadora da área de saúde mental da Fundação Tide Setubal, o Movimento auxiliará os educadores a cuidarem constantemente da saúde emocional em suas vidas pessoal e profissional. “Incentivaremos também que tentem promover espaços de trocas e reflexões com seus alunos para cuidarmos desse universo emocional e afetivo central na vida de todos. Essas atividades são importantíssimas para que professores e estudantes criem narrativas, entendimentos e elaborações sobre o que estamos vivendo. A pandemia escancarou questões como a enorme desigualdade social do nosso país e a necessidade de olharmos para temas que deixávamos de lado, entre eles a saúde mental”.

Com o tema ‘Saúde emocional do professor – O que é possível fazer?’, especialistas como Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP, a psicóloga escolar Roberta Federico e Gláucia Tavares, psicóloga clínica e presidente da Rede API – Apoio a Perdas (Ir) reparáveis, participarão de um webinário para falar de assuntos como estresse, ansiedade e burnout. A formação ocorrerá no dia 13 de agosto às 15 horas, com duas horas de duração, e será transmitida simultaneamente no site da Nova Escola, no Facebook e no YouTube. O vídeo ficará disponível após a transmissão.

E, já que o Movimento Saúde Emocional de A a Z visa a troca de informações, experiências e aprendizados entre os professores, a comunidade Nova Escola em Casa, que existe desde março de 2020 no Facebook, será usada para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação. Elas serão incentivadas a compartilhar depoimentos e os caminhos que têm adotado para lidar com a saúde emocional.

“Os profissionais da educação tiveram que se reinventar, se adaptar a ferramentas virtuais, manter os alunos estimulados e, ao mesmo tempo, lidar com todas as pressões do cotidiano impostas pela pandemia. Esse contexto torna ainda mais fundamental um olhar cuidadoso para a saúde emocional dos professores, daí a importância desse movimento”, diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann .

Campanha nas redes sociais

A campanha da ação contará com depoimentos de professores coletados por meio de mobilizações nas redes sociais da Nova Escola e no site da campanha, histórias estas que serão potencializadas posteriormente, por meio do trabalho de atrizes e atores em vídeos que circularão na internet. Lá também será compartilhado um dicionário do Movimento com palavras e termos de A a Z para aqueles que quiserem saber mais sobre saúde emocional.

Serviço:

>>> A partir de 11 de Agosto

Conteúdos especiais e recursos exclusivos do Nova Escola Box, tudo gratuito: http://novaescola.org.br/saude-emocional

>>> 13 de Agosto

Webinário gratuito com especialistas: https://novaescola.org.br/subhome/177/saude-emocional

Comunidade no Facebook para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação: Nova Escola em Casa

Outras redes sociais Nova Escola:
> Instagram
> Twitter
> LinkedIn

Rede Mulher Empreendedora distribui 10 milhões de máscaras em todo o país

O projeto “Heróis Usam Máscaras”, uma parceria entre Bradesco, Itaú e Santander, que tem como objetivo gerar renda e ajudar no combate à pandemia da Covid-19, distribui gratuitamente 10 milhões de máscaras em todo o país. Coordenada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), a iniciativa contou com a participação de 5 mil costureiras de 20 estados. O projeto foi concebido pelo Instituto BEI, por meio de parceria com o Governo do Estado de São Paulo.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, destacou que a iniciativa cria oportunidades concretas para o exercício do empreendedorismo entre milhares de integrantes da cadeia produtiva do setor têxtil.

“Mais que um conceito, este projeto é uma realidade que transforma vidas e desperta novas possibilidades. Por isso, estamos orgulhosos em participar deste movimento que faz inclusão social e traz empoderamento”, apontou ele. “Esse círculo virtuoso nasce na indústria têxtil, ganha capilaridade nas máquinas de costura operadas por milhares de micro e pequenas empreendedoras em 20 estados e obtém como resultado a proteção de milhões de brasileiras e brasileiros nesta pandemia. A união de forças entre iniciativa privada, poder público, comunidades e sociedade neste projeto é um exemplo de como, juntos, podemos encontrar caminhos para a superação das adversidades”, completou.

Para Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, o esforço conjunto do setor bancário potencializa iniciativas como esta, alcançando mais pessoas em todo o país. “O momento pede medidas urgentes e a colaboração de todos. Nós, do Itaú Unibanco, continuaremos engajados em iniciativas como esta, que ajudam a amenizar os efeitos sociais da pandemia, e na construção de redes de solidariedade”, disse.

“Estamos direcionando o potencial empreendedor brasileiro para a produção de equipamentos que minimizam o risco de contágio pelo coronavírus. Seguiremos firmes no compromisso de apoiar a sociedade de todas as formas possíveis, tanto com soluções de negócios quanto no reforço à capacidade de enfrentar os impactos da pandemia em nosso país”, afirmou Sérgio Rial, presidente do Santander.

Distribuição

As máscaras produzidas pelo projeto Heróis Usam Máscaras serão entregues a ONGs, prefeituras e governos dos estados. Até o momento 58 instituições em 12 estados já receberam e estão organizando a distribuição para a população. Entre elas estão a Cruz Vermelha Brasileira no Rio de Janeiro (500 mil máscaras), a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Campina Grande, na Paraíba (55 mil) a Prefeitura de Manaus, no Amazonas (27 mil), e a Prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro (110 mil).

Nos próximos dias as Secretarias de Saúde e órgãos de assistência do governo do Pará, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará receberão as máscaras, somando um total de 3 milhões de unidades do acessório de segurança que se tornou um dos mais importantes na prevenção à pandemia. A ONG Amigos do Bem, além do Médicos Sem Fronteiras, serão parceiros para o escoamento da produção.

Em Manaus-AM, a doação de 27 mil máscaras foi feita em 22 de julho passado, como parte da Campanha #ManausSolidária, da Prefeitura de Manaus, por meio do Fundo Manaus Solidária, presidido pela primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro. “Essa entrega é muito importante: de um lado nós tivemos a distribuição de renda, para que as costureiras produzissem as máscaras; e do outro lado a população, que vai receber a doação”, destacou.

Mesmo com a diminuição do número de casos confirmados do novo coronavírus na cidade de Manaus, enfatiza a primeira-dama, o Fundo Manaus Solidária continua com o trabalho de arrecadação de doações de alimentos e kits de higiene. Até o momento já foram distribuídas 10 mil máscaras para servidores municipais que estão na linha de frente (exceto da Saúde, que segue outro protocolo). As outras 17 mil máscaras serão distribuídas para pessoas em vulnerabilidade, juntamente com os kits da campanha #ManausSolidária.

Geração de Renda

Segundo Ana Fontes, fundadora da RME e presidente do IRME, um projeto como este, que gera renda em toda cadeia, é fundamental para o momento que estamos vivendo, e solidariamente ajuda as pessoas que precisam, mas não possuem acesso a uma máscara.

O Instituto RME, criado em 2017, é o braço social da Rede Mulher Empreendedora – RME, apoiado em valores como igualdade de gênero, oportunidade para todos, educação, capacitação acessível e colaboração social. O foco é capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade social em todo o Brasil e ajudá-las a conseguir autonomia sobre suas vidas e seus negócios.

“É um projeto que gera renda para as pessoas que produzem os tecidos, os insumos, instituições que estão apoiando as costureiras e, ainda, ajuda na ponta quem não tem condições de comprar uma máscara. As pessoas e entidades têm um papel fundamental de apoio nesta pandemia”, disse.

Mulheres

Um dos objetivos do projeto é a geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Costureiras que em outros locais recebiam apenas R﹩ 0,30 por máscara receberam em média R﹩ 1,34 por unidade produzida.

O projeto Heróis Usam Máscaras contou com a participação de 62 organizações da Sociedade Civil que administram o trabalho de 5.983 costureiras e costureiros, sendo que os homens representam 2%. Pessoas do Brasil inteiro participaram divididos da seguinte forma: 122 pessoas da região centro Oeste, 684 no Nordeste, 140 na região Norte, 80 pessoas do Sul e 4.957 da região Sudeste do País.

Segundo a costureira Márcia Oliveira Ferro, moradora do município de Mirador Negrão, no interior de Alagoas, o projeto foi fundamental e de grande ajuda. “Na minha casa somos em quatro adultos e uma criança. Eu fazia parte de um projeto de bolos, que parou com a pandemia. A renda produção das máscaras era o que tínhamos para o nosso sustento. A cada máscara que eu fazia eu pensava em como o meu trabalho era importante para outras pessoas e contribui para ajudar salvar vidas”, disse ela.

“O projeto foi transformador, mudou a minha vida e de todas mulheres que participam”, diz Talita Furigo dos Santos, da cidade de São Paulo. “O projeto me mostrou que não é impossível ajudar alguém quando realmente se quer ajudar. Eu estou muito feliz de ter participado desse projeto. Ele foi uma ponte para o meu futuro”, contou.

A costureira Gracilene Feitosa Trajano, de Manaus, no Amazonas, sempre trabalhou em projetos com voluntárias, no entanto, com a pandemia ficou desempregada. “Para mim, participar do projeto foi fundamental. Fiquei sem trabalho durante a pandemia e com o dinheiro que ganhei com a produção das máscaras consegui me manter”, explicou.

Fotos: Divulgação/IRME

UNICEF inclui cartilha sobre saúde menstrual em kit de higiene na pandemia

Brasília – Garantir o acesso a informações seguras é fundamental para se proteger contra o coronavírus e cuidar da saúde. Mas nem sempre crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade conseguem receber essas informações. Por isso, desde o começo da pandemia, o UNICEF tem produzido cartilhas, folhetos e cartazes, com informações seguras e baseadas em evidências científicas, que estão sendo distribuídos em capitais brasileiras. Entre esses materiais, foi incluída uma cartilha sobre saúde menstrual.

A cartilha Menstruação na Pandemia e Outras Coisinhas é voltada a meninas adolescentes e possui informações sobre como acompanhar e entender o ciclo menstrual, métodos anticoncepcionais e saúde sexual. O material inclui, também, informações sobre saúde mental. Traz, ainda, orientações às meninas sobre o que fazer em situações de violência, incluindo canais de denúncia e os caminhos para acessá-los.

A cartilha faz parte de um conjunto de conteúdos impressos que têm sido produzidos e distribuídos pelo UNICEF a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Grande parte dos materiais é entregue junto com as doações de produtos de higiene e limpeza que estão sendo distribuídos em 10 capitais brasileiras. Há, também, distribuição em locais específicos, como unidades socioeducativas e abrigos para migrantes venezuelanos.

Folhetos sobre saúde e direitos


Entre os conteúdos distribuídos está, também, um folheto sobre como cuidar da saúde em tempos de Covid-19. Ilustrado pelos personagens da turminha do Bairro do Limoeiro, ele traz instruções sobre o que é a Covid-19, como se prevenir e como lidar com o isolamento social. Produzido pela Mauricio de Sousa Produções, com o apoio do UNICEF, o material foi traduzido para o espanhol e alcançou também imigrantes e refugiados venezuelanos.

Além dele, foram produzidos e distribuídos folhetos com informações sobre o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal.

Para unidades socioeducativas, o UNICEF preparou cartazes com informações sobre o coronavírus, os direitos garantidos a adolescentes e os canais de apoio psicossocial. Os cartazes foram afixados nas paredes das unidades.

Os folhetos foram impressos com apoio de Água de Manaus, Americanas, Bayer; Instituto Mitsui, Ministério Público do Trabalho (MPT), Supervia e Unilever. Além de Arteris, CGN, EDF Renewables, Gemini Energy, Omega Energia, Essencis e Termoverde, essas por meio de parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Resposta à Covid-19 – A disseminação de informações faz parte da resposta do UNICEF à Covid-19, mas a estratégia não se limita a isso. Ao mesmo tempo em que busca responder às necessidades emergenciais de crianças, adolescentes e suas famílias, o UNICEF tem trabalhado em ações estruturais de longo prazo para minimizar os efeitos da pandemia na vida de meninas e meninos, e garantir direitos.

Entre as ações, destacam-se o fornecimento de itens de higiene e limpeza; o trabalho com governos nos níveis federal, estadual e municipal, empresas e sociedade civil para diminuir o impacto da crise nos serviços de saúde, educação, assistência social e proteção contra a violência de meninos e meninas; e o apoio à saúde mental de adolescentes e o monitoramento da situação e o impacto social da pandemia para produzir evidências em apoio a políticas e ações.

Médico é o profissional em quem os brasileiros mais confiam

Qual o profissional em quem você mais confia e acredita? Com essa pergunta em mãos, o Instituto Datafolha foi às ruas para saber o grau de confiabilidade da população brasileira em diferentes categorias de trabalhadores. O resultado confirmou os médicos, com 35% de aprovação, como aqueles que são depositários de maior grau de confiança e credibilidade por parte da população. Na segunda posição, aparecem os professores, com 21%, e os bombeiros, com 11%.

O mesmo levantamento indica que a situação provocada pela Covid-19, em que informações desencontradas têm deixado a população insegura, contribuiu para o aumento do percentual de confiabilidade dos médicos. Na pesquisa anterior, realizada em 2018, também pelo Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), os médicos tinham um índice de 24%, que agora cresceu nove pontos percentuais.

Atrás de médicos, professores e bombeiros, aparecem policiais (5%), militares e juízes (cada categoria com 4%) e advogados, jornalistas e engenheiros (3%, cada). Na sequência, surgem os procuradores de Justiça (com 1%) e os políticos (com 0,5%). A pesquisa ouviu 1.511 pessoas, com 16 anos ou mais, em entrevistas estruturadas por telefone, de todas as regiões do país. A amostra contemplou a distribuição da população segundo sexo, classes sociais e níveis de escolaridade.

Boa imagem

O alto nível de confiança e credibilidade depositado nos médicos se deve, principalmente, à percepção das mulheres (42%), da população com ensino fundamental (42%) e com idade a partir de 45 anos (37%). A boa imagem da categoria também é maior entre os que ganham até dois salários mínimos (41%) ou mais de 10 salários mínimos (33%). Do ponto de vista da distribuição geográfica, os percentuais são muito próximos, com ligeiro destaque para os estados do Nordeste (37%) e Sul (38%).

Os dados coletados pelo Datafolha ainda permitiram captar qual a percepção dos brasileiros com respeito à atuação dos médicos brasileiros no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Na opinião de 77%, o trabalho desses profissionais é considerado ótimo ou bom. Outros 17% consideram essa performance como regular e apenas 6% como ruim ou péssimo.

As mulheres (78%), a população com idades de 45 a 59 anos (82%), os com nível superior (81%) e com rendimento maior do que dez salários mínimos (78%) são os segmentos que se destacam no que se refere à imagem positiva dos médicos. Geograficamente, o bom conceito não apresenta grandes variações por região, ficando, em média, em 76%.

Pandemia

Essa avaliação do trabalho dos médicos durante a pandemia vem amparada em percepções específicas. Por exemplo, 79% dos brasileiros avaliam como ótimo ou bom o empenho dos profissionais para atender os pacientes, e 73% classificam da mesma forma a qualidade da assistência oferecida. Para 64%, o nível de confiança depositada no trabalho realizado durante a pandemia é alto.

Por outro lado, 49% dos brasileiros acreditam que o trabalho do médico não tem recebido a valorização merecida, considerando-a como regular, ruim ou péssimo. Já 65% avaliam com esses mesmos conceitos as condições de trabalho oferecidas aos médicos, ou seja, entendem que o trabalho desses profissionais tem sido prejudicado por falta de infraestrutura.

De forma geral, independentemente do período da pandemia, os brasileiros mantêm o entendimento de que os médicos são vítimas de problemas de gestão. Para 99% dos entrevistados, esses profissionais carecem de condições adequadas para o pleno exercício de suas atividades. Já na percepção de 95%, eles merecem ser alvos de medidas de valorização, como maior remuneração e plano de carreira.

Foto: Hamilton Viana / Pixabay

Viajar ou não: incertezas da pandemia geram dúvidas e até agressividade entre viajantes

Por César Augusto

Depois do golpe que o setor turístico levou com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus em março passado, o segundo semestre iniciou com expectativas entremeadas com dúvidas para quem planeja suas viagens: o momento é seguro para manter os planos ou se deve esperar mais um pouco? De um lado, vários países começam aos poucos a voltar à normalidade tendo controlado a incidência da covid-19; de outro, o surgimento de novos casos obrigou a volta das restrições que tanto afetaram o mercado de turismo, com cancelamentos de voos, fechamento de aeroportos e rodoviárias.

Entre as duas situações, as empresas aéreas demonstram otimismo e buscam estimular os turistas a viajarem, com apelo para os protocolos de segurança, principalmente o uso de máscaras. Não é para menos: a pancada foi violenta no setor. Segundo levantamento feito até abril passado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o número de passageiros transportados no turismo doméstico caiu de 9,26 milhões em janeiro, antes da pandemia provocar as medidas restritivas em território nacional, para pouco mais de 399,5 mil em abril. O impacto pode ser medido considerando-se o índice do ano anterior: no mesmo mês, em 2019, foram 7,73 milhões de passageiros transportados. O número de decolagens indica bem esse drama: enquanto em abril do ano passado foram 62 mil decolagens, doze meses depois foram somente 4.315.

Fabíola Abess, jornalista: show cancelado em São Paulo e incerteza quanto aos projetos

Diante das incertezas, o turista fica indeciso sobre qual decisão tomar. A jornalista Fabíola Abess, 33, está dividida. Ela já havia comprado os ingressos para o Festival Folclórico de Parintins, cuja realização em junho havia sido cancelada e, por enquanto, remarcada para novembro. Além disso, tem passagens já compradas para São Luís (MA) para o feriado prolongado da Semana da Pátria, em setembro. “Sinceramente, ainda não sei o que fazer. Um lado meu tem medo, pede cautela e distanciamento social enquanto não houver vacina, o outro é o espírito de mochileira clamando por viagem”, declarou.

Cautela também é o lema da administradora Winnie Duarte Buriti de Moura, 33. Sua viagem para o Rio de Janeiro seria em abril, mas acabou sendo cancelada. A nova data é em novembro. “Se houver a possibilidade de a situação estar mais controlada”, frisou. O mesmo destino, só que em outubro, deverá ser o da auxiliar de escritório Alessandra Carvalho, 27, com a esperança de que a situação tenha ao menos amenizado. A viagem deveria ter acontecido como parte de um roteiro de férias que ela havia iniciado em março pela Argentina, quando ainda não havia casos de covid-19 confirmados. De lá ela seguiu para a Bahia, quando começaram as restrições seguintes aos registros da pandemia. “Cheguei à Bahia dia 16 [de março], com três dias veio o primeiro decreto de isolamento social. Fiquei sete dias dentro do hotel sem poder sair para canto algum que não fosse supermercado e farmácia”, relembrou. Seu próximo destino seria justamente o Rio de Janeiro, onde havia agendado a solicitação de visto americano. “Tive que trocar o voo voltando para Porto Velho (RO) direto de Porto Seguro, o que me custou 860 reais, taxa de alteração essa que meu seguro de viagem não cobriu pelo fato de ser pandemia”, contou. As passagens, hospedagem em hostel e a taxa paga para o Consulado dos Estados Unidos ficaram como saldo para remarcação no prazo de um ano. “Estou com passagens emitidas também para fora do Brasil no próximo ano, em março. Espero que seja possível realizar a viagem”.

Winnie Duarte: viagem reprogramada depende do controle da pandemia no país

O professor Frank Gundim Silva, 38, tem hoje uma percepção mais flexível sobre o assunto. “Até pouco tempo atrás eu achava insano alguém planejar uma viagem nesse período de pandemia. Hoje acho que existe gente que está relaxada com o vírus (o que gera ações irresponsáveis) e existe quem está aprendendo a lidar com ele”, opinou. “Se a pessoa vai viajar com toda precaução e responsabilidade, por que não fazer? Mas sabe que tem assumir o risco de se contaminar, pois ele é real”, acrescentou.

Pânico e sufoco

Como Alessandra, muitos viajantes tiveram que interromper suas viagens e passaram sufoco para retornar para suas casas, com aeroportos sendo fechados e fronteiras interestaduais e internacionais com restrições para transporte rodoviário de passageiros. Fabíola Abess estava em São Paulo para um show dos Backstreet Boys, marcado para 15 de março. “Um dia antes, o governador [João Dória] baixou um decreto proibindo eventos. O show estava com ingressos esgotados, com estimativa de 45 mil pessoas no Allianz Parque”, lembrou. Apesar da promessa da organização de remarcar a data, até o momento o evento segue sem previsão de nova realização.

Frank Gundim: sem segurança no momento para articular planejamentos de viagens

Winnie Duarte e Frank Gundim tiveram mais sorte. Segundo a administradora, em seu retorno do Rio de Janeiro para Manaus no dia 3 de março já havia um clima de pânico nos aeroportos, após a confirmação de um caso de covid-19 naquele Estado e outro em São Paulo. “Na semana seguinte começou a quarentena obrigatória. Então, viajei com a liberdade que tínhamos antes da pandemia e voltei com o clima tenso, e assimilando aos poucos que muitas coisas iriam mudar”, disse Winnie. Desse modo, toda a programação que ela havia feito foi concluída com sucesso.

A última viagem de Gundim, morador de Palmas (TO), antes da crise, foi durante o carnaval, para Brasília. “Já havia o caso em Wuhan [China] e aqui ainda não tinha sido veiculado nada. Só quando cheguei [em Palmas] veicularam a notícia sobre o italiano que chegou contaminado em São Paulo e depois pipocaram os casos no Brasil”, contou.

Críticas e agressões

Para quem programa suas viagens (domésticas ou internacionais) com alguma esperança de que a pandemia esteja sob controle, com o surgimento de alguma vacina ou com a devida valorização das medidas de prevenção – infelizmente ignoradas por um grande número de pessoas por todo o mundo – , ainda há um problema a ser enfrentado: as críticas e a agressividade de quem enxerga na atitude do viajante descaso com a situação.

Alessandra Carvalho na Argentina: roteiro teve que ser alterado por conta da pandemia

Embora haja diversas medidas sanitárias tomadas nos destinos turísticos, pelo menos em teoria, para a segurança da saúde do viajante, o medo e a falta de confiança chegam a criar verdadeiras batalhas virtuais nas redes sociais. A peleja começa nos grupos destinados à troca de informações sobre viagens quando um internauta faz perguntas sobre determinado destino em alguma época deste ano. É o princípio de uma enxurrada de xingamentos e comentários agressivos em sua maioria, como se pensar em viajar agora fosse anúncio de um crime hediondo prestes a ser cometido.

“É um assunto sensível, porque neste momento é preciso pensar no coletivo”, afirmou Winnie Duarte. “Minha reprogramação é de acordo com os dados que mostram que a situação já está mais sob controle e, óbvio, onde é permitido turistar”, acrescentou. Ela participa de grupos em redes sociais, entretanto não expõe seus planos para não receber críticas. Já Alessandra Carvalho, integrante de alguns grupos, sentiu a fúria virtual. “Fui atacada por um comentário que fiz na postagem de outro integrante do grupo. Acho desnecessário esse ataque, essa euforia. Os grupos existem justamente para troca de experiências, informações e para distrair desse momento tão duro em que estamos vivendo”, opinou. Para ela, todos os cuidados devem ser tomados. “Mas acho que já passamos da época de se isolar totalmente e de voltar a viver aos poucos com precaução. Até porque eu mesma me infectei em casa, sem nenhum tipo de convivo com outras pessoas”, acrescentou.

Participante do Couchsurfing Manaus, a jornalista Fabíola Abess contou que já houve brigas por conta do relaxamento promovido pelo governo em restaurantes e outros estabelecimentos. “Mal reabriram os locais e alguns membros questionaram quando haveria meeting novamente, postando fotos em flutuantes e outros lugares, sem máscara. Fiquei irritada e saí do grupo, pois ainda estou em isolamento, saindo muito pouco de casa”, disse. Para ela, o retorno só será possível quando houver real segurança em Manaus. “Quanto a pedir informações sobre viagens, não recebi nenhum ataque ao perguntar sobre quem iria para eventos da comunidade em outras capitais”.

Apesar de participar de grupos com o tema nas redes sociais, Frank Gundim não tem costume de pedir dicas. “Vou a sites pesquisar sobre a cidade. Se gostar, mergulho no desconhecido”, afirmou. Para este ano, as viagens programadas foram todas canceladas. “Só viajarei novamente quando me sentir seguro. Neste momento, não me sinto”.

Fotos cedidas de arquivos pessoais

Fiocruz, GSK e ViiV Healthcare vão produzir medicamentos para tratamento do HIV em dose única inédita no Brasil

A Farmanguinhos/Fiocruz – Instituto de Tecnologia em Fármacos -, a farmacêutica britânica GSK e a ViiV Healthcare – empresa dedicada exclusivamente a tratamentos para o HIV -, firmam parceria para desenvolvimento e produção de antirretrovirais no Brasil. A cooperação, assinada na última terça-feira (14), denominada Aliança Estratégica de longo prazo, tem como objetivo melhorar a capacidade nacional de produção de medicamentos para o tratamento de pessoas que vivem com HIV.

O projeto prevê a colaboração para fabricação local de uma combinação de Dolutegravir 50 mg e Lamivudina 300 mg em dose única diária. A tecnologia será transferida da ViiV Healthcare – detentora da propriedade intelectual – para Farmanguinhos em fases. A primeira consiste na absorção tecnológica e “know-how” para a fabricação de Dolutegravir 50mg, um dos mais modernos antirretrovirais utilizado no tratamento de HIV no mundo. No Brasil, o medicamento foi introduzido no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2016 e, atualmente, é distribuído a mais de 300 mil pacientes, o que representa cerca de metade das pessoas em tratamento contra o HIV atendidas pelo SUS.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, destaca a importância da cooperação para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Esta cooperação reforça o compromisso da Fiocruz com a saúde pública e a qualidade de vida dos brasileiros. Por meio dessa parceria, iremos modernizar o tratamento de HIV no Brasil com potencial de beneficiar milhares de pacientes com a redução dos comprimidos e dos efeitos adversos. Ao mesmo tempo, daremos impulso à ciência e à produção nacionais, tão importantes para o fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde”, destaca.

A ViiV Healthcare ainda colaborará com Farmanguinhos para desenvolver localmente uma formulação de dose única diária a partir da combinação de Dolutegravir 50mg e Lamivudina 300mg – ainda não disponível no país. É a primeira vez que um tratamento antirretroviral ainda não comercializado no Brasil é objeto de uma aliança estratégica entre uma companhia multinacional e um laboratório público brasileiro.

Para José Carlos Felner, presidente da divisão Farmacêutica da GSK no Brasil, este modelo de aliança estratégica é muito benéfica no sentido de garantir acesso a medicamentos inovadores a pessoas vivendo com HIV/Aids. “Há mais de três décadas, contribuímos para o avanço da ciência no Brasil, por meio de alianças estratégicas com Instituições de Pesquisa e de Produção para transferência de tecnologia de nossos medicamentos e vacinas. Nos últimos 10 anos, junto com a ViiV Healthcare, disponibilizamos medicamentos inovadores para o tratamento do HIV. Esta nova cooperação é mais um passo rumo à garantia do acesso amplo a terapias modernas à populaçãoe ao nosso compromisso de não deixar nenhuma pessoa vivendo com HIV para trás, melhorando cada vez mais a qualidade de vida desta comunidade.

O diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, destaca a ampliação da cooperação a fim de favorecer o acesso a tratamentos inovadores. “O objetivo é elaborar um portfólio de antirretrovirais de primeira linha, que sejam de interesse do Ministério da Saúde para que possamos distribuí-los no SUS. Nossa preocupação é com a qualidade de vida das pessoas. Neste sentido, redução de comprimidos significa menos eventos adversos para os pacientes que vivem com HIV/Aids. “, explica Mendonça.

Benefícios da Aliança Estratégica

A cooperação propiciará benefícios para os pacientes, tais como acesso a tratamentos modernos, redução de comprimidos e menos efeitos adversos, o que melhora a adesão. A Aliança Estratégica vai gerar economia aos cofres públicos com redução dos custos de aquisição de medicamentos, o que diminui a dependência do Programa de HIV/Aids por insumos importados, em médio e longo prazo. Outro objetivo é trazer para o Brasil mais conhecimento na fabricação desses produtos, que são estratégicos para o SUS, o que fortalece o Complexo insdustrial da Saúde Brasileira, contribuindo ainda para a geração de emprego e renda no país.

Os parceiros

A cooperação conta com a GSK, empresa global de saúde com foco em ciência e com um propósito especial de ajudar as pessoas a fazer mais, sentir-se melhor e viver mais, por meio de três negócios globais de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos inovadores, vacinas e produtos de saúde. Há mais de três décadas, a GSK tem colaborado com o governo brasileiro, no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e em diversas Alianças Estratégicas, desde Transferências de Tecnologia até colaborações de Pesquisa & Desenvolvimento, com diferentes instituições. Foi a GSK que trouxe para o Brasil, em 1991, o primeiro medicamento antirretroviral do mundo, o AZT, para fornecimento ao Ministério da Saúde.

E a ViiV Healthcare é líder em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos para o HIV, criada em 2009, a partir de uma joint venture entre a GSK e a Pfizer, forma uma companhia global dedicada exclusivamente a tratamentos para o HIV. Em 2012, a japonesa Shionogi completou a sociedade.

Pelo Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é a instituição de pesquisa e desenvolvimento científico vinculada ao Ministério da Saúde. Responsável por produzir e divulgar conhecimentos e tecnologias que visam o fortalecimento e a consolidação dos sistemas de saúde, a Fundação é a principal instituição de pesquisa e promoção da saúde pública da América Latina.

E a Farmanguinhos, uma unidade técnico-científica da Fiocruz, atua de forma multidisciplinar nas áreas de educação, pesquisa, inovação tecnológica e produção de medicamentos. Reconhecida como o maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde, é mais do que uma fábrica, é um instituto de ciência e tecnologia em saúde. Além de pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos essenciais para a população brasileira, Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos desses produtos, permitindo a ampliação ao acesso de mais pessoas aos programas de saúde pública. Para mais informações, acesse o site: http://www.far.fiocruz.br

Foto: Reprodução/Site Fiocruz