Uso excessivo de antibióticos pode causar de infecções até reações alérgicas

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma média superior aos países da Europa em relação ao uso de antibióticos, com 22,75 doses por dia. O risco é que a ingestão indiscriminada desse tipo de medicamento, seja por escolha do paciente ou sob prescrição médica, possa causar uma série de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, reações alérgicas, entre outras condições.

Segundo Maria Lúcia Biancalana, infectologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, outra preocupação relacionada ao uso incorreto dessa classe de medicamentos é a de que surja uma seleção de bactérias multirresistentes aos antibióticos. “O uso indiscriminado pode favorecer o crescimento dessas superbactérias. Por isso, é importante que o tratamento com antibióticos seja feito apenas para causas específicas e por tempo adequado. Quando as bactérias se tornam resistentes, os antibióticos habituais perdem a eficiência e não impedem a multiplicação desses microrganismos. Bactérias resistentes são mais difíceis de serem eliminadas e geralmente exigem medicamentos mais tóxicos. Além disso, há o risco de se alastrarem, pois podem ser transmitidas para outras pessoas”, afirma a médica.

Ela ressalta também que é essencial que a população compreenda os riscos e limites do uso desses medicamentos e das várias ameaças que ele traz. “É fundamental usar antibióticos apenas quando indicado e prescrito por um profissional de saúde, seguir a prescrição à risca, evitar reutilizar medicamentos usados em outros tratamentos e que estejam disponíveis em casa e não compartilhar antibióticos com outras pessoas”, orienta a profissional.

Os antibióticos salvam vidas e são fundamentais para tratar infecções comuns como pneumonia e até condições que mais sérias como a sepse. Porém, não são eficientes para combater infecções causadas por vírus como os da gripe e de resfriados. “Por isso é tão importante que haja conscientização não só dos profissionais de saúde como também da população de forma geral”, afirma a médica.

Com o intuito de estimular o bom uso desse tipo de medicamento, a BP mantém o Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos, que visa garantir o efeito farmacoterapêutico máximo desses agentes, reduzir a ocorrência de eventos adversos nos pacientes e prevenir a seleção e a disseminação de microrganismos resistentes.

Foto: Reprodução

Inpa inaugura ampliação de seu laboratório voltado para a piscicultura

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) inaugura nesta terça-feira (14), às 9h, a ampliação e reforma do Laboratório de Fisiologia Aplicado à Piscicultura (Lafap), que conta com infraestrutura moderna e adequada para realizar pesquisas em piscicultura, área com perspectiva produtiva e sustentável para a região, e capacitação. A modernização do laboratório faz parte da revitalização do Centro de Aquicultura, localizado no Campus III, Morada do Sol, zona Centro-Sul de Manaus.

A obra no Lafap levou três meses para ser concluída e recebeu investimento
de R$ 169.884,10 do Projeto “Implantação de Unidades Demonstrativas
Agroflorestais na Amazônia (Iudaa)”, patrocinado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Iudaa atua nas áreas de piscicultura, coordenado pela pesquisadora Elizabeth Gusmão, e plantios agroflorestais, coordenado pela pesquisadora Rosalee Coelho. A coordenação geral é da titular da Coordenação de Tecnologia Social (Cotes), Denise Gutierrez.

A finalidade do Lafap é realizar pesquisas em aquicultura, nas linhas sobre
nutrição, sanidade e sistema de produção de peixes de cultivo, além de atuar na capacitação de alunos de graduação à pós-graduação (mestrado e doutorado). O laboratório foi implantado em 2002, com uma estrutura simples e espaço limitado, passando por ampliações no decorrer dos anos.

Segundo Gusmão, o Lafap desenvolve pesquisas de ponta na área de
aquicultura, a exemplos dos projetos com a tecnologia de bioflocos, pioneira com espécies nativas (tambaqui e matrinxã) e que contribui com o futuro da aquicultura na região Norte. Os bioflocos são microrganismos ricos em nutrientes que diminuem a quantidade de substâncias tóxicas da água.

“Outras pesquisas que serão beneficiadas com esta infraestrutura são as relacionadas com as questões sanitárias, principalmente novas substâncias para tratamento de doenças, como a acantocefalose que tem diminuído a produção de tambaqui, sendo este um dos maiores obstáculos atualmente enfrentado pelo setor”, disse Gusmão, que também é líder do Grupo de Pesquisa em Aquicultura na Amazônia Ocidental do Inpa.

As duas linhas de pesquisas recebem fomento de projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Banco da Amazônia e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior (Capes). O Amazonas é o maior consumidor per capita de peixe do país (33 quilos por ano), porém não é autossuficiente na piscicultura nem para suprir o mercado local.

Pesquisa e capacitação

Segundo Denise Gutierrez, a infraestrutura do Centro de Aquicultura foi modernizada e adaptada para atender as necessidades contemporâneas, com novos equipamentos adquiridos e instalados. “Trata-se de um convênio para execução de projeto voltado não apenas para a pesquisa aplicada, mas também para a capacitação de produtores do interior do Amazonas, o que significa uma resposta efetiva do Inpa para as demandas das populações locais. Nele, pesquisa e capacitação foram perfeitamente articuladas, ficando como exemplo para propostas futuras”, destacou a coordenadora.

Em 2018, também com recurso do projeto Iudaa/Finep (R$ 357.144,47), a Estação de Aquicultura do Inpa ampliou sua infraestrutura com a construção de uma fábrica de ração e uma sala de aula para curso de extensão, além da revitalização do prédio central desta Estação. Como resultados desses investimentos, o Grupo de Pesquisa “Aquicultura na Amazônia Ocidental”, do qual fazem parte os pesquisadores e alunos da Estação, vem contribuindo com a capacitação de profissionais da região Norte, com cursos sobre elaboração de rações e o uso da extrusora, além de minicursos sobre bioflocos e sanidade, ambos oferecidos para toda a sociedade.

“As pesquisas estão sendo realizadas com uma infraestrutura de melhor qualidade, o que podemos garantir que daqui a poucos anos estaremos disponibilizando serviços para as instituições de pesquisa do Norte do país, e os resultados gerados já podem ser utilizados pelo setor produtivo”, ressaltou Gusmão.  Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail pgusmao1@yahoo.com.br.

Foto: Vadelira Fernandes/Inpa

Presença de sangue no esperma pode ser causada por infecção na próstata, alerta urologista

Denominada hemospermia, a presença de sangue no esperma ejaculado pode acometer homens de idades variadas. Como na maioria das vezes ocorre sem sintomas, o alerta vem, geralmente, quando se nota a mudança da coloração do esperma, após a atividade sexual, que pode ir de rosa claro ao vermelho ou marrom, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo. Pelo menos 2% dos relatos urológicos estão ligados à alteração, mas especialistas acreditam que esse número é maior, já que muitos casos são sub-notificados.

De acordo com ele, grande parte dos homens com a alteração, continua tendo uma vida sexual normal até que algum sintoma decorrente da piora do caso passe a aparecer. “Mas, mesmo com algum sintoma evidente, como desconforto, por exemplo, muitos homens deixam de procurar ajuda por vergonha ou timidez”, frisou o médico.

Entre as mais comuns infecções/inflamações da próstata, está a prostatite, causada por bactérias do intestino capazes de contaminar áreas próximas. A hiperplasia benigna de próstata, caracterizada pelo crescimento da glândula, também pode contribuir para a hemospermia. Os ductos ejaculatórios também podem ser a causa do sangramento, em casos de processos inflamatórios.

A próstata é uma glândula que faz parte do aparelho genital masculino e está localizada perto da bexiga do homem. Sua principal função é armazenar um líquido que, junto aos espermatozóides, formam o sêmen.

Giuseppe Figliuolo explica que quanto mais agravado o caso, maior pode ser o sangramento que é eliminado junto ao esperma. No início, os sintomas inexistem, mas se não tratada a tempo, pode levar a dores, febre, calafrios, urina turva, mal estar, entre outros.

Outra causa provável da hemospermia pode ser uma complicação pós-cirúrgica. Os procedimentos cirúrgicos para o tratamento da próstata, por exemplo, estão inseridos nesse contexto, destaca Figliuolo.  

O diagnóstico, geralmente, é feito através de avaliação clínica e pode ter indicação de exames como o espermograma, urina e urocultura. “Em alguns casos, necessita-se de avaliações mais aprofundadas, com exames complementares como ressonância magnética da próstata, cistoscopia ou biópsia (retirada de fragmento para análise patológica)”, disse o especialista.

O tratamento é conservador, com a utilização de medicamentos, inibidores de crescimento prostático, entre outros. 

Foto: Divulgação

Homens fazem menos exames que mulheres, aponta Ministério da Saúde

As campanhas de conscientização dedicadas às mulheres e aos homens se tornaram eventos oficiais nos calendários de saúde. A divulgação das ações traz à tona o questionamento: por que os homens se cuidam menos que as mulheres? Essa falta de cuidado reflete nos números. Elas vivem mais do que eles em quase todas as partes do mundo – e tem sido assim nos últimos 100 anos. No Brasil, a expectativa de vida dos homens é de 72,8 anos em 2018, enquanto a das mulheres é de 79,9 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a violência seja um dos fatores que justifique essa diferença, a falta de cuidado com a saúde também tem um peso grande.

Mais de um terço dos homens não cuidam da própria saúde, indica o Ministério da Saúde. O levantamento “Um Novo Olhar para a Saúde do Homem”, feito pela revista Saúde em parceria com o Instituto Lado a Lado Pela Vida, e divulgado em setembro de 2019, mostrou que, apesar de o urologista ser visto por 37% dos entrevistados como o médico do homem, 59% não costumam manter consultas periódicas.

O câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele (não-melanoma), de acordo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é uma doença silenciosa, ​ com cerca de 70 mil novos casos a cada ano e o número de mortes causadas pela doença, segundo o Inca, chegou a 15.391, em 2017, o que mostra que 42 homens morrem por dia em decorrência da doença e, aproximadamente, 3 milhões vivem com a doença no Brasil. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos em desenvolvimento, de acordo com o Inca, e se descoberto precocemente tem 90% de chance de cura.

Apesar dos dados alarmantes e das campanhas realizadas, muitos homens, por preconceito e desconhecimento, têm medo de fazer os exames preventivos. De acordo com o Painel Abramed 2019 – O DNA do Diagnóstico, o número de pacientes atendidos alcançou mais de 35 milhões, nas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), em 2018, que representam 50,2% dos exames na saúde suplementar e 21% no total do país.

Assim como no ano anterior, as mulheres correspondem ao maior percentual de atendimentos, 62%. O atendimento aos homens representou 38% do total no mesmo período. Comprovando que o público feminino demonstra maior preocupação com a saúde e realiza mais exames preventivos do que os homens.

Segundo indicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), para homens a partir dos 50 anos é recomendado fazer anualmente o exame de antígeno prostático específico (PSA), que é um dos procedimentos preventivos e de diagnóstico precoce, e o de toque retal, visando avaliar consistência e presença de nódulos na glândula. Normalmente, solicita-se também ultrassonografia das vias urinárias e próstata. Todos são cobertos pela Rol de Procedimentos e Eventos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que determina a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. Esses exames, quando associados, de acordo com o Inca, podem dar uma segurança de cerca de 90% ou mais, auxiliando no diagnóstico precoce da doença, já que 20% dos casos são diagnosticados na fase inicial.

“Pessoas com antecedentes familiares de neoplasia prostática, obesos e raça negra têm maior predisposição a este tipo de tumor e devem iniciar o check-up prostático já aos 40 anos, afirma o urologista do HCor, marca associada a Abramed, Antonio Correa Lopes Neto.

O número de exames de PSA realizados na saúde suplementar em 2018, segundo a ANS, foi 475.198, sendo 29,7 exames para cada mil beneficiários (homens a partir de 20 anos). Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) foram feitos 6.768.013 exames, sendo 108,6 para cada mil homens (a partir de 20 anos).

Outra informação importante, porém, preocupante, é que na saúde suplementar os homens entre 50 e 59 anos realizaram 132 mil exames, em 2018, ante a uma população de 2,4 milhões de pessoas do sexo masculino, o que representa 5,5% do total, segundo a Troca de Informação na Saúde Suplementar (TISS). “Esperava-se que este número fosse bem maior, pois nesta idade, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), a realização do PSA é obrigatória. Teríamos de estar com um percentual bem mais próximo do 100%”, ressalva Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Custos

Os gastos no Brasil em relação ao tratamento de câncer (excluindo promoção e prevenção) aumentaram de R$ 470 milhões para R$ 3,3 bilhões, entre 1999 e 2015, um crescimento de sete vezes num período de 16 anos. Cerca de dois terços destes gastos estão relacionados somente à quimioterapia.

Os números mostram que diagnosticar a doença nos estágios iniciais de tratamento e aumentar os esforços de prevenção de fatores de risco do câncer, reduz os custos na saúde. Quanto mais tardio o diagnóstico, mais oneroso é o tratamento.

Estudo feito pelo Hospital Sírio-Libanês aponta que, em 2018, foram gastos cerca de 9,3% do PIB no consumo de bens e serviços de saúde no Brasil (aproximadamente R$ 640 bilhões). Historicamente, o setor público realiza em média 42,8% das despesas, enquanto o desembolso realizado por famílias e empresas representa em média 57,2% do total. O país apresenta uma proporção de gasto público abaixo dos demais países de renda média. Por outro lado, tem uma contribuição privada bem acima na comparação com diversos países desenvolvidos.

“Investir em diagnóstico precoce do câncer, além de aumentar as possibilidades de cura, traz economia à saúde suplementar e ao SUS, por evitar gastos elevados, e proporcionar, principalmente, maior segurança ao paciente, que terá mais qualidade de vida”, afirma Shcolnik.

Demora no tratamento

A demora dos homens em ir ao médico é também um dos fatores que retardam o diagnóstico precoce da doença. Em média, eles esperam seis meses para procurarem um médico após os sintomas de câncer de próstata. O intervalo médio entre os primeiros indícios da doença, o diagnóstico e o início do tratamento é de 15 meses.

Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, com 200 homens acima dos 40 anos, diagnosticados com câncer de próstata há mais de dois anos, divididos em grupos de pacientes metastáticos e não metastáticos no Brasil, divulgada em maio deste de 2019, mostra que 51% dos pacientes com a doença em fase metastática descobriram o câncer de próstata em estágio avançado, 67% conheciam pouco ou não conheciam a doença antes do diagnóstico e um em cada três homens nunca procuraram um médico como medida preventiva, apenas recorrendo a um especialista após apresentar algum sintoma da enfermidade.

“Os homens tem medo da doença em si e dos possíveis efeitos colaterais dos tratamentos como, por exemplo, a disfunção erétil”, afirma Diogo Bastos, oncologista do Hospital Sírio-Libanês e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Segundo o médico, a maioria das pessoas acredita que todo homem que é submetido a um tratamento para câncer de próstata terá uma disfunção erétil, o que não é verdade. “Existem muitos tratamentos seguros atualmente e que não evoluem para esse problema. Em geral, esse é um câncer altamente curável, mas quanto mais cedo detectar, maior é a chance de cura”, conclui.

As informações das auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) em diversos estados, processadas em 2010, e divulgadas no Painel Abramed 2019 — O DNA do diagnóstico, revelaram que 60,5% dos pacientes foram diagnosticados em estadiamento (classificação preconizada pela União Internacional para o Controle do Câncer que determina a extensão do tumor presente no corpo de uma pessoa e onde está localizado) avançado, níveis 3 e 4 (sendo 0 para a doença restrita a área inicial; 1 – tumor restrito a uma parte do corpo; 2 – localmente avançado; 3 – localmente avançado com comprometimento do sistema linfático ou espalhando por mais tecido; e 4 – metástase a distância, espalhando para outros órgãos ou todo o corpo).

“A saúde é o bem mais desejado pelo brasileiro e, por isso, não pode ser postergada. É ela que pode possibilitar ao país condições para a retomada do crescimento, amadurecimento e aumento de produtividade. Neste setor, com muitos atores e desafios, o diagnóstico cumpre o seu protagonismo como importante elo dessa engrenagem”, ressalta Wilson Shcolnik.

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Setembro reforça o alerta sobre a prevenção do câncer de intestino

Classificado como o 5º tipo de câncer entre os homens do Amazonas e o 4º entre as mulheres, o câncer de colorretal entra em evidência este mês, com o ‘Setembro Verde’, que alerta sobre a prevenção à doença. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a previsão é de 280 casos/ano no Estado, incluindo também o câncer de reto. A maior parte (170) em mulheres, cuja taxa bruta de incidência, ou seja, o número de casos para cada 100 mil pessoas, chega a 8,40.

O cirurgião oncológico e membro da diretoria da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), Dr. Manoel Jesus Pinheiro Júnior, explica que o cólon é a maior parte do intestino grosso, área onde há a maior ocorrência de casos de câncer do intestino.

O intestino compõe o aparelho digestivo e tem função essencial no processo de digestão de alimentos, pois é nele que ocorre a absorção da água necessária à formação do chamado bolo fecal, facilitando o trânsito intestinal.

“Entre os fatores considerados de risco para a doença estão os pólipos intestinais e a constipação, popularmente conhecida por prisão de ventre. Quanto maior o intervalo entre uma evacuação e outra, mais tempo as fezes ficam acumuladas no intestino, irritando a parede e potencializando o risco de desenvolvimento dos pólipos, que por sua vez, podem evoluir para tumores malignos ou benignos”, explica o especialista em oncologia.

Jesus Pinheiro alerta que sinais como sangue nas fezes, dores abdominais e na região pélvica com certa freqüência, além de dores ao liberar as fezes, merecem uma investigação mais aprofundada de um especialista. “Durante a análise clínica, podem ser indicados exames de imagem como retosigmoidoscopia e colonoscopia com biópsia. Após a coleta de fragmentos para a análise patológica, pode-se chegar ao diagnóstico do câncer ou descartá-lo, buscando outros tratamentos menos agressivos”, explica.

Os tratamentos indicados podem ser: cirúrgico, radioterápiuco ou quimioterápido. Há casos em que as terapias são associadas, de modo a combater de forma mais eficaz a doença. “Lembramos que, a partir dos 50 anos, é recomendada a colonoscopia anual para o rastreio de alterações no intestino. Isso porque, a maior parte dos casos de câncer não apresenta sintomas na fase inicial. E quando diagnosticado precocemente, o câncer tem maiores chances de cura”, frisou.

Ele ressalta que os principais métodos preventivos envolvem a manutenção de uma dieta regular contendo frutas, verduras, alimentos à base de fibras, cereais e carnes brancas. Além disso, o consumo de pelo menos dois litros de água também ajuda, pois irriga o intestino e reduz a constipação. “Manter níveis adequados de vitamina D no organismo e praticar regularmente exercícios físicos também ajudam a prevenir o câncer colorretal, uma vez que reduzem a resistência à insulina e libera a endorfina, que fortalece o sistema imunológico”, finalizou.

Já conhece a Lacc?

A Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) foi fundada em 1955. Entre os projetos sociais financiados a partir da doação de colaboradores à Lacc, destacam-se: aluguéis sociais para pacientes de fora que buscam tratamento em Manaus; pagamento de transporte fluvial e terrestre; doação de cestas básicas mensais às famílias em situação de vulnerabilidade; compra de alimentação especial para pessoas pré-cadastradas pelo Serviço Social da FCecon; suporte às ações de prevenção e cuidados paliativos da unidade hospitalar; distribuição diária de lanches na FCecon no horário da manhã; campanhas voltadas à recuperação da auto-estima dos pacientes, entre outros. As doações à ONG podem ser feitas através do site www.laccam.org.br ou pelo telefone (92) 2101-4900 .

Foto: divulgação

Unidade Móvel do Sesc oferece exames gratuitos de mamografia e preventivo

A unidade móvel Sesc Saúde da Mulher – Tarcila Mendes, irá oferecer exames gratuitos de mamografia, preventivo e ações de educação em saúde. Os agendamentos já podem ser feitos no Centro Estadual de Convivência do Idoso – Aparecida, na rua Wilkens de Matos, s/nº, bairro Nossa Senhora Aparecida. Os atendimentos começam no dia 15 de outubro.

Os agendamentos podem ser feitos de segunda a sexta-feira das 9h às 11h30 e das 13h às 16h. As mulheres de 40 a 49 anos que desejarem fazer o exame de mamografia precisam levar a xerox do RG, CPF, Cartão do Sus, comprovante de residência e encaminhamento médico, acima de 50 anos não é necessário apresentar encaminhamento médico, somente os documentos.

Para o preventivo a faixa etária é de 25 a 64 anos, as mulheres interessadas devem levar xerox do RG, CPF, Cartão do Sus e comprovante de residência. Já as ações de educação em saúde contam com palestras, rodas de conversa e debates.

Saiba mais

A unidade atua como uma clínica da mulher sobre rodas, visando a prevenção do câncer de mama e colo de útero através da realização de exames de rastreamento como a mamografia digital e o papanicolau, além de ações educativas para a promoção da saúde.

Além de oferecer um atendimento humanizado a infraestrutura da unidade móvel chama a atenção, dentro da carreta há um consultório para realização de exames citopatológicos, uma sala de mamografia com exames de rastreio por imagem, banheiro, tenda externa com espaço multimídia para ações educativas, recepção e sala de espera. Dispõe ainda de um ambiente climatizado, além de elevador de acesso para deficientes.

Foto: Sesc/divulgação

Investe Turismo percorre 16 Estados em três meses

Lançado em junho, em Fortaleza, o programa Investe Turismo já alcançou 21 Unidades da Federação e contou com a participação de quase três mil pessoas em seminários realizados por todo o país. O programa, que é resultado de uma parceria entre Sebrae, Ministério do Turismo e Embratur, visa a articulação e o fomento do turismo, por meio da convergência de ações e investimentos para acelerar o desenvolvimento, gerar empregos e aumentar a qualidade e competitividade de 30 rotas turísticas estratégicas do Brasil, entre elas: Brasília e Chapada dos Veadeiros, Pantanal, Palmas e Jalapão, Boa Vista e Monte Roraima, Costa do Descobrimento, entre outras.

O Investe Turismo já passou pelos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. Nesses locais, os seminários tiveram a presença de 2.827 pessoas envolvidas com a atividade do turismo. Ao todo já foram feitos cerca de 550 atendimentos voltados principalmente para a melhoria do acesso ao crédito. Esta ação une grandes agentes, como o BNDES, e atores locais que estão mais próximos dos empreendedores de cada estado. Após o Seminário, são realizados atendimentos individualizados – focados na necessidade e realidade de cada empreendedor.

“O Programa é relevante para o Sebrae porque está alinhado com a nossa estratégia e vai atender a mais de 4.000 pequenos negócios, com foco em inovação, sustentabilidade e na gestão de destinos com base em dados. Estes são elementos essenciais para o desenvolvimento do território, que é onde tudo acontece”, avalia o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “Trabalhamos para que isso ocorra com a mudança na vida das pessoas, com a geração de um ambiente econômico dinâmico”, complementa.

O programa Investe Turismo tem, entre as atividades previstas, a formalização de prestadores de serviços no segmento do turismo, assim como a orientação aos donos de pequenos negócios, com foco na inovação tecnológica, na sustentabilidade dos negócios e na conquista de novos mercados. A estrutura das ações gira em torno de rotas que visam o desenvolvimento do setor de forma regional e integrada, tanto com os parceiros públicos quanto com os privados. Inicialmente, serão investidos R$ 200 milhões para o desenvolvimento e qualificação do setor nessas localidades.

Pacote de ações das rotas turísticas:

  • O fortalecimento da governança, por meio de uma integração entre setor público e privado;
  • A melhoria dos serviços e atrativos turísticos, com foco especial nas micro e pequenas empresas;
  • Atração de investimentos e apoio ao acesso a linhas de crédito e fontes de financiamento;
  • Marketing e apoio à comercialização, com campanhas, produção de inteligência mercadológica e participação em eventos estratégicos.

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Estudantes de Barreirinha transformam Amazônia em sala de aula e serão representantes do Brasil em conferência na Itália

Dados do Censo Escolar de 2018, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que 56% das escolas de Ensino Médio não têm laboratório de ciências. A Escola Professora Maria Belém, em Barreirinha (AM) – pequeno município localizado no coração da Amazônia – faz parte dessa estatística. Chamando a atenção para essa realidade, alunos do 3º ano do Ensino Médio pensaram em uma solução simples, porém extremamente criativa: levar a sala de aula para fora dos muros da escola. Era o início do projeto “Amazônia, um laboratório natural“, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

Com o objetivo de transpor os livros e dinamizar o tempo de estudo, cinco alunos se reuniram com o professor de biologia para propor alternativas para as atividades práticas na escola. Em pouco tempo, os jovens perceberam que tinham à disposição o maior laboratório natural do mundo: a Floresta Amazônica. Depois de se apropriarem dos temas que poderiam ser usados como fonte de estudos, 25 alunos viajaram de barco até a comunidade vizinha de São Francisco do Paraná do Moura. Lá, divididos em grupos, pesquisaram sobre diferentes temas, tais como os tipos de água, os habitat, as florestas primária e secundária, os aspectos das diversas plantas e os tipos de serpentes.

Além de evidenciar a falta de laboratório na escola, o sucesso da experiência transformou a percepção da turma e melhorou significativamente a absorção dos conteúdos de disciplinas como física, química e biologia. Durante todo o projeto, o grupo contou com o apoio do professor, que contribuiu com soluções para as dúvidas que surgiam e, posteriormente, ajudou na organização dos debates. A iniciativa foi multiplicada para outras turmas do “Maria Belém”, que se inspiraram no primeiro teste e passaram a ocupar outros espaços não formais e torná-los extensões das salas de aula.

De Barreirinha para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso” (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$ 1.500 para o projeto e R$ 500 para o educador.

A novidade desta edição fica por conta da viagem de premiação ser internacional: uma imersão em Roma, na Itália, no final de novembro, irá reunir mais de 2 mil crianças e jovens de países integrantes do movimento Design for Change – do qual o Criativos da Escola faz parte.

“Os sete projetos representarão um movimento de crianças e jovens de todo o Brasil que nos apresentam a beleza e a força de soluções coletivas, inovadoras e solidárias para os desafios de seus territórios e para os problemas que mais os incomodam em suas realidades. Estamos muito felizes em divulgar estas iniciativas que irão mostrar para o mundo não só projetos incríveis, mas também a necessidade de olharmos para as questões abordadas por cada um deles e para os direitos que deveriam ser garantidos para toda a sociedade”, comemora o coordenador do Criativos da Escola, Gabriel Maia Salgado.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

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Çairé inicia com levantamento dos mastros em Alter do Chão

Texto e fotos: Nely Pedroso

A tradicional Festa do Cairé, que ocorre sempre no mês de setembro em Alter do Chão, oeste do Pará, iniciou nesta quinta-feira (19), com o ritual religioso de inauguração do barracão, guardião do símbolo do Cairé (Divino Espirito Santo), procissão e levantamento dos mastros, ocorridos na Praça do Cairé.

O rito religioso do povo Borari (habitantes da Vila de Alter do Chão, como são conhecidos) foi conduzido pelo capitão, juízes, mordomos, saraipora, procuradeira, entre outros personagens da festa, que em procissão circularam ao redor dos mastros, levantados em uma competição acirrada entre homens e mulheres. Os homens levaram a melhor no levantamento dos mastros ornamentados por galhos de plantas e frutas, muitas frutas, simbolizando fartura.

A saraipora Dalva de Jesus Vieira, guardiã do símbolo do Çairé há cinco anos, sente-se orgulhosa por conduzir o símbolo sagrado da festa, que é a Santíssima Trindade. “Faço isso com muita devoção”, garante.

O evento traz sempre boas lembranças aos moradores tradicionais de Alter, como assegurou a moradora Francisca Garcia Costa, 96, que é cega, mas faz questão de participar da festa. “Venho e fico escutando as músicas entoadas na celebração”, afirma, sentada na entrada do barracão.

Dona Santila de Sousa Alves, 77, também faz questão de participar da abertura da festa. “Faço questão de vir. Eu sempre participava ajudando na programação”, garante.

Programação

A Festa do Çairé, que data mais de 300 anos, terá, até o dia 23, uma grande programação, com apresentações musicais (locais e regionais), ritos religiosos como ladainhas e procissões, cerimônia do beija fita e a disputa ferrenha entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, marcada para o sábado, dia 21.

Estrutura

Toda uma estrutura foi montada pela Prefeitura de Santarém para a festa. O Lago dos Botos recebeu obras de infraestrutura para os shows, como um palco com camarins, banheiros, além de arquibancadas, camarotes, iluminação, barracas na praça de alimentação e banheiros públicos.

É intenção do prefeito Nélio Aguiar concluir a estrutura definitiva do Lago dos Botos. Para isso, vai pedir ajuda ao governador Jader Barbalho, em pleito a ser entregue nos próximos dias, conforme assegurou. “É uma festa grandiosa, que não é só da área da cultura, mas de Santarém, de Alter do Chão e de todas as secretarias envolvidas. Que todos tenhamos um Çairé de paz, de alegria do povo de Alter do Chão e do povo Borari”, diz.

A festa de abertura foi bonita e encerrou com muita comilança: sanduíches e frutas foram distribuídos aos moradores e visitantes. Fechando a programação matutina, um show musical em ritmo de carimbo do conjunto musical nativo Espanta Cão.

Vale lembrar que no encerramento do Çairé, dia 23, o barracão até então para atos litúrgicos, se transforma em festa com danças tradicionais do local, como Marambiré, Quebra Macaxeira, Matucará e Desfeiteira.

Alter do Chão é um dos distritos de Santarém (PA), distante a 37 quilômetros pela rodovia Everaldo Martins. Os principais atrativos turísticos são as praias do Amor e do Cajueiro.

Queimadas na Amazônia seguem rastro do desmatamento, mostra análise

O número de focos de calor registrados na Amazônia já é 60% mais alto do que o registrado nos últimos três anos. O pico tem relação com o desmatamento, e não com uma seca mais forte como poderia se supor, segundo nota técnica sobre a atual temporada de queimadas que o Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (Ipam) divulgou hoje, 20 de agosto.

Confira a nota técnica na íntegra.

De 1º de janeiro a 14 de agosto, 32.728 focos foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Uma das hipóteses para explicar a alta em 2019 seria uma estiagem intensa, como registrada em 2016. Mas ela não se confirmou: apesar da seca, há mais umidade na Amazônia hoje do que havia nos últimos três anos.

Se a seca não explica as queimadas atuais, a retomada da derrubada da floresta faz isso. O fogo é normalmente usado para limpar o terreno depois do desmatamento, e a relação entre os dois fatores é positiva em uma análise entre os focos de calor e o registro de derrubada feito pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD).

“Não há fogo natural na Amazônia. O que há são pessoas que praticam queimadas, que podem piorar e virar incêndios na temporada de seca”, explica a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar, uma das autoras da nota. “Mesmo em uma estiagem menos intensa do que em 2016, quando sofremos com um El Niño muito forte, o risco do fogo escapar é alto.”

A fumaça desencadeia uma série de problemas respiratórios em quem mora na região, o que gera ainda gastos com saúde pública e prejuízos econômicos pela ausência de funcionários. No Acre, que a nota destaca como exemplo, os satélites já registraram 1.790 focos de calor, número 57% mais alto do que em 2018 e 23% mais alto do que em 2016, com cidades respirando uma quantidade de material particulado muito acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

“As consequências para a população são imensas. A poluição do ar causa doenças e o impacto econômico pode ser alto”, diz o pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho. “Combater o desmatamento, que é um vetor das queimadas, e desestimular o uso do fogo para limpar o terreno são fundamentais para garantir a saúde das pessoas e das florestas.”

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