Aprendendo a cozinhar em francês na Le Cordon Bleu

Por Lenise Ipiranga

Ana Claudia Leocádio, natural do Amazonas, nascida na capital Manaus, com infância vivida no município de Alvarães, jornalista graduada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), casada com o diplomata Roberto Alfaia, residente em Brasília (DF) quando está no Brasil, levava 20 minutos de metrô de sua casa no 7º Distrito (7º arrondissement) até a escola de culinária Le Cordon Bleu, que fica no 15º Distrito, em Paris. Após nove meses de curso e mais outros três de estágio na própria escola, recebeu seu Diploma de Cozinha – Le Cordon Bleu de Diplôme de Cuisine –, e agora está como estagiária na equipe do Restaurant Guy Savoy, em Paris, um três estrelas Michelin e há quatro anos seguidos considerado o melhor restaurante do mundo pela revista francesa La Liste, da alta gastronomia mundial.

De uma sólida carreira de jornalista em Manaus, na Amazônia, até a nova profissão certificada em Paris, na Europa, a jornada de Ana Claudia Leocádio pelo mundo tem sido enriquecida por diversas conexões com pessoas, comidas, culturas, cidades e países. As voltas ao mundo começaram por conta de sua união, desde a faculdade, com Roberto Alfaia, também amazonense, diplomata brasileiro. Em 2009, selaram a união e Ana Claudia saiu de Manaus para morar em Brasília. A primeira viagem foi em 2011, para a Turquia. “Foram três anos e meio maravilhosos. O país é pura história e cultura. Foi na Turquia que esse dom culinário aflorou em mim”, relembra Ana Claudia.

A jornalista, que trabalhou em assessorias e redações de jornais, como o Jornal do Commercio, Gazeta Mercantil e Diário do Amazonas, conta que mesmo trabalhando muito, ainda em Manaus, sempre reunia amigos e cozinhava em casa. Mas foi na Turquia que Ana Claudia se sentiu motivada a conhecer o mundo da culinária. “Eu adorava experimentar as delícias da cozinha turca. E também queria aprender a cozinhar coisas diferentes para reunir amigos e conhecidos do meio diplomático em nossa casa. Foi muito prazerosa essa descoberta”, reconhece. E confessa que quando viajava para Manaus, voltava com a bagagem cheia de comida – farinha, pirarucu, jambu cozido, tucupi – “essas iguarias que nos dão muita saudade quando estamos longe. E sempre queria mostrar um pouquinho do Amazonas em nossa mesa”.

Nas lembranças da Turquia, Ana Claudia destaca o gosto pelo skender kebab – um assado de cordeiro, servido com molho de tomate e iogurte artesanal –; e pela delícia de Gozleme – um tipo de panqueca super tradicional, que pode ser recheada com um queijo parecido com o Feta. E completa que o bom da mesa turca “são os mézes (refeição ligeira), uma seleção de pequenas porções de petiscos que enchem a mesa para todos compartilharem. Algo bem acolhedor”.

De volta à Brasília, o casal ficou na capital federal de julho de 2014 a dezembro de 2016 e depois seguiu para Abuja, na Nigéria, país berço do que hoje no Brasil é conhecido como candomblé, explica Ana Claudia. “O país tem mais de 250 grupos étnicos, com três etnias dominantes: hauçás, yorubás e igbos”, detalha, para chegar ao ponto da referência culinária. “E uma das características marcantes da comida é a pimenta. Tudo muito apimentado”, conta a cozinheira graduada sobre a descoberta posterior sobre a cozinha yorubá.

E Ana Claudia destaca o uso do azeite de dendê, o peixe seco e uma papa chamada fufu para acompanhar. “Eu amava comer moimoi, que é o abará baiano (bolinho de feijão fradinho moído cozido em banho-maria embrulhado em folha de bananeira). Lá eles comem o acará (bolinho de feijão fradinho, frito no azeite de dendê) como acompanhamento, não como comemos o acarajé no Brasil, pois acarajé para eles quer dizer mais ou menos ‘eu quero acará’”, relembra Ana Claudia de suas preferências culinárias na Nigéria.

Após dois anos no continente africano, sempre guiado pelo trabalho diplomático, o casal seguiu para a Embaixada do Brasil na França, em Paris, em junho de 2018, para um período de três anos. Em suas viagens gastronômicas, ao chegar à França, Ana Claudia conferiu como a cozinha francesa é muito diversa, na qual se aproveita tudo dos animais que servem para alimentação. E reconhece que é muito difícil dizer qual o prato de sua preferência, por gostar de praticamente tudo, com exceção da receita com rim que não curtiu muito – um prato típico do Sudoeste francês. “Uma coisa que me atrai muito são os molhos, porque são eles que fazem a diferença nos pratos”, ressalta. Segundo a cozinheira, uma característica que percebeu é de que para os franceses o ideal é sentir o real sabor dos ingredientes, sem muito exagero de temperos. E relembra que conheceu um chef que dizia detestar comida condimentada por gostar de saber o que estava comendo. E Ana Claudia aponta algumas preferências: “um prato que gosto muito é bochechas de vitela (joues de veau); e também gosto muito de pato confitado (confit de canard). As bochechas de vitela são cozidas em fogo baixo por horas e quando comemos derrete na boca”, enfatiza.

Ao chegar na França, Ana Claudia tratou de se ambientar com a paisagem da região onde mora, com a esplanada e museu dos Inválidos (Esplanade des Invalides); com a gastronomia local, representada por um dos restaurantes populares mais antigos e tradicionais de Paris, o Bouillon  Chartier; e com visitas a pontos como o conjunto monumental de Mont Saint-Michel, na Normandia

Le Cordon Bleu

Antes mesmo de mudar para a Nigéria e depois se/guir para a França, ainda quando estava em Brasília, em 2015, após a Turquia, Ana Claudia resolveu entrar num curso tecnólogo em Gastronomia, no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), entre os cinco melhores do país na época, segundo o MEC (Ministério da Educação). “Foi uma escolha acertada. O curso abriu minha mente para coisas que nunca pensaria em relação à cozinha, como: a cadeia produtiva da alimentação; a importância da valorização do produtor; a qualidade”, avalia Ana Claudia, que também fez pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB).

E ao chegar à França, em 2018, a jornalista amazonense logo se questionou: “por que não unir o útil ao agradável e estudar na mais renomada escola de cozinha do Mundo?”. Ana Claudia então enviou sua inscrição e esperou a resposta, pois para ser aprovada precisa falar em inglês ou francês. Ela já falava em inglês e decidiu investir um pouco mais no estudo do idioma francês, pois gostaria de estudar culinária na língua original da escola. “E foi muito bom, porque faz uma diferença enorme aprender a cozinhar em francês”, avalia, ao explicar que a maioria dos termos e técnicas são na língua francesa. Ela foi aprovada e entrou no programa de imersão, o qual inclui os nove meses de curso, mais três meses de estágio na própria escola e, em seguida, em um restaurante.

“É Diploma de Cozinha. Esse é o título do diploma”, enfatiza Ana Claudia Leocádio sobre o seu Le Cordon Bleu de Diplôme de Cuisine, conquistado no último mês de setembro, deste ano de 2020 tão diferente. “O fato de você conquistar o diploma de cozinheiro no Le Cordon Bleu não te faz chef de cozinha, você é cozinheiro. É um caminho longo”, ressalta a cozinheira, ao falar que ainda não desenvolveu uma receita própria. “Quem sabe daqui uns anos eu possa criar algo bem bacana. Depois que concluímos o curso parece que se abre um leque de possibilidades, mas temos que focar em praticar, trabalhar e melhorar o nosso fazer na cozinha”, avalia.

Ana Claudia Leocadio cumpriu o programa de imersão na escola de culinária Le Cordon Bleu, onde fez muitas provas práticas e muitas amizades

Somente após estagiar na escola, nas cozinhas de preparação das aulas, na preparação e venda no Café, é que foi possível Ana Claudia Leocádio fazer um estágio em um restaurante. “Tive muita sorte”, comemora, ao contar que enviou seu currículo e foi logo aceita, num mercado de trabalho em que a média de idade dos estagiários é de 22 anos. A jornalista cozinheira, aos 43 anos, explica: “aqui eles começam cedo como aprendizes, aos 16 anos. O sistema é bem regulamentado para recebê-los nas empresas. Mas eu não deixo a peteca cair”.

“Agora estou fazendo um estágio no Restaurant Guy Savoy, em Paris. Está sendo uma experiência maravilhosa. Apesar de trabalhar muito, vale cada hora para aprender como funciona a alta gastronomia, ainda mais em um lugar tão requintado da capital francesa”, confirma Ana Claudia sobre todo o esforço empreendido. O restaurante é de propriedade do chef Guy Savoy, aberto em 1980, que funciona desde 2015 na Casa da Moeda, um palácio de 1775, às margens do rio Sena, e reconhecido por quatro anos seguidos como o melhor do mundo pelo ranking La liste e com três estrelas Michelin, o guia de referência mundial de restaurantes e hotéis, de origem francesa, criado em 1900. A cozinheira destaca sua estrutura, com uma grande brigada de cozinha e o foco no produto de qualidade: “por isso o resultado é tão bom. E o foco é bom produto, boa cocção e tempero correto”.

Entre as melhores lembranças do curso: o robalo  em escamas de batata; a sobremesa de creme de castanha portuguesa com chantilly e a amizade da turma de cozinheiros

Vida Amazônica

Jornalista apaixonada pelo seu ofício, Ana Claudia acredita que seu dom para as artes culinárias tem origem e vivência familiar e amazônica. “Minha mãe Nazira Leocádio é uma grande cozinheira”, destaca Ana Claudia, e acrescenta o fato de ter vivido sua infância no município de Alvarães, no interior do Estado do Amazonas, recebendo toda a influência do modo de vida dos seus avós maternos, Joaquina e Luiz Leocádio. “Desde criança fui acostumada a comer o que vinha da natureza. Na época não tínhamos geladeira, energia elétrica e tínhamos que nos alimentar do que tinha no dia – das pescarias, das caçadas, da roça e da horta da minha avó Joaquina. Foi assim que construí meu paladar”, enaltece suas origens, de onde acredita ter herdado o talento para as artes culinárias.

Durante o curso na Le Cordon Bleu, Ana Claudia conta que lembrava demais das iguarias do Amazonas e imaginava como poderia fazer algo a mais com os nossos ingredientes sem, contudo, perder a identidade de cada um. “Essa é a essência da cozinha francesa, na minha percepção: mesmo super sofisticada e elegante, a cozinha francesa valoriza cada ingrediente produzido no país, seus sabores autênticos, fato que as releituras não desprezam isso”, distingue a cozinheira.

“Meus olhos não saem do Amazonas, de ver o quanto nossa gastronomia é rica e precisa ser levada para o mundo para que possamos valorizá-la mais”, incentiva Ana Claudia. E critica a falta de iniciativas públicas e privadas para a valorização de produtos valiosos do Amazonas e Região Norte mundo afora. E expõe a surpresa e susto quando compra a castanha em Paris: “um quilo custa quase 40 euros. Mas o nosso caboclo ganha quase nada lá na ponta da cadeia produtiva”; e ainda tem o cacau com alto valor no mercado; sem falar do açaí, que Ana Claudia avalia o Estado do Pará estar melhor estruturado para explorar esses nichos de mercado.

Da Amazônia à França, até agora, com alguns sacrifícios e algumas milhas de cultura e conhecimento, Ana Claudia Leocádio conta que nada seria possível sem o incentivo de seu marido, o diplomata Roberto Alfaia

Os produtos derivados da mandioca, principalmente as farinhas ovinha e amarela, são um capítulo à parte, segundo Ana Claudia, os quais precisam urgentemente de apoio para salvar os saberes dos produtores tradicionais, que estão envelhecendo e morrendo. “Quem vai produzir com tamanha qualidade? ”, questiona. A amazonense cita o selo de Indicação Geográfica conquistada pela farinha produzida no município de Uarini, em 2019, o qual começou a embalar para exportação. “Isso é muito bom. Mas nos beiradões do rio Solimões tem muitos lugares que produzem farinhas ótimas, que precisam desse incentivo para que as novas gerações possam desfrutar dessa delícia”, alerta. Tem muita coisa para ser feita nesse sentido, diz Ana Claudia, com reais possibilidades, mas para isso precisa organização, planejamento e compromisso do poder público e da iniciativa privada.

Enquanto não sabe o seu próximo destino, Ana Claudia Leocádio reconhece os benefícios alcançados por acompanhar o marido em sua jornada de trabalho como diplomata: “isso me exigiu alguns sacrifícios, mas por outro lado ganhei umas milhas de cultura e conhecimento, pois comecei a me voltar para os estudos”. E enfatiza o apoio irrestrito de seu marido Roberto Alfaia: “nada disso seria possível sem o incentivo e apoio do meu marido. Costumo dizer que ele é meu fã número um”. A jornalista também não está desempenhando sua profissão, mas reafirma que jornalismo é sua paixão e mesmo parada sua mente é uma fonte inesgotável de pautas. E adianta que não gosta muito de falar de futuro, mas espera que o plantio feito até agora dê bons resultados.

Wagner Moura e Greenpeace lançam animação sobre a destruição das florestas para a produção de carne

Greenpeace se uniu ao ator Wagner Moura para dar sequência ao primeiro filme produzido pela ONG, um alerta do orangotango Rang-Tan, com a atriz Emma Thompson, na sensação viral Rang-tan. O novo filme destaca a onça pintada ‘Jag-wah’ em denúncia do impacto devastador que a produção industrial de carne está tendo em florestas como a Amazônia.

“Tem um monstro na minha cozinha” conta a história de um menino que aprende sobre o desmatamento que está devastando florestas como a Amazônia, casa da onça. Com o animal, o menino explora como a carne em nossas cozinhas está alimentando o desmatamento de florestas e como reduzir a carne nas prateleiras dos supermercados, nos cardápios de fast food e em nossas próprias cozinhas pode ajudar a resolver isso. O vídeo foi feito pela agência de criação Mother e produzido pelo premiado estúdio Cartoon Saloon.

Confira o vídeo:

“Existem poucos lugares mais incríveis e preciosos na terra do que florestas como a Amazônia. No entanto, as pessoas muitas vezes não sabem que muitas das carnes e laticínios em nossas geladeiras estão ligadas aos incêndios e motosserras que estão devastando a Amazônia e outras florestas importantes. As grandes empresas de carnes continuam derrubando nossas florestas em um ritmo surpreendente. Precisamos agir antes que seja tarde demais”, afirma o ator Wagner Moura.

Os incêndios de 2019, na Amazônia, chamaram a atenção da mídia, mas a temporada de incêndios de 2020 viu novos recordes em toda a linha. Somente nos 20 primeiros dias de outubro, foram mais de 12 mil focos de incêndio na Amazônia. No acumulado do ano são 88.804 focos, apenas 372 focos a menos do total registrado em todo o ano passado. Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve alta em 211%.

O Cerrado também registra aumento de 86% em comparação ao mesmo período do ano passado. São 11.946 focos de incêndio. Mas o número mais alarmante e aterrador não é da Amazônia e tampouco do Cerrado, e sim, a do Pantanal. Neste mesmo período de 2019, foram registrados 525 focos de incêndio. Neste ano, o Bioma registrou 2.667 focos de incêndio, uma diferença de 408%. Mesmo faltando dez dias para o término do mês, os três Biomas já queimaram mais que o mês de outubro inteiro do ano passado.

A onça pintada está presente em quase todos os biomas do Brasil, especialmente nos três biomas comprometidos pelas queimadas: Amazônia, Cerrado e Pantanal

“A carne é o maior promotor do desmatamento em todo o mundo. Esta animação é muito importante para expormos o futuro de nossas florestas. Em menos de 20 anos, a Amazônia pode entrar em colapso e isso está sendo impulsionado pela falta de ações das grandes empresas de carne para evitar que animais vindos de áreas desmatadas e queimadas cheguem para os consumidores. Os efeitos da política antiambiental do governo Bolsonaro são confirmados pelo aumento dos índices de desmatamento e violência no campo, com resultados negativos também para a economia do país”, ressalta Rômulo Batista do Greenpeace Brasil.

“Estou muito satisfeito por trabalhar neste filme de importância crucial com o Greenpeace. Essa luta nunca foi mais urgente. Juntos, podemos enfrentar as empresas industriais de carne que estão destruindo nossas preciosas florestas e os governos, como o meu no Brasil, que fazem conluio com eles. Espero que este filme inspire muitos a se juntarem à nossa missão de proteger as florestas”, completa Wagner.

O vídeo tem apoio da Meat Free Monday, a campanha lançada por Paul, Mary e Stella McCartney que visa aumentar a conscientização sobre o impacto ambiental prejudicial da pecuária.

Sinopse > ‘Tem um monstro na minha cozinha’ é uma poderosa história de terror de um garotinho que encontra um ‘monstro’ assustador em sua cozinha – um enorme jaguar. Dublado pelo aclamado ator brasileiro Wagner Moura (que interpretou Pablo Escobar em Narcos), ‘Jag-wah’ revela que está aqui para alertar o menino. Os verdadeiros monstros são, na verdade, as empresas industriais de carne queimando sua casa na floresta e destruindo habitats naturais para cultivar ração animal. A constatação de que a carne industrial é a maior causa do desmatamento global leva o menino a decidir “comer mais plantas e vegetais” e a “lutar contra esses monstros para que nosso planeta se renove”.

Fotos e Vídeo: Greenpeace | Divulgação

Movimento Saúde Emocional oferece conteúdo gratuito para apoiar professores

A Nova Escola, negócio social voltado a apoiar e oferecer recursos para educadores e melhorar a educação pública no Brasil, acaba de lançar um movimento para sensibilizar, apoiar e engajar os professores nos desafios relacionados à sua saúde mental durante a após a pandemia. Questões que acompanham a profissão há anos foram especialmente agravadas com o isolamento social e os desafios do ensino remoto.

O Movimento Saúde Emocional de A a Z, uma iniciativa realizada em parceria com a Fundação Tide Setubal e com o apoio da Fundação Lemann, apoiará esses profissionais, em um espaço de reflexão, conhecimento, troca de experiências e esclarecimento de dúvidas sobre sua saúde emocional, por meio de conteúdos e ferramentas de apoio exclusivos para professores da educação infantil e do ensino fundamental 1 e 2.

As premissas do Movimento são: diversidade racial; professor protagonista; foco na prática do educador; e respeito à realidade da escola pública brasileira. Ele integra a campanha Nova Escola Em Casa, lançada no fim de março em resposta às necessidades dos educadores neste período de pandemia. O acesso a todos os recursos será online e gratuito por meio da plataforma da Nova Escola .

“O interesse pelo tema ganhou força depois de uma análise sobre os desconfortos emocionais que professoras e professores sentem, em dados que coletamos em uma pesquisa de 2018 sobre a saúde do educador. Passamos então a incorporar na missão da Nova Escola o desenvolvimento de recursos e soluções para apoiá-lo de forma mais completa. A parceria com a Tide Setubal, fundação que também buscava incentivar projetos para mitigar os efeitos da pandemia, permitiu então a criação de recursos específicos aos desafios atuais. Precisamos seguir dando muita atenção a esse assunto, que não surgiu agora, mas é urgente”, diz Ana Ligia Scachetti, Gerente Pedagógica da Nova Escola.

Recursos pedagógicos

O pacote de ações do Movimento Saúde Emocional de A a Z estará disponível a partir de 11 de agosto. Inclui matérias jornalísticas que serão publicadas no site da Nova Escola e três edições completas, uma para cada etapa de ensino, do Nova Escola Box, caixa de conteúdos digitais com sugestões práticas sobre o tema, além de um e-book com dicas de bem-estar. Também farão parte do Nova Escola Box indicações de livros, textos, vídeos e áudios ligados ao tema.

“Estamos prevendo ainda atividades para que os professores usem com os seus alunos. Desenhos, contações de histórias e rodas de conversa para que falem do que estão sentindo. Assim como os professores, os alunos também devem sair da pandemia com uma carga de perdas e seguirão precisando de muito apoio”, completa Ana Ligia.

Para Tide Setubal, psicóloga e psicanalista e coordenadora da área de saúde mental da Fundação Tide Setubal, o Movimento auxiliará os educadores a cuidarem constantemente da saúde emocional em suas vidas pessoal e profissional. “Incentivaremos também que tentem promover espaços de trocas e reflexões com seus alunos para cuidarmos desse universo emocional e afetivo central na vida de todos. Essas atividades são importantíssimas para que professores e estudantes criem narrativas, entendimentos e elaborações sobre o que estamos vivendo. A pandemia escancarou questões como a enorme desigualdade social do nosso país e a necessidade de olharmos para temas que deixávamos de lado, entre eles a saúde mental”.

Com o tema ‘Saúde emocional do professor – O que é possível fazer?’, especialistas como Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP, a psicóloga escolar Roberta Federico e Gláucia Tavares, psicóloga clínica e presidente da Rede API – Apoio a Perdas (Ir) reparáveis, participarão de um webinário para falar de assuntos como estresse, ansiedade e burnout. A formação ocorrerá no dia 13 de agosto às 15 horas, com duas horas de duração, e será transmitida simultaneamente no site da Nova Escola, no Facebook e no YouTube. O vídeo ficará disponível após a transmissão.

E, já que o Movimento Saúde Emocional de A a Z visa a troca de informações, experiências e aprendizados entre os professores, a comunidade Nova Escola em Casa, que existe desde março de 2020 no Facebook, será usada para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação. Elas serão incentivadas a compartilhar depoimentos e os caminhos que têm adotado para lidar com a saúde emocional.

“Os profissionais da educação tiveram que se reinventar, se adaptar a ferramentas virtuais, manter os alunos estimulados e, ao mesmo tempo, lidar com todas as pressões do cotidiano impostas pela pandemia. Esse contexto torna ainda mais fundamental um olhar cuidadoso para a saúde emocional dos professores, daí a importância desse movimento”, diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann .

Campanha nas redes sociais

A campanha da ação contará com depoimentos de professores coletados por meio de mobilizações nas redes sociais da Nova Escola e no site da campanha, histórias estas que serão potencializadas posteriormente, por meio do trabalho de atrizes e atores em vídeos que circularão na internet. Lá também será compartilhado um dicionário do Movimento com palavras e termos de A a Z para aqueles que quiserem saber mais sobre saúde emocional.

Serviço:

>>> A partir de 11 de Agosto

Conteúdos especiais e recursos exclusivos do Nova Escola Box, tudo gratuito: http://novaescola.org.br/saude-emocional

>>> 13 de Agosto

Webinário gratuito com especialistas: https://novaescola.org.br/subhome/177/saude-emocional

Comunidade no Facebook para conectar e gerar conversas entre as pessoas que se encontram na mesma situação: Nova Escola em Casa

Outras redes sociais Nova Escola:
> Instagram
> Twitter
> LinkedIn

UNICEF e Undime lançam guia para buscar criança e adolescente que estão sem acesso à aprendizagem

No último dia 24 de julho, foi lançado o guia Busca Ativa Escolar em Crises e Emergência, para apoiar estados e municípios na garantia do direito à educação de crianças e adolescentes em situações de calamidade pública e emergências, como a pandemia da Covid-19, quando escolas precisaram ser fechadas, deixando cerca de 35 milhões de crianças e adolescentes longe das salas de aula. Foram criadas opções para a continuidade da aprendizagem em casa, mas nem todos estão conseguindo manter o processo de aprendizagem – em especial os mais vulneráveis.

O guia é fruto da parceria do UNICEF com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

“A busca ativa precisa começar já, em paralelo à preparação das redes escolares para que possam reabrir em segurança”, explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil. “Não há como definir uma data única de volta às aulas presenciais no País, que tem de ser decidida de acordo com a situação epidemiológica de cada estado e município. Mas a preparação das redes escolares para a reabertura de maneira segura deve ser prioridade absoluta em todo o País, assim como a busca ativa de quem não está conseguindo aprender com as escolas fechadas”, defende.

O fechamento das escolas gerou impacto negativo significativo na aprendizagem, na nutrição – uma vez que muitas crianças dependem da merenda escolar – e na segurança de crianças e adolescentes, em especial os mais vulneráveis. Mesmo com as opções de atividades para a continuidade das aprendizagens em casa, pelo menos 4,8 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil não têm acesso à internet em casa, além de outros milhões com acesso precário ou falta de equipamento, não podendo manter o vínculo com a escola durante todo o período de isolamento social. Tudo isso, somado a questões econômicas, contribui para a evasão.

“A exclusão escolar afeta os mais vulneráveis. Há milhões de crianças e adolescentes que estavam na escola, aprendendo, mas não conseguiram manter atividades em casa por falta de estrutura e estão ficando para atrás. Há, também, 6,4 milhões de meninas e meninos que já estavam com dois ou mais anos de atraso escolar, e correm o risco de não conseguir mais voltar. E há, ainda, mais de 1,7 milhão que já estavam fora da escola antes da pandemia, e estão ficando cada vez mais longe dela”, explica Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.

Para reverter esse quadro, mesmo enquanto as escolas ainda estão fisicamente fechadas, é preciso ir atrás de cada um deles e tomar as medidas necessárias para que consigam retomar os estudos e seguir aprendendo. É isso que propõe a Busca Ativa Escolar, estratégia lançada em 2017 e agora adaptada para situações de calamidade pública e emergências, como a pandemia da Covid-19

O guia busca auxiliar as escolas no seu planejamento de reabertura ou de readequação de ações. Está dividido em três seções, trazendo orientações para potencializar a Busca Ativa Escolar e enfrentar a crise, e orientações para o acolhimento e o cuidado dentro das escolas, divididos por etapa escolar. Além disso, traz conteúdos de referências que podem ser usados pelos municípios.

É urgente preparar as escolas para reabrir em segurança
Além de encontrar meninas e meninos que estão fora da escola, ou em risco de evadir, é fundamental preparar as escolas para receber os estudantes em segurança, mitigando os riscos de infecção pelo novo coronavírus. Não se pode determinar uma data única para a volta às aulas presenciais no País – o que deve acontecer de acordo com a situação da pandemia em cada lugar. Mas uma coisa é certa: é urgente colocar crianças e adolescentes como prioridade absoluta nos investimentos e planos de retomada.

“Crianças e adolescentes são as vítimas ocultas da pandemia, sendo quem mais sofre com as consequências da crise em médio e longo prazos. É urgente que os governos priorizem crianças e adolescentes em seus planos de reabertura e invistam nas ações necessárias para a retomada das escolas. O UNICEF chama cada estado e município a agir agora para garantir condições seguras de funcionamento das escolas, e a analisar a situação da pandemia para definir o momento seguro de reabrir”, defende Florence Bauer.

É preciso garantir que as escolas estejam preparadas para recebê-los com segurança. Isso inclui adaptações no ambiente escolar que mantenham estudantes, famílias e profissionais de educação protegidos, como adaptações no transporte escolar, na ventilação das salas de aulas e no acesso a água e saneamento nas escolas, entre outros pontos. Há também que se investir em práticas pedagógicas e apoio psicossocial a educadores e profissionais para a retomada.

Desde o início da pandemia, o UNICEF vem trabalhando com estados e municípios na formulação de protocolos e planos para a reabertura. Em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Banco Mundial e Programa Mundial de Alimentos (PMA), foi desenvolvido um protocolo com medidas claras que precisam ser tomadas. Também já há protocolos desenvolvidos pela Undime e pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed) .

“Os municípios estão organizando protocolos e buscando as condições para ofertar o que for necessário, em termos de higiene e saúde, para receber todos na escola em segurança”, afirma Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime.

Foto: Ilustração/Lourdes NiqueGrentz-Pixabay