Especialista em autismo é reforço para difundir conhecimento sobre uso da Cannabis medicinal

O neuropediatra e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Rubens Wajnsztejn – que é palestrante do Cann x Lisboa, primeiro evento realizado na Europa para pra discutir a Cannabis medicinal do ponto de vista da ciência, da tecnologia e do mercado/indústria, no dia 12 de fevereiro, com o tema “CBD e suas aplicações nos distúrbios do espectro autista” -, é o novo reforço da HempMeds Brasil, primeira empresa brasileira a importar de forma legal a Cannabis medicinal para o Brasil.

Professor há mais de três décadas dos cursos de medicina do Centro Universitário Saúde ABC, em Santo André/SP, especialista em autismo e prescrição de CBD, ele assume o cargo de executivo responsável pela área médica, ou CMO (Chief Medical Officer). Wajnsztejn é formado pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), tem mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e é doutor em Ciências da Saúde na Faculdade de Medicina do ABC, instituição em que leciona.

Informação

Uma de suas principais atribuições é a de ajudar a marca pioneira neste novo mercado a difundir ainda mais conhecimento sobre um tratamento que está se popularizando no país, mas que ele já conhece há décadas. A HempMeds entende que a desinformação e o preconceito sobre o assunto prejudicam a vida de cerca de 4 milhões de pacientes, os quais podem ser beneficiados pelo canabidiol.

“Mais do que um conhecedor de causa, ele é pesquisador e tem contato direto com médicos brasileiros e futuros profissionais da saúde. Portanto, vai levar ainda mais informações sobre esse tratamento, que melhora a qualidade de vida de pacientes com doenças raras e de difícil tratamento”, afirma Caroline Heinz, vice-presidente da HempMeds Brasil.

Diante das movimentações positivas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Wajnsztejn entra na HempMeds Brasil em um momento essencial para os pacientes e um novo setor da indústria financeira. Em dezembro, o órgão regulador permitiu a venda de CBD em todas as farmácias brasileiras. Já no último dia 22 de janeiro, o colegiado aprovou a flexibilização e desburocratização da importação de produtos à base de Cannabis medicinal.

Indústria

Em 2015, a HempMeds® Brasil tornou-se a primeira empresa a fornecer um produto à base de Cannabis, o RSHO ™, para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), de maneira judicializada, que não têm condições de pagar pelo medicamento. Em julho, do mesmo ano, a Receita Federal também reduziu os impostos para importação do CBD e outros medicamentos, facilitando o acesso a mais famílias brasileiras.

A Medical Marijuana, Inc. (MJNA), grupo matriz da HempMeds Brasil, é a primeira empresa de Cannabis publicamente negociada nos Estados Unidos, não vende ou distribui quaisquer produtos que violem a Lei de Substâncias Controladas dos Estados Unidos (US.CSA). Estas empresas produzem, vendem e distribuem produtos à base de cânhamo e estão envolvidas com a distribuição federalmente legal de produtos médicos à base de maconha em determinados mercados internacionais. O canabidiol é um componente natural do óleo de cânhamo.

Uso excessivo de antibióticos pode causar de infecções até reações alérgicas

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma média superior aos países da Europa em relação ao uso de antibióticos, com 22,75 doses por dia. O risco é que a ingestão indiscriminada desse tipo de medicamento, seja por escolha do paciente ou sob prescrição médica, possa causar uma série de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, reações alérgicas, entre outras condições.

Segundo Maria Lúcia Biancalana, infectologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, outra preocupação relacionada ao uso incorreto dessa classe de medicamentos é a de que surja uma seleção de bactérias multirresistentes aos antibióticos. “O uso indiscriminado pode favorecer o crescimento dessas superbactérias. Por isso, é importante que o tratamento com antibióticos seja feito apenas para causas específicas e por tempo adequado. Quando as bactérias se tornam resistentes, os antibióticos habituais perdem a eficiência e não impedem a multiplicação desses microrganismos. Bactérias resistentes são mais difíceis de serem eliminadas e geralmente exigem medicamentos mais tóxicos. Além disso, há o risco de se alastrarem, pois podem ser transmitidas para outras pessoas”, afirma a médica.

Ela ressalta também que é essencial que a população compreenda os riscos e limites do uso desses medicamentos e das várias ameaças que ele traz. “É fundamental usar antibióticos apenas quando indicado e prescrito por um profissional de saúde, seguir a prescrição à risca, evitar reutilizar medicamentos usados em outros tratamentos e que estejam disponíveis em casa e não compartilhar antibióticos com outras pessoas”, orienta a profissional.

Os antibióticos salvam vidas e são fundamentais para tratar infecções comuns como pneumonia e até condições que mais sérias como a sepse. Porém, não são eficientes para combater infecções causadas por vírus como os da gripe e de resfriados. “Por isso é tão importante que haja conscientização não só dos profissionais de saúde como também da população de forma geral”, afirma a médica.

Com o intuito de estimular o bom uso desse tipo de medicamento, a BP mantém o Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos, que visa garantir o efeito farmacoterapêutico máximo desses agentes, reduzir a ocorrência de eventos adversos nos pacientes e prevenir a seleção e a disseminação de microrganismos resistentes.

Foto: Reprodução

Inpa inaugura ampliação de seu laboratório voltado para a piscicultura

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) inaugura nesta terça-feira (14), às 9h, a ampliação e reforma do Laboratório de Fisiologia Aplicado à Piscicultura (Lafap), que conta com infraestrutura moderna e adequada para realizar pesquisas em piscicultura, área com perspectiva produtiva e sustentável para a região, e capacitação. A modernização do laboratório faz parte da revitalização do Centro de Aquicultura, localizado no Campus III, Morada do Sol, zona Centro-Sul de Manaus.

A obra no Lafap levou três meses para ser concluída e recebeu investimento
de R$ 169.884,10 do Projeto “Implantação de Unidades Demonstrativas
Agroflorestais na Amazônia (Iudaa)”, patrocinado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Iudaa atua nas áreas de piscicultura, coordenado pela pesquisadora Elizabeth Gusmão, e plantios agroflorestais, coordenado pela pesquisadora Rosalee Coelho. A coordenação geral é da titular da Coordenação de Tecnologia Social (Cotes), Denise Gutierrez.

A finalidade do Lafap é realizar pesquisas em aquicultura, nas linhas sobre
nutrição, sanidade e sistema de produção de peixes de cultivo, além de atuar na capacitação de alunos de graduação à pós-graduação (mestrado e doutorado). O laboratório foi implantado em 2002, com uma estrutura simples e espaço limitado, passando por ampliações no decorrer dos anos.

Segundo Gusmão, o Lafap desenvolve pesquisas de ponta na área de
aquicultura, a exemplos dos projetos com a tecnologia de bioflocos, pioneira com espécies nativas (tambaqui e matrinxã) e que contribui com o futuro da aquicultura na região Norte. Os bioflocos são microrganismos ricos em nutrientes que diminuem a quantidade de substâncias tóxicas da água.

“Outras pesquisas que serão beneficiadas com esta infraestrutura são as relacionadas com as questões sanitárias, principalmente novas substâncias para tratamento de doenças, como a acantocefalose que tem diminuído a produção de tambaqui, sendo este um dos maiores obstáculos atualmente enfrentado pelo setor”, disse Gusmão, que também é líder do Grupo de Pesquisa em Aquicultura na Amazônia Ocidental do Inpa.

As duas linhas de pesquisas recebem fomento de projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Banco da Amazônia e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior (Capes). O Amazonas é o maior consumidor per capita de peixe do país (33 quilos por ano), porém não é autossuficiente na piscicultura nem para suprir o mercado local.

Pesquisa e capacitação

Segundo Denise Gutierrez, a infraestrutura do Centro de Aquicultura foi modernizada e adaptada para atender as necessidades contemporâneas, com novos equipamentos adquiridos e instalados. “Trata-se de um convênio para execução de projeto voltado não apenas para a pesquisa aplicada, mas também para a capacitação de produtores do interior do Amazonas, o que significa uma resposta efetiva do Inpa para as demandas das populações locais. Nele, pesquisa e capacitação foram perfeitamente articuladas, ficando como exemplo para propostas futuras”, destacou a coordenadora.

Em 2018, também com recurso do projeto Iudaa/Finep (R$ 357.144,47), a Estação de Aquicultura do Inpa ampliou sua infraestrutura com a construção de uma fábrica de ração e uma sala de aula para curso de extensão, além da revitalização do prédio central desta Estação. Como resultados desses investimentos, o Grupo de Pesquisa “Aquicultura na Amazônia Ocidental”, do qual fazem parte os pesquisadores e alunos da Estação, vem contribuindo com a capacitação de profissionais da região Norte, com cursos sobre elaboração de rações e o uso da extrusora, além de minicursos sobre bioflocos e sanidade, ambos oferecidos para toda a sociedade.

“As pesquisas estão sendo realizadas com uma infraestrutura de melhor qualidade, o que podemos garantir que daqui a poucos anos estaremos disponibilizando serviços para as instituições de pesquisa do Norte do país, e os resultados gerados já podem ser utilizados pelo setor produtivo”, ressaltou Gusmão.  Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail pgusmao1@yahoo.com.br.

Foto: Vadelira Fernandes/Inpa

Serviço Florestal Brasileiro e Ufam inauguram Casa do Carbono em Manaus

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) inauguraram no último dia 8 de agosto o primeiro Laboratório de Inventário e Mensuração Florestal – a Casa do Carbono, que irá apoiar os esforços do Inventário Florestal Nacional na determinação de peso seco e teor de carbono armazenado pelas árvores da Amazônia.

O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, que, esteve no ato, representando a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, destacou que a Casa do Carbono permitirá tratar de forma científica, por meio de dados, o volume de madeira, biomassa e carbono armazenado pela Floresta Amazônica.

“Com a implementação da Casa Carbono, teremos elementos técnico-científicos para fazermos a gestão da floresta. Dentro dessa visão, trabalharemos conjuntamente com a Ufam e o Fundo Amazônia, para extrairmos dados que possibilitem mensurar a floresta e a sua biomassa”, disse Colatto.

O reitor da Ufam, Sylvio Puga, destacou a importância da obra para a pesquisa e o conhecimento sobre a Amazônia. “Agora, podemos dizer que temos a única Casa de Carbono da região Norte e que estará a serviço do nosso país e do mundo. As informações produzidas aqui serão públicas e estarão disponibilizadas para qualquer pessoa que queira entender mais sobre a Amazônia”, avaliou o reitor.

O chefe do Departamento de Meio Ambiente e Fundo Amazônia do BNDES, Nabil Moura Kadri, explicou que o apoio do Fundo Amazônia à Ufam se deu, por meio do Serviço Florestal Brasileiro, dentro do projeto do Inventário Florestal Nacional (IFN).

“A Ufam é o locus principal para a geração de conhecimento e inovação. Será fundamental essa parceria para que a gente conheça melhor, não só os estoques de carbono, mas também as florestas para aprimorar as políticas públicas de preservação e conservação”, declarou.

Equações Alométricas

O diretor de Pesquisa e Informações Florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Joberto Veloso de Freitas, explicou que, para que as estimativas do volume de madeira e peso da biomassa de cada árvore possam ser feitas, é necessário dispor de equações matemáticas, que transformam os dados coletados em campo (altura e diâmetro) em variáveis mais complexas. Essas equações são chamadas de equações alométricas. O desenvolvimento dessas equações envolve a derrubada, cubagem e pesagem total de centenas de árvores, com subsequente tratamento de amostras de madeira em laboratório para a determinação do peso seco de cada árvore e a determinação do teor de carbono por espécie.

Inventário Florestal

O Inventário Florestal Nacional é um levantamento realizado pelo Governo Federal para produzir informações sobre os recursos florestais brasileiros. A coleta de dados é feita em todo o território brasileiro, diretamente nas florestas – naturais e plantadas – incluindo a coleta de amostras botânicas e de solo, a medição das árvores e a realização de entrevistas com os moradores das proximidades. Desta forma, são avaliadas a qualidade e as condições das florestas e a sua importância para as pessoas.

Fotos: SFB/divulgação

Cirurgia robótica e videolaparoscopia ganham espaço na urologia

Os avanços tecnológicos em saúde têm trazido importantes benefícios e mais qualidade de vida aos pacientes. No caso da urologia, destacam-se melhorias no campo cirúrgico, tais como as cirurgias robóticas e videolaparoscopias, ambas consideradas minimamente invasivas e com menos efeitos colaterais e sequelas associadas. O urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo, explica que os procedimentos são indicados para o tratamento de diversas alterações, entre elas, os cânceres de próstata, rins e cálculos urinários.

“Hoje, em Manaus, não dispomos de cirurgia robótica nas unidades de saúde. Porém, nos antecipamos na Urocentro, por sabermos dos benefícios desses procedimentos, e celebramos parcerias com unidades de referência em São Paulo e no Rio de Janeiro, que dispõem dessa tecnologia. Além disso, passamos por treinamentos na área, agregando valor às terapias ofertadas hoje no mercado local”, frisou.

De acordo com ele, além de ser mais rápida, a cirurgia robótica é feita através de pequenas incisões e, sendo assim, apresenta menos risco de sangramento durante o procedimento e também no pós-cirúrgico. “A recuperação é mais rápida e as chances de sequelas são menores”, afirmou.


O especialista deu como exemplo as modalidades voltadas para o tratamento das neoplasias malignas de próstata, consideradas as mais incidentes na população masculina do Amazonas, com previsão de 580 casos/ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde.

“O robô, que é guiado por um médico, que fica em uma cabine dentro do centro cirúrgico. O equipamento tem uma precisão maior na hora da extração do tumor. Por isso, os riscos de se desenvolver incontinência urinária e disfunção erétil pós-cirurgia, são reduzidos, já que as pinças são mais direcionadas, ocasionando menos dano tecidual”, explicou Figliuolo.

Para procedimentos que implicam na ressecção de tecidos maiores, o procedimento também pode ser aplicado. “No caso do câncer renal, a nefrectomia radical, ou seja, a retirada total de um dos rins, também é possível através da tecnologia robótica. Outra modalidade bastante utilizada é a vídeolaparoscopia, que utiliza pinças e pequenas incisões, com a vantagem de ter uma recuperação mais rápida. Em pouco tempo, o paciente retorna às suas atividades cotidianas, sem prejuízos maiores”, assegurou.

De acordo com Giuseppe Figliuolo, ambos os procedimentos só são indicados após uma análise minuciosa, que inclui exames de imagem, avaliação médica, exames complementares laboratoriais, entre outros.

“É importante frisar que todos os procedimentos, cirúrgicos ou não, vão depender do estadiamento da doença. Ou seja: da extensão que ela apresenta. Quando mais cedo as alterações são detectadas, maiores as chances de cura e de procedimentos menos invasivos. Por isso, destacamos sempre a necessidade das avaliações anuais, que buscam investigar problemas assintomáticos, que se desenvolvem de forma lenta e que só são evidenciados, geralmente, quando o paciente passa a sentir dor, nas fases intermediária ou avançada”, reforçou o especialista, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e tem mais de 20 anos de experiência na área.

Foto: divulgação

Anvisa aprova terapia combinada para câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o segundo tipo mais incidente no Brasil, acaba de ganhar o tratamento combinado, até então inédito no país. A terapia combinada associando quimioterapia, imunoterapia e antiangiogênicos acaba de ser aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e já está disponível na rede privada.

Esse é um dos temas do evento “Tenho Câncer, e agora?”, que será realizado no próximo dia 3 de agosto, em São Paulo. O evento tem inscrições gratuitas e é aberto à população em geral. Para se inscrever basta acessar o site www.tenhocancereagora.com.br ou 0800 – 773-3241 e 11 3721 5317. Um dos palestrantes será o oncologista Dr. William Willian Junior. Ele dirige o departamento de Hematologia e Oncologia do Hospital BP, antiga Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O palestrante vai falar exatamente sobre a “terapia alvo, pequenas moléculas, grandes impactos”. O Dr. William, que esteve no maior congresso de oncologia do mundo, realizado em junho deste ano, em Chicago, traz as informações mais recentes sobre o assunto. E adianta que vai apresentar números impressionantes sobre a eficácia da terapia alvo. No caso de um tipo específico de câncer avançado de pulmão, com mutações nos genes EGFR e ALK, por exemplo, antes da terapia alvo, os pacientes viviam entre 10 e 12 meses. Agora vivem entre quatro e cinco anos, segundo os mais recentes estudos apresentados em Chicago.

Essa estratégia de usar novas categorias de medicamentos para bloquear a função do tal motorzinho dentro da célula cancerígena, matando-a e impedindo sua proliferação, tem apresentado resultados animadores em pacientes em estado avançado da doença. “Se o esquema terá o mesmo resultado positivo em pacientes com estados iniciais, ainda não se sabe”, alerta o Dr. William.

O processo de aprendizagem sobre o comportamento das células cancerígenas é contínuo. O palestrante do “Tenho Câncer, e agora?” comenta ainda estudos que mostraram que, dependendo da doença, as células doentes se tornam resistentes à terapia alvo, o que complica ainda mais a busca pela cura ou o esforço para transformar uma doença incurável em doença crônica, portanto, tratável.

SERVIÇO

Tenho Câncer, e agora?

Data: 3 agosto

Horário: 8h às 13h30

Local: Hotel Pullman Vila Olímpia

R. Olimpíadas, 205 – Vila Olímpia, São Paulo – SP

Inscrições gratuitas, vagas limitadas: 0800 – 773-3241 ou 11 -3721-5317

Florestas na Amazônia pós-fogo demoram sete anos para recuperar funções

Florestas da Amazônia degradadas pelo fogo recuperam sua capacidade de bombear água para a atmosfera e absorver carbono em sete anos. Mas o que se perdeu de carbono não volta mais. As boas e as más notícias fazem parte de um novo estudo científico publicado por pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha na revista “Global Change Biology”.

Os cientistas analisaram dados de um experimento conduzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em uma fazenda em Mato Grosso. Nas áreas que passaram por queimadas controladas, as árvores grandes sobreviventes ao fogo sucumbiram rapidamente nos anos seguintes, porém mais fracas e vulneráveis a doenças e rajadas de vento, especialmente nas bordas da mata.

“Essas feridas na floresta podem deixar cicatrizes permanentes, com menos árvores e carbono”, explica o principal autor do artigo, o brasileiro Paulo Brando, do Ipam. Também nos anos seguintes a composição de espécies mudou, e gramíneas invadiram o local.

A partir do sétimo ano, os cientistas observaram uma mudança no quadro: aquela área retirava tanto carbono da atmosfera e jogava umidade no ar quanto antes do fogo. “Para se recuperar, as plantas trabalham muito rápido, tem muita fotossíntese, por isso tiram muito carbono do ar e transpiram bastante”, explica o pesquisador Michael Coe, do Instituto de Pesquisa de Woods Hole, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo. “Mas perdemos o carbono que estava estocado nas árvores mais antigas.”

O resultado mostra a importância de deixar áreas queimadas na Amazônia se recuperarem, o que ajuda a estabilizar o clima local – na região do estudo, sudeste da Amazônia, a estação seca é duas semanas mais longa do que 30 anos atrás. “Poucos estudos documentaram a recuperação da floresta após distúrbios múltiplos, o que ajuda a prever as trajetórias das funções florestais no futuro”, diz a cientista Susan Trumbore, do Instituto Max Planck de Biogeoquímica, coautora da pesquisa.

Brando destaca que é preciso acompanhar as áreas queimadas por mais tempo, para saber se elas vão se recuperar totalmente ou se a vegetação será um híbrido de floresta com gramíneas – o que, por sua vez, deixa a área mais suscetível a novos incêndios.

No Brasil, o fogo é um instrumento usado corriqueiramente para limpar terrenos, antes com floresta, plantio ou mesmo pasto. Na Amazônia, o fogo ocorre naturalmente em determinada área a cada 500 anos, no mínimo. Porém, hoje algumas regiões queimam anualmente ou com poucos anos de diferença devido à ação humana.

O desmatamento e as queimadas são a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil, o que intensifica as mudanças climáticas.

Foto: Repam (reprodução)

Represas andinas planejadas para Peru e Bolívia ameaçam ecossistema fluvial da Amazônia

Seis hidrelétricas planejadas para serem construídas nos maiores rios saindo das montanhas andinas no Peru e na Bolívia são consideradas a maior ameaça ao ecossistema fluvial amazônico. A conclusão é do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o biólogo com doutorado em ecologia Bruce Forsberg. O assunto foi debatido na estreia dos Seminários da Amazônia, que retornaram com nova roupagem após seis anos.

As montanhas andinas são fonte da maior parte de nutrientes e sedimentos que banham as várzeas dos rios da Amazônia, chegando até o final onde são depositados numa área chamada de delta, no final do rio Amazonas, desembocando no mar. Essas barragens novas ameaçam cortar esse fluxo.

Das seis hidrelétricas, quatro serão construídas no Peru (TAM 40, no rio Ucayali; Pongo de Aguirre, no Rio Huallaga; Pongo de Manseriche, no rio Maranon, e Inambari, no rio Inambari) e duas na Bolívia (Agosto Del Bala, no rio Beni; e Rositas, no rio Grande). Juntas devem produzir 10.000 megawatts e a maioria será construída em parceria com Brasil.

Impactos

De acordo com Forsberg, os impactos ambientais dessas hidrelétricas serão muito maiores no Brasil do que no Peru e Bolívia. “Esses reservatórios vão barrar o fluxo dos sedimentos e nutrientes Andinos, que sustentam a produção pesqueira e agrícola das várzeas, que alimenta nossos ribeirinhos”, afirmou Forsberg, que é especialista em ecossistemas fluviais.

Além da redução de quase 70% no fluxo de sedimentos e nutrientes que abastecem os rios da região e o delta do rio Amazonas, o pulso de inundação (subida e descida do nível do rio) será diminuído, causando impacto sobre a flora das várzeas e sobre os peixes que dependem dessa flora para sua alimentação e reprodução.

Outro impacto importante é sobre o mercúrio nos rios, com contaminação prevista acima e abaixo das novas barragens, especialmente no peixe que será consumido pelas populações nessas regiões. O mercúrio é um metal tóxico e pode trazer problemas de saúde quando encontrado em concentrações muito altas no organismo, comprometendo o sistema neurológico, podendo causar tremores nas mãos e dificuldade motora, causando até a morte em casos extremos.

Metilmercúrio

Segundo Forsberg, o mercúrio está presente naturalmente nos rios da Amazônia, que tem solos ricos com esse metal, porém está presente principalmente na forma inorgânica, apresentando pouco risco para os seres humanos. O garimpo de ouro também contribui para o mercúrio nos rios, mas não é a fonte predominante.

O mercúrio só apresenta riscos à saúde humana quando é transformado na forma orgânica, Metilmercúrio. Isso aconteça nos reservatórios quando a floresta da terra firme é alagada e entra em decomposição, tirando o oxigênio da água e promovendo a transformação do mercúrio inorgânico em metilmercúrio. “Uma vez formado, o metilmercúrio acumula na cadeia alimentar, contaminando o peixe e o povo que come esse peixe. Esse impacto é sentido tanto no reservatório quanto no rio à jusante”, explicou o pesquisador.

Esse problema foi verificado no reservatório de Balbina, em Presidente Figueiredo-AM, fechado em 1988. Durante os primeiros dez anos, os níveis de mercúrio no tucunaré e nos cabelos de mulheres que consumiam esse peixe aumentaram muito. O nível em cabelos chegou a um valor considerado perigoso para mulher grávida (7,5 partes por milhão – ppm), depois começou a cair (5 ppm, hoje), mas ainda não voltou ao nível original A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um valor máximo de 6 ppm de mercúrio em cabelos das mulheres lactantes.

As usinas hidrelétricas também vão aumentar as emissões regionais de gases de efeito estufa (CO2 e metano), que são contabilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e outras organizações globais.

Enfrentamento

Para enfrentar a situação, Forsberg sugere que os pesquisadores trabalhem em conjunto, de forma transdisciplinar, em colaborações transnacionais, envolvendo parceiros governamentais e não governamentais de todos os países envolvidos.

“Se queremos ter impacto, não adianta só fazermos nossas pesquisas, teses, artigos. Temos de levar essas informações para os governantes, para a sociedade, para criar consciência e ações efetivas sobre esses problemas”, disse Forsberg. “E vamos começar a falar sobre alternativas, outras matrizes, como a solar, que está com o custo por megawatt já quase chegando ao mesmo patamar do megawatt produzido por hidrelétrica”, ressaltou o pesquisador.

Segundo Forsberg, os projetos das hidrelétricas estão parados, especialmente por problemas de corrupção, mas a qualquer momento os governos e construtoras podem retomar os planos. O motivo é que os reservatórios estão previstos para serem construídos em “gargantas profundas”, em montanha com rio grande passando, que dá garantia de grande produção energética, porém com significativos impactos socioambientais que não foram levados em consideração.

Seminários

Realizado de 1976 a 2013, os Seminários da Amazônia voltam com a proposta de discutir temas de ponta da pesquisa científica do mundo e da Amazônia, com temas provocativos e que estimulam a discussão e o aprendizado.

Agora o tradicional evento científico do Inpa acontece quinzenalmente às quintas-feiras, às 15h, no Auditório da Biblioteca, na avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus. É gratuito e aberto à comunidade. A 2ª edição será no dia 25 de abril com o também palestrante da casa, o pesquisador Charles Clement, que falará sobre “Dez mil anos de domesticação da Amazônia”.

Promovido pela Coordenação de Extensão, os Seminários da Amazônia tem na liderança da Comissão Organizadora as pesquisadoras Rita Mesquita e Cristina Cox Fernandes.

Saiba mais

Artigo científico publicado na Plos One sobre o mesmo assunto da palestrado Dr. Bruce Forsberg pode ser acessado clicando aqui.

Foto: Cimone Barros/Inpa


Cheia do rio Negro este ano deve atingir entre 28,74 e 29,34 metros, segundo previsão do Inpa

A cheia do rio Negro para este ano, em Manaus, deverá alcançar um nível de 29,04 metros com uma margem de erro de 30 centímetros para cima ou para baixo (28,74 a 29,34 metros). A informação tem como base o modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro desenvolvido pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Jochen Schöngart, do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA). Pelo modelo, este ano haverá uma cheia que potencialmente causará problemas na cidade de Manaus e nas zonas rurais da região.

De acordo com o pesquisador, o modelo de previsão é uma ferramenta importante para se fazer previsões e evitar possíveis desastres com antecedência de três meses do pico da cheia, normalmente ocorrendo no mês de junho na região da Amazônia Central. “Isto permite que as autoridades tomem providências em casos de cheias severas previstas, tanto na zona urbana quanto na zona rural do Estado”, diz Schöngart.

A partir de 2012, Schöngart adotou uma nova metodologia que integra mais parâmetros independentes para fazer uma nova modelagem e mais “robustas estatisticamente”, reduzindo o erro médio da previsão para 30 centímetros para cima e para baixo. O pesquisador explica também que a nova modelagem de previsão de cheias utiliza uma série temporal longa de dados disponíveis a partir de 1951 até 1990, que foram utilizados para fazer a calibração do modelo, além de dados de 1991 até os dias de hoje para fazer a validação e testar se o modelo é capaz de prever cheias com antecedência de mais de três meses.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, o rio Negro, até o dia 15/03, estava com 1,30 metros acima do nível na mesma data marcando 25,81 metros. Porém, em comparação com os meses anteriores o rio encheu pouco neste mês de março, passando por um fenômeno chamado de repiquete nos últimos dias, que é a estagnação do nível das águas até uma pequena descida.

“Este fenômeno é acentuado em anos de El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial na região central-leste. Este ano, as anomalias de temperaturas das águas superficiais indicam a evolução de um El Niño fraco que geralmente afeta as cabeceiras das regiões do norte, central e leste da Bacia Amazônica”, explica Schöngart.

Pelo monitoramento das sub-bacias, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), os rios Negro e Branco possuem níveis da água abaixo das médias observados neste período, mas os rios Solimões e Madeira possuem níveis expressivamente altas para este período do ano. O Negro na região de Manaus atinge seu nível máximo geralmente na segunda quinzena de junho.

O pesquisador lembra que no Porto de Manaus há um registro excepcional de medições do nível da água que começaram em setembro de 1902. Trata-se de uma série histórica longa que abrange mais de 116 anos. Depois de uma série de cheias extremas, o modelo prevê novamente uma cheia acentuada acima da média das enchentes históricas.

Jochen Schöngart, pesquisador do Inpa: modelo de previsão pode evitar possíveis desastres

Tendência

Segundo Schöngart, tem-se observado nos últimos 30 anos a tendência de aumento de cheias que resultaram nas duas maiores cheias no registro de 2009 (29,77 metros) e 2012 (29,97 metros). Com as cheias nos anos subsequentes de 2013 (29,50 metros), 2014 (29,33 metros), 2015 (29,66 metros) e 2017 (29,00 metros) a região passou por seis cheias extremas durante os últimos dez anos. No período antes da década de 1970 somente nos anos de 1953, 1922 e 1909 foram registradas cheias severas passando o nível crítico de 29 metros. “Este aumento da frequência e magnitude de eventos extremos das cheias é resultado de uma intensificação das Células de Walker”, explica o pesquisador Schongart.

Esse sistema influencia padrões climáticos e pluviométricos principalmente em regiões tropicais movido pelas diferenças de temperaturas e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais, particularmente os oceanos Pacífico e Atlântico e como eles interagem. Devido ao forte aquecimento do oceano Atlântico e ao resfriamento do Pacífico no mesmo período a convecção e precipitação intensificou na Amazônia, principalmente nas regiões central e norte da bacia. O Pacífico mudou recentemente de uma fase fria para uma fase quente, porém a tendência de aquecimento do Atlântico tropical deverá continuar nos próximos anos.

“Sabe-se também que oscilações multidecadais (oscilações de baixa frequência que não mudam ano por ano e sim ao longo de décadas) também têm fortes influências no regime, como, por exemplo, a Oscilação Multidecadal do Atlântico que tem mais influência nas secas e a Oscilação Decadal do Pacífico que tem influência no regime de cheias.

A hidrologia da Amazônia é complexa pelas dimensões da maior hidrobacia do mundo com quase 20% da descarga de água doce para os oceanos. Os três grandes oceanos influenciam a convecção e precipitação na Amazônia pela variação ano por ano da temperatura nas superfícies, mas também pelas oscilações de baixa frequência ao longo de décadas. “Isto mostra a complexidade da hidrologia na Amazônia e a necessidade de sofisticar os modelos de previsão conforme que o nosso conhecimento sobre os fatores que influenciam a Amazônia e os mecanismos por trás disso avança”, destacou Schöngart.

Foto principal: Brasil.gov

Foto interna: Cimone Barros/Inpa

Inpa vai realizar em parceria maior soltura de peixes-bois da Amazônia no final de semana

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos no próximo fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri e a 173 quilômetros de Manaus. Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história. A ação, que inicia dia 22 e vai até dia 25 de março, é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, explica o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.

A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas.

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo, e acrescenta que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada de sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã de sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).

Foto: Luciete Pedrosa/acervo Inpa