Lacc lança carta aberta à sociedade com pedido de ajuda para a manutenção de projetos

A Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) assinou, por meio de sua diretoria, uma carta aberta à sociedade amazonense, com um pedido de ajuda para a manutenção de seus projetos sociais. A ONG, que atua no Amazonas  há 65 anos, está passando por dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia do novo coronavírus, que tem afetado instituições do terceiro setor, levando à queda na arrecadação. “Estamos correndo o risco de termos que suspender parcialmente alguns auxílios por falta de recursos, deixando vários pacientes sem o suporte que precisam para continuarem os tratamentos oncológicos”, explicou a presidente da entidade, Marília Muniz.

De acordo com ela, apesar de ser uma instituição sem fins lucrativos, a Lacc depende de doações para manter suas ações sociais, tais como a doação mensal de cestas básicas a pacientes de baixa renda que lutam contra o câncer, o custeio de aluguéis sociais, o transporte de pacientes à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) para a realização de tratamento de radioterapia e quimioterapia, o fornecimento diário de lanches às pessoas em tratamento hospitalar, o custeio de passagens terrestres e fluviais aos que moram no interior e em outros estados e estão em tratamento em Manaus e, finalmente, o suporte às ações assistenciais e de prevenção da FCecon.

“Cedemos um carro para auxiliar as equipes do Serviço de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos da FCecon, que atendem os pacientes FPTs (Fora de Possibilidade Terapêutica), em casa, fazendo o controle da dor e dando mais dignidade a essas pessoas que estão na fase final da vida”, ressaltou o vice-presidente da Lacc, médico mastologista Jesus Pinheiro.

Toda a diretoria da ONG é composta por voluntários que apoiam a causa e que, de alguma forma, ajudam a manter o projeto vivo. “A Lacc tem uma hospedaria em sua sede (rua Padre Manuel da Nóbrega, Dom Pedro, Manaus), pronta para receber pacientes em situação de vulnerabilidade social durante o período em que são submetidos à terapia. Mas, embora ela tenha sido inaugurada há alguns anos, ainda não foi ativada por falta de recursos. É muito triste saber que algumas pessoas abandonam o tratamento por não terem onde ficar quando vêm a Manaus”, frisou Pinheiro.

A Lacc trabalha com doações através de seu site (www.laccam.org.br), call center (92-2101 4900), depósitos ou transferências bancárias ( especificações: Liga Amazonense Contra o Câncer – LACC CNPJ: 04.499.182/0001-48 Banco: Bradesco / Agencia: 0482-0 / Conta Corrente: 691.017-3) e boleto bancário ( https://lacc.doaeacao.com.br ). 

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Novo antigripal considera diferenças regionais definidas com base em pesquisas

A campanha de lançamento do antigripal da Genomma Lab, Next, foi definida a partir de um estudo quantitativo de comportamento, crenças e hábitos, realizado pela IQVIA, para entender de que forma os consumidores lidam com a gripe em cada região do país. A maioria das pessoas entrevistadas, por exemplo, afirmou utilizar-se de outros métodos para o alívio dos sintomas, além da ingestão de um medicamento antigripal.

A empresa também encomendou uma pesquisa para o Climatempo, a fim de compreender o comportamento dos quadros virais em determinados meses do ano. Para isso, foram levantados elementos climatológicos como temperatura, precipitação, vento, umidade e pressão do ar, bem como suas variações rítmicas e sazonais, indicando como isso pode interferir no aumento da propagação do vírus de gripes, resfriados e de problemas respiratórios. Nesse estudo, entendeu-se que, em muitas regiões, a gripe está conectada a variação de temperatura mais do que com o inverno, as massas polares e o clima seco, em certas épocas, propiciam maior incidência de sintomas em cada região.

Já a pesquisa “U&A (Usage and Attitudes) Gripe e Resfriado”, conduzida pela IQVIA, utilizou uma amostra total de 783 pessoas que ingeriram medicamento para tratar os sintomas de gripe/resfriado nos últimos 12 meses, entre homens e mulheres de 18 a 64 anos, classes ABC, moradores das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em um quadro geral, a pesquisa demonstrou que a ocorrência de gripe e resfriados é relatada, em média, três vezes por ano e que 75% desses entrevistados, responderam que tomam muita água quando estão gripados, 60% relatam que costumam beber muito chá, 47% utilizam spray nasal e pastilhas para a garganta, 39% tomam mel, 33% ficam deitados e em repouso e 23% utilizam própolis. Importante reiterar que são hábitos sempre atrelados ao uso de algum medicamento. Na região Norte, 74% da população aumenta a ingestão de água e 47% revela tomar chás para ajudar a aplacar os sintomas. O comprimido é a melhor forma de medicação para 83% dos entrevistados. Em todas as regiões brasileiras, a maioria dos entrevistados se automedica, e caso o remédio não faça efeito, eles procuram por um médico.

Next é uma marca da Genomma Global e teve um lançado diferenciado, no Brasil, no dia 15 de abril, com exibições de uma versão de campanha nacional e dezesseis versões regionais, para cada uma das cidades listadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santos, São José dos Campos, Uberlândia, Salvador, Recife, João Pessoa, Teresina, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Belém, Manaus, Goiânia e Brasília. Cada um dos filmes de 30” regionais conta com apresentadores dos telejornais locais, que apontam as previsões do tempo e lembram de algumas ações e cuidados combinados para o combate à gripe.

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Coronavírus: gravidez na pandemia

Por Waldemar Carvalho*

Com o surto do novo coronavírus, mais conhecido como covid-19, os números de casos vêm crescendo exponencialmente. O que torna a compreensão dos modos de infecção e prevenção um desafio e aprendizado diário. São inúmeras as dúvidas que surgem ao decorrer dos dias e, muitas vezes, o clima que prevalece é de medo, principalmente para aquelas que estão gerando vidas: as gestantes.

Para a maioria delas, principalmente as mamães de primeira viagem, o nascimento do filho é um dos episódios mais emocionantes de suas vidas. Mas, o que fazer quando esse momento é acompanhado por uma pandemia mundial de um vírus altamente contagioso do qual ainda estamos em processo de estudo?

Diante de tal situação, é normal que muitas gestantes se sintam inseguras ou até com medo dos próximos passos. Muitas me perguntam qual a influência do Covid-19 durante a gravidez e até mesmo depois dela, desde o pós-parto até o estabelecimento de laços, como começar a amamentar.

A resposta é simples e um tanto tranquilizadora. Por enquanto, pouco se sabe acerca do impacto dessa infecção, mas há relatos de mães testadas positivo que geraram seus bebês livres do vírus. Existem estudos em andamento que analisam o impacto direto do coronavírus na gravidez, mas não há precisão de dados que comprovam se a covid-19 dificulta ou não a gravidez, bem como se interfere no desenvolvimento e saúde do feto ou após nascimento do bebê. Ou seja, ainda não há evidências que as gestantes correm mais riscos de contrair o vírus do que a população em geral.

Posso apontar um exemplo sobre isso. Uma pesquisa realizada durante os dias 13 a 25 de março, pelo Centro de Medicina da Universidade de Columbia, em Nova York, EUA, revelou que, entre 43 grávidas que participaram do estudo, 37 (86%) possuíam sintomas leves, quatro (9,3) sintomas graves e duas (4,7) apresentaram quadro crítico. Também não foram detectados casos confirmados em neonatos após teste inicial no primeiro dia de vida.

Entretanto, todo cuidado é pouco. Costumo dizer que gestantes e até as purpéras – mulheres que deram a luz recentemente – fazem parte de “grupos de riscos”, até porque a condição da gravidez – e até mesmo depois do parto – exige uma série de cuidados em relação a não-gestante, por exemplo, que, quando não seguidos, pode acarretar diretamente na imunidade da mulher, podendo gerar problemas de saúde. E com o coronavírus a situação não é diferente: é preciso redobrar esses cuidados comuns da gravidez e seguir rigorosamente as medidas de segurança preconizadas pelo Ministério da Saúde em relação à pandemia.

Os órgãos institucionais de reprodução humana e obstetrícia reforçam as medidas básicas de prevenção divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A principal orientação é manter o isolamento social, saindo apenas em casos de urgências. Atualmente, a gestante pode recorrer a recursos tecnológicos para manter contato com o seu obstetra, inclusive para consultas, como a videoconferência. Nos casos de necessidade de exames de rotina, há laboratórios que disponibilizam o serviço em home care. Além disso, se houver a necessidade de exames como ultrassonografia, por exemplo, pode ser alinhado com o obstetra a possibilidade de postergar ou as orientações necessárias para ir até uma clínica realiza-lo. Minha orientação é analisar caso a caso, sempre em comum acordo entre médico e
paciente.

 Além disso, redobrar as medidas de precaução que são divulgadas pela mídia. É extremamente importante manter a higienização das mãos, preferencialmente com água e sabão, e se achar necessário, usar o álcool em gel. Em casos de contatos externos, também é importante o uso da máscara, tanto pela mãe quanto para outros familiares, para proteção do bebê.

Para o período de amamentação, as mães também podem ficar tranquilas. Podem amamentar normalmente, pois também não comprovação de que esse vírus pode ser transmitido pelo leite materno. De qualquer modo, é preciso cumprir as regras de higiene e entender que nesse momento o isolamento social é fundamental.

Mesmo para as gestantes que estão na reta final, não é preciso ter ansiedade ou mudar os planos do parto. O importante ainda é que o bebê nasça no seu tempo e que os pais entendem que esse ritual do nascimento, que é muito social, nesse momento precisará ser mais íntimo para preservar a saúde da família, mas que logo todos poderão celebrar essa nova vida.

*Waldemar Carvalho é ginecologista e obstetra da Clínica Tempo Fértil, especializado em reprodução humana no Portland Fertility Center de Londres, Inglaterra É referência em reprodução humana assistida, preservação da fertilidade feminina e planejamento reprodutivo.

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Festival AmazôniaS Online será transmitido neste final de semana

O Festival AmazôniaS Online chega neste fim de semana, de 17 a 19 de abril para pensar possibilidades de resistência e de vida em tempos de pandemia. Esse intercâmbio entre ativistas e artistas do Norte do país e de São Paulo trará rodas de conversa, shows e exibição de filmes, com transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Com a presença de lideranças indígenas e quilombolas, músicos e cineastas, o evento se inicia na sexta-feira, às 22h, em parceria com a Greve Mundial pelo Clima, com a Festa do Clima, uma celebração à vida através da música com o músico produtor Daniel Ganjaman como o DJ da noite.

No sábado, a programação começa Ailton Krenak falando sobre suas ideias para adiar o fim do mundo, às 15h. A programação segue com Tati dos Santos, Nega Lu, Marlena Soares, Áurea Sena e Thalita Silva, mulheres negras e quilombolas da Amazônia que fazem uma roda de conversa às 17h. E o dia termina com um bate papo entre as artistas Uýra Sodoma e Roberta Carvalho comentando os ativismos entre Manaus e São Paulo e as performances no isolamento, às 19h.

No domingo, dia 19, haverá a exibição dos documentários do cineasta André D’Elia sobre o acampamento Terra Livre, seguido por uma conversa ao vivo entre ele e Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), às 15h. Logo após, às 17h, Matsipaya Waura Txucarramãe, Kayapó neto do Cacique Raoni, conversa com sua mãe, Kamiha, pajé e grande conhecedora das medicinas tradicionais, e sua irmã Mayalu, que trabalha hoje na Saúde Indígena, sobre os desafios e a resistência indígena em tempos de coronavírus.

O evento termina às 19h, com um show ao vivo das cantoras Tulipa Ruiz e Anelis Assumpção, mostrando como a arte é também uma ferramenta essencial para lidarmos com esses novos tempos.

O evento é realizado pelo Engajamundo, Escola de Ativismo, Greenpeace, Goethe-Institut e Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo. A edição física do festival, que era prevista para ocorrer de 17 a 21 de abril, segue nos planos, com nova data sendo anunciada o mais breve possível.

Saiba mais pelo perfil @festivalamazonias (Facebook e Instagram).

Programação completa do festival que começará na sexta-feira, dia 17 de abril

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Como ficam as contribuições do empregado ao INSS durante a quarentena do covid-19?

Por Vinícius Pacheco Fluminhan

Com a entrada em vigor da Medida Provisória 936/20, muitos empregados terão suas atividades profissionais diminuídas ou suspensas por determinação de seus empregadores. Embora o momento seja de revisão do orçamento doméstico e diminuição de gastos, existe uma questão previdenciária que merece cuidado. Esses trabalhadores não terão o INSS recolhido pelas empresas ou o terão apenas parcialmente. Será que todos estão cientes disso?

Os empregados das empresas que optaram (ou vão optar) pela suspensão dos contratos de trabalho receberão do Governo Federal, o denominado Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEPER), que muito se assemelha ao conhecido Seguro-Desemprego. A suspensão poderá durar até 60 dias e neste período não haverá pagamento de salários. Portanto, não haverá recolhimento ao INSS. Mesmo para as empresas de maior porte, que deverão obrigatoriamente pagar aos empregados a ajuda compensatória equivalente a 30% do salário, também não haverá recolhimento sobre tais valores. Em suma, muita gente vai ficar sem contribuição ao INSS por dois meses.

Para os empregados que tiverem acordo de redução da jornada e do salário em 25%, 50% ou 75%, a situação não é muito diferente. Eles receberão o BEPER por até 90 dias e isso pode gerar impacto nos recolhimentos ao INSS se o valor do salário, após o acordo, ficar abaixo do salário mínimo. Mesmo que a empresa pague espontaneamente a ajuda compensatória, sobre tal valor não haverá recolhimento previdenciário. Assim, nesses meses o recolhimento da empresa ao INSS poderá ficar abaixo do piso (salário mínimo).

Daí a pergunta: somente dois ou três meses de INSS fazem muita diferença para o trabalhador? Sim. Esse curto período pode ser o prazo necessário para que se complete a carência para um benefício no futuro. Pode ser essencial para se atingir um percentual maior de aposentadoria quando ela for concedida. E pode também ser motivo de antecipação da aposentadoria quando o trabalhador mais precisar dela. Além disso, quem não comprova o recolhimento mensal pelo menos no piso (salário mínimo) não pode contar esse período para efeito de aposentadoria ou carência para outros benefícios.

Então o que deve fazer o empregado que está (ou estará em breve) com o contrato suspenso? Para ele, o Governo Federal autorizou recolhimentos pessoais ao INSS. Basta preencher a Guia da Previdência Social (GPS), disponível no site www.inss.gov.br, e utilizar o código 1406 para pagar a alíquota de 20%, ou código 1473 para pagar a alíquota reduzida de 11%. A alíquota reduzida só pode ser adotada por aqueles trabalhadores que abriram mão do direito à aposentadoria por tempo de contribuição. No primeiro caso, a base de cálculo é de livre escolha do trabalhador, desde que respeite o piso de R$ 1.045,00 e o teto de R$ 6.101,06. No segundo caso, a base de cálculo é sempre o salário mínimo.

E o que deve fazer o empregado que teve acordo de redução de salário e vai receber menos do que o mínimo (R$ 1.045,00)? Ele deve recolher a diferença para evitar surpresas desagradáveis no futuro. Como o complemento já é uma realidade para o empregado intermitente, que utiliza o código 1872, esse deve ser o caminho para o recolhimento da diferença. Neste caso, atenção! Não se recolhe uma GPS para pagar a diferença ao INSS, mas sim uma DARF, que pode ser obtida facilmente no site da Receita Federal (www.receita.economia.gov.br).

Por fim, um aviso importante. De acordo com a legislação em vigor (Lei 8.212/91 e Lei 8.213/91) não haverá espaço para arrependimento futuro se os trabalhadores com contrato suspenso optarem por não fazer esses recolhimentos agora. Para eles vale a regra que sempre foi aplicada aos segurados facultativos: não existe possibilidade de recolhimento retroativo. Por isso, é sempre bom lembrar o velho ditado: é melhor prevenir do que remediar, especialmente em se tratando de previdência.

Vinícius Pacheco Fluminhan é doutor em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pela Université Paris-Nanterre e professor de Direito Previdenciário da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Suporte psicológico ajuda profissionais da enfermagem no enfrentamento à pandemia de covid-19

Com a proposta de fornecer apoio psicológico durante o período de pandemia do novo coronavírus, a Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas), criou um canal de diálogo com seus colaboradores – em sua maioria, profissionais da enfermagem -, para trabalhar o controle da ansiedade durante o exercício da profissão e também no pós-plantão. A psicóloga Francivânia Vieira, gerente do Núcleo de Educação Permanente da instituição, explica que a metodologia inclui o envio de material didático, dinâmicas e atendimento presencial, caso necessário.

O grupo é coordenado por ela e pela psicóloga Quézia Freitas, que atua no Ambulatório de Egressos da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). De acordo com Francivânia, a medida foi adotada considerando a carga de estresse obtida por esses profissionais, que estão na linha de frente do combate à covid-19, cuja disseminação segue acelerada em vários países, inclusive no Brasil, conforme dados de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A metodologia segue protocolos de psicologia e o Código de Ética da categoria e inclui recomendações como: procurar um lugar mais calmo, se possível, para alguns minutos de reflexão durante o dia; praticar exercícios respiratórios – principalmente ao acordar e na hora de dormir; buscar dialogar quando se sentir ansioso e utilizar a tecnologia a seu favor para não se sentir só, mantendo, assim, um contato permanente com o mundo externo (o uso de videochamadas é um exemplo neste último caso).

“Sabemos que não é fácil encarar uma pandemia. O trabalho desses profissionais tem sido essencial para salvar centenas de vidas no nosso Estado e eles merecem um tratamento especial, com todo o apoio necessário. Mas também sabemos que, ao sair do plantão, muitos deles sentem dificuldade em se desligar da realidade hospitalar. Tentamos ajudar ouvindo as experiências dessas pessoas, pois o equilíbrio psicológico é essencial para que elas não adoeçam e mantenham-se firmes nessa missão assistencial”, destacou.

O acesso ao serviço de atendimento criado pela Segeam se dá através dos coordenadores das equipes de cada unidade de saúde onde os colaboradores atuam, a exemplo de prontos-socorros e maternidades públicas.

Protetor facial

Fracivânia explica que a Segeam tem adotado outras medidas de suporte ao controle da disseminação do coronavírus e proteção de seus colaboradores. Um exemplo é a aquisição de mil protetores faciais, que estão sendo entregues, desde a semana passada, aos profissionais de enfermagem contratados pela empresa, durante seus plantões.

Os EPIs (equipamentos de proteção individual), denominados ‘Face Shield’, impedem, por exemplo, que haja a contaminação de enfermeiros por gotículas de saliva que sejam eventualmente expelidas por pessoas com covid-19.

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Coronavírus e poluição do ar podem ser combinação perigosa

Os dois principais fatores que elevam os riscos de óbito em pacientes infectados pelo novo coronavírus são ter mais de 60 anos e ter o sistema imunológico enfraquecido. A poluição do ar tem influência sobre esse segundo fator. “Quem mora numa área poluída tem os pulmões comprometidos da mesma forma que alguém que fuma. Isso também torna a pessoa mais suscetível ao coronavírus”, adverte o epidemiologista Kofi Amegah, especialista em poluição atmosférica da Universidade de Cape Coast, em Gana.

A poluição do ar, que provoca mais de 7 milhões de mortes por ano, pode tornar a covid-19 mais mortal por piorar doenças crônicas que deixam os pacientes fracos diante de uma infecção por Sars-Cov-2. A Aliança Europeia de Saúde Pública afirmou que a poluição do ar provavelmente reduz as chances de sobrevivência de uma pessoa infectada.

Pesquisas sobre surtos anteriores sugerem que o ar poluído torna os vírus mais perigosos e faz com que eles se espalhem mais. Um estudo realizado com as vítimas do Sars-Cov-1, o coronavírus que causou um surto em 2003, revelou que os pacientes tinham duas vezes mais riscos de morrer em regiões onde os níveis de poluição do ar eram mais altos. Mesmo em regiões com poluição moderada, o risco ainda era 84% maior.

Se existir uma dinâmica semelhante para a covid-19, isso poderá aumentar a pressão em UTIs de hospitais de grandes cidades em todo o mundo. Também poderia significar mais riscos para as populações mais pobres, que muitas vezes queimam madeira, esterco, querosene ou carvão em ambientes fechados para cozinhar e aquecer suas casas.

Inimigo silencioso

Na cidade chinesa de Wuhan e no norte da Itália, locais com altos níveis de poluição e infecção pelo novo coronavírus, dados preliminares sugerem que o chamado material particulado pode ter influenciado na sobrecarga dos sistemas de saúde.

As partículas inaláveis finas (MP2,5), ou seja, aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor ou igual a 2,5 µm – mais fino que a espessura de um fio de cabelo – podem penetrar profundamente no sistema respiratório e atingir os alvéolos pulmonares, aumentando o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas e respiratórias.

A taxa de mortalidade por covid-19 na China foi nove vezes maior para pessoas com doenças cardiovasculares e seis vezes maior para pacientes com diabete, hipertensão e doenças respiratórias do que para pessoas sem problemas de saúde, afirma um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em parceria com a China no mês de fevereiro.

Na Itália, as autoridades de saúde relataram em março que 99% de uma amostra de pacientes que faleceram por covid-19 apresentava uma doença pré-existente, e quase metade das vítimas sofria de três ou mais doenças. Porém, o relatório não apresenta rigor estatístico sobre a população. Entre as doenças mais comuns estavam pressão alta, doenças cardíacas e diabete.

A OMS afirma que a pandemia ainda é muito recente para que se possa estabelecer uma ligação entre a poluição do ar e a mortalidade por Sars-Cov-2, mas isso não deve impedir os países de agir. “Haja ou não essa correlação entre a covid-19 e o ar poluído, precisamos reduzir a poluição do ar”, diz Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS. “Parar de fumar e reduzir os níveis de poluição do ar são recomendações que podemos dar, mesmo sem termos mais evidências da relação entre eles e o novo coronavírus”.

Juntamente com a destruição da camada de ozônio, as partículas finas MP2,5 diminuem a expectativa de vida em quase três anos, segundo um estudo publicado mês passado pela revista Cardiovascular Research, da Universidade de Oxford. No mundo, o número de óbitos devido à poluição do ar é dez vezes maior do que a de todas as formas de violência juntas.

Além disso, cerca de nove em cada dez mortes prematuras causadas pela poluição do ar – incluindo gases tóxicos, como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre – atingem populações de países emergentes ou subemergentes. Mesmo em cidades ricas da Europa e da América do Norte, minorias e populações marginalizadas tendem a respirar um ar mais poluído.

Na África Subsaariana, as mulheres são as mais expostas a poluentes em ambientes fechados. “O sistema pulmonar dessas mulheres está comprometido”, afirma Amegah, e acrescenta que, se a covid-19 se espalhar pela região, elas estarão muito vulneráveis. “Nós oramos e mantemos os dedos cruzados para não ver os níveis de infecção que estamos vendo em outros países.”

Propagação da doença

Além de enfraquecer o sistema imunológico, os poluentes transportados pelo ar poderiam até mesmo atuar como portadores do novo coronavírus, permitindo que ele sobreviva ligado às partículas poluentes, sugere uma equipe de pesquisadores italianos.

Altas concentrações de material particulado em algumas regiões do norte da Itália poderiam ter “impulsionado” a propagação da pandemia, de acordo com a Sociedade Italiana de Medicina Ambiental num documento publicado e ainda não revisado (preprint). Mas outros cientistas levantam dúvidas sobre isso, apontando que o ser humano é o principal vetor de transmissão e que não há casos relatados de disseminação do novo coronavírus pelo ar.

“É bom reduzir a poluição do ar para melhorar a saúde, ou para ajudar a diminuir o risco de que doenças pré-existentes, como a asma, sejam agravadas, mas não vejo a poluição do ar como uma parte importante da discussão sobre a contenção do vírus”, afirma o cientista Jos Lelieveld, diretor do Instituto Max Planck de Química em Mainz, na Alemanha, e autor de um estudo sobre mortes devido à poluição do ar.

Quarentena reduz poluição em São Paulo

Além disso, à medida que os casos de covid-19 aumentam exponencialmente em todo o mundo, as ações de isolamento para impedir a disseminação do vírus reduzem os níveis de poluição nas cidades. Os bloqueios e as medidas de isolamento fecharam fábricas e diminuíram o tráfego aéreo e nas estradas – o que levou a uma diminuição no uso de combustíveis fósseis.

Imagens de satélite da China e da Itália mostram quedas drásticas na concentração de dióxido de nitrogênio  – um gás tóxico que inflama as vias aéreas – à medida que fábricas foram sendo fechadas e o tráfego de automóveis diminuiu drasticamente.

A redução dos níveis de poluição do ar na China pode ter salvado mais vidas do que seriam perdidas com a covid-19, sugere um estudo ainda não revisado, embora essa comparação não leve em consideração as vidas que teriam sido perdidas caso o novo coronavírus tivesse se espalhado sem controle pelo país.

A diminuição dos níveis de poluição atmosférica vista do espaço não pode ser atribuída apenas aos bloqueios e medidas de isolamento. A poluição do ar é mais alta nos meses mais frios porque as pessoas usam mais os aquecedores e se locomovem de carro com mais frequência, por isso ela tende a cair com o aumento das temperaturas, nesta época do ano, explica Christian Retscher, da Agência Espacial Europeia.

“Certamente vemos um efeito da pandemia na queda dos níveis de dióxido de nitrogênio. É um efeito adicional, pois não sabemos os números exatos”, comenta. Embora as medidas de isolamento tenham ajudado a melhorar a qualidade do ar, não se sabe por quanto tempo os níveis de poluição vão se manter baixos.

“Quando a crise passar, e vemos isso na China, há uma tendência de compensar as semanas e os meses perdidos”, diz Zoltan Massay-Kosubek, especialista em políticas de qualidade do ar e transporte sustentável da Aliança Europeia de Saúde Pública.

No entanto, tudo isso prova que é possível reduzir a poluição do ar, o que
salva vidas, afirma Maria Neira, da OMS. “Agora precisamos manter isso – não o confinamento, mas a redução dos níveis de poluição do ar.”

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Maus hábitos durante o isolamento social podem causar problemas sérios

Quem ainda não se adequou à nova rotina de ficar em casa por conta do isolamento social precisa rever desde já os próprios hábitos. “Sabemos que, nesse período, é muito comum desregular os cuidados com a alimentação, saúde mental, sono e ficar mais sedentário, mas é necessário agir, porque esse conjunto de maus hábitos pode interferir negativamente na saúde como um todo”, afirma a médica ginecologista doutora Ana Carolina Lúcio Pereira, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Conforme médicos de várias especialidades, diversos problemas podem acontecer quando os maus hábitos se tornam rotina no período de isolamento social.

Dormir pouco

O sono irregular pode acarretar envelhecimento precoce, acne, queda capilar, acúmulo de gordura, doenças cardiovasculares e piora no sistema imune.

O sono é uma parte importante dos cuidados com a saúde. Durante o sono, o corpo entra em um modo regenerativo e construtivo. “O ideal é entre sete a oito horas de sono e de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade”, diz a doutora Aline Lamaita, cirurgiã vascular e angiologista, membro do Colégio Americano de Medicina do Estilo de Vida.

Para o doutor Mário Farinazzo, membro titular da Socie dade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico voluntário no atendimento a casos suspeitos de Covid-19 no Hospital São Paulo, no caso do sono a qualidade é crucial para um descanso real. “Esse período, quando realmente satisfatório, é reparador e extremamente importante para o funcionamento do sistema imunológico”, justifica.

“É comum o aparecimento de problemas de pele e até mesmo a aceleração do envelhecimento por conta de problemas como a insônia ou má qualidade do sono”, observa o dermatologista Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Isso acontece porque é no momento do sono que as células são renovadas e os radicais livres eliminados”, acrescenta o doutor Mário Farinazzo.

“Assistir à televisão não é uma maneira eficiente de relaxar antes de dormir. Especialmente porque, frequentemente, o que estamos vendo nas notícias ou algo que pode nos causar insônia ou estresse, mesmo antes de dormir, quando estamos tentando desacelerar e relaxar”, diz a médica Ana Carolina Lúcio Pereira, da Febrasgo.

O que fazer? “Tente dormir fazendo algum tipo de leitura ou meditação, principalmente próximo ao horário convencional que você dormia antes do isolamento social”, diz o doutor Mário. Outros rituais que podem ajudar são tomar um banho, acender uma vela e usar produtos e hidratantes faciais com aromas calmantes, como lavanda e sândalo. “Aproveite também para cuidar da pele, faça massagens no seu rosto ao aplicar um creme. Use máscaras e durante o período de ação do produto, esqueça os dispositivos eletrônicos”, acrescenta o doutor Jardis Volpe.

Compulsão alimentar

O abuso de “junk foods” pode causar acúmulo de gordura, envelhecimento precoce, acne e aumento de oleosidade, trombose e problemas de circulação e no fígado, pois qualquer alimento que cause inflamação e liberação de radicais livres são danosos para o nosso corpo em geral e para a pele, de acordo com o cirurgião plástico Mário Farinazzo. “Os mais comuns são os carboidratos de menor valor glicêmico como açúcares, massas de farinha branca e alimentos com gordura saturada como as frituras”, afirma Farinazzo.

Com relação ao açúcar, às vezes ele vem escondido na lista de ingredientes com outros nomes: sacarose, frutose, glicose, maltodextrina, açúcar invertido, glucose ou xarope de milho, dextrose, maltose, açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, oligossacarídeos, xarope glucose-frutose e outros carboidratos simples. “Todos são açúcares e não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas ao dia”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora da Associação Brasileira de Nutrologia. “Ou seja, além de virar reserva (acúmulo de gordura), o açúcar excedente pode se ligar e degradar proteínas de sustentação da pele, em um processo conhecido como glicação. Isso acelera o surgimento de rugas e flacidez”, acrescenta a dermatologista Claudia Marçal, membro da SBD.

Os alimentos industrializados também devem ser evitados: “A questão é que quanto mais processado é o alimento, mais ele perde seu valor nutricional, perde vitaminas durante esse processamento e geralmente esses alimentos muito processados têm muitos aditivos, conservantes, esse tipo de coisa que não faz bem para saúde e aumenta o processo inflamatório no corpo”, afirma a doutora Aline Lamaita. O excesso de sódio também está na lista de ingredientes que podem piorar a circulação, então é recomendado tomar cuidado com esse sal escondido nos alimentos, principalmente os industrializados (até suco de caixinha tem).

Comer saudavelmente é uma das melhores maneiras de ajudar a sua saúde. “A alimentação possui um papel fundamental na manutenção e fortalecimento do organismo, pois é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas, inclusive as imunológicas”, afirma a nutróloga Marcella Garcez. A médica recomenda incluir na dieta alimentos com vitamina A (cenoura e abóbora), vitamina C (kiwi e laranja), vitamina B6 (aveia e banana), vitamina E (carnes e ovos), selênio (arroz integral e castanha do pará) e zinco (frango e grãos integrais). “Fuja dos doces, dos carboidratos e dos laticínios em excesso. Aposte nos grãos integrais”, orienta a dermatologista Claudia Marçal. “Quando já percebemos que o paciente tem um quadro de glicação, indicamos substâncias orais como Glycoxil, que tem ação antioxidante eficiente e impede a ligação desse açúcar excedente com as proteínas de sustentação da pele”, acrescenta. Alguns suplementos como Desmovit podem ser interessantes para “limpar” o fígado.

Estresse e ansiedade

Passar por estresse e ansiedade pode causar rugas, acne, queda capilar e acúmulo de gordura, pois o distanciamento social representa um desafio à saúde mental, pois isola as pessoas que podem se sentir solitárias quando separadas da família e dos amigos. Além disso, as incertezas com o futuro podem estar arruinando a saúde mental das pessoas. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Além disso, sabemos que hormônios como cortisol tem influência no acúmulo de gordura abdominal”, completa o médico.

Além disso, temos a queda de cabelo por estresse que é motivada por um evento traumático (por exemplo, morte de um ente querido ou divórcio) ou problemas emocionais mais constantes. “Estima-se que o aumento do cortisol (hormônio do estresse) por um longo período de tempo esteja especialmente envolvido nesse processo, uma vez que ele aumenta quadros de inflamação que dificultam o crescimento dos fios. Além de tratar a queda capilar, nesse caso é indicado também procurar ajuda psicológica para lidar melhor com o fator desencadeante do estresse”, afirma a dermatologista Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

As dicas para resolver esses problemas são simples. “Essa é uma boa hora também para entrar em contato consigo mesmo, fazer coisas que gosta, cuidar da aparência… Pratique meditação, mindfullness. Para quem está em casa fazendo home office, a cada 60 ou 90 minutos de trabalho, pare 15 minutos para respirar, tomar um café, ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de recuperação é extremamente importante para manejo de estresse”, afirma Aline Lamaita.

“Para quem está fazendo home office, durante o trabalho é normal e muito bom usar bastante o cérebro. Quanto mais problemas a resolver, melhor para os neurônios. Mas assim que ‘sair’ do trabalho, é necessário detox para esses neurônios”, aconselha a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. “Use esse tempo de sobra que estamos tendo durante a quarentena para coisas que você queria fazer antes e não conseguia ou não teve atitude de começar. Cozinhe, comece algum projeto, leia um livro, faça exercícios, brinque com seu filho. Procure criar objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez. “Nos casos em que isso causa queda capilar, indicamos a suplementação do Exsynutriment, um silício orgânico biodisponível que fortalece os fios, conjuntamente com um pool de vitaminas”, acrescenta a doutora Claudia.

Bebidas alcoólicas e água

O consumo de bebida alcoólica e a baixa ingestão de água podem resultar em envelhecimento precoce, ressecamento da pele, problemas no fígado e de circulação. “Entre outros problemas, o álcool desidrata, porque o organismo precisa de grande quantidade de água para metabolizá-lo, além de sobrecarregar o fígado, tudo o que não precisamos nesse momento. Se não houver água suficiente, o organismo vai buscá-la em órgãos periféricos, caso da pele, diminuindo o viço e colaborando para o ressecamento e a descamação”, afirma a doutora Marcella.

“O álcool aumenta a perda de água no corpo e causa desidratação da pele
(e dependendo da bebida, você terá que beber água demais para balancear
isso). Essa desidratação constante da pele a deixa mais suscetível aos agressores que causam envelhecimento”, diz o doutor Paolo. Além disso, a doutora Marcella lembra que é essencial que as quantidades adequadas de líquidos sejam ingeridas durante a quarentena, pois mudanças de estações climáticas podem causar ressecamento da pele e mucosas, além de propiciar alergias e estados gripais. “Quanto menor a ingestão de água, maior a viscosidade do sangue. Além disso, a desidratação favorece a queda da pressão arterial, ameaçando vários órgãos. O consumo adequado de água garante que o organismo seja irrigado e bem nutrido de sangue”, afirma a angiologista Aline Lamaita.

Para manter a hidratação da pele a melhor opção é sempre a água, mas existem outras bebidas saudáveis. “Variações de águas, como a água com gás, as águas saborizadas, a água de coco e os chás são ótimas pedidas. Sucos naturais e não coados, cafés e outros líquidos, desde que não adoçados com açúcar, também podem ser consumidos, mas com moderação”, indica Marcella.

Sedentarismo

Uma vida sedentária pode acarretar acúmulo de gordura, trombose e problemas de circulação, estando diretamente ligada a um risco maior de obesidade e outras comorbidades. “A atividade física é importante para manter o sistema imunológico em dia, pois quando nos exercitamos, temos uma produção maior de linfócitos que são as células de defesa para combater o vírus”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo.

Além de toda a preocupação com a saúde imunológica, outro ponto a ser analisado é a questão da relação entre sedentarismo e trombose. “Em um período de quarentena e isolamento social, a tendência é que as pessoas fiquem em casa, assistam mais TV, comam besteiras e tornem-se mais sedentárias”, explica a angiologista Aline Lamaita. “E aí mora o perigo, já que isso favorece o surgimento de trombose, uma condição que ocorre quando um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo, assim, a passagem do sangue. Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode até resultar em morte”, explica a médica.  

Para evitar, isso, de acordo com a doutora Beatriz Lassance, é importante manter-se ativo em casa, pois o exercício físico, quando praticado de forma regular traz uma série de benefícios para a saúde, inclusive para a pele. “A atividade física (incluindo exercícios aeróbicos, musculação e alongamentos) é importante em diversos aspectos”, justifica.

“Além disso, manter-se ativo traz benefícios na melhora da disposição, humor, perda de peso e saúde cardiovascular”, diz a médica ginecologista Ana Carolina Lúcio Pereira. Há vários aplicativos na internet que disponibilizam treinos funcionais para fazer em casa, mas você também pode abusar da criatividade. “Exercícios para bíceps, tríceps e ombros podem ser feitos com instrumentos como um recurso de carga, usando até saco de arroz e saco de feijão. Para o tronco dá para fazer abdominal e as pranchas isométricas para fortalecer o core, musculatura profunda do abdômen que atua de forma muito importante na estabilização do quadril e da lombar”, afirma o doutor Mário. “A parte aeróbica pode ser feita com polichinelo, corda, corrida estática ou então um degrau de escada simulando um estepe subindo e descendo. Para quem já faz com mais regularidade exercício pode pular corda, fazer flexão de braço, barra física, mergulho no banco e agachamento”, acrescenta o cirurgião. A recomendação é de pelo menos 30 minutos de exercício. Para crianças, o recomendado é que elas façam atividades mais leves, correndo, pulando e dançando, por pelo menos uma hora por dia de atividades, porque elas precisam se movimentar mais.

Fotos: reprodução

Presença de sangue no esperma pode ser causada por infecção na próstata, alerta urologista

Denominada hemospermia, a presença de sangue no esperma ejaculado pode acometer homens de idades variadas. Como na maioria das vezes ocorre sem sintomas, o alerta vem, geralmente, quando se nota a mudança da coloração do esperma, após a atividade sexual, que pode ir de rosa claro ao vermelho ou marrom, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo. Pelo menos 2% dos relatos urológicos estão ligados à alteração, mas especialistas acreditam que esse número é maior, já que muitos casos são sub-notificados.

De acordo com ele, grande parte dos homens com a alteração, continua tendo uma vida sexual normal até que algum sintoma decorrente da piora do caso passe a aparecer. “Mas, mesmo com algum sintoma evidente, como desconforto, por exemplo, muitos homens deixam de procurar ajuda por vergonha ou timidez”, frisou o médico.

Entre as mais comuns infecções/inflamações da próstata, está a prostatite, causada por bactérias do intestino capazes de contaminar áreas próximas. A hiperplasia benigna de próstata, caracterizada pelo crescimento da glândula, também pode contribuir para a hemospermia. Os ductos ejaculatórios também podem ser a causa do sangramento, em casos de processos inflamatórios.

A próstata é uma glândula que faz parte do aparelho genital masculino e está localizada perto da bexiga do homem. Sua principal função é armazenar um líquido que, junto aos espermatozóides, formam o sêmen.

Giuseppe Figliuolo explica que quanto mais agravado o caso, maior pode ser o sangramento que é eliminado junto ao esperma. No início, os sintomas inexistem, mas se não tratada a tempo, pode levar a dores, febre, calafrios, urina turva, mal estar, entre outros.

Outra causa provável da hemospermia pode ser uma complicação pós-cirúrgica. Os procedimentos cirúrgicos para o tratamento da próstata, por exemplo, estão inseridos nesse contexto, destaca Figliuolo.  

O diagnóstico, geralmente, é feito através de avaliação clínica e pode ter indicação de exames como o espermograma, urina e urocultura. “Em alguns casos, necessita-se de avaliações mais aprofundadas, com exames complementares como ressonância magnética da próstata, cistoscopia ou biópsia (retirada de fragmento para análise patológica)”, disse o especialista.

O tratamento é conservador, com a utilização de medicamentos, inibidores de crescimento prostático, entre outros. 

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Homens fazem menos exames que mulheres, aponta Ministério da Saúde

As campanhas de conscientização dedicadas às mulheres e aos homens se tornaram eventos oficiais nos calendários de saúde. A divulgação das ações traz à tona o questionamento: por que os homens se cuidam menos que as mulheres? Essa falta de cuidado reflete nos números. Elas vivem mais do que eles em quase todas as partes do mundo – e tem sido assim nos últimos 100 anos. No Brasil, a expectativa de vida dos homens é de 72,8 anos em 2018, enquanto a das mulheres é de 79,9 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a violência seja um dos fatores que justifique essa diferença, a falta de cuidado com a saúde também tem um peso grande.

Mais de um terço dos homens não cuidam da própria saúde, indica o Ministério da Saúde. O levantamento “Um Novo Olhar para a Saúde do Homem”, feito pela revista Saúde em parceria com o Instituto Lado a Lado Pela Vida, e divulgado em setembro de 2019, mostrou que, apesar de o urologista ser visto por 37% dos entrevistados como o médico do homem, 59% não costumam manter consultas periódicas.

O câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele (não-melanoma), de acordo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é uma doença silenciosa, ​ com cerca de 70 mil novos casos a cada ano e o número de mortes causadas pela doença, segundo o Inca, chegou a 15.391, em 2017, o que mostra que 42 homens morrem por dia em decorrência da doença e, aproximadamente, 3 milhões vivem com a doença no Brasil. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos em desenvolvimento, de acordo com o Inca, e se descoberto precocemente tem 90% de chance de cura.

Apesar dos dados alarmantes e das campanhas realizadas, muitos homens, por preconceito e desconhecimento, têm medo de fazer os exames preventivos. De acordo com o Painel Abramed 2019 – O DNA do Diagnóstico, o número de pacientes atendidos alcançou mais de 35 milhões, nas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), em 2018, que representam 50,2% dos exames na saúde suplementar e 21% no total do país.

Assim como no ano anterior, as mulheres correspondem ao maior percentual de atendimentos, 62%. O atendimento aos homens representou 38% do total no mesmo período. Comprovando que o público feminino demonstra maior preocupação com a saúde e realiza mais exames preventivos do que os homens.

Segundo indicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), para homens a partir dos 50 anos é recomendado fazer anualmente o exame de antígeno prostático específico (PSA), que é um dos procedimentos preventivos e de diagnóstico precoce, e o de toque retal, visando avaliar consistência e presença de nódulos na glândula. Normalmente, solicita-se também ultrassonografia das vias urinárias e próstata. Todos são cobertos pela Rol de Procedimentos e Eventos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que determina a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. Esses exames, quando associados, de acordo com o Inca, podem dar uma segurança de cerca de 90% ou mais, auxiliando no diagnóstico precoce da doença, já que 20% dos casos são diagnosticados na fase inicial.

“Pessoas com antecedentes familiares de neoplasia prostática, obesos e raça negra têm maior predisposição a este tipo de tumor e devem iniciar o check-up prostático já aos 40 anos, afirma o urologista do HCor, marca associada a Abramed, Antonio Correa Lopes Neto.

O número de exames de PSA realizados na saúde suplementar em 2018, segundo a ANS, foi 475.198, sendo 29,7 exames para cada mil beneficiários (homens a partir de 20 anos). Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) foram feitos 6.768.013 exames, sendo 108,6 para cada mil homens (a partir de 20 anos).

Outra informação importante, porém, preocupante, é que na saúde suplementar os homens entre 50 e 59 anos realizaram 132 mil exames, em 2018, ante a uma população de 2,4 milhões de pessoas do sexo masculino, o que representa 5,5% do total, segundo a Troca de Informação na Saúde Suplementar (TISS). “Esperava-se que este número fosse bem maior, pois nesta idade, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), a realização do PSA é obrigatória. Teríamos de estar com um percentual bem mais próximo do 100%”, ressalva Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Custos

Os gastos no Brasil em relação ao tratamento de câncer (excluindo promoção e prevenção) aumentaram de R$ 470 milhões para R$ 3,3 bilhões, entre 1999 e 2015, um crescimento de sete vezes num período de 16 anos. Cerca de dois terços destes gastos estão relacionados somente à quimioterapia.

Os números mostram que diagnosticar a doença nos estágios iniciais de tratamento e aumentar os esforços de prevenção de fatores de risco do câncer, reduz os custos na saúde. Quanto mais tardio o diagnóstico, mais oneroso é o tratamento.

Estudo feito pelo Hospital Sírio-Libanês aponta que, em 2018, foram gastos cerca de 9,3% do PIB no consumo de bens e serviços de saúde no Brasil (aproximadamente R$ 640 bilhões). Historicamente, o setor público realiza em média 42,8% das despesas, enquanto o desembolso realizado por famílias e empresas representa em média 57,2% do total. O país apresenta uma proporção de gasto público abaixo dos demais países de renda média. Por outro lado, tem uma contribuição privada bem acima na comparação com diversos países desenvolvidos.

“Investir em diagnóstico precoce do câncer, além de aumentar as possibilidades de cura, traz economia à saúde suplementar e ao SUS, por evitar gastos elevados, e proporcionar, principalmente, maior segurança ao paciente, que terá mais qualidade de vida”, afirma Shcolnik.

Demora no tratamento

A demora dos homens em ir ao médico é também um dos fatores que retardam o diagnóstico precoce da doença. Em média, eles esperam seis meses para procurarem um médico após os sintomas de câncer de próstata. O intervalo médio entre os primeiros indícios da doença, o diagnóstico e o início do tratamento é de 15 meses.

Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, com 200 homens acima dos 40 anos, diagnosticados com câncer de próstata há mais de dois anos, divididos em grupos de pacientes metastáticos e não metastáticos no Brasil, divulgada em maio deste de 2019, mostra que 51% dos pacientes com a doença em fase metastática descobriram o câncer de próstata em estágio avançado, 67% conheciam pouco ou não conheciam a doença antes do diagnóstico e um em cada três homens nunca procuraram um médico como medida preventiva, apenas recorrendo a um especialista após apresentar algum sintoma da enfermidade.

“Os homens tem medo da doença em si e dos possíveis efeitos colaterais dos tratamentos como, por exemplo, a disfunção erétil”, afirma Diogo Bastos, oncologista do Hospital Sírio-Libanês e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Segundo o médico, a maioria das pessoas acredita que todo homem que é submetido a um tratamento para câncer de próstata terá uma disfunção erétil, o que não é verdade. “Existem muitos tratamentos seguros atualmente e que não evoluem para esse problema. Em geral, esse é um câncer altamente curável, mas quanto mais cedo detectar, maior é a chance de cura”, conclui.

As informações das auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) em diversos estados, processadas em 2010, e divulgadas no Painel Abramed 2019 — O DNA do diagnóstico, revelaram que 60,5% dos pacientes foram diagnosticados em estadiamento (classificação preconizada pela União Internacional para o Controle do Câncer que determina a extensão do tumor presente no corpo de uma pessoa e onde está localizado) avançado, níveis 3 e 4 (sendo 0 para a doença restrita a área inicial; 1 – tumor restrito a uma parte do corpo; 2 – localmente avançado; 3 – localmente avançado com comprometimento do sistema linfático ou espalhando por mais tecido; e 4 – metástase a distância, espalhando para outros órgãos ou todo o corpo).

“A saúde é o bem mais desejado pelo brasileiro e, por isso, não pode ser postergada. É ela que pode possibilitar ao país condições para a retomada do crescimento, amadurecimento e aumento de produtividade. Neste setor, com muitos atores e desafios, o diagnóstico cumpre o seu protagonismo como importante elo dessa engrenagem”, ressalta Wilson Shcolnik.

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